"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























domingo, 20 de novembro de 2011

Mais um NATAL aí à porta e com ele ...

... os "ESTANDARTES DE NATAL 2011" de que "passo palavra"


Queridos amigos,
Aí está o Natal! E com ele mais um ano em que a Plataforma Estandartes de Natal vem convidar a colocar o Estandarte do Menino Jesus no exterior das nossas casas; com este simples gesto daremos o nosso contributo para a recristianização do Natal português.
Este ano, além do tradicional Estandarte do Menino Jesus, existem outros modelos com o Presépio e a Sagrada Família. Podem ver os vários modelos e saber onde adquiri-los em www.estandartesdenatal.org.
Propomos a todos que coloquemos estandartes nas vossas janelas e varandas no dia 27 de Novembro, data que marca o inicio do Advento.
Será uma forma de criar algum impacto visual nas nossas cidades e aldeias e espalhar os mais de 50.000 estandartes já vendidos nos últimos 2 anos em Portugal. Vamos "incendiar"o nosso país com o fogo do Amor do Menino Jesus?

Plataforma Estandartes deNatal
Paula Pimentel Calderón



sábado, 19 de novembro de 2011

FIFTY-FIFTY: boa & má fada

Por onde começar?

A "fada" má:
http://aeiou.expresso.pt/reformas-passarao-a-ser-60-do-salario=f687863

A "fada" boa":
http://aeiou.expresso.pt/oica-aqui-o-novo-disco-de-pedro-osorio-audio-e-video=f687902

Pós-troika

Nesta peça, os verbos conjugados na primeira pessoa do plural não estão correctos. Não votei neles nem nunca fui abstencionista, logo não tenho quaisquer responsabilidades na matéria, bem pelo contrário. Esses que as assumam. É pena & lamentável que não o façam sózinhos, como deveria ser, arrastando os demais no "tsunami" que eles próprios provocaram!!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Gerald Celente: Acabemos com esta farsa de democracia

O drama da Grécia continua.
O resgate grego proposto pela Zona Euro traz a possibilidade de colocar a economia mundial de joelhos. Tem sido proposto para afastar a Grécia da Zona Euro.
Muitos dizem que esta é uma tentativa desesperada para ajudar a salvar a moeda em colapso e outros tantos acreditam que a Grécia é o bode expiatório para um problema muito maior.
Gerald Celente, editor do The Trends Journal, dá-nos a sua opinião acerca do tema.


Tudo isto, pelos vistos, parece confirmar-se http://aeiou.expresso.pt/primeiros-ministros-tecnicos-nao-convencem-investidores=f687704
E nós? "Nós por cá todos bem"! - como diria Fernando Lopes Graça.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

VIDAS & OBRAS: Santo Alberto Magno, bispo, Doutor da Igreja, +1280


Perceba-se só esta invejável figura - eu acho e porque acho aqui o lembro. No entanto, quem e quantos o conhecem ou ouviram falar dele? Pois, destes HOMENS & SENHORES não reza a história, sim aquela que...

Foi, sem dúvida, um dos maiores sábios de todos os tempos. Não dominava apenas, como Mestre, a Filosofia e a Teologia, mas também estendia seu saber às Ciências Naturais. Foi físico e químico, estudou astronomia, meteorologia, mineralogia, zoologia, botânica, escreveu livros sobre tecelagem, navegação, agricultura. Tão assombroso acumular de ciência não o impediu, porém, de ser um piedoso e exemplar dominicano.  
Nomeado Bispo de Regensburg, mostrou-se Pastor zeloso e exemplar; mas, logo que pôde, pediu e obteve dispensa das funções episcopais e retornou à sua cela de monge humilde e sábio. Foi chamado o "Doutor Universal". Tão boa árvore não poderia deixar de dar bons frutos. Assim, não terá sido por acaso, que os célebres S. Tomás de Aquino http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_de_Aquino e o nosso médico Pedro Julião de nome secular e João XXI http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Jo%C3%A3o_XXI, o único papa português de sempre, mais conhecido por Petrus Hispano - Pedro Hispano - como gostava de assinar os seus livros escritos, naturalmente, em latim) foram seus discípulos e, entre si, colegas. A que maior honraria puderá aspirar um mestre como aquela de ter, como discípulos e ainda mais famosos, tão ilustres personalidades?  

