"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

LIVRO&LEITURA: Imitação de Cristo

Aquele que me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, que nos incitam a que imitemos a sua vida e costumes, se quisermos ser verdadeiramente iluminados e libertos de toda a cegueira de coração. Seja, pois, nosso fito principal meditar a vida de Jesus Cristo. A doutrina de Cristo excede todas as doutrinas dos santos, e quem nela tenha o seu espírito, aí encontrará o maná escondido. Acontece, porém, que muitos, porque não têm o espírito de Cristo, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem pouco desejo dele. Mas quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras Cristo, terá de se esforçar por moldar em Cristo toda a sua vida. Para saber mais clicar AQUI - in Imitação de Cristo, Evangelho, Tomás de Kempis, ed. Paulinas,

terça-feira, 1 de setembro de 2020

LIVRO&LEITURA: O elogio da imperfeição

A lógica da debilidade

A lógica evangélica é louca para o mundo. O verdadeiro drama só existe – mesmo na Igreja – quando fazemos nossa a mentalidade do mundo; quando pensamos que a nossa fecundidade deriva exclusivamente dos nossos esforços; quando pensamos que as coisas só podem andar bem quando houver uma organização plena; quando tudo está seguro e é eficiente; quando o resultado é proporcional à nossa obra. Para saber mais clicar AQUIPaolo Scquizzato in "O elogio da imperfeição".

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

LIVRO&LEITURA: A tua voz no meu silêncio

Nas areias da praia: Caminhar com simplicidade
O movimento das ondas e das marés, a ir e a vir, faz lembrar a nossa vida cheia de memórias, lembranças que vêm e que se vão. E no movimento das marés e das lembranças, fazendo-se e desfazendo-se, percebo um convite ao perdão. Aproveita para perdoar. Faz do perdão um dos dinamismos da estrutura da tua vida. A tua estrutura passará a ser simples e leve, segura, livre e libertadora, de memórias curadas. Vais poder sorrir nas areias da praia como uma menina ou um menino que encostou o seu nariz no nariz do seu pai ou da sua mãe e se abriu num sorriso lindo e encantador, na maior felicidade.Para saber mais clicar AQUI - José Luís do Souto CoelhoIn A tua voz no meu silêncio.

segunda-feira, 9 de março de 2020

LIVRO&LEITURA: “A cidade dos desejos ardentes”

«Quando nos dispomos a este itinerário de “redescoberta” de Deus na vida, percebemos, com uma intensidade que nos converte e reconfigura, aquilo que o olhar baço da rotina não nos deixa ver: que “a vida é Ele, a esperança é Ele, o futuro é Ele”. Debaixo das nossas cinzas, distrações e escombros, o fogo de Deus precisa sempre de ser reavivado.» Para saber mais clicar AQUI.

terça-feira, 2 de maio de 2017

EDUCAÇÃO&FORMAÇÃO: 12 conselhos do abade Santo Antão para uma vida virtuosa

O autodomínio, a resignação, a temperança, a firmeza, a perseverança, bem como outros semelhantes poderes, grandes e santos, tudo isso de Deus recebemos para resistir às dificuldades que nos sobrevêm. Se cultivarmos esses poderes e deles dispusermos, não consideraremos ser difícil, doloroso e intolerável o que possa abater-se sobre nós, compreendendo que todo o infortúnio é humano e pode ser dominado pelas virtudes que nos habitam. Para saber mais, clicar AQUI.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

ESPIRITUALIDADE&SAÚDE: Sobre as nossas enfermidades e os nossos sofrimentos

Durante a semana a que chamam Santa, os cristãos de todo o mundo escutam a Palavra mais detalhada e mais comovente de todo o ano litúrgico. Para saber mais, clicar AQUI.
Para uma espiritualidade da ressurreição
Estamos confusos ou por vezes chegamos até a negar Deus, como faz Pedro? Precisamos de que Deus nos fale de uma forma pessoal, como Maria? Somos como Tomé, que precisa de provas concretas da atividade de Deus na sua vida? Ou somos como o Discípulo amado, que está tão unido a Jesus que, mesmo sem provas, acredita, pura e simplesmente? Seja qual for a situação do leitor em termos de fé, Deus compreende, tal como o Ressuscitado compreendia os discípulos. Para saber mais, clicar AQUI.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: O discernimento cultural e evangélico na literatura

No discernimento cultural cristão nunca se trata de escolher ou Deus ou o mundo, mas antes de buscar e reconhecer Deus no mundo, que atua para levá-lo à sua realização e consumação. O discernimento cultural evangélico dá testemunho da criatividade do Espírito que opera em toda a parte. Cristo ressuscitado atua, de facto, constantemente em todas as dimensões do crescimento do mundo, na diversidade das suas culturas e na variedade das suas experiências espirituais. Para saber mais, clicar AQUI

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ESPIRITUALIDADE: Haverá alguém na Igreja que se atreva?

