"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























Mostrar mensagens com a etiqueta lucros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lucros. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de fevereiro de 2013

(in)PRENSA semanal: a minha selecção

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.

José Gomes Ferreira comenta o corte de quatro mil milhões de euros no Estado Social
http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2013/02/09/jose-gomes-ferreira-comenta-o-corte-de-quatro-mil-milhoes-de-euros-no-estado-social
Tropeçar no vilão
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3032870&seccao=Viriato+Soromenho+Marques&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco
A nata
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3041382&seccao=Jos%25E9%2520Manuel%2520Pureza&tag=Opini%25E3o%2520-%2520Em%2520Foco&fb_action_ids=601260809887755&fb_action_types=og.likes&fb_source=aggregation&fb_aggregation_id=288381481237582
Até quando vão os banqueiros gozar connosco?
http://expresso.sapo.pt/ate-quando-vao-os-banqueiros-gozar-connosco=f785685?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2013-02-10
Então e Isaltino?
http://expresso.sapo.pt/entao-e-isaltino=f785731?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2013-02-10
Franquelim Alves esqueceu-se que afinal era um herói 
http://expresso.sapo.pt/franquelim-alves-esqueceu-se-que-afinal-era-um-heroi=f785535?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2013-02-10
Limitação de mandatos: clarificação da lei vem tarde demais
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1354&did=96192
Destruir Portugal
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3046198&seccao=Jo%E3o%20C%E9sar%20das%20Neves&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&page=-1
Publicar a grandeza
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3046283&seccao=Viriato Soromenho Marques&tag=Opini%E3o - Em Foco
Galp fecha postos se 'low cost' significar perder dinheiro
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3047568
Entretanto...
...Galp aumenta lucros em mais de 50% no primeiro semestre
http://www.executivedigest.pt/2012/07/27/galp-energia-com-mais-50-de-lucros/
Sobre a resignação de Bento XVI
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3048490&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco
O Papa verdadeiro, não o do preconceito
http://expresso.sapo.pt/o-papa-verdadeiro-nao-o-do-preconceito=f786619
Do amor à verdade
http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx?fil=455117
Bento XVI resigna. E depois?
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3056267&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=2
Da imoralidade e estupidez do Governo
http://expresso.sapo.pt/da-imoralidade-e-estupidez-do-governo=f786161?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2013-02-12
BPN: os culpados e o tal Franquelim
http://expresso.sapo.pt/bpn-os-culpados-e-o-tal-franquelim=f786373?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2013-02-12
Quem não exigir fatura arrisca multa do Fisco
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3050279
Consumidores que não pedem factura estão a ser "caçados" à porta das lojas
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=96601
Discurso da líder da Juventude Internacional Socialista torna-se viral
http://www.publico.pt/politica/noticia/criticas-de-lider-da-juventude-socialista-em-cascais-tornamse-virais-em-espanha-1584239?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoPolitica+%28Publico.pt+-+Pol%C3%ADtica%29
"Grândola Vila Morena" silencia Passos Coelho
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=96863



















sábado, 11 de agosto de 2012

Golpe de Estado financeiro: mais um clarividente e esclarecedor texto de...

