"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Jesus: sua vida e sua história

Eis AQUI uma boa forma de conhecer, reconhecer aquele que mudou a nossa história e dividiu o nosso tempo, Jesus Cristo! e...

... também, uma forma de Lhe ser grato.  

sexta-feira, 17 de maio de 2019

ATENÇÃO/REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: Tiranias, massacres e fugas

Não é necessária qualquer erudição historiográfica para se saber que, de certo ponto de vista, a história da humanidade é, em grande parte, pontuada por massacres de todos os tipos. O ponto de vista aqui em causa é o da relação entre tiranos e tiranizados. Esta relação constitui, numa terrível contradição com o melhor possível para a humanidade – sobretudo a humanidade como criada pelo Deus da Bíblia –, o eixo histórico, isto é, o eixo real da atividade que tem constituído o movimento da humanidade ao longo dos tempos. Talvez a ilusão mais perigosa e perniciosa seja a que ocorre quando se pensa que a tirania só existe em modo politicamente grandioso. Para saber mais clicar AQUI.

domingo, 6 de janeiro de 2019

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética" AQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial" AQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro" AQUI
5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6. Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7. Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8. Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.

Então:
Solenidade da Epifania do Senhor – Ano C
TEMA
A liturgia deste domingo leva-nos à manifestação de Jesus como “a luz” que atrai a Si todos os povos da terra. Essa “luz” incarnou na nossa história, a fim de iluminar os caminhos dos homens com uma proposta de salvação/libertação.
A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Jahwéh, que alegrará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “Magos”, atentos aos sinais da chegada do Messias, que O aceitam como “salvação de Deus” e O adoram. A salvação, rejeitada pelos habitantes de Jerusalém, torna-se agora uma oferta universal.
A segunda leitura apresenta o projecto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.
EVANGELHOMt 2,1-12
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles –
o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente
e viemos adorá-I’O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: «Em Belém da Judeia,
porque assim está escrito pelo Profeta:
‘Tu, Belém, terra de Judá,
não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe,
que será o Pastor de Israel, meu povo’».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas
sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-I’O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente
e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos
para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.
AMBIENTE
Na Solenidade da Epifania do Senhor, a liturgia apresenta-nos a visita dos Magos ao menino de Belém. Trata-se de um episódio que, ao longo dos séculos, tem provocado um impacto considerável nos sonhos e nas fantasias dos cristãos … No entanto, não estamos diante de uma reportagem jornalística que faz a cobertura da visita oficial de três chefes de Estado a outro país; estamos diante de uma catequese sobre Jesus, destinada a apresentar Jesus como o salvador/libertador de todos os homens.
MENSAGEM
Os numerosos detalhes do relato demonstram, claramente, que o propósito de Mateus não é de tipo histórico, mas catequético.
Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no facto de Jesus ter nascido em Belém de Judá (cf. Mt 2,1.5.6.7). Para entender esta insistência temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-l’O a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém (cf. Miq 5,1.3; 2Sam 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para O reconhecerem como Messias.
Notemos, em segundo lugar, a referência a uma estrela “especial” que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os “Magos” para Belém. A interpretação desta referência como indicação histórica levou alguém a cálculos astronómicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenómeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura do cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do Médio Oriente … Na realidade, não podemos entender esta referência como histórica, mas antes como catequese sobre Jesus. Segundo a crença popular, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacob (cf. Nm 24,17). É com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese, vai inventar a “estrela”. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguros para rebater aqueles que negavam que Jesus era o Messias esperado.
Temos, ainda, as figuras dos “Magos”. A palavra grega “mágos”, usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos … Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, entrados em contacto com o messianismo judaico. Seja como for, esses “Magos” representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is 60,1-6), que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade. Jesus é, na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa luz.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigmática, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os “Magos” do oriente (que são pagãos) O adoram; Herodes e Jerusalém “ficam perturbados” diante da notícia do nascimento de Jesus e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem-n’O como o seu Senhor.
Mateus anuncia, aqui, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a formar parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos “Magos” reflecte o processo que os pagãos seguiram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus – que conhecem as Escrituras – o que fazer, encontram Jesus e adoram-n’O. É muito possível que um grande número de pagano-cristãos da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu próprio caminho em direcção a Jesus.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar as seguintes questões:
* Em primeiro lugar, meditemos nas atitudes das várias personagens que Mateus nos apresenta em confronto com Jesus: os “Magos”, Herodes, os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo … Diante de Jesus, eles assumem atitudes diversas que vão desde a adoração (os “Magos”) até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem das Escrituras). Identificamo-nos com algum destes grupos? Não é fácil “conhecer as Escrituras”, como profissionais da religião e, depois, deixar que as propostas e os valores de Jesus nos passem ao lado?
* Os “Magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação. Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa vida e da história do mundo à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” a vontade de Deus?
* Impressiona também, no relato de Mateus, a “desinstalação” dos “Magos”: viram a “estreia”, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstalação, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, à nossa internet? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus faz através dos irmãos?
* Os “Magos” representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja, essa família de irmãos, constituída por gente de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e que O reconhecem como “o Senhor”.
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=2336




«Viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d'Ele, adoraram-n'O»
Os magos encontram uma jovem pobre com uma criança coberta de pobres faixas; [...] mas, ao entrarem naquela gruta, sentem uma alegria que nunca tinham experimentado. [...] A divina Criança tem uma expressão alegre, que é sinal da satisfação afetuosa com que os acolhe, como primeiras conquistas da sua obra redentora. Os santos reis olham em seguida para Maria, que não fala; mantém-se em silêncio, mas o seu rosto reflete alegria e respira uma doçura celeste, prova de que lhes presta bom acolhimento e lhes agradece serem os primeiros a reconhecer no seu Filho aquilo que Ele é: o seu Senhor soberano. [...]
Menino digna de amor, vejo-Te nessa gruta, deitado na palha, pobre e desprezado; mas a fé ensina-me que Tu és o meu Deus, descido do Céu para minha salvação. Reconheço-Te como meu Senhor soberano e meu Salvador; proclamo-Te como tal, mas nada tenho para Te oferecer. Não tenho o ouro do amor, porque amei as coisas deste mundo: amei os meus caprichos em vez de Te amar a Ti, que és infinitamente digno de amor. Não tenho o incenso da oração, pois infelizmente vivi sem pensar em Ti. Não tenho a mirra da mortificação, porque não me ter abstive de miseráveis prazeres, tantas vezes contristando a tua infinita bondade. Que Te oferecerei então? Meu Jesus, ofereço-Te o meu coração, manchado e despojado: aceita-o e transforma-o, uma vez que vieste cá abaixo para lavar com o teu sangue os nossos corações culpados e assim nos transformar de pecadores em santos. Dá-me, pois, esse ouro, esse incenso, essa mirra que me faltam. Dá-me o ouro do teu santo amor; dá-me o incenso do espírito de oração; dá-me a mirra do desejo e da força de me mortificar em tudo o que Te desagrada. [...]
Virgem santa, tu acolheste os piedosos reis magos com viva afeição e eles ficaram cheios de felicidade; digna-te também acolher-me e consolar-me, a mim que venho, seguindo o seu exemplo, visitar o teu Filho e oferecer-me a Ele
Santo Afonso-Maria de Ligório (1696-1787)
bispo, doutor da Igreja
Meditações para a oitava da Epifania, n.° 1
Para ir ao encontro de Deus é preciso «outro caminho»
Fugir às estradas largas, asfaltadas e iluminadas que se destacam nos mapas da vida e ousar «outro caminho», oculto das cartografias deste mundo e escassamente trilhado: esta é, para o papa, a rota para ir ao encontro de Deus, à semelhança dos magos. «Quando o seu onde se torna o nosso onde, o seu quando o nosso quando, a sua pessoa a nossa vida, então cumprem-se em nós as profecias. Então Jesus nasce dentro e torna-se Deus vivo para mim.» Para saber mais, clicar AQUI.
Neste Domingo de Reis - Epifania: .
Como os Magos também nós vamos neste dia até ao Presépio. Deixamos as nossas ocupações para nos encontrarmos com Cristo, nosso Salvador. Que Ele nos perdoe o nosso apego excessivo às riquezas terrestres (ouro), às honras e ambições que devoram o nosso coração (incenso); que nos ajude a morrer para os nossos ideais egoístas (mirra) e nos guie para a fraternidade e para os valores eternos.
O Senhor veio para os pastores que eram pobres e ignorantes; veio para os magos que eram sábios e ricos; veio para os judeus que eram herdeiros da Promessa; e para os pagãos que não tinham títulos.
Todos os homens são chamados em Jesus Cristo ao Evangelho.
Durante muito tempo, os cristãos imaginaram que o poder era uma condição favorável para a evangelização; nos séc. 18 e 19, em que se viram afastados, tentaram recuperar terreno e vincar posições criando escolas e partidos confessionais, lutando por que houvesse um crucifixo em cada sala de aula e o Nome de Deus nas Constituições.
Estamos agora numa situação que evoca a do começo.
O que nos é pedido é que vivamos a lealdade às tarefas do mundo na lealdade a Deus.
Nenhum de nós tenha medo ou vergonha de confessar que é cristão.
Cada um de nós cumpra com retidão as exigências do seu trabalho.
“E esteja pronto, com serenidade e respeito, a dar as razões da sua Esperança”.
Claro que podemos e devemos dar boas explicações da nossa Esperança;
Claro que podemos e devemos dialogar com a cultura em que estamos inseridos; é-nos lícito descobrir-lhe os limites e abrir caminhos que possam ser passagem para Cristo; desde que isso não seja com a preocupação para dominar ou vencer o outro.
Hoje é claro que a nossa vida – individual e colectiva- não pode ser simplesmente deduzida do Evangelho.
Se alguém está doente, precisa do Evangelho para se colocar com retidão face à vida e à morte; mas o Evangelho não lhe diz qual é o tratamento.
Precisamos todos do Evangelho para nos movermos cada vez mais na justiça; mas o Evangelho não é suficiente para concretizar um programa económico ou político.
Nem é inteligente que os cristãos se constituam em grupo para procurar resolver tais questões: devem juntar-se aos outros homens nesta pesquisa; se alguma coisa os distingue, deve ser a preocupação de fugir a toda a mentira e corrupção.
Os Magos representam os homens de todo o mundo que se deixam guiar pela mensagem de paz e de amor de Cristo. Eles são a imagem da Igreja, composta por gente de todas as raças, tribos, línguas, nações… Entrar para a Igreja não significa renunciar à própria identidade, não quer dizer submeter-se a uma injustiça e falsa uniformidade. Cada pessoa e cada povo mantem as suas características culturais. Melhor, essas características contribuem para enriquecer a Igreja universal. Ninguém é tão rico que não precise de nada e também ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar.
            Sejamos estrelas de Deus onde vivemos: pela nossa presença, guiemos os outros para o bem; pela nossa alegria, afastemos a tristeza;  pelo nosso diálogo, derrubemos as incompreensões; pelo nosso serviço, desfaçamos os egoísmos; pela nossa caridade, destruamos os ódios.
            Ámen! Aleluia!
Jogo: Conhece a história dos Magos?
A celebração teve início nas Igrejas do Oriente. No século III, aparece no Egito, passando a Jerusalém e à Síria, no século IV –, como festa celebrativa da manifestação do Senhor, entendida como seu nascimento. Rapidamente, passou a Roma e ao Ocidente, apesar de, ali, por essa mesma altura, ter surgido a festa da Natividade, do nascimento do Salvador. Neste "quiz", com clique AQUI, testamos os seus conhecimentos sobre o que a Bíblia e a tradição dizem sobre os magos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ESPIRITUALIDADE: O que falta

