"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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domingo, 30 de março de 2025

LIVRO&LEITURA: "Da Liberdade"

Uma reflexão atual sobre a liberdade e os seus inimigos AQUI.


Timothy Snyder: “Trump lida com as ordens executivas como um imperador russo”

Historiador consagrado, Timothy Snyder lançou-se num ensaio filosófico sobre o conceito de liberdade, tentando provar que os americanos são menos livres do que os povos de outras democracias liberais.

https://www.publico.pt/2025/03/30/mundo/entrevista/timothy-snyder-trump-lida-ordens-executivas-imperador-russo-2127732?utm_source=notifications&utm_medium=web&utm_campaign=2127732

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

ESPIRITUALIDADE: TRAZER AS QUEIXAS E LAMENTAÇÕES À ORAÇÃO

O P. Paulo Duarte, sj convida-nos a trazer as dores, os sofrimentos e os cansaços à oração, "de coração aberto diante de Senhor" porque "a oração cresce, aprofunda-se, quanto mais verdade se coloca diante de Deus". Vê aqui o exercício que o sacerdote jesuíta nos propõe no sentido de encontrar, a partir do sofrimento, um caminho de liberdade e esperança. 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

CINEMA&FILME: “O Casarão”. A história de um seminário, farol de liberdade em pleno salazarismo

Estreia dia 18, o filme do realizador Filipe Araújo que recorda as memórias do seminário dominicano de Aldeia Nova, em Ourém, um espaço hoje vazio, mas onde durante a ditadura, dentro de muros se respirou “liberdade” e “cosmopolitismo”. Ler mais AQUI.

 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

ARENÇÃO/REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: «Desça a vossa paz sobre ela»

Esta jornada em Assis ajudou-nos a ter mais consciência dos nossos compromissos religiosos. Mas também deu ao mundo, que nos olha através dos media, uma maior consciência da responsabilidade de cada religião pelos problemas da guerra e da paz. Talvez nunca na história tenha sido tão evidente para todos a relação intrínseca entre uma atitude religiosa autêntica e o grande bem que é a paz. Que peso terrível para os ombros humanos! Mas, ao mesmo tempo, que vocação maravilhosa e exaltante! Embora a oração já seja uma ação, não nos dispensa de trabalhar pela paz. Dessa forma, agimos como arautos da consciência moral da humanidade, que deseja a paz e precisa da paz.

Não há paz sem um amor apaixonado pela paz. Não há paz sem uma vontade feroz de realizar a paz. A paz espera os seus profetas. Juntos, enchemos os olhos de visões de paz, que libertam energias para uma nova linguagem de paz, para novos gestos de paz, que quebrem as correntes fatais das divisões herdadas da história ou geradas pelas ideologias modernas. A paz espera os seus construtores. Estendamos a mão aos nossos irmãos e às nossas irmãs, encorajando-os a construírem a paz sobre os quatro pilares da verdade, da justiça, do amor e da liberdade. A paz é um estaleiro aberto a todos e não apenas aos especialistas, aos sábios e aos estrategas. A paz é uma responsabilidade universal, que passa por mil pequenos atos da vida quotidiana: pela sua forma quotidiana de viverem com os outros, os homens fazem a sua escolha pela paz ou contra a paz. [...]

Devemos continuar a fazer em cada dia da nossa vida o que fizemos hoje em Assis: rezar e dar testemunho do nosso compromisso com a paz. Porque o que fizemos hoje é vital para o mundo. A oração é essencial para o mundo continuar a existir, para os homens e as mulheres nele sobreviverem.

