"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























domingo, 20 de agosto de 2023

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
10. Os 8 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  
11.  Os 11 conselhos para viver a Missa mais profundamente AQUI.
12. Papa Francisco pede aos padres: façam homilias mais curtas AQUI.
13A atenção daqueles que estão ao serviço da Palavra que devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam. . . É assim que procedem aqueles a quem a Igreja confia o serviço da Palavra? (Dehonianos, 20 Outubro 2019)

Então:

Tema do 20º Domingo do Tempo Comum

O Evangelho apresenta a realização da profecia do Trito-Isaías, apresentada na primeira leitura deste domingo. Jesus, depois de constatar como os fariseus e os doutores da Lei recusam a sua proposta do Reino, entra numa região pagã e demonstra como os pagãos são dignos de acolher o dom de Deus. Face à grandeza da fé da mulher cananeia, Jesus oferece-lhe essa salvação que Deus prometeu derramar sobre todos os homens e mulheres, sem excepção.
A segunda leitura sugere que a misericórdia de Deus se derrama sobre todos os seus filhos, mesmo sobre aqueles que, como Israel, rejeitam as suas propostas. Deus respeita sempre as opções dos homens; mas não desiste de propor, em todos os momentos e a todos os seus filhos, oportunidades novas de acolher essa salvação que Ele quer oferecer.
A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum reflecte sobre a universalidade da salvação. Deus ama cada um dos seus filhos e a todos convida para o banquete do Reino.
Na primeira leitura, Jahwéh garante ao seu Povo a chegada de uma nova era, na qual se vai revelar plenamente a salvação de Deus. No entanto, essa salvação não se destina apenas a Israel: destina-se a todos os homens e mulheres que aceitarem o convite para integrar a comunidade do Povo de Deus.

FONTEhttps://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=4196

«Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas».

O evangelho mostra-nos a grande fé, a paciência, a perseverança e a humildade da cananeia. [...] Esta mulher era dotada de uma paciência verdadeiramente fora do comum. Ao seu primeiro pedido, o Senhor não responde uma palavra. Apesar disso, longe de cessar de rezar, ela implora-Lhe com redobrada insistência o socorro da sua bondade. [...] Vendo o ardor da nossa fé e a tenacidade da nossa perseverança na oração, o Senhor acabará por ter piedade de nós e conceder-nos-á o que desejamos.

A filha da cananeia era «atormentada por um demónio». Uma vez expulso o nefasto desassossego dos nossos pensamentos e desfeitos os nós dos nossos pecados, recuperaremos a serenidade de espírito, bem como a possibilidade de agir corretamente. [...] Se, a exemplo da cananeia, perseverarmos na oração com firmeza inabalável, ser-nos-á concedida a graça do nosso Criador; ela corrigirá os nossos erros, santificará o que é impuro, pacificará toda a agitação. Porque o Senhor é fiel e justo, Ele nos perdoará os nossos pecados e nos purificará de toda a mancha se gritarmos por Ele com a voz vigilante do coração.

São Beda, o Venerável (c. 673-735), monge beneditino, doutor da Igreja, Homilia sobre os Evangelhos, I, 22: CCL 122, 156-160, PL 94, 102-105






sábado, 19 de agosto de 2023

(in)PRENSA semanal (12 - 08-2023 a 18-08-2023): a minha selecção!

 Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.


Fraude no Facebook: “O teu amigo acaba de morrer num acidente”
JMJ vs. Euro 2004. E o investimento “mais barato de sempre” em Lisboa
Ironicamente, a Rússia está a ser um dos principais fornecedores de armas da Ucrânia
Estudo descobre ligação entre medicamentos para azia e demência
Rússia: a maldição de Agosto voltou
Reino Unido faz ultimato aos bancos nos juros dos depósitos
Não temos Estadistas nem governantes… e só queríamos melhores condições de vida
A democracia e os seus adversários
Trump. Quarta acusação criminal pode estar iminente
Paulo Fonseca apela a que Benfica e Braga não façam negócios com clubes russos
Fake news. André Ventura partilha (e mantém) no Twitter notícia que nunca foi publicada
Doença X: vacina para a próxima pandemia já está a ser desenvolvida
Oito aviões russos interceptados próximo de espaço aéreo da NATO
Será a bagagem coisa do passado? Viagens “ultraleves” ganham popularidade
A água não resulta: o que são estes incêndios de sexta geração?
Criador da sigla BRICS diz que moeda única daqueles países é uma ideia “ridícula”
“As mulheres não têm direitos, deixaram de ter uma existência no Afeganistão”
A Rússia volta-se para África
Muçulmanos atacam igrejas no Paquistão após acusarem cristãos de profanar Corão
Dezenas de pessoas morrem à fome em piroga resgatada em Cabo Verde
“Putin decidiu destruir a central nuclear de Zaporizhia”
Defesas anti-aéreas russas abatem mais um drone ucraniano em Moscovo
Variante Éris. Portugal não registava tantos casos de Covid-19 desde o Natal
A universalidade dos direitos humanos
Morreu misteriosamente o General que sabia os segredos do palácio de Putin
Corrupção entre OMS e empresa de fachada da Coca-Cola (com aspartame no centro)

