"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Tendências na ciência robótica para 2024

Ao despedirmo-nos de 2023, um ano marcado por mudanças significativas no domínio da robótica, é crucial olhar para o futuro. O próximo ano, 2024, acena com a promessa de novos avanços e adoção generalizada de tecnologias robóticas. Vamos nos aprofundar em cinco tendências essenciais que estão prestes a redefinir o cenário da robótica este ano AQUI.



quinta-feira, 11 de julho de 2019

EFEMÉRIDE/RECORDAÇÃO/CELEBRAÇÃO: 11 de Julho, dia de S. Bento,

Nasceu na Itália, em 480. Bento foi mandado para Roma pela sua família, para que se aprofundasse nos estudos. Porém, ele se decepcionou com a decadência da população da cidade e se isolou do mundo, indo morar em uma gruta. Com o tempo, muitas pessoas passaram a procurá-lo para pedir conselhos sobre a vida espiritual!
Após se decepcionar com a população, São Bento fugiu do lugar e iniciou uma jornada em busca de respostas para suas dúvidas. Conheceu um monge que lhe deu um hábito de frade e depois escolheu a isolada gruta para viver. Quando abandonou o local, passou a defender regras rígidas para uma vida voltada para a religião e para a reflexão. Foi chamado para liderar alguns monges. Porém, suas duras regras desagradaram alguns destes homens que tentaram envenená-lo, colocando substâncias perigosas em seu vinho. Porém, antes de beber, Bento estendeu a mão e abençoou as taças. Ao fazer isso, a taça envenenada estourou. Ele então se afastou do local e partiu em busca de homens dispostos a servirem à Deus à maneira de São Bento!
São Bento foi convidado a ser líder de um mosteiro. Porém, a rigidez de suas normas, desagradaram alguns dos homens que lá viviam e estes tentaram assassinar Bento, colocando veneno em sua taça de vinho. Antes de ingerir a bebida, São Bento estendeu a mão para abençoar as taças e justamente o cálice que continha a bebida envenenada, explodiu diante de todos. Após mais esta decepção. Bento partiu do local e foi habitar um antigo e abandonado mosteiro. Reuniu novos frades e iniciou sua ordem religiosa! 
Naquela época na Europa, existiam muitas ruínas de mosteiros e catedrais abandonadas. Bento então reúne novos homens que desejavam seguir a vida religiosa e inicia a restauração destes locais e simultaneamente, monta um esquema para a auto sustentação dos mesmos. Segundo as normas de São Bento, cada mosteiro teria 12 monges. Estes teriam que trabalhar para que o local tivesse plantações e equipamentos de cozinha para alimentar todos que lá viviam. Os monges se entregariam somente ao trabalho e as orações. Novamente, a determinação de Bento provocou inimizades e um padre de uma igreja próxima tenta envenená-lo. Bento abandona a região e segue para o Monte Cassino. Por volta de 529 funda o primeiro mosteiro de sua ordem.
APÓS SOFRER UM ATENTADO CONTRA SUA VIDA, SÃO BENTO REUNIU UM NOVO GRUPO DE HOMENS FIÉIS, PASSOU A RESTAURAR ANTIGAS RUÍNAS QUE TRANSFORMOU EM MOSTEIROS E IMPÔS SUAS REGRAS PARA ESTES LUGARES. CADA MOSTEIRO SERIA AUTO SUSTENTÁVEL, COM 12 MONGES, QUE VIVERIAM APENAS DO TRABALHO E ORAÇÕES. SEU ALIMENTO E SUAS ROUPAS SERIAM FABRICADOS POR ELES PRÓPRIOS E ISSO CAUSOU MAIS UMA DESAVENÇA!
As normas impostas por São Bento mais uma vez desagradaram outros sacerdotes. Por esta razão, novamente São Bento sofreu uma tentativa de assassinato. Após o ocorrido, Bento parte rumo a região de Monte Cassino, aonde funda oficialmente o primeiro mosteiro de sua ordem. Que futuramente se chamaria Ordem dos Beneditinos. A inveja mais uma vez se fez presente e novamente Bento passaria por uma decepção e pela sua coragem e perseverança.
Após fundar o primeiro mosteiro de sua ordem, outros sacerdotes novamente ficaram tomados pela inveja e novamente atentaram contra a vida dele. Recebeu como presente um pão envenenado. Mas da mesma forma que Deus o livrou do mal quando Bento foi tomar uma taça de vinho envenenada e ao abençoar os cálices o que tinha veneno explodiu, desta vez, entregou o pão para um corvo que constantemente vinha comer de sua mão e pediu que o animal levasse o alimento envenenado para longe. Existe uma história que logo após a este fato, o homem que lhe enviou aquele pão estava em uma sacada que desabou o levando a morte. Um dos seguidores de Bento teria comemorado o fato e foi fortemente repreendido por ele, que chorou pela morte do homem e também por um de seus fiéis comemorar este fato. No ano de 534 escreveu as regras para seus mosteiros, chamadas de Regras de São Bento.

