"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























domingo, 11 de fevereiro de 2024

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
10. Os 8 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  
11.  Os 11 conselhos para viver a Missa mais profundamente AQUI.
12. Papa Francisco pede aos padres: façam homilias mais curtas AQUI.
13A atenção daqueles que estão ao serviço da Palavra que devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam. . . É assim que procedem aqueles a quem a Igreja confia o serviço da Palavra? (Dehonianos, 20 Outubro 2019)
14. Porquê a Missa? Por esta razão AQUI.

Então:
Tema do 6.º Domingo do Tempo Comum - Ano B
A liturgia do 6.º Domingo do Tempo Comum fala-nos de um Deus que ama e abraça, com ternura de pai e de mãe, todos os seus filhos e filhas, particularmente aqueles que os acidentes da vida magoaram e desfiguraram. Ele não exclui ninguém nem aceita que, em seu nome, se inventem sistemas de discriminação ou de marginalização dos irmãos.
A primeira leitura apresenta-nos a legislação veterotestamentária que definia a forma de tratar com os leprosos. Em nome da saúde pública, mas também em nome de Deus e da santidade do Povo de Deus, as leis de Israel determinavam a exclusão do doente de qualquer contacto com a comunidade. O projeto de Deus para o mundo e para os homens passará por uma sociedade que deixa para trás os “diferentes”?
O Evangelho mostra-nos como, em Jesus, Deus desce ao encontro dos seus filhos vítimas da rejeição e da exclusão, compadece-Se da sua miséria, estende-lhes a mão com amor, liberta-os dos seus sofrimentos, convida-os a integrar a comunidade do “Reino”. Deus não pactua com a discriminação e denuncia como contrários aos seus projetos todos os mecanismos de exclusão dos irmãos.
A segunda leitura convida os cristãos a terem como prioridade a glória de Deus e o serviço dos irmãos. O exemplo supremo deve ser o de Cristo, que viveu na obediência incondicional aos projetos do Pai e fez da sua vida um dom de amor, ao serviço da libertação dos homens.
EVANGELHO Marcos 1,40-45
Naquele tempo,
veio ter com Jesus um leproso.
Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe:
«Se quiseres, podes curar-me».
Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse:
«Quero: fica limpo».
No mesmo instante o deixou a lepra
e ele ficou limpo.
Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem:
«Não digas nada a ninguém,
mas vai mostrar-te ao sacerdote
e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou,
para lhes servir de testemunho».
Ele, porém, logo que partiu,
começou a apregoar e a divulgar o que acontecera,
e assim, Jesus já não podia entrar abertamente
em nenhuma cidade.
Ficava fora, em lugares desertos,
e vinham ter com Ele de toda a parte.
CONTEXTO
Jesus anda a percorrer as vilas e aldeias da Galileia, a propor o Reino de Deus (cf. Mc 1,39). No seu vaivém cruza-se com todo o tipo de pessoas e conhece todo o tipo de homens e mulheres com vidas fragilizadas. Muitos vivem marginalizados e esquecidos, pelas razões mais diversas. Para esses, o anúncio da proximidade do Reino de Deus é uma “Boa Notícia” que acende a esperança numa vida mais humana e mais feliz.
No episódio que o Evangelho deste domingo nos propõe, Jesus cruza-se com um leproso. Não se identifica o homem pelo nome, nem se diz o lugar onde se desenrola a cena. É como se aquele leproso sem nome e sem ligação geográfica fosse o protótipo de todos os marginalizados que Jesus encontrou ao percorrer os caminhos da Galileia.
Pela primeira leitura deste domingo, já conhecemos a situação social e religiosa dos leprosos. Para a ideologia oficial, o leproso era um pecador e um maldito, vítima de um particularmente doloroso castigo de Deus. A sua condição excluía-o da comunidade e impedia-o de frequentar a assembleia do Povo de Deus. Tinha que viver isolado, apresentar-se andrajoso e avisar, aos gritos, o seu estado de impureza, a fim de que ninguém se aproximasse dele. Não tinha acesso ao Templo, nem sequer à cidade santa de Jerusalém, a fim de não conspurcar, com a sua impureza, o lugar sagrado. O leproso era o protótipo do marginalizado, do excluído, do segregado. A sua condição afastava-o, não só da comunidade dos homens, mas também do próprio
MENSAGEM
Um leproso – um homem doente, marginalizado da comunidade do Povo santo de Deus, considerado pecador e maldito – toma a iniciativa de vir ter com Jesus. Tinham-lhe chegado aos ouvidos os ecos do anúncio do “Reino” e ele sentira abrir-se uma janela de esperança. Resolve arriscar: o desejo de sair da situação de miséria e de marginalidade em que estava mergulhado obriga-o a vencer o medo de infringir a Lei; e ele aproxima-se de Jesus sem respeitar as distâncias que um leproso devia manter das pessoas sãs. É um ato desesperado de um homem que não se conforma em viver à margem de Deus e da comunidade.
Uma vez diante de Jesus, o leproso é humilde, mas também insistente (“prostrou-se de joelhos e suplicou-lhe” – vers. 40), pois o encontro com Jesus é uma oportunidade de libertação que ele não pode desperdiçar. Não exige nada, mas coloca tudo nas mãos de Jesus: “se quiseres…”. A expressão parece revelar a sua absoluta confiança no poder de Jesus. Ele está convicto de que Jesus pode ajudá-lo a sair da sua triste situação.
Curiosamente, aquele homem não pede para ser curado, mas sim para ser “purificado” (“podes purificar-me”: o verbo grego “katharizô”, aqui utilizado, significa “purificar” ou “limpar”). Não é tanto a doença que lhe pesa; o que ele não suporta mais é sentir-se sujo, pecador, em rutura com Deus. Deseja que o obstáculo que o priva da comunhão com Deus seja removido por Jesus.
A reação de Jesus é absolutamente inacreditável, pelo menos de acordo com os padrões judaicos… Jesus não se indignou, não se afastou com repulsa, não acusou aquele homem de infringir a Lei e de pôr em causa a saúde pública; mas “compadeceu-se até às entranhas” (vers. 41). O verbo “splankhnízomai”, aqui utilizado, é aplicado, na literatura neotestamentária, só a Deus e a Jesus. Habitualmente, é usado em contextos onde se refere a ternura de Deus pelos homens, comparável à ternura que a mãe sente pelo seu filho querido. Jesus “comovido até às entranhas” diante do sofrimento intolerável daquele homem, revela que Deus tem coração de mãe, um coração que transborda de ternura face à miséria e sofrimento dos homens. Depois, o amor de Deus tornado presente em Jesus vai manifestar-se num gesto concreto para com o leproso: Jesus estende a mão e toca-o. É, evidentemente, um gesto “humano”, um gesto de afeto que manifesta a bondade e a solidariedade de Jesus para com aquele homem desfigurado pela doença e abandonado por todos; mas o gesto de estender a mão tem um profundo significado teológico, pois é o gesto que acompanha, na história do Êxodo, as ações libertadoras de Deus em favor do seu Povo (cf. Ex 3,20; 6,8; 8,1; 9,22; 10,12; 14,16.21.26-27; etc.). O amor de Deus manifesta-se como gesto libertador, que salva o homem leproso da escravidão em que a doença o havia lançado.
Por outro lado, ao tocar o leproso, Jesus está, consciente e deliberadamente, a infringir a Lei. Dessa forma, Ele denuncia uma Lei que criava marginalização e exclusão. Jesus, com a autoridade que Lhe vem de Deus, mostra que a marginalização imposta pela Lei não expressa a vontade de Deus. O gesto de tocar o leproso diz, com toda a frontalidade, que a distinção entre puro e impuro consagrada pela Lei não vem de Deus e não transmite a lógica de Deus. Na verdade, Deus não discrimina ninguém; o que Ele quer é reunir todos os seus filhos e filhas numa grande família, a comunidade do Reino.
A resposta verbal de Jesus (“quero: fica limpo” – vers. 41) não acrescenta mais nada. Apenas confirma, por palavras, que, do ponto de vista de Deus, o leproso não é um marginal, um pecador condenado, um homem indigno, mas um filho amado a quem Deus quer oferecer a salvação e a Vida em plenitude.
