"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























domingo, 2 de fevereiro de 2020

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI

5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
108 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  

Então:
Festa da Apresentação do Senhor – Ano A
No “Dia da Vida Consagrada”, a liturgia celebra a “Apresentação do Senhor” no Templo de Jerusalém. Esse ícone – que expressa a entrega total de Cristo, desde os primeiros momentos da sua existência terrena, nas mãos do Pai – convida todos os consagrados e consagradas a renovar a sua entrega nas mãos de Deus e a fazer da própria existência um dom de amor, um testemunho comprometido da realidade do Reino, ao serviço do projeto salvador de Deus para os homens e para o mundo.
Evangelho de São Lucas 2, 22-40
Ao chegarem os dias da purificação,
segundo a Lei de Moisés,
Maria e José levaram Jesus a Jerusalém,
para O apresentarem ao Senhor,
como está escrito na Lei do Senhor:
«Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor»,
e para oferecerem em sacrifício
um par de rolas ou duas pombinhas,
como se diz na Lei do Senhor.
Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão,
homem justo e piedoso,
que esperava a consolação de Israel;
e o Espírito Santo estava nele.
O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria
antes de ver o Messias do Senhor;
e veio ao templo, movido pelo Espírito.
Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino
para cumprirem as prescrições da Lei
no que lhes dizia respeito,
Simeão recebeu-O em seus braços
e bendisse a Deus, exclamando:
«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra,
deixareis ir em paz o vosso servo,
porque os meus olhos viram a vossa salvação,
que pusestes ao alcance de todos os povos:
luz para se revelar às nações
e glória de Israel, vosso povo».
O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados
com o que d’Ele se dizia.
Simeão abençoou-os
e disse a Maria, sua Mãe:
«Este Menino foi estabelecido
para que muitos caiam ou se levantem em Israel
e para ser sinal de contradição;
– e uma espada trespassará a tua alma –
assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».
Havia também uma profetiza,
Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser.
Era de idade muito avançada
e tinha vivido casada sete anos após o tempo de donzela
e viúva até aos oitenta e quatro.
Não se afastava do templo,
servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações.
Estando presente na mesma ocasião,
começou também a louvar a Deus
e a falar acerca do Menino
a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Cumpridas todas as prescrições da Lei do Senhor,
voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré.
Entretanto, o Menino crescia
e tornava-Se robusto, enchendo-Se de sabedoria.
E a graça de Deus estava com Ele.

Tema geral
Através das palavras e da catequese do evangelista Lucas, desenha-se aqui o quadro da “Apresentação de Jesus” no Templo de Jerusalém, a fim de ser “consagrado” ao Senhor.
A consagração de Cristo recorda-nos que a nossa vida se deve cumprir num “ecce venio”, numa entrega total nas mãos do Pai, ao serviço do projeto de salvação de Deus para os homens e para o mundo.

