Esta foi a semana em que o Governo saltou do desvio colossal para a asneira colossal. Deixar nomear um pacote de nomes ligados ao PSD e ao CDS para lugares super bem pagos, quando se ameaça pedir ainda mais austeridade aos portugueses, é um erro político de palmatória. Obrigar os ministros a voarem em económica passou a ser uma banda desenhada.
12-01-2012 8:52 por Ângela Silva
Pedro Passos Coelho tem estado calado e ainda não disse de sua justiça sobre as polémicas que, subitamente, lhe começaram a manchar a folha de serviço. Primeiro, é de mau gosto o austero ministro das Finanças permitir que o país saiba por uma fuga de informação para um jornal que o défice vai voltar a derrapar. Vítor Gaspar foi confuso nas explicações e o cidadão comum terá retido apenas duas coisas: voltámos a falhar nas contas e o mais certo é vir aí mais castigo.
A notícia já não era boa, mas, a par do regabofe das nomeações, choca mais. O Estado – que Passos Coelho sempre disse querer ver fora dos negócios, das empresas e dos tachos – deixou, sem piar, que um pacote de notáveis do PSD e do CDS ascendesse aos mais altos cargos da EDP e das Águas de Portugal. Dizem que o Governo não foi tido nem achado. É tão inverosímil que não se acredita. Mas, se fosse verdade, ainda era pior: só um primeiro-ministro muito ingénuo, cansado ou alheado permitiria que a dança das cadeiras na última jóia da coroa vendida pelo Governo se passasse à sua margem. As trapalhadas com a maçonaria, as secretas e os conluios entre maçons, deputados e espiões já parecem o menos. A perda de credibilidade do discurso do primeiro-ministro, essa sim, é preocupante se não for travada a fundo. E isso exige que Passos fale.
Ser fiável não foi importante na ascensão de Pedro Passos Coelho ao poder, só por fazer o contraponto com Sócrates. Ser fiável é vital para conseguir impor, com legitimidade reforçada, reformas e mudanças duras, há anos adiadas no país.
Esta semana, o Governo cheirou a mais do mesmo. E ser mais do mesmo, em tempo de vacas magras, é uma asneira colossal.
A notícia já não era boa, mas, a par do regabofe das nomeações, choca mais. O Estado – que Passos Coelho sempre disse querer ver fora dos negócios, das empresas e dos tachos – deixou, sem piar, que um pacote de notáveis do PSD e do CDS ascendesse aos mais altos cargos da EDP e das Águas de Portugal. Dizem que o Governo não foi tido nem achado. É tão inverosímil que não se acredita. Mas, se fosse verdade, ainda era pior: só um primeiro-ministro muito ingénuo, cansado ou alheado permitiria que a dança das cadeiras na última jóia da coroa vendida pelo Governo se passasse à sua margem. As trapalhadas com a maçonaria, as secretas e os conluios entre maçons, deputados e espiões já parecem o menos. A perda de credibilidade do discurso do primeiro-ministro, essa sim, é preocupante se não for travada a fundo. E isso exige que Passos fale.
Ser fiável não foi importante na ascensão de Pedro Passos Coelho ao poder, só por fazer o contraponto com Sócrates. Ser fiável é vital para conseguir impor, com legitimidade reforçada, reformas e mudanças duras, há anos adiadas no país.
Esta semana, o Governo cheirou a mais do mesmo. E ser mais do mesmo, em tempo de vacas magras, é uma asneira colossal.
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