"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























sábado, 10 de maio de 2014

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Para quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.
Estudo mostra que colégios inflacionam notas
"Foram semanas de promessas, mas nenhuma para o imediato"
GNR que matou em atropelamento tinha sido condecorado
Foi você que pediu uma política de verdade?
"Política do Passos e do Portas já me irrita"
Um dia de cada vez
A decisão certa ou a decisão possível?
"Portugal não tem solução"
Papa Francisco corre perigo de vida
Pós-Troika O B à Bá da 'saída à portuguesa'
ONU instou o mundo para resposta "urgente"
Esta saída limpa deixou muito lixo tóxico
Crianças, relatórios, visão política
Queriam chegar à Europa, mas encontraram a morte
Inflação vai tirar dois salários à Função Pública
Medina Carreira País precisa "de um Pinto da Costa" para impor a ordem
Previsões de Primavera Portugal é o que menos cresce entre intervencionados
Carga fiscal sobre famílias lusas foi a mais elevada da Europa
A saída inteira e limpa, onde emergimos da noite e da dívida.
Miséria social, miséria moral: mais pobres, mais frágeis
Limpa, suja ou encardida?
Economistas europeus lançam manifesto para as europeias que rejeita Tratado Orçamental
Cortes permanentes nas pensões "comprometem" confiança no Estado
AMI registou novos 409 casos de pobreza por mês em 2013
Função Pública Combate a "gorduras" do Estado fez-se à conta de cortes
Limpinho
Impostas mais perdas nos salários em novo pacote da lei laboral
Baixar IRS? "Se a minha avó não tivesse morrido ainda era viva"
Menina violada pelos mesmos colegas um ano depois
Em 50 médicos, houve 21 a receitar antibióticos sem necessidade
Um quinto das fundações de solidariedade social não têm beneficiários

segunda-feira, 5 de maio de 2014

CINEMA: O ato de matar

“O ato de matar” é um documento impressionante e de dificílima digestão que nos obriga a pensar, da mais séria e dura forma, sobre os limites da (des)humanidade e, inevitavelmente, sem vislumbre de arrependimento, sobre a possibilidade de perdão. O filme interessa sobretudo pelos dois tipos de reflexão que oferece: uma, certamente a mais óbvia e terrível, sobre o conteúdo; e outra, menos evidente mas igualmente importante, sobre a sua forma. No que respeita a esta última, vale a pena ter em atenção que, no cinema, um realizador atua sempre. Mesmo por omissão. Pois a forma como câmara e sujeito se encontram é sempre sua opção. E sabe, desde logo, que um encontro entre duas pessoas não é o mesmo que um encontro entre alguém e uma câmara. É nesse sentido que a liberdade conferida aos testemunhos que aqui se apresentam, com a particularidade de cada um representar a sua memória e a relação de consentimento com os seus tenebrosos atos de forma própria, pode (e deveria) ser, mais que estética, eticamente discutida. Continuar a ler…

domingo, 4 de maio de 2014

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHOLc 24,13-35
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Dois dos discípulos de Emaús
iam a caminho duma povoação chamada Emaús,
que ficava a sessenta estádios de Jerusalém.
Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido.
Enquanto falavam e discutiam,
Jesus aproximou Se deles e pôs Se com eles a caminho.
Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem.
Ele perguntou lhes.
«Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?»
Pararam entristecidos.
E um deles, chamado Cléofas, respondeu:
«Tu és o único habitante de Jerusalém
a ignorar o que lá se passou estes dias».
E Ele perguntou: «Que foi?»
Responderam Lhe:
«O que se refere a Jesus de Nazaré,
profeta poderoso em obras e palavras
diante de Deus e de todo o povo;
e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes
O entregaram para ser condenado à morte e crucificado.
Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel.
Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu.
É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram:
foram de madrugada ao sepulcro,
não encontraram o corpo de Jesus
e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos
a anunciar que Ele estava vivo.
Mas a Ele não O viram».
Então Jesus disse lhes:
«Homens sem inteligência e lentos de espírito
para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram!
Não tinha o Messias de sofrer tudo isso
para entrar na Sua glória?»
Depois, começando por Moisés
e passando por todos os Profetas,
explicou lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da povoação para onde iam,
Jesus fez menção de ir para diante.
Mas eles convenceram n’O a ficar, dizendo:
«Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar
e vem caindo a noite».
Jesus entrou e ficou com eles.
E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção,
partiu-o e entregou-lho.
Nesse momento abriram se lhes os olhos e reconheceram n’O.
Mas Ele desapareceu da sua presença.
Disseram então um para o outro:
«Não ardia cá dentro o nosso coração,
quando Ele nos falava pelo caminho
e nos explicava as Escrituras?»
Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém
e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com ele,
que diziam:
«Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão».
E eles contaram o que tinha acontecido no caminho
e como O tinham reconhecido ao partir o pão.