Deus manifesta-se em Jesus que nasce. Mas a grande pergunta é: como reconhecê-lo? Como reconhecer a passagem de Deus na nossa história? Como reconhecer a sua epifania diária? Com que gramática, de que modo ou com que guia podemos reconhecer a fantástica presença de Deus na nossa vida? Para saber mais, clicar AQUI

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

EFEMÉRIDE/EVOCAÇÃO: Epifania, manifestação de anti-realeza de Jesus


Quantos homens e quantas mulheres, do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, como estes magos procuram o bem, se sentem viandantes, a caminho, se exercitam a reconhecer a salvação como humanização e trabalham para que o humano seja sempre mais humano. Saibam-no ou não, são pessoas para as quais cada criança que nasce, cada humano que vem ao mundo surge com a dignidade de um rei; surge como um irmão ou uma irmã que espera de nós o nosso ouro (o que temos), o nosso incenso (o perfume libertado pela nossa presença), a nossa mirra (o que sabemos sacrificar de nós próprios, gastando a vida pelo outro). Para saber mais clicar AQUI.

domingo, 20 de março de 2016

PALAVRA DE DOMINGO: Contextual​izá-la para bem a entender e melhor vivê-la: LITURGIA & VIDA!


Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética"
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial"
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Ler mais em:
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro", http://www.paulinas.pt/Product_Detail.aspx?code=1977
5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias
6. Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador»
Então:
Tema do Domingo de Ramos
 A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
EVANGELHO – Lc 22,14-23,56 (forma longa) ou Lc 23,1-49 (forma breve) 
N        Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 
N        Quando chegou a hora,
          Jesus sentou-Se à mesa com os seus Apóstolos
          e disse-lhes:
J        «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa,
          antes de padecer;
          pois digo-vos que não tornarei a comê-la,
          até que se realize plenamente no reino de Deus».
N        Então, tomando um cálice, deu graças e disse:
J        «Tomai e reparti entre vós,
          pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira,
          até que venha o reino de Deus».
N        Depois tomou o pão e, dando graças,
          partiu-o e deu-lho, dizendo:
J        «Isto é o meu corpo entregue por vós.
          Fazei isto em memória de Mim».
N        No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo:
J        «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue,
          derramado por vós.
          Entretanto, está comigo à mesa
          a mão daquele que Me vai entregar.
          O Filho do homem vai partir, como está determinado.
          Mas ai daquele por quem Ele vai ser entregue!»
N        Começaram então a perguntar uns aos outros
          qual deles iria fazer semelhante coisa.
          Levantou-se também entre eles uma questão:
          qual deles se devia considerar o maior?
          Disse-lhes Jesus:
J        «Os reis da nações exercem domínio sobre elas
          e os que têm sobre elas autoridade são chamados malfeitores.
          Vós não deveis proceder desse modo.
          O maior entre vós seja como o menor
          e aquele que manda seja como quem serve.
          Pois quem é o maior: o que está à mesa ou o que serve?
          Não é o que está à mesa?
          Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve.
          Vós estivestes sempre comigo nas minhas provações.
          E Eu preparo para vós um reino,
          como meu Pai o preparou para Mim:
          comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino,
          e sentar-vos-eis em tronos,
          a julgar as doze tribos de Israel.
          Simão, Simão, Satanás vos reclamou
          para vos agitar na joeira como trigo.
          Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça.
          E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos».
N        Pedro respondeu-Lhe:
R        «Senhor, eu estou pronto a ir contigo,
          até para a prisão e para a morte».
N        Disse-lhe Jesus:
J        «Eu te digo, Pedro: não cantará hoje o galo,
          sem que tu, por três vezes, negues conhecer-Me».
N        Depois acrescentou:
J        «Quando vos enviei sem bolsa nem alforge nem sandálias,
          faltou-vos alguma coisa?».
N        Eles responderam que não lhes faltara nada.
          Disse-lhes Jesus:
J        «Mas agora, quem tiver uma bolsa pegue nela,
          bem como no alforge;
          e quem não tiver espada venda a capa e compre uma.
          Porque Eu vos digo
          que se deve cumprir em Mim o que está escrito:
          ‘Foi contado entre os malfeitores’.
          Na verdade, o que Me diz respeito está a chegar ao fim».
N        Eles disseram:
R        «Senhor, estão aqui duas espadas».
N        Mas Jesus respondeu:
J        «Basta». 
N        Então saiu
          e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras
          e os discípulos acompanharam-n’O.
          Quando chegou ao local, disse-lhes:
J        «Orai, para não entrardes em tentação».
N        Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra
          e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo:
J        «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice.
          Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua».
N        Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar.
          Entrando em angústia, orava mais instantemente
          e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue,
          que caíam na terra.
          Depois de ter orado,
          levantou-Se e foi ter com os discípulos,
          que encontrou a dormir, por causa da tristeza.
          Disse-lhes Jesus:
J        «Porque estais a dormir?
          Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação». 
N        Ainda Ele estava a falar,
          quando apareceu uma multidão de gente.
          O chamado Judas, um dos Doze, vinha à sua frente
          e aproximou-se de Jesus, para O beijar.
          Disse-lhe Jesus:
J        «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do homem?»
N        Ao verem o que ia suceder,
          os que estavam com Jesus perguntaram-Lhe:
R        «Senhor, vamos feri-los à espada?»
N        E um deles feriu o servo do sumo sacerdote,
          cortando-lhe a orelha direita.
          Mas Jesus interveio, dizendo:
J        «Basta! Deixai-os».
N        E, tocando na orelha do homem, curou-o.
          Disse então Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro,
          príncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anciãos:
J        «Vós saístes com espadas e varapaus,
          como se viésseis ao encontro dum salteador.
          Eu estava todos os dias convosco no templo
          e não Me deitastes as mãos.
          Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.
N        Apoderaram-se então de Jesus,
          levaram-n’O e introduziram-n’O em casa do sumo sacerdote.
          Pedro seguia-os de longe.
          Acenderam uma fogueira no meio do pátio,
          sentaram-se em volta dela
          e Pedro foi sentar-se no meio deles.
          Ao vê-lo sentado ao lume,
          uma criada, fitando os olhos nele, disse:
R        «Este homem também andava com Jesus».
N        Mas Pedro negou:
R        «Não O conheço, mulher».
N        Pouco depois, disse outro, ao vê-lo:
R        «Tu também és um deles».
N        Mas Pedro disse:
R        «Homem, não sou».
N        Passada mais ou menos uma hora,
          afirmava outro com insistência:
R        «Esse homem, com certeza, também andava com Jesus,
          pois até é galileu».
N        Pedro respondeu:
R        «Homem, não sei o que dizes».
N        Nesse instante – ainda ele falava – um galo cantou.
          O Senhor voltou-Se e fitou os olhos em Pedro.
          Então Pedro lembrou-se da palavra do Senhor,
          quando lhe disse:
          ‘Antes do galo cantar, Me negarás três vezes’.
          E, saindo para fora, chorou amargamente.
          Entretanto, os homens que guardavam Jesus
          troçavam d’Ele e maltratavam-n’O.
          Cobrindo-Lhe o rosto, perguntavam-Lhe:
R        «Adivinha, profeta: Quem te bateu?»
N        E dirigiam-Lhe muitos outros insultos.
          Ao romper do dia,
          reuniu-se o conselho dos anciãos do povo,
          os príncipes dos sacerdotes e os escribas.
          Levaram-n’O ao seu tribunal e disseram-Lhe:
R        «Diz-nos se Tu és o Messias».
N        Jesus respondeu-lhes:
J        «Se Eu vos disser, não acreditareis
          e, se fizer alguma pergunta, não respondereis.
          Mas o Filho do homem sentar-Se-á doravante
          à direita do poder de Deus».
N        Disseram todos:
R        «Tu és então o Filho de Deus?»
N        Jesus respondeu-lhes:
J        «Vós mesmos dizeis que Eu sou».
N        Então exclamaram:
R        «Que necessidade temos ainda de testemunhas?
          Nós próprios o ouvimos da sua boca».
N        Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos. 
N        Começaram a acusá-l’O, dizendo:
R        «Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo,
          a impedir que se pagasse o tributo a César
          e dizendo ser o Messias-Rei».
N        Pilatos perguntou-Lhe:
R        «Tu és o Rei dos judeus?»
N        Jesus respondeu-lhe:
J        «Tu o dizes».
N        Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão:
R        «Não encontro nada de culpável neste homem».
N        Mas eles insistiam:
R        «Amotina o povo, ensinando por toda a Judeia,
          desde a Galileia, onde começou, até aqui». 
N        Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu;
          e, ao saber que era da jurisdição de Herodes,
          enviou-O a Herodes,
          que também estava nesses dias em Jerusalém.
          Ao ver Jesus, Herodes ficou muito satisfeito.
          Havia bastante tempo que O queria ver,
          pelo que ouvia dizer d’Ele,
          e esperava que fizesse algum milagre na sua presença.
          Fez-Lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.
          Os príncipes dos sacerdotes e os escribas que lá estavam
          acusavam-n’O com insistência.
          Herodes, com os seus oficiais, tratou-O com desprezo
          e, por troça, mandou-O cobrir com um manto magnífico
          e remeteu-O a Pilatos.
          Herodes e Pilatos, que eram inimigos,
          ficaram amigos nesse dia.
          Pilatos convocou os príncipes dos sacerdotes,
          os chefes e o povo, e disse-lhes:
R        «Trouxestes este homem à minha presença
          como agitador do povo.
          Interroguei-O diante de vós
          e não encontrei n’Ele nenhum dos crimes de que O acusais.
          Herodes também não, uma vez que no-l’O mandou de novo.
          Como vedes, não praticou nada que mereça a morte.
          Vou, portanto, soltá-l’O, depois de O mandar castigar».
N        Pilatos tinha obrigação de lhes soltar um preso
          por ocasião da festa.
          E todos se puseram a gritar:
R        «Mata Esse e solta-nos Barrabás».
N        Barrabás tinha sido metido na cadeia
          por causa de uma insurreição desencadeada na cidade
          e por assassínio.
          De novo Pilatos lhes dirigiu a palavra,
          querendo libertar Jesus.
          Mas eles gritavam:
R        «Crucifica-O! Crucifica-O!»
N        Pilatos falou-lhes pela terceira vez:
R        Mas que mal fez este homem?
          Não encontrei n’Ele nenhum motivo de morte.
          Por isso vou soltá-l’O, depois de O mandar castigar».
N        Mas eles continuavam a gritar,
          pedindo que fosse crucificado,