O respeito pela diferença de outras tradições espirituais não nos deve fazer perder da visão do cristianismo como proposta de humanização universal. Descubro em meus contemporâneos não só uma fome de espiritualidade, mas um desejo de recuperar, de forma compreensiva e atual, a tradição religiosa da qual provimos. Para continuar a ler - convém - clicar AQUI.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

ESPIRITUALIDADE: Procurar não é falta de fé

As viagens que fazemos pelas terras da ciência, das letras e das artes têm como alvo a passagem dessa porta que nos ofereça, ao abrir-se, a luz, o acolhimento, a intimidade com o imenso sonho que alimentamos de ser felizes. E há tantas portas que demandamos e outras tantas que esquecemos.
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segunda-feira, 6 de abril de 2015

ESPIRITUALIDADE: Espírito orante

O espírito orante é alimentado pela simples consciência de que Deus é. De que Deus está perto de nós em todos os momentos. De que Deus está mais perto de nós do que o ar, o sopro que respiramos. De que Deus está disponível, de que é um silêncio no meio do caos, uma voz no meio da confusão, uma promessa no centro do tumulto.
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quinta-feira, 26 de março de 2015

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Abraçar a pequenez, renunciar à exaltação

No centro da nossa fé cristã encontra-se o mistério que Deus escolheu para revelar o mistério divino mediante a submissão sem reservas ao impulso descendente. Deus não só escolheu um povo insignificante para transmitir a Palavra da salvação ao longo dos séculos, não só escolheu um pequeno resto desse povo para cumprir as promessas divinas, não só escolheu uma humilde jovem de uma cidade desconhecida da Galileia para a tornar o templo da Palavra, mas também decidiu manifestar a plenitude do amor divino num homem cuja vida desembocou numa morte humilhante fora das muralhas da cidade.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: A sabedoria é sabor: O homem sábio e feliz

Agregado ao Instituto de França, o filósofo e crítico Roland Barthes (1915-1980) elaborara a sua “lectio”inaugural sobre um tema que ele próprio considerava ultrapassado, a «sabedoria», e definiu assim: «A sabedoria é nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de inteligência e o máximo de sabor possível.» Não por acaso, este vocábulo deriva do verbo latino “sapere”que, como primeira aceção, tem, precisamente, o «ter sabor».
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Uma comunidade incapaz de lidar com o desacordo está mal preparada para o futuro

Os primeiros discípulos falaram com ousadia, assim nos diz Lucas. Esta é a parrhesia que Simon Tugwell define como «ser capaz de dizer tudo e qualquer coisa». As nossas Igrejas estão cheias de palavras: inumeráveis documentos, escritos de orientação, declarações episcopais, dissertações teológicas, sermões, artigos eruditos, crónicas jornalísticas. Mas nem sempre existe um discurso aberto em que digamos aquilo em que mais profundamente cremos, partilhemos as nossas dúvidas e receios e abramos os nossos ouvidos a visões diferentes das nossas. Santa Catarina de Sena deu aos cardeais que estavam com o Papa exilados em Avinhão um bom raspanete: «Deixai de estar calados. Gritai com cem mil vozes. Vejo que o mundo é destruído pelo silêncio». A Igreja deveria educar os crismados a falar bem, abertamente e com confiança. Não se trata de dizer a primeira coisa que nos venha à cabeça. Todo o cristão confirmado deveria receber um treino teológico básico, um conhecimento das Escrituras e dos ensinamentos da Igreja. Continuar a ler…

quarta-feira, 25 de junho de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Gostar e amar