AMBIENTE
A história que o Evangelho deste domingo nos apresenta é exclusiva de Lucas: nenhum outro evangelista a refere. O texto põe-nos a caminhar com dois discípulos de Jesus que, no dia de Páscoa, vão de Jerusalém para Emaús.
De acordo com o autor do nosso texto, os dois homens dirigiam-se para uma aldeia chamada Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém (cerca de 12 quilómetros). Uma localidade com esse nome, a essa distância de Jerusalém é, no entanto, desconhecida… Pensou-se que o texto poderia referir-se a Amwas, uma localidade situada a cerca de trinta quilómetros a oeste de Jerusalém (alguns manuscritos antigos não falam de sessenta estádios, mas de cento e sessenta estádios, o que nos colocaria no sítio certo); no entanto, parece ser uma distância excessiva para percorrer num dia, sem paragens e a conversar despreocupadamente.
Os comentadores destacaram, muitas vezes, a intenção teológica deste relato. Que é que isto significa? Significa que não estamos diante de uma reportagem jornalística de uma viagem geográfica, mas de uma catequese sobre Jesus. O que interessa ao autor não é escrever um relato lógico e coerente (se Lucas estivesse preocupado com a lógica e com a coerência, teria mais cuidado com a situação geográfica de Emaús; e, certamente, explicaria melhor algumas incongruências do texto – nomeadamente porque é que estes discípulos partiram para a sua aldeia na manhã de Páscoa sem investigar os rumores de que o túmulo estava vazio e Jesus tinha ressuscitado). O que interessa ao autor é explicar aos cristãos para quem escreve – na década de 80 – como é que podem descobrir que Jesus está vivo e como podem fazer a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. Trata-se, portanto, de uma página de catequese, mais do que a descrição fiel de acontecimentos concretos.

MENSAGEM
A cena coloca-nos, em primeiro lugar, diante de dois discípulos que vão a caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas; o outro não é identificado (como se Lucas quisesse dizer que podia ser ”qualquer um” dos crentes que tomam conhecimento da história). Os dois estão, nitidamente, tristes e desanimados, pois os seus sonhos de triunfo e de glória ao lado de Jesus ruíram pela base, aos pés de uma cruz. Esse Messias poderoso, capaz de derrotar os opressores, de restaurar o reino grandioso de David (”nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel”) e de distribuir benesses e honras aos seus colaboradores directos revelou-se, afinal, um ”bluff”, um rotundo fracasso. Em lugar de triunfar, deixou-Se matar numa cruz; e a sua morte é um facto consumado pois ”é já o terceiro dia depois que isto aconteceu” (o ”terceiro dia” após a morte é o dia da morte definitiva, do não regresso do túmulo). Abandonam a comunidade – que, doravante, não parece fazer qualquer sentido – e regressam à sua aldeia, dispostos a esquecer o sonho, a pôr os pés na terra e a enfrentar, de novo, uma vida dura e sem esperança. A discussão entre eles a propósito de ”tudo o que tinha acontecido” (vers. 14) deve entender-se neste enquadramento: é essa partilha solidária dos sonhos desfeitos que torna menos doloroso o desencanto.
Na sequência, o autor do relato introduz no quadro uma nova personagem: Jesus. Ele faz-se companheiro de viagem destes discípulos em caminhada, interroga-os sobre ”o que se passou nestes dias” em Jerusalém, escuta as suas preocupações, torna-se o confidente da sua frustração.
Os dois homens contam a história do ”mestre” cuja proposta os seduziu; mas a versão que contam termina no túmulo: falta, na sua descrição, a fé no Senhor ressuscitado – ainda que conheçam a tradição do túmulo vazio.
Para responder às inquietações dos dois discípulos e para lhes demonstrar que o projecto de Deus não passava por quadros de triunfo humano, mas pelo amor até às últimas consequências e pelo dom da vida, ”começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito”.
É na escuta e na partilha da Palavra que o plano salvador de Deus ganha sentido: só através da Palavra de Deus – explicada, meditada e acolhida – o crente pode perceber que o amor até às últimas consequências e o dom da vida não são um fracasso, mas geram vida nova e definitiva. A escuta da Palavra de Deus dá a entender ao crente a lógica de Deus e demonstra-lhe que a vida oferecida como dom não é perdida, mas é semente de vida plena. Os discípulos percebem, então, que ”o messias tinha de sofrer tudo isso para entrar na glória”: a vida plena e definitiva não está – de acordo com os esquemas de Deus – nos êxitos humanos, nos tronos, no poder; mas está no serviço simples e humilde aos irmãos, no dom da vida por amor, na partilha total daquilo que somos e que temos com os irmãos que caminham lado a lado connosco nos caminhos da vida.
Os três (Jesus, Cléofas e o discípulo não identificado) chegam, finalmente, a Emaús. Os discípulos continuam a não reconhecer Jesus, mas convidam-n’O a ficar com eles. Ele aceita e sentam-se à mesa. Enquanto comiam, Jesus ”tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho”. As palavras usadas por Lucas para descrever os gestos de Jesus evocam a celebração eucarística da Igreja primitiva. Dessa forma, Lucas recorda aos membros da sua comunidade que é possível encontrar Jesus vivo e ressuscitado – esse Jesus que por amor enfrentou a cruz, mas que continua a fazer-Se companheiro de caminhada dos homens nos caminhos da história – na celebração eucarística dominical: sempre que os irmãos se reúnem em nome de Jesus para ”partir o pão”, Jesus lá está, vivo e actuante, no meio deles.
A última cena da nossa história põe os discípulos a retomar o caminho, a regressar a Jerusalém e a anunciar aos irmãos que Jesus está, efectivamente, vivo.
Quando Lucas escreve o seu Evangelho (década de 80), a comunidade cristã defrontava-se com algumas dificuldades. Tinham decorrido cerca de cinquenta anos depois da morte de Jesus, em Jerusalém. A catequese dizia que Ele estava vivo; mas no dia a dia de uma vida monótona, cansativa e cheia de dificuldades, era difícil fazer essa experiência. As testemunhas oculares de Jesus tinham já desaparecido e os acontecimentos da paixão, morte e ressurreição pareciam demasiado distantes, ilógicos e irreais. ”Se Jesus ressuscitou e está vivo, como posso encontrá-l’O? Onde e como posso fazer uma verdadeira experiência de encontro real com esse Jesus que a morte não conseguiu vencer? Porque é que Ele não aparece de forma gloriosa e não instaura um reino de glória e de poder, que nos faça triunfar definitivamente sobre os nossos adversários e detractores?” – perguntavam os crentes das comunidades lucanas.
É a isto que o catequista Lucas vai procurar responder. A sua mensagem dirige-se a esses crentes que caminham pela vida desanimados e sem rumo, cujos sonhos parecem desfazer-se ao encontro da realidade monótona e difícil do dia a dia.
Lucas diz: nós, homens, podemos ter devaneios de grandezas e sonhar com intervenções espectaculares e decisivas de Deus na história humana; mas esses não são os esquemas de Deus… Não será numa intervenção desse tipo que encontraremos Jesus, vivo e ressuscitado. No entanto, Ele está vivo e caminha ao nosso lado nos caminhos do mundo. Às vezes, não conseguimos reconhecê-l’O, pois os nossos corações estão cheios de perspectivas erradas acerca do que Ele é, dos seus métodos e do que Ele pretende; mas, apesar de tudo, Ele faz-Se nosso companheiro de viagem, caminha connosco passo a passo, alimenta a nossa caminhada com a esperança que brota da sua Palavra, faz-Se encontrar na partilha comunitária do pão (Eucaristia).
Na catequese lucana aparece, sobretudo, a ideia de que é na celebração comunitária da Eucaristia que os crentes fazem a experiência do encontro com Jesus vivo e ressuscitado. A nossa narração apresenta o esquema litúrgico da celebração eucarística: a liturgia da Palavra (a ”explicação das Escrituras” – que permite aos discípulos entenderem a lógica do plano de Deus em relação a Jesus) e o ”partir do pão” (que faz com que os discípulos entrem em comunhão com Jesus, recebam d’Ele vida e que O reconheçam nesses gestos que são o ”memorial” do dom da vida e da entrega aos homens).
Há ainda uma última mensagem: depois de fazer a experiência do encontro com Cristo vivo e ressuscitado na celebração eucarística, cada crente é, implicitamente, convidado a voltar à estrada, a dirigir-se ao encontro dos irmãos e a testemunhar que Jesus está vivo e presente na história e na caminhada dos homens.