São João Paulo II (1920-2005), papa, Alocução no encontro inter-religioso em Assis, 27/10/86 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

terça-feira, 30 de março de 2021

LIVRO&LEITURA: “Livres para acreditar – Dez passos para a Fé”

 «Este vai ser um livro sobre fé, mas antes de mais nada é sobre o darmo-nos ao trabalho de nos tornarmos livres. Porque é que se coloca a questão deste modo? Porque a maior parte das pessoas, incluindo eu próprio, nem sempre se dão ao trabalho de serem livres, e porque a maior parte das nossas dificuldades de fé estão ligadas a esta falta de liberdade. Raramente são um problema de verdade propriamente dita. Este livro tenta evidenciar o que podem ser bloqueios que impedem as pessoas de se tornarem psicologicamente livres para a fé. Depois prossegue, tentando ver como é que os caminhos da fé se podem tornar credíveis na nossa cultura. E finalmente procura imaginar como é que o cristianismo pode ser acolhido e vivido hoje.» Leia um excerto AQUI.

sexta-feira, 26 de março de 2021

LIVROS&LEITURAS: "Divina Comédia" & “Do lado de cá da meia-noite. Atravessar a crise”

 Papa publica carta sobre atualidade da "Divina Comédia". Dante é "profeta de esperança"

Documento, dividido em nove pontos, dirige-se à universalidade dos fiéis, aos estudiosos de literatura, aos teólogos, aos artistas. Para saber mais clicar AQUI e AQUI.



Novo livro do bispo de Lamego para ajudar a ultrapassar a “crise pandémica e de alma”

A obra “Do lado de cá da meia-noite. Atravessar a crise” é apresentada esta quinta-feira com uma conferência online. Para saber mais clicar AQUI.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

FILME&CINEMA: “Time”

Este tocante documentário reconstrói a história verdadeira de Robert e Sibil Richardson e dos seus seis filhos, combinando os videodiários que ela gravou ao longo de duas décadas para o marido a cumprir pena e as imagens da sua vida atual, feita de espera. O realizador consegue mostrar não só a realidade de um amor incondicionado, mas também a extraordinária resiliência da heroína Sibil. Uma paladina em defesa da família e da dignidade das pessoas detidas, determinada a não capitular diante de uma justiça culpada de ter condenado os seus filhos a viver demasiado tempo sem um pai. Para saber mais clicar AQUI.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

EFEMÉRIDE&COMEMORAÇÃO: Dia Mundial da Bicicleta

Sonhámo-la mais do que nunca nestes dias. Os dias de sol estimulam a sua utilização, e o desejo de poder sair, em tempo de coronavírus, é ainda mais forte. A melancolia é incompatível com o andar de bicicleta, mobilidade doce que consolida a beleza da lentidão. A bicicleta não é só um meio de locomoção, mas sobretudo estilo de vida, de quem não devora mas degusta, não consome mas utiliza, não olha mas vê por dentro, não foge mas detém-se. Pedalar ajuda a refletir e a redescobrir-se a si próprio, em plena harmonia como ambiente circundante. Mais AQUI

terça-feira, 10 de março de 2020

ESPIRITUALIDADE: Da dignidade do cristianismo e da indignidade dos cristãos

I
No nosso século de pouca fé, de incredulidade largamente espalhada, julgamos o cristianismo pelos cristãos. Ao longo dos séculos anteriores, julgava-se a fé cristã sobretudo pela sua verdade eterna, pela sua doutrina e pelos seus mandamentos. Mas o nosso século está demasiado absorvido pelo homem e pelo humano. Os maus cristãos mascaram o cristianismo. Para saber mais clicar AQUI.
II
O cristianismo veio salvar os doentes não os saudáveis, os pecadores e não os justos. E o género humano, convertido ao cristianismo, é um doente e um pecador. A Igreja de Cristo não é chamada a organizar a vertente exterior da vida, a vencer o mal com violência. Pela sua natureza, o cristianismo não pode destruir o arbitrário, o mal na natureza humana, dado que reconhece a liberdade do homem. Para saber mais clicar AQUI.
III
A verdade divina do cristianismo, acolhida pelos homens, quebra-se na sua natureza pecadora, na sua consciência limitada. A revelação e a vida religiosa cristã, como toda a revelação e toda a vida religiosa, supõem não somente a existência de Deus, mas também a existência do homem. E este, ainda que esclarecido pela luz da graça procedente de Deus, acomoda ao seu olhar espiritual essa luz divina, impõe à revelação os limites da sua natureza e da sua consciência. Para saber mais clicar AQUI.
IV
Por causa da indignidade dos cristãos, esquecemos Cristo, deixámos de vê-lo. O renascimento cristão será, também, antes de mais, uma chamada a Cristo, à sua Verdade, libertada de todas as deformações e adaptações humanas. Para saber mais clicar AQUI.

