O crescente influxo dos influenciadores corresponde – ao mesmo tempo como efeito e como causa – ao ocaso dos “mestres”, daqueles verdadeiros, que ensinavam a colocar estes problemas e a enfrentá-los com espírito crítico, propondo, não conselhos sobre a roupa ou gastronomia, mas perguntas de fundo decisivas para as escolhas públicas e privadas. E não se fala aqui apenas dos grandes intelectuais que em tempos orientavam a cultura da nossa sociedade. Quer nas famílias quer na escola, a capacidade dos “mestres” de propor aos jovens mensagens significativas é hoje imensamente inferior à de um qualquer influenciador. Para saber mais clicar AQUI.
«O êxito de um bom dito reside no ouvido daquele que o escuta, não daquele que o pronuncia» (Shakespeare)
"Porquê?" & "Para quê?"
Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: O declínio dos mestres e a ascensão dos “influencers”
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: PENSAR
Metapensar é pensar sobre o nosso pensamento. Não há pensamentos neutros. Para saber mais clicar AQUI.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015
ESPIRITUALIDADE: O único livro
Duke Ellington, figura mítica do jazz norte-americano: Tive três educadores: a estrada, a escola, a Bíblia. No fim, a que contou mais foi a Bíblia. É o único livro que devemos ter. Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/o_unico_livro.html
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quarta-feira, 10 de junho de 2015
COMEMORAÇÃO/EFEMÉRIDE/EVOCAÇÃO: "Hoje é Dia de Portugal. De Camões. E das Comunidades"
Assim começa a "Opinião" de Pedro Ivo Carvalho no JN - obrigatório&apoiado o seu último parágrafo.
Para a senhora do lado, leia-se, d'O direito à infância" e, já agora, para o senhor "ex-MEC", recomendável, aconselhável e obrigatória é, também, a leitura desta opinião e ... se não fôr suficiente leiam mais esta. Em alternativa ou cumulativamente, aplique-se- lhes a estadia d'um mês, ou mesmo d'uma semana numa escola daquelas... que são todas. Numa escola não, numa sala d'aula.
-Essa agora, porquê?
-Simplesmente e não é pouco, porque, pense-se um pouco, se queremos conhecer o país real é na escola que devemos estar - qual retrato da realidade - tal&qual!
-Como assim?
-Pelo empenhamento&comportamento dos seus discentes vemos o passado, o presente e o futuro (não são os jovens os homens de amanhã?)
sábado, 20 de setembro de 2014
(in)PRENSA semanal: a minha selecção!
Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.
Equipa de Vítor Bento quer abandonar Novo Banco
Citius já fez o Estado gastar 3,6 milhões de euros
Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral
Marinho Pinto, "uma desilusão para os portugueses"?
O insólito caso da escola que custou 100 mil euros e durou uma semana http://vmais.rr.sapo.pt/ default.aspx?fil=761480&rdt=1# sthash.iCIgMbE5.dpuf
Orçamento Próximo ano trará mais cortes nos salários e apoios sociais
Um milhão de crianças ainda morre no primeiro dia de vida
"Estado Islâmico quer matar o Papa", avisa embaixador do Iraque
Pai quer ver o filho mas não encontra processo no Citius
Dez alimentos poderosos que as mulheres devem comer
Tudo o precisa de saber sobre cópia privada (que não é o mesmo que pirataria)
http://expresso.sapo.pt/tudo- o-precisa-de-saber-sobre- copia-privada-que-nao-e-o- mesmo-que-pirataria=f889833# ixzz3Dhb5oBvE
Ilegalidades colocam Passos 'na mira' do DCIAP
http://expresso.sapo.pt/tudo-
Ilegalidades colocam Passos 'na mira' do DCIAP
Oiça Steve Jobs: tire o tablet à sua filha
http://expresso.sapo.pt/oica- steve-jobs-tire-o-tablet-a- sua-filha=f889786# ixzz3DgWfjdGu
http://expresso.sapo.pt/oica-
'Nem nem' e 'nem nem nem': desculpas para quê?
A escola à deriva
Absurdo europeu
Governo assina contrato com empresas que falharam concurso
'Perdoa-me' chegou ao Parlamento. Desculpas sentidas ou estratégia?