Os Evangelhos da Infância de Jesus
Não foi logo desde o início que os primeiros cristãos se interessaram por aquilo que, hoje, nós conhecemos como “Evangelhos da Infância” e de que faz parte este texto de Lucas. O interesse dos primeiros cristãos era, sobretudo, pela mensagem e proposta que Jesus fez; daí que os Evangelhos se centrem especialmente nas recordações sobre a vida pública e a paixão do Senhor.
Só num estádio posterior houve uma certa curiosidade acerca dos primeiros anos da vida de Jesus. Coligiram-se, então, escassas informações históricas sobre a infância de Jesus e amassou-se esse material com reflexões que a comunidade fazia acerca do Senhor. Partindo de algumas indicações históricas e desenvolvendo uma reflexão teológica para explicar quem é Jesus, Lucas apresenta a história da Infância de Jesus.
O objetivo de Lucas é responder à pergunta fundamental: quem é este Jesus?
O interesse do Evangelho pela apresentação de Jesus ao Templo
Lucas propõe-nos o quadro da apresentação de Jesus no Templo. Segundo a Lei de Moisés, todos os primogénitos, tanto dos homens como dos animais, pertenciam a Jahwéh e deviam ser oferecidos a Jahwéh (cf. Ex 13,1-2. 11-16). O costume de oferecer os primogénitos aos deuses é um costume cananeu. No entanto, Israel transformou-o no que dizia respeito aos primogénitos dos homens… Estes não deviam ser oferecidos em sacrifício, mas resgatados por um animal, imolado ao Senhor (vers. 23-24).
De acordo com Lv 12,2-8, quarenta dias após o nascimento de uma criança, esta devia ser apresentada no Templo, onde a mãe oferecia um ritual de purificação. Nessa cerimónia, devia ser oferecido um cordeiro de um ano (para as famílias mais abastadas) ou então duas pombas ou duas rolas (para as famílias de menores recursos), tradição a que o nosso texto faz referência (vers. 24). É neste contexto que este passo do Evangelho nos situa.
Na linha da apresentação de todas as histórias da infância de Jesus, também com esta Lucas pretende mostrar quem é Jesus e qual a sua missão no mundo. Ao sublinhar repetidamente a fidelidade da família de Jesus à Lei do Senhor (vers. 22. 23. 24), Lucas quer deixar claro que Jesus, desde o início da sua caminhada entre os homens, viveu na escrupulosa fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Desde o início da sua existência terrena, Ele entregou a sua vida nas mãos do Pai, numa adesão absoluta ao plano do Pai. A missão de Jesus no mundo passa por aí, pelo cumprimento rigoroso da vontade e do projeto do Pai.
Simeão e Ana
As duas personagens que acolhem Jesus no templo, Simeão e Ana, representam o Israel fiel que esperava ansiosamente a sua libertação e a restauração do reinado de Deus sobre o seu Povo.
De Simeão diz-se que era um homem “justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel” (vers. 25). As palavras e os gestos de Simeão são particularmente sugestivos… Simeão toma Jesus nos braços e apresenta-O ao mundo, definindo-O como “a salvação” que Deus quer oferecer “a todos os povos”, “luz para se revelar às nações e glória de Israel” (vers. 28-32).
Jesus é, assim, reconhecido pelo Israel fiel como esse Messias libertador e salvador, a quem Deus enviou – não só ao seu povo, mas a todos os povos da terra.
Aqui desponta um tema muito querido a Lucas: o da universalidade da salvação de Deus… Deus não tem já um Povo eleito, mas a sua salvação é para todos os povos, independentemente da sua raça, da sua cultura, das suas fronteiras, dos seus esquemas religiosos.
As palavras que Simeão dirige a Maria (“este menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma” – vers. 34-35) aludem, provavelmente, à divisão que a proposta de Jesus provocará em Israel e ao resultado dessa divisão – o drama da cruz.
Ana é também uma figura do Israel pobre e sofredor (“viúva”), que se manteve fiel a Jahwéh (não se voltou a casar, após a morte do marido – vers. 37), que espera a salvação de Deus. Depois de reconhecer em Jesus a salvação anunciada por Deus, ela “falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” (vers. 38).
A palavra utilizada por Lucas para falar de libertação é a palavra grega “lustrosis” (“resgate”), utilizada no Êxodo para falar da libertação da escravidão do Egipto (cf. Ex 13,13-15; 34,20; Nm 18,15-16).
Jesus é, assim, apresentado por Lucas como o Messias libertador, que vai conduzir o seu Povo do domínio da escravidão para o domínio da liberdade. A apresentação no Templo de um primogénito celebrava precisamente a libertação do Egipto e a passagem da escravidão para a liberdade (cf. Ex 13, 11-16).
Nas figuras de Ana e Simeão, desse Israel antigo e fiel, esperançoso nas promessas de Deus, vemos um mundo que crê no Deus da Aliança e da Paz e, sobretudo, na fidelidade de Deus às suas promessas.
Mesmo quando não se vê o modo de sair de uma crise, quando Deus parece mais longínquo, talvez esquecido de nós, eis que Ele vem ao Templo, numa figura frágil, de um Menino, “sinal de contradição”, mas também, e sobretudo, sinal de redenção, de libertação para todos os que ainda ousam crer e esperar num mundo segundo a ordem de Deus, em que a “sabedoria” e a “graça” que habitavam a pessoa de Jesus possam ser os fundamentos de uma “civilização do amor”.
O Menino que crescia: sabedoria e graça estavam com ele
O texto termina com uma referência ao resto da infância de Jesus e ao crescimento do menino em “sabedoria” e “graça”. Trata-se de atributos que lhe vêm do Pai e que atestam, portanto, a sua divindade (vers. 40).
Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens com uma missão que lhe foi confiada pelo Pai. O objetivo de Jesus é cumprir integralmente o projeto do Pai… E esse projeto passa por levar os homens da escravidão para a liberdade e em apresentar a proposta de salvação de Deus a todos os povos da terra, mesmo àqueles que não pertencem tradicionalmente à comunidade do Povo de Deus.