ACTUALIZAÇÃO
Na reflexão, considerar as seguintes questões:
• O nosso texto insiste numa mensagem que, nestes dias, aparece com grande insistência: Deus ressuscitou Jesus e não permitiu que a morte O derrotasse… A ressurreição de Cristo prova que uma vida gasta ao serviço do plano do Pai, na entrega aos homens, não conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à exaltação, à vida plena. É conveniente lembrarmos isto, sempre que nos sentirmos desiludidos, decepcionados, fracassados, derrotados, criticados, por gastarmos a vida numa dinâmica de serviço, de entrega, de amor. Uma vida que se faz dom nunca é um fracasso; uma vida vivida de forma egoísta e auto-suficiente, à margem de Deus e dos outros, é que é fracassada, pois não conduz à vida em plenitude.• Uma outra ideia, que está bem vincada no nosso texto, é a do testemunho… Pedro é o porta-voz de uma comunidade que conheceu e apreendeu a proposta de salvação que Cristo veio oferecer e que se sente, agora, investida da missão de dar testemunho dela diante dos homens – de todos os homens. A Igreja – da qual fazemos parte – é hoje, no mundo, a testemunha da proposta de salvação que Cristo fez; ela deve dizer a todos os homens o que aconteceu com Cristo e como Ele mostrou que a vida plena resulta do amor e do dom da vida. Sentimo-nos investidos dessa missão? Os homens desiludidos e desorientados encontram em nós – testemunhas de Cristo ressuscitado – uma proposta de vida definitiva e de realização plena? Somos nós que contaminamos o mundo e lhe oferecemos uma alternativa à desilusão, ou é o mundo que nos convence a viver de acordo com valores diferentes dos de Jesus?Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Então, parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte… No entanto, a catequese que Lucas nos propõe hoje garante-nos que Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de esperança.
Como é que Ele nos fala? Como é que Ele faz renascer em nós a esperança? Como é que Ele nos passa esse suplemento de entusiasmo que nos permite continuar? Lucas responde: é através da Palavra de Deus, escutada, meditada, partilhada, acolhida no coração, que Jesus nos indica caminhos, nos aponta perspectivas novas, nos dá a coragem de continuar, depois de cada fracasso, a construir uma cidade ainda mais bonita. Que lugar é que a Palavra de Deus desempenha na minha vida? Tenho consciência de que Jesus me fala e me aponta caminhos de esperança através da sua Palavra?Quando é que os olhos do nosso coração se abrem para descobrir Jesus, vivo e actuante? Lucas responde: é na partilha do Pão eucarístico. Sempre que nos sentamos à mesa com a comunidade e partilhamos o pão que Jesus nos oferece, damo-nos conta de que o Ressuscitado continua vivo, caminhando ao nosso lado, alimentando-nos ao longo da caminhada, ensinando-nos que a felicidade está no dom, na partilha, no amor. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, de plenitude, de vida autêntica.E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Lucas responde: Temos de levá-l’O para os caminhos do mundo, temos de partilhá-l’O com os nossos irmãos, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova e definitiva.
O mundo em que vivemos potencia mais o egoísmo e a auto-suficiência do que o amor e a doação… Os homens do nosso tempo vivem, de forma geral, voltados para si mesmos, para os seus pequenos interesses pessoais e para a realização imediata dos seus sonhos, desejos e prioridades. Nós, os crentes, no entanto, somos convidados a viver e a anunciar a lógica de Deus, que é a lógica do amor e da entrega da vida até às últimas consequências. Qual é a lógica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a lógica do amor, da entrega, da doação até às últimas consequências, ou a lógica do egoísmo, do orgulho, do amor-próprio?

FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=405

sábado, 3 de maio de 2014

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Para quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.
O que cheirou a bafio no 25 de Abril
A espiral de ruído dos media
Cortes Conheça as quatro áreas chave em que o Governo planeia mexer
O alerta do frei Cantalamessa aos administradores públicos
Políticos de hoje só pensam em eleições, diz Santos Silva
Deputado tem apoio para agricultura, mas está em Lisboa
Fenprof 'chumba' teste de inglês por "processo mal contado"
A reforma finou-se
As 10 profissões mais promissoras em 2030
Lamento que não se cortem cabeças em democracia" (mais palerma é quem o elegeu, por 2 vezes e que em 40 anos de democracia ainda não aprendeu que «à primeira quem quer cai, mas à segundo cai quem quer»
Há muito lixo humano acumulado no mar profundo da Europa
"As medidas do DEO são más, mas são as menos más de todas"
A nossa juventude é ignorante?
Caminhos de futuro para a Economia
Abril cavacos mil
Leiam os meus lábios
As incompetências e os escândalos do MAI
Doente morre após falta de viatura médica de emergência
Defesa de ex-diretor garante que tutela autorizou tudo
DEO Medidas no lado da receita valem 40% da consolidação orçamental
Aumento do IVA "é esmola" para Segurança Social
A subida mais estúpida de impostos
São estas as boas notícias?
Não cai o Carmo nem São Bento

sexta-feira, 2 de maio de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Léxico do bom viver social