Perdoemos-lhes porque não sabem o que fazem
http://www.dn.pt/inicio/ opiniao/interior.aspx?content_ id=4135360&seccao=Nuno Saraiva&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1
A ciência e o divino 2
http://www.dn.pt/inicio/ opiniao/interior.aspx?content_ id=4135079&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco
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sábado, 29 de março de 2014
(in)PRENSA semanal: a minha selecção!
Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.
BdP soube das "offshores" em 2001 mas só atuou em 2007
A prescrição da democracia
Vítima de abusos entre peritos escolhidos pelo Papa
João Cravinho "Problema da dívida é europeu e não apenas português"
Bloco de Esquerda Vistos gold transformam país num "paraíso para burlões"
Funcionários públicos: o mealheiro de Passos Coelho
Novo corte salarial em estudo
'Fatura da sorte' vai oferecer aos contribuintes Audi A4 e A6
"Estamos entregues a um bando de loucos"
"Temos muito que cortar para chegar aos dois mil milhões"
Vira costas a emprego milionário para ser pai a tempo inteiro
Austeridade tira 29 mil milhões de euros aos portugueses
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O manifesto português "pode ser um gatilho para a mudança na Europa"http://expresso.sapo.pt/o- manifesto-portugues-pode-ser- um-gatilho-para-a-mudanca-na- europa=f862208#ixzz2wzh3Xipp
Maioria dos produtos perigosos continua a vir da China
De bolotas em Auschwitz a árvores transmontanas pela tolerância
O ovo da serpente
Socialismo de mão estendida
A "circunstância" de António Barreto
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"Somos um país bastante corrupto"
Grupo sob suspeita de corrupção encaixou 20,8 milhões do Estado
Coimbra Cão não arredou 'pé' da Urgência enquanto dono esteve internado
Jovens sem meios para sairem da 'asa' dos pais
O fim da escola?
Nobel defende "reestruturação profunda" da dívida portuguesa
Palavra de honra
Notícia "parecia brincadeira do dia das mentiras"
Promessas cumpridas
Os nazis voltaram?
Pensões mínimas estão todas abaixo da linha de pobreza
Lobo Xavier. “Os dados do relatório [do INE] dão um retrato angustiante e triste do país”
Zona euro: oportunidades na periferia
Carne vermelha é mais letal do que se pensava
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sábado, 28 de setembro de 2013
(in)PRENSA semanal: a minha selecção!
Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.
"Desgraçadamente abateu-se sobre nós uma tempestade perfeita"
António Capucho "Distrital e direcção do PSD são uma seita"
Rui Machete acusado de mentir no Parlamento
Quase três mil milhões de euros de IVA 'perdidos'http://expresso.sapo.pt/quase- tres-mil-milhoes-de-euros-de- iva-perdidos=f831238# ixzz2fXq6di68
Portugal tem de pagar 6,1 mil milhões na segunda-feira
Roubini diz que Governo tem bons argumentos para negociar o déficehttp://expresso.sapo.pt/ roubini-diz-que-governo-tem- bons-argumentos-para-negociar- o-defice=f831466#ixzz2fXqj3fGl
Escola de Crato: avaliamos o que não ensinamos e certificamos autodidatas http://expresso.sapo.pt/ escola-de-crato-avaliamos-o- que-nao-ensinamos-e- certificamos-autodidatas= f831172#ixzz2fXrXTF4w
Declarada a morte da social-democracia
Presidente de Timor-Leste entrega cheque de 1 milhão de dólares para ajudar bombeiros portugueses
Ensino Dividir alunos por notas ajuda os que têm mais dificuldades
Cada vez mais idosos têm que optar entre comer e tomar medicamentos
Aumentou o número de pessoas que não passa factura
“Não se pode conhecer Jesus sentado em 1ª classe”
Ferreira Leite "Falar em segundo resgate mostra debilidade que País não merece"
O que pensa Francisco: 7. sobre a morte
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: Que lugares estamos a construir?
Quer demos conta ou não, cada um de nós ocupa-se todos os dias a construir espaços para as pessoas viverem. A pessoa que prepara a mesa para o pequeno-almoço prepara um lugar para a sua família. A família que se senta à mesa contribui também para compor aquele lugar. O que eles dizem ou não dizem e a maneira como olham uns para os outros tornam aquele espaço bom ou mau durante os breves momentos em que estão juntos.