ANSELMO  BORGES ... ANSELMO BORGES, DN, 11-08-2012

O pior que pode acontecer é o medo, porque não há confiança nem horizonte a abrir caminho. Mesmo sem se ser pessimista, percebe-se que a humanidade se encontra numa encruzilhada e é preciso estar preparado para o pior.
Nestas circunstâncias, não bastam boas intenções. É preciso reflectir e tentar ver claro. Deixo aí alguns pensamentos sobre a crise, a partir de reflexões do teólogo José Ignacio Calleja, prestigiado professor de Teologia Moral Social na Faculdade de Teologia de Vitoria, num texto em que afirma precisamente que "há um golpe de Estado financeiro no mundo, gerido por políticos", sendo necessário "impedir o fascismo social, para poder sair da crise".
É verdade que a crise é também de cultura moral e espiritual, mas não é possível avançar sem uma implicação séria e a fundo na social. Não se pode pretender fugir ao problema social, invocando apenas o caminho da crise espiritual e de valores. "Nada mais alienante e falso do que a religião desencarnada."
Aí ficam, pois, algumas reflexões fundamentais.
1. Na base, está "uma globalização económica, gerida no quadro do neoliberalismo, que apodreceu especulativamente todo o sistema financeiro e social". Para se ganhar dinheiro, este já não tinha de passar pela produção, pois o lucro tornava-se incomparavelmente mais fácil e vantajoso num mercado de capitais, "único, opaco e sem controlo sério". A apregoada auto-regulação não funcionou e o vírus especulativo tudo infectou e tornou-se incurável. Agora, há quem queira baixar a febre, mas, sem se ir às causas profundas, não se consegue. Sem reconhecer as causas desses efeitos e "os grupos sociais enriquecidos" que os protagonizam com vantagem, não se vai lá.
2. Com o objectivo de encontrar paliativos para esses efeitos, mas sem descer ao fundo do mal, "há um golpe de Estado financeiro no mundo, com especial efeito nos elos mais débeis do sistema dos ricos e subordinação das democracias e dos gestores políticos do momento ao poder financeiro".
3. No sentido de pensar uma resposta alternativa, J. I. Calleja apresenta algumas pistas.
Uma: "Impedir socialmente o que alguns já chamam o fascismo social", ou seja, que cada sector da população, encostando-se ao velho princípio do "salve-se quem puder e cada um que se arranje", aceite tudo o que viola os direitos dos outros, desde que os nossos não sejam afectados.
Outra tem a ver com a justiça e a equidade nos impostos e com o modo como estão a ser repartidos os esforços e as dificuldades, sem capacidade para tocar nos privilégios injustos inclusivamente da classe politico-partidária. Entre parêntesis - lembro eu -, não se pode esquecer que Portugal continua a ser um dos países ou mesmo o país da União Europeia onde o abismo entre os muito ricos e os muito pobres é mais fundo. "Sem uma reforma fiscal, orçamental e política profunda, não há saída para a solidariedade, imprescindível hoje."
Em terceiro lugar, é necessário aprofundar a convicção de que "não há saída, sem o controlo 'social-democrático' do sistema económico e financeiro internacional e nacional, na sua opacidade, desregulação, acumulação e 'soberania expropriada'". Os governantes do G20 não se podem esquecer do que disseram no início da crise - Bento XVI juntou-se-lhes com entusiasmo na sua encíclica "Caridade na Verdade" -, exigindo "refundar o capitalismo, regular o sistema financeiro internacional, acabar com os paraísos fiscais (aqui, lembro que os média davam conta nestes dias dos biliões dos super-ricos nesses paraísos, sem pagamento de impostos), desenvolver a taxa Tobin". De outro modo, não há democracia, pois o que fica é "a obediência a um golpe de Estado financeiro".
Talvez não se esperasse a última exigência, mas estou de acordo com ela e julgo que é fundamental. Escreve: Se se quiser uma saída justa e duradoura, é imprescindível uma vida moderada, "o decrescimento no desenvolvimento, para viverem todos com menos e bem". Isto é muito difícil politicamente, mas é necessário a curto prazo. Nem os recursos nem o ecossistema geral da vida nos permitem outra alternativa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

FÉRIAS (d)e VERÃO com um convite à REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO (1)...

... para, neste tempo da vida, preparar outro tempo, o Outono-Inverno da vida que se segue.
E se "o tempo voa", eles estão já aí!

A monja e o capitalismo não ético
por ANSELMO BORGES in DN, 28 Julho 2012



Nasceu em Barcelona em 1966. É doutorada em Medicina e em Teologia. Muito conhecida pelas suas posições feministas e pelas críticas às multinacionais farmacêuticas, Teresa Forcades é uma monja beneditina do Mosteiro de Sant Benet de Monserrat.
Conheci-a em Julho de 2011, em Santander, num Congresso de Teologia e Ética, e a impressão que me ficou foi a de uma mulher séria e agradável, descontraidamente inteligente e interventiva.
Foi recentemente convidada para a conferência inaugural de um encontro de empresários, talvez o mais importante da Catalunha, com a presença de umas seiscentas pessoas.
Ela é absolutamente favorável ao empreendedorismo. Quereria que isso fosse uma possibilidade para todos, pois isso significa realizar possibilidades e ter iniciativas próprias. Mas põe em causa o empresariado baseado numa relação contratual num quadro capitalista sem ética. Por três motivos.
É uma mentira o mercado que se diz livre. De facto, ao longo da história, o mercado nunca foi livre. "Foi sempre regulado a favor de certos interesses: da realeza, interesses proteccionistas, da classe dominante, do parente dos governantes de turno." Mercado livre é "uma hipocrisia, uma falácia".
Depois, a lógica do capitalismo, no quadro do mercado global, quer "o máximo lucro". Ora, é aberrante, do ponto de vista antropológico e humano, pensar que a melhor maneira de incentivar as pessoas, a sua criatividade, a actividade económica e, em última análise, o crescimento, seja o lucro máximo. Satisfeitas as necessidades básicas, "o que me estimula não é o dinheiro", mas a curiosidade intelectual, o desafio de descobrir potencialidades e encontrar quem ajude a realizá-las, o apreço dos colegas, a valorização do trabalho que faço, ver que o trabalho das pessoas transforma de modo positivo as suas vidas. Porque não criar uma sociedade fundada no que verdadeiramente nos dá gosto e nos realiza? E o direito à alimentação, à educação, à saúde, à reforma tem de estar acima do mercado e do lucro.
Portanto, o capitalismo não lhe parece ético. E assume a crítica marxista da mais-valia, dando um exemplo: no mosteiro, temos uma pequena empresa de cerâmica e há uma pessoa de fora que lá trabalha; se lhe pagarmos um euro e ganharmos mil, o capitalismo dirá: que bem! "Mas isto é indigno, pois vai contra a dignidade do trabalho." Há diferenças aberrantes: num contrato, "talvez esteja bem que eu ganhe um e tu ganhes quatro ou até dez, mas mil não pode ser de modo nenhum".
É, pois, claríssimo que temos de pensar e organizar uma alternativa. "Quem nos ensinou a não confiar que não nos podemos organizar melhor, ao constatarmos, como constatamos, que o modo actual é tão claramente contrário aos interesses da maioria?" O bloqueio da imaginação é um sinal de alarme. É como se se tornasse não possível para mim, que sou monja e prefiro esta vida, imaginar para mim própria uma vida fora do mosteiro. "Se já nem sequer posso imaginar uma alternativa, creio que isso é um sinal de alienação mental."
O que é e aonde leva a especulação? Eu compro todo o trigo e guardo-o. As pessoas vão morrendo, mas, quando os preços subirem, vendo pelo dobro. "Isto aconteceu, e estes senhores do Goldman Sachs sentam-se nas primeiras filas dos convénios e recebem prémios, mas deviam estar na cadeia." São responsáveis por mortes. Jean Ziegler, das Nações Unidas, diz que isto é assassínio organizado. Presentemente, produzem-se alimentos para 12 mil milhões de pessoas, mas há mil milhões com fome. Cada dia morrem 26 mil crianças de fome.
A conversão fundamental é, na nossa visão do mundo, a da passagem da relação sujeito-objecto para uma relação sujeito-sujeito, substituindo assim uma relação de dominação por uma relação de jogo de subjectividades, no qual entram dignidades.
Se continuarmos nesta "alienação mental", neste bloqueio da renovação social, porque os políticos só pensam nas próximas eleições, sem capacidade para criar uma alternativa, a nossa situação pode piorar e podemos assistir a um fascismo social e político e até a uma guerra.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Foi fácil, barato e deu milhões. E agora, quem paga?