          e os seus clamores aumentavam de violência.
          Então Pilatos decidiu fazer o que eles pediam:
          soltou aquele que fora metido na cadeia
          por insurreição e assassínio,
          como eles reclamavam,
          e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam. 
N        Quando o conduziam,
          lançaram mão de um certo Simão de Cirene,
          que vinha do campo,
          e puseram-lhe a cruz às costas,
          para a levar atrás de Jesus.
          Seguia-O grande multidão de povo
          e mulheres que batiam no peito
          e se lamentavam, chorando por Ele.
          Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes:
J        «Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim;
          chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos;
          pois dias virão em que se dirá:
          ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram
          e os peitos que não amamentaram’.
          Começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós’;
          e às colinas: ‘Cobri-nos’.
          Porque, se tratam assim a madeira verde,
          que acontecerá à seca?». 
N        Levavam ainda dois malfeitores
          para serem executados com Jesus.
          Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,
          crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores,
          um à direita e outro à esquerda.
          Jesus dizia:
J        «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».
N        Depois deitaram sortes,
          para repartirem entre si as vestes de Jesus.
          O povo permanecia ali a observar.
          Por sua vez, os chefes zombavam e diziam:
R        «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo,
          se é o Messias de Deus, o Eleito».
N        Também os soldados troçavam d’Ele;
          aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:
R        «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo».
N        Por cima d’Ele havia um letreiro:
          «Este é o rei dos judeus».
          Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados
          insultava-O, dizendo:
R        «Não és Tu o Messias?
          Salva-Te a Ti mesmo e a nós também».
N        Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:
R        «Não temes a Deus,
          tu que sofres o mesmo suplício?
          Quanto a nós, fez-se justiça,
          pois recebemos o castigo das nossas más acções.
          Mas Ele nada praticou de condenável».
N        E acrescentou:
R        «Jesus, lembra-Te de mim,
          quando vieres com a tua realeza».
N        Jesus respondeu-lhe:
J        «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».
N        Era já quase meio-dia,
          quando as trevas cobriram toda a terra,
          até às três horas da tarde,
          porque o sol se tinha eclipsado.
          O véu do templo rasgou-se ao meio.
          E Jesus exclamou com voz forte:
J        «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito».
N        Dito isto, expirou. 
N        Vendo o que sucedera,
          o centurião deu glória a Deus, dizendo:
R        «Realmente este homem era justo».
N        E toda a multidão que tinha assistido àquele espectáculo,
          ao ver o que se passava, regressava batendo no peito.
          Todos os conhecidos de Jesus,
          bem como as mulheres que O acompanhavam
          desde a Galileia,
          mantinham-se à distância, observando estas coisas. 
N        Havia um homem chamado José, da cidade de Arimateia,
          que era pessoa recta e justa e esperava o reino de Deus.
          Era membro do Sinédrio, mas não tinha concordado
          com a decisão e o proceder dos outros.
          Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.
          E depois de o ter descido da cruz,
          envolveu-o num lençol
          e depositou-o num sepulcro escavado na rocha,
          onde ninguém ainda tinha sido sepultado.
          Era o dia da Preparação
          e começavam a aparecer as luzes do sábado.
          Entretanto,
          as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia
          acompanharam José e observaram o sepulcro
          e a maneira como fora depositado o corpo de Jesus.
          No regresso, prepararam aromas e perfumes.
          E no sábado guardaram o descanso, conforme o preceito. 
AMBIENTE 
Com a chegada de Jesus a Jerusalém e os acontecimentos da semana santa, chegamos ao fim do “caminho” começado na Galileia. Tudo converge, no Evangelho de Lucas, para aqui, para Jerusalém: é aí que deve irromper a salvação de Deus. Em Jerusalém, Jesus vai realizar o último acto do programa enunciado em Nazaré: da sua entrega, do seu amor afirmado até à morte, vai nascer esse Reino de homens novos, livres, onde todos serão irmãos no amor; e, de Jerusalém, partirão as testemunhas de Jesus, a fim de que esse Reino se espalhe por toda a terra e seja acolhido no coração de todos os homens. 
MENSAGEM 
A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar a Boa Nova aos pobres, sarar os corações feridos, pôr em liberdade os oprimidos. Para concretizar este projecto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham o coração mais disponível para acolher o Reino; e avisou os “ricos”, os poderosos, os instalados, de que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.
O projecto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostos a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O na cruz.
A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam este mundo.
Podemos também dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço.
Na cruz de Jesus, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado, isto é, contra todas as causas objectivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração, morte. Assim, a cruz contém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do Reino.
 