Dizem os amantes: «Encanta-me a tua voz»; «cativa-me o teu sorriso»; «fascina-me a tua figura». Mas isso não é amor. O amor estende-se e abarca a totalidade da pessoa. Muitos identificam amar com gostar, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nem tudo aquilo de que se gosta equivale a amor. Dizem ainda os amantes: «Gosto da tua cintura, do ritmo do teu andar, da modulação da tua voz.» O amor pode nascer sem que o outro seja cativado por alguma zona anatómica concreta, por determinada parte da personalidade. O amor nasce de um momento em que o ser humano se esquece de si; fica deslumbrado, é «arrancado» de si mesmo e cativado por outro todo. Cresce com desejos de se dar e consuma-se no esquecimento total de um gozo recíproco. Continuar a ler…

segunda-feira, 14 de abril de 2014

LEITURAS várias

Onde estás, Senhor?
“Onde estás, Senhor?”, do biblista e presidente do Pontifício Conselho da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, parte de uma reflexão sobre o símbolo para refletir sobre um tema que percorre as Escrituras: o espaço.
Com efeito, escreve o prelado italiano na introdução, «a Bíblia é permeada pela perceção do espaço: alguns dos seus lugares tornaram-se familiares a culturas inteiras; em muitos deles articula-se aquele complexo entrelaçado de relações que constitui a história da salvação: Deus e o homem encontram-se num espaço, habitam-no e imprimem nele as marcas da sua presença».
Por isso, «decifrar essas marcas significa reconhecer nelas o sinal luminoso, em constante mutação, de uma realidade diferente e mais complexa, que ainda não está completa, mas que deve ser aguardada na esperança e na fé».
O volume explora a riqueza da simbologia bíblica partindo «metaforicamente de “baixo” para “cima”: começando pelo «espaço habitado, moldado pela perícia do homem que o fez vergar frente às suas próprias necessidades, mas que por vezes abriu nele uma janela, escancarando-a sobre o horizonte sem fim do divino».
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Voltas que a vida dá
Das histórias aparentemente simples nascem oportunidades que mudam rumos. De que doença adoeceu aos 18 anos, em concreto, é muito pouco importante detalhar. O que interessa é que disso decorreu o imprevisível, dir-se-ia o impossível – uma viragem para onde ninguém podia imaginar, nem ela mesma; um sonho que se veio a concretizar, mas que, se nada tivesse acontecido, nunca teria passado de sonho. É frequente acharmos, neste mundo de tão fácil acesso, que já se sabe quase tudo, até o que previsivelmente seremos e para onde iremos caminhar. O inesperado, por sê-lo, apanha-nos sempre desprevenidos e, no que de nós depende, podemos chegar a ser impotentes para o defrontar, mas nunca pensamos nisso. Parece impossível que alguém ainda esteja sujeito a este tipo de «súbitos» difíceis de diagnosticar e compreender, sobretudo naquela idade. Agora no casal: há momentos em que as conversas profundas são uma espécie de viagem de carrossel – sabem muito bem, mas não servem para nada. Não perdem tempo a dar lugar a medos. Esta parece ser a grande chave capaz de abrir a porta da felicidade que conquistam todos os dias.
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quarta-feira, 26 de março de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Educar para a virtude e beleza.

Os nossos jovens querem ver os ideais do Evangelho vividos na nossa vida. Uma das piores consequências do escândalo de pedofilia na Igreja é que, nela, se possa instalar um cinismo em relação ao chamamento à santidade. Corremos o risco de sermos soterrados pelo mau exemplo de padres e bispos, e é preciso que lembremos as pessoas que sempre houve santos e pecadores na Igreja. A missão da Igreja é chamar todos à conversão. Temos os nossos sucessos e os nossos fracassos. Os santos são a história de sucesso que os nossos jovens precisam de conhecer. E como até os santos foram pecadores, a sua história ajuda os jovens a ver que nós, seus mentores, nos debatemos no mesmo caminho de santidade. Queremos partilhar com as gerações futuras aquilo que descobrimos: nomeadamente, que quem é católico tem uma vida boa e vive com a certeza de ter uma vocação pessoal e uma missão comunitária. A nossa tarefa é ajudar as pessoas a entrever a Beleza que salva e ajudar a alimentar esse desejo de Beleza
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terça-feira, 18 de março de 2014

LEITURA: "Entre-tanto", "Ao lado dos pobres" & "A noite do confessor"