E assim acontece todo o dia, no escritório, na escola, na igreja ou no ginásio. Aonde quer que vamos estamos constantemente a construir lugares, ainda que por instantes. Frequentemente não nos apercebemos que estamos permanentemente a mudar o espaço de quem nos rodeia. O que traz contrariedades porque demasiadas vezes não acrescentamos nada a esse espaço; pelo contrário, levamos algo que não nos pertence. Tiramos a alegria e o sossego, as esperanças e o contentamento de quem está ao nosso lado.
Ler mais em: http://www.snpcultura.org/paisagens_que_lugares_andamos_a_construir.html
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012
CINEMA: "O Substituto - escola, educação e afectos"
Às tentativas iniciais de confronto dos alunos, verbal e fisicamente ameaçadoras, Barthes não se deixa intimidar. Afinal, a realidade afetiva e social dos jovens não lhe é estranha, o que, num contexto progressiva e contagiantemente deprimido, o impulsiona, pelo contrário, a fazer a diferença. Num misto de esperança e desapego que o torna imune à agressão psicológica e ao pessimismo, o professor gere os seus dias entre os cuidados ao avô, única família que lhe resta, e a tentativa de transformar aqueles com quem se cruza, seja na escola ou em qualquer outro lugar.
Ler mais em: http://www.snpcultura.org/o_substituto.html
terça-feira, 17 de abril de 2012
AO: ainda há dúvidas?
O Acordo Ortográfico: inútil e prejudicial
por ANSELMO BORGES, em 4-04-2012
Escola vem do grego scholê, que significa ócio. Mas este ócio nada tem a ver com preguiça. Do que se trata é do tempo livre para o exercício da liberdade do pensar, do aprender e do tornar-se cidadão enquanto ser humano pleno e íntegro, numa sociedade livre. Sempre pensei - uma das heranças do meu pai - que a escola deve ser o lugar da saída da ignorância e da opressão, em ordem ao progresso e à realização plena do ser humano. Lugar de educação e formação.
A palavra educação vem do latim: educare (alimentar) e educere (fazer sair, dar à luz, elevar). Cá está: alimentar e fazer com que cada um/a venha à luz, realizando as suas potencialidades, segundo o preceito paradoxal de Píndaro: "Homem, torna-te no que és": o Homem já nasce Homem, mas tem de tornar-se plenamente humano.
Aí está a razão da educação como o trabalho mais humano e humanizador, de tal modo que o filósofo F. Savater pôde justamente considerar os professores "a corporação mais necessária, mais esforçada e generosa, mais civilizadora de quantos trabalham para satisfazer as exigências de um Estado democrático". Porque o que é próprio do Homem não é tanto aprender como "aprender de outros homens, ser ensinado por eles".
Claro que, assim, sou a favor de uma formação holística. O ser humano não pode crescer apenas no plano científico e técnico: precisa também da estética, da ética, da literatura, da filosofia, da música, da história, da geografia, da religião... Mas julgo que o Português e a Matemática são fundamentais.
E é aqui que se coloca a questão do Acordo Ortográfico. Para que serve? Unificar a ortografia? São tantas as excepções que não se vê unificação! E a Inglaterra preocupa-se com a unificação do inglês? E ainda não foi ratificado por Angola e Moçambique. O jornal oficioso Jornal de Angola escreveu mesmo, justificando a sua não aceitação: "não queremos destruir essa preciosidade (a língua portuguesa) que herdámos inteira e sem mácula" e: "se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes de mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios".
A maior parte dos colunistas bem como a generalidade dos jornais ignoram-no. Não há consenso para a sua aplicação. Graça Moura suspendeu-a no Centro Cultural de Belém (CCB). Nos documentos oficiais da própria CPLP continua a não ser aplicado, passando-se o mesmo com a Academia das Ciências, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Fundação de Serralves, a Casa da Música. Um juiz do Tribunal de Viana proibiu a sua utilização. O secretário de Estado da Cultura admitiu que poderá ainda haver ajustamentos. O filósofo José Gil classificou-o como "néscio e grosseiro". O eurodeputado Paulo Rangel escreveu: "O gesto no CCB é o início de um movimento, cada dia mais forte, de boicote cívico a uma mudança ortográfica arrogante e inútil."