Palavras para o nosso tempo
Durante estes anos, demasiados foram os danos, não apenas económicos, provocados por quem apresentou ‘males’ sob forma de ‘bens’, custos como benefícios, vícios mascarados de virtudes. Danos que continuamos a produzir, nem sempre intencionalmente. Todos nós – cidadão comum, economistas, instituições, media, políticos – precisamos de instrumentos para dar vida a uma linguagem económica e civil que nos ajude a dar às coisas o nome certo, para amá-las e melhorá-las. Em todas as épocas de renascimento as palavras envelhecem muito rapidamente, e nenhuma época da história desgastou palavras e conceitos mais rapidamente que a nossa. Se verdadeiramente quisermos recriar trabalho, concórdia civil, cooperação e riqueza, é necessário saber antes pronunciá-los, dar-lhes nome. Quando do caos se quer passar ao cosmos (ordem), o primeiro ato humano fundamental é dar nome às coisas, conhecê-las, protegê-las, cultivá-las. Mas o nome mais importante que hoje precisamos de reaprender a reconhecer e a pronunciar é o nome do outro.
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http://www.snpcultura.org/palavras_para_o_nosso_tempo.html
A riqueza: O horizonte dos talentos
Se cancelarmos a natureza mais profunda e verdadeira da riqueza e o destino universal de todos os bens, perderemos também os sentimentos de reconhecimento civil pelas nossas riquezas. É a gratuidade-charis que funda toda a boa riqueza. Precisamos então de olhar o mundo e de dizer uns aos outros: «És tu que me fazes rico». E não deixarmos nunca de nos agradecermos reciprocamente. O que é a minha riqueza se não fruto de um conjunto de relações, algumas com raízes antiquíssimas? Se riqueza é primariamente um dom, partilhá-la e usá-la para o Bem comum não é um ato heroico, é um dever de justiça. Podemos, e devemos, partilhá-la porque, na sua maior parte, a recebemos também. Quando uma cultura perde este profundo sentido social e político das suas riquezas, extravia-se, declina, extingue-se.
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O preço não é justo
A nossa riqueza económica apinhou-se com uma miríade de bens diferentes, que partilham apenas o critério de medida monetário: antibiótico, bilhetes para ver Pirandello e Ibsen no teatro, flores para oferecer a quem amamos, bens relacionais, em conjunto com gastos com ações legais provocadas por litígios e delitos, minas anti-homem, slot-machines, pornografia. Tudo bens, tudo PIB, tudo crescimento. Nem todo o trabalho e nem todos os postos de trabalho, são coisas boas, não o foram nunca. Mas hoje em dia os bens perderam contacto com o Bem, e sem este contacto já não temos categorias culturais para entender que nem sempre o aumento de bens é Bem, que nem todos os bens são coisas boas, que nem todo o crescimento aumenta a felicidade o bem-estar.O contraste entre os nossos bens e o bem surge com toda a sua trágica claridade no ambiente natural, que muito frequentemente apresenta o espetáculo da combinação de bens individuais e mal comum. Que critério ético temos hoje para dizer se um aumento percentual do PIB é um bem ou um mal?
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http://www.snpcultura.org/o_preco_nao_e_justo.html
Os bens relacionais
Na nossa sociedade de mercado, depois de algumas décadas dominados por produtos de massa anónimos e despersonalizados, verifica-se hoje uma forte e crescente tendência para repersonalizar os bens. Pretende-se fazer emergir os «relacionamentos entre pessoas, escondidos na concha de um relacionamento entre coisas» (Marx, O Capital). Nos mercados, prateleiras de lojas, na web, vemos mercadorias e serviços; mas por baixo deles, invisíveis mas bem reais, estão relações de trabalho, produção, poder, amor e dor humanos. Precisamos de treinar o olhar e de aguçar o ouvido para conseguirmos ouvir vozes e ver rostos não apenas do lado de lá do balcão da fruta ou na caixa de uma loja, mas também atrás de frigoríficos, sapatos, fatos, computadores, porque eles estão lá realmente. Uma bica tomada num café com máquinas de venda automática, muito embora saboreado na companhia de amigos, não é a mesma coisa que se tomava tempos atrás no bar da rua ao lado, mesmo se feito com a mesma mistura de cafés e a mesma máquina. Tem um sabor muito diferente, mas é preciso ter glândulas espirituais e civis para notar esta diferença; glândulas que se estão atrofiando.
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http://www.snpcultura.org/os_bens_relacionais.html
A profecia e a injustiça
A pobreza é uma dimensão da condição humana, é uma realidade básica da vida de toda a gente. Grave erro da nossa civilização é considerá-la um problema típico de algumas categorias sociais ou povos que de vez em quando se assumem como “empreiteiros” da pobreza: um modo de nos imunizarmos sempre mais dos pobres, banindo-os, como bode expiatório, para fora das fronteiras da convivência civil. Já não conhecemos a pobreza; e não a reconhecemos porque não recordamos que nascemos na mais absoluta pobreza e que terminaremos a vida numa pobreza não menos absoluta. Sem a opção de ser pobre de poder, de riqueza, de si mesmo, não é possível conduzir longas e extenuantes lutas pela justiça que podem ir ao ponto de empenhar a própria vida e até mesmo morrer por aqueles ideais. Apenas estes pobres podem doar a sua vida pelos outros porque não consideram possuí-la ciosamente. Quem não for capaz de doar a sua vida pelos ideais em que crê, considera bem pouca coisa tais ideais e a própria vida.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/a_profecia_e_a_injustica.html
Capitais: nem tudo é mercadoria
O capital espiritual da pessoa, famílias, comunidades, escolas, empresas, foi sempre a primeira forma de riqueza das nações. Uma pessoa, ou povo, continua a viver e não implode durante as crises enquanto tiver capitais espirituais a que apelar. No tempo da noite, não morrerá enquanto souber entrar dentro da sua alma e da do mundo e nela encontrar algo, alguém, a que agarrar-se para recomeçar. Não é possível dar vida a uma empresa, achar recursos morais para uma aventura em caminhos de risco – para si mesmo e para os outros – conviver com suspensões, adversidades e com a desventura de que se compõe a vida empresarial, sem capitais espirituais pessoais e comunitários. Que capitais espirituais, antigos e novos, estamos a oferecer, a criar nas novas gerações? Estamos a dotar os jovens, e todos nós, de recursos espirituais para as etapas críticas da existência? Quando recolhem os olhos dentro de si, encontram alguma coisa que os faça levantar o olhar? Se não conseguirmos uma nova-antiga fundação espiritual do Ocidente, a depressão será a peste do séc. XXI. Os sinais de fragilidade da atual geração de jovens-adultos são muito eloquentes; bastaria apenas escutá-los mais.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/capitais_nem_tudo_e_mercadoria.html
Regenerar as virtudes subvertidas
Ultrapassámos por certo o ponto crítico da vida exterior (consumos, mercadorias, técnica), e assim parece-nos normal a grande carestia e incapacidade de interioridade, de meditação, de oração em que gradualmente precipitámos. A mesma sorte coube à imunidade. A boa conquista moderna de espaços e momentos de vida privada imune de poderosos e patrões, transformou-se numa “cultura da imunidade” na qual já não se abraça, nem sequer se toca, ninguém, cultura que está a fazer murchar tudo e todos; e assim uma maré cheia de solidão está inundando cidades e vidas. Habituamo-nos a sofrer sozinhos, a morrer sós, a crescer sozinhos em quartos fechados, vazios de pessoas amigas; mas cheias de demónios que nos roubam os filhos. Falar destes grandes temas civis é um primeiro passo decisivo para tomar deles consciência e para não ultrapassar outros pontos críticos que surgem no horizonte. Para nos determos ou mesmo voltar atrás: em alguns raros mas luminosos casos os povos foram capazes de fazê-lo.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/regenerar_as_virtudes_subvertidas.html
Algo de único