Interpelações para nós, hoje
¨ A Festa da “Apresentação do Senhor” coincide com a celebração do Dia da Vida Consagrada. Ao olhar para o mistério da consagração aqui expresso, os consagrados são convidados a revisitar os fundamentos da sua consagração, vivida no seguimento de Jesus, por amor do Reino.
Poderíamos dizer que se celebra hoje em toda a Igreja um singular “ofertório”, no qual os homens e as mulheres consagradas renovam espiritualmente o dom de si. Agindo desta forma, ajudam as comunidades eclesiais a crescer na dimensão oblativa que as constitui intimamente, as edifica e as estimula a testemunhar Jesus pelos caminhos do mundo.
¨ A “apresentação do Senhor” no Templo de Jerusalém revela que, desde o início da sua caminhada entre os homens, Jesus escolheu um caminho de total fidelidade aos mandamentos e aos projetos do Pai. Ao oferecer-Se a Deus em oblação, ao ser “consagrado” ao Pai, Jesus manifesta a sua disponibilidade para cumprir fiel e incondicionalmente o plano salvador do Pai até às últimas consequências, até ao dom total da própria vida em favor dos homens.
O “ecce venio” de Jesus é o modelo da doação e da entrega de todos os consagrados, chamados a seguir Jesus mais de perto, numa oblação total a Deus e ao Reino. A vocação de consagrados concretiza-se na entrega de toda a existência nas mãos do Pai, na fidelidade absoluta à sua vontade e aos seus planos.
Que valor e que importância tem na sua vida o projeto de Deus? Procuram identificar a vontade de Deus e com ela conformar a sua vida, em total doação e entrega, ou deixam que sejam os seus projetos e esquemas pessoais a ditar as suas opções e as coordenadas da sua vida?
¨ Jesus é-nos apresentado, neste texto, como “a salvação colocada ao alcance de todos os povos”, a “luz para se revelar às nações e a glória de Israel”, o messias com uma proposta de libertação para todos os homens.
Que eco tem esta “apresentação” de Jesus no coração dos consagrados? Jesus é, de facto, a luz que ilumina as suas vidas e que os conduz pelos caminhos do mundo? Ele é o caminho certo e inquestionável para a salvação, para a vida verdadeira e plena? É n’Ele que colocam a sua ânsia de libertação e de vida nova? Este Jesus aqui apresentado tem real impacto na sua vida, nas suas opções, nos passos que dão no seu caminho de consagração, ou é apenas uma figura decorativa de um certo cristianismo de fachada?
¨ Simeão e Ana são, na cena evangélica que nos é proposta, figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e para acolher o messias de Deus. Na verdade, quando Jesus aparece, eles estão suficientemente despertos para reconhecer naquele bebé o messias libertador que todos esperavam e apresentam-n’O formalmente ao mundo.
Hoje, os consagrados – discípulos que acolheram Jesus como a sua luz e que aceitaram segui-l’O – têm a responsabilidade de O apresentar ao mundo e de O tornar uma proposta questionadora, libertadora, iluminadora, salvadora, para os homens nossos irmãos.
É isso que acontece? Através do seu anúncio – feito com palavras, com gestos, com atitudes, com a fidelidade aos votos religiosos – Jesus é apresentado ao mundo e questiona os homens seus irmãos?
Se tantos homens ignoram a “luz” libertadora que Jesus veio acender ou não se sentem interpelados pelo projeto de Jesus, a culpa não será, um pouco, de um certo imobilismo e instalação, de algum “cinzentismo” na vivência da fé, da forma pouco entusiasta como é testemunhada na Vida Consagrada
?
¨ A Vida Consagrada é chamada a refletir de maneira particular a luz de Cristo. Olhando as pessoas consagradas, que procuram viver ao estilo das Bem-aventuranças, os homens e mulheres do nosso tempo têm de ver o “fermento” de esperança para a humanidade, o “sal” que dá sabor ao mundo, uma “luz” que se acende na escuridão do mundo e que indica caminhos de verdade e de liberdade, a “porta” entreaberta para o Reino de Deus e para os “novos céus e a nova terra” que Deus quer apresentar à humanidade.
É preciso que os consagrados sejam luz e conforto para cada pessoa, velas acesas que ardem com o próprio amor de Cristo, luz que ilumina as sombras do mundo e que profeticamente anuncia a aurora de uma nova realidade.
É isso que acontece? O seu testemunho interpela positivamente os homens e mulheres que todos os dias com eles se cruzam nos caminhos do mundo e aponta-lhes a realidade do Reino?
¨ Os desafios de Deus, os seus planos, revelam-se, de forma privilegiada, na Palavra de Deus…
Que importância é que a Palavra de Deus assume na vida dos cristãos e dos consagrados e das nossas comunidades cristãs e religiosas? Procuram viver na escuta da Palavra, numa progressiva sensibilidade à Palavra de Deus, a fim de discernir os desafios de Deus? Encontram tempo, individualmente e a nível comunitário, para se reunirem à volta da Palavra de Deus, para partilhar a Palavra de Deus, para se deixarem questionar pela Palavra de Deus?
¨ Pobreza, castidade e obediência são as características distintivas do homem redimido, interiormente resgatado da escravidão do egoísmo.
Livres para amar, livres para servir: assim são os homens e as mulheres que renunciam a si mesmos pelo Reino dos Céus. Seguindo Cristo, crucificado e ressuscitado, os consagrados vivem esta liberdade como solidariedade, assumindo os pesos espirituais e materiais dos seus irmãos.
Os votos são assumidos pelos consagrados como elemento desta entrega total nas mãos de Deus – a exemplo de Cristo – para o serviço do Reino e da humanidade, ou são vistos como uma carga insuportável que os limita e os torna infelizes?