Sem querer pormenorizar (o espectáculo é cada vez mais triste, pois já não tem espectadores, mas "espetadores" e os egípcios são cidadãos do "Egito"; quando um aluno escrever "a recessão do texto", para dizer "a recepção do texto", como explicar-lhe que não é recessão, se é de recessão que constantemente ouve falar?), considero-o isso mesmo: inútil. Que vantagens trouxe? Assim, em tempos de crise, para quê gastar tanto dinheiro na sua implementação? Afinal, quem lucrou, e muito, com ele?
Mas não é só inútil. Veja-se esta antologia de escrita, colhida em trabalhos académicos: "se vi-se-mos", "há-dem ver" (mas isto até ministros dizem), "se nos entretermos", "o homem dasse a conhecer", "deve-se dizer não há violência", "há-ja compreensão", "isso nada tem haver com o real", "à muito que é assim", "tratam-se de questões complexas", "é assim; senão vejamos"; "haviam imensos erros". Se é assim, sem o Acordo, o que vai ser com a confusão em curso do Acordo? Ele não é, portanto, apenas inútil: é prejudicial.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico
Aí está a razão da educação como o trabalho mais humano e humanizador, de tal modo que o filósofo F. Savater pôde justamente considerar os professores "a corporação mais necessária, mais esforçada e generosa, mais civilizadora de quantos trabalham para satisfazer as exigências de um Estado democrático". Porque o que é próprio do Homem não é tanto aprender como "aprender de outros homens, ser ensinado por eles".
Claro que, assim, sou a favor de uma formação holística. O ser humano não pode crescer apenas no plano científico e técnico: precisa também da estética, da ética, da literatura, da filosofia, da música, da história, da geografia, da religião... Mas julgo que o Português e a Matemática são fundamentais.
E é aqui que se coloca a questão do Acordo Ortográfico. Para que serve? Unificar a ortografia? São tantas as excepções que não se vê unificação! E a Inglaterra preocupa-se com a unificação do inglês? E ainda não foi ratificado por Angola e Moçambique. O jornal oficioso Jornal de Angola escreveu mesmo, justificando a sua não aceitação: "não queremos destruir essa preciosidade (a língua portuguesa) que herdámos inteira e sem mácula" e: "se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes de mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios".
A maior parte dos colunistas bem como a generalidade dos jornais ignoram-no. Não há consenso para a sua aplicação. Graça Moura suspendeu-a no Centro Cultural de Belém (CCB). Nos documentos oficiais da própria CPLP continua a não ser aplicado, passando-se o mesmo com a Academia das Ciências, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Fundação de Serralves, a Casa da Música. Um juiz do Tribunal de Viana proibiu a sua utilização. O secretário de Estado da Cultura admitiu que poderá ainda haver ajustamentos. O filósofo José Gil classificou-o como "néscio e grosseiro". O eurodeputado Paulo Rangel escreveu: "O gesto no CCB é o início de um movimento, cada dia mais forte, de boicote cívico a uma mudança ortográfica arrogante e inútil."
Sem querer pormenorizar (o espectáculo é cada vez mais triste, pois já não tem espectadores, mas "espetadores" e os egípcios são cidadãos do "Egito"; quando um aluno escrever "a recessão do texto", para dizer "a recepção do texto", como explicar-lhe que não é recessão, se é de recessão que constantemente ouve falar?), considero-o isso mesmo: inútil. Que vantagens trouxe? Assim, em tempos de crise, para quê gastar tanto dinheiro na sua implementação? Afinal, quem lucrou, e muito, com ele?
Mas não é só inútil. Veja-se esta antologia de escrita, colhida em trabalhos académicos: "se vi-se-mos", "há-dem ver" (mas isto até ministros dizem), "se nos entretermos", "o homem dasse a conhecer", "deve-se dizer não há violência", "há-ja compreensão", "isso nada tem haver com o real", "à muito que é assim", "tratam-se de questões complexas", "é assim; senão vejamos"; "haviam imensos erros". Se é assim, sem o Acordo, o que vai ser com a confusão em curso do Acordo? Ele não é, portanto, apenas inútil: é prejudicial.
Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico
in http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2419561&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1
Espero, ou melhor, desejo, que o Professor J. C. das Neves tenha lido este artigo do Professor e Pe. Anselmo Borges.
Aristocracia ortográfica
por JOÃO CÉSAR DAS NEVES, 27 Fevereiro 2012
Nesta coluna nunca se comentou o Acordo Ortográfico. Em tema muito específico, com reputados especialistas envolvidos em polémicas violentas, recomenda-se silêncio respeitoso. Mas ultimamente o jornal inclui no fundo do artigo a referência: "Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico", o que merece explicação.
