"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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segunda-feira, 11 de abril de 2022

ESPIRITUALIDADE: Você Conhece Bem Essa Data Tão Especial?

A semana santa é uma tradição religiosa católica que celebra a Paixão, a Morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Ela se inicia no Domingo de Ramos, que relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e termina com a ressurreição de Jesus, que ocorre no domingo de Páscoa. Você conhece bem os acontecimentos desta data tão importante? Se você é religioso ou não, esse teste interativo é muito interessante para aprender e entender melhor a história de Jesus. Vamos lá? Se sim clique AQUI e AQUI.

Via-Sacra AQUI, faz parte das tradições mais acarinhadas pelos católicos, sobretudo durante a quaresma. É um exercício espiritual – e, em alguns casos, também físico – que ajuda quem o faz a reviver a paixão e morte do Senhor Jesus, acompanhando Aquele que deu a vida pela humanidade e aprendendo d’Ele o “caminho da cruz”, o caminho de todos os homens e mulheres, mais ainda de todos os cristãos.



domingo, 20 de março de 2016

PALAVRA DE DOMINGO: Contextual​izá-la para bem a entender e melhor vivê-la: LITURGIA & VIDA!


Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética"
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial"
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Ler mais em:
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro", http://www.paulinas.pt/Product_Detail.aspx?code=1977
5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias
6. Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador»
Então:
Tema do Domingo de Ramos
 A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz revela-se o amor de Deus, esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
EVANGELHO – Lc 22,14-23,56 (forma longa) ou Lc 23,1-49 (forma breve) 
N        Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 
N        Quando chegou a hora,
          Jesus sentou-Se à mesa com os seus Apóstolos
          e disse-lhes:
J        «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa,
          antes de padecer;
          pois digo-vos que não tornarei a comê-la,
          até que se realize plenamente no reino de Deus».
N        Então, tomando um cálice, deu graças e disse:
J        «Tomai e reparti entre vós,
          pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira,
          até que venha o reino de Deus».
N        Depois tomou o pão e, dando graças,
          partiu-o e deu-lho, dizendo:
J        «Isto é o meu corpo entregue por vós.
          Fazei isto em memória de Mim».
N        No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo:
J        «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue,
          derramado por vós.
          Entretanto, está comigo à mesa
          a mão daquele que Me vai entregar.
          O Filho do homem vai partir, como está determinado.
          Mas ai daquele por quem Ele vai ser entregue!»
N        Começaram então a perguntar uns aos outros
          qual deles iria fazer semelhante coisa.
          Levantou-se também entre eles uma questão:
          qual deles se devia considerar o maior?
          Disse-lhes Jesus:
J        «Os reis da nações exercem domínio sobre elas
          e os que têm sobre elas autoridade são chamados malfeitores.
          Vós não deveis proceder desse modo.
          O maior entre vós seja como o menor
          e aquele que manda seja como quem serve.
          Pois quem é o maior: o que está à mesa ou o que serve?
          Não é o que está à mesa?
          Ora Eu estou no meio de vós como aquele que serve.
          Vós estivestes sempre comigo nas minhas provações.
          E Eu preparo para vós um reino,
          como meu Pai o preparou para Mim:
          comereis e bebereis à minha mesa, no meu reino,
          e sentar-vos-eis em tronos,
          a julgar as doze tribos de Israel.
          Simão, Simão, Satanás vos reclamou
          para vos agitar na joeira como trigo.
          Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça.
          E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos».
N        Pedro respondeu-Lhe:
R        «Senhor, eu estou pronto a ir contigo,
          até para a prisão e para a morte».
N        Disse-lhe Jesus:
J        «Eu te digo, Pedro: não cantará hoje o galo,
          sem que tu, por três vezes, negues conhecer-Me».
N        Depois acrescentou:
J        «Quando vos enviei sem bolsa nem alforge nem sandálias,
          faltou-vos alguma coisa?».
N        Eles responderam que não lhes faltara nada.
          Disse-lhes Jesus:
J        «Mas agora, quem tiver uma bolsa pegue nela,
          bem como no alforge;
          e quem não tiver espada venda a capa e compre uma.
          Porque Eu vos digo
          que se deve cumprir em Mim o que está escrito:
          ‘Foi contado entre os malfeitores’.
          Na verdade, o que Me diz respeito está a chegar ao fim».
N        Eles disseram:
R        «Senhor, estão aqui duas espadas».
N        Mas Jesus respondeu:
J        «Basta». 
N        Então saiu
          e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras
          e os discípulos acompanharam-n’O.
          Quando chegou ao local, disse-lhes:
J        «Orai, para não entrardes em tentação».
N        Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra
          e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo:
J        «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice.
          Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua».
N        Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar.
          Entrando em angústia, orava mais instantemente
          e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue,
          que caíam na terra.
          Depois de ter orado,
          levantou-Se e foi ter com os discípulos,
          que encontrou a dormir, por causa da tristeza.