"Entre-tanto"
«No centro está a fronteira, lugar de passos e de passagens, de perdas e de paixão. Se nos custa reconhecer como a fé se tornou irrelevante para tantos e como, por vezes, faltam às comunidades cristãs a força dos gestos e a unção das palavras que sejam capazes de dar um corpo vivo à graça do Evangelho, poderemos chegar a receber esta experiência de prova como bênção de um tempo favorável. A pobreza do momento instaurará coisas novas. O custo do caminho revelará a surpresa d’O sempre presente. Talvez de outros modos, apontando noutras direções. A fronteira que nos tirou do centro poderá ser o lugar que nos convém como casa, a nós, discípulos de Jesus que não teve lugar onde reclinar a cabeça. E, porém, amou todo o mundo como sua casa e todos os homens como seus irmãos.» A Paulinas Editora lança esta segunda-feira nas livrarias o mais recente livro do padre José Frazão Correia, recentemente eleito superior da Companhia de Jesus em Portugal, intitulado “Entre-tanto – A difícil bênção da vida e da fé”.
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http://www.snpcultura.org/entre_tanto.html

"Ao lado dos pobres"
Em minha opinião, o movimento eclesial e teológico que, depois do Concílio Vaticano II, na América Latina, sob o nome de «Teologia da Libertação», encontrou eco mundial, inclui-se entre as mais significativas correntes da teologia católica no século XX. (…) O teólogo profissional, como perito em religião, não se contrapõe aos fiéis ou aos não especialistas. Ele entende-se, tal como todos os discípulos, como ouvinte e aprendiz diante do único Mestre e Palavra de Deus, isto é, Cristo. Desse modo, ele penetra no contexto da experiência da fé e da religiosidade da vida do povo, ou seja, da comunidade daqueles que professam a fé em Jesus Cristo e ousam percorrer o caminho do seu seguimento na existência – para os outros. Participa dos seus sofrimentos e das suas esperanças. Desse modo, Teologia da Libertação, no melhor sentido da palavra, é teologia contextual, amadurecida a partir da comunidade. Assim também se supera a fissura entre uma teologia universitária erudita e uma reflexão da fé a partir das experiências concretas das comunidades.
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Desde o início, na Teologia da Libertação, tiveram-se em consideração as diversas dimensões da pobreza. Dizendo-o com outras palavras – como o faz a Bíblia –, prestou-se atenção a não reduzir a pobreza ao seu aspeto económico, certamente fundamental. Isso levou à afirmação de que o pobre é o «insignificante», aquele que é considerado como uma «não pessoa», alguém a quem não se reconhece a plenitude dos seus direitos na condição de ser humano. Pessoas sem peso social ou individual, que contam pouco na sociedade e na Igreja. Assim são vistos, ou mais exatamente não são vistos, porque são bem mais invisíveis na medida em que são excluídos dos nossos dias. As razões disso são diversas: as carências de ordem económica, sem dúvida, mas tam bém a cor da pele, ser mulher, pertencer a uma cultura desprezada (ou considerada interessante somente pelo seu exotismo, o que equivale ao mesmo). A pobreza é, com efeito, um assunto complexo e multifacetado; há decénios, ao falar dos «direitos dos pobres», referíamo-nos a esse conjunto de dimensões da pobreza.
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http://www.snpcultura.org/ao_lado_dos_pobres_gustavo_gutierrez.html

"A noite do confessor"
«Uma fé minúscula não tem de ser necessariamente apenas o fruto da pecaminosa falta de fé. Por vezes, a «pouca fé» pode conter mais vida e confiança do que a «grande fé». Será que não podemos aplicar à fé aquilo que Jesus disse na parábola acerca da semente, que tem de morrer a fim de produzir grandes benefícios, porque desapareceria e não prestaria para nada se permanecesse imutável? Será que a fé não tem de passar também por um tempo de morte e de radical diminuição na vida do homem e ao longo da história? E se nós apreendermos esta situação segundo o espírito da lógica paradoxal do Evangelho, em que o pequeno prevalece sobre o grande, a perda é lucro e a diminuição ou redução significa abertura ao avanço da obra de Deus, não será porventura esta crise o «tempo da visitação», o momento oportuno?» Oferecemos em pré-publicação um excerto de “A noite do confessor”, correspondente ao segundo capítulo, intitulado «Dá-nos um pouco de fé».
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Viver plenamente

Viver plenamente significa abandonar a lógica de dobrar o mundo, tudo aquilo que nos rodeia, à nossa vontade; viver plenamente significa procurar integrarmo-nos, nele da melhor maneira. Devemos aprender a partilhar, a participar, a unirmo-nos, e não a dividir ou a dominar ou a controlar o outro. A história de cada um de nós é aproximarmo-nos do invisível, do espiritual. Existe um plano de Deus, preparado para cada um de nós, ainda antes de nascermos; compete a cada um de nós aderir-lhe ou não, procurá-lo ou não. Como reconhecer uma pessoa que vive verdadeiramente? Pelos seus frutos. Sobretudo, é preciso dar bons frutos. Se não formos conscientes, se não tivermos em conta a nossa componente psicoespiritual, acabaremos por viver o mundo como lugar de competição, de agressão, onde o único objetivo é sobreviver, é pensar no nosso interesse pessoal e, consequentemente, viver o outro como coisa ou objeto, sempre em nosso proveito.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

