"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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sábado, 4 de outubro de 2025

(in)PRENSA semanal (27/09/2025 a 3-10-2025): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.




Postulador da Causa de Beatificação: “É preciso que as pessoas rezem ao padre Américo”
Porque estão tantas pessoas a provocar propositadamente fraturas nas pernas?
Charlie Kirk, mártir cristão?
O Chega é católico?
Afinal, Hugo Soares disse “morada” e não “porrada”. PSD e Chega atacam-se
Terceira Guerra Mundial nunca esteve tão perto. “Tudo mudou”
Alexander Fleming revolucionou a medicina para sempre graças a um “cheiro a mofo”
Trump diz que cidades democratas podem servir de "campos de treino" para militares
Plano de Trump para paz em Gaza. O que é que implica?
Provocações russas
Compras online: a IA vigia-nos e muda preços no momento da compra
Se a imigração acabasse, cada contribuinte teria de pagar mais 1.700 euros por ano
Deputado do Chega fez negócio que viola estatutos do Parlamento. Lei prevê perda do mandato
Aviões israelitas fizeram escala nos Açores, MNE fala em "falha de procedimento"
Usar casas de banho públicas é perigoso para a saúde? A ciência responde

terça-feira, 1 de novembro de 2022

domingo, 4 de dezembro de 2011

Cultura do DAR-SE

A revista “Visão” de 24 de novembro, com o tema de capa «Quando dar é receber», recolheu «histórias inspiradoras» de figuras públicas que procuram ser solidárias. Alguns dos nove relatos envolvem a participação em atividades realizadas por instituições da Igreja Católica.

