"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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sábado, 9 de maio de 2020

inPRENSA semanal (de 2 a 8-05-2020): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.  

Covid-19 pode afetar de forma particular os pulmões de futebolistas e atletas de alta competição
2020 vai ser do turismo nacional mas há esperança de mais "qualquer coisa"
Covid-19: Bolsonaro diz que esforços contra pandemia são inúteis
Europa entra em modo defensivo com medo dos compradores da China e EUA
Covid-19: Amazonas pede ajuda a António Costa
Brasil. Ex-ministro da Justiça mostra mensagens para provar que Bolsonaro interferiu na polícia
Bolsonaro participa em manifestação que pede desconfinamento e intervenção militar
EUA garantem ter provas de que o Covid-19 foi criado em laboratório
DGS deixa alertas e conselhos para utilização de máscaras comunitárias
Dois meses de Covid-19. O filme da pandemia em Portugal
Saiba o que muda e aquilo com que pode contar a partir desta segunda-feira
Criado desinfetante capaz de manter superfícies livres de vírus “durante meses”
Quase todos os pacientes que precisaram de ventilador em Nova Iorque morreram
Rússia com mais de 10.000 novos casos. Putin está isolado e há ministros infetados
Como está Portugal com dois meses de surto? Depois do desconfinamento “o medo vai dominar" 
Segurança privada. “Poderia ser útil” reforçar poderes desta linha da frente
Máscaras ou viseiras? Ordem e escolas médicas querem mudança na lei
Marcelo promulga redução do IVA na compra de máscaras e gel desinfetante
Investigação holandesa identifica anticorpo que pode curar a Covid-19
e
"Igreja tem mais juízo do que a CGTP", diz Rui Rio
Paróquia do Porto distribuiu mais de 15 mil refeições
Como 16 juizes alemães ameaçam o programa de compra de dívida do BCE
Goldman Sachs e Morgan Stanley já veem sinais de recuperação global
Três médicos caíram misteriosamente de janelas de hospitais na Rússia
Covid-19: Israel anuncia descoberta de anticorpo para o coronavírus
Economia e sociedade, depois do vírus
Efeitos secundários da covid
Um aluno por secretária, horários desfasados e intervalos dentro da sala. As regras para o regresso às aulas
Hackers que atacaram EDP divulgaram documentos da empresa na dark web
O cowboy que “monta o vírus” contra o “lobo combatente”. EUA e China a sacudir água do capote
É recorde. Portugal não usa carvão para produzir eletricidade há 52 dias
Economia ou morte? Trump escolheu a primeira. "Se algumas pessoas vão ser afetadas? Sim. Mas temos de reabrir o país"
Custo humano tem de ser levado em conta no desconfinamento, diz governador de Nova Iorque
Cientista norte-americano diz que foi demitido por alertar sobre medicamento
Bento XVI: “Não há dois Papas. Sou como um bispo na reforma”
Mais pandemias podem surgir. E parte do segredo está nas florestas
Máscaras produzidas em Portugal, cumprindo as normas de segurança e pensadas para vários estilos. Um guia para saber como e onde comprar
Como acelerar a recuperação do turismo até acabar a pandemia
OMS. “Risco de voltarmos ao confinamento é muito real”
"Não a um regresso à normalidade". De Madonna a De Niro, o apelo de 200 artistas e cientistas aos líderes mundiais
OMS acredita que novo coronavírus já circulava em França em dezembro
Portugal detetou 150 mutações no novo coronavírus. “É tempo de procurarmos respostas”
Os alemães e as saudades do marco
O exercício em tempos de covid-19. Chegam os dois metros de distanciamento? Deve usar máscara? E porque estão fechadas as piscinas?
Produção de álcool-gel faz “esfregar mãos” de Alcanena a Guimarães
O BCE e a sua némesis
Investigação portuguesa pode contribuir para vacina contra a Covid-19
Madonna recuperou da Covid e doa um milhão de euros para investigação de vacina
 Covid-19. Áustria anuncia resultados encorajadores em tratamentos com plasma
“Enquanto houver Covid-19 nada será como antes”, alerta diretor clínico do Pedro Hispano
Porque é que devemos ver já os nossos pais e avós
As crises e a União
97% curados, dois novos casos numa semana. Islândia prestes a eliminar a covid-19

terça-feira, 9 de abril de 2019

LIVRO&LEITURA: “Nos passos de Etty Hillesum”

