"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

LIVRO&LEITURA: "Os Padres da Igreja. Dos Apóstolos a Constantino" e “O tempo é agora – Um chamamento para uma coragem invulgar”

 "Os Padres da Igreja. Dos Apóstolos a Constantino"

«No firmamento brilhou uma estrela maior do que todas as outras! A sua luz era indescritível. A sua novidade causou estranheza. Mas todos os demais astros, incluindo o Sol e a Lua, fizeram coro à Estrela. Esta, porém, ia arremessando a sua luz por sobre todos os demais. Houve, por isso, agitação. Donde lhes viria tão estranha novidade? Desde então, desfez-se toda a magia; suprimiram-se todas as cadeias do mal.» Este é um excerto do novo livro de Isidro Pereira Lamelas, “Os Padres da Igreja. Dos Apóstolos a Constantino”, que insiste na sua missão de oferecer aos leitores contemporâneos o melhor da literatura cristã dos primeiros quatro séculos. Para saber mais clicar AQUI.

“O tempo é agora – Um chamamento para uma coragem invulgar”

«O profeta é a pessoa que diz não a tudo o que não seja Deus. Não ao abuso de mulheres. Não à rejeição do estrangeiro. Não a crimes contra imigrantes. Não aos danos infligidos às árvores. Não à poluição dos céus. Não à contaminação dos oceanos. Não à ignóbil destruição da humanidade em prol de mais riqueza, mais poder e mais controlo nas mãos de um pequeno número. Não à morte.» A espiritualidade profética consiste na «tomada de consciência, da opção, do risco, da transformação. Tem a ver com o abraço à vida, com a busca de integridade, com a aceitação dos outros e com a chamada à cocriação. É uma forma de viver com os olhos bem abertos e os corações cheios de fervor frente à totalidade da vida.» Leia um excerto AQUI.



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

LIVROS&LEITURA: "Os tempos do coração" e “A Misericórdia de Deus – Coração pulsante do Evangelho”

Um coração atento, aberto, em festa, compassivo, em conversão, cósmico, criativo...: são mais de 50 as breves meditações que a religiosa norte-americana Joan Chittister propõe neste novo livro publicado pela Paulinas Editora. «É fácil ser religioso; difícil é ser espiritual. A vida religiosa requer que nós sejamos apenas para o outro; a vida espiritual requer que sejamos compassivos para com o outro.» Para saber mais, clicar AQUI.


A Faculdade de Teologia «promoveu um ciclo de estudos, na forma de encontros mensais, e em regime presencial, com os quais pretendeu promover e aprofundar o diálogo entre a fé e a cultura contemporânea, tendo por pano de fundo a temática da misericórdia, “coração pulsante do Evangelho”, nas suas diversas dimensões bíblicas, teológicas e eclesiológicas». «Da reflexão desenvolvida resultou o conjunto de textos reunidos neste volume.». Para saber mais, clicar AQUI.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

ESPIRITUALIDADE: Espírito orante

O espírito orante é alimentado pela simples consciência de que Deus é. De que Deus está perto de nós em todos os momentos. De que Deus está mais perto de nós do que o ar, o sopro que respiramos. De que Deus está disponível, de que é um silêncio no meio do caos, uma voz no meio da confusão, uma promessa no centro do tumulto.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

ESPIRITUALIDADE: Dizer «obrigado» no último dia do ano

«Se a tua única oração na vida for “obrigado”, isso bastará (Mestre Eckhart)». A gratidão não é apenas uma atitude de louvor, é também o elemento básico de uma verdadeira crença em Deus. Quando inclinamos as nossas cabeças em sinal de gratidão, reconhecemos que as obras de Deus são boas. Reconhecemos que não podemos salvar-nos por nós próprios. Proclamamos que a nossa existência e todas as coisas boas que ela tem, não vêm do nosso expediente, fazem parte da obra de Deus. A gratidão é o aleluia à existência, o louvor que ressoa através do Universo, como um tributo à presença de Deus, constante entre nós, incluindo neste momento.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

