"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

LEITURA: "Nascemos e jamais morreremos"

Quem é Chiara Corbella Petrillo? Porquê tanta atenção à sua volta? O que é que ela fez?
Desportista adulada? Estrela de cinema "Óscar(izada)"? Cançonetista-compositora "Grammy Award"? Modelo fotogénica? Apresentadora telegénica? Concursista afamada, leia-se mal-formada? Política da moda (in)corruptível ou (in)corrupta? Uma funcionária "golden"? Empresária e/ou Banqueira "D.D.T.", i.é, "Dona Disto Tudo"? E "afins" por aí fora?
Nãããããooo, nãããããooo!
Uma MULHER? Um EXEMPLO desafiante, interpelante - no gerúndio é outra coisa - e a seguir? Uma demonstração de força do que FÉ&AMOR são capazes?
Sim, sim e sim!!!
Informação, directamente da fonte em
http://www.snpcultura.org/nascemos_e_jamais_morreremos.html
«Chiara Corbella Petrillo morreu com 28 anos, em Junho de 2012, vítima de cancro, por ter posto a vida da criança que trazia no ventre à frente da sua. Antes do nascimento deste filho, Francesco, em Maio de 2011, já Chiara e o seu marido Enrico tinham acompanhado no seu nascimento para o Céu os seus dois primeiros filhos, Maria Grazia Letizia, nascida em 2009, e Davide Giovanni, em 2010.». A Editorial A.O. apresenta a 28 de novembro, em Lisboa, e no dia 30, no Porto, a obra "Nascemos e jamais morreremos - A vida de Chiara Corbella Petrillo», sessões que contam com a presença de Enrico, marido de Chiara, do seu filho Francesco, e do casal autor do livro, Simone Troisi e Cristiana Paccini... «"Como podem dizer que morreu, quem permanece tão vivo no meu coração?”, interrogava-se Santo Agostinho. Esta interrogação faz sentido para os que conhecemos e amamos, mas com este livro percebi que também faz sentido mesmo quando nunca chegamos a conhecer as pessoas em vida. «Misteriosamente Chiara nasceu no meu coração muito depois de ter morrido e sinto que ficará viva para sempre. A sua alegria, a sua entrega, a sua liberdade interior, a sua fé e o seu grande amor pela família e pela vida, são agora também pilares da minha fortaleza interior», escreve a jornalista Laurinda Alves, responsável pela apresentação do livro em Lisboa, às 21h00, no auditório do Colégio S. João de Brito. Por seu lado, Carmo e Bento Amaral, que farão o lançamento do volume no auditório da paróquia de Cedofeita, no Porto, às 16h30, sublinham: «A história deste casal ensina-nos que a Vida está cheia de pequenos momentos de felicidade, mesmo nas alturas de maior sofrimento. Ensina-nos que o sofrimento não é a inexistência de felicidade, mas pode ser o lugar onde se descobre a verdadeira felicidade».
Extractos (Prefácio à edição portuguesa e Introdução) do livro em pré-publicação:
A vida de Chiara Corbella Petrillo tinha que ser trazida à luz – «Não se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire» (Mt 5, 15) ... Disso quiseram dar testemunho, neste livro, o seu marido, Enrico Petrillo, e os seus amigos Simone Troisi e Cristiana Paccini ... Foi necessário percorrer este caminho de cruz, para poder receber livremente de Deus a sua última e exigente missão: dar a vida por Francesco, o filho tão esperado e, finalmente, destinado a viver junto deles. Entre a sua vida ameaçada por uma doença agressiva e fatal e a vida que traz dentro de si, escolhe a última. Porque é dom de Deus, e não pertença sua. Generosamente, vai-se retirando para que o filho não sofra com o corte da relação com aquela que o trouxe à vida. Amar não é possuir. É querer o bem do outro ... Finalmente, vive o sofrimento de uma doença terminal e mutilante com a Serenidade ... Há muitas histórias de sofrimento idênticas à de Chiara ... O sofrimento sem sentido fecha-nos dentro de nós mesmos. Mata a relação que nos realiza enquanto seres humanos. Fomos criados por Amor, para amar e ser amados. O Amor está impresso no coração de todos os homens, mesmo daqueles que não acreditam que a fonte desse Amor é Deus. Todos sem excepção somos carentes de Amor! ... Chiara mostra que é possível viver bem a situação de doença. Até ao fim. Vence o medo e a aridez espiritual abrindo o coração para acolher o amor de Deus e de quantos dela se aproximam ... Dando-lhes a possibilidade de amar, ama-os, e o sofrimento, em vez de morte, gera vida, alegria interior e comunhão. Aceita a doença. Vive o “hoje” como condição necessária para poder enfrentar a vida, saboreando e agradecendo as pequenas alegrias que cada dia lhe traz, animando todos os que, como ela, estão fragilizados. Não perde a oportunidade de verbalizar o quanto ama cada pessoa que a acompanhou ao longo da sua vida. Para crentes e não crentes, a forma como viveu e deu sentido ao sofrimento faz do seu testemunho uma mensagem de esperança ... Ao longo destas páginas, em que Simone e Cristiana nos fazem comungar da