          Disse-lhes Jesus:
J        «Porque estais a dormir?
          Levantai-vos e orai, para não entrardes em tentação». 
N        Ainda Ele estava a falar,
          quando apareceu uma multidão de gente.
          O chamado Judas, um dos Doze, vinha à sua frente
          e aproximou-se de Jesus, para O beijar.
          Disse-lhe Jesus:
J        «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do homem?»
N        Ao verem o que ia suceder,
          os que estavam com Jesus perguntaram-Lhe:
R        «Senhor, vamos feri-los à espada?»
N        E um deles feriu o servo do sumo sacerdote,
          cortando-lhe a orelha direita.
          Mas Jesus interveio, dizendo:
J        «Basta! Deixai-os».
N        E, tocando na orelha do homem, curou-o.
          Disse então Jesus aos que tinham vindo ao seu encontro,
          príncipes dos sacerdotes, oficiais do templo e anciãos:
J        «Vós saístes com espadas e varapaus,
          como se viésseis ao encontro dum salteador.
          Eu estava todos os dias convosco no templo
          e não Me deitastes as mãos.
          Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.
N        Apoderaram-se então de Jesus,
          levaram-n’O e introduziram-n’O em casa do sumo sacerdote.
          Pedro seguia-os de longe.
          Acenderam uma fogueira no meio do pátio,
          sentaram-se em volta dela
          e Pedro foi sentar-se no meio deles.
          Ao vê-lo sentado ao lume,
          uma criada, fitando os olhos nele, disse:
R        «Este homem também andava com Jesus».
N        Mas Pedro negou:
R        «Não O conheço, mulher».
N        Pouco depois, disse outro, ao vê-lo:
R        «Tu também és um deles».
N        Mas Pedro disse:
R        «Homem, não sou».
N        Passada mais ou menos uma hora,
          afirmava outro com insistência:
R        «Esse homem, com certeza, também andava com Jesus,
          pois até é galileu».
N        Pedro respondeu:
R        «Homem, não sei o que dizes».
N        Nesse instante – ainda ele falava – um galo cantou.
          O Senhor voltou-Se e fitou os olhos em Pedro.
          Então Pedro lembrou-se da palavra do Senhor,
          quando lhe disse:
          ‘Antes do galo cantar, Me negarás três vezes’.
          E, saindo para fora, chorou amargamente.
          Entretanto, os homens que guardavam Jesus
          troçavam d’Ele e maltratavam-n’O.
          Cobrindo-Lhe o rosto, perguntavam-Lhe:
R        «Adivinha, profeta: Quem te bateu?»
N        E dirigiam-Lhe muitos outros insultos.
          Ao romper do dia,
          reuniu-se o conselho dos anciãos do povo,
          os príncipes dos sacerdotes e os escribas.
          Levaram-n’O ao seu tribunal e disseram-Lhe:
R        «Diz-nos se Tu és o Messias».
N        Jesus respondeu-lhes:
J        «Se Eu vos disser, não acreditareis
          e, se fizer alguma pergunta, não respondereis.
          Mas o Filho do homem sentar-Se-á doravante
          à direita do poder de Deus».
N        Disseram todos:
R        «Tu és então o Filho de Deus?»
N        Jesus respondeu-lhes:
J        «Vós mesmos dizeis que Eu sou».
N        Então exclamaram:
R        «Que necessidade temos ainda de testemunhas?
          Nós próprios o ouvimos da sua boca».
N        Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos. 
N        Começaram a acusá-l’O, dizendo:
R        «Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo,
          a impedir que se pagasse o tributo a César
          e dizendo ser o Messias-Rei».
N        Pilatos perguntou-Lhe:
R        «Tu és o Rei dos judeus?»
N        Jesus respondeu-lhe:
J        «Tu o dizes».
N        Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão:
R        «Não encontro nada de culpável neste homem».
N        Mas eles insistiam:
R        «Amotina o povo, ensinando por toda a Judeia,
          desde a Galileia, onde começou, até aqui». 
N        Ao ouvir isto, Pilatos perguntou se o homem era galileu;
          e, ao saber que era da jurisdição de Herodes,
          enviou-O a Herodes,
          que também estava nesses dias em Jerusalém.
          Ao ver Jesus, Herodes ficou muito satisfeito.
          Havia bastante tempo que O queria ver,
          pelo que ouvia dizer d’Ele,
          e esperava que fizesse algum milagre na sua presença.
          Fez-Lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu.
          Os príncipes dos sacerdotes e os escribas que lá estavam
          acusavam-n’O com insistência.
          Herodes, com os seus oficiais, tratou-O com desprezo
          e, por troça, mandou-O cobrir com um manto magnífico
          e remeteu-O a Pilatos.
          Herodes e Pilatos, que eram inimigos,
          ficaram amigos nesse dia.
          Pilatos convocou os príncipes dos sacerdotes,
          os chefes e o povo, e disse-lhes:
R        «Trouxestes este homem à minha presença
          como agitador do povo.
          Interroguei-O diante de vós
          e não encontrei n’Ele nenhum dos crimes de que O acusais.
          Herodes também não, uma vez que no-l’O mandou de novo.
          Como vedes, não praticou nada que mereça a morte.
          Vou, portanto, soltá-l’O, depois de O mandar castigar».
N        Pilatos tinha obrigação de lhes soltar um preso
          por ocasião da festa.
          E todos se puseram a gritar:
R        «Mata Esse e solta-nos Barrabás».
N        Barrabás tinha sido metido na cadeia
          por causa de uma insurreição desencadeada na cidade
          e por assassínio.
          De novo Pilatos lhes dirigiu a palavra,
          querendo libertar Jesus.
          Mas eles gritavam:
R        «Crucifica-O! Crucifica-O!»
N        Pilatos falou-lhes pela terceira vez:
R        Mas que mal fez este homem?
          Não encontrei n’Ele nenhum motivo de morte.
          Por isso vou soltá-l’O, depois de O mandar castigar».
N        Mas eles continuavam a gritar,
          pedindo que fosse crucificado,