Saborear a Palavra
* Continuar a saborear o alimento da Palavra acolhida, em silêncio meditativo…

Rezar a Palavra
* Rezar a Palavra pessoalmente ou partilhar a oração, se for em grupo…
Comprometer-se na Palavra
* Assumir compromissos concretos provocados pela Palavra que acolhemos, meditámos, rezámos, partilhámos…
Deixar-se transformar na alegria do Evangelho
* Enfim, deixemo-nos levar pelo lema da Semana do Consagrado, inspirado na exortação apostólica Evangelii gaudium do Papa Francisco.


e/ou no vídeo AQUI.
Guardadores do espanto 
Queda é a primeira palavra. «Cristo, minha doce ruína», que arruínas não o homem mas as suas sombras, a vida insuficiente, a vida moribunda, o meu mundo de máscaras e mentiras, que arruínas a vida iludida. Sinal de contradição, a palavra segunda. Ele que contradiz as nossas vidas com a sua vida, a falsa imagem que alimentamos de Deus como rosto inédito de um paizinho (“abbà”) de braços grandes e coração de luz, contradição de tudo aquilo que contradiz o amor. Ele está aqui para a ressurreição, é a terceira palavra. Para saber mais clicar AQUI.
«Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus»
«Tende nas mãos as vossas lâmpadas acesas» (Lc 12,35). Mostremos, através deste sinal visível, a alegria que partilhamos com Simeão, que tem nas mãos a luz do mundo. [...] Sejamos ardentes pela devoção e luminosos pelas obras, e, com Simeão, levaremos Cristo em nossas mãos. [...] Hoje, a Igreja sugere-nos que acendamos velas. [...] Com a nossa vela acesa na mão, certamente nos lembramos do bem-aventurado ancião. Nesse dia, ele tomou Jesus nos braços, o Verbo presente na carne, semelhante à luz na cera, testemunhando que Ele era «luz para se revelar às nações». É verdade que o próprio Simeão era «uma luz ardente e brilhante», que prestava homenagem à luz (Jo 5,35; 1,7). Foi por isso que veio ao Templo, conduzido pelo Espírito, do qual estava repleto, «para receber, ó Deus, a tua misericórdia no meio do teu Templo» (Sl 47,10) e proclamar que ela é a misericórdia e a luz do teu povo.
Tu, ancião cintilando de paz, não tinhas a luz apenas em tuas mãos, mas foste penetrado por ela. Estavas tão iluminado por Cristo que viste antecipadamente que Ele iluminaria as nações [...], que hoje resplandeceria o brilho da nossa fé. Regozija-te agora, santo ancião; vê hoje o que tinhas entrevisto antecipadamente: as trevas do mundo dissiparam-se, «as nações caminham à sua luz», «toda a Terra está repleta da sua glória» (Is 60,3; 6,3). 
Beato Guerric de Igny (c. 1080-1157)
abade cisterciense
1.º Sermão da Purificação

sábado, 1 de fevereiro de 2020

inPRENSA semanal (25 a 01-02-2020): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.    


