O realizador do documentário de 57 minutos, está consciente das muitas contradições na vida e no legado de Dorothy Day, depois de ter passado dois anos a editar o filme. O autor considera que Day era uma «católica muito tradicional», ao mesmo tempo que tem de ser qualificada de «radical política e social», o que é uma «combinação perigosa», como, aliás, o FBI veio a avaliar. Para saber mais clicar AQUI.
«O êxito de um bom dito reside no ouvido daquele que o escuta, não daquele que o pronuncia» (Shakespeare)
"Porquê?" & "Para quê?"
Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
DOCUMENTÁRIO: Dorothy Day é o quinto mais vendido na Amazon dos EUA
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segunda-feira, 22 de julho de 2019
LIVRO&LEITURA: "Gambiarras de luz"
O discurso do cardeal norte-americano Seán O’Malley na sessão em que recebeu o doutoramento “honoris causa” na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, a 15 de junho de 2018, é um dos textos incluídos no novo livro “Gambiarras de luz”: «Às vezes, quando fazemos uma obra de misericórdia ou um ato de caridade, achamos que estamos a fazer um favor a Deus ou aos outros. Mas de facto, estamos é a subir a montanha do amor que nos leva mais perto de Deus e da salvação. O único verdadeiro sucesso na vida é ser capaz de fazer dom de nós próprios.» Para saber mais clicar AQUI.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
ESPIRITUALIDADE: «A oração expulsa todo o temor» e «o mal tem os dias contados»
Papa Francisco, hoje, na audiência geral: «Aqui está a matriz de toda a oração cristã – direi até de toda a oração humana –, que é sempre feita, por um lado, de contemplação de Deus, do seu mistério, da sua beleza e bondade, e por outro, de sincero e corajoso pedido daquilo que nos serve para viver, e viver bem. Se Deus é um mistério para nós, nós, ao contrário, não somos um enigma aos seus olhos. Deus é como aquelas mães a quem basta um olhar para compreender tudo dos filhos: se estão contentes ou tristes, se são sinceros ou escondem alguma coisa… O primeiro passo da oração cristã é, portanto, a entrega de nós mesmos a Deus, à sua providência. É como dizer: "Senhor, Tu sabes tudo, não há sequer necessidade que te conte as minhas dores, peço-te apenas que Tu estejas junto a mim: Tu és a minha esperança"». Para saber mais clicar AQUI.
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segunda-feira, 27 de novembro de 2017
ESPIRITUALIDADE Peregrinação: um regresso a Deus
Deus não está só no fim do caminho de conversão, quando nos aparece com os braços abertos do Pai que nos vem ao encontro porque nos viu desde longe, mas, com a sua presença, invisível e todavia eficaz, Deus está também no início de tal caminho. Para saber mãos, clicar AQUI.
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sexta-feira, 10 de junho de 2016
LIVRO&LEITURA: "Simone Weil - Mística de fronteira"
Testemunha da experiência de Deus no chamado «século sem Deus», a vida de Simone Weil foi «uma tentativa dolorosa e, ao mesmo tempo, subversiva de salvar a dialética entre cultura e santidade, encaminhando-a para uma dialógica e encontrando na “santa loucura” um caminho de pulsão de vida para o mundo». Nestas linhas introdutórias, esboçam-se as traves mestras que irão articular os principais capítulos desta obra. Para saber mais, clicar AQUI
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segunda-feira, 30 de maio de 2016
LIVRO&LEITURA: "O elogio da imperfeição - O caminho da fragilidade"
«O Cristianismo tornou-se frequentemente uma religião a "tender para o perfecionismo moral" (confundindo-o com a santidade), como se fosse a única condição para obter o amor de Deus e os seus dons. Mas o único dom que Deus poderá conceder-nos não será senão Ele próprio, quer dizer, amor, perdão e misericórdia.». Para saber mais, clicar AQUI.
domingo, 1 de novembro de 2015
EFEMÉRIDE/COMEMORAÇÃO/EVOCAÇÃO: Dia de "Todos os Santos"
Felicidade é um dos nomes de Deus: Meditação sobre o Evangelho de Domingo
Os santos são os homens das Bem-aventuranças. Estas palavras são o coração do Evangelho, a narrativa de como o homem Jesus passou pelo mundo, e por isso são o rosto alto e puro de cada ser humano, as novas hipóteses de humanidade. São o desejo de um totalmente outro modo de ser homens, o sonho de um mundo feito de paz, de sinceridade, de justiça, de corações límpidos. Ler mais em: http://www.snpcultura.org/felicidade_e_um_dos_nomes_de_Deus.html
Só há uma infelicidade, que é a de não sermos santos
Fizemos da santidade uma coisa tão extraordinária, abstrata e inalcançável, que quase não ousamos falar dela. De certa forma, habituamo-nos a olhar para a experiência cristã como que acontecendo a duas velocidades: o caminho heroico dos santos e a frágil estrada que é aquela de todos os outros, e por maior razão a nossa. Ora esta conceção de santidade não pode estar mais longe daquilo que a tradição cristã propõe. Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/so_ha_uma_infelicidade_nao_sermos_santos.html
As bem-aventuranças do papa Francisco
«Felizes aqueles que choram, porque serão consolados.» Como podem ser felizes aqueles que choram? Todavia, quem na vida nunca experimentou a tristeza, a angústia, a dor, nunca conhecerá a força da consolação. Felizes, por seu lado, podem ser quantos têm a capacidade de se comoverem, a capacidade de sentir no coração a dor que está na sua vida e na vida dos outros. Estes serão felizes! Porque a terna mão de Deus consolá-los-á e acariciá-los-á. Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/as_bem_aventurancas_do_papa_francisco.html
Felizes os pobres de alguma pobreza boa
«felizes os que aos olhos do mundo/ passam por inútil carga social ou rendimento zero/ e que escondidamente participam da alegria/ que aligeira a vida/ (ai aqueles que a sede de poder afoga)». Ler mais em: http://www.snpcultura.org/umbrais_index.html#umbrais_20151101
As bem-aventuranças do papa Francisco
«Felizes aqueles que choram, porque serão consolados.» Como podem ser felizes aqueles que choram? Todavia, quem na vida nunca experimentou a tristeza, a angústia, a dor, nunca conhecerá a força da consolação. Felizes, por seu lado, podem ser quantos têm a capacidade de se comoverem, a capacidade de sentir no coração a dor que está na sua vida e na vida dos outros. Estes serão felizes! Porque a terna mão de Deus consolá-los-á e acariciá-los-á. Ler mais em:
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Felizes os pobres de alguma pobreza boa
«felizes os que aos olhos do mundo/ passam por inútil carga social ou rendimento zero/ e que escondidamente participam da alegria/ que aligeira a vida/ (ai aqueles que a sede de poder afoga)». Ler mais em: http://www.snpcultura.org/umbrais_index.html#umbrais_20151101
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
LEITURA: "Nascemos e jamais morreremos"
Quem é Chiara Corbella Petrillo? Porquê tanta atenção à sua volta? O que é que ela fez?