          e os seus clamores aumentavam de violência.
          Então Pilatos decidiu fazer o que eles pediam:
          soltou aquele que fora metido na cadeia
          por insurreição e assassínio,
          como eles reclamavam,
          e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam. 
N        Quando o conduziam,
          lançaram mão de um certo Simão de Cirene,
          que vinha do campo,
          e puseram-lhe a cruz às costas,
          para a levar atrás de Jesus.
          Seguia-O grande multidão de povo
          e mulheres que batiam no peito
          e se lamentavam, chorando por Ele.
          Mas Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes:
J        «Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim;
          chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos;
          pois dias virão em que se dirá:
          ‘Felizes as estéreis, os ventres que não geraram
          e os peitos que não amamentaram’.
          Começarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós’;
          e às colinas: ‘Cobri-nos’.
          Porque, se tratam assim a madeira verde,
          que acontecerá à seca?». 
N        Levavam ainda dois malfeitores
          para serem executados com Jesus.
          Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,
          crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores,
          um à direita e outro à esquerda.
          Jesus dizia:
J        «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».
N        Depois deitaram sortes,
          para repartirem entre si as vestes de Jesus.
          O povo permanecia ali a observar.
          Por sua vez, os chefes zombavam e diziam:
R        «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo,
          se é o Messias de Deus, o Eleito».
N        Também os soldados troçavam d’Ele;
          aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:
R        «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo».
N        Por cima d’Ele havia um letreiro:
          «Este é o rei dos judeus».
          Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados
          insultava-O, dizendo:
R        «Não és Tu o Messias?
          Salva-Te a Ti mesmo e a nós também».
N        Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:
R        «Não temes a Deus,
          tu que sofres o mesmo suplício?
          Quanto a nós, fez-se justiça,
          pois recebemos o castigo das nossas más acções.
          Mas Ele nada praticou de condenável».
N        E acrescentou:
R        «Jesus, lembra-Te de mim,
          quando vieres com a tua realeza».
N        Jesus respondeu-lhe:
J        «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».
N        Era já quase meio-dia,
          quando as trevas cobriram toda a terra,
          até às três horas da tarde,
          porque o sol se tinha eclipsado.
          O véu do templo rasgou-se ao meio.
          E Jesus exclamou com voz forte:
J        «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito».
N        Dito isto, expirou. 
N        Vendo o que sucedera,
          o centurião deu glória a Deus, dizendo:
R        «Realmente este homem era justo».
N        E toda a multidão que tinha assistido àquele espectáculo,
          ao ver o que se passava, regressava batendo no peito.
          Todos os conhecidos de Jesus,
          bem como as mulheres que O acompanhavam
          desde a Galileia,
          mantinham-se à distância, observando estas coisas. 
N        Havia um homem chamado José, da cidade de Arimateia,
          que era pessoa recta e justa e esperava o reino de Deus.
          Era membro do Sinédrio, mas não tinha concordado
          com a decisão e o proceder dos outros.
          Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus.
          E depois de o ter descido da cruz,
          envolveu-o num lençol
          e depositou-o num sepulcro escavado na rocha,
          onde ninguém ainda tinha sido sepultado.
          Era o dia da Preparação
          e começavam a aparecer as luzes do sábado.
          Entretanto,
          as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia
          acompanharam José e observaram o sepulcro
          e a maneira como fora depositado o corpo de Jesus.
          No regresso, prepararam aromas e perfumes.
          E no sábado guardaram o descanso, conforme o preceito. 
AMBIENTE 
Com a chegada de Jesus a Jerusalém e os acontecimentos da semana santa, chegamos ao fim do “caminho” começado na Galileia. Tudo converge, no Evangelho de Lucas, para aqui, para Jerusalém: é aí que deve irromper a salvação de Deus. Em Jerusalém, Jesus vai realizar o último acto do programa enunciado em Nazaré: da sua entrega, do seu amor afirmado até à morte, vai nascer esse Reino de homens novos, livres, onde todos serão irmãos no amor; e, de Jerusalém, partirão as testemunhas de Jesus, a fim de que esse Reino se espalhe por toda a terra e seja acolhido no coração de todos os homens. 
MENSAGEM 
A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar a Boa Nova aos pobres, sarar os corações feridos, pôr em liberdade os oprimidos. Para concretizar este projecto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham o coração mais disponível para acolher o Reino; e avisou os “ricos”, os poderosos, os instalados, de que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.
O projecto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostos a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O na cruz.
A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do Reino: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam este mundo.
Podemos também dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço.
Na cruz de Jesus, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado, isto é, contra todas as causas objectivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração, morte. Assim, a cruz contém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do Reino.
 