A cidade que Isabel dos Santos deixou para trás
Dividendos da Sonangol retidos em Cabo Verde
Topo do EuroBic envolvido com Dubai
EuroBic só tinha dois funcionários a tempo inteiro para controlar lavagem de dinheiro
Círculo de confiança: fortuna nas mãos de cinco pessoas
Milhões para o Mónaco saíram de conta no BPI
Offshore de Isabel dos Santos em Man montado em Lisboa
PJ acredita que Rui Pinto é o denunciante dos Luanda Leaks
Maior ameaça ao crescimento português vem de Espanha
PGR de Angola quer julgar portugueses em Luanda (e admite ir atrás de outros “poderosos”) 
França confirma 3 casos de coronavírus chinês. Já chegou à Austrália e Malásia
Guterres enumera os “Quatro Cavaleiros do Apocalipse” que desestabilizam o mundo
Amesterdão prepara-se para comprar dívidas dos seus jovens
Há dezenas de medicamentos não oncológicos capazes de matar células cancerígenas
 Dos 4 mil euros que ganho, 3 mil vão para os frades”. O padre Vítor Melícias recusa que Tomás Correia ainda controle o Montepio
As discretas virtudes da estratégia política do combate à corrupção
Alterações climáticas sob a lupa de cientistas da ONU no Algarve
Ser indiferente é ser cúmplice  
No trabalho do futuro os humanos serão cada vez mais importantes
A verdade sobre a economia de Trump
Na cómoda, no bolso, no telemóvel: Deixemos que o Evangelho «nos inspire todos os dias»
Rui Pinto confessa ser o denunciante dos Luanda Leaks
Luanda Leaks. Advogado de Rui Pinto confirma que hacker é o denunciante do caso
Advogado assume: Rui Pinto está por detrás do Luanda Leaks
Um “dever de cidadania”. Rui Pinto assume ser o denunciante do Luanda Leaks
Luanda Leaks, Doyen, Ronaldo, Benfica, Sporting e FC Porto: o que Rui Pinto já revelou
Ana Gomes critica “dois pesos e duas medidas” da justiça em relação a Rui Pinto
Luanda Leaks: General 'Dino' vende 10% da Puma Energy à Trafigura
Morte de Kobe Bryant deixa o mundo em choque (e até a NBA violou as regras pela lenda) 
Arcebispo de Los Angeles lamenta morte do basquetebolista Kobe Bryant
Na semana da sua grande conquista política, Boris arrisca guerra diplomática com Trump  
A China e a epidemia
A subtração da humanidade. Auschwitz, 75 anos depois
Nova tradução da Bíblia em português já está disponível online
Jardim franciscano ajuda a ler a Bíblia em Fátima
Kobe Bryant, o príncipe da NBA que deu tudo pelo basquetebol
Fotogaleria. Kobe Bryant, da carreira à consternação em imagens
Perfil. Quem é 'Chicão', o conservador incorreto e temperamental que vai liderar o CDS
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Siza Vieira abre festival literário Correntes d’Escritas
Os esqueletos guardados no armário da Sonangol
Isabel e a vergonha que também é nossa (II)
Facilitadores, ou não
Oito coisas a saber agora que o Brexit vai mesmo acontecer
Da Amazónia a Lesbos. O jovem médico que já percorreu o mundo como voluntário
Antigo BPN ainda sai caro ao Estado (e a culpa é das “facturas” devolvidas pelo EuroBic)
Joalheira de marido de Isabel dos Santos anuncia falência
Cada vez mais freiras sofrem de burnout no Vaticano
Encontrado famoso navio que desapareceu misteriosamente no Triângulo das Bermudas há 95 anos
Dirigente do CDS chamou “agiota de judeus” a Aristides Sousa Mendes (e deu vivas a Salazar e à PIDE)
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A parede que desabou à direita
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Não há "instinto maternal"
 Aí está o Brexit
A UE sem os britânicos

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

quem conhece  ESSES DESCONHECIDOS: S. Timóteo e S. Tito

... que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer AQUI e AQUIPerante isto, como me sinto tão pequenino.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

quem conhece  ESSES DESCONHECIDOS: S. José Freinademetz

...  que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer AQUI.
Perante isto, como me sinto tão pequenino.

ESPIRITUALIDADE: «De pouco ou nada servem a teologia e a ação pastoral, se não se dobram os joelhos»

«Adorar é ir ter com Jesus, não com uma lista de pedidos, mas com o único pedido de estar com Ele»: a primazia do louvor totalmente confiado a Deus sobre o conhecimento teórico que se adquire sobre Ele foi um dos sublinhados da homilia do papa proferiu hoje na missa da Epifania, celebrada no Vaticano. Só a decisão pessoal de voltar-se confiadamente para Deus e renunciar ao centramento nos seus interesses – porque a adoração é «fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo» - pode «desintoxicar de tantas coisas inúteis, de dependências que anestesiam o coração e estonteiam a mente». Para saber mais clicar AQUI.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

ESPIRITUALIDADE: Atentados à espiritualidade cristã

O movimento centrípeto da viagem interior tem acabado por absorver e neutralizar a mensagem decisiva: «Vai, sai de ti próprio». É por isso que esta interioridade, ainda que necessária, se é fim em si própria e se se confina a um conhecimento de si, é narcisista, individualista, contradizendo desta forma toda a mensagem bíblica, segundo a qual busca-se Deus se se busca o homem, crê-se em Deus se se crê também nos outros, ama-se aquele Deus que não se vê se se amam também os outros que se veem. Esta espiritualidade, devo confessá-lo com muita tristeza, está agora presente na própria pregação, sobretudo na homilia dominical. Para saber mais clicar AQUI.

domingo, 26 de janeiro de 2020

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
108 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  

Então:
Tema do 3º Domingo do Tempo Comum - Ano A
A liturgia deste domingo apresenta-nos o projecto de salvação e de vida plena que Deus tem para oferecer ao mundo e aos homens: o projecto do "Reino".
Na primeira leitura, o profeta/poeta Isaías anuncia uma luz que Deus irá fazer brilhar por cima das montanhas da Galileia e que porá fim às trevas que submergem todos aqueles que estão prisioneiros da morte, da injustiça, do sofrimento, do desespero.
O Evangelho descreve a realização da promessa profética: Jesus é a luz que começa a brilhar na Galileia e propõe aos homens de toda a terra a Boa Nova da chegada do "Reino". Ao apelo de Jesus, respondem os discípulos: eles serão os primeiros destinatários da proposta e as testemunhas encarregadas de levar o "Reino" a toda a terra.
A segunda leitura apresenta as vicissitudes de uma comunidade de discípulos, que esqueceram Jesus e a sua proposta. Paulo, o apóstolo, exorta-os veementemente a redescobrirem os fundamentos da sua fé e dos compromissos assumidos no baptismo.