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Conhecer o PASSADO para entender o PRESENTE e preparar o FUTURO (7/13)

(continuação)
A história do Estado Novo (dos anos 30 ao 25 de Abril de 1974) e da sua personagem & ícone à lupa, por quem muito bem a conhece e melhor a conta. Fernando Dacosta, «jornalista, escritor, estudioso, testemunha atenta e especialista reconhecido deste período», falará sobre os momentos mais marcantes dessa época em conversa com Eduardo Oliveira e Silva.
"CEM ANOS PORTUGUESES", uma série bem elucidativa desse período marcante da nossa história contemporânea, em 13 programas com cerca de 3/4 de hora que mais parecem de minuto. Os aspectos neles relatados, são tão suficientemente curiosos, pormenorizados e alguns desconhecidos até, que o tempo passa sem darmos por ele.
« (...) nascidos no Estado Novo, faça connosco um exercício de memória (...) » - assim nos convida o jornalista-anfitrião. Aceite o convite porque vale a pena; senão, oiça-se neste 7º programa da série:
1958 a 1962 ano horribilis de Salazar o seu canto do cisne, não entendimento com Craveiro Lopes e o aparecimento  do contra-almirante Américo Tomás, reafirmação de ditador puro e duro, proposta por parte da Índia da cedência dos territórios portugueses na zona recusada, Álvaro Cunhal condenado e preso em Peniche, admirador de Estaline e não de Hitler ou de Mussolini, porque nunca soube que tinha sido apeado do poder contado pela D. Maria, Henrique Galvão que Salazar admira mas receia, como surge a candidatura de Humberto Delgado o general coca-cola e o "obviamente demito-o", resultados eleitorais de 1958 falseados não pela Pide mas pela Legião Portuguesa, papel de Aquilino Ribeiro, D. António Ferreira Gomes e a célebre carta, cardeal Cerejeira e a igreja, a sociedade civil de advogados, médicos e militares começa a organizar-se, o assalto ao quartel de Beja, aparecimento dos movimentos de libertação em África, proposta de Kennedy para uma descolonização lenta, Kaúlza d'Arriaga e a criação dos paraquedistas, raramente cumprimentava quem quer fosse e quando o fazia...

http://tv1.rtp.pt/play/?radiocanal=2#/?prog%3D4674%26idpod%3D202468%26fbtitle%3DRTP Play - 100 Anos Portugueses%26fbimg%3Dhttp%3A%2F%2Fimg0.rtp.pt%2FEPG%2Fimgth%2FphpThumb.php%3Fsrc%3D%2FEPG%2Fradio%2Fimagens%2F4674_pratadacasa.jpg%26w%3D160%26h%3D120%26fburl%3Dhttp%3A%2F%2Fwww.rtp.pt%2Fplay%2F%3Fprog%3D4674%26idpod%3D202468

Antena 2 mais uma vez, pois claro!!!

domingo, 13 de novembro de 2011

O Titanic do Ocidente ...