Para além da reflexão geral sobre o sentido da paixão e morte de Jesus, convém ainda notar alguns dados que são exclusivos da versão lucana da paixão:
·         No relato da instituição da Eucaristia, só Lucas põe Jesus a dizer: “fazei isto em memória de Mim” (cf. Lc 22,19). A expressão não quer só dizer que os discípulos devem celebrar o ritual da última ceia e repetir as palavras de Jesus sobre o pão e sobre o vinho; mas quer, sobretudo, dizer que os discípulos devem repetir a entrega de Jesus, a doação da vida por amor.
·         Só Lucas coloca no contexto da última ceia a discussão acerca de qual dos discípulos seria o “maior” e a resposta de Jesus (cf. Lc 22,24-27). Jesus avisa os seus que “o maior” é “aquele que serve”; e apresenta o seu próprio exemplo de uma vida feita serviço e dom. Estas palavras soam a “testamento” e convocam os discípulos para fazerem da sua vida um serviço aos irmãos, ao jeito de Jesus.
·         No jardim das Oliveiras, só Lucas faz referência ao aparecimento do anjo e ao “suor de sangue” (cf. Lc 22,42-44). Esta cena acentua a fragilidade humana de Jesus que, no entanto, não condiciona a sua submissão total ao projecto do Pai; e sublinha a presença de Deus, que não abandona nos momentos de prova aqueles que acolhem, na obediência, a sua vontade.
·         Também no relato da paixão aparece a ideia fundamental que perpassa pela obra de Lucas: Jesus é o Deus que veio ao nosso encontro, a fim de manifestar a todos os homens, em gestos concretos, a bondade e a misericórdia de Deus. Essa ideia está presente no gesto de curar o guarda ferido por Pedro no Jardim do Getsemani (cf. Lc 22,51); está também presente nas palavras de Jesus na cruz: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” – Lc 23,34 (é desconcertante o amor de um Filho de Deus que morre na cruz pedindo desculpa ao Pai para os seus assassinos); está, ainda, presente nas palavras que Jesus dirige ao criminoso que morre numa cruz, ao seu lado: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso” – Lc 23,43 (é desconcertante a bondade de um Deus que faz de um assassino o primeiro santo canonizado da sua Igreja).
·         Todos os sinópticos falam da requisição de Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus (cf. Mt 27,32; Mc 15,21); no entanto, só Lucas refere que Simão transporta a cruz “atrás de Jesus” (cf. Lc 23,26). Este dado serve a Lucas para apresentar o modelo do discípulo: é aquele que toma a cruz de Jesus e O segue no seu caminho de entrega e de dom da vida (“se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz dia após dia e siga-mM” – Lc 9,23; cf. 14,27). 
ACTUALIZAÇÃO 
Reflectir a partir das seguintes linhas:
- Celebrar a paixão e morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes. 
Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias. Significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens. Significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de um dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.