Para além da reflexão geral sobre o sentido da paixão e morte de Jesus, convém ainda notar alguns dados que são exclusivos da versão lucana da paixão:
·         No relato da instituição da Eucaristia, só Lucas põe Jesus a dizer: “fazei isto em memória de Mim” (cf. Lc 22,19). A expressão não quer só dizer que os discípulos devem celebrar o ritual da última ceia e repetir as palavras de Jesus sobre o pão e sobre o vinho; mas quer, sobretudo, dizer que os discípulos devem repetir a entrega de Jesus, a doação da vida por amor.
·         Só Lucas coloca no contexto da última ceia a discussão acerca de qual dos discípulos seria o “maior” e a resposta de Jesus (cf. Lc 22,24-27). Jesus avisa os seus que “o maior” é “aquele que serve”; e apresenta o seu próprio exemplo de uma vida feita serviço e dom. Estas palavras soam a “testamento” e convocam os discípulos para fazerem da sua vida um serviço aos irmãos, ao jeito de Jesus.
·         No jardim das Oliveiras, só Lucas faz referência ao aparecimento do anjo e ao “suor de sangue” (cf. Lc 22,42-44). Esta cena acentua a fragilidade humana de Jesus que, no entanto, não condiciona a sua submissão total ao projecto do Pai; e sublinha a presença de Deus, que não abandona nos momentos de prova aqueles que acolhem, na obediência, a sua vontade.
·         Também no relato da paixão aparece a ideia fundamental que perpassa pela obra de Lucas: Jesus é o Deus que veio ao nosso encontro, a fim de manifestar a todos os homens, em gestos concretos, a bondade e a misericórdia de Deus. Essa ideia está presente no gesto de curar o guarda ferido por Pedro no Jardim do Getsemani (cf. Lc 22,51); está também presente nas palavras de Jesus na cruz: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” – Lc 23,34 (é desconcertante o amor de um Filho de Deus que morre na cruz pedindo desculpa ao Pai para os seus assassinos); está, ainda, presente nas palavras que Jesus dirige ao criminoso que morre numa cruz, ao seu lado: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso” – Lc 23,43 (é desconcertante a bondade de um Deus que faz de um assassino o primeiro santo canonizado da sua Igreja).
·         Todos os sinópticos falam da requisição de Simão de Cirene para levar a cruz de Jesus (cf. Mt 27,32; Mc 15,21); no entanto, só Lucas refere que Simão transporta a cruz “atrás de Jesus” (cf. Lc 23,26). Este dado serve a Lucas para apresentar o modelo do discípulo: é aquele que toma a cruz de Jesus e O segue no seu caminho de entrega e de dom da vida (“se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz dia após dia e siga-mM” – Lc 9,23; cf. 14,27). 
ACTUALIZAÇÃO 
Reflectir a partir das seguintes linhas:
- Celebrar a paixão e morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes. 
Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias. Significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens. Significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de um dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.