Consumada a purificação do leproso, Jesus recomenda-lhe veementemente que não diga nada a ninguém (vers. 44). Esta recomendação de Jesus aparece várias vezes no Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 1,34;5,43;7,36;7,36; etc.). Provavelmente, é um dado histórico, que resulta do facto de Jesus não querer alimentar equívocos ou ser aceite pelas razões erradas. De acordo com Mt 11,5, a cura dos leprosos era uma obra do Messias; assim, o gesto de Jesus define-O como o Messias que Israel esperava. No entanto, numa Palestina em plena febre messiânica, Jesus pretende evitar um título que tem algo de ambíguo, por estar ligado a perspetivas nacionalistas e a sonhos de luta política contra o ocupante romano. Jesus não quer deitar mais lenha para a fogueira da esperança messiânica, pois tem consciência de que o seu messianismo não passa por um trono político (como sonhavam as multidões), mas pela cruz.
Ao leproso purificado, Jesus diz ainda para ir mostrar-se aos sacerdotes (vers. 44). Segundo a Lei, o leproso só podia ser reintegrado na comunidade religiosa depois de a sua cura ter sido homologada pelo sacerdote em funções no Templo. No entanto, Jesus acrescenta: “para lhes servir de testemunho”. Dado que a cura de um leproso só podia ser operada por Deus e era, por isso, um sinal messiânico, o facto devia servir aos líderes do Povo para concluírem que o Messias tinha chegado e que o “Reino de Deus” estava já presente no mundo. O leproso purificado devia, portanto, ser um “testemunho” da presença de Deus no meio do seu Povo e um sinal de que os novos tempos tinham chegado. Mas, apesar das evidências, os líderes judaicos estavam demasiado entrincheirados nas suas certezas, preconceitos e privilégios e recusaram-se sempre a acolher a novidade de Deus, a novidade do Reino.
O texto termina com a indicação de que o leproso purificado “começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”, apesar do silêncio que Jesus lhe impusera. Marcos quer, provavelmente, sugerir que quem experimenta o poder integrador e salvador de Jesus converte-se necessariamente em profeta e em testemunha entusiasta do amor e da bondade de Deus.
INTERPELAÇÕES
- Jesus, profundamente comovido diante daquele leproso abandonado pela sociedade e pela religião, revela-nos que Deus tem um coração de mãe, um coração que transborda de amor pelos seus filhos magoados e esmagados pelos acidentes da vida. O amor maternal de Deus não exclui, não condena, não sente repulsa; o amor de Deus purifica, cura as feridas, humaniza, salva. O Deus que Jesus revela nas suas palavras e nos seus gestos, não é o Deus intolerante, severo, distante, incapaz de compreender os limites e as fragilidades dos seres humanos; é o Deus do amor nunca desmentido, do amor que ultrapassa todos os limites, do amor excessivo que tudo cura e tudo purifica. Qual é o Deus em que acreditamos: o Deus de Jesus que é amor e misericórdia, ou o Deus intransigente e severo que alguns teimam em propor?
- A atitude de Jesus em relação ao leproso (bem como a outros excluídos da sociedade do seu tempo) é uma atitude de proximidade, de solidariedade, de aceitação, de acolhimento. Jesus não está preocupado com o que é política ou religiosamente correto, ou com a indignidade da pessoa, ou com o perigo que ela representa para uma certa ordem social… Ele apenas vê em cada pessoa um irmão que Deus ama e a quem é preciso estender a mão e amar, também. Como é que lidamos com os excluídos da sociedade ou da Igreja? Procuramos integrar e acolher os estrangeiros, os marginais, os pecadores, os “diferentes” ou, com a nossa intransigência, ajudamos a perpetuar os mecanismos de exclusão e de discriminação?
- O gesto de Jesus de estender a mão e tocar o leproso é um gesto provocador, verdadeiramente profético, que denuncia uma Lei iníqua, geradora de discriminação, de exclusão e de sofrimento. Com a autoridade de Deus, Ele retira qualquer valor a essa Lei e garante que Deus não discrimina ninguém. Apesar de todos os nossos progressos civilizacionais, continuamos a ter leis (umas escritas nos nossos códigos legais civis ou religiosos, outras que não estão escritas mas que são consagradas pela moda, pelo politicamente correto ou até por uma ideia deturpada da santidade de Deus) que são geradoras de marginalização, de exclusão e de sofrimento. Como discípulos de Jesus, temos feito tudo o que está ao nosso alcance para construir, a nível da legislação e dos comportamentos, a civilização do amor e não a civilização do egoísmo, da exclusão, da condenação dos “diferentes”?
- Mais uma vez, o Evangelho deste domingo propõe à nossa consideração a atitude dos líderes judaicos. Comodamente instalados no alto das suas certezas e preconceitos, eles perpetuam, em nome de Deus, um sistema religioso que gera sofrimento e miséria e não se deixam questionar nem desafiar pela novidade de Deus. Estão tão seguros e convictos das suas verdades particulares que fecham totalmente o coração a Jesus e não se reveem nas suas propostas. Estamos sempre em alerta para a necessidade de nos desinstalarmos e de abrirmos o coração aos desafios de Deus?
- O leproso, apesar da proibição de Jesus, “começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”. Marcos sugere, desta forma, que o encontro com Jesus transforma de tal forma a vida da pessoa que ela não pode calar a alegria pela novidade que Cristo introduziu na sua vida e tem de dar testemunho. Somos capazes de testemunhar, no meio dos nossos irmãos, a libertação que Cristo nos trouxe?
PALAVRA DE VIDA.
“A Deus nada é impossível”, diz o anjo a Maria. É verdade, Deus pode criar, pode salvar, pode santificar… Jesus pode curar os doentes que encontra, mas espera uma palavra de confiança: “Se queres!” O homem submete-se, então, à sua vontade. Diante desta confiança do doente, Jesus tem piedade, porque vê que ele se abandona nas suas mãos para ser recriado, levantado, salvo, purificado. Deus deixa-Se tocar pelo ser humano, sua criatura, quando esta se deixa remodelar por Ele, do mesmo modo que se deixa modelar na manhã da criação. Jesus recomenda para não dizer nada a ninguém, porque não quer aparecer como um taumaturgo que manifesta o sensacional, mas como Aquele que é sinal da parte de Deus. Um único grito toca-O: “Se Tu queres, podes!” Oxalá que as nossas orações de pedido começassem todas com a expressão da nossa submissão à vontade de Deus!…
À ESCUTA DA PALAVRA.
Ele toma o nosso lugar… A maldição que atingia os leprosos era total: mortos vivos, excluídos dos lugares habitados, proibidos do Templo e da sinagoga, impuros aos olhos dos homens mas, sobretudo, de Deus. Um deles quebra os interditos e aproxima-se de Jesus que, perturbado até às entranhas, ousa um gesto impensável: estende a mão e toca o infeliz, tornando-se Ele mesmo, imediatamente, impuro. Passa-se, então, algo de extraordinário. Realiza-se a palavra do salmista: “Senhor, viste o mal e o sofrimento, toma-os na tua mão”. Jesus toma nas suas mãos o mal e o sofrimento deste homem. Tira-o da sua lepra, liberta-o da sua exclusão, de toda a impureza. O leproso pode reencontrar a companhia dos outros e de Deus. Mas então, é Jesus que “não podia entrar abertamente numa cidade. Era obrigado a evitar os lugares habitados”. Certamente que era para se proteger da multidão… Mas, de facto, é como se Jesus tivesse tomado o lugar do leproso. Jesus, o bem amado do Pai, toma sobre Ele as nossas faltas e os nossos sofrimentos, Ele toma o nosso lugar para absorver na sua pessoa e no amor do Pai todas as nossas misérias. E, ao mesmo tempo, encontramos toda a nossa dignidade de homens e de mulheres livres, de pé, capazes de entrar de novo em relação uns com os outros e, sobretudo, de nos aproximarmos de novo de Deus, sem qualquer medo. 
A SEMANA QUE SE SEGUE…
Para a glória de Deus… em família. Que tudo sirva para a glória de Deus! E se, em família, tirássemos tempo para dar glória a Deus? Por exemplo, sobretudo se há filhos jovens, pode-se fazer um “poster para a glória de Deus”: um poster bonito (desenhos, fotos…) que mostre tudo o que, juntos em família, vemos de belo e que é motivo para dar glória a Deus.
e/ou no vídeo AQUI.