O monaquismo beneditino deu grande contribuição no âmbito alimentar à cultura ocidental, influenciando ao longo dos séculos as tradições e os hábitos que ainda hoje se seguem à mesa. Alguns dos produtos que são símbolo da tradição gastronómica foram originariamente elaborados nas cozinhas monásticas. A mesa da Regra de S. Bento é simples e sóbria, onde se come de modo saudável e equilibrado, sem excessos e sem desperdícios, com respeito e reconhecimento por quem produziu os alimentos e por quem amorosamente os preparou e cozinhou. Para saber mais clicar AQUI.
São Bento e a evangelização da Europa
Enquanto o mundo envelhecia no vício, enquanto a Itália e a Europa ostentavam o tremendo espetáculo de um campo de batalha para os povos em conflito, e as instituições monásticas [...] eram menos fortes que o necessário para conseguirem resistir [...], Bento testemunhou, através da sua notável ação e da sua santidade, a eterna juventude da Igreja. Pela palavra e pelo exemplo da disciplina dos costumes, restaurou a vida religiosa e rodeou-a de uma muralha de leis eficazes e santificadoras. Mais ainda: ele próprio e os seus discípulos fizeram passar os povos bárbaros, de um género de vida selvagem, a uma cultura humana e cristã. Convertendo-os à virtude, ao trabalho, às ocupações pacíficas das artes e das letras, uniram-nos entre si pelos laços das relações sociais e da caridade fraterna. [...]
No Monte Cassino brilhou uma nova luz que, alimentada pelos ensinamentos e a civilização dos antigos, e principalmente aquecida pela doutrina cristã, iluminou os povos e as nações que erravam sem destino, congregando-os e dirigindo-os para a verdade e para o bom caminho. [...]
Foi aí que Bento levou a instituição monástica a um género de perfeição que se esforçava há muito por alcançar pessoalmente, através da oração, da meditação e da experiência. Parece ter sido esse, com efeito, o papel especial e essencial que lhe foi confiado pela Divina Providência: não tanto levar o ideal da vida monástica do Oriente para o Ocidente, quanto harmonizá-lo e adaptá-lo com alegria ao temperamento, às necessidades e aos hábitos dos povos de Itália e de toda a Europa. Foi, pois, através dos seus cuidados que, à serena doutrina ascética que florescia nos mosteiros do Oriente, veio juntar-se a prática de uma atividade incessante, que permitia «comunicar aos outros as verdades contempladas», e que, para além de tornar férteis terras incultas, produzia frutos espirituais pelo trabalho do apostolado.

Venerável Pio XII (1876-1958)
papa
Encíclica «Fulgens radiatur», de 21/03/1947

quarta-feira, 17 de abril de 2019

ATENÇÃO/REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: Pensamentos


* Rir-se de tudo é próprio dos tontos, mas não se rir de nada é próprio dos estúpidos. - Erasmo

* A riqueza é como a água salgada. Quanto mais se bebe, mais sede dá. - Schopenhauer

* Educa pessoas sem religião e obterás demónios muito inteligentes. - G. Washington

* A mais ridícula de todas as pretensões é querer agradar a todos.  - Goethe

* A única tristeza desta vida é a de não sermos santos. - Léon Bloy

* Os melhores médicos são três: doutor Dieta, doutor Descanso e doutor Alegria. - J. Swift