Fonte: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=1

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

ESPIRITUALIDADE: Para melhor conhecer o Islão

Origens, calendário, festas e celebrações
Antes da atividade do Profeta, aquilo que se pode designar como religião pré-islâmica, correspondia, em especial, a grupos humanos com uma vida nómada, organizados de forma tribal, sem qualquer tipo de relação federal. Para além destas influências locais, desde o séc. VI a.E.C. que existiam colónias judias a norte; colónias estas que irão influenciar em muito o nascimento de uma religião monoteísta na região. Ler mais em:
O Profeta, Meca, Caaba, Medina, Jerusalém, Muçulmano
O Profeta nasceu cerca de 570 E.C. [Era Comum] – a tradição islâmica aponta a data de 20 de abril de 571 (12 de abril de Rabi I, o terceiro mês do calendário árabe, no Ano do Elefante), como a efetiva data de nascimento. De seu nome completo Muhammad bin Abdil-lah bin Abdul Muttalib bin Háxime, “Maomé” tornou-se a forma mais corrente de identificação do Profeta. Seria filho de Abdullah e de Amina. O seu pai terá falecido pouco tempo antes do seu nascimento. Maomé terá conhecido a pobreza durante a sua infância e juventude. Ler mais em:
Os cinco Mandamentos
O jejum que todo o muçulmano, em plena condição física, deve fazer durante o Ramadão. No nono mês do calendário islâmico, todos os muçulmanos devem praticar o jejum, ou seja, abster-se de ingerir alimentos, sólidos ou líquidos (inclusivamente água), abster-se de fumar ou ter relações sexuais, entre a aurora e o pôr do sol, entre as orações de “Fajr” e “Maghrib”, e mesmo tomar qualquer tipo de medicação, quer por via oral, quer por via intravenosa. Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/para_melhor_conhecer_islao_cinco_mandamentos.html
Sunitas, Xiitas, Ismailitas, Sufismo
O sufismo é uma realidade efetivamente autónoma dos principais grupos islâmicos. Apesar de muitas escolas (“tariqas”) sufis poderem ser classificadas como xiitas ou sunitas. Os Sufis constituem um grupo místico do Islão. A direção do “Tasawwuf” é designada de “o Caminho”. Um determinado caminho ou direção em particular constitui a “Tariqah”. É o caminho cujo objetivo é a procura do conhecimento, que significa “Conhecimento da Realidade Última ou Absoluta” que é Deus. Ler mais em: http://www.snpcultura.org/para_melhor_conhecer_islao_sunitas_xiitas_ismailitas_sufismo.html
Textos sagrados
Do árabe “Al-qur’an”, significa «a proclamação», «a leitura». «que é constantemente recitado» (com origem no verbo, comum em formas semelhantes, em várias outras línguas semitas atuais e antigas, “qr'”, que genericamente significa «ler», «recitar», «clamar», «convocar», «chamar», «invocar», isto é, o que é para ser lido ou declamado, portanto, o Livro por excelência). Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/para_melhor_conhecer_islao_textos_sagrados.html
 