... por José António Saraiva, Director do Semanário O SOL, 7 /11/ 2011
Nos anos 70, quando Ana Salazar lançou a sua linha de roupa preta para senhora, achei que iria ser um tremendo fiasco.
Quem é que, num país do Sul, quereria andar todo vestido de preto? Na altura eu acabara de con-cluir o curso de Arquitectura na Escola de Belas-Artes, ia com frequência a Paris, fascinava-me com os impressionistas – Renoir, Van Gogh, Cézanne, Monet, Modigliani, Gauguin – e não podia perceber como é que se renegava a cor no vestuário feminino. Não era mais bonito ver as mulheres, sobretudo as jovens, vestidas com roupa alegre de cores garridas do que enfiadas em trajes de luto?
Ontem, 40 anos depois do aparecimento de Ana Salazar, passava eu por uma loja de roupa, olhei distraidamente para dentro e o que vi? Manequins vestidos integralmente de negro. E numa loja de homem que havia em frente, o que dominava a montra? Fatos pretos.
Muito perto da sede deste jornal existe uma loja ‘gótica’. Assim, pelas redondezas, circulam cons-tantemente jovens vestidos de negro – que além disso usam em geral piercings e tatuagens, e têm esotéricos cortes de cabelo, a imitar os índios apaches ou os cabeças-rapadas. Os piercings podem ser na língua, nos lábios, nas orelhas, no umbigo ou até no sexo. Os rapazes e raparigas assim ataviados parecem caricaturas saídas de tribos primitivas.
A nossa civilização atingiu uma tal sofisticação que começou a ser difícil avançar mais – e, aí, entrou-se no retrocesso ou no caminho do absurdo. Há quem compre roupa rota nas lojas de roupa nova. Roupa rota que custa mais caro do que a nova. Cansámo-nos do luxo – e o luxo máximo tor-nou-se a ‘negação do luxo’. Mas uma negação que tem de ser notória: os jovens não compram jeans usados, compram jeans novos a imitar os usados mas percebendo-se que são novos.
O vestuário negro e desengraçado é um dos sinais anunciadores da crise que atinge o Ocidente.
Rejeita-se a cor, que reflecte vitalidade e alegria. As únicas ‘cores’ que se aceitam não são cores: são o preto, o cinzento e o branco. As cores desapareceram. E na decoração sucede a mesma coisa: entra-se numa casa e é tudo branco. Ou é tudo preto e cinzento. O uso das cores vivas passou a ser ‘piroso’. Ao que chegámos!
Falo da cor porque é uma realidade muito visível de uma mudança inexorável que está em curso: a decadência da nossa civilização. Uma civilização que teve uma ascensão, um apogeu e entrou em declínio.
Um declínio que é patente em todas as áreas: a desagregação da família, a deterioração da autorida-de, o aumento da indisciplina, os desvios sexuais, o crescimento do consumo de drogas, a proliferação de gangues suburbanos, a perda de valores e referências positivas, o abaixamento cultural, etc.
Comecemos por aqui, pela cultura. Já não falo da ‘cultura’ difundida pelas televisões – e que tem os seus exemplos mais acabados em programas tipo Big Brother ou Casa dos Segredos. São protótipos abjectos, que puxam a sociedade para baixo.
Mas a própria cultura ‘respeitada’ (ou mesmo venerada) pelos críticos atinge mínimos inconcebíveis. Depois da grande pintura clássica renascentista como conceber um quadro todo negro? E se ainda fosse só um… Mas em todos os museus de arte contemporânea se vêem exemplares desses.
E, ao lado de uma escultura de Leonardo da Vinci ou mesmo de Rodin, o que dizer da ‘instalação’ de Cabrita Reis à porta dos Jerónimos constituída por pneus velhos pendurados numa armação de ferro?
E como classificar um filme sem imagens, como o de João César Monteiro, ao lado de uma obra de Orson Welles ou Visconti?
E alguém se ocupou a comparar uma sinfonia de Beethoven com os novos batuques que nos massa-cram os ouvidos na rádio?