* Há coisas que não se podem ver claras senão com olhos que choraram. - L. Veuillot

* Sem sacrifício não se faz nada de belo nem de grande na vida. - Lamnais

* Deitar-se cedo e madrugar dá saúde, riqueza e sabedoria. - B. Franklin

* A temperança e o trabalho são os melhores médicos do homem. - J. J. Rousseau
* O sorriso é o idioma universal das pessoas inteligentes. - Ruiz Iriarte
* O valor de um homem mede-se pela quantidade de solidão que consegue suportar. - F. Nietzshe
* Ser sincero não é dizer tudo o que se pensa, mas não dizer nunca o contrário do que se pensa. - André Maurois
* De todos os perigos que andam pelo mundo, a falta de sinceridade é o mais perigoso. - S. Freud
* Busquemos mais aquilo que nos une, do que aquilo que nos separa. - João XXIII
* Guarda a tristeza para ti próprio e reparte a felicidade com os outros. - Mark Twain
* Os homens ricos em lágrimas são bons. Afastai-vos de todo aquele que é seco de coração e dos olhos. - W. Goethe



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

LIVRO&LEITURA: Livro das Pequenas Revoluções

Segundo Elsa Punset, especialista em educação emocional, é este tipo de inteligência que nos permite identificar e gerir emoções (as nossas e as dos outros), determinando o sucesso de cada um no trabalho e na vida. Isto e muito mais no seu novo Livro das Pequenas Revoluções (ed. Planeta). Para saber mais, clicar AQUI.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO:Um coração alegre

Esperamos com demasiada frequência que a alegria venha a nós, quando a verdade é que a alegria é algo por cuja criação devemos assumir a responsabilidade, não só em nosso favor, mas também em favor dos outros. A alegria não é um acontecimento; é a atitude que uma pessoa saudável adota em cada situação da vida: trabalho, família, vida social, e até em momentos de tensão pessoal. Para saber mais, clicar AQUI.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Alguém perguntou a...

...Mahatma Gandhi quais os factores que destroem os seres humanos. Eis a sua resposta e respectivos exemplos; estes, da minha "lavra" e responsabilidade:

A Política sem princípiosaqui e aquipor exemplo. 
O Prazer sem compromisso: aqui e aqui, por exemplo.
A Riqueza sem trabalho: aqui e aqui, por exemplo.
A Sabedoria, sem carácteraqui e aqui&aqui, por exemplo.
Os Negócios, sem moral: aqui e aqui, por exemplo.
A Ciência sem humanidade: aqui e aqui por exemplo.
A Oração, sem caridade: aqui e aqui, por exemplo.
Entretanto Arun Gandhi, seu neto, a quem ele oferecera, escrita num pedaço de papel no dia em que pela última vez estiveram juntos pouco antes do seu assassinato, acrescenta, a esta lista, um oitavo erro:
Direito sem responsabilidade: aqui e aqui, um exemplo.

terça-feira, 21 de junho de 2016

"CULTURA&ECONOMIA: implicações e desafios", 12.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura

Cultura e Economia: distintas ou convergentes?
Não se reconhece cada vez mais – da universidade à empresa, dos centros de governação aos círculos de opinião, dos movimentos associativos às manifestações de cidadania – que a cultura é fator fulcral do conhecimento (integrante) irredutível à informação (especializada), do desenvolvimento humano (individual, social) irredutível ao crescimento económico, da participação cívica irredutível à passividade pública e ao espectarismo lúdico? Para saber mais, clicar AQUI
«Este capitalismo tem uma dimensão tumoral, patológica, cancerosa e transforma a economia na economia do inumano»
«O mercado devorou literalmente o trabalho», pelo que «a pessoa não é o referencial da atividade económica», sustentou, acrescentando que na «semântica do capitalismo» não se fala «em pessoas, mas em capital humano, em factor de produção trabalho, recursos humanos», afirmou o diretor do Instituto de Contabilidade e Administração de Coimbra. Para saber mais, clicar AQUI
Valorizar a cultura implica análise de custos, mas também «possibilidades de transcendência»