Fonte: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=1

domingo, 3 de janeiro de 2016

PALAVRA DE DOMINGO: Contextual​izá-la para bem a entender e melhor vivê-la: LITURGIA & VIDA!

Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética"
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial"
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Ler mais em:
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro", http://www.paulinas.pt/Product_Detail.aspx?code=1977
5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias
6. Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador»
Então:
Tema da Solenidade da Epifania do SenhorA liturgia deste domingo celebra a manifestação de Jesus a todos os homens… Ele é uma “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projecto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” incarnou na nossa história, iluminou os caminhos dos homens, conduziu-os ao encontro da salvação, da vida definitiva.
A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Jahwéh, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.
No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os “magos” do oriente, representantes de todos os povos da terra… Atentos aos sinais da chegada do Messias, procuram-n’O com esperança até O encontrar, reconhecem n’Ele a “salvação de Deus” e aceitam-n’O como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém torna-se agora um dom que Deus oferece a todos os homens, sem excepção.
A segunda leitura apresenta o projecto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos – a comunidade de Jesus.
EVANGELHOMt 2,1-12
Leitura de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia,
nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está – perguntaram eles –
o rei dos judeus que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente
e viemos adorá-l’O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado
e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo
e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: «Em Belém da Judeia,
porque assim está escrito pelo profeta:
‘Tu, Belém, terra de Jusá,
não és de modo nenhum a menor
entre as principais cidades de Judá,
pois de ti sairá um chefe,
que será o Pastor de Israel, meu povo’».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos
e pediu-lhes informações precisas
sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;
e, quando O encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-l’O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente
seguia à sua frente
e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d’Ele,
adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros,
ofereceram-Lhe presentes:
ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos
para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.