Desportista adulada? Estrela de cinema "Óscar(izada)"? Cançonetista-compositora "Grammy Award"? Modelo fotogénica? Apresentadora telegénica? Concursista afamada, leia-se mal-formada? Política da moda (in)corruptível ou (in)corrupta? Uma funcionária "golden"? Empresária e/ou Banqueira "D.D.T.", i.é, "Dona Disto Tudo"? E "afins" por aí fora?
Chiara Corbella Petrillo morreu com 28 anos, em Junho de 2012, vítima de cancro, por ter posto a vida da criança que trazia no ventre à frente da sua. Esta história comoveu centenas de milhares de pessoas em Itália, que quiseram saber mais sobre esta jovem mãe, testemunha de uma profunda confiança em Deus e, sobretudo, do poder do amor materno. Antes do nascimento do seu terceiro filho, Francesco, em maio de 2011, já Chiara e o seu marido Enrico tinham acompanhado no seu nascimento para o Céu os seus dois primeiros filhos, Maria Grazia Letizia, nascida em 2009 e Davide Giovanni, em 2010. Ambos sofriam de deficiências graves que lhes provocaram a morte poucos minutos depois do parto. Nos dois casos, Chiara e Enrico decidiram levar até ao fim a gravidez, dando aquilo que Chiara chamava “os pequenos passos possíveis” que Deus ia pedindo a este jovem casal. Um testemunho de fé e de vida que manifesta o que há de mais sagrado e forte no casamento e na maternidade, a entrega da própria vida por amor. Porque “o importante na vida não é fazer grandes coisas, mas nascer e deixar-se amar”.
Nãããããooo, nãããããooo!
Uma MULHER? Um EXEMPLO desafiante, interpelante - no gerúndio é outra coisa - e a seguir? Uma demonstração de força do que FÉ&AMOR são capazes?
Sim, sim e sim!!!
«Chiara Corbella Petrillo morreu com 28 anos, em Junho de 2012, vítima de cancro, por ter posto a vida da criança que trazia no ventre à frente da sua. Antes do nascimento deste filho, Francesco, em Maio de 2011, já Chiara e o seu marido Enrico tinham acompanhado no seu nascimento para o Céu os seus dois primeiros filhos, Maria Grazia Letizia, nascida em 2009, e Davide Giovanni, em 2010.». A Editorial A.O. apresenta a 28 de novembro, em Lisboa, e no dia 30, no Porto, a obra "Nascemos e jamais morreremos - A vida de Chiara Corbella Petrillo», sessões que contam com a presença de Enrico, marido de Chiara, do seu filho Francesco, e do casal autor do livro, Simone Troisi e Cristiana Paccini... «"Como podem dizer que morreu, quem permanece tão vivo no meu coração?”, interrogava-se Santo Agostinho. Esta interrogação faz sentido para os que conhecemos e amamos, mas com este livro percebi que também faz sentido mesmo quando nunca chegamos a conhecer as pessoas em vida. «Misteriosamente Chiara nasceu no meu coração muito depois de ter morrido e sinto que ficará viva para sempre. A sua alegria, a sua entrega, a sua liberdade interior, a sua fé e o seu grande amor pela família e pela vida, são agora também pilares da minha fortaleza interior», escreve a jornalista Laurinda Alves, responsável pela apresentação do livro em Lisboa, às 21h00, no auditório do Colégio S. João de Brito. Por seu lado, Carmo e Bento Amaral, que farão o lançamento do volume no auditório da paróquia de Cedofeita, no Porto, às 16h30, sublinham: «A história deste casal ensina-nos que a Vida está cheia de pequenos momentos de felicidade, mesmo nas alturas de maior sofrimento. Ensina-nos que o sofrimento não é a inexistência de felicidade, mas pode ser o lugar onde se descobre a verdadeira felicidade».
