"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

FÉRIAS (d)e VERÃO com um convite à ESPIRITUALIDADE (2)...

... para, neste tempo da vida, preparar outro tempo, o Outono-Inverno da vida que se segue.
E se "o tempo voa", eles estão já aí!


Carta a um amigo sobre a vida espiritual

A espiritualidade não é uma busca epidérmica e apressada de satisfação. Na maior parte do percurso a pergunta que vale não é “o que me sacia?”, mas “qual é a minha sede?”

Falar da vida espiritual é sempre sondar as zonas mais profundas (e por isso também mais reais, mais imperfeitas, mais inacabadas) do nosso coração. A espiritualidade não é uma busca epidérmica e apressada de satisfação. Na maior parte do percurso a pergunta que vale não é “o que me sacia?”, mas “qual é a minha sede?”. Gosto da maneira como os autores clássicos da vida espiritual falam dela como de uma luta. O próprio Jesus lembra que não veio trazer a paz das aparências, mas a espada que penetra as camadas mais íntimas. A vida espiritual é isso: por vezes uma luta, por vezes uma luminosa dança.
Podemos fazer muitos atos ligados ao espiritual ou ao devocional e não estar a construir uma verdadeira experiência de vida espiritual. De facto, esta só cresce quando no centro está uma relação. Não basta crer, nem pertencer. É necessário mergulhar, habitar (ou melhor, saber-se habitado). E tudo o resto: descobrir-se buscado, querido, bem-amado. A vida espiritual não é da ordem do fazer, mas do ser.
Diz-se que estes duros tempos de crise económica, em que todos os dias vemos tombar o modelo que identificava a felicidade com o poder de compra (ou com a sua ilusão), constituem uma oportunidade para a redescoberta do espiritual. Pode bem ser. Mas no lugar de um ídolo, não podemos colocar outro. A vida espiritual não é um oculta-vazios ou um alívio emocional para sociedades à beira de um ataque de nervos. É uma aventura maior, que nos radica na verdade nua do homem e na verdade de Deus. Partamos daí.







Agência Eccleisa, 2012-07-10
José Tolentino Mendonça







segunda-feira, 30 de julho de 2012

Ortodoxos e católicos concordam que crise é também antropológica

Ora aqui está a verdadeira causa da crise: com valores & dimensão espiritual a (des)dita nem sequer teria visto a " luz do dia", existiria.
Os bispos católicos e ortodoxos que estão reunidos em Lisboa para discutir a crise, estão de acordo no que diz respeito às raízes da mesma. A crise é económica e financeira, sim, mas é também de valores.
O Cardeal Arcebispo de Budapeste, Peter Erdo, que é presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Europa, considera preocupante que a crise seja vista pelos políticos só do ponto de vista financeiro: “A crise é económica mas é com preocupação que vemos a economia real a passar sempre para segunda linha em relação às finanças. Contudo, pensamos que a crise sendo económica e moral é sobretudo antropológica”.
O homem está-se a tornar diferente daquilo que conhecíamos do passado. Há grandes problemas de distracção, a perda da capacidade de raciocínio lógico ou de autodisciplina, de diversos valores sociais que são necessários para ultrapassar a crise na história”, conclui.
É neste sentido que estão reunidos os bispos e padres representantes da quase totalidade de igrejas ortodoxas e das conferências episcopais católicas da Europa. O objectivo é apresentar propostas para ajudar a resolver a crise: “Vamos fazer propostas concretas, não directamente propostas políticas, mas morais e sociais, que os políticos e os cidadãos devem ter em consideração, bem como todos os homens de boa vontade.
O cardeal Erdo faz uma ressalva, contudo: “Quando digo propostas, são propostas e não receitas”.
"Políticos não se interessam pelas pessoas" (As pessoas não se interessam pela política, mas na hora do voto passam o "cheque", em branco, claro. Consequência a coisa fica preta)
Do lado ortodoxo a opinião é a mesma. As Igrejas têm a obrigação de falar à sociedade destes problemas e de apresentar propostas: “As Igrejas têm algo para dizer sobre esta situação, sobre a crise, e mostrar outros aspectos do problema, uma dimensão espiritual”, explica o chefe da delegação ortodoxa.
O bispo Gennadios de Sassima lamenta que os políticos ignorem este lado da crise: “Os políticos da Europa só falam da banca, do euro, salvar a zona euro. Ninguém vê o lado espiritual e claro que há muito para dizer, mas eles não querem saber do sofrimento das pessoas. Este é o papel da Igreja, temos de levantar bem alto a nossa voz”.
Ao fim do segundo dia de reunião os membros do Fórum Ortodoxo-Católico tiveram esta tarde um momento de lazer, visitando a Torre de Belém e os Jerónimos, antes de partir para uma oração ecuménica.
Para o bispo católico de Aberdeen, Hugh Gilbert, estes encontros têm muito valor sobretudo porque permitem construir relações de amizade entre representantes de diferentes confissões: “Permitem que se construam amizades e essa é a base do diálogo. Há outras dimensões, a teológica, a prática, mas poder conhecer pessoalmente pessoas das Igrejas Ortodoxas, só por si vale a pena”, considera.
O Fórum Ortodoxo-Católico continua amanhã, incluindo a participação dos delegados na missa de Corpo de Deus, na Sé. Na Sexta-feira termina o encontro, com a divulgação de um documento final.
in http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=65341

Mais:
Igreja: Cardeal patriarca de Lisboa propõe "revolta cultural" para responder à crise
"(...) sem uma revolta cultural, a Europa poderá encontrar soluções precárias, mas não a solução(...)"
http://expresso.sapo.pt/igreja-cardeal-patriarca-de-lisboa-propoe-revolta-cultural-para-responder-a-crise=f731470