Esta opção não implica tomada de posição na contenda. Sobre o tema, permaneço perplexo e expectante. Tenho por princípio cumprir a lei e fiz esforços sérios para aprender as novas regras. Mas confesso a dificuldade em "escrever com erros" e, existindo ainda escolha, prefiro manter a situação.
No que toca às partes em confronto, vejo erros dos dois lados. Os que tomam o novo Acordo como atentado à cultura nacional esquecem que a nossa escrita não é a de Gil Vicente, nem sequer de Eça. O que hoje usamos vem do Formulário Ortográfico de 1911, resultado da ânsia legalista da Primeira República, cuja arrogância ingénua aspirava a regulamentar tudo. O século XX viu atribulada história de acordos na lusofonia, todos falhados (ver www.portaldalinguaportuguesa.org/acordo.php).
Os que apregoam a nova regulamentação como indispensável exageram o significado de pequenos detalhes. Existem importantes diferenças regionais em todas as línguas dominantes, sem que tal prejudique a sua influência. Basta abrir o Thesaurus do editor Word para ver 21 alternativas de Spanish, 16 de English, seis de French e duas de Portuguese convivendo pacificamente.
Em toda a questão, tenho uma única ideia clara. O projecto de regulamentação legal da ortografia é, em si mesmo, manifestação de um dos traços mais fortes da nossa cultura. Não seríamos portugueses se não gastássemos tempo e recursos numa discussão deste tipo. Apesar de alterarem a escrita, são os defensores das novas regras ortográficas quem realmente manifesta o fundo da nossa tradição. Este aspecto merece atenção, até por se relacionar com a origem da crise económica.
Portugal é um país culturalmente aristocrata. A atitude nacional típica é de confiança em elites, especialistas, leis e políticas. Desconfiamos instintivamente da gente comum, de mercados e forças sociais livres. A nossa direita é naturalmente oligárquica, e a esquerda também, na elite progressista do partido. Ambas consideram o povo incapaz, necessitando de orientação. O próprio povo está de acordo, ansiando por chefes salvadores ou acusando os líderes de todo o mal.
A atitude cultural nem sempre coincide com a estrutura social. A Inglaterra é uma sociedade aristocrata, onde perdura a nobreza e a Câmara dos Lordes, mas com uma cultura de abertura e fair play, apostada na iniciativa, na liberdade e no vigor das dinâmicas populares. A França, pelo contrário, afirmando-se democrática e abominando tirania e desigualdade, prefere planeamento e regras impostas de cima, desconfia visceralmente de liberais e movimentos espontâneos e confia em intelectuais e especialistas.
Portugal, apesar da multissecular aliança britânica, é culturalmente francês. A ideia espantosa de a escrita, manifestação por excelência da vida de um povo, ser negociada por academias e imposta por lei só poderia surgir num país de atitude aristocrata, hoje como na Primeira República. A simples concepção de um Estado intrometido nas nossas cartas e recados nasce de um traço cultural básico. Foi a mesma atitude estatizante que nos trouxe à emergência financeira.
A solução razoável para a questão seria elencar e classificar as diferentes ortografias como variantes vivas e aceitáveis de uma língua dinâmica e florescente. Mas nesse caso o académico seria servidor da língua, não seu juiz. Além disso, evitava-se a oportunidade de criar estruturas burocráticas, com funcionários, comissões e ajudas de custo. As editoras escolares perderiam a pequena fortuna que sai da substituição de toda a bibliografia lectiva e, acima de tudo, desaparecia um belo debate ocioso, abstrato e inútil, excelente para ocultar as verdadeiras dificuldades nacionais.
in http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2327678&seccao=Jo%E3o C%E9sar das Neves&tag=Opini%E3o - Em Foco
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domingo, 13 de novembro de 2011
O Titanic do Ocidente ...
... por José António Saraiva, Director do Semanário O SOL, 7 /11/ 2011
Nos anos 70, quando Ana Salazar lançou a sua linha de roupa preta para senhora, achei que iria ser um tremendo fiasco.