domingo, 13 de agosto de 2023

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
10. Os 8 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  
11.  Os 11 conselhos para viver a Missa mais profundamente AQUI.
12. Papa Francisco pede aos padres: façam homilias mais curtas AQUI.
13A atenção daqueles que estão ao serviço da Palavra que devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam. . . É assim que procedem aqueles a quem a Igreja confia o serviço da Palavra? (Dehonianos, 20 Outubro 2019)

Então:
Tema do 19º Domingo do Tempo Comum - Ano A
A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum tem como tema fundamental a revelação de Deus. Fala-nos de um Deus apostado em percorrer, de braço dado com os homens, os caminhos da história.
A primeira leitura convida os crentes a regressarem às origens da sua fé e do seu compromisso, a fazerem uma peregrinação ao encontro do Deus da comunhão e da Aliança; e garante que o crente não encontra esse Deus nas manifestações espectaculares, mas na humildade, na simplicidade, na interioridade.
O Evangelho apresenta-nos uma reflexão sobre a caminhada histórica dos discípulos, enviados à “outra margem” a propor aos homens o banquete do Reino. Nessa “viagem”, a comunidade do Reino não está sozinha, à mercê das forças da morte: em Jesus, o Deus do amor e da comunhão vem ao encontro dos discípulos, estende-lhes a mão, dá-lhes a força para vencer a adversidade, a desilusão, a hostilidade do mundo. Os discípulos são convidados a reconhecê-l’O, a acolhê-l’O e a aceitá-l’O como “o Senhor”.
A segunda leitura sugere que esse Deus, apostado em vir ao encontro dos homens e em revelar-lhes o seu rosto de amor e de bondade, tem uma proposta de salvação que oferece a todos. Convida-nos a estarmos atentos às manifestações desse Deus e a não perdermos as oportunidades de salvação que Ele nos oferece.
EVANGELHOMt 14,22-33
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Depois de ter saciado a fome à multidão,
Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l’O na outra margem,
enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar,
açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite,
Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar,
assustaram-se, pensando que fosse um fantasma.
E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:
«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor,
manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» – disse Jesus.
Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas,
para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se,
gritou: «Salva-me, Senhor!»
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o.
Depois disse-lhe:
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
Logo que saíram para o barco, o ventou amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus,
e disseram-Lhe:
«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
AMBIENTE
No passado domingo, Jesus foi-nos apresentado como o novo Moisés, que conduz “ao deserto” um povo de coração escravo. Aí, liberta-o da opressão do egoísmo, ao mostrar-lhe que os bens são um dom de Deus, destinados a ser partilhados com todos os homens. Nasce, assim, a comunidade do Reino – isto é, essa comunidade fraterna de amor e de partilha, que se senta à mesa de Deus e que d’Ele recebe vida em abundância (cf. Mt 14,13-21).
O texto do Evangelho que hoje nos é proposto vem na sequência desse episódio. Mateus começa por observar que, depois desses sucessos, Jesus “obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão” (Mt 14,22). Esta nota pode indicar que Jesus quis arrefecer o entusiasmo excessivo dos discípulos (o autor do quarto Evangelho, a propósito do mesmo episódio, refere que Jesus Se retirou sozinho para o monte, pois sabia que “viriam arrebatá-l’O para O fazerem rei” – Jo 6,15).
O episódio situa-nos na área do lago de Tiberíades ou da Genesaré, esse lago de água doce com 21 quilómetros de comprimento e 12 de largura situado na Galileia e que é o grande reservatório de água doce da Palestina.
Para os judeus, o mar – e o lago de Tiberíades ou de Genesaré é considerado, para todos os efeitos, um “mar” – era o lugar onde habitavam os monstros, os demónios e todas as forças que se opunham à vida e à felicidade do homem. Na perspectiva da teologia judaica, no mar o homem estava à mercê das forças demoníacas; e só o poder de Deus podia salvá-lo…