«Uma sociedade será, seguramente, muito mais pobre se não houver diversidade e se existir apenas, em termos culturais, aquilo que as pessoas gostem. As pessoas não podem gostar do que não conhecem; portanto, se damos o que elas gostam, estamos necessariamente a empobrecer», defendeu a vice-reitora da Universidade de Coimbra. Para saber mais, clicar AQUI
Importância da cultura na economia «abre aos católicos um campo extraordinário de intervenção»


Os desafios colocados hoje às empresas, que têm em comum o protagonismo dado ao ser humano, «abrem aos católicos um campo extraordinário de intervenção», que eles estão em «condições de vencer», considera o presidente da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva. Para saber mais, clicar AQUI

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CINEMA: "O Passado"

Gerida com delicadeza, na progressiva intimidade dos espaços e das personagens, a narrativa fílmica de Asghar Farhadi faz-nos olhar por dentro e por fora o que há de único e comum nas relações, ao mesmo tempo que levanta questões pertinentes sobre a complexidade das famílias, do papel do homem e da mulher, das relações de trabalho e de imigração que não se reduzem nem ao contexto francês nem ao iraniano. Prémio do júri ecuménico na última edição de Cannes, o filme foi elogiado como ilustração do versículo bíblico «e a verdade vos libertará» (João 8, 32).
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/o_passado.html

quarta-feira, 1 de maio de 2013

COMEMORAÇÃO: 1º de Maio

As parábolas transmitem uma impressão particularmente instrutiva dos múltiplos mundos de trabalho e dos diferentes contextos de vida dos contemporâneos de Jesus. Na sua diversidade situacional, revelam que o trabalho, aos olhos de Jesus, constitui uma evidente missão; no seu mundo de trabalho, o homem é percebido com todos os seus talentos e riqueza de ideias. A Jesus não interessa o estatuto social de alguém ou o valor da sua atividade, por isso ele pode falar muito naturalmente de um servo ou de um senhor, de um proprietário ou de um criado, de um rei ou do seu exército. Jesus vem ele próprio do mundo do trabalho e, durante a sua atividade pública, insere-se conscientemente no mundo do homem trabalhador. Dá assim a entender que confirma o mundo com as suas condições de vida e que vê no trabalho o elemento fundamental para a realização do mundo.
Ler mais em: http://www.snpcultura.org/Jesus_e_o_trabalho.html
                    http://www.snpcultura.org/papa_pede_novo_impulso_politica_emprego.html

E neste Dia do Trabalhador:

José Tolentino Mendonça
In Expresso, 27.4.2013
28.04.13

Hanna Arendt explica bem como este tempo a que nós chamamos, à falta de nome definitivo, era moderna se funda na inversão de posições entre a contemplação e a ação.
Os modos da existência contemplativa foram despojados da sua áurea (e, em grande medida, dos seus direitos de cidadania) e só a vida ativa é considerada legítima. O resultado foi a transformação efetiva de todo o agregado humano numa sociedade de trabalhadores.
O trabalho passou a ser visto como o fator determinante para a humanização, e o valor de cada pessoa vem descrito pelo valor económico que lhe está associado. Mesmo os reis e os presidentes, os médicos e os filósofos (etc, etc) passaram a olhar a sua atividade como um ganha-pão. Deixou de haver lugar para itinerários de natureza espiritual, artística ou política, dos quais pudessem brotar a evidência de dimensões humanas que a atividade laboral não cobre.
Ao perdermos a certeza naquelas realidades que a crença ou as artes iluminam, as nossas sociedades passaram a consolidar-se sempre mais como uma esfera de trabalho, e a satisfação das necessidades vitais impôs-se como o verdadeiro (para não dizer o exclusivo) elemento polarizador da atividade humana.
Mas Arendt pressiona ainda a nossa ferida e escreve: a perda da fé numa vida futura (ou numa vida diferente) não nos fez propriamente ganhar a vida. Longe disso. Tudo ficou, simplesmente, afetado pela instabilidade fundamental que carregamos. O que se desencadeou, no fundo, foi uma corrida cega para a frente, para não pensar muito nisso. Chegámos assim à hiperinflação do mundo do trabalho e à banalização redentora do consumo. Vivemos para trabalhar e para consumir. A vida e os bens que ela produz passaram a valer o mesmo não sei quê, esquivo e imediato, como a chama de um fósforo.
E não é tudo, como agora se vê. O campo do trabalho vive hoje uma convulsão que foge em muito ao nosso controlo e que nos obrigará a curto prazo a uma revisão de paradigma civilizacional. Os irrazoáveis números do desemprego testemunham a extensão da incerteza em que naufragámos.
Mas, mesmo mantendo um trabalho, muitos veem-se obrigados a defendê-lo a todo o custo, com uma sensação repetida de frustração, irracionalidade e solidão. Os problemas dos limites colocam-se cada vez mais. Acentua-se o fosso entre o que é possível e o que é pedido, numa aceleração permanente contra o tempo. A implacabilidade do sistema de trabalho cada vez menos respeita e acolhe a fragilidade da vida. Os trabalhadores têm de ser perfeitos e neutros como as máquinas que os rodeiam.
O psicólogo americano Gregory Bateson descreve as atuais práticas das grandes empresas como aquelas mães que dão com os filhos em esquizofrénicos com a quantidade de "injunções paradoxais" que lhes transmitem, sempre impossíveis de satisfazer, mas cada vez mais imperativas. Aumentam os objetivos a alcançar com meios assumidamente diminuídos. Quer-se maior qualidade e menor investimento. Estimula-se a autonomia e a criatividade individual à medida que se reforça o peso do controlo e a sofisticação extenuante dos processos. A racionalidade opera em banda estreita e veiculada a um uso puramente instrumental.
A crise contemporânea da atividade produtiva coloca-nos perante uma encruzilhada. E volto às palavras proféticas de Hanna Arendt: «O que se nos depara é a perspetiva de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, isto é, sem a única atividade que lhes resta». Precisamos seriamente de conversar.

domingo, 5 de agosto de 2012

FÉRIAS (d)e VERÃO com um convite à REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO (5)...

... para, neste tempo da vida, preparar outro tempo, o Outono-Inverno da vida que se segue.
E se "o tempo voa", eles estão já aí!


O trabalho, o ócio, festas e férias
O negócio ocupou tudo e esqueceu o ócio, no sentido grego das palavras, como explica o filósofo Gabriel Amengual. Ócio (no grego scholê, no latim otium), em princípio, significa estar livre dos negócios políticos ou do Estado e do governo e de actividades económicas, que, na Antiguidade, se definiam como o não-ócio, o negócio (a-scholía), e implica a orientação para o âmbito do pensar e da contemplação. "Ter ócio" significava festejar, ter alegria e a ocupação própria do tempo descansado - debates, concertos, teatro, etc. -, passando depois a significar o lugar dessas actividades (a escola, scholê). "Ócio significa tempo livre, possibilidade, oportunidade de algo." Neste quadro, o ócio era, para Platão, o pressuposto para a filosofia, em conexão com a liberdade e a verdade. Num contexto de escravatura, era, pois, privilégio dos homens livres. Para superar a tirania e a escravidão, não é, portanto, do ócio para a liberdade e a verdade que precisamos?
Ler mais em:

terça-feira, 24 de julho de 2012

Da utilidade do inútil

Primavera é sinónimo de novos ares, horizontes abertos, cores renovadas. Esta Primavera, mesmo se pouco respeitadora da tradição climática, trouxe-me pequenos sinais do que pode ser uma resposta à pergunta: “O que é mais importante criar, manter, repensar na relação da Igreja com a cultura?”
Dei comigo a pensar porque é que, em plena crise, centenas de pessoas aproveitaram a hora de almoço de 21 de Março para ir ouvir a Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, ao fundo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Temos que trabalhar para sermos úteis ao país, ouvimos todos os dias. Temos que trabalhar muito, repetem-nos à exaustão. O que estávamos, então, ali a fazer naquela saudação primaveril convertida em música, usando um tempo útil (tempo é dinheiro...) para ouvir uma orquestra ao ar livre, coisa inútil?
Afinal, sem crise, com crise ou apesar da crise, as pessoas procuram divertir-se, fazer pausas no quotidiano. Muitas vezes, para tentar fugir dos problemas, assumindo uma alienação pouco saudável. Outras, entrando no divertimento industrializado e massificado que, por vezes, deixa de ser divertimento e passa a ser apenas mais uma ocupação forçada do tempo.
Mas ele existe, o tempo do divertimento, do lazer, da festa. E levanta tremendos desafios aos cristãos. Quer na forma como se divertem ou usam o tempo livre, quer na forma como propõem a utilização. Que fique claro: não defendo que tenha que haver filmes cristãos, festivais de música cristã ou bares cristãos numa espécie de sociedade “purificada” e alternativa ao que existe. Mas na forma como cada um se situa ou naquilo que se propõe pode ser também traduzida uma identidade.
No precioso texto Do Tempo Livre à Libertação do Tempo, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (disponível em http://www.snpcultura.org/do_tempo_livre_a_libertacao_do_ tempo.html), podemos ler que “a democratização, o incremento das propostas culturais de vivência dos tempos livres são aspectos positivos de uma mutação profunda nos modos de vida, consolidando uma consciência do direito ao bem-estar e à qualidade de vida”. Por isso, a sua utilização é um “factor de desenvolvimento e acréscimo que dá vida à vida”.
Entre outras ideias importantes para os tempos que correm, o documento diz ainda que “a gratuidade do lúdico mostra uma dimensão existencial que não podemos negligenciar, abre uma clareira no utilitarismo habitual com que se pensa o tempo (time is money) e, em consequência, o homem. (...) Pensar o que se faz do tempo é reflectir como se define o homem.”
Esta afirmação leva-me a pensar que tive pena ter visto a Igreja abdicar tão prontamente da afirmação de uma outra antropologia que não a que nos pretende vender o homo economicus como única via: perante a ditadura financeira que nos cerca, a atitude deveria ter sido a de dizer a políticos, economistas, comentadores e financeiros que não deveríamos perder salários nem nenhum feriado – nenhum mesmo, civil ou religioso.
Para além das razões económicas que outros já sublinharam (trabalhar mais quatro ou cinco dias não resolve o problema do país; a questão não é que os portugueses trabalham pouco...), há outra razão mais funda: a celebração, a festa, introduz um tempo de diferenciação fundamental para a vivência dos afectos, do lúdico, da contemplação. E é isso que nos torna mais pessoas. O discurso da Igreja repete-o incessantemente, teria sido bom tê-lo traduzido numa posição concreta.
Como diz o texto citado, o tempo livre “não é apenas um tempo ‘entre’ tempos, já ocupados, mas interroga-nos, antes de mais, sobre a realização pessoal e social que projectamos, sobre o projecto que pessoal e socialmente desejamos para as nossas vidas. (...) O tempo livre é tempo de integração. De enriquecimento cultural, pessoal, afetivo. De exercitação do músculo da imaginação e da criatividade. De explicitação da vida interior.”
O tempo livre coloca-nos perante outra questão: ele é hoje um território ocupado em grande parte pelos jovens. E não é preciso fazer grandes esforços para reconhecer a dificuldade de a Igreja chegar aos mais novos – seja pelo discurso, seja por algumas práticas. Na sua Breve História da Alma, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cita Jack Kerouac, em Pela Estrada Fora: “A vida é sagrada e cada momento é precioso.” Esta é uma imagem da cultura juvenil actual, perante a qual a mensagem “eterna” da Igreja deve aceitar pôr-se em causa (por isso, penso que se teria acertado muito mais se, no ano de Guimarães Capital Europeia da Cultura e de Braga Capital Europeia da Juventude, se tivesse escolhido o tema da cultura juvenil para a sessão do Átrio dos Gentios que terá lugar em Guimarães, em Novembro).
Numa curta entrevista que pude fazer-lhe para o Público (edição de 26 de Maio), o cardeal Ravasi dizia que a Igreja deveria ser capaz de fazer descobrir “o eterno no tempo – e isso é o cristianismo. (...) Trata-se de descobrir a importância do instante, do tempo que se vive, mesmo para construir-se a si mesmo. Se a pessoa vive bem o presente, vive-se já, em certo sentido, criando. Quando se está enamorado, é como se se vivesse o eterno, a felicidade. (...) Devemos, talvez, tirar partido desta ligação ao quotidiano que têm os jovens, para lhes dizer que no presente se joga a vida.”
Jogar a vida. Os afectos, os anseios, as expectativas, o trabalho, o amor, a contemplação, o gratuito. Poder simplesmente olhar o mar, escutar uma música, ler um livro, ver um filme, passear, estar com amigos, beber um café... Na mesma entrevista, o cardeal Ravasi acrescentava: “Os modelos de desenvolvimento deveriam ser de tipo humanístico (...). A religião deve fazer qualquer coisa nesta linha. E também a cultura: impedir que tudo esteja nas mãos da finança, que o primado seja o do poder financeiro e do ter. (...) Henry Miller, descrente e anticristão, autor do Trópico de Câncer, escrevia: ‘A arte, como a religião, não serve para nada a não ser para mostrar o sentido da vida.’ Isto não é pouco.”
É mesmo muito.