Extractos (Prefácio à edição portuguesa e Introdução) do livro em pré-publicação:
A vida de Chiara Corbella Petrillo tinha que ser trazida à luz – «Não se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire» (Mt 5, 15) ... Disso quiseram dar testemunho, neste livro, o seu marido, Enrico Petrillo, e os seus amigos Simone Troisi e Cristiana Paccini ... Foi necessário percorrer este caminho de cruz, para poder receber livremente de Deus a sua última e exigente missão: dar a vida por Francesco, o filho tão esperado e, finalmente, destinado a viver junto deles. Entre a sua vida ameaçada por uma doença agressiva e fatal e a vida que traz dentro de si, escolhe a última. Porque é dom de Deus, e não pertença sua. Generosamente, vai-se retirando para que o filho não sofra com o corte da relação com aquela que o trouxe à vida. Amar não é possuir. É querer o bem do outro ... Finalmente, vive o sofrimento de uma doença terminal e mutilante com a Serenidade ... Há muitas histórias de sofrimento idênticas à de Chiara ... O sofrimento sem sentido fecha-nos dentro de nós mesmos. Mata a relação que nos realiza enquanto seres humanos. Fomos criados por Amor, para amar e ser amados. O Amor está impresso no coração de todos os homens, mesmo daqueles que não acreditam que a fonte desse Amor é Deus. Todos sem excepção somos carentes de Amor! ... Chiara mostra que é possível viver bem a situação de doença. Até ao fim. Vence o medo e a aridez espiritual abrindo o coração para acolher o amor de Deus e de quantos dela se aproximam ... Dando-lhes a possibilidade de amar, ama-os, e o sofrimento, em vez de morte, gera vida, alegria interior e comunhão. Aceita a doença. Vive o “hoje” como condição necessária para poder enfrentar a vida, saboreando e agradecendo as pequenas alegrias que cada dia lhe traz, animando todos os que, como ela, estão fragilizados. Não perde a oportunidade de verbalizar o quanto ama cada pessoa que a acompanhou ao longo da sua vida. Para crentes e não crentes, a forma como viveu e deu sentido ao sofrimento faz do seu testemunho uma mensagem de esperança ... Ao longo destas páginas, em que Simone e Cristiana nos fazem comungar da grandeza do Amor, é impossível não estabelecer o paralelismo entre as vidas de Chiara e de Jesus. A permanente comunhão com o Pai, através da oração. O serviço aos mais frágeis. O esquecimento de si. A experiência de sentir-se abandonada logo seguida do acolhimento da vontade de Deus. E, finalmente, a entrega radical da vida, por Amor ... Quem vê Chiara, vê Jesus, vê o Pai – diz o seu director espiritual. Como acontece diante de Jesus na cruz, confrontados com esta história de santificação, somos compelidos a dizer: «o quanto amou»! Na vasilha que foi o mais íntimo do seu coração, e que encheu na fonte da Vida sob o olhar de Maria, Chiara transformou a dor em Amor, Paz e Alegria. Esse foi o milagre da sua vida ...Com Chiara, somos levados ao Céu, à comunhão com o Amor. À Eternidade. Onde nunca mais morreremos.
«Chamo-me Chiara, tenho 25 anos, sou casada há um ano e alguns meses com o Enrico. Nesta noite, se conseguir, partilho convosco a história da nossa filha, Maria Grazia Letizia, que nasceu no dia 10 de Junho deste ano». Estamos no dia 19 de Novembro de 2009. Chiara está a dar um testemunho na igreja de Santa Francesca Romana, no Ardeatino, em Roma. As suas palavras naquela noite abrem os corações de muitas pessoas. Uma história exemplar, partilhada de modo simples, com toda a naturalidade. Não é possível interpretar mal o que ela diz. Tal como é impossível não compreender a verdade que, diz Chiara, «Deus coloca dentro de cada um de nós». Chiara e Enrico tinham decidido levar até ao fim a gravidez de uma menina anencéfala. A menina nasceu, foi baptizada e meia hora depois subiu para o Pai. Agora eles, cinco meses depois de um funeral em que Chiara tocou violino e Enrico cantou as suas canções, estavam ali a partilhar a misteriosa alegria que os tinha acompanhado. Apenas três anos depois, muitos dos que tinham conhecido Chiara naquela ocasião participaram no seu funeral. E era algo verdadeiramente especial sentir-se a fazer parte de tal acontecimento. Naquela ocasião, o Padre Vito, director espiritual dos Petrillo, convidou os presentes a deixarem-se interrogar por esta família que, entretanto, tinha acolhido um outro filho, também este morto logo após o nascimento, e tinha vivido com confiança e paz a doença de Chiara durante a sua terceira gravidez. Quem quisesse conhecer a história de Chiara e Enrico teria encontrado, entre familiares e amigos, testemunhas desta vida extraordinária disponíveis para contar como tudo aconteceu. Aqui estamos. Nós estamos entre as testemunhas. Incrivelmente, estivemos com eles nos momentos mais decisivos. Este livro nasce graças aos pedidos de quem se aproximou de Chiara, mesmo só por ter ouvido falar. Por dom de Deus, vivemos com eles este caminho de graça, de maravilhas belíssimas como um arco-íris depois de um grande temporal. E foram grandes e muitos os dilúvios. Quem é Chiara? Porquê tanta atenção à sua volta? O que é que ela fez? À primeira vista, a sua é uma história dramática de uma mãe que morre de cancro, deixando sozinhos o marido e o filho. Provavelmente, uma história semelhante a tantas outras (permita-se-me abrir aqui um parêntesis para lembrar o caso, por exemplo, de Gianna Beretta Molla, ir, p.f., ao link http://pt.wikipedia.org/wiki/G ianna_Beretta_Molla) . Mas nesta há algo diferente. Tudo foi vivido na alegria e transformou-se em vida para os outros. Como uma criança que segue o cheiro de um bolo que acabou de sair do forno, tantos seguiram o perfume destes dois esposos que reconhecem no sofrimento a sua dança, que sorriem enfrentando as provas mais duras e descobrem uma felicidade à qual todos nós, na verdade, somos chamados. Um perfume inebriante, perturbador, que se agarra a ti, mesmo que, assustado, inicialmente o tenhas combatido. Que coisa ou quem levou Chiara a morrer assim? Escutámos aqueles que a amaram com um amor único, mais forte do que qualquer tempestade. Fizemos memória de todos os momentos que o Senhor nos concedeu poder partilhar com ela. Porque esta história contém uma mensagem. É um anúncio sólido e credível de algo que aconteceu há dois mil anos e que continua a acontecer em cada dia, desde então. «A quantos O receberam, aos que n’Ele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». Uma pessoa morre como viveu. Chiara morreu de uma maneira incrível, sorrindo diante da morte. Muito mais do que serena: feliz. Estar a seu lado foi