"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























sábado, 25 de novembro de 2023

(in)PRENSA semanal (18-11-2023 a 24-11-2023): a minha selecção!

 Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.



PGR não informou o Presidente do Supremo sobre o inquérito a Costa (e já há apelos à sua demissão)
Dois impostores foram à Web Summit. Gozaram com todos e ninguém se apercebe
Estudo prevê ataque russo a países da NATO nos próximos 10 anos
Carta de Bin Laden aos EUA torna-se viral no TikTok (e está a “abrir os olhos” sobre Israel)
Como a melancia se tornou um símbolo da resistência palestiniana
“Um dos espetáculos mais intimidantes da natureza” vai ser mais comum em Portugal
Genghis Khan matou tanta gente que a Terra arrefeceu
O plano louco para fazer upload de todos os sistemas imunitários do mundo
3500 euros por 24 horas. Os pagamentos a Lacerda Machado para influenciar o Governo
David Copperfield tem um plano para fazer a Lua desaparecer já em 2024
Quando é que os humanos deixaram de andar nus?
Inteligência Artificial. Comodidade, simplicidade e baixo atrito
Os desafios do presidente Biden
"O problema dos migrantes de Odemira não foi resolvido, foi atamancado"
Morreu Rosalynn Carter, antiga primeira-dama dos EUA, aos 96 anos
Nobel da Economia diz que "Portugal é uma espécie de milagre económico"
e
Quem são os chineses da BYD que vendem quase tantos carros elétricos como a Tesla e que já estão em Portugal?
“Preocupante”: Milei é como um adepto do Sporting que passa a ser do Benfica
A identidade de Banksy foi finalmente descoberta. É Robert, mas não é Del Naja
“Inferno” no Darfur: cinco milhões de crianças à beira do abismo devido à guerra
Onda de ataques de spoofing ao GPS de aviões civis no Médio Oriente. Tragédia à vista
Pedro Nuno Santos pediu ideias no X. Carros de luxo, TAP e WhatsApp entre as respostas
Crianças do Porto adicionadas a grupo WhatsApp com imagens pornográficas. O que se passa?
Ucrânia. ONG pedem 400 milhões para ajuda devido ao inverno
“Nojento e chocante”. Rei Carlos III está a lucrar secretamente com os bens de cidadãos mortos
Caso das gémeas brasileiras investigado por suspeitas de cunha. E se Marcelo for indiciado?
Trégua com Israel foi violada pelo Hamas 15 minutos depois de entrar em vigor
Detidos sem um porquê. Quem são os prisioneiros palestinianos que Israel vai libertar?
Revolução na luta contra o cancro. Descoberto “interruptor” que mata as células dos tumores
Bactérias apanhadas a armazenar e transmitir memórias pela primeira vez

domingo, 19 de novembro de 2023

COMEMORAÇÃO/EFEMÉRIDE/EVOCAÇÃO/RECORDAÇÃO: 7º dia Mundial dos Pobres

Mais um dia mundial, o 7º Dia Mundial dos Pobres.  E porque ele existe?  A resposta, incompleta quanto a mim, está ao alcance desta mãozinha AQUI.

«Os pobres são uma multidão. E ao pensar nesta imensa multidão de pobres, a mensagem do Evangelho é clara: não enterremos os bens do Senhor Coloquemos a caridade em círculo, partilhemos o nosso pão, multipliquemos o amor. A pobreza é um escândalo. A pobreza é um escândalo. Quando o Senhor voltar, pedir-nos-á contas.» São algumas das palavras pronunciadas pelo papa Francisco no domingo 19 de novembro perante milhares de pessoas sem-teto, migrantes, idosos e pessoas com deficiência que, juntamente com os voluntários que estão ao seu lado todos os dias, enchiam a basílica de S. Pedro. A ocasião era o 7.º Dia Mundial dos Pobres, festa introduzida precisamente por Francisco em 2017, na conclusão do Jubileu da Misericórdia, e celebrada com solenidade todos os anos, para encorajar as comunidades cristãs e os crentes individualmente a viver o amor pelos pobres como uma dimensão fundamental da sua vocação e tornarem-se «cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e mais necessitados». E para saber mais, clicar AQUI.