quarta-feira, 27 de março de 2019

LIVRO&LEITURA: “A casa da alegria”

«Longe de um cristianismo de tristezas e melancolias», o volume que a Paulinas Editora lança nas livrarias na próxima semana propõe que «a fé pode ser uma casa da alegria», e por isso «visa contribuir para que cada leitor possa criar a arquitetura da sua própria felicidade». Interroga Gabriel Magalhães, o autor: «O que fazer da nossa crença no mundo atual, tão especialista em descrenças? Onde pousar a velinha de amor que levamos acesa no coração? Dir-se-ia que cada cristão se vê obrigado a encontrar, hoje em dia, um novo tipo de catacumba, onde a sua espiritualidade se sussurra escondidamente». Leia um excerto AQUI.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

EFEMÉRIDE/COMEMORAÇÃO/RECORDAÇÃO: Jornal do Vaticano evoca escritor Alexander Soljenítsin

Passaram 10 anos sobre a morte de Alexander Soljenítsin (3.8.2008), e a 11 de dezembro assinalar-se-ão os 100 anos do seu nascimento. O valor que tinha em vida não diminuiu após o seu desaparecimento. Aliás, onde as paixões políticas deixaram espaço a um juízo mais racional, a evidência do seu valor tornou-se clara: o escritor marcou a história do século XX pelo olhar que teve sobre o ser humano, um olhar que soube mostrar a sua inexauribilidade, inclusive quando tudo parecia condenar o homem e reduzi-lo a um mísero grão de areia, varrido pela aleatoriedade dos acontecimentos ou triturado pela máquina do poder. Para saber mais, clicar AQUI.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

ATENÇÃO/REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: Quem é mais escravo? Quem está na prisão ou quem não sabe o que é o amor?

«O verdadeiro escravo é aquele que não conhece repouso e aquele que não é capaz de amar. Somos escravos de nós mesmos e não somos capazes de amar. O amor verdadeiro é a verdadeira liberdade; afasta da possessão, reconstrói as relações, sabe acolher e valorizar o próximo, transforma em dom de alegria cada fadiga e torna-nos capazes da comunhão. O amor torna-nos livres mesmo na prisão, mesmo se fracos e limitados» Para saber mais clicar AQUI.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

LIVRO&LEITURA: "Crónicas ainda atuais"

O cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente, vai apresentar esta segunda-feira, 11 de junho, em Lisboa, o livro "Crónicas ainda atuais" (Editorial Cáritas), de Pedro Vaz Patto, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz. «A experiência de muitos de nós diz-nos que Deus não nos impede de desfrutar as alegrias da vida. Pelo contrário, ajuda-nos a descobrir aquelas alegrias que não se esgotam na superficialidade de um momento passageiro de euforia e que perduram no tempo porque atingem o nosso ser mais profundo.» Leia um excerto AQUI.

terça-feira, 9 de maio de 2017

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Papa sublinha que fé é concreta e adverte para perigo de Igreja cair na «teologia do "pode-se e não se pode"»

«Por vezes esquecemo-nos de que a nossa fé é concreta: o Verbo [Jesus] fez-se carne, não se fez ideia: fez-se carne. E quando recitamos o Credo, todas as coisas que dizemos são concretas: "Creio em Deus Pai, que fez o Céu e a Terra, creio em Jesus Cristo que nasceu, que morreu", são tudo coisas concretas», acentuou. «Na história da Igreja, muitas vezes, ela própria condenou o racionalismo, o iluminismo, e depois caiu muitas vezes numa teologia do "pode-se e não se pode", "até aqui, até ali", e esqueceu a força, a liberdade do Espírito Santo.». Para saber mais, clicar AQUI.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ESPIRITUALIDADE: Maturidade espiritual e

