"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

segunda-feira, 25 de junho de 2012

EUROmania futebolística até quando?

- VIVA A SELECÇÃO PORTUGUESA! Esta já é campeã e do mundo! Quem a conhece?... Pudera, se a comunicação social, na sua grande maioria, tão generosa para uma e tão avara & madrasta para outra, a enteada, tem holofotes de sentido único:
http://triplov.com/triplo2/2012/06/19/viva-a-seleccao-portuguesa/
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=54585&op=all
- Coincidência ou não o Srº Ministro Gaspar não quererá também "cavalgar" esta onda gigante de euforia, de entusiasmo & de ... para mandar cá para fora, mais umas tantas medidades de austeridade e assim levar-nos à final? Aproveite que isto está a acabar. Depois, pode ser tarde, Srº Ministro, ou talvez não. «O povo é sereno»!
Portugal nas meias finais
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=24&did=67222   
- Oito factos sobre a selecção de futebol  por ALBERTO GONÇALVES, DN de 10-06-2012
Facto n.º 1: o sucesso da selecção determina o sucesso do país. Talvez, sobretudo se tomarmos em conta o caso da Grécia, que 2004 ganhou o campeonato europeu e desde então vem progredindo sem parança (a Espanha, que ganhou o "europeu" seguinte e um "mundial" de brinde, também não se saiu mal). O princípio é o de que as conquistas no futebol se repercutem no resto: se onze jogadores provarem que são os maiores dentro do campo, dez milhões de portugueses provam automaticamente que são os maiores fora dele e a sra. Merkel sofrerá um vexame sem nome. Muito bem. Mas a validade do pressuposto exige que levemos a sério o seu reverso, ou seja, que aceitemos as derrotas na bola enquanto um sinal inequívoco da nossa inferioridade geral. Uma eliminação humilhante no Europeu deverá levar o povo às ruas aos gritos de "Somos os menores!". Já um lugar honroso que não o de vencedor legitimará os berros de "Somos assim-assim!"
Facto n.º 2: os jogadores da selecção são um exemplo para os jovens. Sem dúvida. Qualquer sujeito que não estudou, confiou na habilidade para os pontapés, conseguiu um emprego raro e fartamente remunerado no Real Madrid ou no Chelsea, aplica os rendimentos em automóveis de luxo, é incapaz de produzir uma frase em português corrente e enfeita o físico com jóias, tatuagens e penteados belíssimos constitui o modelo que os pais conscienciosos devem impor à descendência. De resto, a alternativa passa pelas Novas Oportunidades ou, erradicadas estas, pelo Impulso Jovem, que também promete.
Facto n.º 3: a vitória no campeonato europeu dissipará o clima de tristeza que se vive em Portugal. Claro que sim, logo que admitamos andar tristes por falta de triunfos simbólicos no desporto internacional e não por excesso de desvarios materiais na vidinha quotidiana. Se os nossos problemas se resolvem mediante remates certeiros é sinal de que os nossos problemas não se prendem com o défice, a dívida, a austeridade, as falências e o desemprego, ao contrário do que vulgar e equivocamente se refere. A troika? Um bode expiatório. A solução? Investir no futebol, ganhar torneios (este ou os próximos), organizar torneios, construir mais meia dúzia de estádios e "infra-estruturas" sortidas, apelar à epopeia dos Descobrimentos. Não pode falhar.
Facto n.º 4: o futebol é o sector mais bem gerido do país. Então não é? Nem vale a pena falar nos clubes, os quais, ao contrário das empresas comuns (os supermercados, por exemplo), nunca se agridem com violência verbal ou física nem oscilam entre passivos monumentais, ordenados em atraso e a pura extinção. Fale-se na "equipa de todos nós", que costuma sair das competições com grande dignidade e que ajuda a balança comercial tanto quanto a exportação de microprocessadores.
Facto n.º 5: a celebração prévia das proezas da selecção é normal. Pois é. Em noventa e um anos de história, a selecção acumulou zero títulos. Se não se festejar antes, o que se festeja depois?
Facto nº 6: a cobertura noticiosa da selecção é a adequada. Até certo ponto. Ainda há uns pedacinhos da programação televisiva que não estão preenchidos com as notícias da selecção, os treinos da selecção, as conferências de imprensa da selecção, os "painéis" de comentário à selecção, o lado pitoresco do dia-a-dia da selecção, as polémicas da selecção, a euforia dos adeptos da selecção e os anúncios dos patrocinadores da selecção. Bem sei que o almoço da selecção na Fundação Champalimaud foi devidamente relatado, que a essencial recepção à selecção em Belém foi transmitida em directo e que um repórter orgulhoso informou a pátria de que a selecção sobrevoou a Alemanha para chegar à Polónia (a expectativa, pelos vistos, era de que sobrevoasse o Zaire). Mas continuo sem saber a cor favorita de Fábio Coentrão ou a morada da manicura de Ricardo Costa. Aliás, continuo sem saber quem é Ricardo Costa.
Facto n.º 7: as críticas à selecção são inconvenientes. Obviamente. A gravidade da hora pede união, espírito nacionalista, 11 por todos e todos por 11. Se a selecção sair enxovalhada do "europeu", com todas as consequências calamitosas para o nosso futuro daí decorrentes, a culpa será das más-línguas que abalaram a confiança dos rapazes. Se a selecção ganhar o "europeu", com todas as maravilhas daí resultantes, o mérito será dividido entre os patriotas que nunca duvidaram. Mas desconfio que o prémio monetário não.
Facto n.º 8: os portugueses acreditam na selecção. É inegável. Até eu, que não quero saber da selecção para nada, acredito nela na medida em que ela comprovadamente existe.
- Ronaldo trata o Presidente da República por você.... tá?