ESPIRITUALIDADE: A oração torna-nos mais conscientes do mundo

Usar a religião, ou a oração ou a contemplação ou a procura de Deus, como desculpa para ignorar as necessidades do mundo é uma blasfémia. Nega o próprio Deus, a quem se propõe anunciar. Pratica a idolatria do eu e chama-lhe união com Deus. Torna a imersão na oração mais importante do que os frutos da oração. Esta confusão tão descarada faz, da própria oração, uma farsa.
Aqueles que procuram, verdadeiramente, a Deus tornam-se mais sensíveis ao resto do mundo, porque se tornam, no dia a dia, mais parecidos com o Deus que amam, com o Espírito que lhes dá energia. Eles levam consigo, para que todos vejam, as exortações do Deus que os impele a encontrar o Deus que vive neles e que, ao mesmo tempo, os tira para fora de si próprios.
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segunda-feira, 18 de março de 2013

LEITURA: "O sopro da vida interior"

Falar da vida espiritual é sempre sondar as zonas mais profundas (e por isso também mais reais, mais imperfeitas, mais inacabadas) da nossa alma. A espiritualidade não é uma busca epidérmica e apressada de satisfação. Na maior parte do percurso a pergunta que vale não é “o que me sacia?”, mas “de que ando eu à procura?” e “qual é a minha sede?”. Gosto da maneira como os autores clássicos da vida espiritual falam dela como de uma luta. Na cultura do pronto-a-servir, que em grande medida é a nossa, proliferam os sucedâneos da espiritualidade ministrados como aliciante indução de conforto. Nada mais distante da espiritualidade cristã, que é um livro do desassossego, um mapa de interrogações que não se falsificam nunca, um desafio a viver a autenticidade como caminho. A espiritualidade cristã não é um tráfico de certezas, mas um caminho trilhado na confiança. O próprio Jesus lembra que não veio trazer a paz das aparências, mas a espada que penetra as camadas mais íntimas (Mt 10,34).
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domingo, 17 de março de 2013

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHOJo 8,1-11

Naquele tempo,
Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo,
e todo o povo se aproximou d’Ele.
Então sentou-Se e começou a ensinar.
Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus
uma mulher surpreendida em adultério,
colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus:
«Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério.
Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres.
Tu que dizes?».
Falavam assim para Lhe armarem uma cilada
e terem pretexto para O acusar.
Mas Jesus inclinou-Se
e começou a escrever com o dedo no chão.
Como persistiam em interrogá-l’O,
ergueu-Se e disse-lhes:
«Quem de entre vós estiver sem pecado
atire a primeira pedra».
Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão.
Eles, porém, quando ouviram tais palavras,
foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos,
e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio.
Jesus ergueu-Se e disse-lhe:
«Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?».
Ela respondeu:
«Ninguém, Senhor».
Disse então Jesus:
«Nem Eu te condeno.
Vai e não tornes a pecar».