Cristo e a sua esposa perdoam os pecados
A prerrogativa de receber a confissão dos pecados e o poder de perdoar os pecados pertencem exclusivamente a Deus. É a Ele que devemos confessar os nossos pecados e dele que podemos esperar o perdão. Uma vez que só Ele tem o poder de perdoar os pecados, é a Ele que devemos confessar-nos.
Quando o Todo-Poderoso, o Altíssimo, desposou uma noiva fraca e de baixa condição, fez dessa serva uma rainha [...]. E, assim como tudo o que pertence ao Pai pertence também ao Filho, porque por natureza são um só, assim também o noivo deu tudo o que tinha à noiva e partilhou tudo o que era dela. [...]
Deste modo, o noivo é um só com o Pai e um só com a noiva. Tudo o que encontrou na noiva que fosse alheio à sua própria natureza, tirou-lho e pregou-o na sua cruz, quando carregou os seus pecados e os destruiu no madeiro. Recebeu dela e revestiu-se do que era dela por natureza e deu-lhe o que lhe pertencia como Deus. [...]
Partilhando a fraqueza da noiva, o noivo fez seus os gritos de angústia da sua noiva, e deu-lhe tudo o que era divino: a honra de receber a confissão e o poder de perdoar os pecados. É essa a razão das palavras de Cristo: «Vai mostrar-te ao sacerdote».
Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense, Sermão 11, 6-13; PL 194, 1728A-1729C