- O monumental erro de Cristiano
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=562583&pn=1
- A bandeira na varanda e o cocó no passeio
http://expresso.sapo.pt//a-bandeira-na-varanda-e-o-coco-no-passeio=f732506
- Já ganhamos
Continuamos a brincar com quem trabalha e a selecção tanto trabalha que antes dele - Euro - ter começado, já nos posicionamos em 1º lugar. Aliás como em várias outras situações, por exemplo, na quantidade de telemóveis por habitante, na quantidade de mães adolescentes & "so on"...
O Euro 2012 vai ter lugar na Ucrânia e na Polónia, sendo que a selecção comandada por Paulo Bento vai ficar hospedada num hotel polaco de Opalenica.Um diário espanhol quis perceber quanto é que as várias selecções em competição vão gastar com o alojamento, e o resultado acabou por ser surpreendente se tivermos em consideração as constantes medidas de austeridade que têm vindo a ser aplicadas em Portugal.
Assim, a selecção nacional vai gastar cerca de 33 mil euros por dia e ocupa o primeiro lugar da tabela. Já a selecção espanhola vai ser a que menos vai gastar em hotéis, 4.700 por dia. A Rússia é a segunda selecção a gastar mais com 30.400 euros diários.
Selecção e custo de hotel, por dia:
1. Portugal – Opalenica 33.174 euros
2. Rússia – Varsovia 30.400 euros
3. Polónia – Varsovia 24.000 euros
4. Irlanda – Sopot 23.000 euros
5. Alemanha – Gdansk 22.500 euros
6. Rep. Checa – Wroclaw 22.200 euros
7. Inglaterra – Cracóvia 19.000 euros
8. Holanda – Cracovia 16.200 euros
9. Italia – Wieliczka 10.500 euros
10. Croácia – Warka 8.300 euros
11. Dinamarca – Kolobrzeg 7.700 euros
12. Espanha – Gniewino 4.700 euros
Entretanto, em Portugal, o mesmo Estado que concede todo o tipo de benesses à FPF, roubou uma percentagem dos ordenados aos funcionários públicos e mais, roubou aos funcionários públicos (não confundir com os privilegiados da TAP, BdP, CGD e quejandas) e aos pensionistas os subsídios de férias e de Natal !!!!!!!!!!!
- A quem dá jeito, afinal, o futebol?
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=562683
- Simulador: Faça as suas apostas para o Euro2012
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=562185
- Selecção canta "Hino" 5 Para a Meia Noite