Somos de novo uma minoria. A sociedade rege-se por valores que, em grande parte, são contrários à mensagem do Crucificado. De novo, é necessário interiorizar a Palavra de Deus e interrogar-se «que devo fazer?». Não ter medo da pergunta que nos desinstala. Porque não nos interrogarmos é permanecermos imaturos. Para saber mais, clicar AQUI.
Novas oportunidades para a fé
Numa evolução deste género de interrogação religiosa, muitas pessoas que a experimentam, e sobretudo sem dúvida os jovens, já não têm complexos face aos avisos e interditos que outros continuam a manifestar em relação à religião, recusando-se totalmente a ceder à intimidação. Para saber mais, clicar AQUI.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

FILME&CINEMA: "De cabeça erguida"

Malony é uma criança problemática. A mãe (Sara Forestier) abandona-o aos seis anos, largando-o num futuro caracterizado por contínuas decisões da juíz de menores (Catherine Deneuve). Perturbador e emocionante, "De cabeça erguida" é um filme audacioso pela escolha do seu tema, encenação rigorosa e interpretação luminosa do primeiro papel do jovem ator Rod Paradot. Para saber mais, clicar AQUI

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: A servidão voluntária por...

... Leandro Karnal na CPFL Cultura: "O medo à liberdade e a alma humana".
Se um trecho da palestra (8:00), clicar AQUI.
Se a palestra completa (1:01:38), então, clicar AQUI.

domingo, 10 de janeiro de 2016

PALAVRA DE DOMINGO: Contextual​izá-la para bem a entender e melhor vivê-la: LITURGIA & VIDA!

Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética"
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial"
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Ler mais em:
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro", http://www.paulinas.pt/Product_Detail.aspx?code=1977
5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias
6. Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador»
Então:
Tema da Festa do Baptismo do Senhor
A liturgia deste domingo tem como cenário de fundo o projecto salvador de Deus. No Baptismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projecto do Pai, Jesus fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado, empenhou-Se em promover-nos para que pudéssemos chegar à vida plena.
A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Animado pelo Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.
No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética veiculada pela primeira leitura: Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude.
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projecto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.
EVANGELHOLc 3,15-16.21-22
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
o povo estava na expectativa
e todos pensavam em seus corações
se João não seria o Messias.
João tomou a palavra e disse-lhes:
«Eu baptizo-vos com água,
mas vai chegar quem é mais forte do que eu,
do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias.
Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo».
Quando todo o povo recebeu o baptismo,
Jesus também foi baptizado;
e, enquanto orava, o céu abriu-se
e o Espírito Santo desceu sobre Ele
em forma corporal, como uma pomba.
E do céu fez-se ouvir uma voz:
«Tu és o meu Filho muito amado:
em Ti pus toda a minha complacência».

AMBIENTE
O Evangelho deste domingo apresenta o encontro entre Jesus e João Baptista, nas margens do rio Jordão. Na circunstância, Jesus foi baptizado por João.
João Baptista foi o guia carismático de um movimento de cariz popular, que anunciava a proximidade do “juízo de Deus”. A sua mensagem estava centrada na urgência da conversão (pois, na opinião de João, a intervenção definitiva de Deus na história para destruir o mal estava iminente) e incluía um rito de purificação pela água.
O “baptismo” proposto por João não era, na verdade, uma novidade insólita. O judaísmo conhecia ritos diversos de imersão na água, sempre ligados a contextos de purificação ou de mudança de vida. O “mergulhar na água” era, inclusive, um rito usado na integração dos “prosélitos” (os pagãos que aderiam ao judaísmo) na comunidade do Povo de Deus.
Na perspectiva de João, provavelmente, este “baptismo” era um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este “baptismo” renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova e passava a integrar a comunidade do Messias.
O que é que Jesus tem a ver com isto? Que sentido faz Ele apresentar-se a João para receber este “baptismo” de purificação, de arrependimento e de perdão dos pecados?
Para Lucas, João Baptista é a última testemunha de um tempo salvífico que está a chegar ao fim: o tempo da antiga Aliança (cf. Lc 16,16). O aparecimento em cena de Jesus significa o começo de um novo tempo, o tempo em que o próprio Deus vem ao mundo, feito pessoa humana, para oferecer à humanidade escravizada a vida e a salvação. No episódio do “baptismo” revela-se, desde logo, a missão específica e a verdadeira identidade de Jesus.
Em toda a secção (cf. Lc 3,1-4,13), Lucas segue o texto de Marcos (cf. Mc 1,1-13), completado com algumas tradições provenientes de uma outra “fonte”, formada por “ditos” de Jesus
.