 
 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

LIVRO&LEITURA: "Superar o muro"

«Tenho muitas recordações, maravilhosas e até edificantes [de Bergoglio enquanto arcebispo de Buenos Aires]. Em certos momentos difíceis da minha vida soube pronunciar a palavra certa que me permitiu enfrentá-los melhor. Foi sempre atento e afetuoso. Muitas vezes, nestes últimos anos, fui ter com ele durante o mês do Ramadão, em horários que coincidiam com o momento de quebrar o jejum, e ele nunca deixou de me servir água, café e qualquer coisa para comer. Uma solicitude completamente inesperada, que sempre considerei um sinal de grande respeito.»
Ler mais em:

domingo, 30 de dezembro de 2012

PALAVRA de DOMINGO: há que contextualizá-la para bem e entender e melhor vivê-la!

EVANGELHO Lc 2,41-52
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém,
pela festa da Páscoa.
Quando Ele fez doze anos,
subiram até lá, como era costume nessa festa.
Quando eles regressavam, passados os dias festivos,
o Menino Jesus ficou em Jerusalém,
sem que seus pais o soubessem.
Julgando que Ele vinha na caravana,
fizeram um dia de viagem
e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos.
Não O encontrando,
voltaram a Jerusalém, à sua procura.
Passados três dias,
encontraram-n’O no templo,
sentado no meio dos doutores,
a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas.
Todos aqueles que O ouviam
estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas.
Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados;
e sua Mãe disse-Lhe:
«Filho, porque procedeste assim connosco?
Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura».
Jesus respondeu-lhes:
«Porque Me procuráveis?
Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?»
Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse.
Jesus desceu então com eles para Nazaré
e era-lhes submisso.
Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.
E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça,
diante de Deus e dos homens.
AMBIENTE
O Evangelho que nos é proposto é o final do “Evangelho da infância” de Lucas. Ora, já sabemos que a finalidade do “Evangelho da infância” não é fazer uma reportagem sobre os primeiros anos da vida de Jesus, mas sim fazer catequese sobre Jesus; nessa catequese, diz-se quem é Jesus e apresentam-se algumas coordenadas teológicas que vão, depois, ser desenvolvidas no resto do Evangelho.
A “catequese” de hoje situa-nos em Jerusalém. A Lei judaica pedia que os homens de Israel fossem três vezes por ano a Jerusalém, por alturas das três grandes festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Festa das Cabanas – cf. Ex 23,17-17). Ainda que os rabinos não considerassem obrigatória esta lei até aos treze, muitos pais levavam os filhos antes dessa idade. Jesus tem doze anos e, de acordo com o texto de Lucas, foi com Maria e José a Jerusalém celebrar a Páscoa.
É neste ambiente de Jerusalém e do Templo que Lucas situa as primeiras palavras pronunciadas por Jesus no Evangelho. Elas são, sem dúvida, o centro do nosso relato.
MENSAGEM
A chave deste episódio está, portanto, nas palavras pronunciadas por Jesus quando, finalmente, se encontra com Maria e José: “porque me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?”
O significado (a catequese) da resposta à pergunta de Maria é que Deus é o verdadeiro Pai de Jesus. Daqui deduz-se que as exigências de Deus são, para Jesus, a prioridade fundamental, que ultrapassa qualquer outra exigência. A sua missão – a missão que o Pai Lhe confia – vai obrigá-l’O a romper os laços com a própria família (cf. Mc 3,31-35).
É possível que haja ainda, aqui, uma referência à paixão/morte/ressurreição de Jesus: tanto o episódio de hoje, como os factos relativos à morte/ressurreição, são situados num contexto pascal; em ambas as situações Jesus é abandonado – aqui por Maria e José e, mais tarde, pelos discípulos – por pessoas que não compreendem que a sua prioridade é o projecto do Pai; em ambas as situações, Jesus é procurado (cf. Lc 24,5) e tem de explicar que a finalidade da sua vida é cumprir aquilo que o Pai tinha definido (cf. Lc 24,7.25-27.45-46). Lucas apresenta aqui a chave para entender toda a vida de Jesus: Ele veio ao mundo por mandato de Deus Pai e com um projecto de salvação/libertação. Àqueles que se perguntam porque deve o Messias percorrer determinado caminho, Lucas responde: porque é a vontade do Pai. Foi para cumprir a vontade do Pai que Jesus veio ao nosso encontro e entrou na nossa história.
Atente-se, ainda, em duas questões um tanto marginais, mas que podem servir também para a nossa reflexão e edificação: em primeiro lugar, reparemos no entusiasmo que Jesus tem pela Palavra de Deus e pelas questões que ela levanta; em segundo lugar, a “declaração de independência” de Jesus pode ajudar-nos a compreender que a família não é o lugar fechado, onde cada pessoa cresce em horizontes limitados e fechados, mas é o lugar onde nos abrimos ao mundo e aos outros, onde nos armamos para partir à conquista do mundo que nos rodeia.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão do Evangelho de hoje deve ter em conta as seguintes questões:
¨ Para Jesus, a prioridade fundamental a que tudo se subjuga (até a família) é o projecto de Deus, o plano que Deus tem para cada pessoa. Se os planos dos pais e os planos de Deus entram em choque, quais devem prevalecer?
¨ Anima-nos o mesmo entusiasmo de Jesus pela Palavra de Deus? Somos capazes de esquecer outros interesses legítimos para nos dedicarmos à escuta, à reflexão e à discussão da Palavra? Vemos nela um meio privilegiado de conhecer o projecto que Deus tem para nós?
¨ Maria e José não fizeram cenas diante da resposta “irreverente” de Jesus. Aceitaram que o jovem Jesus não lhes pertencia exclusivamente: Ele tinha a sua identidade e a sua missão próprias. É assim que nos situamos face àqueles com quem partilhamos a experiência familiar?
¨ A nossa família potencia o nosso crescimento, abrindo-nos horizontes e levando-nos ao encontro do mundo, ou fecha-nos num espaço cómodo mas limitado, onde nos mantemos eternamente dependentes?
 