Exemplar e coerentemente (algo a que já nos habituou e brindou) o Papa almoça com 1200 pobres. Entretanto Portugal tem “os ricos mais pobres da Europa”. Enfim, "É uma desgraça, pobres dos pobres”. E quanto aos pobres de espírito, bem, desses nem se fala. São mais que muitos muito graças aos UMBIGO + -ismos ou EGO + -ismos, qual pandemia. Tanto cá como além fronteiras. Basta o que vemos, ouvimos e lemos, logo não podemos ignorar.





sábado, 18 de novembro de 2023

(in)PRENSA semanal (11-11-2023 a 17-11-2023): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.


Situação “castastrófica” em hospital de Gaza. Macron pede a Israel para não matar mais bebés
“Proeza ousada”. Navios russos afundados no Mar Negro por drones-bomba marítimos ucranianos
A cidade “suja” da Europa está a ganhar um nova vida
A covid-19 pode ter sido a última pandemia. Obrigado, IA
Othello tem um número impossível de combinações. Um cientista resolveu-as
"O primeiro-ministro está em desespero com o processo judicial"
Prémio Gulbenkian para a Humanidade defende pressão aos políticos para arborizar cidades
Mundo está atrasado em quase todas as políticas para reduzir as emissões de carbono
Hamas “perdeu o controlo” de Gaza
O futuro chama-se computação quântica: “E ainda nem vimos nada
Proibir o ChatGPT na escola "seria um erro e tentar parar o vento com as mãos"
Papa almoça com dezenas de pobres. Cadeia de hotéis de luxo oferece a refeição
Organização europeia alerta para "químicos eternos" que podem ser "novo amianto
Presidente da Signal: "Quem trabalha em IA tem de refletir constantemente sobre o poder que tem"
A missão do Ministério Público
L’État c’est nous!
Friluftsliv: o centenário segredo nórdico para criar crianças felizes, em três simples passos
Salários em Portugal: "Não queremos fazer mais e melhor agora?", questiona Horta Osório
Diocese do Porto dá apoios à habitação a mais de 200 famílias

domingo, 12 de novembro de 2023

(in)PRENSA semanal (4-11-2023 a 10-11-2023): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.


Cunha de Marcelo terá garantido tratamento de 4 milhões de euros no SNS a gémeas brasileiras
Identificada a próxima crise em Portugal (já em 2024)
O que pensa o primeiro-ministro sobre o SNS? Costa respondeu (mais ou menos)
Última canção dos Beatles no topo das tabelas britânicas
Marcelo avança com eleições antecipadas a 10 de março e salva Orçamento
Sebastião Bugalho: "Precisamos de gente sem medo de defender a Igreja"
Vergonha, feliz, mas a esconder informação: o que Costa não disse (e as microexpressões mostraram)
Rússia vai enviar prisioneiros ucranianos para lutarem contra o seu próprio país
O futuro da guerra: um drone de 400 dólares a destruir um tanque de dois milhões
Há 28 anos que o PSD só governa quando alguém do PS se demite
Portugueses em risco de perder a casa. IMI sobe quase 7%
Entretanto, noutro orçamento: iate presidencial e carros desportivos para os 460 deputados
Desenhos extraordinários de Michelangelo ficaram escondidos numa sala secreta durante 400 anos

sábado, 4 de novembro de 2023

(in)PRENSA semanal (28-10-2023 a 3-11-2023): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.



“Pesadelo” e “trauma”. Hugo Mendes e Frederico Pinheiro atacam Costa (e Medina)
A culpa não é sua. O livre arbítrio não existe
Não anunciam, mas Rússia e Ucrânia têm encontros presenciais durante a guerra
Encontrada uma tatuagem medieval de Jesus Cristo, numa parte do corpo “intrigante”
Descobertas “praias fluviais” debaixo da camada de gelo da Antártida
Exército português oferece Coração de Viana feito com carros militares do 25 de Abril
O local de repouso da Arca de Noé pode finalmente ter sido encontrado
Armando Pereira, o recordista: Bugatti de 8 milhões e caução de 10 milhões
Ficaram 245 mil euros em prémios do E-fatura por reclamar
O que é aquele novo contentor junto ao ecoponto?
Há um desastre iminente bem perto de Israel
O semicondutor mais rápido de sempre está pronto para revolucionar os computadores
A maior civilização do mundo pode estar debaixo dos seus pés
Cientistas apanharam plantas a comunicar
BMW, FIAT ou a surpresa SMART: o que significam estas siglas nos carros
Há 50 anos, Mao Tsé-Tung ofereceu 10 milhões de mulheres chinesas aos EUA
A nossa memória pode ser dividida em duas: uma para o passado, outra para o futuro
Azeite adulterado: o método português para autenticar o produto
Planear o funeral em vida é uma prática cada vez mais comum
Princesa Leonor de Espanha já pode ser rainha: a primeira em mais de 150 anos
Português tenta salvar golfinhos de água doce na Amazónia

domingo, 29 de outubro de 2023

FILME&CINEMA: “Assassinos da lua das flores”