sábado, 10 de fevereiro de 2024

(in)PRENSA semanal (3-02-2024 a 9-02-2024): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão



Como tratar da sua dor nas costas? A OMS responde
Há uma língua que tem menos de 150 palavras
Cabos submarinos de Internet podem ser os próximos alvos dos rebeldes huthis
Frutas e legumes 70% mais caros nos supermercados do que nas feiras
Salgado usou amnistia fiscal para regularizar 34 milhões do “saco azul” do GES
Itália vai comandar missão europeia defensiva no Mar Vermelho
PJ investiga tentativa de matar comissário que prendeu o líder dos Super Dragões
Miguel Albuquerque paga 99 euros de IMI por casa milionária junto à praia
Da PAC à ajuda à Ucrânia
Abriu-se uma Caixa de Pandora no cérebro
Catalunha e Espanha
Se houvesse uma guerra nuclear, as algas marinhas salvariam os sobreviventes
Executivos da Meta avisam: Zuckerberg pode morrer a qualquer instante
Legislativas 2024: todos os debates
A IA está cada vez mais violenta (com tendência para os ataques nucleares)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

MÚSICA&FILME/CINEMA: De Bob Marley a Amy Winehouse: as mais aguardadas ‘biopics’ musicais de 2024 (e mais além)

2024 será sinónimo de música no cinema, com estreias marcadas de filmes sobre a história, os maiores feitos e as desventuras de grandes vultos da música – é o caso de Bob Marley, já em fevereiro, ou Amy Winehouse, em abril. No resto do ano, podemos esperar retratos de Bob Dylan (com Timothée Chalamet) e Maria Callas (recriada por Angelina Jolie) e Michael Jackson está ‘prometido’ para o ano que vem. Mas ainda há mais: encontrará aqui tudo o que já sabemos sobre as ‘biopics’ mais esperadas



Outras músicas no cinema: está quase a chegar “Bob Marley: One Love”, a ‘biopic’ do rei do reggae. Quem é o ator Kingsley Ben-Adir e como é que se transformou em Marley? A resposta está aqui. Fique também com duas playlists para acompanhar a contagem decrescente até 14 de fevereiro, Dia dos Namorados, dia de “One Love”: uma de combateoutra pacífica e amorosa.

Mas quem era realmente o rei do reggae? A resposta ao alcance de um clique AQUI,

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

FILME&CINEMA: “Bob Marley: One Love”

A vida de Bob Marley AQUI. chega ao cinema em fevereiro. O ‘biopic’ oficial da lenda do reggae conta com produção de Brad Pitt e de familiares do músico jamaicano, que morreu em 1981. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

LIVRO&LEITURA: “A Jornada”

“A Jornada” é o livro que o fotógrafo Rui Ochoa lança esta segunda-feira e que reúne mais de uma centena de imagens que tirou durante a Jornada Mundial da Juventude e a visita do Papa Francisco. Em entrevista à Renascença, o fotógrafo do Presidente da República explica que foi um observador privilegiado. Foi em Fátima que registou a fotografia que mais gosta do Papa. Para saber mais clicar AQUI.

