"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

FÉRIAS (d)e VERÃO com um convite à REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO (1)...

... para, neste tempo da vida, preparar outro tempo, o Outono-Inverno da vida que se segue.
E se "o tempo voa", eles estão já aí!

A monja e o capitalismo não ético
por ANSELMO BORGES in DN, 28 Julho 2012



Nasceu em Barcelona em 1966. É doutorada em Medicina e em Teologia. Muito conhecida pelas suas posições feministas e pelas críticas às multinacionais farmacêuticas, Teresa Forcades é uma monja beneditina do Mosteiro de Sant Benet de Monserrat.
Conheci-a em Julho de 2011, em Santander, num Congresso de Teologia e Ética, e a impressão que me ficou foi a de uma mulher séria e agradável, descontraidamente inteligente e interventiva.
Foi recentemente convidada para a conferência inaugural de um encontro de empresários, talvez o mais importante da Catalunha, com a presença de umas seiscentas pessoas.
Ela é absolutamente favorável ao empreendedorismo. Quereria que isso fosse uma possibilidade para todos, pois isso significa realizar possibilidades e ter iniciativas próprias. Mas põe em causa o empresariado baseado numa relação contratual num quadro capitalista sem ética. Por três motivos.
É uma mentira o mercado que se diz livre. De facto, ao longo da história, o mercado nunca foi livre. "Foi sempre regulado a favor de certos interesses: da realeza, interesses proteccionistas, da classe dominante, do parente dos governantes de turno." Mercado livre é "uma hipocrisia, uma falácia".
Depois, a lógica do capitalismo, no quadro do mercado global, quer "o máximo lucro". Ora, é aberrante, do ponto de vista antropológico e humano, pensar que a melhor maneira de incentivar as pessoas, a sua criatividade, a actividade económica e, em última análise, o crescimento, seja o lucro máximo. Satisfeitas as necessidades básicas, "o que me estimula não é o dinheiro", mas a curiosidade intelectual, o desafio de descobrir potencialidades e encontrar quem ajude a realizá-las, o apreço dos colegas, a valorização do trabalho que faço, ver que o trabalho das pessoas transforma de modo positivo as suas vidas. Porque não criar uma sociedade fundada no que verdadeiramente nos dá gosto e nos realiza? E o direito à alimentação, à educação, à saúde, à reforma tem de estar acima do mercado e do lucro.
Portanto, o capitalismo não lhe parece ético. E assume a crítica marxista da mais-valia, dando um exemplo: no mosteiro, temos uma pequena empresa de cerâmica e há uma pessoa de fora que lá trabalha; se lhe pagarmos um euro e ganharmos mil, o capitalismo dirá: que bem! "Mas isto é indigno, pois vai contra a dignidade do trabalho." Há diferenças aberrantes: num contrato, "talvez esteja bem que eu ganhe um e tu ganhes quatro ou até dez, mas mil não pode ser de modo nenhum".
É, pois, claríssimo que temos de pensar e organizar uma alternativa. "Quem nos ensinou a não confiar que não nos podemos organizar melhor, ao constatarmos, como constatamos, que o modo actual é tão claramente contrário aos interesses da maioria?" O bloqueio da imaginação é um sinal de alarme. É como se se tornasse não possível para mim, que sou monja e prefiro esta vida, imaginar para mim própria uma vida fora do mosteiro. "Se já nem sequer posso imaginar uma alternativa, creio que isso é um sinal de alienação mental."
O que é e aonde leva a especulação? Eu compro todo o trigo e guardo-o. As pessoas vão morrendo, mas, quando os preços subirem, vendo pelo dobro. "Isto aconteceu, e estes senhores do Goldman Sachs sentam-se nas primeiras filas dos convénios e recebem prémios, mas deviam estar na cadeia." São responsáveis por mortes. Jean Ziegler, das Nações Unidas, diz que isto é assassínio organizado. Presentemente, produzem-se alimentos para 12 mil milhões de pessoas, mas há mil milhões com fome. Cada dia morrem 26 mil crianças de fome.
A conversão fundamental é, na nossa visão do mundo, a da passagem da relação sujeito-objecto para uma relação sujeito-sujeito, substituindo assim uma relação de dominação por uma relação de jogo de subjectividades, no qual entram dignidades.
Se continuarmos nesta "alienação mental", neste bloqueio da renovação social, porque os políticos só pensam nas próximas eleições, sem capacidade para criar uma alternativa, a nossa situação pode piorar e podemos assistir a um fascismo social e político e até a uma guerra.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A espada de Dâmocles