 

domingo, 3 de junho de 2012

PALAVRA de DOMINGO: há que contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!!!

EVANGELHO - Mt 28,16-20
Naquele tempo, os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-n'O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e fazei discípulos de todas as nações,
baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
AMBIENTE
O texto situa-nos na Galileia, após a ressurreição de Jesus (embora não se diga se é muito ou pouco tempo após a descoberta do túmulo vazio - cf. Mt 28,1-15). De acordo com Mateus, Jesus, pouco antes de ser preso, havia marcado encontro com os discípulos na Galileia (cf. Mt 26,32); na manhã da Páscoa, os anjos que apareceram às mulheres no sepulcro (cf. Mt 28,7) e o próprio Jesus, vivo e ressuscitado (cf. Mt 28,10), renovam o convite para que os discípulos se dirijam à Galileia, a fim de lá encontrar o Senhor.
A Galileia - região setentrional da Palestina - era uma região próspera e bem povoada, de solo fértil e bem cultivado. A sua situação geográfica fazia desta região o ponto de encontro de muitos povos; por isso, um número importante de pagãos fazia parte da sua população. A coabitação de populações pagãs e judias fazia, certamente, com que os judeus da Galileia vivessem a religião de uma maneira diferente dos judeus de Jerusalém e da Judeia: a presença diária dos pagãos conduzia, provavelmente, os galileus a suavizar a sua prática da Lei e a interpretar mais amplamente as regras que se referiam, por exemplo, às impurezas rituais contraídas pelo contacto com os não judeus. No entanto, isto fazia com que os judeus de Jerusalém desprezassem os judeus da Galileia e considerassem que da Galileia "não podia sair nada de bom".
No entanto, foi na Galileia que Jesus viveu quase toda a sua vida. Foi também na Galileia que Ele começou a anunciar o Evangelho do "Reino" e que começou a reunir à sua volta um grupo de discípulos (cf. Mt 4,12-22). Para Mateus, esse facto sugere que a o anúncio libertador de Jesus tem uma dimensão universal: destina-se a judeus e pagãos.
Mateus situa este encontro final entre Jesus ressuscitado e os discípulos, num "monte que Jesus lhes indicara".Trata-se, no entanto, de uma montanha da Galileia que é impossível identificar geograficamente, mas que talvez Mateus ligue com a montanha da tentação (cf. Mt 4,8) e com a montanha da transfiguração (cf. Mt 17,1). De qualquer forma, o "monte" é sempre, no Antigo Testamento, o lugar onde Deus se revela aos homens.
MENSAGEM
O texto que descreve o encontro final entre Jesus e os discípulos divide-se em duas partes.
Na primeira (vers. 16-18), descreve-se o encontro. Jesus, vivo e ressuscitado, revela­-se aos discípulos; e os discípulos reconhecem-n'O como "o Senhor" e adoram-n'O. Depois de descrever a adoração, Mateus acrescenta uma expressão que alguns traduzem como "alguns ainda duvidaram" e outros como "eles que tinham duvidado" (gramaticalmente, ambas as traduções são possíveis). No primeiro caso, a expressão significaria que a fé não é uma certeza científica e que não exclui a dúvida; no segundo caso, a expressão aludiria a essa dúvida constante dos discípulos - expressa em vários momentos, ao longo da caminhada para Jerusalém - e que aqui perde qualquer razão de ser.
Ao reconhecimento e à adoração dos discípulos, segue-se uma manifestação do mistério de Jesus, que reflecte a fé da comunidade de Mateus: Jesus é o "Kyrios", que possui todo o poder sobre o mundo e sobre a história; Jesus é "o mestre", cujo ensinamento será sempre uma referência para os discípulos; Jesus é o "Deus­ connosco", que acompanhará, a par e passo, a caminhada dos discípulos pela história.
Na segunda (vers. 19-20), Mateus descreve o envio dos discípulos em missão pelo mundo. A Igreja de Jesus é, essencialmente, uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação que Jesus veio trazer aos homens e que deixou nas mãos e no coração dos discípulos. A primeira nota do envio e do mandato que Jesus dá aos discípulos é a da universalidade da missão dos discípulos destina-se a "todas as nações".
A segunda nota dá conta das duas fases da iniciação cristã, conhecidas da comunidade de Mateus: o ensino e o baptismo. Começava-se pela catequese, cujo conteúdo eram as palavras e os gestos de Jesus (o discípulo começava sempre pelo catecumenato, que lhe dava as bases da proposta de Jesus). Quando os discípulos estavam informados da proposta de Jesus, vinha o baptismo - que selava a íntima vinculação do discípulo com o Pai, o Filho e o Espírito Santo (era a adesão à proposta anteriormente feita).
Uma última nota: Jesus estará sempre com os discípulos, "até ao fim dos tempos". Esta afirmação expressa a convicção - que todos os crentes da comunidade mateana possuíam - que Jesus ressuscitado estará sempre com a sua Igreja, acompanhando a comunidade dos discípulos na sua marcha pela história, ajudando-a a superar as crises e as dificuldades da caminhada.
ACTUALIZAÇÃO
+ Este texto evangélico foi escolhido para o dia da Santíssima Trindade, pois nele aparece uma fórmula trinitária usada no baptismo cristão ("em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"). O nosso texto sugere, antes de mais, que ser baptizado é estabelecer uma relação pessoal com a comunidade trinitária… No dia em que fomos baptizados, comprometemo-nos com Jesus e vinculamo-nos com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A minha vida tem sido coerente com esse compromisso?
+ Quem acolheu o convite de Deus (apresentado em Jesus) para integrar a comunidade trinitária, torna-se testemunha, no meio dos homens, dessa vida nova que Deus oferece. O papel dos discípulos é continuar a missão de Jesus, testemunhar o amor de Deus pelos homens e convidar os homens a integrar a família de Deus. Os irmãos com quem nos cruzamos pelos caminhos da vida recebem essa mensagem? As nossas palavras e os nossos gestos testemunham esse amor com que Deus ama todos os homens? As nossas comunidades são a imagem viva da família de Deus e apresentam um convite credível e convincente aos homens para que integrem a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo?
+ A missão que Jesus confiou aos discípulos - introduzir todos os homens na família de Deus - é uma missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas, não podem ser obstáculo para a presença da proposta libertadora de Jesus no mundo. Todos os homens e mulheres, sem excepção, têm lugar na família de Deus. Tenho consciência de que Jesus me envia a todos os homens - sem distinção de raças, de etnias, de diferenças religiosas, sociais ou económicas - a anunciar-lhes o amor de Deus e a convocá-los para integrar a comunidade trinitária? Tenho consciência de que sou chamado a apresentar a todos os homens - mesmo àqueles que habitam no outro lado do mundo - o convite para integrar a família de Deus?
+ Num mundo onde Deus nem sempre faz parte dos planos e das preocupações dos homens, testemunhar o amor de Deus e apresentar aos homens o convite para integrar a família de Deus é um enorme desafio. O confronto com o mundo gera muitas vezes, nos discípulos, desilusão, sofrimento, frustração… Nos momentos de decepção e de desilusão convém, no entanto, recordar as palavras de Jesus:
"Eu estarei convosco até ao fim dos tempos". Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.
+ A celebração da Solenidade da Trindade não pode ser a tentativa de compreender e decifrar essa estranha charada de "um em três". Mas deve ser, sobretudo, a contemplação de um Deus que é amor e que é, portanto, comunidade. Dizer que há três pessoas em Deus, como há três pessoas numa família - pai, mãe e filho - é afirmar três deuses e é negar a fé; inversamente, dizer que o Pai, o Filho e o Espírito são três formas diferentes de apresentar o mesmo Deus, como três fotografias do mesmo rosto, é negar a distinção das três pessoas e é também negar a fé. A natureza divina de um Deus amor, de um Deus família, de um Deus comunidade, expressa-se na nossa linguagem imperfeita das três pessoas. O Deus família torna-Se trindade de pessoas distintas, porém unidas. Chegados aqui, temos de parar, porque a nossa linguagem finita e humana não consegue "dizer" o indizível, não consegue definir cabalmente o mistério de Deus.



sábado, 7 de abril de 2012

À PROCURA DA PALAVRA por...

...P. Vítor Gonçalves
“Requisitaram, para lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.” Mc 15, 21
                                          
                                      Carta a Simão de Cirene
Caríssimo Simão.