 

domingo, 4 de fevereiro de 2024

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
10. Os 8 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  
11.  Os 11 conselhos para viver a Missa mais profundamente AQUI.
12. Papa Francisco pede aos padres: façam homilias mais curtas AQUI.
13A atenção daqueles que estão ao serviço da Palavra que devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam. . . É assim que procedem aqueles a quem a Igreja confia o serviço da Palavra? (Dehonianos, 20 Outubro 2019)
14. Porquê a Missa? Por esta razão AQUI.

Então:

Tema do 5.º Domingo do Tempo Comum - Ano B

A liturgia do 5.º Domingo do Tempo Comum coloca-nos face a questões que, desde sempre, inquietaram os seres humanos: qual o sentido do sofrimento e da dor que acompanham a caminhada do homem pela terra? Qual a “posição” de Deus face aos dramas que marcam a nossa existência? A Palavra de Deus que hoje escutamos não tem respostas absolutas para estas questões; mas deixa-nos uma certeza fundamental: o projeto que Deus tem para nós não é um projeto de morte, mas é um projeto de felicidade e de vida sem fim.

Na primeira leitura, um crente chamado Job comenta, com amargura e desilusão, o facto de a sua vida estar marcada por um sofrimento atroz e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que a sua existência decorre… Apesar disso, é a Deus que Job se dirige, pois sabe que Deus é a sua única esperança e que fora d’Ele não há possibilidade de salvação.

No Evangelho manifesta-se a eterna preocupação de Deus com a felicidade dos seus filhos. Na ação libertadora de Jesus em favor dos homens, começa a manifestar-se esse mundo novo sem sofrimento, sem opressão, sem exclusão que Deus sonhou para os seus filhos e filhas. O texto sugere, ainda, que a ação de Jesus tem de ser continuada pelos seus discípulos.

Na segunda leitura, Paulo de Tarso revela aos coríntios – e aos crentes de todas as épocas e lugares – que o amor é o princípio fundamental que guia cada um dos seus passos. Foi por amor que ele se fez servidor do Evangelho, sem exigir nada de ninguém. É de acordo com este princípio que os discípulos de Jesus devem viver.

EVANGELHOMarcos 1,29-39

Naquele tempo,

Jesus saiu da sinagoga

e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André.

A sogra de Simão estava de cama com febre

e logo Lhe falaram dela.

Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a.

A febre deixou-a e ela começou a servi-los.

Ao cair da tarde, já depois do sol-posto,

trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos

e a cidade inteira ficou reunida diante da porta.

Jesus curou muitas pessoas,

que eram atormentadas por várias doenças,

e expulsou muitos demónios.

Mas não deixava que os demónios falassem,

porque sabiam qual Ele era.

De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu.

Retirou-Se para um sítio ermo

e aí começou a orar.

Simão e os companheiros foram à procura d’Ele

e, quando O encontraram, disseram-Lhe:

«Todos Te procuram».

Ele respondeu-lhes:

«Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas,

a fim de pregar aí também,

porque foi para isso que Eu vim».

E foi por toda a Galileia,

pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.

CONTEXTO

Estamos na primeira parte (cf. Mc 1,14-8,30) do Evangelho segundo Marcos. Nesta parte, Jesus é apresentado como o Messias que proclama o “Reino de Deus”. No texto do Evangelho que escutamos no passado domingo (Mc 1,21-28), Marcos tinha-nos levado até à sinagoga de Cafarnaum, num sábado de manhã, para testemunharmos como Jesus curou “um homem com um espírito impuro”, deixando as pessoas presentes a questionar-se sobre a origem da sua autoridade. Agora Marcos propõe-se descrever o seguimento desse dia (Mc 1,29-39). Convida-nos, antes de mais, a acompanhar Jesus até à casa de Pedro onde está preparada, para Ele, a refeição de sábado. A casa de Pedro ficava a uns 40 metros da sinagoga de Cafarnaum, segundo os dados arqueológicos. Mas, na “agenda” de Jesus para esse dia, ainda havia mais um “compromisso”: já ao anoitecer, Ele encontra-se com “a cidade inteira”, reunida “à porta” da “casa de Pedro”. Estes diversos quadros fazem parte do que se convencionou chamar “a jornada de Cafarnaum” (Mc 1,21-39): é a descrição de um dia típico de Jesus, no cumprimento da missão que o Pai lhe confiou.

MENSAGEM

Entremos com Jesus na “casa de Pedro e André. Connosco vão, também, Tiago e João. É, portanto, uma casa cheia de discípulos. Está lá, ainda, a sogra de Pedro: ela pertence àquela casa. É uma casa de família e aqueles que estão lá dentro são a família de Jesus (cf. Mc 3,35: “aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”). Pedro ocupa, nesta casa, um lugar de referência. Ora, um dos membros daquela família – a sogra de Pedro – está numa situação de debilidade (vers. 30: “estava de cama com febre”); mas Jesus, que veio para dar vida, aproxima-se dela e cura-a (vers. 31). O episódio é descrito com simplicidade e sobriedade, sem gestos teatrais desnecessários. Três pormenores sobressaem na descrição (vers. 31). O primeiro é a indicação de que Jesus “aproximou-Se” da mulher doente. Naturalmente, a iniciativa de Se aproximar de quem está prisioneiro do sofrimento, da doença, da opressão, é sempre de Jesus. Ele toma a iniciativa, pois a missão que recebeu do Pai consiste em realizar a libertação do homem de tudo aquilo que o faz sofrer e lhe rouba a vida. O segundo é a indicação de que Jesus tomou a doente pela mão e “levantou-a”. O verbo utilizado pelo evangelista (o verbo grego “egueirô” – “levantar”) aparece frequentemente em contextos de “ressurreição” (cf. Mc 5,41;6,14.16;9,27;12,26;14,28;16,6). A mulher está prostrada pelo sofrimento que lhe limita a possibilidade de viver plenamente; mas o contacto com Jesus devolve-lhe a vida e equivale a uma ressurreição. O terceiro é a indicação de que a mulher “começou a servi-los”. O efeito imediato do contacto com Jesus e do dinamismo de vida que d’Ele brota é a atividade que se concretiza no serviço dos irmãos.

