"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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segunda-feira, 18 de junho de 2012

POEMA de uma funcionári​a pública: ACORDAI caramba!!!

Para quem ainda se sinta Português, é de ler.
      Quero lá saber !!!.
      Eu quero lá saber
      Da roubalheira e da alta corrupção
      Que o Djaló esteja no Benfica ou no Casaquistão
      Que não se consiga controlar a inflação
      Eu quero lá saber
      Que haja cada vez mais desempregados
      Que dêem diplomas e haja cursos aldrabados
      Que me considerem reformado ou um excedentário?
      Que se financie cada vez mais a fundação do Mário
      Que se ilibe o Sócrates do processo
      Que não haja na democracia um só sucesso
      Eu quero lá saber
      Que o sócrates já não finja que namora a Câncio
      Que o BCE se livre do pavão armado do Constâncio
      Que roubem multibancos com retroescavadora
      Que o Nascimento esburaque os processos à tesoura
      Que deixe até  de haver o feriado do 1º de Maio
      Que a tuberculose seja mesmo um tacho pró Sampaio
      Que em Bruxelas mamem muitos deputados
      Que o Guterres trate apenas dos refugiados
      Que a nós nos deixou bem entalados
      Eu quero lá saber
      Que ele vá a cento e sessenta e não preguem uma multa
      Que amanhã ilibem os aldrabões da face oculta
      Que o Godinho pese a sucata e abata a tara
      Que pra compensar mande uns robalos ao Vara
      Que o buraco da Madeira sobre também para mim
      Que a Merkl se esteja borrifando pró Jardim
      Eu quero lá saber
      Que a corja dos deputados só se levante ao meio-dia
      Que a "justiça" indemenize os pedófilos da Casa Pia
      Que não haja aumentos de salários nem digna concertação social
      Que os ministros e gestores ganhem muito e façam mal
      Que Guimarães este ano se mantenha a capital
      Que alguem compre gasolina na cidade de Elvas
      Que só abasteça o condutor do Dr. Relvas
      Que na Assembleia continuem  230 cretinos
      Que nas autarquias haja muitos Isaltinos
      Que o Álvaro por tu ai esse sim  hei-de eu vir a tratar
      Que se lixe o falar doce do grande actor Gaspar
      Que morram os pobres e os velhos portugueses
      Que eles querem é que fiquem só os alemães e os franceses
      Eu quero lá saber
      Que o Zé seja montado quer por baixo quer por cima
      Que a justiça safe bem depressa o influente Duarte Lima
      Que o bancário Costa não volte a dormir na prisão
      Que o Cavaco chegue ao fim do mês sem um tostão
      Que na Procuradoria continue o Pinto Monteiro
      Que prós aldrabões tem sido um gajo porreiro
      Que os offsores andem a lavar dinheiro
      Que o BPN tenha sido gamado pelo Loureiro
      Que no BPP prescrevam os processos do Rendeiro
      Que à CEE presida um ex-maoista sacana e manhoso
      Que agora é o snob democrata Zé Manel Barroso
      Tudo isto já nada pra mim tem de anormal
      Mas o que eu quero mesmo saber
      é onde está o meu país chamado PORTUGAL
      que isto aqui é vilanagem pura, roubalheira, corrupção
      Meu Deus manda de novo o Marquês de Pombal
      antes que este povo inerte permita a destruição !!!

http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=66242

O vocábulo "maestro" vem do latim "magister" e este, por sua vez, do
advérbio "magis" que significa "mais" ou "mais que". Na antiga Roma o
"magister" era o que estava acima dos restantes, pelos seus
conhecimentos e habilitações!
Por exemplo um "Magister equitum" era um Chefe de cavalaria, e um
"Magister Militum" era um Chefe Militar.
Já o vocábulo "ministro" vem, também, do latim "minister" e este, por
sua vez, do advérbio "minus" que significa "menos" ou "menos que". Na
antiga Roma o "minister" ("aquele que ajuda, agente, auxiliar,
instrumento, cúmplice, instigador, intermediário") era o servente ou
o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso. Riqueza do
vocábulo latino que frutificou na Lusitânia e, mais tarde, deu nova
nova língua: "galaico-português para, por fim, passou a "português"
até chegar ao "ministro" dos nossos dias!
COMO SE VÊ, O LATIM EXPLICA A RAZÃO PORQUE QUALQUER I?B???L PODE SER
MINISTRO ... MAS NÃO MAESTRO !!!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

PORTUGAL estado de direito (?): 1º de Maio (continuação)

«Nação valente e imortal»

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.
Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

António Lobo Antunes
in Revista Visão
05.04.2012