Mas, repito: nada disto são casos isolados – são todos sintomas do mesmo mal e todos concorrem no mesmo sentido. Todos fazem parte do mesmo puzzle, que tem um nome: decadência.
O quadro de valores e de referências em que nos movemos mudou radicalmente.
A família, por exemplo, deixou de ser uma instituição a preservar. A percentagem de divórcios já iguala a de casamentos. Só que isto, aplaudido por alguns, é um drama tremendo para a esmagadora maioria.
A família é o primeiro veículo de integração de um indivíduo na sociedade. E o primeiro apoio de que um indivíduo dispõe em situações adversas, quer ao nível material quer no plano afectivo. A família é uma rede – que ampara o indivíduo quando cai, como ampara o trapezista quando falha o trapézio. A destruição da família entrega as pessoas a si próprias, ainda por cima num ambiente muito competitivo como é a selva urbana em que se tornaram as grandes cidades – e daí as depres-sões, as exclusões, os suicídios, que aumentam regularmente.
A família também é essencial para o crescimento equilibrado das crianças. É a família que lhes ofe-rece um ambiente estável e lhes transmite segurança. Uma sociedade de famílias desestruturadas começa a produzir crianças problemáticas.
A legalização dos casamentos gay, com a aceitação explícita de casais estéreis, foi mais um sinal do esvaziamento da ideia de ‘família’ nos tempos que correm.
E os problemas das famílias prolongam-se nas escolas, sendo responsáveis por fenómenos como a indisciplina nos estabelecimentos de ensino, que se tornou uma praga. Assistimos a alunos a agredi-rem professores em plena sala de aula – o que não devia sequer poder passar pela cabeça dos alunos, quanto mais poder acontecer.
E a seguir vêm as drogas, o consumo crescente de drogas, com o seu rosário de problemas. Drogas que têm como objectivo explícito a alienação, a fuga à realidade, a marginalização do quotidiano. E depois temos as inscrições nas paredes, os gangues suburbanos, o aumento da criminalidade.
E assistimos ainda ao aumento dos desvios sexuais: multiplicam-se os travestis, os transexuais, as trocas de casais (o swing), para já não falar da pedofilia.
A ostentação da homossexualidade tornou-se também uma moda. Em Paris, jovens homossexuais descem o Boulevard Saint Michel ou os Campos Elíseos de malas femininas penduradas nos braços imitando as senhoras.
Todos os sinais aqui apontados, repito, são peças de um mesmo puzzle e são típicos das sociedades em crise. E não adianta fechar os olhos nem vale a pena lutar contra o inelutável.
Os economistas, os financeiros, os políticos esmifram-se a procurar ‘saídas para a crise’. Mas a crise não tem saída porque a questão não é económica e financeira: a crise económica e financeira em que estamos mergulhados é apenas um dos sintomas do descalabro geral.
Já percebemos que temos de nos habituar a viver com menos. Mas o grande problema não é esse. Antes fosse...
O grande drama é que o mundo onde cada um de nós julgava que iria viver sempre entrou numa decomposição acelerada. O barco onde navegámos durante séculos chegou ao fim do prazo de vali-dade e está a afundar-se.
E isso vê-se em tudo. Basta abrir os olhos. Vê-se no afundamento cultural – com a desqualificação da pintura, da escultura, da literatura e da música. Vê-se na desvalorização do casamento e na desagregação da família. Vê-se na deterioração da autoridade e da disciplina, particularmente nas escolas. Vê-se nos desvios sexuais, na proliferação das drogas, na perda de valores e de referências positivas.
E tudo isto é simbolizado pelos jovens com os quais comecei este artigo: esses jovens vestidos de preto, com a pele furada por argolas e manchada por tatuagens, que parecem os corvos anunciadores da desgraça. Aves de mau agoiro.