No final desse dia, Marcos convida-nos a acompanhar Jesus até à porta da casa. Está ali reunida “a cidade inteira”. O sol já se pôs, as trevas mergulharam toda aquela gente numa escuridão sem esperança. Só Jesus, no seu papel de Messias libertador, é capaz de lhes devolver a luz. “Jesus” – diz Marcos – “curou muitas pessoas que eram atormentadas por várias doenças e expulsou muitos demónios” (vers. 32-34). Aqueles enfermos e os possessos do demónio representam, aqui, todos aqueles que estão privados de vida, que estão prisioneiros do sofrimento, da injustiça, do egoísmo, do pecado. O evangelista convida-nos a ver em Jesus Aquele que tem poder para libertar o homem das suas misérias mais profundas e para lhe oferecer uma vida nova, uma vida livre e feliz.

A “casa de Simão Pedro” (onde Jesus atua e diante da qual se reúne “toda a cidade” à procura da libertação que Jesus veio oferecer) pode ser – nesta catequese que Marcos nos propõe – uma representação da Igreja. É aí que Jesus oferece à “família de Pedro” (isto é, à sua comunidade) vida em abundância. Nesse espaço familiar, Jesus aproxima-Se dos homens, liberta-os do sofrimento que escraviza e aliena, dá-lhes vida definitiva e capacita-os para o serviço dos irmãos. A multidão que se reúne à porta da casa de Pedro representa, provavelmente, essa humanidade que busca a libertação e a vida verdadeira e que, dia a dia, olha ansiosamente para a “casa de Pedro” (a Igreja) à procura de Jesus e da sua proposta libertadora.

No quadro final (vers. 35-38), antes de dar por concluída esta jornada, Marcos ainda nos convida a olhar para Jesus, retirado num lugar solitário, em oração. A oração, o tempo para o encontro e para o diálogo com o Pai, não podia faltar num dia típico de Jesus. A oração é, para Jesus, o cume e a fonte da ação. Dessa forma, a oração aparece, também, como condição para o surgimento do “Reino”. É na oração que Jesus encontra a motivação para a sua ação em prol do “Reino”; é na oração que Jesus encontra a força para se libertar da tentação da popularidade fácil e para centrar, de novo, a sua atenção em Deus e no seu projeto. O encontro a sós com Deus não é uma alienação, uma fuga dos problemas do mundo, mas é um momento de comunhão com Deus que nos ajuda a perceber os projetos e planos que Deus tem para o mundo. A oração torna-se, assim, o ponto de partida para o nosso compromisso com a transformação do mundo. Alimentado pelo diálogo com o Pai, Jesus pode agora retomar a missão e partir ao encontro das “povoações vizinhas” a propor, em palavras e em gestos libertadores, a Boa Notícia do Reino de Deus (vers. 38-39). Não irá sozinho (“vamos”): a missão de anunciar a libertação (vers. 38-39) também diz respeito a esses discípulos que estiveram com Jesus na “casa de Pedro”, aos de ontem, aos de hoje, aos de sempre.

INTERPELAÇÕES

A presença de Jesus na nossa história, as suas palavras e os seus gestos libertadores atestam, até ao infinito, a preocupação de Deus com a vida e a felicidade dos seus filhos. É verdade: os dias de Jesus foram preenchidos, de fio a pavio, com a luta contra tudo aquilo que destrói e desumaniza os filhos e filhas de Deus. Deus sonhou, para nós, um mundo de onde estão ausentes o sofrimento, a maldição e a exclusão, e onde cada pessoa tem acesso à vida verdadeira, à felicidade definitiva, à salvação. Talvez nem sempre entendamos o sentido do sofrimento que nos espera em cada esquina da vida; talvez nem sempre sejam claros, para nós, os caminhos por onde se desenrolam os projetos de Deus… Mas Jesus veio garantir-nos absolutamente o empenho de Deus na felicidade e na libertação do homem. Resta-nos confiar em Deus e entregarmo-nos ao seu amor. É essa a perspetiva que nós, discípulos de Jesus, temos de Deus e do seu projeto salvador?

O encontro com Jesus e com o “Reino” é sempre uma experiência libertadora. Pedro, André, Tiago e João fizeram essa experiência. Aceitar o convite de Jesus para O seguir e para se tornar “discípulo” significa a rutura com as cadeias de egoísmo, de orgulho, de comodismo, de autossuficiência, de injustiça, de pecado que impedem a nossa felicidade e que geram sofrimento, opressão e morte nas nossas vidas e nas vidas dos nossos irmãos. Quem se encontra com Jesus, escuta e acolhe a sua mensagem, assume o compromisso de conduzir a sua vida pelos valores do Evangelho e passa a viver no amor, no perdão, na tolerância, no serviço aos irmãos. Na perspetiva da catequese que o Evangelho de hoje nos apresenta, é um “levantar-se”, um ressuscitar para uma vida nova e eterna. Nós que nos encontramos com Jesus e decidimos segui-l’O, temos procurado viver e testemunhar os valores do Reino?