Atualizar o percurso espiritual da judia holandesa Etty Hillesum, morta no campo de concentração de Auschwitz, em 1943, com 29 anos, e evocar visualmente alguns dos lugares da sua vida, são os propósitos do livro “Nos passos de Etty Hillesum”, de Filipe Condado, com prefácio do arcebispo D. José Tolentino Mendonça. «O livro poderá ser visto como o conjunto de dois percursos que tanto se fundem como podem viver de uma forma autónoma: por um lado, o percurso espiritual de Etty, construído a partir de fragmentos que seleccionei dos seus livros, “Diário” e “Cartas”; por outro, um registo fotográfico, também de minha autoria, dos “lugares” da sua vida», explica o autor. Para saber mais clicar AQUI e AQUI.

Luís Miguel Cintra lê Etty Hillesum AQUI. Maria Rueff lê Etty Hillesum [Vídeo] AQUI.


sábado, 19 de novembro de 2016

inPRENSA semanal: a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.

rancis

Peço perdão aos pobres pelos cristãos que os ignoraram: Papa recebeu pessoas excluídas
Ir à Missa é “remédio para melhorar a saúde física e mental”, assegura cientista de Harvard
O derradeiro alerta de Cassandra
Jorge Sampaio lança apelo contra populismo e "corrida para abismo"
e
Papa alerta "esclerose espiritual" que põe a produção à frente do amor
Pessoas excluídas ocuparam primeiras filas em concerto no Vaticano
Exposição e filme assinalam centenário da morte de Charles de Foucauld
Em vez de insultar conquistem quem votou em Trump
A caminho de uma nova e mais violenta crise
“Este é o momento chave para a Europa se unir e refletir ou acabar de vez”
​Moderar Trump?
"Esperança é a criação do futuro. Não nos esgotamos no presente", diz patriarca
501 vidas salvas em 2015. Serviço de busca e salvamento recebe prémio
"Trump é instável e emocional. O mundo tornou-se imensamente imprevisível"
Expectativas ultrapassadas: Crescimento português acelera para 1,6%
"É por isso que negócios de Londres mudam para Lisboa, incluindo o meu"
Os dissidentes que (ainda) sonham impedir eleição de Trump
Trump e o estado de negação
Crescimento económico
Centeno "reforçado com melhor défice do país dos últimos 42 anos"
Turismo surpreende e põe Portugal a crescer mais do que a Europa
Portugal, a economia mais rápida da moeda única
Uma boa surpresa
A perplexidade
Ventos de "trumpestade"
Papa pediu e Cuba respondeu. Mais de 700 prisioneiros perdoados
Esferovite, garrafas, paletes e sacos. Lixo nas águas portuguesas preocupa investigadores
Talkdesk. A "startup" portuguesa que vale 500 milhões e quer contratar 250 pessoas
Papa apela “à consciência de todos para que as crianças não caiam na escravidão"
Ódio "patológico e irracional" nos Comandos? Exército recusa comentar
O poder de Trump
Sami Naïr. A austeridade matou o projecto europeu e abriu caminho ao populismo
Possíveis consequências da eleição de Trump na ordem mundial
Correia de Campos: Portugal precisa de 900 mil imigrantes para crescer 3%
Polémica das notícias falsas do Facebook já chegou a Barack Obama