Porque hoje é DOMINGO (13-11-2011): Leituras & actualidade

EVANGELHO Mt 25,14-30
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«Um homem, ao partir de viagem,
chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens.
A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um,
conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu.
O que tinha recebido cinco talentos
fê-los render e ganhou outros cinco.
Do mesmo modo,
o que recebera dois talentos ganhou outros dois.
Mas, o que recebera dois talentos ganhou outros dois.
Mas, o que recebera um só talento
foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos
e foi ajustar contas com eles.
O que recebera cinco talentos aproximou-se
e apresentou outros cinco, dizendo:
‘Senhor, confiaste-me cinco talentos:
aqui estão outros cinco que eu ganhei’.
Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel.
Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes.
Vem tomar parte na alegria do teu senhor’.
Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse:
‘Senhor, confiaste-me dois talentos:
aqui estão outros dois que eu ganhei’.
Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel.
Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes.
Vem tomar parte na alegria do teu senhor’.
Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse:
‘Senhor, eu sabia que és um homem severo,
que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste.
Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra.
Aqui tens o que te pertence’.
O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso,
sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei;
devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro
e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu.
Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez.
Porque, a todo aquele que tem,
dar-se-á mais e terá em abundância;
mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado.
Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores.
Aí haverá choro e ranger de dentes’».
AMBIENTE
Mais uma vez, o Evangelho apresenta-nos um extracto do “discurso escatológico” (cf. Mt 24-25), onde Mateus aborda o tema da segunda vinda de Jesus e define a atitude com que os discípulos devem esperar e preparar essa vinda.
A catequese que Mateus apresenta neste discurso tem em conta as necessidades da sua comunidade cristã. Estamos no final do séc. I (década de 80). Os cristãos, fartos de esperar a segunda vinda de Jesus, esqueceram o seu entusiasmo inicial… Instalaram-se na mediocridade, na rotina, no comodismo, na facilidade. As perseguições que se adivinham provocam o desânimo e a deserção… Era preciso reaquecer o entusiasmo dos crentes, redespertar a fé, renovar o compromisso cristão com Jesus e com a construção do Reino.
É para responder a este contexto que Mateus reelabora o “discurso escatológico” de Marcos (cf. Mc 13) e compõe, com ele, uma exortação dirigida aos cristãos. Lembra-lhes que a segunda vinda do Senhor está no horizonte final da história humana; e que, até lá, os crentes devem “pôr a render os seus talentos”, vivendo na fidelidade aos ensinamentos de Jesus e comprometidos com a construção do Reino.
A parábola que hoje nos é proposta fala de “talentos” que um senhor distribuiu pelos servos. Um “talento” significa uma quantia muito considerável… Corresponde a cerca de 36 quilos de prata e ao salário de aproximadamente 3.000 dias de trabalho de um operário não qualificado.
MENSAGEM
A “parábola dos talentos” conta que um “senhor” partiu em viagem e deixou a sua fortuna nas mãos dos seus servos. A um, deixou cinco talentos, a outro dois e a outro um. Quando voltou, chamou os servos e pediu-lhes contas da sua gestão. Os dois primeiros tinham duplicado a soma recebida; mas o terceiro tinha escondido cuidadosamente o talento que lhe fora confiado, pois conhecia a exigência do “senhor” e tinha medo. Os dois primeiros servos foram louvados pelo “senhor”, ao passo que o terceiro foi severamente criticado e condenado.
Provavelmente a parábola, tal como saiu da boca de Jesus, era uma “parábola do Reino”. O amo exigente seria Deus, que reclama para Si uma lealdade a toda a prova e que não aceita meias tintas e situações de acomodação e de preguiça. Os servos a quem Ele confia os valores do Reino devem acolher os seus dons e pô-los a render, a fim de que o Reino seja uma realidade. No Reino, ou se está completamente comprometido, ou não se está.
Depois, Mateus pegou na mesma parábola e situou-a num outro contexto: o da vinda do Senhor Jesus, no final dos tempos… A vinda do Senhor é uma certeza; e, quando Ele voltar, julgará os homens conforme o comportamento que tiverem assumido na sua ausência.
Nesta versão da parábola, o “senhor” é Jesus que, antes de deixar este mundo, entregou bens consideráveis aos seus “servos” (os discípulos). Os “bens” são os dons que Deus, através de Jesus, ofereceu aos homens – a Palavra de Deus, os valores do Evangelho, o amor que se faz serviço aos irmãos e que se dá até à morte, a partilha e o serviço, a misericórdia e a fraternidade, os carismas e ministérios que ajudam a construir a comunidade do Reino… Os discípulos de Jesus são os depositários desses “bens”. A questão é, portanto, esta: como devem ser utilizados estes “bens”? Eles devem dar frutos, ou devem ser conservados cuidadosamente enterrados? Os discípulos de Jesus podem – por medo, por comodismo, por desinteresse – deixar que esses “bens” fiquem infrutíferos?