O exemplo da sogra de Pedro que, depois de ter sido curada da sua enfermidade, “começou a servir” os que estavam na casa, lembra-nos que do encontro libertador com Jesus deve resultar o compromisso com a libertação dos nossos irmãos. Quem encontra Jesus e aceita inserir-se na dinâmica do “Reino” compromete-se com a transformação do mundo: com generosidade, põe-se ao serviço dos irmãos frágeis, necessitados, abandonados, perseguidos e leva-lhes a ternura e a bondade de Deus em gestos concretos de amor e cuidado. Os nossos gestos são sinais da vida de Deus para os irmãos que caminham ao nosso lado?

O encontro com Jesus e com o “Reino” é sempre uma experiência libertadora. Pedro, André, Tiago e João fizeram essa experiência. Aceitar o convite de Jesus para O seguir e para se tornar “discípulo” significa a rutura com as cadeias de egoísmo, de orgulho, de comodismo, de autossuficiência, de injustiça, de pecado que impedem a nossa felicidade e que geram sofrimento, opressão e morte nas nossas vidas e nas vidas dos nossos irmãos. Quem se encontra com Jesus, escuta e acolhe a sua mensagem, assume o compromisso de conduzir a sua vida pelos valores do Evangelho e passa a viver no amor, no perdão, na tolerância, no serviço aos irmãos. Na perspetiva da catequese que o Evangelho de hoje nos apresenta, é um “levantar-se”, um ressuscitar para uma vida nova e eterna. Nós que nos encontramos com Jesus e decidimos segui-l’O, temos procurado viver e testemunhar os valores do Reino?

O exemplo da sogra de Pedro que, depois de ter sido curada da sua enfermidade, “começou a servir” os que estavam na casa, lembra-nos que do encontro libertador com Jesus deve resultar o compromisso com a libertação dos nossos irmãos. Quem encontra Jesus e aceita inserir-se na dinâmica do “Reino” compromete-se com a transformação do mundo: com generosidade, põe-se ao serviço dos irmãos frágeis, necessitados, abandonados, perseguidos e leva-lhes a ternura e a bondade de Deus em gestos concretos de amor e cuidado. Os nossos gestos são sinais da vida de Deus para os irmãos que caminham ao nosso lado?

PALAVRA DE VIDA.

O Evangelho de hoje resume a missão de Jesus: Ele veio para levantar os homens feridos no seu corpo e no seu espírito. Se pegou na mão da sogra de Pedro, quis atingir a mão de tantos estropiados da vida que se apressavam no seu caminho. Ele veio, com o seu exemplo, dizer-nos que somos chamados a entrar em relação com Deus: “A glória de Deus é o homem vivo, a vida do homem é a visão de Deus»”, dizia S. Ireneu. Se Jesus Se retira para um lugar deserto, não é para fugir do mundo, mas para falar do mundo a seu Pai. Ele proclama a Boa Nova. Ora, qual é esta Boa Nova senão a libertação da humanidade e a glória de Deus? Não é um exemplo que Jesus nos dá: estender as mãos aos nossos irmãos em humanidade e, ao mesmo tempo, erguer os olhos para Deus na oração? Missão e contemplação não se opõem, pelo contrário completam-se e enriquecem-se mutuamente.

À ESCUTA DA PALAVRA.

Rezar não é perder tempo… “Todos Te procuram”. Há uma espécie de reprimenda nas palavras dos apóstolos. É verdade: há tantos doentes a curar, o sofrimento é um oceano inesgotável! Então, porque Se retira Jesus para um lugar deserto para rezar? Face às urgências do momento, não deveria ficar no meio dos pobres para os aliviar? Porém… As curas corporais, por mais importantes que sejam, têm apenas um tempo. Todos os miraculados de Jesus são mortos! Então Jesus quer fazer compreender que os seus milagres são sinais que apontam para outra realidade, infinitamente mais importante: a sua vitória sobre o único mal que pode verdadeiramente matar os homens, o pecado, a recusa do amor. É para isso que o seu Pai O enviou. Jesus deve, pois, alimentar-Se desta vontade do Pai, para a cumprir até ao fim. Passar tempo a rezar não é perder o seu tempo. Pelo contrário, é deixar a vontade do seu Pai invadi-l’O cada vez mais. É isso que Jesus quer fazer compreender aos discípulos de então e de hoje: é preciso que também eles se enraízem cada vez mais profundamente neste amor do Pai. Então poderemos tornar-nos testemunhas eficazes deste amor, que se transbordará, sem dúvida, no serviço muito concreto aos pobres e aos doentes, e que abrirá perspetivas sobre o nosso verdadeiro destino: a vida eterna junto do Pai.

FONTE https://www.dehonianos.org/portal/05o-domingo-do-tempo-comum-ano-b/

e/ou no vídeo AQUI.


«Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a»

É muito bom lermos o que se conta sobre a sogra de São Pedro no Evangelho. Esta boa mulher, sofrendo de uma doença grave, ouvira dizer que o Senhor estava em Cafarnaum e que fazia grandes milagres: curava os doentes, expulsava o demónio dos possessos e outras maravilhas. Ela sabia que o genro acompanhava o Filho de Deus e podia ter dito a São Pedro: «Meu filho, o teu mestre é poderoso e tem o poder de me curar desta doença». Algum tempo depois, eis que o Senhor foi a sua casa. Mas ela não mostrou impaciência com a sua doença; não se queixou nem intercedeu junto do genro ou do Senhor, a quem podia ter dito: «Sei que tens o poder de curar todo o tipo de doenças, Senhor; tem compaixão de mim». No entanto não proferiu tais palavras. O Senhor, vendo a sua quietude, ordenou à febre que a deixasse e, nesse mesmo instante, ela ficou curada.

Não nos lamentemos de todas as coisas más que nos acontecem, mas entreguemos tudo à Providência; basta-nos saber que o Senhor nos vê e sabe o que suportamos, por seu amor e para imitar os bons exemplos que Ele nos deu, em particular no Jardim das Oliveiras, quando aceitou o cálice. [...] Porque, embora tivesse pedido que, se fosse possível, ele passasse sem que Ele o bebesse, logo acrescentou que se fizesse a vontade de seu Pai (cf Mt 26,42).

São Vicente de Paulo (1581-1660), presbítero, fundador de comunidades religiosas, Instrução de 16/08/1656 a duas irmãs enviadas a Arras


sábado, 3 de fevereiro de 2024

(in)PRENSA semanal (27-01-2024 a 2-02-2024): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENS Asemanal: a minha selecção!" que aí virão.




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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

HISTÓRIA: “É necessário conhecer o passado para compreender o presente e modificar o futuro.”

De quem será esta máxima bem assertiva? Dica: trata-se de um filósofo do século XVIII, nascido alemão, idolatrado por muitos e muitos. Mais ontem do que hoje. Mas indo directo ao assunto que me interessa tratar e partilhar:

Quem quiser e estiver verdadeiramente interessado em compreender o presente conflito Israel x Hamas, do muito que tenho lido&acompanhado, logo quanto mim, a condição necessária e mais do que suficiente, o tudo, o bastante, é ler duas excelentes, porque bem claras, elucidativas, inteligíveis e exaustivas peças. Como busílis da questão, a causa da cousa, atacar a raiz do mal, da doença, do problema, afinal de contas o que mais conta, passe a eventual redundância, ei-las AQUI e AQUI

Como diria o meu amigo Joselito "Después de leer, qué tal"? Tal, como se pode ler, lembrar e saber, fica bem rematar inferindo/deduzindo o muito que se segue:
- " Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem" - trecho do poema "Sobre a violência" de Bertolt Brecht;
- "Virou-se o feitiço contra o feiticeiro";
- "Cá se faz, cá se paga"; 
- "Não há efeito sem causa", o mesmo é dizer "Causa e consequência", o dito Karma, termo originado nas religiões budista, hinduísta e jainista, posteriormente adoptado pelo espiritismo; 
- "Beber do próprio veneno";
- "Quem não se sente, não é filho de boa gente";
- "O tiro saiu pela culatra"
- "Pior emenda que o soneto";
- “O Homem é o Homem e as suas circunstâncias”, dizia , . O que é o Homem? Quais as circunstâncias em que se encontra? De que forma é que estas o moldam e/ou condicionam?
- "Pagar na mesma moeda";
- "Olho por olho, dente por dente" ou "pena de talião" (Na Bíblia, Antigo Testamento, Êxodo 21:24 ou ainda no Código de Hamurabi). No entanto e ainda da Bíblia, Novo testamento,  Mateus 5: 38-39, pode e deve ler-se o que Jesus disse: "Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, lhes digo: Não se vinguem dos que lhes fazem mal. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também.". Muitos anos mais tarde, Gandhi afirmou: "Olho por olho e o mundo acabará cego". Ora com estas afirmações, Jesus e Gandhi, dois grandes apóstolos da não violência, estavam evidentemente a revelar, a evidenciar e a divulgar a importância do perdão e da não-violência, porque a vingança corrói e cega o ser humano. É difícil? Não, dificílimo. Então a de " Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também"... Contudo não impossível! Se não, atente-se neste outro grande apóstolo AQUI onde se pode ler o seguinte:
"Um dia, um indivíduo sentindo-se importunado, deu-lhe um soco. “Este é para mim — foi a resposta sorridente do santo — agora me dê algum dinheiro para os meus meninos”.

Dá que pensar, mas há que pensar! "A cabeça não é só para criar piolhos" - dizia um professor meu de má memória, a regra no antigamente (Contudo, sem ironia, mas sincera e sentidamente " Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso. Entre os esplendores da luz perpétua. Descanse em paz. Ámen "). Com NIX + champô contra eles marchar marchar!

Finalmente e porque vem bem a propósito, recordo ou faço saber este outro AQUI e um dos seus muitos pensamentos e conselhos: "Nesta época de desmoronamento geral, de transigências e de desânimos, ou de libertinagem e anarquia, parece-me ainda mais atual aquela simples e profunda convicção que, nos começos do meu trabalho sacerdotal e sempre, me consumiu em desejos de comunicar à humanidade inteira: Estas crises mundiais são crises de santos.(...)". Pois são! - acrescento eu.