A pedra angular do filme de Scorsese é esta: a mísera épica da avidez humana. Em conjunto e contraposta a ela, o espetador assiste igualmente à grandiosa épica da dor. Porque Scorsese recorda-nos que não existe nada, das coisas humanas, de mais sagrado do que a dor. A sacralidade da dor é o peso que está no outro prato da balança a reequilibrar o enorme rochedo da avidez, que parece fazê-la de senhoria durante toda a história. Para saber mais, clicar AQUI.

sábado, 28 de outubro de 2023

(in)PRENSA semanal (21-10-2023 a 27-10-2023): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSAsemanal: a minha selecção!" que aí virão.



Pároco de Gaza: o Papa pediu-nos para proteger as crianças
106 despedidos e “não vai haver dinheiro para indemnizações”. E agora?
Os nossos animais de estimação podem iniciar a próxima pandemia
“O pior ainda está para vir”. Cisjordânia ameaça tornar-se a 3.ª frente da guerra
Israel: “Não vamos repetir os erros da Rússia”
Oficial: a China já não domina a economia mundial
A arma que a Ucrânia mais desejava já chegou. “Terror” para a Rússia?
Meta: alguém pensa nos traumas dos trabalhadores que analisam vídeos violentos?
Feito para prevenir sabotagens subaquáticas. Este é o navio mais estranho do mundo
Será que é preciso limpar a sua máquina de lavar roupa?
Salários e inflação
Web Summit em risco e 7 milhões a arder? Gigantes tecnológicas batem com a porta
Tensão interna em Israel: ordem para “operação multilateral” em Gaza nunca mais chega
Há 48 anos, as mulheres islandesas fizeram uma greve geral — e as salsichas esgotaram num dia
Eurosorteio: o “outro” Euromilhões já tem regras
A canja de galinha ajuda mesmo quando estamos doentes? A ciência responde
Argentina, eleições à beira da insolvência
A NASA trouxe uma “cápsula do tempo” do Espaço mas… não consegue abrir a tampa
Há seis pontos de rotura que podem ditar o fim da humanidade
Azeite adulterado: o método português para autenticar o produto
Rússia estará a executar soldados que recusam combater. Novo Batalhão russo anti-Putin

terça-feira, 24 de outubro de 2023

LIVRO&LEITURA: “Non sei solo. Sfide, risposte, speranze” (Não estás sozinho. Desafios, respostas, esperanças)

 “Non sei solo. Sfide, risposte, speranze” (Não estás sozinho. Desafios, respostas, esperanças) é o título do livro que é lançado hoje, 24 de outubro, em Itália, no qual o papa Francisco dialoga com os jornalistas argentinos Francesca Ambrogetti e Sergio Rubin (ed. Salani). Publicamos um excerto extraído do capítulo 9, intitulado “A capacidade de abraçar” AQUI.

domingo, 22 de outubro de 2023

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética" AQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial" AQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro" AQUI
5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6. Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7. Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8. Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
10. Os 8 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  
11.  Os 11 conselhos para viver a Missa mais profundamente AQUI.
12. Papa Francisco pede aos padres: façam homilias mais curtas AQUI.
13. A atenção daqueles que estão ao serviço da Palavra que devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam. . . É assim que procedem aqueles a quem a Igreja confia o serviço da Palavra? (Dehonianos, 20 Outubro 2019)
14. Porquê a Missa? Por esta razão AQUI.