EVANGELHO - Mt 4,12-23
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Quando Jesus ouviu dizer
que João Baptista fora preso,
retirou-Se para a Galileia.
Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum,
terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali.
Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer:
«Terra de Zabulão e terra de Neftali,
estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios:
o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz;
para aqueles que habitavam na sombria região da morte,
uma luz se levantou».
Desde então, Jesus começou a pregar:
«Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo».
Caminhando ao longo do mar da Galileia,
viu dois irmãos:
Simão, chamado Pedro, e seu irmão André,
que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me
e farei de vós pescadores de homens».
Eles deixaram logo as redes e seguiram-n'O.
Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos:
Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João,
que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu,
a consertar as redes.
Jesus chamou-os
e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n'O.
Depois começou a percorrer toda a Galileia,
ensinando nas sinagogas,
proclamando o Evangelho do reino
e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

AMBIENTE
O texto que nos é proposto como Evangelho funciona um pouco como texto-charneira, que encerra a etapa da preparação de Jesus para a missão (cf. Mt 3,1-4,16) e que lança a etapa do anúncio do Reino.
O texto situa-nos na Galileia, a região setentrional da Palestina, zona de população mesclada e ponto de encontro de muitos povos. Refere, ainda, a cidade de Cafarnaum: situada no limite do território de Zabulão e de Neftali, na margem noroeste do lago de Genezaré, no enfiamento do "caminho do mar" (que ligava o Egipto e a Mesopotâmia), era considerada a capital judaica da Galileia (Tiberíades, a capital política da região, por causa dos seus costumes gentílicos e por estar construída sobre um cemitério, era evitada pelos judeus). A sua situação geográfica abria-lhe, também, as portas dos territórios dos povos pagãos da margem oriental do lago. 