A descoberta de capacidades desconhecidas
A experiência de Carminho como voluntária «começou aos 18 anos, por influência de colegas da Universidade Lusíada, fazendo a ronda da noite da Comunidade Vida e Paz [onde também colabora Fernanda Freitas, apresentadora de televisão e presidente portuguesa do Ano Europeu do Voluntariado 2011], distribuindo sopa aos sem abrigo de Lisboa. Carminho dedicava, também, os seus fins de semana à Casa de Saúde Mental do Telhal e às monjas de Belém, onde ajudava nas limpezas. No verão do ano seguinte, partiu em missão de voluntariado, durante dois meses, para Cabo Verde… e a vontade de ajudar os outros nunca mais a abandonou.
“Não sei de onde é que vem essa vontade, que é comum a qualquer ser humano. É como um bicho que se entranha pelo coração adentro e nos faz olhar para as pessoas quase como nossas salvadoras. Porque o voluntariado tem a particularidade de nos iluminar por dentro.”
Foi em busca de alguma luz que partiu para uma volta ao mundo, aos 22 anos, quando terminou o curso de Marketing e Publicidade. Estava confusa, sabia apenas que não queria trabalhar naquela área. Já cantava, “tinha até propostas para gravar um disco”, mas não se sentia preparada para o fazer.
Por isso, agarrou “nuns trocos que tinha juntado com as cantorias” e comprou um bilhete especial, com direito a fazer 15 viagens de avião por pouco mais de dois mil euros. Nas cláusulas, apenas uma condição: nunca poderia voltar para trás. Partiu de mochila às costas, sozinha, com pouco dinheiro no bolso e sem nada organizado. O seu primeiro destino foi a Índia. Bateu à porta das Irmãs da Caridade, em Calcutá, dizendo: “Olá, sou a Carmo, de Portugal…”. Ninguém a esperava mas, antes que pudesse explicar alguma coisa, já a convidavam a entrar e a deitar mãos ao trabalho.
Ali ficou, durante mês e meio, dormindo em dois metros quadrados de chão e cuidando de moribundos. Logo na primeira semana foi recolher idosos abandonados na estação de comboios, que estavam a ser “literalmente comidos por vermes…”. Viu coisas terríveis e teve gente a morrer-lhe nos braços. “Passei a encarar a morte de forma muito diferente”, afirma. “Descobri capacidades em mim que desconhecia, para lidar com as fragilidades do ser humano, com a doença., a higiene… coisas que, às vezes, nos parecem barreiras, mas são mais como canais para chegarmos ao outro. E num sítio onde não conhecemos a língua, aprendi também que são os sorrisos, os gestos, a maneira como agimos que muda tudo”.
Nos 11 meses seguintes, Carminho correu mundo, procurando sempre ser útil: no Camboja esteve um mês a trabalhar num orfanato da Madre Teresa; em Timor-Leste deu aulas de português durante dois meses; no Peru passou outro mês a fazer o levantamento de estragos em aldeias isoladas, nas montanhas, após um terramoto. “Até hoje tenho recolhido frutos pequeninos dessa viagem”, diz, explicando que o desafio “é não esquecer” as lições que aprendeu pelo caminho. Regressou com o coração arrumado e a certeza de que queria dedicar a vida ao fado. “A minha voz é o que tenho de melhor e, se me foi dado este dom, é porque tem de ser partilhado.”»
O templo vivo de Deus são as pessoas
Da freguesia da Vitória, na cidade do Porto, «a vista estende-se pela de S. Nicolau, as duas bem no centro histórico da Invicta, as duas bem no centro da ação deste homem de 69 anos. Há 40 anos que o padre Jardim anda por estas ruas de empedrado incerto, assistindo ao rendilhado das vidas difíceis que as habitam. Não as trocava por nada, nem pela presidência da EAPN Portugal-Rede Europeia Anti-Pobreza, cargo que ocupa há 20 anos, desde a sua criação, e cujo trabalho a Assembleia da República reconheceu ao atribuir-lhe o Prémio de Direitos Humanos 2010.
“A minha maior alegria é trabalhar com esta gente. Mais facilmente deixaria a rede europeia…” Afinal. é naquelas duas paróquias, das mais pobres da cidade pobre, que Jardim Moreira tem a sua “obra”: sete casas dedicadas às crianças, mães adolescentes e velhos. É por estes que saca dinheiro aqui e ali. Ainda recentemente “inventou” um sistema de apadrinhamento – já tem 83 padrinhos e 26 voluntários -, para manter 28 crianças, dos 6 aos 10 anos, num dos seus centros paroquiais. Crianças que não estão abrangidas por qualquer acordo com o centro regional de Segurança Social. “Na rua é que elas não iam ficar”, assegura. “A sociedade civil vai ter de assumir o futuro deste país. Tem de ser corresponsável, porque a segurança dos pobres é também a nossa.”
Há em Jardim Moreira um pouquinho do padre Américo, o obreiro da Casa do Gaiato, contemporâneo de seu pai e visita lá de casa. Mas também do bispo vermelho Dom Hélder Câmara, brasileiro. Não é um rato de sacristia, antes homem da rua. Persegue um sonho: que o cristão “não se sinta chamado apenas a dar esmola” e que as políticas sociais estejam para lá do assistencialismo, da caridade ou da subsídio dependência. A palavra-chave é “partilha”; que cada um “assuma o problema do outro como sendo seu”.
Cedo percebeu que “o Evangelho é amar a Deus no próximo ou então não é”. O padre Jardim é muito claro: “O Cristo que a Igreja celebra e adora no altar é o que está esfarrapado e abandonado na rua.”
Quando iniciou o sacerdócio, em 1969, pediu “uma zona pobre, descristianizada”. O bispo deu-lhe “o pior que tinha”. E se, então, “para ir à Ribeira tinha de ser escoltado”, hoje é amavelmente saudado tanto pelo “senhor doutor” como pela prostituta do bairro. Começou por fazer obras na igreja. “Mas não valeu a pena, as pessoas não vinham.” Então decidiu ir ao encontro das pessoas, fazer o levantamento sociológico. Até alguns anos depois do 25 de abril de 1974, a atitude valeu-lhe o epíteto de comunista e havia quem afirmasse que recebia dinheiro de Moscovo. Mas ele nem 500 escudos tinha para sustentar a paróquia. Meteu-se a caminho da Europa e pediu “como um cego”, mesmo à Caritas belga. Fez assim o primeiro centro de idosos. “Onde está a Igreja? A Igreja é a casa ou são as pessoas? O templo vivo de Deus são as pessoas.”»
De Wall Street para África
«No próximo Natal, quem quiser encontrar Domitília dos Santos terá de procurá-la numa missão das Irmãs da Caridade, algures numa aldeia remota de Moçambique. A gestora de fortunas de Wall Street reserva sempre uma parte das suas férias para fazer voluntariado, inspirada na obra de Madre Teresa de Calcutá. Em países como o Vietname, Honduras, Gana, Haiti e Camboja, dorme no chão, come com a população local, despe-se das frivolidades da vida. Faz voluntariado com doentes terminais em Nova Iorque desde os anos 1980, mas começou a cumprir este ritual anual na Etiópia, em 2000.
“Estive lá oito dias. Ajudei doentes com sida, com lepra, foi uma experiência que me marcou para a vida inteira. Não havia nada, as crianças não tinham comida, quanto mais brinquedos, e eu puxei pela cabeça e fui recordar as brincadeiras que fazia em pequena, no Algarve, como o jogo da macaca… a alegria que me dava ver o sorriso dessas meninas quando me encontravam todas as manhãs é indescritível.”
O que a motiva a trocar o mundo da alta finança pela dos mais pobres? “Não tenho marido nem filhos e pode até ser um pouco egoísta, mas dá-me muita paz de espírito”, explica. “Sinto que estou a fazer a diferença na vida de alguém. Faz-me apreciar tudo o que tenho no meu dia a dia: a água que bebo, o sabonete que uso, a música que ouço… É como um spa para a alma.”»

Patrícia Fonseca (com Cesaltina Pinto)
In Visão, 24.11.2011
01.12.11


in http://www.snpcultura.org/cultura_do_dar_se.html