ver o viver e o morrer de um filho de Deus. Existe uma fotografia de Chiara e Enrico em que eles se afastam, de costas, abraçados. Foi tirada no dia 4 de Abril de 2012, menos de uma hora depois do veredicto dos médicos. Estávamos numa das pontes que ligam a Ilha Tiberina e o Fatebenefratelli, o hospital romano que Chiara e Enrico deixavam pela enésima vez, sempre da mesma maneira, abraçados. Como sempre, sem que o soubéssemos, tínhamos chegado ao hospital na hora certa. (...) Nós fomos espectadores e protagonistas de cada acontecimento da sua história. Frequentemente, com Chiara, perguntávamo-nos o porquê disto. Talvez o descubramos somente quanto morrermos, quando o amor nos explica todas as coisas. A seu lado não custava nada acreditar na vida eterna. Parecia que a podias tocar, davas-te conta de estar já mergulhado nela. Um dos maiores dons que eles nos deram foi mostrar-nos que aquilo que temos é o hoje. E neste presente podes ser feliz, muito mais do que terias a coragem de imaginar. É nas coisas comuns que o extraordinário de Deus pode intervir. E eles aprenderam de modo admirável a dar espaço à graça, que não vê a hora de te mostrar as maravilhas de que é capaz. O engano maior é pensar que isto seja um privilégio reservado aos Petrillo, é acreditar que eles foram «especiais». Pelo contrário, Deus é Pai de todos, da mesma maneira. Muitas vezes, olhando para eles, pensámos que, se Deus ajuda desta forma, também nós poderemos levar a nossa cruz. O seu casamento foi a estrutura de tudo isto. Neste sacramento, a graça multiplicava-se. Diante dos nossos olhos, eles transformavam-se em altar. Vimo-los, pouco a pouco, restituir tudo: Maria Grazia Letizia e Davide Giovanni, o pequenino Francesco, os seus projectos de jovem casal. Mas sobretudo o seu amor, a parte mais dura. Não nos lembramos de um só dia de desespero. Pelo contrário, a sua alegria crescia. Reconheciam cada coisa como um dom e eram muito conscientes que esta terra não é a nossa pátria e nós não somos o ponto de chegada. Entretanto, também o nosso paladar mudava: «Aquilo que me parecia amargo foi transformado em doçura de alma e de corpo». O corpo é feito para amar, é este o seu objectivo. É através do corpo que o mal, a frustração, a dor nos atingem na nossa história e nos nossos dias. Mas a boa notícia é que precisamente através de um outro Corpo chegarão a consolação e a salvação. Chiara e Enrico mostraram-nos isso com a sua história; viveram o casamento como um caminho seguro para a santidade, como uma vocação plena. Se por milagre se entende uma cura física, então este livro não contém milagres. Nenhuma cura. O milagre que contamos é outro: uma alegria desarmante, simples e transparente. Um tesouro a descobrir. A perfeita alegria de Francisco de Assis (ou misteriosa alegria, como diria Enrico) que transforma o mal em bem, que alarga o coração e o horizonte. (...) Talvez a história de Chiara esteja destinada a isto, a mostrar a beleza do matrimónio que, com as suas urgências, os seus dons e as suas dificuldades, é realmente um caminho que santifica. Os esposos, de facto, revelam ao mundo como Deus ama. «Nós não nos sentimos corajosos», disse uma vez Chiara, «porque na realidade a única coisa que fizemos foi dizer SIM, passo a passo». Esta frase é um pequeno tesouro. Contém tudo aquilo que é preciso saber. A oração e a fraternidade foram fundamentais. Sem a oração, diziam, não teriam sido capazes de fazer nada. Tantas pessoas, não só os mais próximos, rezaram por eles, um pouco por todo o mundo. Juntaram-se, pouco a pouco, novos companheiros de viagem. Cada um chegando na hora certa, cada um sinal daquela Providência que proporcionava toda esta maravilha. Foram apoio para eles, e nas fases mais duras eram aquela pequena chama que iluminava a escuridão. Junto ao nosso, estão também aqui os seus testemunhos: dos familiares, amigos e médicos que percorreram toda ou parte desta estrada. Nestes anos, vimos como a história de Chiara se difundiu de maneira inesperada. Entrou nas casas, nos hospitais e em tantas outras histórias. Para relatar os seus efeitos seria necessário um outro livro. Logo a após a sua morte, o interesse por ela subiu até às estrelas (em todos os sentidos), deixando-nos estupefactos e gratos. «Toda esta luz», disse Enrico, «está a difundir-se sem que eu faça nada. Telefonou-me o Cardeal Vallini e disse-me, naquela manhã, que viria ao funeral da Chiara... sempre nos maravilhámos por tanto amor à nossa volta». Em resumo, porquê escrever um livro? Porque muitos querem conhecer Chiara. Perceber como fez para viver (e morrer) assim. Muitos sabem simplesmente que é uma jovem mulher, que morreu depois de ter adiado os tratamentos para que pudesse nascer o seu filho, mas é muito mais do que isso. Por detrás de tudo está um casamento lindíssimo, vivido plenamente e na alegria. Um amor tão verdadeiro que os levou juntos à cruz. Aquilo que vimos, vos narramos agora. A beleza salvará o mundo, escreveu Dostoevskij. Sim, mas que beleza? A de um rosto feliz no sofrimento. A do rosto de Jesus. Uma beleza que também Chiara nos mostrou.
Vídeo legendado e comentado, directamente da fonte:
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Chiara Corbella Petrillo morreu com 28 anos, em Junho de 2012, vítima de cancro, por ter posto a vida da criança que trazia no ventre à frente da sua. Esta história comoveu centenas de milhares de pessoas em Itália, que quiseram saber mais sobre esta jovem mãe, testemunha de uma profunda confiança em Deus e, sobretudo, do poder do amor materno. Antes do nascimento do seu terceiro filho, Francesco, em maio de 2011, já Chiara e o seu marido Enrico tinham acompanhado no seu nascimento para o Céu os seus dois primeiros filhos, Maria Grazia Letizia, nascida em 2009 e Davide Giovanni, em 2010. Ambos sofriam de deficiências graves que lhes provocaram a morte poucos minutos depois do parto. Nos dois casos, Chiara e Enrico decidiram levar até ao fim a gravidez, dando aquilo que Chiara chamava “os pequenos passos possíveis” que Deus ia pedindo a este jovem casal. Um testemunho de fé e de vida que manifesta o que há de mais sagrado e forte no casamento e na maternidade, a entrega da própria vida por amor. Porque “o importante na vida não é fazer grandes coisas, mas nascer e deixar-se amar”.
SIM, a esta "Visita de Estudo" e/ou "Acção de Formação", mesmo num domingo à tarde, faça sol, faça chuva, ou "chovam picaretas" eu, um "Zaqueu" à sua beira, obviamente e porque sim, FUI!
P.S. Sublinhados, "bold's" e "amarelados" da minha responsabilidade.