Quem é que, num país do Sul, quereria andar todo vestido de preto? Na altura eu acabara de con-cluir o curso de Arquitectura na Escola de Belas-Artes, ia com frequência a Paris, fascinava-me com os impressionistas – Renoir, Van Gogh, Cézanne, Monet, Modigliani, Gauguin – e não podia perceber como é que se renegava a cor no vestuário feminino. Não era mais bonito ver as mulheres, sobretudo as jovens, vestidas com roupa alegre de cores garridas do que enfiadas em trajes de luto?
Ontem, 40 anos depois do aparecimento de Ana Salazar, passava eu por uma loja de roupa, olhei distraidamente para dentro e o que vi? Manequins vestidos integralmente de negro. E numa loja de homem que havia em frente, o que dominava a montra? Fatos pretos.
Muito perto da sede deste jornal existe uma loja ‘gótica’. Assim, pelas redondezas, circulam cons-tantemente jovens vestidos de negro – que além disso usam em geral piercings e tatuagens, e têm esotéricos cortes de cabelo, a imitar os índios apaches ou os cabeças-rapadas. Os piercings podem ser na língua, nos lábios, nas orelhas, no umbigo ou até no sexo. Os rapazes e raparigas assim ataviados parecem caricaturas saídas de tribos primitivas.
A nossa civilização atingiu uma tal sofisticação que começou a ser difícil avançar mais – e, aí, entrou-se no retrocesso ou no caminho do absurdo. Há quem compre roupa rota nas lojas de roupa nova. Roupa rota que custa mais caro do que a nova. Cansámo-nos do luxo – e o luxo máximo tor-nou-se a ‘negação do luxo’. Mas uma negação que tem de ser notória: os jovens não compram jeans usados, compram jeans novos a imitar os usados mas percebendo-se que são novos.
O vestuário negro e desengraçado é um dos sinais anunciadores da crise que atinge o Ocidente.
Rejeita-se a cor, que reflecte vitalidade e alegria. As únicas ‘cores’ que se aceitam não são cores: são o preto, o cinzento e o branco. As cores desapareceram. E na decoração sucede a mesma coisa: entra-se numa casa e é tudo branco. Ou é tudo preto e cinzento. O uso das cores vivas passou a ser ‘piroso’. Ao que chegámos!
Falo da cor porque é uma realidade muito visível de uma mudança inexorável que está em curso: a decadência da nossa civilização. Uma civilização que teve uma ascensão, um apogeu e entrou em declínio.
Um declínio que é patente em todas as áreas: a desagregação da família, a deterioração da autorida-de, o aumento da indisciplina, os desvios sexuais, o crescimento do consumo de drogas, a proliferação de gangues suburbanos, a perda de valores e referências positivas, o abaixamento cultural, etc.
Comecemos por aqui, pela cultura. Já não falo da ‘cultura’ difundida pelas televisões – e que tem os seus exemplos mais acabados em programas tipo Big Brother ou Casa dos Segredos. São protótipos abjectos, que puxam a sociedade para baixo.
Mas a própria cultura ‘respeitada’ (ou mesmo venerada) pelos críticos atinge mínimos inconcebíveis. Depois da grande pintura clássica renascentista como conceber um quadro todo negro? E se ainda fosse só um… Mas em todos os museus de arte contemporânea se vêem exemplares desses.
E, ao lado de uma escultura de Leonardo da Vinci ou mesmo de Rodin, o que dizer da ‘instalação’ de Cabrita Reis à porta dos Jerónimos constituída por pneus velhos pendurados numa armação de ferro?
E como classificar um filme sem imagens, como o de João César Monteiro, ao lado de uma obra de Orson Welles ou Visconti?
E alguém se ocupou a comparar uma sinfonia de Beethoven com os novos batuques que nos massa-cram os ouvidos na rádio?
Mas, repito: nada disto são casos isolados – são todos sintomas do mesmo mal e todos concorrem no mesmo sentido. Todos fazem parte do mesmo puzzle, que tem um nome: decadência.
O quadro de valores e de referências em que nos movemos mudou radicalmente.
A família, por exemplo, deixou de ser uma instituição a preservar. A percentagem de divórcios já iguala a de casamentos. Só que isto, aplaudido por alguns, é um drama tremendo para a esmagadora maioria.