AMBIENTE
Esta pequena unidade literária não pertencia, inicialmente, ao Evangelho de João: ela rompe o contexto de Jo 7-8, não possui as características do estilo joânico e o seu conteúdo não se encaixa neste Evangelho (que não se interessa por problemas deste género). Além disso, é omitida pela maior parte dos manuscritos antigos; e as referências dos Padres da Igreja a este episódio são muito escassas. Outros manuscritos colocam-no dentro do Evangelho, mas em sítios diversos, por exemplo, no final do mesmo – como fazem algumas versões modernas da Bíblia. Numa série de manuscritos, encontrámo-la no Evangelho de Lucas (após Lc 21,38), que seria um dos lugares mais adequados, dado o interesse de Lucas em destacar a misericórdia de Jesus. Trata-se de uma tradição independente que, no entanto, foi considerada pela Igreja como inspirada por Deus: não há dúvida que deve ser vista como “Palavra de Deus”.
Seja como for, o cenário de fundo coloca-nos frente a uma mulher apanhada a cometer adultério. De acordo com Lv 20,10 e Dt 22,22-24, a mulher devia ser morta. A Lei deve ser aplicada? É este problema que é apresentado a Jesus.
MENSAGEM
Temos, portanto, diante de Jesus uma mulher que, de acordo com a Lei, tinha cometido uma falta que merecia a morte. Para os escribas e fariseus, trata-se de uma oportunidade de ouro para testar a ortodoxia de Jesus e a sua fidelidade às exigências da Lei; para Jesus, trata-se de revelar a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.
Apresentada a questão, Jesus não procura branquear o pecado ou desculpabilizar o comportamento da mulher. Ele sabe que o pecado não é um caminho aceitável, pois gera infelicidade e rouba a paz… No entanto, também não aceita pactuar com uma Lei que, em nome de Deus, gera morte. Porque os esquemas de Deus são diferentes dos esquemas da Lei, Jesus fica em silêncio durante uns momentos e escreve no chão, como se pretendesse dar tempo aos participantes da cena para perceber aquilo que estava em causa. Finalmente, convida os acusadores a tomar consciência de que o pecado é uma consequência dos nossos limites e fragilidades e que Deus entende isso: “quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. E continua a escrever no chão, à espera que os acusadores da mulher interiorizem a lógica de Deus – a lógica da tolerância e da compreensão. Quando os escribas e fariseus se retiram, Jesus nem sequer pergunta à mulher se ela está ou não arrependida: convida-a, apenas, a seguir um caminho novo, de liberdade e de paz (“vai e não tornes a pecar”).
A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida; a proposta que Deus faz aos homens através de Jesus não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à conversão, à transformação, à libertação de tudo o que oprime e escraviza; e destruir ou matar em nome de Deus ou em nome de uma qualquer moral é uma ofensa inqualificável a esse Deus da vida e do amor, que apenas quer a realização plena do homem.
O episódio põe em relevo, por outro lado, a intransigência e a hipocrisia do homem, sempre disposto a julgar e a condenar… os outros. Jesus denuncia, aqui, a lógica daqueles que se sentem perfeitos e auto-suficientes, sem reconhecerem que estamos todos a caminho e que, enquanto caminhamos, somos imperfeitos e limitados. É preciso reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida plena do Homem Novo. A única atitude que faz sentido, neste esquema, é assumir para com os nossos irmãos a tolerância e a misericórdia que Deus tem para com todos os homens.Na atitude de Jesus, torna-se particularmente evidente a misericórdia de Deus para com todos aqueles que a teologia oficial considerava marginais. Os pecadores públicos, os proscritos, os transgressores notórios da Lei e da moral encontram em Jesus um sinal do Deus que os ama e que lhes diz: “Eu não te condeno”. Sem excluir ninguém, Jesus promoveu os desclassificados, deu-lhes dignidade, tornou-os pessoas, libertou-os, apontou-lhes o caminho da vida nova, da vida plena. A dinâmica de Deus é uma dinâmica de misericórdia, pois só o amor transforma e permite a superação dos limites humanos. É essa a realidade do Reino de Deus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode fazer-se a partir das seguintes indicações:
• O nosso Deus – di-lo de forma clara o Evangelho de hoje – funciona na lógica da misericórdia e não na lógica da Lei; Ele não quer a morte daquele que errou, mas a libertação plena do homem. Nesta lógica, só a misericórdia e o amor se encaixam: só eles são capazes de mostrar o sem sentido da escravidão e de soprar a esperança, a ânsia de superação, o desejo de uma vida nova. A força de Deus (essa força que nos projecta para a vida em plenitude) não está no castigo, mas está no amor.
No nosso mundo, o fundamentalismo e a intransigência falam frequentemente mais alto do que o amor: mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus; desacredita-se, calunia-se, em razão de preconceitos; marginaliza-se em nome da moral e dos bons costumes… Esta lógica (bem longe da misericórdia e do amor de Deus) leva-nos a algum lado? A intolerância alguma vez gerou alguma coisa, além de violência, de morte, de lágrimas, de sofrimento?
• Quantas vezes nas nossas comunidades cristãs (ou religiosas) a absolutização da lei causa marginalização e sofrimento… Quantas vezes se atiram pedras aos outros, esquecendo os nossos próprios telhados de vidro… Quantas vezes marcamos os outros com o estigma da culpa e queimamos a pessoa em “julgamentos sumários” sem direito a defesa… Esta é a lógica de Deus? O que nos interessa: a libertação do nosso irmão, ou o seu afundamento?
Neste caminho quaresmal, há duas coisas a considerar: Deus desafia-nos à superação de todas as realidades que nos escravizam e sublinha esse desafio com o seu amor e a sua misericórdia; e convida-nos a despir as roupagens da hipocrisia e da intolerância, para vestir as do amor
O nosso Deus é o Deus libertador, que não Se conforma com qualquer escravidão que roube a vida e a dignidade do homem e que está, permanentemente, a pedir-nos que lutemos contra todas as formas de sujeição. Quais são as grandes formas de escravidão que impedem, hoje, a liberdade e a vida? Neste tempo de transformação e de mudança, o que posso eu fazer para que a escravidão e a injustiça não mais destruam a vida dos homens meus irmãos?
• A vida cristã é uma caminhada permanente, rumo à Páscoa, rumo à ressurreição. Neste tempo de Quaresma, somos convidados a deixar definitivamente para trás o passado e a aderir à vida nova que Deus nos propõe. Cada Quaresma é um abalo que nos desinstala, que põe em causa o nosso comodismo, que nos convida a olhar para o futuro e a ir além de nós mesmos, na busca do Homem Novo. O que é que, na minha vida, necessita de ser transformado? O que é que ainda me mantém alienado, prisioneiro e escravo? O que é que me impede de imprimir à minha vida um novo dinamismo, de forma que o Homem Novo se manifeste em mim?
Neste tempo favorável à conversão, é importante revermos aquilo que dá sentido à nossa vida. É possível que detectemos no centro dos nossos interesses algum desse “lixo” de que Paulo fala (interesses materiais e egoístas, preocupações com honras ou com títulos humanos, apostas incondicionais em pessoas ou ideologias…); mas Paulo convida a dar prioridade ao que é importante – a uma vida de comunhão com Cristo, que nos leve a uma identificação com o seu amor, o seu serviço, a sua entrega. Qual é o “lixo” que me impede de nascer, com Cristo, para a vida nova?
• É preciso, igualmente, ter consciência de que este caminho de conversão a Cristo é um caminho que está, permanentemente, a fazer-se. O cristão está consciente de que, enquanto caminha neste mundo, “ainda não chegou à meta”. A identificação com Cristo deve ser, pois, um desafio constante, que exige um empenho diário, até chegarmos à meta do Homem Novo
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=2

«Na história da mulher apanhada em adultério, Jesus foi confrontado com uma pecadora cujo castigo estava claramente definido na Lei. A pergunta que o fariseu fez, relativa ao que se deveria fazer com ela, tinha uma resposta muito fácil. Jesus, se fosse religioso, devia tê-la condenado. Mas Jesus, o justo, não o fez. Certamente que este Evangelho vai muito além do que dizer-nos que nós também pecámos, coisa que sabemos muito bem, nas profundezas dos nossos próprios corações escurecidos. Talvez nos diga que, na verdade, se o mundo se está a deteriorar, a culpa, afinal de contas, pode não ser dos outros. Provavelmente, o que se está a desintegrar agora é a quantidade de amor e de atenção que são precisas para que o mundo seja de novo lançado numa existência santa, saudável, feliz, que nenhuma forma de poder ou de medo o podem levar a alcançar.»
Ler mais em: http://www.snpcultura.org/Jesus_o_pecado_o_perdao.html