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quarta-feira, 26 de março de 2014
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Educar para a virtude e beleza.
Os nossos jovens querem ver os ideais do Evangelho vividos na nossa vida. Uma das piores consequências do escândalo de pedofilia na Igreja é que, nela, se possa instalar um cinismo em relação ao chamamento à santidade. Corremos o risco de sermos soterrados pelo mau exemplo de padres e bispos, e é preciso que lembremos as pessoas que sempre houve santos e pecadores na Igreja. A missão da Igreja é chamar todos à conversão. Temos os nossos sucessos e os nossos fracassos. Os santos são a história de sucesso que os nossos jovens precisam de conhecer. E como até os santos foram pecadores, a sua história ajuda os jovens a ver que nós, seus mentores, nos debatemos no mesmo caminho de santidade. Queremos partilhar com as gerações futuras aquilo que descobrimos: nomeadamente, que quem é católico tem uma vida boa e vive com a certeza de ter uma vocação pessoal e uma missão comunitária. A nossa tarefa é ajudar as pessoas a entrever a Beleza que salva e ajudar a alimentar esse desejo de Beleza
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!
EVANGELHO – Mt 5, 38-48
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Ouvistes que foi dito aos antigos:
‘Olho por olho e dente por dente’.
Eu, porém, digo-vos:
Não resistais ao homem mau.
Mas se alguém te bater na face direita,
oferece-lhe também a esquerda.
Se alguém quiser levar-te ao tribunal,
para ficar com a tua túnica,
deixa-lhe também o manto.
Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha,
acompanha-o durante duas.
Dá a quem te pedir
e não voltes as costas a quem te pede emprestado.
Ouvistes que foi dito:
‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’.
Eu, porém, digo-vos:
Amai os vossos inimigos
e orai por aqueles que vos perseguem,
para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus;
pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus
e chover sobre justos e injustos.
Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis?
Não fazem a mesma coisa os publicanos?
E se saudardes apenas os vossos irmãos,
que fazeis de extraordinário?
Não o fazem também os pagãos?
Portanto, sede perfeitos,
como o vosso Pai celeste é perfeito».
disse Jesus aos seus discípulos:
«Ouvistes que foi dito aos antigos:
‘Olho por olho e dente por dente’.
Eu, porém, digo-vos:
Não resistais ao homem mau.
Mas se alguém te bater na face direita,
oferece-lhe também a esquerda.
Se alguém quiser levar-te ao tribunal,
para ficar com a tua túnica,
deixa-lhe também o manto.
Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha,
acompanha-o durante duas.
Dá a quem te pedir
e não voltes as costas a quem te pede emprestado.
Ouvistes que foi dito:
‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’.
Eu, porém, digo-vos:
Amai os vossos inimigos
e orai por aqueles que vos perseguem,
para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus;
pois Ele faz nascer o sol sobre bons e maus
e chover sobre justos e injustos.
Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis?
Não fazem a mesma coisa os publicanos?
E se saudardes apenas os vossos irmãos,
que fazeis de extraordinário?
Não o fazem também os pagãos?
Portanto, sede perfeitos,
como o vosso Pai celeste é perfeito».
AMBIENTE
Continuamos com o “discurso da montanha” e com a apresentação da “nova Lei” que deve conduzir a caminhada cristã.
Vimos, no passado domingo, como Mateus estava preocupado em definir, para os cristãos vindos do judaísmo, a relação entre Cristo e a Lei de Moisés. Os cristãos continuam obrigados a cumprir a Lei de Moisés? Jesus não aboliu a Lei antiga? O que há de verdadeiramente novo na mensagem de Jesus?
A perspectiva de Mateus é que Jesus não veio abolir a Lei, mas levá-la à plenitude. No entanto, considera Mateus, a Lei tornou-se um conjunto de prescrições que são cumpridas mecanicamente, dentro de uma lógica casuística que, tantas vezes, não tem nada a ver com o coração e com a vida. É preciso que a Lei deixe de ser um conjunto de preceitos externos a cumprir para conquistar a salvação, para se tornar expressão de um verdadeiro compromisso com Deus e com o “Reino”.
Vimos como Mateus apresentava um conjunto de exemplos, destinados a tornar mais clara e concreta esta perspectiva. Dos seis exemplos apresentados por Mateus, quatro apareceram no Evangelho do passado domingo; para hoje, ficam os dois últimos exemplos dessa lista.
Vimos, no passado domingo, como Mateus estava preocupado em definir, para os cristãos vindos do judaísmo, a relação entre Cristo e a Lei de Moisés. Os cristãos continuam obrigados a cumprir a Lei de Moisés? Jesus não aboliu a Lei antiga? O que há de verdadeiramente novo na mensagem de Jesus?
A perspectiva de Mateus é que Jesus não veio abolir a Lei, mas levá-la à plenitude. No entanto, considera Mateus, a Lei tornou-se um conjunto de prescrições que são cumpridas mecanicamente, dentro de uma lógica casuística que, tantas vezes, não tem nada a ver com o coração e com a vida. É preciso que a Lei deixe de ser um conjunto de preceitos externos a cumprir para conquistar a salvação, para se tornar expressão de um verdadeiro compromisso com Deus e com o “Reino”.
Vimos como Mateus apresentava um conjunto de exemplos, destinados a tornar mais clara e concreta esta perspectiva. Dos seis exemplos apresentados por Mateus, quatro apareceram no Evangelho do passado domingo; para hoje, ficam os dois últimos exemplos dessa lista.