AMBIENTE
O episódio da visita dos magos ao menino de Belém é um episódio simpático e terno que, ao longo dos séculos, tem provocado um impacto considerável nos sonhos e nas fantasias dos cristãos… No entanto, convém recordar que estamos ainda no âmbito do “Evangelho da Infância”; e que os factos narrados nesta secção não são a descrição exacta de acontecimentos históricos, mas uma catequese sobre Jesus e a sua missão… Por outras palavras: Mateus não está aqui interessado em apresentar uma reportagem jornalística que conte a visita oficial de três chefes de estado estrangeiros à gruta de Belém; mas está interessado em (recorrendo a símbolos e imagens bem expressivos para os primeiros cristãos) apresentar Jesus como o enviado de Deus Pai, que vem oferecer a salvação de  aos homens de toda a terra.
MENSAGEMA análise dos vários detalhes do relato confirma que a preocupação do autor (Mateus) não é de tipo histórico, mas catequético.
Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no facto de Jesus ter nascido em Belém de Judá (cf. vers. 1.5.6.7). Para entender esta insistência, temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David e que era a Belém que estava ligada a família de David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-l’O a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém (cf. Mi 5,1.3; 2 Sm 5,2) e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para o reconhecerem como o Messias libertador.
Notemos, em segundo lugar, a referência a uma estrela “especial” que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os “magos” para Belém. A interpretação desta referência como histórica levou alguém a cálculos astronómicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenómeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura de um cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do antigo Médio Oriente… Na realidade, é inútil procurar nos céus a estrela ou cometa em causa, pois Mateus não está a narrar factos históricos. Segundo a crença popular da época, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacob (cf. Nm 24,17). Ora, é com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese, vai inventar a “estrela”. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguros para rebater aqueles que negavam que Jesus era esse Messias esperado.
Temos ainda as figuras dos “magos”. A palavra grega “mágos”, usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos… Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, em contacto com o messianismo judaico. Seja como for, esses “magos” representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura (cf. Is 60,1-6), que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas (ouro e incenso) para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade santa. Jesus é, na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa “luz”.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma paradigmática, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o Povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os “magos” do oriente (que são pagãos) O adoram; Herodes e Jerusalém “ficam perturbados” diante da notícia do nascimento do menino e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem em Jesus o seu salvador.
Mateus anuncia, desta forma, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu Povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a fazer parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos “magos” reflecte a caminhada que os pagãos percorreram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais (estrela), percebem que Jesus é a luz que traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus – que conhecem as Escrituras – o que fazer, encontram Jesus e adoram-n’O como “o Senhor”. É muito possível que um grande número de pagano-cristãos da comunidade de Mateus descobrisse neste relato as etapas do seu próprio caminho em direcção a Jesus.

ACTUALIZAÇÃO
Considerar as seguintes questões:
• Em primeiro lugar, meditemos nas atitudes das várias personagens que Mateus nos apresenta em confronto com Jesus: os “magos”, Herodes, os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo… Diante de Jesus, o libertador enviado por Deus, estes distintos personagens assumem atitudes diversas, que vão desde a adoração (os “magos”), até à rejeição total (Herodes), passando pela indiferença (os sacerdotes e os escribas: nenhum deles se preocupou em ir ao encontro desse Messias que eles conheciam bem dos textos sagrados). Identificamo-nos com algum destes grupos? Não é fácil “conhecer as Escrituras”, como profissionais da religião e, depois, deixar que as propostas e os valores de Jesus nos passem ao lado?
• Os “magos” são apresentados como os “homens dos sinais”, que sabem ver na “estrela” o sinal da chegada da libertação… Somos pessoas atentas aos “sinais” – isto é, somos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus? Procuramos perceber nos “sinais” que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus?
• Impressiona também, no relato de Mateus, a “desinstalação” dos “magos”: viram a “estrela”, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Somos capazes da mesma atitude de desinstalação, ou estamos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão especial, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, ao nosso computador? Somos capazes de deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz através dos irmãos?Os “magos” representam os homens de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja – essa família de irmãos, constituída por gente de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e que O reconhecem como o seu Senhor.
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=341