Para homens e mulheres nunca foi suficiente o mero consumo de bens. Animais simbólicos e ideológicos que somos, sempre pedimos mais aos produtos que consumimos: do statu social à representação de um futuro melhor durante presentes de indigência. Através dos bens quisemos falar, contar histórias, descrever-nos aos outros e ouvir o que os outros dizem. Fazer experiências. Alguns bens, aliás, estão de tal modo ligados a uma experiência que os economistas os designaram “bens de experiência” (experience goods); são os bens que apenas conseguimos compreender e avaliar depois uma experiência direta e pessoal. Quando saímos de casa para descer aos mercados procuramos experiências maiores que as coisas que compramos. Frequentemente, porém, os bens não mantêm as suas promessas, porque as experiências que fazemos são demasiado pobres em comparação com a nossa sede de infinito. Então, desiludidos mas prontos a esquecer desilusões de ontem, recomeçamos todas as manhãs as nossas liturgias económicas, à procura de bens, de sonhos, de relacionamentos humanos, de vida.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/algo_de_unico.html
A nossa riqueza são os laços
Florescem as comunidades quando são capazes de cooperação. Se não tivéssemos iniciado a cooperar (agir juntos) a vida em comum não teria sequer tido início; teríamos ficado evolutivamente bloqueados na fase pré-humana. Como com frequência acontece a grandes palavras do humano, também a cooperação é ao mesmo tempo una e múltipla, muitas vezes ambivalente; e as suas formas mais relevantes são as menos óbvias. Sempre que seres humanos atuam em conjunto e se coordenam para chegar a um resultado comum mutuamente vantajoso estamos perante a cooperação. Mas nem todas as cooperações são coisa boa; existem cooperações que, aumentando embora as vantagens dos sujeitos nela envolvidos, fazem piorar o bem comum porque prejudicam alguém exterior àquela cooperação. Para distinguir a boa da má cooperação é necessário antes de mais observar os efeitos que tal cooperação intencionalmente produz sobre pessoas externas.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/a_nossa_riqueza_sao_os_lacos.html
Mercado e reciprocidade: Aliança a reconstruir
O nosso melhor passado remoto e próximo é fruto da mescla de mercados e reciprocidade. O movimento cooperativo, os distritos industriais, as empresas familiares são filhos de encontros entre as linguagens do mercado com as do dom. As famílias sempre souberam que as empresas são assunto muito importante e essencial para o seu bem. É delas que vem trabalho e salário; é nesses lugares abertos e duros que se alimentam sonhos e vida verdadeiros. As pessoas sempre habitaram e viveram os mercados reais como lugares humanos, praças e lojas cheias de gente, de odores, sabores e palavras; não esqueçamos ainda que, durante décadas, os mercados foram dos pouquíssimos lugares de vida pública, soberania e protagonismo de muitas nossas mães e avós. A grande e longa história da relação entre mercados e vida civil é sobretudo uma história de amizade e aliança.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/mercado_e_reciprocidade_alianca_a_reconstruir.html
A gratuidade cria o novo, mas onde estão os profetas?
Os mais de 26 milhões de desempregados na Europa, entre os quais imensos jovens, a vulnerabilidade e a tristeza crescentes de tanta gente, são sinais inequívocos de que o nosso tempo precisa de inovações grandes, de topo. A Igreja do papa Francisco está a criar um ambiente propício para possíveis novas grandes inovações sociais e económicas de topo. Mas para que este ambiente seja povoado por novo trabalho, direitos, vida, era precisa a força de Isaías e de Jeremias; ou a força dos carismas. Uma Catarina de Sena, um D. Bosco, um Martin Luther King olhariam hoje para as nossas cidades dos seus cumes. Descobririam nas multidões a fome de trabalho e de vida verdadeira, o medo do presente e do futuro dos filhos. Comover-se-iam, amar-nos-iam com o seu olhar diferente e alto, e começariam logo a agir, inovando verdadeiramente. Mas onde estão os profetas de hoje?
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http://www.snpcultura.org/a_gratuidade_cria_o_novo.html
O futuro não é um clube
Para pôr em movimento uma ação ecológica na cidade, para fazer nascer uma forma de economia partilhada, para deixar de pagar o imposto às máfias, para salvar da morte um bosque ou uma associação, para assinalar e mapear os caminhos de montanha, é necessário que exista um grupo de cidadãos, ainda que pequeno, que faça de motor de arranque, que comece a comprometer-se sem garantia de reciprocidade nem de sucesso. Nestes “cidadãos starter” entra em ação um tipo especial de lógica que podemos chamar do “melhor eu só, do que ninguém”. Sabem que a sua doação é de risco, muitas vezes posta em ridículo, considerada ingénua, talvez até explorada por oportunistas; mas, tomando a peito esse bem comum e o Bem comum, preferem ocupar-se sozinhos daquele bem a vê-lo morrer, esperando (sem o exigir) que amanhã a sua ação seja imitada.
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http://www.snpcultura.org/o_futuro_nao_e_um_clube.html
Sem mercado não há liberdade. O mercado por si só não dá felicidade
Não se trata de pôr em dúvida a importância destes novos bens, mas apenas de usar o sentido crítico e tomar consciência de que as grandes multinacionais usam as inovações tecnológicas não para aumentar a criatividade e a autonomia dos cidadãos, mas para criar sempre mais conforto e consumidores que substituam rapidamente aqueles bens que devem envelhecer ainda mais rapidamente. Precisamos, pois, de tudo fazer para que a revolução das novas tecnologias não nos prenda dentro de casa ‘entretidos’ e cómodos. A qualidade das democracias dependerá muito da nossa capacidade de não confiar as novas tecnologias apenas ao capitalismo para o lucro, mas de considerá-las como novos direitos de cidadania, acessíveis a todos, principalmente aos mais pobres, e de regular o seu uso e gestão, como acontece hoje com os bens de utilidade pública.
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http://www.snpcultura.org/sem_mercado_nao_ha_liberdade.html
Um mundo a recomeçar a partir da mulher e do "Tu"
As estatísticas mostram que nas empresas e bancos são principalmente as mulheres que sofrem porque os postos de trabalho foram pensados, desenhados e promovidos por teorias onde falta “a outra metade” do mundo e da economia. Mudar a economia para a tornar à “medida de mulher” implicaria – faço apenas um aceno – rever também a teoria e a praxis da gestão da casa, a economia familiar, a educação dos filhos, o cura dos idosos. E muitas outras coisas mais. As dificuldades do tempo presente dependem também do não se conseguir valorizar a enorme energia relacional e moral das mulheres, hoje ainda demasiado hóspedes e estrangeiras no mundo produtivo dos homens onde, por isso, não conseguem exprimir todas as suas potencialidades e talentos. Também a economia está à espera de ser vivificada pelo génio feminino.
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http://www.snpcultura.org/um_mundo_a_recomecar_da_mulher_e_do_tu.html
Não é utopia uma alternativa à economia de domínio
A comunhão é felicidade, bem-estar, bem-viver. Mas dentro de nós e à nossa volta a vida mostra-nos continuamente um espetáculo de não-comunhão. Dizer – e recordá-lo sempre – que a comunhão é vocação da humanidade significa ter uma ideia acerca da saúde e da doença das sociedades humanas. O humanismo hebraico-cristão, por exemplo, fala-nos de um início da humanidade na comunhão, um início que é também o fim último da história, a meta para a qual tendemos. A não-comunhão não é nem a primeira nem a última palavra sobre o destino do homem. Dizer que a comunhão é a saúde e a não-comunhão a doença, significa ter uma ideia da terapia necessária. A cultura dominante, pelo contrário, está a inverter esta ordem e transformou a doença em saúde. É o que faz quando diz que a rivalidade, a inveja e a prepotência são os principais agentes de crescimento económico; e que a concórdia, a gratuidade e a igualdade não fazem crescer o PIB.
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http://www.snpcultura.org/nao_e_utopia_uma_alternativa_economia_dominio.html