MENSAGEM
Numa Palestina em plena efervescência messiânica, a figura e a actividade de João fazem que surjam conjecturas sobre o seu possível messianismo. Será João esse “ungido de Deus” (“messias”), cuja missão é libertar Israel da dominação estrangeira e assegurar ao Povo de Deus vida em abundância e paz sem fim?
João rejeita, de forma categórica, essa possibilidade. Ele não é o “messias”; a sua missão (inclusive como administrador de um “baptismo” de penitência e de purificação) é, apenas, preparar o Povo para esse tempo novo que vai começar com a chegada do verdadeiro “messias” (vers. 15-16). O “messias” que “vai chegar” é definido por João como “aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno desatar as correias das sandálias”. “Desatar as correias das sandálias” era tarefa dos escravos (por isso, a tradição rabínica proibia ao discípulo desatar as correias das sandálias do seu mestre). A imagem utilizada define, pois, João como um “escravo” cuja missão é estar ao serviço desse “messias” que está para chegar. O “messias”, além de ser “mais forte” do que João, irá “baptizar com o Espírito e com o fogo”. Tanto a fortaleza, como o baptismo no Espírito, são prerrogativas que caracterizam o Messias que Israel esperava (cf. Is 9,5-6; 11,2). O testemunho de João não oferece dúvidas: chegou o tempo do “messias”, o tempo da libertação que os profetas anunciaram, o tempo em que o Povo de Deus irá receber o Espírito. Na perspectiva de Lucas, esta “profecia” de João concretizar-se-á no dia de Pentecostes: o “fogo” do “messias”, derramado sobre os discípulos reunidos no cenáculo, fará nascer um Povo novo e livre, a comunidade da nova Aliança.
A cena do “baptismo” irá identificar claramente esse “messias” anunciado por João com o próprio Jesus (vers. 21-22). O Espírito Santo, que desce sobre Jesus “como uma pomba”, leva-nos a essa figura de “Servo de Jahwéh” apresentada na primeira leitura, que recebe o Espírito de Deus para levar “a justiça às nações”. Por outro lado, a “voz vinda do céu” apresenta Jesus como “o Filho muito amado” de Deus (vers. 22). A missão de Jesus será, como a do “Servo”, “abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas” (Is 42,7); para concretizar esse projecto, Ele irá “baptizar no Espírito” e inserir os homens numa dinâmica de vida nova – a vida no Espírito.
Na cena do “baptismo” de Jesus, o testemunho de Deus acerca de Jesus é acompanhado por três factos estranhos que, no entanto, devem ser entendidos em referência a factos e símbolos do Antigo Testamento…
Assim, a abertura do céu significa a união da terra e do céu. A imagem inspira-se, provavelmente, em Is 63,19, onde o profeta pede a Deus que “abra os céus” e desça ao encontro do seu Povo, refazendo essa relação que o pecado do Povo interrompeu. Desta forma, Lucas anuncia que a actividade de Jesus vai reconciliar o céu e a terra, vai refazer a comunhão entre Deus e os homens.
O símbolo da pomba não é imediatamente claro… Provavelmente, não se trata de uma alusão à pomba que Noé libertou e que retornou à arca (cf. Gn 8,8-12); é mais provável que a pomba (em certas tradições judaicas, símbolo do Espírito de Deus que, no início, pairava sobre as águas – cf. Gn 1,2) evoque a nova criação que terá lugar a partir da actividade que Jesus vai iniciar. A missão de Jesus é, portanto, fazer aparecer um Homem Novo, animado pelo Espírito de Deus.
Temos, finalmente, a voz do céu. Trata-se de uma forma muito usada pelos rabbis para expressar a opinião de Deus acerca de uma pessoa ou de um acontecimento. Essa voz declara que Jesus é o Filho de Deus; e fá-lo com uma fórmula tomada desse cântico do “Servo de Jahwéh” que vimos na primeira leitura de hoje (cf. Is 42,1)… A referência ao Servo de Jahwéh sugere que a missão de Jesus, o Filho de Deus, não se desenrolará no triunfalismo, mas na obediência total ao Pai; não se cumprirá com poder e prepotência, mas na suavidade, na simplicidade, no respeito pelos homens (“não gritará, nem levantará a voz; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega” – Is 42,2-3).
Porque é que Jesus quis ser baptizado por João? Jesus necessitava de um baptismo cujo significado primordial estava ligado à penitência, ao perdão dos pecados e à mudança de vida? Ao receber este baptismo de penitência e de perdão dos pecados (do qual não precisava, porque Ele não conheceu o pecado), Jesus solidarizou-Se com o homem limitado e pecador, assumiu a sua condição, colocou-Se ao lado dos homens para os ajudar a sair dessa situação e para percorrer com eles o caminho da libertação, o caminho da vida plena. Esse era o projecto do Pai, que Jesus cumpriu integralmente.
A cena do Baptismo de Jesus revela, portanto, essencialmente, que Jesus é o Filho de Deus, que o Pai envia ao mundo a fim de cumprir um projecto de libertação em favor dos homens. Como verdadeiro Filho, Ele obedece ao Pai e cumpre o plano salvador do Pai; por isso, vem ao encontro dos homens, solidariza-Se com eles, assume as suas fragilidades, caminha com eles, refaz a comunhão entre Deus e os homens que o pecado havia interrompido e conduz os homens ao encontro da vida em plenitude. Da actividade de Jesus, o Filho de Deus que cumpre a vontade do Pai, resultará uma nova criação, uma nova humanidade.