Então:
Tema do 29º Domingo do Tempo Comum - Ano A
A liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir acerca da forma como devemos equacionar a relação entre as realidades de Deus e as realidades do mundo. Diz-nos que Deus é a nossa prioridade e que é a Ele que devemos subordinar toda a nossa existência; mas avisa-nos também que Deus nos convoca a um compromisso efectivo com a construção do mundo.
O Evangelho ensina que o homem, sem deixar de cumprir as suas obrigações com a comunidade em que está inserido, pertence a Deus e deve entregar toda a sua existência nas mãos de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submissão ao poder político.
A primeira leitura sugere que Deus é o verdadeiro Senhor da história e que é Ele quem conduz a caminhada do seu Povo rumo à felicidade e à realização plena. Os homens que actuam e intervêm na história são apenas os instrumentos de que Deus se serve para concretizar os seus projectos de salvação.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de uma comunidade cristã que colocou Deus no centro do seu caminho e que, apesar das dificuldades, se comprometeu de forma corajosa com os valores e os esquemas de Deus. Eleita por Deus para ser sua testemunha no meio do mundo, vive ancorada numa fé activa, numa caridade esforçada e numa esperança inabalável.
EVANGELHO – Mt 22,15-21
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
os fariseus reuniram-se para deliberar
sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse.
Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos,
juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe:
«Mestre, sabemos que és sincero
e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus,
sem Te deixares influenciar por ninguém,
pois não fazes acepção de pessoas.
Diz-nos o teu parecer:
É lícito ou não pagar tributo a César?».
Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu:
«Porque Me tentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda do tributo».
Eles apresentaram-Lhe um denário,
e Jesus perguntou:
«De quem é esta imagem e esta inscrição?».
Eles responderam: «De César».
Disse-lhes Jesus:
«Então, daí a César o que é de César
e a Deus o que é de Deus».
AMBIENTE
O nosso texto situa-nos em Jerusalém, o local onde vai desenrolar-se o confronto final entre Jesus e o judaísmo. De um lado estão os dirigentes judeus: instalados nas suas certezas e preconceitos, recusam-se terminantemente a acolher a proposta do Reino. Do outro lado está Jesus: Ele procura que os dirigentes do seu Povo tomem consciência de que, ao
recusar o Reino, estão a recusar a oferta de salvação que Deus lhes faz.
Para ilustrar a situação, Jesus conta-lhes três parábolas (que lemos e meditámos nos últimos três domingos). Na primeira, identifica-os com o filho que disse “sim” ao seu pai, mas que não foi trabalhar no campo (cf. Mt 21,28-32); na segunda, equipara-os aos vinhateiros maus que tiveram a ousadia de matar o filho (cf. Mt 21,33-46); na terceira, compara-os com os convidados para o banquete que rejeitaram o convite (cf. Mt 22,1-14). Irritados com a ousadia de Jesus e questionados pelas suas comparações, os líderes judaicos procuram ansiosamente um pretexto para o acusar.
É neste contexto que Mateus nos vai apresentar três controvérsias entre Jesus e os fariseus (cf. Mt 22,15-22.23-33.34-40). Em qualquer caso, o objectivo é surpreender afirmações controversas e encontrar argumentos para apresentar em tribunal contra Jesus.
A primeira questão que os fariseus, aliados com os partidários de Herodes Antipas, põem a Jesus é muito delicada. Diz respeito à obrigação de pagar os tributos ao imperador de Roma…
Além dos impostos indirectos (portagens, direitos alfandegários, taxas várias), as províncias romanas pagavam ao Império o tributo, que era uma quantia estipulada por Roma e que todos os habitantes do Império (com excepção das crianças e dos velhos) deviam pagar. Era considerado um sinal infamante da sujeição a Roma. A questão que põem a Jesus é, portanto, esta: é lícito pactuar com esse sistema gerador de escravidão e de injustiça?
Os partidários de Herodes e os saduceus (a alta aristocracia sacerdotal) estavam perfeitamente de acordo com o tributo, pois aceitavam naturalmente a sujeição a Roma. Os movimentos revolucionários, no entanto, estavam frontalmente contra, pois consideravam o imperador um usurpador do poder que só pertencia a Jahwéh e interditavam aos seus partidários o pagamento do dito tributo. Os fariseus, embora não aceitando o tributo, tinham uma posição intermédia e não propunham uma solução violenta para a questão…
De qualquer forma, era uma questão “armadilhada”. Se Jesus se pronunciasse a favor do pagamento do tributo, seria acusado de colaboracionismo e de defender a usurpação pelos romanos do poder que pertencia a Jahwéh; mas se Jesus se pronunciasse contra o pagamento do imposto, seria acusado de revolucionário, inimigo da ordem romana…
Como é que Jesus vai resolver a questão?
MENSAGEM
Confrontado com a questão, Jesus convidou os seus interlocutores a mostrar a moeda do imposto e a reconhecerem a imagem gravada na moeda (a imagem de César). Depois, Jesus concluiu: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (vers. 21). O que é que esta afirmação significa? Significa uma espécie de repartição equitativa das obrigações do homem entre o poder político e o poder religioso?
Provavelmente, Jesus quis sugerir que o homem não pode nem deve alhear-se das suas obrigações para com a comunidade em que está integrado. Em qualquer circunstância, ele deve ser um cidadão exemplar e contribuir para o bem comum. A isso, chama-se “dar a César o que é de César”.