MENSAGEM
O primeiro exemplo que o Evangelho de hoje nos propõe (o quinto da lista) refere-se à chamada “lei de talião” (vers. 38-42). A “lei de talião”, consagrada na conhecida fórmula “olho por olho, dente por dente”, aparece em vários textos vétero-testamentários (cf. Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21). Em si, é uma lei razoável, destinada a evitar as vinganças excessivas, brutais, indiscriminadas…
Jesus, no entanto, não se dá por satisfeito com uma lei que apenas limita os excessos na vingança, e propõe uma lógica inteiramente nova. Na sua perspectiva, não chega manter a vingança dentro de fronteiras razoáveis, mas é preciso acabar com a espiral de violência de uma vez por todas; para isso, Jesus propõe que os membros do “Reino” sejam capazes de interromper o curso da violência, assumindo uma atitude pacífica, de não resistência, de não resposta às provocações.Para tornar mais clara a sua proposta, Jesus apresenta quatro casos concretos. No primeiro (vers. 39), pede que não se responda com a mesma moeda àquele que nos agride fisicamente, mas que se desarme o violento oferecendo a outra face; no segundo (vers. 40), recomenda que, diante de uma exigência exorbitante (entrega da túnica, isto é, da peça de roupa mais fundamental, que não era tirada senão àquele que era vendido como escravo – cf. Gn 37,23), se responda entregando ainda mais (a entrega da capa, vestimenta que servia para proteger dos rigores da noite e que, por isso, a própria Lei não admitia que fosse retida, senão por um dia – cf. Ex 22,25; Dt 24,12-13); no terceiro (vers. 41), exige que se acompanhe por duas milhas aquele que quer forçar-nos a acompanhá-lo por uma (provavelmente, haverá aqui uma referência a uma prática frequente das patrulhas romanas que, desorientadas, requisitavam os habitantes da Palestina para que as guiassem durante algum tempo); no quarto (vers. 42), Jesus recomenda que não se ignore, nem se deixe sem atender aquele que pede dinheiro emprestado… Este conjunto de exemplos concretos aponta numa única direcção: os membros da comunidade de Jesus devem manifestar a todos um amor sem medida, que vai muito além daquilo que é humanamente exigido. Dessa forma, eles inauguram uma nova era de relações entre os homens.
O segundo exemplo que o Evangelho de hoje nos apresenta (o sexto da lista) refere-se ao amor aos inimigos (vers. 43-48). Jesus afirma que a Lei antiga recomendava: “ama o teu próximo e odeia o teu inimigo”… No entanto, embora haja na Lei antiga uma referência ao amor ao próximo (cf. Lv 19,18), não se refere, em lado nenhum, o ódio aos inimigos (o verbo “odiar” pode significar, nas línguas semitas, simplesmente “não amar”; no entanto, certos grupos contemporâneos de Jesus defendiam o ódio aos inimigos: a seita essénia de Qûmran, por exemplo, pregava o ódio contra os “filhos das trevas” – isto é, contra aqueles que não pertenciam à comunidade essénia e que estavam, portanto, entregues à vingança divina).
Em qualquer caso, o amor ao próximo recomendado pela Lei havia adquirido, na época de Jesus, um sentido muito restrito: era o amor a esse próximo mais chegado que, quando muito, chegava a incluir todos os israelitas mas que não atingia, em nenhum caso, os não membros do Povo eleito. Quando muito, o amor ao próximo atingia, na visão judaica, o compatriota, aquele que pertencia à comunidade do Povo de Deus.
O pedido de Jesus apresenta, portanto, uma verdadeira novidade e exige uma autêntica revolução das mentalidades. Para Jesus, não chega amar aquele que está próximo, aquele a quem me sinto ligado por laços étnicos, sociais, familiares ou religiosos; mas o amor deve atingir todos, sem excepção, inclusive os inimigos. Fica, assim, abolida qualquer discriminação; são abatidas todas as barreiras que separam os homens.
Qual o motivo desta exigência? É porque Deus também não faz discriminação no seu amor. Ele é o Pai que não distingue entre amigos e inimigos, que faz brilhar o sol e envia a chuva sobre bons e maus, que oferece o seu amor a todos, inclusive aos indignos (vers. 45). O amor universal de Deus é a razão do amor que os membros do “Reino” devem oferecer a todos os homens e mulheres que Deus coloca no seu caminho. “Ser filho de Deus” significa dar testemunho do amor de Deus e parecer-se com Deus no modo de agir.
A expressão final (“sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”) parafraseia o refrão da “lei da santidade” que encontramos na primeira leitura (“sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo”) e resume, de forma magnífica, o ensinamento que Mateus pretende apresentar à sua comunidade com estes seis exemplos (os quatro do passado domingo e os dois de hoje): viver na dinâmica do “Reino” exige a superação de uma perspectiva legalista e casuística, para viver em comunhão total com Deus, deixando que a vida de Deus, que enche o coração do crente, se manifeste na vida do dia-a-dia, inclusive nas relações fraternas.
Jesus, no entanto, não se dá por satisfeito com uma lei que apenas limita os excessos na vingança, e propõe uma lógica inteiramente nova. Na sua perspectiva, não chega manter a vingança dentro de fronteiras razoáveis, mas é preciso acabar com a espiral de violência de uma vez por todas; para isso, Jesus propõe que os membros do “Reino” sejam capazes de interromper o curso da violência, assumindo uma atitude pacífica, de não resistência, de não resposta às provocações.Para tornar mais clara a sua proposta, Jesus apresenta quatro casos concretos. No primeiro (vers. 39), pede que não se responda com a mesma moeda àquele que nos agride fisicamente, mas que se desarme o violento oferecendo a outra face; no segundo (vers. 40), recomenda que, diante de uma exigência exorbitante (entrega da túnica, isto é, da peça de roupa mais fundamental, que não era tirada senão àquele que era vendido como escravo – cf. Gn 37,23), se responda entregando ainda mais (a entrega da capa, vestimenta que servia para proteger dos rigores da noite e que, por isso, a própria Lei não admitia que fosse retida, senão por um dia – cf. Ex 22,25; Dt 24,12-13); no terceiro (vers. 41), exige que se acompanhe por duas milhas aquele que quer forçar-nos a acompanhá-lo por uma (provavelmente, haverá aqui uma referência a uma prática frequente das patrulhas romanas que, desorientadas, requisitavam os habitantes da Palestina para que as guiassem durante algum tempo); no quarto (vers. 42), Jesus recomenda que não se ignore, nem se deixe sem atender aquele que pede dinheiro emprestado… Este conjunto de exemplos concretos aponta numa única direcção: os membros da comunidade de Jesus devem manifestar a todos um amor sem medida, que vai muito além daquilo que é humanamente exigido. Dessa forma, eles inauguram uma nova era de relações entre os homens.