ACTUALIZAÇÃO
• No episódio do Baptismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar e para os inserir numa dinâmica de comunhão e de vida nova. Nessa cena revela-se, portanto, a preocupação de Deus e o imenso amor que Ele nos dedica… É bonita esta história de um Deus que envia o próprio Filho ao mundo, que pede a esse Filho que Se solidarize com as dores e limitações dos homens e que, através da acção do Filho, reconcilia os homens consigo e fá-los chegar à vida em plenitude. Aquilo que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida. Ora, no dia do nosso Baptismo, comprometemo-nos com esse projecto… Temos, depois disso, renovado diariamente o nosso compromisso e percorrido, com coerência, esse caminho que Jesus nos veio propor?
• A celebração do Baptismo do Senhor leva-nos até um Jesus que assume plenamente a sua condição de “Filho” e que Se faz obediente ao Pai, cumprindo integralmente o projecto do Pai de dar vida ao homem. É esta mesma atitude de obediência radical, de entrega incondicional, de confiança absoluta que eu assumo na minha relação com Deus? O projecto de Deus é, para mim, mais importante de que os meus projectos pessoais ou do que os desafios que o mundo me faz?
• O episódio do Baptismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. Eu, filho deste Deus, aceito ir ao encontro dos meus irmãos mais desfavorecidos e estender-lhes a mão? Partilho a sorte dos pobres, dos sofredores, dos injustiçados, sofro na alma as suas dores, aceito identificar-me com eles e participar dos seus sofrimentos, a fim de melhor os ajudar a conquistar a liberdade e a vida plena? Não tenho medo de me sujar ao lado dos pecadores, dos marginalizados, se isso contribuir para os promover e para lhes dar mais dignidade e mais esperança?
• No Baptismo, Jesus tomou consciência da sua missão (essa missão que o Pai Lhe confiou), recebeu o Espírito e partiu em viagem pelos caminhos poeirentos da , a testemunhar o projecto libertador do Pai. Eu, que no Baptismo aderi a Jesus e recebi o Espírito que me capacitou para a missão, tenho sido uma testemunha séria e comprometida desse programa em que Jesus Se empenhou e pelo qual Ele deu a vida