grandeza do Amor, é impossível não estabelecer o paralelismo entre as vidas de Chiara e de Jesus. A permanente comunhão com o Pai, através da oração. O serviço aos mais frágeis. O esquecimento de si. A experiência de sentir-se abandonada logo seguida do acolhimento da vontade de Deus. E, finalmente, a entrega radical da vida, por Amor ... Quem vê Chiara, vê Jesus, vê o Pai – diz o seu director espiritual. Como acontece diante de Jesus na cruz, confrontados com esta história de santificação, somos compelidos a dizer: «o quanto amou»! Na vasilha que foi o mais íntimo do seu coração, e que encheu na fonte da Vida sob o olhar de Maria, Chiara transformou a dor em Amor, Paz e Alegria. Esse foi o milagre da sua vida ...Com Chiara, somos levados ao Céu, à comunhão com o Amor. À Eternidade. Onde nunca mais morreremos.
«Chamo-me Chiara, tenho 25 anos, sou casada há um ano e alguns meses com o Enrico. Nesta noite, se conseguir, partilho convosco a história da nossa filha, Maria Grazia Letizia, que nasceu no dia 10 de Junho deste ano». Estamos no dia 19 de Novembro de 2009. Chiara está a dar um testemunho na igreja de Santa Francesca Romana, no Ardeatino, em Roma. As suas palavras naquela noite abrem os corações de muitas pessoas. Uma história exemplar, partilhada de modo simples, com toda a naturalidade. Não é possível interpretar mal o que ela diz. Tal como é impossível não compreender a verdade que, diz Chiara, «Deus coloca dentro de cada um de nós». Chiara e Enrico tinham decidido levar até ao fim a gravidez de uma menina anencéfala. A menina nasceu, foi baptizada e meia hora depois subiu para o Pai. Agora eles, cinco meses depois de um funeral em que Chiara tocou violino e Enrico cantou as suas canções, estavam ali a partilhar a misteriosa alegria que os tinha acompanhado. Apenas três anos depois, muitos dos que tinham conhecido Chiara naquela ocasião participaram no seu funeral. E era algo verdadeiramente especial sentir-se a fazer parte de tal acontecimento. Naquela ocasião, o Padre Vito, director espiritual dos Petrillo, convidou os presentes a deixarem-se interrogar por esta família que, entretanto, tinha acolhido um outro filho, também este morto logo após o nascimento, e tinha vivido com confiança e paz a doença de Chiara durante a sua terceira gravidez. Quem quisesse conhecer a história de Chiara e Enrico teria encontrado, entre familiares e amigos, testemunhas desta vida extraordinária disponíveis para contar como tudo aconteceu. Aqui estamos. Nós estamos entre as testemunhas. Incrivelmente, estivemos com eles nos momentos mais decisivos. Este livro nasce graças aos pedidos de quem se aproximou de Chiara, mesmo só por ter ouvido falar. Por dom de Deus, vivemos com eles este caminho de graça, de maravilhas belíssimas como um arco-íris depois de um grande temporal. E foram grandes e muitos os dilúvios. Quem é Chiara? Porquê tanta atenção à sua volta? O que é que ela fez? À primeira vista, a sua é uma história dramática de uma mãe que morre de cancro, deixando sozinhos o marido e o filho. Provavelmente, uma história semelhante a tantas outras (permita-se-me abrir aqui um parêntesis para lembrar o caso, por exemplo, de Gianna Beretta Molla, ir, p.f., ao link http://pt.wikipedia.org/wiki/Gianna_Beretta_Molla) . Mas nesta há algo diferente. Tudo foi vivido na alegria e transformou-se em vida para os outros. Como uma criança que segue o cheiro de um bolo que acabou de sair do forno, tantos seguiram o perfume destes dois esposos que reconhecem no sofrimento a sua dança, que sorriem enfrentando as provas mais duras e descobrem uma felicidade à qual todos nós, na verdade, somos chamados. Um perfume inebriante, perturbador, que se agarra a ti, mesmo que, assustado, inicialmente o tenhas combatido. Que coisa ou quem levou Chiara a morrer assim? Escutámos aqueles que a amaram com um amor único, mais forte do que qualquer tempestade. Fizemos memória de todos os momentos que o Senhor nos concedeu poder partilhar com ela. Porque esta história contém uma mensagem. É um anúncio sólido e credível de algo que aconteceu há dois mil anos e que continua a acontecer em cada dia, desde então. «A quantos O receberam, aos que n’Ele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». Uma pessoa morre como viveu. Chiara morreu de uma maneira incrível, sorrindo diante da morte. Muito mais do que serena: feliz. Estar a seu lado foi ver o viver e o morrer de um filho de Deus. Existe uma fotografia de Chiara e Enrico em que eles se afastam, de costas, abraçados. Foi tirada no dia 4 de Abril de 2012, menos de uma hora depois do veredicto dos médicos. Estávamos numa das pontes que ligam a Ilha Tiberina e o Fatebenefratelli, o hospital romano que Chiara e Enrico deixavam pela enésima vez, sempre da mesma