O segundo exemplo que o Evangelho de hoje nos apresenta (o sexto da lista) refere-se ao amor aos inimigos (vers. 43-48). Jesus afirma que a Lei antiga recomendava: “ama o teu próximo e odeia o teu inimigo”… No entanto, embora haja na Lei antiga uma referência ao amor ao próximo (cf. Lv 19,18), não se refere, em lado nenhum, o ódio aos inimigos (o verbo “odiar” pode significar, nas línguas semitas, simplesmente “não amar”; no entanto, certos grupos contemporâneos de Jesus defendiam o ódio aos inimigos: a seita essénia de Qûmran, por exemplo, pregava o ódio contra os “filhos das trevas” – isto é, contra aqueles que não pertenciam à comunidade essénia e que estavam, portanto, entregues à vingança divina).
Em qualquer caso, o amor ao próximo recomendado pela Lei havia adquirido, na época de Jesus, um sentido muito restrito: era o amor a esse próximo mais chegado que, quando muito, chegava a incluir todos os israelitas mas que não atingia, em nenhum caso, os não membros do Povo eleito. Quando muito, o amor ao próximo atingia, na visão judaica, o compatriota, aquele que pertencia à comunidade do Povo de Deus.
O pedido de Jesus apresenta, portanto, uma verdadeira novidade e exige uma autêntica revolução das mentalidades. Para Jesus, não chega amar aquele que está próximo, aquele a quem me sinto ligado por laços étnicos, sociais, familiares ou religiosos; mas o amor deve atingir todos, sem excepção, inclusive os inimigos. Fica, assim, abolida qualquer discriminação; são abatidas todas as barreiras que separam os homens.
Qual o motivo desta exigência? É porque Deus também não faz discriminação no seu amor. Ele é o Pai que não distingue entre amigos e inimigos, que faz brilhar o sol e envia a chuva sobre bons e maus, que oferece o seu amor a todos, inclusive aos indignos (vers. 45). O amor universal de Deus é a razão do amor que os membros do “Reino” devem oferecer a todos os homens e mulheres que Deus coloca no seu caminho. “Ser filho de Deus” significa dar testemunho do amor de Deus e parecer-se com Deus no modo de agir.
A expressão final (“sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”) parafraseia o refrão da “lei da santidade” que encontramos na primeira leitura (“sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo”) e resume, de forma magnífica, o ensinamento que Mateus pretende apresentar à sua comunidade com estes seis exemplos (os quatro do passado domingo e os dois de hoje): viver na dinâmica do “Reino” exige a superação de uma perspectiva legalista e casuística, para viver em comunhão total com Deus, deixando que a vida de Deus, que enche o coração do crente, se manifeste na vida do dia-a-dia, inclusive nas relações fraternas.
ACTUALIZAÇÃO
• Este Evangelho recorda-me que, ao aceitar o desafio de viver em comunhão com Deus, eu sou chamado a dar testemunho da vida de Deus diante de todos os meus irmãos e a ser um sinal vivo de Deus, do seu amor, da sua perfeição, da sua santidade, no meio do mundo. Aceito esse desafio e estou disposto a corresponder-lhe?
• A leitura que nos foi proposta coloca, mais uma vez, como cenário de fundo, as exigências do compromisso com o “Reino”. Sugere que viver na dinâmica do “Reino” implica, não o cumprimento de ritos ou de leis, mas uma atitude nova, revolucionária, que resulta de um compromisso interior com Deus verdadeiramente assumido, e manifestado em atitudes concretas. Exige a superação de uma religião feita de leis, de códigos, de ritos, de gestos externos e o viver em comunhão com Deus, de tal forma que a vida de Deus encha o coração do crente e transborde em gestos de amor para com os irmãos. O que é que define a minha atitude religiosa: o cumprimento dos ritos, a letra da lei, ou a comunhão com Deus que enche o meu coração de vida nova e que depois se expressa em atitudes de amor radical para com os irmãos?
• Jesus pede, aos que aceitaram embarcar na aventura do “Reino”, a superação de uma lógica de vingança, de responder na mesma moeda, e o assumir uma atitude pacífica de não resposta às provocações, que inverta a espiral de violência e que inaugure um novo espírito nas relações entre os homens. Não é, no entanto, esta a lógica do mundo, mesmo do mundo “cristão”: em nome do direito de legítima defesa ou do direito de resposta, as nações em geral e as pessoas em particular recusam enveredar por uma lógica de paz e respondem ao mal com um mal ainda maior. Como é que eu vejo a questão da violência, do terrorismo, da guerra? Tenho consciência de que a lógica da violência, da vingança, não tem nada a ver com os métodos do “Reino”? O que é que é mais questionante, interpelador e transformador: a violência das armas, ou a violência desarmada do amor?
• Jesus pede, também, aos participantes do “Reino” o amor a todos, inclusive aos inimigos, subvertendo completamente a lógica do mundo. Como é que eu me situo face a isto? A minha atitude é a de quem não exclui nem discrimina ninguém, mesmo aqueles de quem não gosto, mesmo aqueles contra quem tenho razões de queixa, mesmo aqueles que não compreendo, mesmo aqueles que assumem atitudes opostas a tudo em que eu acredito?
• O que é que preside à minha vida: a “sabedoria de Deus” que é amor e dom da vida, ou a “sabedoria do mundo”, que é luta sem regras pelo poder, pela influência, pelo reconhecimento social, pelo bem estar económico, pelos bens perecíveis e secundários?
• “Sede santos porque Eu, o vosso Deus, sou santo”. Porque é que o convite à santidade soa como algo de estranho para os homens de hoje? Porque uma certa mentalidade contemporânea vê os santos como extra-terrestres, seres estranhos que pairam um pouco acima das nuvens sem se misturar com os outros seus irmãos e que passam ao lado dos prazeres da vida, ocupados em conquistar o céu a golpes de renúncia, de sacrifício e de longos trabalhos ascéticos… No entanto, a santidade não é uma anormalidade, mas uma exigência da comunhão com Deus. É o “estado normal” de quem se identifica com Cristo, assume a sua filiação divina e pretende caminhar ao encontro da vida plena, do Homem Novo. A santidade é algo que está no meu horizonte diário e que eu procuro construir, minuto a minuto, sem dramas nem exaltações, com simplicidade e naturalidade, na fidelidade aos meus compromissos?