por ANSELMO BORGES

1. Esta - a da espada de Dâmocles - é uma estória sábia. Cícero também se lhe referiu nas Tusculanae Disputationes.
Conta-se que Dionísio, tirano de Siracusa, que vivia num luxuoso palácio, com o poder todo e servos às ordens para tudo, tinha um amigo invejoso e bajulador. Que sorte a tua!, repetia-lhe.
O rei, cansado de o ouvir, propôs-lhe que o substituísse por um dia. E Dâmocles viu-se com uma coroa de ouro na cabeça e, cercado de honras, de luxo e de prazeres, julgou-se o homem mais feliz do mundo. Sentado à mesa, onde se servia um banquete lauto, com vinhos raros, perfumes e música, inebriado, levantou os olhos. E o que viu? Uma enorme espada flamejante, afiada e pontiaguda, presa ao tecto apenas por um fio, que pendia sobre a sua cabeça. Aterrado, todo o entusiasmo se esvaiu e o rosto empalideceu. Era essa espada pendente que Dionísio via todos os dias, na ameaça constante de algo ou alguém cortar o fio.
Não é sob a espada de Dâmocles que nos encontramos todos? Nós, os portugueses; nós, os europeus; nós, os habitantes do planeta - sete mil milhões?
2. Estamos num cotovelo da História: até aqui chegámos, e, agora, o que se segue? Pela primeira vez, vivemos verdadeiramente num mundo globalizado, cujo centro se desloca para o Oriente. E quem manda? Quem vai deter o poder?
De qualquer modo, é como se a Humanidade tivesse perdido o controle. "De facto", escreve Frédéric Lenoir, da École des Hautes Études en Sciences Sociales, "já nenhuma instituição, nenhum Estado parece à altura de pôr freio à corrida no sentido do desconhecido - e talvez do abismo - para a qual nos precipitam a ideologia consumista e a mundialização sob a égide do capitalismo ultraliberal: acentuação dramática das desigualdades; catástrofes ecológicas que ameaçam o conjunto do planeta; especulação financeira descontrolada que fragiliza a economia mundial tornada global. Depois, há as transformações dos nossos modos de vida que fizeram do homem ocidental um desenraizado amnésico, mas igualmente incapaz de se projectar no futuro. Não há dúvida de que os nossos modos de vida mudaram mais durante o século passado do que durante os três ou quatro milénios anteriores."
Quando se está atento, percebe--se que, para encontrar algo de semelhante à revolução por que passamos, será necessário recuar até ao neolítico (uns 10. 000 anos antes da nossa era), quando se deu a sedentarização e os homens se dedicaram à agricultura e à criação de animais, ou até à primeira revolução industrial. Face aos novos desafios e à crise ampla e profunda, com catástrofes ecológicas, económicas e sociais que se anunciam, precisamos daquele "suplemento de alma" de que falou Bergson e que pode levar à "chance de um sobressalto, de uma renovação humanista e espiritual, mediante um acordar da consciência e um sentido mais agudo da responsabilidade individual e colectiva."
3. Seja como for, a História não está pré-escrita em lado nenhum. Só para dar um exemplo: quando se deu a queda do muro de Berlim, quantos não pensaram que estava iminente a chegada da paz perpétua? No entanto, é num mundo dramaticamente perigoso que nos encontramos. A própria democracia não é uma conquista definitivamente adquirida.
Mesmo entre nós, o recente primeiro grande estudo sobre a percepção da democracia não dá como consolidado o sistema democrático: só 56% dos portugueses dizem acreditar que o melhor sistema é a democracia e 15% vão declarando que, nalgumas circunstâncias, um governo autoritário é preferível a um sistema democrático.
E se, após tanta austeridade inevitável e a que ainda vai chegar, o país não arrancar para o crescimento económico e se acabarmos por ter de sair do euro e se se entrar em convulsões sociais e se for preciso um Governo de salvação nacional, a que reserva moral e institucional recorrer?
Aí está mais uma razão para considerar as recentes declarações do Presidente da República, que diz não ganhar para as suas despesas, desgraçadas e injustificáveis.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

domingo, 11 de dezembro de 2011

QUESTÕES de MORAL: A crise (1/3)

Reparou no título? Isso mesmo. Oiça "o quê", "o porquê" e sobretudo de que maneira
Mais uma das muito boas "partidas" da ANTENA 2, pois claro!!!
«Escrito e apresentado por Joel Costa.
Questões de Moral. Caído em cheio na era do progresso tecnológico, da política-espectáculo, o cidadão comum continua a interrogar-se quanto à circunstância histórica e moral que lhe cabe viver.
Em busca do nexo moral escondido no tempo das novas angústias...»
http://tv1.rtp.pt/play/?radiocanal=2#/?prog%3D1091%26idpod%3D208488%26fbtitle%3DRTP Play - Questões de Moral%26fbimg%3Dhttp%3A%2F%2Fimg0.rtp.pt%2FEPG%2Fimgth%2FphpThumb.php%3Fsrc%3D%2FEPG%2Fradio%2Fimagens%2F1091_1091_questoesmoral.jpg%26w%3D160%26h%3D120%26fburl%3Dhttp%3A%2F%2Fwww.rtp.pt%2Fplay%2F%3Fprog%3D1091%26idpod%3D208488
Por estas e por outras ANTENA 2 SEMPRE!!!

E quem quiser complementar o que ouviu e da forma como ouviu, aqui tem mais uma série de suplementos bem actuais & substanciais:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=41899
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/expressodameianoite/article1055166.ece
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/edicaodanoite/article1055158.ece
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldas9/article1055157.ece
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldas9/article1055156.ece
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=524613
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=524493
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=524471
http://aeiou.expresso.pt/o-que-trouxe-no-sapatinho-a-cimeira-europeia-de-9-de-dezembro=f693550
http://economico.sapo.pt/noticias/lideres-fecham-acordo-para-o-euro-sem-o-reino-unido_133349.html
http://economico.sapo.pt/noticias/moeda-unica-parece-ter-sido-um-erro_131690.html

(continua)