No entanto, o que é mais importante é que o homem reconheça a Deus como o seu único senhor. As moedas romanas têm a imagem de César: que sejam dadas a César. O homem, no entanto, não tem inscrita em si próprio a imagem de César, mas sim a imagem de Deus (cf. Gn 1,26-27: “Deus disse: ‘façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança’… Deus criou o ser humano à sua imagem, criou-o à imagem de Deus”): portanto, o homem pertence somente a Deus, deve entregar-se a Deus e reconhecê-l’O como o seu único senhor.
Jesus vai muito além da questão que Lhe puseram… Recusa-Se a entrar num debate de carácter político e coloca a questão a um nível mais profundo e mais exigente. Na abordagem de Jesus, a questão deixa de ser uma simples discussão acerca do pagamento ou do não pagamento de um imposto, para se tornar um apelo a que o homem reconheça Deus como o seu senhor e realize a sua vocação essencial de entrega a Deus (ele foi criado por Deus, pertence a Deus e transporta consigo a imagem do seu senhor e seu criador). Jesus não está preocupado, sequer, em afirmar que o homem deve repartir equitativamente as suas obrigações entre o poder político e o poder religioso; mas está, sobretudo, preocupado em deixar claro que o homem só pertence a Deus e deve entregar toda a sua existência nas mãos de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submissão ao poder político.
ACTUALIZAÇÃO
Na reflexão, considerar as seguintes questões:
• A questão essencial que o nosso texto aborda é esta: o homem pertence a Deus e deve considerar Deus o seu único senhor e a sua referência fundamental. No entanto, embriagados pelo turbilhão das liberdades e das novas descobertas, os homens do nosso tempo consideraram que eram capazes de descobrir, por si próprios, os caminhos da vida e da felicidade e que podiam prescindir de Deus… Instalaram-se no orgulho e na auto-suficiência e deixaram Deus de fora das suas vidas. É preciso voltarmos a Deus e redescobrirmos a sua centralidade na nossa existência. Deus não atenta contra a nossa identidade e a nossa liberdade. Fomos criados para a comunhão com Deus e só nos sentiremos felizes e realizados quando nos entregarmos confiadamente nas suas mãos e fizermos d’Ele o centro da nossa caminhada.
• Em muitos casos, Deus foi apenas substituído por outros “deuses”: o dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional, a ascensão social, o clube de futebol… tomaram o lugar de Deus e passaram a dirigir e a condicionar a vida de tantos dos nossos contemporâneos. Quase sempre, no entanto, essa troca trouxe, apenas, escravidão, alienação, frustração e sentimentos de solidão e de orfandade… Como me sinto face a isto? Há outros deuses a tomarem posse da minha vida, a condicionarem as minhas opções, a dirigirem os meus interesses, a dominarem os meus projectos? Quais são esses deuses? Eles asseguraram-me a felicidade e a plena realização, ou tornam-me cada vez mais escravo e dependente?
• O homem e a mulher foram criados à imagem de Deus. Eles não são, portanto, objectos que podem ser usados, explorados e alienados, mas seres revestidos de uma suprema dignidade, de uma dignidade divina. Apesar da Declaração Universal dos Direitos do Homem e de uma infinidade de organizações e de associações destinadas a proteger e a assegurar os direitos, liberdades e garantias, há milhões de homens, mulheres e crianças que continuam, todos os dias, a ser maltratados, humilhados, explorados, desprezados, diminuídos na sua dignidade. Destruir a imagem de Deus que existe em cada criança, mulher ou homem, é um grave crime contra Deus. Nós, os cristãos, não podemos permitir que tal aconteça. Devemos sentir-nos responsáveis sempre que algum irmão ou irmã, em qualquer canto do mundo, é privado dos seus direitos e da sua dignidade; e temos o dever grave de lutar, de forma objectiva, contra todos os sistemas que, na Igreja ou na sociedade, atentem contra a vida e a dignidade de qualquer pessoa.
• Para o cristão, Deus é a referência fundamental e está sempre em primeiro lugar; mas isso não significa que o cristão viva à margem do mundo e se demita das suas responsabilidades na construção do mundo. O cristão deve ser um cidadão exemplar, que cumpre as suas responsabilidades e que colabora activamente na construção da sociedade humana. Ele respeita as leis e cumpre pontualmente as suas obrigações tributárias, com coerência e lealdade. Não foge aos impostos, não aceita esquemas de corrupção, não infringe as regras legalmente definidas. Vive de olhos postos em Deus; mas não se escusa a lutar por um mundo melhor e por uma sociedade mais justa e mais fraterna.
• Como é que eu me situo face ao poder político e às instituições civis: com total indiferença, com sujeição cega, ou com lealdade crítica? Como é que eu contribuo para a construção da sociedade? À luz de que critérios e de que valores julgo os factos, as decisões, as leis políticas e sociais que regem a comunidade humana em que estou inserido? As minhas opções políticas são coerentes com os critérios do Evangelho e com os valores de Jesus?
PALAVRA DE VIDA.
O Dia Mundial das Missões deveria manter-nos acordados. Será que, sim ou não, nós acreditamos que a mensagem de Cristo se dirige a todos os homens dos cinco continentes, quaisquer que sejam a sua situação, as suas alegrias, os seus sofrimentos, as suas questões, os seus projectos? Se a mensagem de Cristo é universal, é necessário que aqueles que dela beneficiaram não a guardem só para si, mas devem anunciá-la, gritá-la, e dar àqueles que partiram para a anunciar os meios de a fazer conhecer. Esta mensagem não consiste apenas em palavras para escutar, mas numa Palavra que faz viver, que volta a erguer, que dá felicidade. Então, estejamos preocupados com a propagação do Evangelho em toda a parte e para todos.