MENSAGEM
Na primeira parte (cf. Mt 4,12-16), Mateus refere como Jesus abandona Nazaré, o seu lugar de residência habitual, e se transfere para Cafarnaum. Mateus descobre nesse facto um significado profundo, à luz de Is 8,23-9,1: a "luz" que havia de eliminar as trevas e as sombras da morte de que fala Isaías é, para Mateus, o próprio Jesus. Na terra humilhada de Zabulão e Neftali, vai começar a brilhar a luz da libertação; e essa libertação vai atingir, também, os pagãos que acolherem o anúncio do Reino (para Mateus, é bem significativo que o primeiro anúncio ecoe na Galileia, terra onde os gentios se misturam com os judeus e, concretamente, em Cafarnaum, a cidade que, pela sua situação geográfica, é uma ponte para as terras dos pagãos). O anúncio libertador de Jesus apresenta, desde logo, uma dimensão universal.
Na segunda parte (cf. Mt 4,17-23), Mateus apresenta o lançamento da missão de Jesus: define-se o conteúdo básico da pregação que se inicia, mostra-se o "Reino" como realidade viva actuante, apresentam-se os primeiros discípulos que acolhem o apelo do "Reino" e que vão acompanhar Jesus na missão.
Qual é, em primeiro lugar, o conteúdo do anúncio? O versículo 17 di-lo de forma clara: Jesus veio trazer "o Reino". A expressão "Reino de Deus" (ou "Reino dos céus", como prefere dizer Mateus) refere-se, no Antigo Testamento e na época de Jesus, ao exercício do poder soberano de Deus sobre os homens e sobre o mundo. Decepcionado com a forma como os reis humanos exerceram a realeza (no discurso profético aparecem, a par e passo, denúncias de injustiças cometidas pelos reis contra os pobres, de atropelos ao direito orquestrados pela classe dirigente, de responsabilidades dos líderes no abandono da aliança, de graves omissões no que diz respeito aos compromissos assumidos para com Jahwéh), o Povo de Deus começa a sonhar com um tempo novo, em que o próprio Deus vai reinar sobre o seu Povo; esse reinado será marcado - na perspectiva dos teólogos de Israel - pela justiça, pela misericórdia, pela preocupação de Deus em relação aos pobres e marginalizados, pela abundância e fecundidade, pela paz sem fim.
Jesus tem consciência de que a chegada do "Reino" está ligada à sua pessoa. O seu primeiro anúncio resume-se, para Mateus, no seguinte slogan: "arrependei-os ('metanoeite') porque o Reino dos céus está a chegar".
O convite à conversão ("metanoia") é um convite a uma mudança radical na mentalidade, nos valores, na postura vital. Corresponde, fundamentalmente, a um reorientar a vida para Deus, a um reequacionar a vida, de modo a que Deus e os seus valores passem a estar no centro da existência do homem; só quando o homem aceita que Deus ocupe o lugar que Lhe compete, está preparado para aceitar a realeza de Deus... Então, o "Reino" pode nascer e tornar-se realidade no mundo e nos corações.
Na sequência, Mateus apresenta Jesus a construir activamente o "Reino" (vers. 23-24): as suas palavras anunciam essa nova realidade e os seus gestos (os milagres, as curas, as vitórias sobre tudo o que rouba a vida e a felicidade do homem) são sinais evidentes de que Deus começou já a reinar e a transformar a escravidão em vida e liberdade.
Finalmente, Mateus descreve o chamamento dos primeiros discípulos (vers. 18-22). Não se trata, segundo parece (a comparação deste relato, que Mateus toma de Marcos, com os relatos paralelos de Lucas e João, mostra que estamos diante de um relato estilizado, cujo objectivo é pôr em relevo os passos fundamentais da vocação) de um relato jornalístico de acontecimentos, mas de uma catequese sobre o chamamento e a adesão ao projecto do "Reino". Através da resposta pronta de Pedro e André, Tiago e João, propõe-se um exemplo da conversão radical ao "Reino" e de adesão às suas exigências.
O relato sublinha uma diferença fundamental entre os chamados por Jesus e os discípulos que se juntavam à volta dos mestres do judaísmo: não são os discípulos que escolhem o mestre e pedem para entrar no seu grupo, como acontecia com os discípulos dos "rabbis"; mas a iniciativa é de Jesus, que chama os discípulos que Ele próprio escolheu, que os convida a segui-l'O e lhes propõe uma missão.
A resposta dos quatro discípulos ao chamamento é paradigmática: renunciam à família, ao seu trabalho, às seguranças instituídas e seguem Jesus sem condições. Esta ruptura (que significa não só uma ruptura afectiva com pessoas, mas também a ruptura com um quadro de referências sociais e de segurança económica) indicia uma opção radical pelo "Reino" e pelas suas exigências.
Uma palavra para a missão que é proposta aos discípulos que aceitam o desafio do "Reino": eles serão pescadores de homens. O mar é, na cultura judaica, o lugar dos demónios, das forças da morte que se opõem à vida e à felicidade dos homens; a tarefa dos discípulos que aceitam integrar o "Reino" será, portanto, libertar os homens dessa realidade de morte e de escravidão em que eles estão mergulhados, conduzindo-os à liberdade e à realização plenas.
Estes quatro discípulos representam todo o grupo dos discípulos, de todos os tempos e lugares... Eles devem responder positivamente ao chamamento, optar pelo "Reino" e pelas suas exigências e tornarem-se testemunhas da vida e da salvação de Deus no meio dos homens e do mundo.