 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

HISTÓRIA: Séc XX

Documentário que faz uma retrospectiva dos acontecimentos mais importantes do século XX no Brasil e no mundo.
Parte 1:
http://www.youtube.com/watch?v=BL1H-UljI1w&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 2:
http://www.youtube.com/watch?v=qyLqPsQIt7k&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 3:
http://www.youtube.com/watch?v=ufIFfnvsXNc&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 4:
http://www.youtube.com/watch?v=HIpLF6HWfe8&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 5:
http://www.youtube.com/watch?v=_LjE4Yf5Aro&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 6 
http://www.youtube.com/watch?v=i3KhUJPzB_8&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 7
http://www.youtube.com/watch?v=RXPfBHpQbL8&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 8
http://www.youtube.com/watch?v=I8hbXx8ICHA&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 9
http://www.youtube.com/watch?v=yfh1kyGc9kQ&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 10 
http://www.youtube.com/watch?v=7HAjg9APqQE&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 11
http://www.youtube.com/watch?v=29kWqI6nL-k&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 12
http://www.youtube.com/watch?v=SlecsbvTb6I&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 13
http://www.youtube.com/watch?v=DPwXNUMILDY&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 14
http://www.youtube.com/watch?v=Q876Kk5m3rE&list=PL49614CF93E0B666D


Parte 16
http://www.youtube.com/watch?v=7pcn-qqrG4Y&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 17
http://www.youtube.com/watch?v=5E_64DAh5pk&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 18
http://www.youtube.com/watch?v=jOZ3S6ePBa0&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 19
http://www.youtube.com/watch?v=W9YCB9wtTKo&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 20
http://www.youtube.com/watch?v=GcvTcOIgUJ8&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 21
http://www.youtube.com/watch?v=AZFV38eI6fQ&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 22
http://www.youtube.com/watch?v=kAEVkDBWJfo&list=PL49614CF93E0B666D
Parte 23
http://www.youtube.com/watch?v=lRtob488WLY&list=PL49614CF93E0B666D

quarta-feira, 30 de abril de 2014

CINEMA: Os 1001 filmes que deve ver antes de morrer

O cineasta Jonathan Keogh passou um ano da sua vida a selecionar os 1001 filmes que todas as pessoas deveriam ver antes de morrer. As escolhas foram compiladas num vídeo com dez minutos e há gostos para tudo.
Ler mais em:
http://www.noticiasaominuto.com/cultura/190760/os-1001-filmes-que-deve-ver-antes-de-morrer?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=daily#/615/0

terça-feira, 29 de abril de 2014

POLÍTICA/ECONOMIA/FINANÇAS: a verdadeira e a falsa dívida externa.

" Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.
A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.

Eis o discurso :
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
 
Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

BD: Hulk é de verdade católico?

Bastará um rosário apertado numa mão para definir católica uma pessoa? É, seguramente, suficiente para qualificar o credo religioso de um super-herói de banda desenhada como Hulk, conforme o parecer qualificado do primeiro sítio americano especializado no tema. Mas este não é o único indício do personagem em questão: Bruce Banner, o incrível homem verde, casou-se com a amada Betty Ross numa igreja e o rito foi oficiado por um sacerdote católico. E ainda outros sinais disseminados entre as centenas de tiras a ele dedicadas revelam inequivocamente a sua fé. No final desta viagem, interessante e sumária, cabe perguntar se tudo isto tem valor. Seguramente também o mundo de hoje parece ter necessidade de heróis positivos, impávidos e justos, que na eterna luta entre o bem e o mal sabem sempre escolher de que parte estar. E se por detrás desta escolha estão, de forma mais ou menos explícita, motivações religiosas, tanto melhor, visto que não raramente a religião é usada para justificar injustiças e violências.
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domingo, 27 de abril de 2014

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHO – Jo 20,19-31
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Na tarde daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas as portas da casa
onde os discípulos se encontravam,
com medo dos judeus,
veio Jesus, colocou Se no meio deles e disse lhes:
«A paz esteja convosco».
Dito isto, mostrou lhes as mãos e o lado.
Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor.
Jesus disse lhes de novo:
«A paz esteja convosco.
Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».
Dito isto, soprou sobre eles e disse lhes:
«Recebei o Espírito Santo:
àqueles a quem perdoardes os pecados ser lhes ão perdoados;
e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».
Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo,
não estava com eles quando veio Jesus.
Disseram lhe os outros discípulos:
«Vimos o Senhor».
Mas ele respondeu lhes:
«Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos,
se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado,
não acreditarei».
Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa
e Tomé com eles.
Veio Jesus, estando as portas fechadas,
apresentou Se no meio deles e disse:
«A paz esteja convosco».
Depois disse a Tomé:
«Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;
aproxima a tua mão e mete a no meu lado;
e não sejas incrédulo, mas crente».
Tomé respondeu Lhe:
«Meu Senhor e meu Deus!»
Disse lhe Jesus:
«Porque Me viste acreditaste:
felizes os que acreditam sem terem visto».
Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Estes, porém, foram escritos
para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus,
e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

AMBIENTE
Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos é apresentada a comunidade da Nova Aliança. A indicação de que estamos no “primeiro dia da semana” faz, outra vez, referência ao tempo novo, a esse tempo que se segue à morte/ressurreição de Jesus, ao tempo da nova criação.
A comunidade criada a partir da acção de Jesus está reunida no cenáculo, em Jerusalém. Está desamparada e insegura, cercada por um ambiente hostil. O medo vem do facto de não terem ainda feito a experiência de Cristo ressuscitado.

MENSAGEM
O texto que nos é proposto divide-se em duas partes bem distintas.
Na primeira parte (vers. 19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus aos discípulos. Depois de sugerir a situação de insegurança e de fragilidade em que a comunidade estava (o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo”), o autor deste texto apresenta Jesus “no centro” da comunidade (vers. 19b). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-se como ponto de referência, factor de unidade, videira à volta da qual se enxertam os ramos. A comunidade está reunida à volta d’Ele, pois Ele é o centro onde todos vão beber essa vida que lhes permite vencer o “medo” e a hostilidade do mundo.
A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vers. 19 e 21: é o “shalom” hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança, vida plena). Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava (a morte, a opressão, a hostilidade do mundo); e que, doravante, os discípulos não têm qualquer razão para ter medo.
Depois (vers. 20a), Jesus revela a sua “identidade”: nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega. É nesses sinais de amor e de doação que a comunidade reconhece Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses “sinais” indica a permanência do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama e do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.
Em seguida (vers. 22), Jesus “soprou” sobre os discípulos reunidos à sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gn 2,7 (quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus). Com o “sopro” de Gn 2,7, o homem tornou-se um ser vivente; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem – como Jesus – dar-se generosamente aos outros. É este Espírito que constitui e anima a comunidade de Jesus.
Na segunda parte (vers. 24-29), apresenta-se uma catequese sobre a fé. Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado?
João responde: podemos fazer a experiência da fé em Cristo vivo e ressuscitado na comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade, nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter (apenas para si próprio) uma demonstração particular de Deus.
Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. Porquê? Porque no “dia do Senhor” volta a estar com a sua comunidade. É uma alusão clara ao Domingo, ao dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia: é no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado.
A experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência.

ACTUALIZAÇÃO
Ter em conta, na reflexão, os seguintes desenvolvimentos:
• A comunidade cristã gira em torno de Jesus, constrói-se à volta de Jesus e é d’Ele que recebe vida, amor e paz. Sem Jesus, estaremos secos e estéreis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito, e não seremos uma comunidade de irmãos… Na nossa comunidade, Cristo é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte?
• A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos verdadeiramente a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo, encontra-O em nós?
Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas e egoístas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l’O no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida. O que é que significa, para mim, a Eucaristia?