e/ou nos vídeos AQUI e AQUI.

«Quem nos fará ver a felicidade, se de nós se afastou a luz da tua face, ó Senhor?» (Sl 4,7)
Do mesmo modo que as moedas têm a imagem de César, também a nossa alma é feita à imagem da Santíssima Trindade, como diz o salmo: «Quem nos fará ver a felicidade, se de nós se afastou a luz da tua face, ó Senhor?» (Sl 4,7). […] Senhor, a luz da tua face, a luz da tua graça, que estabelece em nós a tua imagem e nos torna semelhantes a Ti, está impressa em nós, na nossa razão, que é a potência mais elevada da nossa alma e recebe essa luz como a cera recebe a marca de um sinete. A face de Deus é a nossa razão; pois, da mesma maneira que conhecemos cada um pela sua face, assim conhecemos a Deus pelo espelho da razão. Mas essa razão foi deformada pelo pecado do homem, pois o pecado torna o homem oposto a Deus. A graça de Cristo reparou a nossa razão. É por isso que o apóstolo Paulo recomenda aos efésios que se renovem pelo Espírito (cf 4,23). O tema da luz, mencionado neste salmo, é, pois, a graça que restaura a imagem de Deus, impressa na nossa natureza. […]
Toda a Trindade marcou o homem à sua semelhança: pela memória, ele parece-se com o Pai; pela inteligência, parece-se com o Filho; pelo amor parece-se com o Espírito Santo. […] Quando foi criado, o homem foi feito «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26): sua imagem no conhecimento da verdade; sua semelhança no amor à virtude. A luz da face de Deus é, pois, a graça que nos justifica e revela de novo a imagem criada. Essa luz constitui todo o bem do homem, o seu verdadeiro bem; ela marca-o, tal como a imagem do imperador marca a moeda de prata. Por isso o Senhor acrescenta: «Dai a César o que é de César». Como se dissesse: da mesma forma que atribuís a César a sua imagem dai também a Deus a vossa alma, ornada e marcada pela luz da sua face.
Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja, Sermões para o Domingo e as festas dos santos

Aprendamos a restituir a Deus o que é seu

Temos sempre necessidade de pertencer a alguém. Somos todos como a moeda romana que mostravam a Jesus: “Divo Tiberio”, «sou do divino Tibério, filho de Augusto». E eu, a quem pertenço? Talvez às coisas, aos poderes fortes, ao pensamento dominante, ou aos meus sonhos, aos meus laços vitais, ao amor que experimento e que, assegura-me a Bíblia, é «Deus que ama em mim»? Para saber mais clicar AQUI.