Recordemos, ainda, que o nosso texto está incluído numa secção (cf. Mt 13,1-17,27) do Evangelho segundo Mateus, a que poderíamos chamar “instrução sobre o Reino”. Aí, Mateus põe Jesus a dirigir-Se sobretudo aos discípulos e a instruí-los sobre os valores e os mistérios do Reino. É neste contexto de catequese sobre o Reino que devemos situar o episódio que hoje nos é proposto.
Lembremos, finalmente, que o Evangelho segundo Mateus – escrito durante a década de 80 – se destina a uma comunidade cristã que já esqueceu o seu entusiasmo inicial por Jesus e pelo seu Evangelho e que vive uma fé cómoda, instalada, pouco exigente. Para os crentes, avizinham-se grandes contrariedades e perseguições… A comunidade só poderá subsistir se confiar em Jesus, na sua presença, na sua protecção.
MENSAGEM
Depois de despedir a multidão e de obrigar os discípulos a embarcar para a outra margem, Jesus “subiu a um monte para orar, a sós”. Mateus só se refere à oração de Jesus por duas vezes: aqui e no episódio do Getsemani (cf. Mt 26,36): em ambos os casos, a oraç
ão precede um momento de prova para os discípulos.
Enquanto Jesus está em diálogo com o Pai, os discípulos estão sozinhos, em viagem pelo lago. Essa viagem, no entanto, não é fácil nem serena… É de noite; o barco é açoitado pelas ondas e navega dificilmente, com vento contrário. Os discípulos estão inquietos e preocupados, pois Jesus não está com eles…
O quadro refere-se, certamente, à situação da comunidade a que Mateus destina o seu Evangelho (e que não será muito diferente da situação de qualquer comunidade cristã, em qualquer tempo e lugar). A “noite” representa as trevas, a escuridão, a confusão, a insegurança em que tantas vezes “navegam” através da história os discípulos de Jesus, sem saberem exactamente que caminhos percorrer nem para onde ir… As “ondas” que açoitam o barco representam a hostilidade do mundo, que bate continuamente contra o barco em que viajam os discípulos… Os “ventos contrários” representam a oposição, a resistência do mundo ao projecto de Jesus – esse projecto que os discípulos testemunham… Quantas vezes, na sua viagem pela história, os discípulos de Jesus se sentem perdidos, sozinhos, abandonados, desanimados, desiludidos, incapazes de enfrentar as tempestades que as forças da morte e da opressão (o “mar”) lançam contra eles…
É aí, precisamente, que Jesus manifesta a sua presença. Ele vai ao encontro dos discípulos “caminhando sobre o mar” (vers. 26). No contexto da catequese judaica, só Deus “caminha sobre o mar” (Job 9,8b; 38,16; Sal 77,20); só Ele faz “tremer as águas e agitarem-se os abismos” (Sal 77,17); só Ele acalma as ondas e as tempestades (cf. Sal 107,25-30). Jesus é, portanto, o Deus que vela pelo seu Povo e que não deixa que as forças da morte (o “mar”) o destruam. A expressão “sou Eu” reproduz a fórmula de identificação com que Deus se apresenta aos homens no Antigo Testamento (cf. Ex 3,14; Is 43,3.10-11); e a exortação “tende confiança, não temais” transmite aos discípulos a certeza de que nada têm a temer porque Jesus, o Deus que vence as forças da morte e da opressão acompanha a par e passo a sua caminhada histórica e dá-lhes a força para vencer a adversidade, a solidão e a hostilidade do mundo.
Depois, Mateus narra uma cena exclusiva, que não é apresentada por nenhum outro evangelista: a do diálogo entre Pedro e Jesus (vers. 28-33). Tudo começa com o pedido de Pedro: “se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas”. Pedro sai do barco e vai, de facto, ao encontro de Jesus; mas, assustando-se com a violência do vento, começa a afundar-se e pede a Jesus que o salve. Assim acontece, embora Jesus censure a sua pouca fé e as suas dúvidas.
Pedro é, aqui, o porta-voz e o representante dessa comunidade dos discípulos que vai no barco (a Igreja). O episódio reflecte a fragilidade da fé dos discípulos, sempre que têm de enfrentar as forças da opressão, do egoísmo, da injustiça. Jesus comunicou aos seus o poder de vencerem todos os poderes deste mundo que se opõem à vida, à libertação, à realização, à felicidade dos homens. No entanto, enquanto enfrentam as ondas do mundo hostil e os ventos soprados pelas forças da morte, os discípulos debatem-se entre a confiança em Jesus e o medo. Mateus refere-se, desta forma, à experiência de muitos discípulos (da sua comunidade e das comunidades cristãs de todos os tempos e lugares) que seguem a Jesus de forma decidida, mas que se deixam abalar quando chegam as perseguições, os sofrimentos, as dificuldades… Então, começam a afundar-se e a ser submergidos pelo “mar” da morte, da frustração, do desânimo, da desilusão… No entanto, Jesus lá está para lhes estender a mão e para os sustentar.
