"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























Mostrar mensagens com a etiqueta Átrio dos Gentios. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Átrio dos Gentios. Mostrar todas as mensagens

sábado, 24 de novembro de 2012

Ateus & Crentes: A flor do diálogo

Em última análise, o obstáculo que se levanta a este diálogo-encontro [entre crentes e não crentes] talvez seja apenas um só, o da superficialidade que atenua e desbota a fé numa vaga espiritualidade e reduz o ateísmo a uma negação banal ou sarcástica. Para muitos, nos dias de hoje, o Pai-nosso transforma-se na caricatura que dele fez Jacques Prévert: «Pai nosso que estais no céu, ficai por lá!» Ou ainda na retomada irónica que o poeta francês excogitou do Génesis: «Deus, ao surpreender Adão e Eva,/ disse: Continuai, peço-vos,/ não vos perturbeis comigo,/ procedei como se eu não existisse!» Fazer como se Deus não existisse, etsi Deus non daretur, é, em parte, o mote de sociedade da nossa época: enclausurado como está no céu dourado da sua transcendência, Deus (ou a sua ideia) não deve apoquentar as nossas consciências, não deve interferir nos nossos afazeres, não deve arruinar prazeres e êxitos.
Arcebispo de Braga convida artistas, cientistas, teólogos e filósofos para o Átrio dos GentiosO arcebispo bracarense convidou «crentes ou não crentes, artistas ou cientistas, teólogos ou filósofos, procuradores dum sentido e significado durante a longa ou curta existência» a participarem no Átrio dos Gentios que decorre a 16 e 17 de novembro em Guimarães e Braga. «Há sempre uma pluralidade interpretativa da vida e uma grande profundidade de saber acumulado em experiências vividas, mas de parâmetros que parecem contraditórios e que necessitam do diálogo para nos enriquecermos com as diferenças», escreve D. Jorge Ortiga. «Num átrio há lugar para todos» e manifesta a esperança de que os participantes consigam que «os decisores e os fazedores de opinião verifiquem que só a unidade, que nunca supõe a uniformidade, permite compreender os dinamismos duma sociedade melhor», acrescenta

sábado, 17 de novembro de 2012

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: João Lobo Antunes e cardeal Gianfranco Ravasi: um dueto cordial e abrangente sobre a vida humana

Foi em Guimarães o primeiro diálogo nesta edição portuguesa do Átrio dos Gentios. Em dueto o cardeal Gianfranco Ravasi e o neurocirurgião João Lobo Antunes. O prelado considerou que existem mais concordâncias do que discordâncias no que diz respeito ao tema escolhido para a edição portuguesa, “O Valor da Vida”, destacando, a este respeito, o papel da Bíblia como «léxico» comum da cultura. O que constitui a humanização definitiva é quando se «encontra o outro», porque «a vida precisa de relação», de amor, incluindo «o sexo, a corporeidade, a matéria». «Somos seres simbólicos, não somos só um monte de células», complementou. João Lobo Antunes, por sua vez, lamentou a existência de uma cultura do «ruído», que retira espaço ao silêncio. O Prémio Pessoa em 1996 falou sobre «qual a razão» para que as pessoas sejam colocadas no mundo e referiu uma conversa, com um neto de 13 anos, sobre o «sentido da vida»: «Disse que para mim, a vida só fazia sentido se fosse digna de ser vivida».
Ler mais em

domingo, 29 de julho de 2012

Igreja tem de deixar a «sacristia» e voltar-se para o mundo

D. António Moiteiro
Novo bispo auxiliar de Braga diz que Igreja tem de deixar a «sacristia» e voltar-se para o mundo
D. António Moiteiro Ramos, que o papa Bento XVI nomeou bispo auxiliar de Braga, declarou ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura que a Igreja Católica em Portugal precisa de dar mais atenção ao diálogo com o mundo.
«Devemos ser capazes de mostrar com a nossa vida, o nosso trabalho e a nossa forma de pensar que a fé continua a ser significativa para os tempos de hoje», frisou o prelado de 56 anos, que a 12 de agosto vai receber a ordenação episcopal na Sé da Guarda, diocese de onde é natural.

Que importância tem o diálogo da Igreja com a cultura?
A encíclica Evangelii Nuntiandi, escrita pelo papa Paulo VI após o Concílio Vaticano II [1962-1965], referia que o drama do nosso tempo é o divórcio entre a fé e a vida – e nós podemos dizer entre a fé e a cultura.
Estou convencido de que se a fé não for capaz de criar cultura, como criou, não seremos capazes de incarnar a fé nos tempos de hoje e ela não será significativa no nosso tempo.
O que é mais importante – criar, manter, repensar – na relação da Igreja em Portugal com a cultura?
O diálogo com os homens e mulheres que fazem a cultura é fundamental. Quando ligamos a televisão, vemos a internet e ouvimos a rádio não é difícil perceber que há um desencontro enorme entre o que se pensa da Igreja, da fé cristã e do modo como os cristãos se devem situar no mundo.
Devemos ser capazes de mostrar com a nossa vida, o nosso trabalho e a nossa forma de pensar que a fé continua a ser significativa para os tempos de hoje.
Repare-se, por exemplo, na crise económica em que nos encontramos: muita gente vem ter com a Igreja para que ela ajude a dar resposta aos muitos problemas sociais. Esta questão precisava der ser aprofundada porque há muita gente que se diz do mundo da cultura e não é capaz de entender o esforço que a Igreja e os cristãos estão a fazer para responder a essas dificuldades.
Por isso precisamos de aprofundar muito o diálogo aqueles que são os grandes fazedores de opinião.
Que retrato faz da Pastoral da Cultura em Portugal?
Nós, Igreja, estamos demasiado voltados para dentro, para as nossas missas, para os nossos trabalhos eclesiais, para a administração dos sacramentos. Estamos, e deixe-me passar a expressão, a colocarmo-nos demasiado na sacristia, quando devíamos ir para fora, para os adros das igrejas e para os areópagos do mundo de hoje.
Penso que esta é a maior dificuldade que temos; os padres não são muitos e a tentação é metermo-nos na sacristia. Mas esta tendência não é só dos pastores: olhando para os leigos, é uma evidência clara que a sua tentação é também a de participar apenas em atividades dirigidas para dentro da Igreja, quando não pode ser assim.
Que prioridades relacionadas com a cultura leva para o seu ministério episcopal?
Gostaria muito de entrar em diálogo com os alunos das escolas porque serão eles que amanhã vão fazer opinião pública. O diálogo com o mundo da escola e da universidade é fundmental para mudar as mentalidades.
Na arquidiocese de Braga vamos ter proximamente o Átrio dos Gentios. Iniciativas deste tipo, em que se colocam em diálogo pessoas de várias sensibilidades, mesmo que afastadas do mundo religioso, que se interrogam sobre questões essenciais do ser humano, serão também essenciais no meu ministério episcopal.

Rui Jorge Martins
© SNPC | 18.07.12

http://www.snpcultura.org/novo_bispo_auxiliar_braga_diz_que_igreja_tem_de_deixar_sacristia_e_dialogar_com_mundo.html