Este texto segue a anterior norma ortográfica.

António Marujo
Jornalista do Público

FONTE: http://www.snpcultura.org/da_utilidade_do_inutil.html

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A outra "Santíssima Trindade"

ANSELMO BORGES
por ANSELMO BORGES, in Diário de Notícias, 12 de Maio de 2012

Salvo excelentes excepções, como Frei Bento Domingues, os teólogos em Portugal não se pronunciam sobre a crise económico-financeira. Não é o caso dos teólogos em Espanha. Alguns exemplos.
1. J. I. González Faus, da Faculdade de Teologia da Catalunha, faz uma crítica acérrima à presente situação. Voltando ao documentário célebre Inside Job, num artigo ácido que intitula "Agencias de rating o de raping?", denuncia os Bancos de investimento que vendiam activos tóxicos, sabendo-o. Lá estavam os peritos da Moody's e Standard and Poors, dizendo: "são AAA (fiabilidade máxima)." Deste modo, as três agências (Moody's, S & P e Fitch) ganharam milhões. Elas poderiam ter terminado a festa, dizendo: vamos ajustar os critérios. Mas não; pelo contrário, deram triplo A a Madoff, dias antes da sua queda. Meses antes da derrocada de Lehman Bro- thers, o próprio FMI declarou que estava "em boa situação financeira e os riscos parecem baixos".
Por isso, na arbitragem das agências, ao contrário do que deveria suceder, "é preciso partir do pressuposto da sua parcialidade e desonestidade, a não ser que se prove o contrário". O problema é que vivemos num sistema montado sobre a agressão do capital insaciável. "Se o Banco me emprestar dinheiro e eu o não devolver, tem direito a ficar com o que é meu e a continuar a exigir-me mais. Os que colocaram o seu dinheiro numa Caixa ou num Banco, se estes o não devolverem, não têm direito a nada." Cita o Papa João Paulo II: "A Igreja ensina a prioridade do trabalho frente ao capital: o trabalho sempre é uma causa eficiente primária enquanto o capital é só um instrumento." Mas comenta: "Isto só está em vigor a partir de uma ideia de Deus que nem os bispos partilham." E acrescenta: "Visto de Wall Street, o trabalhador é apenas uma ferramenta. E as ferramentas não têm dignidade."
A quem lhe atira que é um ignorante ou analfabeto económico responde: "Tive uma irmã gémea que morreu de cancro por culpa de uma clara falha médica. Quando lhe foi comunicado o diagnóstico fatal, limitou-se a dizer: 'Eu não saberei de medicina, mas quando digo que algo me dói é porque dói; mas ao médico não doía'. Receio que aos nossos médicos económicos lhes não dói."
2. José M. Castillo, da Universidade de Granada, pergunta: "Quem são os mercados?" O que se sabe é que, uma vez que o que interessa é o lucro, as pessoas investem somas fabulosas no capital financeiro e, neste momento, "ninguém sabe até onde chega a montanha imensa de dinheiro que os mercados manejam". O que é facto é que o movimento de capitais financeiros se move pelo mundo sem qualquer controlo, e um indivíduo, a partir de casa, com o seu computador, pode transtornar e afundar a estabilidade económica e as poupanças de milhões de pessoas.
Que fazer? Afinal, "a corrupção maior e mais perigosa não é a desta ou daquela pessoa, deste ou daquele político, desta ou daquela empresa. A corrupção mais grave é a corrupção do sistema económico em que estamos metidos", que enriquece mais os ricos e empobrece mais os pobres. Quem manda no mundo não são os políticos, mas a economia e a finança. "É urgente que nós todos pressionemos, cada um como puder e sempre com a mais transparente honradez, os que gerem o poder económico e político, para que regulem e controlem os mercados, aumente a produtividade e, em todo o caso, que o que se produz não beneficie tanto uns poucos à custa da ruína dos outros."
3. Xabier Pikaza, da Universidade de Salamanca, reflecte sobre a nova Trindade, frente à Trindade cristã. "A Trindade cristã era formada por Deus Pai, o Filho Jesus Cristo (que éramos todos os seres humanos) e o Espírito Santo (que era a comunhão ou amor entre Deus e os seres humanos, entre todos os seres humanos). Mas agora surgiu uma Trindade diferente, formada por Deus-Capital (que não é Pai, mas monstro que tudo devora), pelo Filho-Empresa, que não redime, mas produz bens de consumo ao serviço dos privilegiados do sistema, e pelo Espírito Santo-Mercado, que não é comunhão de amor, mas forma de domínio de uns sobre os outros."