Finalmente, a desconfiança dos discípulos transforma-se em fé firme: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus” (vers. 33). É para aqui que converge todo o relato. Esta confissão reflecte a fé dos verdadeiros discípulos, que vêem em Jesus o Deus que vence o “mar”, o Senhor da vida e da história que acompanha a caminhada dos seus, que lhes dá a força para vencer as forças da opressão e da morte, que lhes estende a mão quando eles estão desanimados e com medo e que não os deixa afundar.
Quando é que os discípulos fizeram a descoberta de que Jesus era o Deus vencedor do pecado e da morte? Naturalmente, após a Páscoa, quando perceberam plenamente o mistério de Jesus (perceberam que Ele não era “um fantasma”), sentiram a sua presença no meio da comunidade reunida, experimentaram a sua ajuda nos momentos difíceis da caminhada, sentiram que Ele lhes transmitia a força de enfrentar as adversidades e a hostilidade do mundo, sentiram que Ele estava lá, estendendo-lhes a mão, nos momentos de fraqueza, de dificuldade, de falta de fé. É esta mesma experiência que Mateus nos convida também a fazer.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir dos seguintes elementos:
• O Evangelho deste domingo é, antes de mais, uma catequese sobre a caminhada histórica da comunidade de Jesus, enviada à “outra margem”, a convidar todos os homens para o banquete do Reino e a oferecer-lhes o alimento com que Deus mata a fome de vida e de felicidade dos seus filhos. Estamos dispostos a embarcar na aventura de propor a todos os homens o banquete do Reino? Temos consciência de que nos foi confiada a missão de saciar a fome do mundo? Aqueles que são deixados à margem dessa mesa onde se jogam os interesses e os destinos do mundo, que têm fome e sede de vida, de amor, de esperança, encontram em nós uma proposta credível e coerente que aponta no sentido de uma realidade de plenitude, de realização, de vida plena?
• A caminhada histórica dos discípulos e o seu testemunho do banquete do Reino não é um caminho fácil, feito no meio de aclamações das multidões e dos aplausos unânimes dos homens. A comunidade (o “barco”) dos discípulos tem de abrir caminho através de um mar de dificuldades, continuamente batido pela hostilidade dos adversários do Reino e pela recusa do mundo em acolher os projectos de Jesus. Todos os dias o mundo nos mostra – com um sorriso irónico – que os valores em que acreditamos e que procuramos testemunhar estão ultrapassados. Todos os dias o mundo insiste em provar-nos – às vezes com agressividade, outras vezes com comiseração – que só seremos competitivos e vencedores quando usarmos as armas da arrogância, do poder, do orgulho, da prepotência, da ganância… Como nos colocamos face a isto? É possível desempenharmos o nosso papel no mundo, com rigor e competência, sem perdermos as nossas referências cristãs e sem trairmos o Reino?
• Para que seja possível viver de forma coerente e corajosa na dinâmica do Reino, os discípulos têm de estar conscientes da presença de Jesus, o Senhor da vida e da história, que as forças do mal nunca conseguirão vencer nem domesticar. Ele diz aos discípulos, tantas vezes desanimados e assustados face às dificuldades e às perseguições: “tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Os discípulos sabem, assim, que não há qualquer razão para se deixarem afundar no desespero e na desilusão. Mesmo quando a sua fé vacila, eles sabem que a mão de Jesus está lá, estendida, para que eles não sejam submergidos pelas forças do egoísmo, da injustiça, da morte. Nada nem ninguém poderá roubar a vida àqueles que lutam para instaurar o Reino. Jesus, vivo e ressuscitado, não deixa nunca que sejamos vencidos.
• A oração de Jesus (que em Mateus antecede os momentos de prova) convida-nos a manter um diálogo íntimo com o Pai. É nesse diálogo que os discípulos colherão o discernimento para perceberem os caminhos de Deus, a força para seguir Jesus, a coragem para enfrentar a hostilidade do mundo.
PALAVRA PARA O CAMINHO.
Fechar os olhos e escutar… Na invasão sonora que nos envolve – e por vezes nos agride – escutamos a voz do nosso Deus? Porque não? Entretanto, tomemos, de vez em quando, o risco do silêncio e da solidão. “Ao largo… para rezar”. É aí, com Jesus, que poderemos ouvir a voz do nosso Pai.