Desculpa-me o afecto desta saudação mas sabes, certamente, que és um dos personagens mais lembrados do evangelho. Sem dizeres nenhuma palavra, aquele pequeno versículo que os evangelistas nos deixaram (só João não te refere), com o teu nome e o dos teus filhos, revelando-te como quem ajudou Jesus a levar a cruz, gravou-te no nosso coração. Mas quem és tu? Um desconhecido forçado a entrar no maior drama da história. Um nome e um gesto lembrado para sempre. Proveniente da longínqua Líbia (hoje um país crucificado por um regime despótico e a procurar uma liberdade que vença os conflitos), estarias radicado por Jerusalém ou vinhas para a Páscoa? Sabermos o teu nome e o dos teus filhos leva-nos a pensar que tu ou eles pertenceram às primeiras comunidades cristãs.   
O que pensaste ao ser obrigado a levar o instrumento de morte de um condenado? Que viste naquele flagelado que a multidão injuriava? Sempre as multidões foram manipuláveis. Dias antes, essa ou outra multidão tinha-O aclamado Messias Rei ao entrar em Jerusalém. Onde estavam os amigos que O acompanhavam desde a Galileia? Um deles, também chamado Simão, tinha dito que daria a vida por Ele. Mas isto não sabias ainda. Agora ia ali, talvez à tua frente, como se levasse o peso do mundo nos seus ombros, alguém que não conhecias. Terá o seu olhar cruzado com o teu? Quero acreditar que sim. E que tenhas percebido aquele amor que muda as nossas vidas, que enche de paz quando as injustiças e o inexplicável acontecem, que nos empurra a dar até ao fim o melhor que está dentro de nós. Ficaste até ao fim? Ouviste aqueles que O incitavam a descer da cruz e a salvar-se a si mesmo? Ficamos sem saber mas o teu papel já estava realizado.
Levares a cruz de Jesus tornou-te padroeiro de todos os que levam cruzes que não são suas. Que são de alguém que amam ou de desconhecidos. Porque se compadecem ou porque são requisitados. E há um mistério de amor a ligar todos estes Cireneus voluntários ou não, que aliviam o peso e dão vida a quem a não tinha. Tão ao contrário dos que se especializam em atar “fardos pesados e difíceis de suportar” e os põem aos ombros dos homens, ou “fazem todas as obras para serem vistos pelos homens” como dizia Jesus (Mt 23, 4-5). Que nomes novos tem a cruz hoje? Desemprego, pobreza, violência, exploração dos fracos, dependência dos poderosos? E que poderes a originam? Injustiça, corrupção, desonestidade, enriquecimento ilícito, abuso de poder? Ah, Simão, a cruz que levaste aos ombros já era feita de tudo isto! Mas a abundância do amor venceu o desamor. A manhã de Páscoa tornou-se mais forte que as trevas do calvário. Na cruz de Jesus todas as cruzes conduzem à Vida!
Obrigado por nos ensinares que, mesmo sem querermos, podemos dar vida a quem a amamos e a quem desconhecemos. Obrigado por teres caminhado com Jesus como gostaríamos de acompanhar quem sofre. Um abraço forte, e até já, nestes caminhos de Jesus!
in VOZ DA VERDADE 01.04.2012

A lista é, infelizmente, longa. Eis apenas alguns, mais do que suficientes, exemplos ou factos para melhor se entender o que acima está assim escrito "... dos que se especializam em atar “fardos pesados e difíceis de suportar” e os põem aos ombros dos homens, ou “fazem todas as obras para serem vistos pelos homens” como dizia Jesus (Mt 23, 4-5). Que nomes novos tem a cruz hoje? Desemprego, pobreza, violência, exploração dos fracos, dependência dos poderosos? E que poderes a originam? Injustiça, corrupção, desonestidade, enriquecimento ilícito, abuso de poder?..."
http://expresso.sapo.pt/afinal-o-que-disse-o-governo-sobre-a-suspensao-dos-subsidios=f717354
Pedro Passos Coelho -- Best of 2010-2011
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gNu5BBAdQec&noredirect=1
Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/como-e-possivel-manter-um-governo-em-que-um-primeiro-ministro-mente=f717743#ixzz1rZ2WFRbe

http://expresso.sapo.pt//como-e-possivel-manter-um-governo-em-que-um-primeiro-ministro-mente=f717743
Caso BPN: O que esconde Cavaco?
http://www.youtube.com/watch?v=PU7Aajs3sTQ&feature=related
“É evidente a má-fé do primeiro-ministro”
http://www.youtube.com/watch?v=CmDg9DXNa14&feature=related
As nuances do discurso sobre os subsídios
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=57370
Suspensão das reformas antecipadas é "impositivo" e "ilegal"
http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/suspensao-das-reformas-antecipad_3232.html
Renegociação das PPP pouparia milhares de milhões de euros
http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=2&did=36032
Corrupção já é uma doença crónica no nosso país
http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=2&did=41496
Os advogados e a produção legislativa
http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=2&did=37994
Casal de idosos vive em contentor há 9 anos. Obras da A10 desalojaram-no...
http://rr.sapo.pt/informacao_prog_detalhe.aspx?fid=79&did=53981
A corrupção e as parcerias público-privadas
http://rr.sapo.pt/informacao_prog_detalhe.aspx?fid=79&did=13961
Corrupção – Um crime com 10 milhões de vítimas
http://rr.sapo.pt/informacao_prog_detalhe.aspx?fid=79&did=38723
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