maneira, abraçados. Como sempre, sem que o soubéssemos, tínhamos chegado ao hospital na hora certa. (...) Nós fomos espectadores e protagonistas de cada acontecimento da sua história. Frequentemente, com Chiara, perguntávamo-nos o porquê disto. Talvez o descubramos somente quanto morrermos, quando o amor nos explica todas as coisas. A seu lado não custava nada acreditar na vida eterna. Parecia que a podias tocar, davas-te conta de estar já mergulhado nela. Um dos maiores dons que eles nos deram foi mostrar-nos que aquilo que temos é o hoje. E neste presente podes ser feliz, muito mais do que terias a coragem de imaginar. É nas coisas comuns que o extraordinário de Deus pode intervir. E eles aprenderam de modo admirável a dar espaço à graça, que não vê a hora de te mostrar as maravilhas de que é capaz. O engano maior é pensar que isto seja um privilégio reservado aos Petrillo, é acreditar que eles foram «especiais». Pelo contrário, Deus é Pai de todos, da mesma maneira. Muitas vezes, olhando para eles, pensámos que, se Deus ajuda desta forma, também nós poderemos levar a nossa cruz. O seu casamento foi a estrutura de tudo isto. Neste sacramento, a graça multiplicava-se. Diante dos nossos olhos, eles transformavam-se em altar. Vimo-los, pouco a pouco, restituir tudo: Maria Grazia Letizia e Davide Giovanni, o pequenino Francesco, os seus projectos de jovem casal. Mas sobretudo o seu amor, a parte mais dura. Não nos lembramos de um só dia de desespero. Pelo contrário, a sua alegria crescia. Reconheciam cada coisa como um dom e eram muito conscientes que esta terra não é a nossa pátria e nós não somos o ponto de chegada. Entretanto, também o nosso paladar mudava: «Aquilo que me parecia amargo foi transformado em doçura de alma e de corpo». O corpo é feito para amar, é este o seu objectivo. É através do corpo que o mal, a frustração, a dor nos atingem na nossa história e nos nossos dias. Mas a boa notícia é que precisamente através de um outro Corpo chegarão a consolação e a salvação. Chiara e Enrico mostraram-nos isso com a sua história; viveram o casamento como um caminho seguro para a santidade, como uma vocação plena. Se por milagre se entende uma cura física, então este livro não contém milagres. Nenhuma cura. O milagre que contamos é outro: uma alegria desarmante, simples e transparente. Um tesouro a descobrir. A perfeita alegria de Francisco de Assis (ou misteriosa alegria, como diria Enrico) que transforma o mal em bem, que alarga o coração e o horizonte. (...) Talvez a história de Chiara esteja destinada a isto, a mostrar a beleza do matrimónio que, com as suas urgências, os seus dons e as suas dificuldades, é realmente um caminho que santifica. Os esposos, de facto, revelam ao mundo como Deus ama. «Nós não nos sentimos corajosos», disse uma vez Chiara, «porque na realidade a única coisa que fizemos foi dizer SIM, passo a passo». Esta frase é um pequeno tesouro. Contém tudo aquilo que é preciso saber. A oração e a fraternidade foram fundamentais. Sem a oração, diziam, não teriam sido capazes de fazer nada. Tantas pessoas, não só os mais próximos, rezaram por eles, um pouco por todo o mundo. Juntaram-se, pouco a pouco, novos companheiros de viagem. Cada um chegando na hora certa, cada um sinal daquela Providência que proporcionava toda esta maravilha. Foram apoio para eles, e nas fases mais duras eram aquela pequena chama que iluminava a escuridão. Junto ao nosso, estão também aqui os seus testemunhos: dos familiares, amigos e médicos que percorreram toda ou parte desta estrada. Nestes anos, vimos como a história de Chiara se difundiu de maneira inesperada. Entrou nas casas, nos hospitais e em tantas outras histórias. Para relatar os seus efeitos seria necessário um outro livro. Logo a após a sua morte, o interesse por ela subiu até às estrelas (em todos os sentidos), deixando-nos estupefactos e gratos. «Toda esta luz», disse Enrico, «está a difundir-se sem que eu faça nada. Telefonou-me o Cardeal Vallini e disse-me, naquela manhã, que viria ao funeral da Chiara... sempre nos maravilhámos por tanto amor à nossa volta». Em resumo, porquê escrever um livro? Porque muitos querem conhecer Chiara. Perceber como fez para viver (e morrer) assim. Muitos sabem simplesmente que é uma jovem mulher, que morreu depois de ter adiado os tratamentos para que pudesse nascer o seu filho, mas é muito mais do que isso. Por detrás de tudo está um casamento lindíssimo, vivido plenamente e na alegria. Um amor tão verdadeiro que os levou juntos à cruz. Aquilo que vimos, vos narramos agora. A beleza salvará o mundo, escreveu Dostoevskij. Sim, mas que beleza? A de um rosto feliz no sofrimento. A do rosto de Jesus. Uma beleza que também Chiara nos mostrou.
Vídeo legendado e comentado, directamente da fonte:
 