- 11 por todos e todos por 11" ou o anúncio mais idiota de sempre
http://expresso.sapo.pt/11-por-todos-e-todos-por-11-ou-o-anuncio-mais-idiota-de-sempre=f732997
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2627516&seccao=Alberto Gon%E7alves&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1
- Portugal 2004 2012

- Alguém cá em Portugal deu por isto? Ah pois a selecção não esteve lá. Para quê? Lembrar coisa tão triste?
Euro2012 & memória

- Unidos num objectivo comum

- A alegria do futebol
http://agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&id=91316

terça-feira, 1 de maio de 2012

A ANJINHA DA CANTAREIRA

pelo Pe. Rui Osório

O boxeador peruano Alberto Rossel, conhecido por Chiquito, por ser de baixa estatura, é o actual campeão mundial da categoria “minimosca”, reconhecido pela Associação Mundial de Boxe. Receberá os “laureles desportivos” (louros desportivos), a maior honra que o Governo peruano concede aos campeões. Esta distinção também está reservada para dirigentes desportivos.
Não gosto do boxe nem admiro os praticantes, sejam da categoria dos pesos pesados seja dos moscas. Mas admiro o gesto do Chiquito. Depois de conquistar o título mundial, dedicou-o à sua pequena filha, Susan, que sofre da Síndrome de Down.
Chama-lhe, carinhosamente, o seu “angelito del Cielo” (anjinho do Céu) que Deus lhe mandou e que lhe dáf orça para continuar a lutar para ser campeão, como sempre desejou e conseguiu.
Um homem assim com tanta ternura, que confessa dar à sua filha todo o amor, tem de ser boa pessoa. Até esqueço que anda nos ringues aos murros para levar ao tapete os adversários.
Pelas igrejas do Porto onde tenho celebrado eucaristias, encontrei, ao longo de tantos anos, várias crianças, jovens e adultos com “Trissomia 21” (Síndrome de Down). Tenho conseguido receber deles mais afeição do que aquela que lhes dou. São bem mais afectivos do que eu. E o seu sorriso é um dom de Deus.
Agora quem prende a minha atenção é uma menina que já tem idade de mulher adulta.
Reza comigo todos os dias à tarde, na Igreja de S. João Baptista da Foz do Douro.
Ninguém reza melhor do que ela, como ninguém canta como ela com tanta alma. Não lhe percebo uma palavra nas rezas e nos cânticos, mas delicio-me a ouvi-la, com tanto ou mais respeito que guardo numa sala de concertos. Quando falta na hora de oração, Deus me perdoe, nem me apetece rezar.
A mãe da Sãozinha – assim se chama a minha amiga mulher-menina – é já uma octogenária, de vida modesta, que a adoptou e cuida dela primorosamente. Anda tão lavada e tão cuidada. Sempre que se pendura em mim para me abraçar, pede-me que lhe cheire o perfume ou aprecie a blusa ou os sapatos novos ou qualquer bugiganga que prende nos braços.
Se lhe perguntam quem lhe deu as roupas novas, diz que foi o padre. Para ela, quem sabe dar é o padre e mais ninguém, ainda que seja ingrata para quantos, e são tantos!, gostam dela e lhe apreciam o sorriso.
Garanto que ninguém faz uma vénia tão respeitosa como a dela diante do sacrário. Se genuflectisse, talvez caísse, por KO, redonda no chão.
À tarde, diz-me a senhora sua mãe, tem sempre pressa para ir à igreja e abraçar o padre.
Gostaria tanto de ser compositor para transmitir o som que a minha Sãozinha usa para me chamar “padre” ou cantar a Nossa Senhora, com a mão no ar a dizer-lhe adeus.
Infelizmente, não sou compositor nem campeão como o Chiquito. Mas, fiquem a saber, partilho com ele a alegria de Deus me ter enviado do Céu a anjinha da Cantareira.

Fonte: VozPortucalense, 26.04.2012, última página