e/ou nos vídeos AQUI AQUI.

Recorrer a Deus
Como sois bom, meu Deus, que nos repetis tantas vezes: «Recorrei a Mim e Eu irei ao vosso encontro! Chamai-Me e escutar-vos-ei» [...].
Recorramos a Deus nas tentações! Nas tentações e nas dificuldades, não tentemos lutar com as nossas forças, com as forças da natureza. Atualmente, os espíritos das trevas são muito mais fortes do que nós, mais fortes e mais finos; em termos apenas naturais, a nossa concupiscência é muito forte e a nossa alma muito fraca; um dos truques do demónio consiste em nos absorver de tal maneira nos primeiros momentos da tentação que nos esforçamos ao máximo (quando o fazemos) por lhe resistir, mas sem pensar em pedir ajuda ao único que nos pode salvar, Deus, ou o nosso anjo da guarda, ou aos santos. Ele como que nos cobre com um véu para nos impedir de olhar para cima, de erguer os olhos para o Céu, tentando «emudecer-nos» como aos possessos do Evangelho: absorve-nos e tenta impedir-nos de pensar em pedir ajuda. E assim, tendo-nos separado de tudo o que nos torna fortes, vence-nos com facilidade.
Por isso, desde o início da tentação, procuremos não resistir com as nossas próprias forças, mas invocar a Deus; desde o início da tentação, recorramos à oração, comecemos a rezar, e obteremos uma vitória fácil onde de outro modo seríamos derrotados. Portanto, na tentação, rezar, rezar, rezar!
São Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saar, Meditações sobre os salmos, Salmo 55, § 109

sábado, 12 de agosto de 2023

(in)PRENSA semanal (5 - 08-2023 a 11-08-2023): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.



Bancos “estão a espoliar depositantes e devedores”. 11 milhões de lucro por dia
O Papa que não tem nojo dos pobres regressou a Fátima
Reino Unido está a treinar comandos ucranianos para invadir a Crimeia
Dezenas de países reunidos na Arábia Saudita em busca de uma solução para a guerra da Ucrânia
Arábia Saudita reúne 40 países em busca de acordo de paz no conflito entre Rússia e Ucrânia
Os humanos podem viver até aos 20 mil anos, diz português perito em envelhecimento
A democracia americana em risco
Papa Francisco: “Rezei pela paz em Fátima, mas sem publicidade”
“Vai ser estranho não ver o Papa amanhã”
Mais que conceitos, a “plenitude” que uma JMJ deixa. O que levam os jovens das palavras do Papa
D. Américo e os recados do Papa ao clero. "De vez em quando, é preciso um grito de ordem"
Nathalie Becquart. Uma das mulheres mais poderosas do Vaticano quer ouvir os jovens
104 horas em 104 segundos. Os melhores momentos do Papa na JMJ
JMJ ao minuto. Recorde o último dia da visita do Papa Francisco a Portugal
Ao lado do essencial
Resumo de toda (toda, toda) a JMJ 2023
JMJ 2027 será em Seul, capital da Coreia da Sul
“Milagre de Fátima”: jovem diz que deixou de ser cega na JMJ
China surpreende e dá sinal de que não quer guerra na Ucrânia
Há (mais) uma região que deve ser protegida da Rússia
Chegaram os thanabots. A morte já não é o que era
O Titanic não matou a “Miss Inafundável”: uma maré de sorte livrou-a de três desastres no mar
O vulcão recém-nascido da Islândia está a cuspir tornados
Reprodução de fêmeas virgens sem um macho? É possível (e pode ser um problema)
Incêndio em Odemira já é visível do espaço
Ucrânia declara guerra à Rússia no Mar Negro. Até os petroleiros a caminho da UE são “alvo válido”
Ucrânia prende mulher suspeita de conspirar para assassinar Zelenskyy
Sinos tocaram durante 500 anos. Agora calaram-se… e os habitantes não conseguem dormir
Putin terá planeado rebelião com Prigozhin para “expor os generais que não eram leais”
EUA conseguiram mandado de busca à conta do Twitter de Trump
TVDE. Crescimento explosivo à custa de tráfico humano, trabalho precário e fraudes
Governo alemão já gastou 55 mil euros no cabelo e maquilhagem de Merkel desde a sua saída
Covid-19. OMS avisa para estirpe que pode aumentar infeções e tornar-se dominante
Covid-19. OMS queixa-se que países estão a subnotificar óbitos e hospitalizações
Ucrânia diz ter atingido linha russa na frente sul
Emigração de licenciados é "uma calamidade... dava para pagar 36 aeroportos do Montijo"
Salvação ou morte? Investidores estrangeiros já controlam metade dos clubes da I Liga