domingo, 11 de dezembro de 2011

QUESTÕES de MORAL: A crise (1/3)

Reparou no título? Isso mesmo. Oiça "o quê", "o porquê" e sobretudo de que maneira
Mais uma das muito boas "partidas" da ANTENA 2, pois claro!!!
«Escrito e apresentado por Joel Costa.
Questões de Moral. Caído em cheio na era do progresso tecnológico, da política-espectáculo, o cidadão comum continua a interrogar-se quanto à circunstância histórica e moral que lhe cabe viver.
Em busca do nexo moral escondido no tempo das novas angústias...»
http://tv1.rtp.pt/play/?radiocanal=2#/?prog%3D1091%26idpod%3D208488%26fbtitle%3DRTP Play - Questões de Moral%26fbimg%3Dhttp%3A%2F%2Fimg0.rtp.pt%2FEPG%2Fimgth%2FphpThumb.php%3Fsrc%3D%2FEPG%2Fradio%2Fimagens%2F1091_1091_questoesmoral.jpg%26w%3D160%26h%3D120%26fburl%3Dhttp%3A%2F%2Fwww.rtp.pt%2Fplay%2F%3Fprog%3D1091%26idpod%3D208488
Por estas e por outras ANTENA 2 SEMPRE!!!

E quem quiser complementar o que ouviu e da forma como ouviu, aqui tem mais uma série de suplementos bem actuais & substanciais:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=26&did=41899
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/expressodameianoite/article1055166.ece
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/edicaodanoite/article1055158.ece
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldas9/article1055157.ece
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/jornaldas9/article1055156.ece
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=524613
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=524493
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=524471
http://aeiou.expresso.pt/o-que-trouxe-no-sapatinho-a-cimeira-europeia-de-9-de-dezembro=f693550
http://economico.sapo.pt/noticias/lideres-fecham-acordo-para-o-euro-sem-o-reino-unido_133349.html
http://economico.sapo.pt/noticias/moeda-unica-parece-ter-sido-um-erro_131690.html

(continua)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

EXIGÊNCIA, PROFISSIONALISMO E ORGULHO DO PROFESSOR

Sou professor numa escola pública do 2º ciclo do Ensino Básico.
Com o novo ano lectivo a começar, convém informar quem não sabe ou julga saber e lembrar quem 1, 2 , n vezes se esquece, o seguinte:
Se um médico, um advogado ou um dentista tivessem, de uma só vez, 30 pessoas no seu gabinete, todas elas com diferentes necessidades e algumas que não querem estar ali, e o médico, o advogado ou o dentista tivessem que tratá-las a todas com elevado profissionalismo durante dez meses, então poderiam fazer uma ideia do que é o trabalho do(a) professor(a) na sala de aula.