quinta-feira, 30 de maio de 2013

POLÍTICA, ECONOMIA e FINANÇAS: Holanda pode provocar o colapso do euro

Solução?
Corrida para a frente….de UE para Federação Europeia!
O abismo não está a montante/à frente...está a jusante/stato quo!
O sistema só funcionará com a União Bancária que deveria ter entrado em vigor…ontem….e com a União Política para amanhã!
Soluções difíceis? Mas por “alma de quem” deveriam ser fáceis?
Um Mercado Interno de 500 milhões a vender/comercializar mercadorias e bens, em euros, nunca pode "colapsar"…é da própria génese da economia de mercado….agora regras básicas únicas a todos o níveis que terão de ser respeitadas pelos 500 milhões de cidadãos….ah isso é a outra face da moeda para ter uma Europa mais justa, menos discriminatória, mais coesa, mais rica e com qualidade de vida e com mais "músculo" para persuadir os outros "blocos geográficos" a seguirem o, "The" - Bom Exemplo!
27 Estados-membros que independentemente de preservarem a sua cultura e línguas nacionais/regionais, se controlam a todos os níveis (social, económica e financeiramente) e ao mesmo tempo se inter-ajudam entre todos, tal qual os Länder dentro da Alemanha Federal, têm forçosamente de trazer mais alegria e felicidade ao cidadão comum europeu...
No século XXI, o da “Global and Integral Village”, uma Federação Europeia em paralelo com uma Federação Americana/USA será o mais natural e um dos novos paradigmas de convivência político no planeta!
No século XVIII os Americanos, á sua escala naquele tempo, tiveram um problema de sobrevivência e estabilidade maior para conseguir triunfar e assim duma Confederação Esclavagista do Sul, duma União Neo-Burguesa e Bem Pensante do Norte e ainda à custa da Nação Primitiva Índia, chegar aos United States of America!!!



A bolha imobiliária estourou, o país está em recessão, o desemprego sobe e a dívida dos consumidores é 250% do rendimento disponível. O grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente começa a provar o amargo da sua própria receita.
Por Matthew Lynn, El Economista
Artigo | 13 Maio, 2013 - 20:57

A Holanda começa a provar o amargo da austeridade que o seu ministro das Finanças quer aplicar em toda a Europa. Foto By Rijksoverheid.nl [CC0], via Wikimedia Commons
Que país da zona euro está mais endividado? Os gregos esbanjadores, com as suas generosas pensões estatais? Os cipriotas e os seus bancos repletos de dinheiro sujo russo? Os espanhóis tocados pela recessão ou os irlandeses em falência? Pois curiosamente são os holandeses sóbrios e responsáveis. A dívida dos consumidores nos Países Baixos atingiu 250% do rendimento disponível e é uma das mais altas do mundo. Como comparação, a Espanha nunca superou os 125%.
A Holanda é um dos países mais endividados do mundo. Está mergulhada na recessão e demonstra poucos sinais de que esteja a sair dela. A crise do euro arrasta-se há três anos e até agora só tinha infetado os países periféricos da moeda única. A Holanda, no entanto, é um membro central tanto da UE quanto do euro. Se não pode sobreviver na zona euro, tudo estará acabado.
O país tem sido sempre um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.
Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais obedecem aos interesses da economia alemã, e muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da moradia na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da moradia caem com a mesma velocidade que na Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Atualmente, os preços são 16,6% mais baixos que no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.
Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afetados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em só dois anos, e em março passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser otimistas. O Governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país sobe nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como que se montou a moeda. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro.
Matthew Lynn é diretor executivo da consultora londrina Strategy Economics.
Jeroen Dijsselbloem

sábado, 7 de janeiro de 2012

A LIÇÃO IRLANDESA

"(...) Depois de três anos em recessão, a Irlanda veio à tona e espera em 2012 um aumento do PIB em 1,6%. Em entrevista à Renascença, o embaixador da Irlanda em Portugal aconselha o país a apostar no turismo, na exportação de produtos tradicionais e na educação.(...)"