Chiara Corbella Petrillo morreu com 28 anos, em Junho de 2012, vítima de cancro, por ter posto a vida da criança que trazia no ventre à frente da sua. Esta história comoveu centenas de milhares de pessoas em Itália, que quiseram saber mais sobre esta jovem mãe, testemunha de uma profunda confiança em Deus e, sobretudo, do poder do amor materno. Antes do nascimento do seu terceiro filho, Francesco, em maio de 2011, já Chiara e o seu marido Enrico tinham acompanhado no seu nascimento para o Céu os seus dois primeiros filhos, Maria Grazia Letizia, nascida em 2009 e Davide Giovanni, em 2010. Ambos sofriam de deficiências graves que lhes provocaram a morte poucos minutos depois do parto. Nos dois casos, Chiara e Enrico decidiram levar até ao fim a gravidez, dando aquilo que Chiara chamava “os pequenos passos possíveis” que Deus ia pedindo a este jovem casal. Um testemunho de fé e de vida que manifesta o que há de mais sagrado e forte no casamento e na maternidade, a entrega da própria vida por amor. Porque “o importante na vida não é fazer grandes coisas, mas nascer e deixar-se amar”.
SIM, a esta "Visita de Estudo" e/ou "Acção de Formação", mesmo num domingo à tarde, faça sol, faça chuva, ou "chovam picaretas" eu, um "Zaqueu" à sua beira, obviamente e porque sim, FUI!