Na perspectiva da nossa parábola, os “bens” que Jesus deixou aos seus discípulos têm de dar frutos. A parábola apresenta como modelos os dois servos que mexeram com os “bens”, que demonstraram interesse, que se preocuparam em não deixar parados os dons do “senhor”, que fizeram investimentos, que não se acomodaram nem se deixaram paralisar pela preguiça, pela rotina, ou pelo medo.
Por outro lado, a parábola condena veementemente o servo que entregou intactos os bens que recebeu. Ele teve medo e, por isso, não correu riscos; mas não só não tirou desses bens qualquer fruto, como também impediu que os bens do “senhor” fossem criadores de vida nova.
Através desta parábola, Mateus exorta a sua comunidade no sentido de estar alerta e vigilante, sem se deixar vencer pelo comodismo e pela rotina. Esquecer os compromissos assumidos com Jesus e com o Reino, demitir-se das suas responsabilidades, deixar na gaveta os dons de Deus, aceitar passivamente que o mundo se construa de acordo com valores que não são os de Jesus, instalar-se na passividade e no comodismo, é privar os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito.
O discípulo de Jesus não pode esperar o Senhor de mãos erguidas e de olhos postos no céu, alheado dos problemas do mundo e preocupado em não se contaminar com as questões do mundo… O discípulo de Jesus espera o Senhor profundamente envolvido e empenhado no mundo, ocupado em distribuir a todos os homens seus irmãos os “bens” de Deus e em construir o Reino.
ACTUALIZAÇÃO (bem apropriada aos tempos que vivemos)
Na reflexão, considerar os seguintes dados:
• Antes de mais, é preciso ter presente que nós, os cristãos, somos agora no mundo as testemunhas de Cristo e do projecto de salvação/libertação que o Pai tem para os homens. É com o nosso coração que Jesus continua a amar os publicanos e os pecadores do nosso tempo; é com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados; é com os nossos braços abertos que Jesus continua a acolher os imigrantes que fogem da miséria e da degradação; é com as nossas mãos que Jesus continua a quebrar as cadeias que prendem os escravizados e oprimidos; é com os nossos pés que Jesus continua a ir ao encontro de cada irmão que está sozinho e abandonado; é com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar as multidões famintas do mundo e a dar medicamentos e cultura àqueles que nada têm… Nós, cristãos, membros do “corpo de Cristo”, que nos identificamos com Cristo, temos a grave responsabilidade de O testemunhar e de deixar que, através de nós, Ele continue a amar os homens e as mulheres que caminham ao nosso lado pelos caminhos do mundo.
• Os dois “servos” da parábola que, talvez correndo riscos, fizeram frutificar os “bens” que o “senhor” lhes deixou, mostram como devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo à espera da segunda vinda de Jesus. Eles tiveram a ousadia de não se contentar com o que já tinham; não se deixaram dominar pelo comodismo e pela apatia… Lutaram, esforçaram-se, arriscaram, ganharam. Todos os dias, há cristãos que têm a coragem de arriscar. Não aceitam a injustiça e lutam contra ela; não pactuam com o egoísmo, o orgulho, a prepotência e propõem, em troca, os valores do Evangelho; não aceitam que os grandes e poderosos decidam os destinos do mundo e têm a coragem de lutar objectivamente contra os projectos desumanos que desfeiam esta terra; não aceitam que a Igreja se identifique com a riqueza, com o poder, com os grandes e esforçam-se por torná-la mais pobre, mais simples, mais humana, mais evangélica; não aceitam que a liturgia tenha de ser sempre tão solene que assuste os mais simples, nem tão etérea que não tenha nada a ver com a vida do dia a dia Muitas vezes, são perseguidos, condenados, desautorizados, reduzidos ao silêncio, incompreendidos; muitas vezes, no seu excesso de zelo, cometem erros de avaliação, fazem opções erradas… Apesar de tudo, Jesus diz-lhes: “muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor”.
• O servo que escondeu os “bens” que o Senhor lhe confiou mostra como não devemos proceder, enquanto caminhamos pelo mundo à espera da segunda vinda de Jesus. Esse servo contentou-se com o que já tinha e não teve a ousadia de querer mais; entregou-se sem luta, deixou-se dominar pelo comodismo e pela apatiaNão lutou, não se esforçou, não arriscou, não ganhou. Todos os dias há cristãos que desistem por medo e cobardia e se demitem do seu papel na construção de um mundo melhor. Limitam-se a cumprir as regras, ou a refugiar-se no seu cantinho cómodo, sem força, sem vontade, sem coragem de ir mais além. Não falham, não cometem “pecados graves”, não fazem mal a ninguém, não correm riscos; limitam-se a repetir sempre os mesmos gestos, sem inovar, sem purificar, sem nada transformar; não fazem, nem deixam fazer e limitam-se a criticar asperamente aqueles que se esforçam por mudar as coisas… Não põem a render os “bens” que Deus lhes confiou e deixam-nos secar sem dar frutos. Jesus diz-lhes: “servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde não lancei; devias, portanto, depositar o meu dinheiro no banco e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu”.
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=330



http://www.snpcultura.org/as_nossas_vidas_sao_minas_de_ouro_ocultas.html