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Um truque matemático com 800 anos pode ser a chave para explorarmos a Lua

Os cientistas recorreram à esfera de Fibonnaci para criarem um modelo da forma da Lua que pode vir a ser usado para a criação de um sistema de GPS no nosso satélite natural. Para saber mais clicar AQUI.

sábado, 5 de agosto de 2023

(in)PRENSA semanal (29 - 07-2023 a 4-08-2023): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.


O plano de Armando Pereira para esconder 100 milhões de euros com a filha e o genro
Forças ucranianas estão a usar mísseis norte-coreanos contra a Rússia
“Hannibal da vida real” vai morrer sozinho trancado numa gaiola de vidro subterrânea
Nove em cada dez terramotos acontece no Anel de Fogo do Pacífico. Porquê?
Novo drone hibernador russo promete ser um “agente do caos” na Ucrânia
Por que há um enorme cemitério de carros elétricos novos na China?
Sem notas e professores. O Projeto Tumo já chegou a Portugal — e é o futuro do ensino
JMJ: Portugal “gentil, amável e doce” já conta com 80 mil peregrinos em Lisboa
O mundo tem que “venerar os soldados russos” — ou há uma guerra nuclear global
Escândalo sexual abala o Irão. Vídeo mostra líder islâmico a ter relações com um homem
Há uma montanha a arder há quatro mil anos
Acredita que já morreu? Tem uma síndrome rara — mas real
Ricardo Salgado vai a julgamento "nos exatos termos da acusação"
Cientistas descobrem como os diamantes chegam à superfície (e onde os podemos encontrar)
Teatro do imperador romano Nero descoberto debaixo de novo hotel
"Parque Papa Francisco" seria “homenagem certa” ao “culpado" da JMJ em Lisboa
A JMJ e os encontros pessoais
Fraude nos fundos europeus: 67 suspeitas e 2300 denúncias de irregularidades
Putin está a criar misteriosos exércitos privados para o proteger contra o Grupo Wagner
“Fantasmas de Bakhmut”: 20 atiradores de elite levam terror aos russos para libertar a cidade
O Vaticano no xadrez geopolítico global: Francisco depois de Pio XII e João XXIII
“Uma falta de respeito”. Portugal oferece casa e salário bruto de 2800 euros a médicos brasileiros
Esperem o pior. Nova táctica de Putin pode ter efeito devastador no mundo
Afinal não vão ser recuperados: Estado perde 113 milhões com a venda da Efacec
Acusações históricas contra Trump. “Projeto criminoso” com mentiras, raiva e desconfiança
Louvor e limites do multiculturalismo
EUA acusam Rússia de agressão à segurança alimentar global
O plano da Ucrânia caso Zelenskyy seja assassinado pela Rússia
“Bulldog muito agressivo” e besta negra de Trump. Quem é Jack Smith?
O Overshoot Day já chegou e a culpa é dos cartões de crédito
Gosta de chupar a cabeça do camarão? É melhor parar