P.S. Sublinhados, "bold's" e "amarelados" da minha responsabilidade.

domingo, 3 de novembro de 2013

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHOLc 19,1-10
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade.
Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu,
que era chefe de publicanos.
Procurava ver quem era Jesus,
mas, devido à multidão, não podia vê-l’O,
porque era de pequena estatura.
Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro,
para ver Jesus,
que havia de passar por ali.
Quando Jesus chegou ao local,
olhou para cima e disse-lhe:
«Zaqueu, desce depressa,
que Eu hoje devo ficar em tua casa».
Ele desceu rapidamente
e recebeu Jesus com alegria.
Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo:
«Foi hospedar-Se em cada dum pecador».
Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo:
«Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens
e, se causei qualquer prejuízo a alguém,
restituirei quatro vezes mais».
Disse-lhe Jesus:
«Hoje entrou a salvação nesta casa,
porque Zaqueu também é filho de Abraão.
Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar
o que estava perdido».
AMBIENTE
O episódio de hoje coloca-nos em Jericó, o oásis situado nas margens do mar Morto, a cerca de 34 quilómetros de Jerusalém. Era a última etapa dos peregrinos que, da Pereia e da Galileia, se dirigiam a Jerusalém para celebrar as grandes festividades do culto judaico (o que indica que o “caminho de Jerusalém”, que temos vindo a percorrer sob a condução de Lucas, está a chegar ao fim).
No tempo de Jesus, é uma cidade próspera (sobretudo devido à produção de bálsamo), dotada de grandes e belos jardins e palácios (por acção de Herodes, o Grande, que fez de Jericó a sua residência de inverno). Situada num lugar privilegiado de uma importante rota comercial, era um lugar de oportunidades, que devia proporcionar negócios chorudos (e também várias possibilidades de negócios “duvidosos”).
O personagem que se defronta com Jesus é, mais uma vez, um publicano (neste caso, um “chefe dos publicanos”). O nosso herói é, portanto, um homem que o judaísmo oficial considerava um pecador público, um explorador dos pobres, um colaboracionista ao serviço dos opressores romanos e, portanto, um excluído da comunidade da salvação.
MENSAGEM
Voltamos aqui a um dos temas predilectos de Lucas: Jesus é o Deus que veio ao encontro dos homens e Se fez pessoa para trazer, em gestos concretos, a libertação a todos os homens – nomeadamente aos marginalizados e excluídos, colocados pela doutrina oficial à margem da salvação.
Zaqueu (é o nome do publicano em causa) era, naturalmente, um homem que colaborava com os opressores romanos e que se servia do seu cargo para enriquecer de forma imoral (exigindo impostos muito acima do que tinha sido fixado pelos romanos e guardando para si a diferença, como aliás era prática corrente entre os publicanos). Era, portanto, um pecador público sem hipóteses de perdão, excluído do convívio com as pessoas decentes e sérias. Era um marginal, considerado amaldiçoado por Deus e desprezado pelos homens. A referência à sua “pequena estatura” – mais do que uma indicação de carácter físico – pode significar a sua pequenez e insignificância, do ponto de vista moral.
Este homem procurava “ver” Jesus. O “ver” indica aqui, provavelmente, mais do que curiosidade: indica uma procura intensa, uma vontade firme de encontro com algo novo, uma ânsia de descobrir o “Reino”, um desejo de fazer parte dessa comunidade de salvação que Jesus anunciava. No entanto, o “mestre” devia parecer-lhe distante e inacessível, rodeado desses “puros” e “santos” que desprezavam os marginais como Zaqueu. O subir “a um sicómoro” indica a intensidade do desejo de encontro com Jesus, que é muito mais forte do que o medo do ridículo ou das vaias da multidão.
Como é que Jesus vai lidar com este excluído, que sente um desejo intenso de conhecer a salvação que Deus oferece e que espreita Jesus do meio dos ramos de um sicómoro? Jesus começa por provocar o encontro; depois, sugere a Zaqueu que está interessado em entrar em comunhão com Ele, em estabelecer com Ele laços de familiaridade (“quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa»”). Atente-se neste quadro “escandaloso”: Jesus, rodeado pelos “puros” que escutam atentamente a sua Palavra, deixa todos especados no meio da rua para estabelecer contacto com um marginal e para entrar na sua casa. É a exemplificação prática do “deixar as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que estava perdida”… Aqui torna-se patente a fragilidade do coração de Deus que, diante de um pecador que busca a salvação, deixa tudo para ir ao seu encontro.