ACTUALIZAÇÃO
A reflexão e a partilha da Palavra que nos é proposta podem partir dos seguintes dados:
• Jesus é o Deus que vem ao nosso encontro para realizar os nossos sonhos de felicidade sem limites e de paz sem fim. N'Ele e através d'Ele (das suas palavras, dos seus gestos), o "Reino" aproximou-se dos homens e deixou de ser uma quimera, para se tornar numa realidade em construção no mundo. Contemplar o anúncio de Jesus é abismar-se na contemplação de uma incrível história de amor, protagonizada por um Deus que não cessa de nos oferecer oportunidades de realização e de vida plena. Sobretudo, o anúncio de Jesus toca e enche de júbilo o coração dos pobres e humilhados, daqueles cuja voz não chega ao trono dos poderosos, nem encontram lugar à mesa farta do consumismo, nem protagonizam as histórias balofas das colunas sociais. Para eles, ouvir dizer que "o Reino chegou" significa que Deus quer oferecer-lhes essa vida plena e feliz que os grandes e poderosos insistem em negar-lhes.
• Para que o "Reino" seja possível, Jesus pede a "conversão". Ela é, antes de mais, um refazer a existência, de forma a que só Deus ocupe o primeiro lugar na vida do homem. Implica, portanto, despir-se do egoísmo que impede de estar atento às necessidades dos irmãos; implica a renúncia ao comodismo, que impede o compromisso com os valores do Evangelho; implica o sair do isolamento e da auto-suficiência, para estabelecer relação e para fazer da vida um dom e um serviço aos outros... O que é que nas estruturas da sociedade ainda impede a efectivação do "Reino"? O que é que na minha vida, nas minhas opções, nos meus comportamentos constitui um obstáculo à chegada do "Reino"?
• A história do compromisso de Pedro e André, Tiago e João com Jesus e com o "Reino" é uma história que define os traços essenciais da caminhada de qualquer discípulo... Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que é Jesus que chama e que propõe o Reino; em segundo lugar, é preciso ter a coragem de aceitar o chamamento e fazer do "Reino" a prioridade essencial (o que pode implicar, até, deixar para segundo plano os afectos, as seguranças, os valores humanos); em terceiro lugar, é preciso acolher a missão que Jesus confia e comprometer-se corajosamente na construção do "Reino" no mundo. É este o caminho que eu tenho vindo a percorrer?
• A missão dos que escutaram o apelo do "Reino" passa por testemunhar a salvação que Deus tem para oferecer a todos os homens, sem excepção. Nós, discípulos de Jesus, comprometidos com a construção do "Reino", somos testemunhas da libertação e levamos a Boa Nova da salvação aos homens de toda a terra? Aqueles que vivem condenados à marginalização (por causa do fraco poder económico, por causa da doença, por causa da solidão, por causa do seu inexistente poder de reivindicação), já receberam, através do nosso testemunho, a Boa Nova do "Reino"?
• Em certos momentos da história, procura vender-se a ideia de que o mundo novo da justiça e da paz se constrói a golpes de poder militar, de mísseis, de armas sofisticadas, de instrumentos de morte... Atenção: a lógica do "Reino" não é uma lógica de violência, de vingança, de destruição; mas é uma lógica de amor, de doação da vida, de comunhão fraterna, de tolerância, de respeito pelos outros. A tentação da violência é uma tentação diabólica, que só gera sofrimento e escravidão: aí, o "Reino" não está.
BILHETE DE EVANGELHO: UNIDADE E PAZ...
Estamos quase a terminar o mês de Janeiro, celebrando duas dimensões marcantes da caminhada neste mês: a Paz (Natal e primeiro dia do ano) e a Unidade (Semana de Oração que estamos a viver). Nestes dias, rezamos pela Unidade, em comunhão com todos os nossos irmãos cristãos que a história separou. Em Dezembro e início do ano, rezámos pela Paz, em comunhão com todos os crentes que erguem os olhos para Aquele que chamam Deus. Devemos desejar esta Unidade e esta Paz, porque sofremos todos da separação e dos conflitos de vária ordem. Mas se a Unidade e a Paz permanecem apenas como votos, quem os realizará? É preciso decidir e fazer a Unidade. Há palavras, gestos, caminhadas que unem, que congregam. Isso tem um nome: Reconciliação. É preciso decidir e fazer a Paz: há mãos estendidas, olhares benevolentes, escutas atentas, palavras apaziguadoras, julgamentos compreensíveis. Isso tem um nome: Perdão. A Unidade e a Paz: podemos desejá-las! A Reconciliação e o Perdão: devemos decidi-los!
PALAVRA PARA O CAMINHO.
Irradiar a luz... Os textos bíblicos de hoje são atravessados de Luz para o nosso caminho de trevas. Quantos homens e mulheres andam à procura de sentido e procuram o seu caminho na noite... As nossas vidas de baptizados estão em coerência com Aquele de quem nos reclamamos como cristãos? A Luz do Ressuscitado é-nos confiada para nos juntarmos aos nossos irmãos... Somos focos que irradiam luz ou candeeiros opacos?

e/ou no vídeo AQUI.

«Para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou» 
 Cristo, digna-Te acender pessoalmente as nossas candeias, Tu que és o nosso Salvador; fá-las brilhar sem fim na tua morada e receber de Ti, luz eterna, uma luz indefetível. Que a tua luz dissipe as trevas e, através de nós, faça recuar as trevas do mundo. Peço-Te pois, Jesus, que acendas a minha candeia com a tua própria luz, e que assim, com essa claridade, eu possa ver o Santo dos Santos, onde Tu, Pai Eterno dos tempos eternos, dás entrada nos pórticos desse Templo imenso (cf Heb 9,11ss). Que, sob a tua luz, nunca deixe de Te ver e de dirigir para Ti o meu olhar e o meu desejo. Então, só Te verei a Ti no meu coração, e na tua presença a minha candeia ficará para sempre acesa e ardente.
Dá-nos a graça […], visto que batemos à tua porta, de Te manifestares a nós, Salvador cheio de amor. Compreendendo-Te melhor, que não tenhamos amor senão para Ti, só para Ti. Que sejas, noite e dia, o nosso único desejo, a nossa única meditação, o nosso pensamento contínuo. Digna-Te derramar em nós todo o amor necessário para que possamos amar a Deus como convém. Enche-nos do teu amor […] até que não saibamos amar-Te senão a Ti, que és eterno. Então as águas caudalosas do céu, da Terra e do mar não poderão apagar em nós tão grande caridade, como lemos no Cântico dos Cânticos: «As águas caudalosas não conseguirão apagar o fogo do amor» (8,7). Que se realize em nós, pelo menos em parte, esse crescendo de amor, pela tua graça, Senhor Jesus. 
São Columbano (563-615)
monge, fundador de mosteiros

12.ª Instrução espiritual, 2-3