ESPIRITUALIDADE: Dizer «obrigado» no último dia do ano

«Se a tua única oração na vida for “obrigado”, isso bastará (Mestre Eckhart)». A gratidão não é apenas uma atitude de louvor, é também o elemento básico de uma verdadeira crença em Deus. Quando inclinamos as nossas cabeças em sinal de gratidão, reconhecemos que as obras de Deus são boas. Reconhecemos que não podemos salvar-nos por nós próprios. Proclamamos que a nossa existência e todas as coisas boas que ela tem, não vêm do nosso expediente, fazem parte da obra de Deus. A gratidão é o aleluia à existência, o louvor que ressoa através do Universo, como um tributo à presença de Deus, constante entre nós, incluindo neste momento.
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Cultivar a alegria de cada dia

Um elemento que caracteriza a alegria é o facto dela não nos pertencer. É pessoalíssima, é completamente nossa, identifica-se connosco, mas não nos pertence. A alegria não nos pertence. A alegria atravessa-nos. A alegria é sempre um dom. A alegria nasce do acolhimento. A alegria nasce quando eu aceito construir a minha vida numa cultura de hospitalidade. Se insonorizo o meu espaço vital, se impermeabilizo a minha atenção, a alegria não me visita. A alegria é um dom da amizade acolhida.
A alegria não é programada. Não posso, por exemplo, dizer: daqui a um minuto vou-me rir. Não sei quando é que me vou rir. A alegria é um dom que me visita na surpresa, no não anunciado. E nesse sentido tenho de viver em hospitalidade. O meu coração é uma soleira, uma porta entreaberta. A minha vida vive do acolhimento amigável. Temos de adquirir uma porosidade, deixarmo-nos tocar, deixarmo-nos ligar pelo fluxo reparador da vida.
Há um filme de Ingmar Bergman em que uma personagem é uma rapariga anoréxica - e sabemos como a anorexia é uma forma de desistir da própria vida, de desinvestir afetivamente. A rapariga vai falar com um médico e ele diz-lhe isto, que também vale para nós todos: «Olha, há só um remédio para ti, só vejo um caminho: em cada dia deixa-te tocar por alguém ou por alguma coisa.» A alegria é esta hospitalidade.
Os dias sem alegria são completamente sem memória. Chegamos ao fim não lembramos um único gesto, uma única fase, um único encontro, uma única ação, não temos nada para contar. Tive de ver e de escutar muitas coisas, e de estar entre muita gente, mas não quis nada daquilo nem daqueles; não permiti que existisse um trânsito, um retorno; não abri o meu coração ... Há que transformar a nossa vida no sentido da hospitalidade. A amizade ensina-nos isso.
Não há alegria sem inocência. Mas inocência naquele sentido que apontava a escritora Cristina Campo: «Nós não nascemos inocentes, mas podemos morrer inocentes.» A inocência da infância espiritual é aquela inocência com a qual e pela qual podemos morrer: a inocência de um coração simples; da gratuidade; da confiança.
Se não tenho um coração de criança não sou herdeiro do Reino de Deus. Isto é, não sou herdeiro do reino da vida, não vejo cintilar, não vislumbro. E aqui, as crianças são exemplares porque elas entretêm-se com os pequenos nadas, que no fundo são as coisas mais sérias, as coisas donde colhem a luz. E nós precisamos disso. Precisamos dessa infância. De descobrir infâncias dentro de nós. Não é por acaso que todos os amigos são amigos da infância, mesmo aqueles que fazemos pela vida fora. A principal infância a testemunhar é essa futura.
Em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, no sarcasmo, na maledicência, no lamento., caminhemos suavemente no sentido contrário. Cresçamos na simplicidade, na gratidão, no despojamento e na confiança. A alegria tem a ver com uma essencialidade que só na pobreza espiritual se pode acolher.

José Tolentino Mendonça
In Nenhum caminho será longo, ed. Paulinas
23.05.13
© SNPC | 23.05.13