Como é que a multidão que rodeia Jesus reage a isto? Manifestando, naturalmente, a sua desaprovação às atitudes incompreensíveis de Jesus (“ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «foi hospedar-se em casa de um pecador»”). É a atitude de quem se considera “justo” e despreza os outros, de quem está instalado nas suas certezas, oferta de salvação que Deus faz não exclui nem marginaliza ninguém.de quem está convencido de que a lógica de Deus é uma lógica de castigo, de marginalização, de exclusão. No entanto, Jesus demonstra-lhes que a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens e que a
Como é que tudo termina? Termina com um banquete (onde está Zaqueu, o chefe dos publicanos) que simboliza o “banquete do Reino”. Ao aceitar sentar-Se à mesa com Zaqueu, Jesus mostra que os pecadores têm lugar no “banquete do Reino”; diz-lhes, também, que Deus os ama, que aceita sentar-Se à mesa com eles – isto é, quer integrá-los na sua família e estabelecer com eles laços de comunhão e de amor. Jesus mostra, dessa forma, que Deus não exclui nem marginaliza nenhum dos seus filhos – mesmo os pecadores – mas a todos oferece a salvação.
E como é que Zaqueu reage a essa oferta de salvação que Deus lhe faz? Acolhendo o dom de Deus e convertendo-se ao amor. A repartição dos bens pelos pobres e a restituição de tudo o que foi roubado em quádruplo, vai muito além daquilo que a lei judaica exigia (cf. Ex 22,3.6; Lev 5,21-24; Nm 5,6-7) e é sinal da transformação do coração de Zaqueu… Repare-se, no entanto, que Zaqueu só se resolveu a ser generoso após o encontro com Jesus e após ter feito a experiência do amor de Deus. O amor de Deus não se derramou sobre Zaqueu depois de ele ter mudado de vida; mas foi o amor de Deus – que Zaqueu experimentou quando ainda era pecador – que provocou a conversão e que converteu o egoísmo em generosidade. Prova-se, assim, que só a lógica do amor pode transformar o mundo e os corações dos homens.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir das seguintes linhas:
• A questão central posta por este texto é, portanto, a questão da universalidade do amor de Deus. A história de Zaqueu revela um Deus que ama todos os seus filhos sem excepção e que nem sequer exclui do seu amor os marginalizados, os “impuros”, os pecadores públicos: pelo contrário, é por esses que Deus manifesta uma especial predilecção. Além disso, o amor de Deus não é condicional: Ele ama, apesar do pecado; e é precisamente esse amor nunca desmentido que, uma vez experimentado, provoca a conversão e o regresso do filho pecador. É esta Boa Nova de um Deus “com coração” que somos convidados a anunciar, com palavras e gestos.
• A vida revela, contudo, que nem sempre a atitude dos crentes em relação aos pecadores está em consonância com a lógica de Deus… Muitas vezes, em nome de Deus, os crentes ou as Igrejas marginalizam e excluem, assumem atitudes de censura, de crítica, de acusação que, longe de provocar a conversão do pecador, o afastam mais e o levam a radicalizar as suas atitudes de provocação. Já devíamos ter percebido (o Evangelho de Jesus tem quase dois mil anos) que só o amor gera amor e que só com amor – não com intolerância ou fanatismo – conseguiremos transformar o mundo e o coração dos homens. Na verdade, como é que acolhemos e tratamos os que têm comportamentos socialmente inaceitáveis? Como é que acolhemos e integramos os que, pelas suas opções ou pelas voltas que a vida dá, assumem atitudes diferentes das que consideramos correctas, à luz dos ensinamentos da Igreja?
• Testemunhar o Deus que ama e que acolhe todos os homens não significa, contudo, branquear o pecado e pactuar com o que está errado. O pecado gera ódio, egoísmo, injustiça, opressão, mentira, sofrimento; é mau e deve ser combatido e vencido. No entanto, distingamos entre pecador e pecado: Deus convida-nos a amar todos os homens e mulheres, inclusive os pecadores; mas chama-nos a combater o pecado que desfeia o mundo e que destrói a felicidade do homem.
• O Deus é uma figura benevolente e tolerante, cheia de bondade e misericórdia, que não quer a destruição do pecador, mas a sua conversão e que ama todos os homens que criou, mesmo aqueles que praticam acções erradas. Ora, todos nós conhecemos bem este quadro de Deus, pois ele aparece-nos a par e passo… Mas já o interiorizámos suficientemente?
• Interiorizar esta “fotografia” de Deus significa “empapar-nos” da lógica do amor e da misericórdia e deixar que ela transpareça em gestos para com os nossos irmãos. Isso acontece, realmente? Qual é a nossa atitude para com aqueles que nos fizeram mal, ou cujos comportamentos nos desafiam e incomodam?
• Muitas vezes, percebemos certos males que nos incomodam como “castigos” de Deus pelo nosso mau proceder. No entanto, este texto deixa claro que Deus não está interessado em castigar os pecadores… Quando muito, procura fazer-nos perceber – com a pedagogia de um pai cheio de amor – o sem sentido de certas opções e o mal que nos fazem certos caminhos que escolhemos.

FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=464


Paulo VI (1897-1978), papa de 1963 a 1978
Audiência Geral de 26.08.1970 (trad.© copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

«Zaqueu […] procurava ver Jesus»


Hoje os homens têm a tendência para não […] procurar a Deus. […]Procura-se tudo, mas não se procura Deus. Deus morreu, diz-se. Já não nos ocupamos dele. Mas Deus não morreu. Perdemo-lo. Foram os homens do nosso tempo que O perderam. Mas não valeria a pena procurá-lo?


Procura-se tudo: as realidades novas e as antigas, as difíceis e as inúteis, as boas e as más, em suma, tudo. Pode-se dizer que a procura define a vida moderna. Então, porque não procuramos Deus? Não é um «valor» que merece a nossa procura? Não é uma realidade que exige um conhecimento melhor do que o puramente nominal de uso corrente? Não é melhor do que o conhecimento supersticioso e fantástico de certas formas religiosas, que devemos rejeitar exactamente porque são falsas, ou devemos purificar porque são imperfeitas? Não é melhor do que aquele conhecimento que se julga bastante informado e esquece que Deus é inefável, é mistério, e que o facto de conhecer a Deus é para nós motivo de vida, de vida eterna? (cf Jo 17,3). Não é Deus, porventura, um problema, se assim lhe quisermos chamar, que interessa de perto o nosso pensamento, a nossa consciência e o nosso destino? E se, um dia, fosse inevitável o nosso encontro pessoal com Ele?


Mais ainda: e se Ele estivesse escondido, como num interessantíssimo jogo, para nós decisivo, precisamente porque temos de O procurar (cf Is 45,19)? Ou melhor, ouvi: e se fosse Ele, Deus, o próprio Deus, que estivesse à nossa procura?
 
 
 
Zaqueu: Bem-aventurados os distantes
Bem-aventurados sois vós os que estais nas franjas, pois ficareis no centro, no coração! – Nisso se poderia perfeitamente resumir o grosso de tudo o que Jesus disse e fez. Jesus ignorou completamente grande parte daquilo que era considerado pelas outras pessoas o centro inamovível – isso revela-se de modo particular na sua atitude frente às provisões rituais da Lei. Além disso, colocou no centro apenas um valor, um valor que era absoluto para Ele: o amor, convidando todos os que se encontravam «nas franjas» a este novo centro. Os que estavam nas franjas encontram-se agora no centro, porque Jesus se sentou à mesa com eles e os fez entrar no seu coração. Mas o seu coração pode estar mais oculto do que se poderia pensar ao ver algumas pinturas piedosas. «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração», diz Jesus. E não consiste o seu tesouro, precisamente, em todas aquelas pessoas situadas nas franjas – incluindo as que duvidam e as que procuram?
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