Percorram-se os vídeos nos respectivos números do link http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx#acr até se encontrar aquele com esse - "A lição irlandesa"- nome. Clicar e aprenda-se/perceba-se/conheça-se/exija-se/faça-se

A propósito:
O que tem a Holanda que nós não temos
DN de 04 Janeiro 2012

A transferência da sede do Grupo Jerónimo Martins para a Holanda constitui uma verdadeira chamada de atenção para a realidade económica nacional, em termos de falta de competitividade fiscal. É compreensível a indignação daqueles que acusam o capital de ser apátrida, de procurar o máximo proveito, sem um pingo de preocupação pelos superiores interesses do País, num momento de verdadeira emergência nacional. O que mais choca é esse contraste entre o frio pragmatismo do mundo dos negócios, sempre à procura de nova vantagem competitiva adicional, e a onda de sacrifícios fundos que o ajustamento do Orçamento do Estado e dos fatores de produção impõem, e vão continuar a impor, a quem vive (ou viveu) exclusivamente do seu trabalho por conta de outrem.
O capitalismo tem as suas regras de funcionamento, os seus protagonistas e as suas molas propulsoras do investimento, e, através dele, do emprego e do crescimento económico. Não adianta muito chamar-lhe nomes. O que ajuda é compreender em que contexto se situa a economia de Portugal: por mais que a generalidade da população ainda não tenha interiorizado a situação, de facto, o mercado interno de Portugal tem o tamanho do continente europeu. É nesse espaço que se tem de promover a aproximação (para não dizer, a harmonização) fiscal, condição para criar regras menos desiguais em termos de competitividade empresarial.
Esse desiderato, que Merkel e Sarkozy erigem como prioridade para a governação económica da UE, não é de hoje. Há muitos anos que vem sendo posto na sua agenda política, sem êxito. Porque os países mais agressivos, com IRC mais baixo, não abrem mão da sua vantagem relativa. Harmonizar, seria, assim, sinónimo de redução generalizada dos impostos sobre as empresas. Esse caminho está vedado, por razões orçamentais, em Portugal, por vários anos. Quando Passos Coelho afirmou, em entrevista, querer baixar impostos, a partir de 2015, era nisto que ele estava a pensar.
A quase totalidade das 20 empresas cotadas em bolsa no PSI-20 está na mesma situação da Jerónimo Martins - naturalizada holandesa. Esse é mais um espelho implacável, que reflete a distância entre o que somos e o que gostaríamos de ser. E o que podemos agora fazer.

Alexandre Soares dos Santos não deixa de ter razão quando fala em "passividade", "sociedade civil", "avestruz", "exigir":
Presidente do grupo Jerónimo Martins
“Não é destituindo Governos sucessivamente que o país vai lá”
Jornal Público de 09.04.2011 - 10:09 Por Lusa
(...)
O “homem forte” do grupo que detém o Pingo Doce começou por fazer uma “análise” à situação “preocupante” de Portugal.
“O país vai mal”, afirmou e apresentou quatro motivos para a situação de Portugal: “inércia, incompetência, falta de sentido de Estado e passividade da sociedade civil”.
Para Alexandre Soares dos Santos, “a sociedade viu nascer uma crise política, social e financeira mas escondeu a cabeça na areia, como a avestruz”.
Esta “passividade” é sinal, explicou, de “que se tem vindo a perder a noção de ética e do comportamento social responsável”.
Alexandre Soares dos Santos afirmou que o “caminho” passa por “forçar quem de direito a apresentar soluções sérias” (...). No entanto, explicou, “também é tempo de exigir que os impostos cobrados sejam bem aplicados e exigir aos governos que cumpram aquilo que prometem”.
Sobre os partidos políticos, Alexandre Soares dos Santos, afirmou que estes “não representam o país” mas que a “culpa” é da sociedade civil “que não se faz ouvir”.
(...)