Manuel Esteves - mesteves@negocios.pt
Os portugueses andaram a viver acima das suas capacidades - já se repetiu até à exaustão. Para isso, precisaram de crédito. Crédito fácil, barato e que deu milhões a quem o deu. Pode, por isso, dizer-se que os bancos andaram a emprestar acima das suas capacidades. Os portugueses estão a pagar por isso. E os bancos, estarão?

À primeira vista, olhando para os resultados financeiros, parece que sim. Três dos quatro maiores bancos privados portugueses tiveram prejuízos de 1.100 milhões de euros em 2011. Porém, este enorme prejuízo deveu-se sobretudo a três factores extraordinários que dificilmente se repetirão: perdas motivadas pela exposição à dívida pública grega; imparidades para crédito reclamadas pela troika; e prejuízos provocados pela transferência dos fundos de pensões para a Segurança Social.

Todos estes prejuízos podem ser vistos como um investimento em resultados futuros. Com a Grécia, há uma antecipação das futuras perdas motivadas por um perdão "voluntário" dos credores; a transferência dos fundos retira um pesado fardo das costas dos bancos; e as imparidades tornam mais transparente e "verdadeiro" o balanço das instituições.

Assim, embora a margem de actividade dos bancos seja estreita (devido à restrição na concessão de crédito e à pressão do crédito malparado), é de esperar que os prejuízos não se repitam este ano.

Será que o mesmo se pode dizer para o conjunto de cidadãos que pediram dinheiro emprestado aos bancos? Não. Todas as previsões mostram que o desemprego continuará a subir e o rendimento disponível a diminuir nos próximos anos.

Por outro lado, os prejuízos da banca em 2011 não nos devem fazer esquecer os lucros que as mesmas instituições obtiveram ao longo de anos. Por exemplo, entre 2006 e 2010, os mesmos três bancos (BCP, BES e BPI) tiveram lucros de 5,7 mil milhões de euros - cinco vezes mais do que os prejuízos registados em 2011. Assim, se o prejuízo, como tudo indica, não se repetir este ano, o negócio do crédito arriscado e irresponsável mais do que compensou.

Se há algo que choca na abordagem do poder político a esta crise é a forma como trata bancos, por um lado, e Estados, por outro. Para que os Estados grego, irlandês e português recebessem os primeiros empréstimos da Zona Euro, tiveram de suar as estopinhas, com resultados muito duvidosos. Já a banca teve a vida muito mais facilitada, com a possibilidade de se financiar quase a preço zero junto do BCE, continuando a beneficiar de importantes linhas de crédito, fundamentais para se manter a pulsação do sistema financeiro.

Mas não é só nos apoios. É também na atribuição de responsabilidades. O discurso dominante responsabiliza os Estados e respectivos governos pela situação dos países, mas pouco se critica a forma gananciosa como foram geridos os bancos.

É evidente que nesta crise a banca tem de ser tratada com todo o cuidado, até porque é nos bancos que estão as poupanças e ordenados dos cidadãos. Não há economia sem banca saudável. Mas também não se pode confundir sistema bancário com accionistas dos bancos.

A Europa tem de se preocupar mais com os Estados e tratá-los sem preconceitos ideológicos. Essa é a única forma de garantir que, no final, alguém se preocupará com os cidadãos.

Editor de Economia
"Visto por dentro" é um espaço de opinião de jornalistas do Negócios


Do mesmo autor, "Não é o momento oportuno para dizer... a verdade"
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=535789