• Como o nosso texto deixa claro, ser santo não significa viver de olhos voltados para Deus esquecendo os homens; mas a santidade implica um real compromisso com o mundo. Passa pela construção de uma vida de verdadeira relação com os irmãos; e isso implica o banimento de qualquer tipo de agressividade, de vingança, de rancor; implica uma preocupação real com a felicidade e a realização do outro (“corrigirás o teu próximo”); implica amar o outro como a si mesmo. Tenho consciência de que não posso ser santo se o amor não se derramar dos meus gestos e das minhas palavras? Tenho consciência de que não posso ser santo se vivo fechado em mim mesmo, na indiferença para com os meus irmãos (ainda que reze muito)?
• Para que a santidade não seja uma miragem, temos de ter o cuidado de viver num contínuo processo de conversão, que elimine do nosso coração as raízes do mal, responsáveis pelo egoísmo, pelo ódio, pela injustiça, pela exploração.
Fonte: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=687
Sê perfeito como o Pai, sê santo porque Eu, o Senhor, sou santo. Santidade, perfeição, palavras que parecem distantes, destinadas a pessoas que fazem outra vida, dedicada à oração e à contemplação. E no entanto são palavras muito concretas: «não odiarás do íntimo do coração os teus irmão», não «guardarás rancor», «amarás o teu próximo como a ti mesmo». A concretude da santidade: nada de abstrato, distante, separado, mas o quotidiano, santidade terrestre como perfume da casa, do pão, dos gestos. E do coração. Sê perfeito como o Pai. Mas ninguém poderá alguma vez sê-lo, é como se Jesus nos pedisse o impossível. Mas não diz «quanto Deus», mas «como Deus», que faz nascer o sol sobre bons e maus. Assim o farei, farei nascer um pouco de sol, um pouco de esperança, um pouco de luz a quem só tem a escuridão diante de si; transmitirei o calor da ternura, a energia da solidariedade. Testemunho de que a justiça é possível, que se pode crer no sol mesmo quando não brilha, no amor mesmo quando não se sente.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/um_coracao_que_aprender_amar_inimigos.html
Fazer da vida um lugar sagrado e tornar-se louco aos olhos do mundo
Esta vida que construímos dia a dia, esta vida que não existe em abstrato mas em concreto, nos nossos gestos, na nossa decisão, esta vida que não é apenas biológica mas é a vida ética, a vida sensual, a vida de amor, a vida de procura que em cada um de nós quotidianamente se efetua… Isto que nós somos, isto de inominável, de indecifrável, isto é o lugar de Deus. Por isso tenho de olhar para a minha vida como um lugar sagrado; tenho de olhar para a minha vida com outros olhos, com outra esperança, porventura com outra veneração. Tenho de cair de joelhos perante o espetáculo desabalado e divino que é a vida, por mais frágil que seja. Tenho de olhar para vida com um coração diferente, um coração novo. Que coisa é necessária para ser cristão? É preciso fazer um gesto que na sua extravagância, na sua rutura, assinale a diferença de Cristo, o salto qualitativo, o salto de amor que Cristo representa. Há um momento na nossa vida em que só um gesto destes nos pode salvar, há um momento na nossa vida em que só um gesto destes faz a diferença.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/fazer_da_vida_um_lugar_sagrado_e_tornar_se_louco_aos_olhos_do_mundo.html
Sê perfeito como o Pai, sê santo porque Eu, o Senhor, sou santo. Santidade, perfeição, palavras que parecem distantes, destinadas a pessoas que fazem outra vida, dedicada à oração e à contemplação. E no entanto são palavras muito concretas: «não odiarás do íntimo do coração os teus irmão», não «guardarás rancor», «amarás o teu próximo como a ti mesmo». A concretude da santidade: nada de abstrato, distante, separado, mas o quotidiano, santidade terrestre como perfume da casa, do pão, dos gestos. E do coração. Sê perfeito como o Pai. Mas ninguém poderá alguma vez sê-lo, é como se Jesus nos pedisse o impossível. Mas não diz «quanto Deus», mas «como Deus», que faz nascer o sol sobre bons e maus. Assim o farei, farei nascer um pouco de sol, um pouco de esperança, um pouco de luz a quem só tem a escuridão diante de si; transmitirei o calor da ternura, a energia da solidariedade. Testemunho de que a justiça é possível, que se pode crer no sol mesmo quando não brilha, no amor mesmo quando não se sente.
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Fazer da vida um lugar sagrado e tornar-se louco aos olhos do mundo
Esta vida que construímos dia a dia, esta vida que não existe em abstrato mas em concreto, nos nossos gestos, na nossa decisão, esta vida que não é apenas biológica mas é a vida ética, a vida sensual, a vida de amor, a vida de procura que em cada um de nós quotidianamente se efetua… Isto que nós somos, isto de inominável, de indecifrável, isto é o lugar de Deus. Por isso tenho de olhar para a minha vida como um lugar sagrado; tenho de olhar para a minha vida com outros olhos, com outra esperança, porventura com outra veneração. Tenho de cair de joelhos perante o espetáculo desabalado e divino que é a vida, por mais frágil que seja. Tenho de olhar para vida com um coração diferente, um coração novo. Que coisa é necessária para ser cristão? É preciso fazer um gesto que na sua extravagância, na sua rutura, assinale a diferença de Cristo, o salto qualitativo, o salto de amor que Cristo representa. Há um momento na nossa vida em que só um gesto destes nos pode salvar, há um momento na nossa vida em que só um gesto destes faz a diferença.
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domingo, 23 de setembro de 2012
De que falamos quando falamos de santidade?
Fizemos da santidade uma coisa tão extraordinária, abstrata e inalcançável, que quase não ousamos falar dela. Muito menos no espaço público. De certa forma, habituamo-nos a olhar para a experiência cristã como que acontecendo a duas velocidades: o caminho heroico dos santos e a frágil estrada que é aquela de todos os outros, e por maior razão a nossa.
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http://www.snpcultura.org/paisagens_de_que_falamos_quando_falamos_de_santidade.html
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