"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

FILME&CINEMA: “Ainda Estou Aqui”

Christiana Martins, jornalista no Expresso Curto de 23/01/2025:

" ... Independentemente de se concordar, ou não, com a classificação de que se trata de uma grande obra cinematográfica, o longa metragem vale pela mensagem, especialmente relevante em tempos tão sombrios. Interessa o testemunho, interessam eles e como nós nos posicionamos. Interessamo-nos.

A torcida vai especialmente para a atriz Fernanda Torres, que durante cerca de um ano dedicou-se a encarnar a figura real de Eunice Paiva, a mulher que, devido à truculência da ditadura militar brasileira, se viu subtraída do marido, cabendo-lhe educar sozinha os cinco filhos. Uma história de resistência e dignidade.

Ansiosa por mergulhar nessa história, que há meses vinha antecipando em leituras, comprei os bilhetes para a estreia com antecedência. A sala, em Lisboa, estava cheia, sobretudo de jovens. No fim, depois de uma espera tímida, ouviram-se palmas. Muitas não apenas ao filme, imagino, mas à coragem daquela família. No Brasil, mais de três milhões já viram “Ainda estou aqui”, em Portugal, foi o filme mais visto no primeiro fim de semana em que foi exibido.

Em tempos digitalizados, o exercício de se abrir um álbum de fotografias, daqueles grandes, com capa dura, também exige alguma coragem. E, para mim, ver “Ainda estou aqui” exigiu uma iniciativa do mesmo calibre.

As ruas, os automóveis, as formas de ser e estar, o sotaque, o comportamento espontâneo, e até uma pessoa com quem convivi olhavam-me de dentro da tela. Principalmente, olhava-me um país, que, durante muito tempo, pensámos que tinha virado passado. A primeira cena é mesmo do ano em que nasci e o quartel onde eram torturados os opositores ao regime ficava no bairro onde eu morava, no Rio de Janeiro. Tudo tão palpável.

No fim do filme, a voz de Erasmo Carlos em “É preciso dar um jeito, meu amigo” fica a ecoar na memória: “Eu cheguei de muito longe/e a viagem foi tão longa/E na minha caminhada/obstáculos na estrada/mas enfim aqui estou”.

Esta semana, que começou sob a sombra de palavras sinistras, vai exigir de nós mais coragem no caminho. Afinal, como diz a canção, “É preciso dar um jeito, meu amigo/Descansar não adianta”. E que venham os Óscares, mas se não vierem, também não faz mal, porque nós, para já, ainda estaremos aqui."

E para saber mais, clicar AQUI, AQUI e AQUI.

terça-feira, 9 de março de 2021

TELEVISÃO: “The crown”

Narrativa entre luzes e sombras, privado e público, da monarquia inglesa ao tempo de Isabel II ao longo dos séculos XX e XXI, “The crown”, distinguida no domingo com quatro Globos de Ouro, incluindo o prémio para melhor série dramática, foi exibida em quatro temporadas, de 2016 a 2020. Olivia Colman entrega-nos uma rainha sólida, granítica, a única que parece ter o pulso da situação, fora e dentro do palácio, capaz de seguir as regras do protocolo com um rigor quase desumano. A coroa é a sua vida, é ela própria, bem mais do que a dimensão conjugal, o papel de mãe ou de irmã. Isabel II governa tudo, familiares e cidadãos britânicos, sem aparente hesitação. Para saber mais clicar AQUI.

FILME&CINEMA: “Nomadland”

Leão de Ouro na Bienal de Veneza de 2020, menção especial do prémio internacional católico da SIGNIS, “Nomadland” obteve no domingo à noite o prémio para melhor filme e melhor realização (Chloé Zhao) nos Globos de Ouro, que distinguem a televisão e o cinema norte-americanos. “Nomadland” fotografa bem quem vive à margem, os descartados da sociedade contemporânea, mas fá-lo com gentileza e grande respeito, marcando a dignidade com que estas pessoas – o filme apoia-se também em “atores” que vivem na estrada – vivem a sua existência e se batem tenazmente por um possível amanhã. Para saber mais clicar AQUI.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

CINEMA: O clube de Dallas

Texas, 1985. Na sequência de um acidente que o obriga a internamento hospitalar, Ron Woodroof recebe a notícia de que é seropositivo, com um negro prognóstico de 30 dias de vida. Inicialmente incrédulo, o eletricista homofóbico acaba por aceitar a dolorosa notícia e decide não se deixar derrotar. Retomando os temas da homossexualidade e da homofobia, Valléé combina-os em “O Clube de Dallas” com questões associadas ao poder e contrapoder da indústria farmacêutica, da investigação sobre o  e do recurso a medicinas alternativas. Com fleuma, o filme resulta numa evocação sensível, forte e pouco sentimentalista de um homem que, à margem do seu contexto social, lutou pela sua vida e pela dos que até então considerava seus dissemelhantes, de quem se aproximou. A evolução do protagonista em gentileza e humanidade, e a relação que estabelece com Rayon, o travesti, mesmo sem dispensar alguns lugares comuns e algum humor negro, são as mais-valias deste filme, que vinga também pelos desempenhos e pelos temas que dele brotam.
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

CINEMA: "Guia para um final feliz": saber olhar o futuro com esperança após a perda, ausência e frustração

Construir de forma consistente uma obra que se debruce sobre um dos maiores e mais comuns problemas que afligem a nossa sociedade – a capacidade de lidar com a perda, a ausência e a frustração – está longe de ser uma tarefa fácil. Mas foi a que assumiu o realizador David O. Russell ao propor-se simultaneamente retratar, convidar à reflexão e divertir os espetadores com a adaptação ao cinema do romance “Silver Linings Playbook” de Matthew Quick (2008). Do ímpeto de evasão à procura dos paliativos mais imediatos, do desmoronamento à reconstrução da relação a dois, da dúvida e do pessimismo à convicção e à esperança em melhores dias, tudo começando no princípio de que é de dentro de nós que parte a solução, eis um filme que de forma suave é capaz de tocar questões importantes que fazem parte do nosso dia-a-dia – questões nossas ou dos que nos rodeiam.