A família é o primeiro veículo de integração de um indivíduo na sociedade. E o primeiro apoio de que um indivíduo dispõe em situações adversas, quer ao nível material quer no plano afectivo. A família é uma rede – que ampara o indivíduo quando cai, como ampara o trapezista quando falha o trapézio. A destruição da família entrega as pessoas a si próprias, ainda por cima num ambiente muito competitivo como é a selva urbana em que se tornaram as grandes cidades – e daí as depres-sões, as exclusões, os suicídios, que aumentam regularmente.
A família também é essencial para o crescimento equilibrado das crianças. É a família que lhes ofe-rece um ambiente estável e lhes transmite segurança. Uma sociedade de famílias desestruturadas começa a produzir crianças problemáticas.
A legalização dos casamentos gay, com a aceitação explícita de casais estéreis, foi mais um sinal do esvaziamento da ideia de ‘família’ nos tempos que correm.
E os problemas das famílias prolongam-se nas escolas, sendo responsáveis por fenómenos como a indisciplina nos estabelecimentos de ensino, que se tornou uma praga. Assistimos a alunos a agredi-rem professores em plena sala de aula – o que não devia sequer poder passar pela cabeça dos alunos, quanto mais poder acontecer.
E a seguir vêm as drogas, o consumo crescente de drogas, com o seu rosário de problemas. Drogas que têm como objectivo explícito a alienação, a fuga à realidade, a marginalização do quotidiano. E depois temos as inscrições nas paredes, os gangues suburbanos, o aumento da criminalidade.
E assistimos ainda ao aumento dos desvios sexuais: multiplicam-se os travestis, os transexuais, as trocas de casais (o swing), para já não falar da pedofilia.
A ostentação da homossexualidade tornou-se também uma moda. Em Paris, jovens homossexuais descem o Boulevard Saint Michel ou os Campos Elíseos de malas femininas penduradas nos braços imitando as senhoras.
Todos os sinais aqui apontados, repito, são peças de um mesmo puzzle e são típicos das sociedades em crise. E não adianta fechar os olhos nem vale a pena lutar contra o inelutável.
Os economistas, os financeiros, os políticos esmifram-se a procurar ‘saídas para a crise’. Mas a crise não tem saída porque a questão não é económica e financeira: a crise económica e financeira em que estamos mergulhados é apenas um dos sintomas do descalabro geral.
Já percebemos que temos de nos habituar a viver com menos. Mas o grande problema não é esse. Antes fosse...
O grande drama é que o mundo onde cada um de nós julgava que iria viver sempre entrou numa decomposição acelerada. O barco onde navegámos durante séculos chegou ao fim do prazo de vali-dade e está a afundar-se.
E isso vê-se em tudo. Basta abrir os olhos. Vê-se no afundamento cultural – com a desqualificação da pintura, da escultura, da literatura e da música. Vê-se na desvalorização do casamento e na desagregação da família. Vê-se na deterioração da autoridade e da disciplina, particularmente nas escolas. Vê-se nos desvios sexuais, na proliferação das drogas, na perda de valores e de referências positivas.
E tudo isto é simbolizado pelos jovens com os quais comecei este artigo: esses jovens vestidos de preto, com a pele furada por argolas e manchada por tatuagens, que parecem os corvos anunciadores da desgraça. Aves de mau agoiro.
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sábado, 8 de outubro de 2011
Arriscando a vida ...
Destas imagens retiro este pensamento, um entre muitos:
Uns têm e não gostam, nem querem. Outros gostam, querem e não têm!!!
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domingo, 18 de setembro de 2011
Desvantagens das "TIC, Tecnologias da Informação e Comunicação" no ensino
Ainda estamos no início e eis que, quando menos esperamos, somos confrontado(a)s com estes "filhos da...época", chamada das novas tecnologias da informação e da comunicação, as "TIC's". Antes assim do que insolentes - «do mal o menos». Habituemo-nos!!!
NOTA: A devida vénia ao colega António Silva, professor na Esc. Sec. Batalha e formador do Centro de Formação RCA-Batalha, pela cedência destas "delícias". Um grande e sincero obrigado, meu e de todos quantos irão, com certeza, deliciar-se com elas!
NOTA: A devida vénia ao colega António Silva, professor na Esc. Sec. Batalha e formador do Centro de Formação RCA-Batalha, pela cedência destas "delícias". Um grande e sincero obrigado, meu e de todos quantos irão, com certeza, deliciar-se com elas!
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Jovens & Juventude: Os "amanhãs que cantam" e que contam (?)
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