"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

COMEMORAÇÃO/EFEMÉRIDE: Natividade de Nossa Senhora

Lendo, ouvindo e orando por AQUI, por AQUI, por AQUI, por AQUI e por AQUI, dá os parabéns a Nossa Senhora e celebra o seu aniversário, oferecendo-lhe o teu amor, a tua dedicação, uma vida mais cristã.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

EFEMÉRIDE/COMEMORAÇÃO: Boas Festas venho dar...

Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.
 
Aqui não fica ninguém
Vamos adorar a Virgem
E o Deus Menino, em Belém.
Que a tua mãe logo vem
Foi lavar os teus paninhos
À fontinha de Belém.
Vamos todos ao presépio
Vamos todos a Belém
Que a Nossa Senhora tem.
Alegrem-se os Céus e a Terra
Cantemos com alegria
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.

in http://amusicaportuguesa.blogs.sapo.pt/musica-de-natal-boas-festas-1628808

Sim, este é que é o Pai Natal. Lamentavelmente muito esquecido e perdido nos tempos que correm, em detrimento de um outro que, como aqui se constata e a Wikipédia confirma, veio muito depois, sendo, aliás, seu discípulo. Depois, a secularização, a laicização, "as guerras e os comércios" de que fala o acima recitado poema de Fernando Pessoa na voz de Maria Bethânia, fizeram aquele resto. Valha-nos o que nos resta - o presépio. Mas para além do Pai Natal, reaprendamos a arte do dom.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

quem conhece ESSES DESCONHECIDOS (48): Beato Mariano de la Mata

... que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer. Aqui:

31 de dezembro de 1905. No aconchego de uma família eminentemente cristã, nasceu, em Barrio de la Puebla, Palência (Espanha), o menino Mariano.
Seus pais, Manuel e Martina, foram formando a consciência e educando o filho Mariano e os outros sete irmãos (três varões e quatro mulheres), semeando com a palavra e o testemunho de uma vida verdadeiramente cristã, a semente da fé e do amor, que seriam depois a essência da vida daquele menino. Nesse ambiente familiar e cristão, não foi difícil surgir a vocação para a vida sacerdotal e religiosa agostiniana; vocação ainda reforçada pelo incentivo dos outros três irmãos varões, que também tinham abraçado a Ordem Agostiniana.
O menino Mariano fez os primeiros estudos de latim na pequena cidade vizinha de Barriosuso de Valdavia. Em 29 de agosto de 1921, ingressou no seminário agostiniano de Valladolid, Espanha, completando, assim, o marco agostiniano mais precioso daquela família abençoada.
De ânimo sereno e honesto nas suas atitudes, vive o seu primeiro período de formação em Valladolid, preparando-se para compromissos posteriores.
No dia 10 de julho de 1922, realiza a sua primeira profissão (dos votos religiosos de pobreza, obediência e castidade). No dia 2 de janeiro de 1926, por meio da profissão solene, se entrega, definitivamente, à Ordem Agostiniana.
Em 25 de julho de 1930 é ordenado sacerdote. Estava pronto para iniciar sua missão e coroar definitivamente sua vocação. Pe. Mariano era sacerdote e agostiniano. Estava preparado para os grandes desafios que a obediência deveria encomendar-lhe na Espanha e, a partir de 21 de agosto de 1931, em terras brasileiras.
Aqui chegou em 21 de agosto de 1931 e atuou na paróquia de Taquaritinga. Em 1933, foi transferido para o Colégio Santo Agostinho, de São Paulo, onde foi professor, secretário e ecônomo. Entre 1945 e 1948, foi superior da Vice-província Agostiniana do Brasil. Em 1949, foi para o Colégio de Engenheiro Schmidt, onde foi diretor, por três anos, e professor e conselheiro da Vice-província, até 1960. Em 1960, transferiu-se de novo para o Colégio de Santo Agostinho, de São Paulo, onde permaneceu até o fim da vida.
O exemplo dos tios, Pe. Hermenegildo, Ir. Tomás, Ir. Baltasar e Pe. Mariano, penetrou no mais íntimo dos lares das quatro irmãs, de tal maneira que, anos depois, abraçariam também a vida religiosa agostiniana três sobrinhos e três sobrinhas. 
Como gostava o Pe. Mariano de viver intensamente essa feliz realidade agostiniana, que tanto enriquecia e unia aquelas quatro famílias!
Para os sobrinhos, o Pe. Mariano era o "tio". Assim o chamavam os sobrinhos com muito carinho. Dois deles acompanhariam, bem de perto, os últimos momentos da sua vida aqui na terra, vindos da Colômbia e do Peru, onde realizavam o seu trabalho pastoral e missionário, como religioso e religiosa agostinianos.
A natureza o contagiava. O cultivo e cuidado das plantas e das flores eram seu divertimento. Falava com elas, acariciava suas folhas, se emocionava diante delas. Cada planta, mesmo a mais raquítica e pouco vistosa, para nós sem valor, era para Pe. Mariano, uma exaltação da beleza da criação. Tinha seu jardim no terraço do Colégio. Ali estava nos seus momentos de relaxamento.
Essa sensibilidade adquiria uma dimensão portentosa quando se tratava da família, dos amigos, dos ex-alunos, dos sofredores, dos mais necessitados.
É difícil esquecer aquele momento, quando recém operado de catarata em Belo Horizonte, em visita realizada à Igreja, emocionado exclamou, ao ver a imagem de Nossa Senhora da Consolação: "Estou vendo as suas cores".
Acolhia com alegria, se entregava com generosidade, acompanhava com espírito samaritano, servia com o coração aberto. Possuía um coração verdadeiramente sensível.
Grandes amores do Pe. Mariano: a eucaristia – Nossa Senhora – as crianças – os pobres – os enfermos.
Grandes paixões do Pe. Mariano: a natureza – a família – as oficinas de Santa Rita de Cássia – as vocações agostinianas.
De caráter firme, mas generoso, espontâneo, desprendido e muito sensível diante da dor; de talante samaritano e autêntico servidor, o Pe. Mariano terá sua vida marcada pelo amor aos que sofrem. Verdadeiro mensageiro do amor, levará aos doentes o conforto da sua presença e da sua palavra de esperança.
Não importavam as deficiências auditivas e visuais que o acompanharam durante muitos anos de sua vida. O amor era mais forte, a caridade o impelia, "a morte não espera", dizia, a solidão aumenta a dor. Sem preocupação de horários, saía o Pe. Mariano pela cidade de São Paulo, com seu fusca, sem pensar em riscos, enfrentando desafios, mas animado por uma alegria interior e levando um raio de esperança aos doentes e aos que precisavam do seu amor, assim como o incentivo da sua presença e da sua palavra às Associadas das Oficinas de Caridade de Santa Rita de Cássia.
Verdadeiro mensageiro do amor, alegrou muitos lares, confortou muitas vidas, foi portador de esperança para muitos desanimados.
Sua maneira de falar e sua figura austera, o carinho que colocava no que realizava e o sacrifício da sua vida, transformada num contínuo ato de amor, fizeram do Pe. Mariano um verdadeiro apóstolo da caridade.
Os doentes eram o seu ponto forte: uma necessidade de um doente antepunha-se a tudo. Nunca tinha preguiça para deixar o que quer que fosse, de dia e de noite, para atender os doentes. Ao saber que em alguma família havia algum doente, lá estava ele confortando o enfermo e os familiares. Era muito conhecido no Hospital do Câncer, por exemplo. Sua presença era um bálsamo, levando a comunhão e os demais sacramentos. Lá ele gozava fama de santo, parecendo o Cristo, semeando coragem e entrega total a Deus. Será enfim essa mesma doença que o levará um dia para o céu. Como Cristo, Pe. Mariano foi o cordeiro levado ao matadouro e imolado, sem se queixar, sem murmurar, crucificado no seu leito de dor. Faleceu no dia 5 de abril de 1983.

                                                       
 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Neste dia 8 de Dezembro, feriado nacional...

...

A mulher mais importante de Portugal?

por ANSELMO BORGES

Uma vez, numa entrevista na rádio, um jornalista atirou-me: "qual é a mulher mais importante de Portugal?" E eu, naquela perplexidade de quando somos apanhados de surpresa: "Penso que é Nossa Senhora, Maria, a mãe de Jesus."
À distância e mais reflectidamente, julgo que respondi bem, pois é mesmo isso: Maria, a mãe de Jesus, Nossa Senhora, é, muito provavelmente, a mulher mais importante de Portugal e, possivelmente, até a mais influente. Pergunto a mim próprio o que seria a Igreja em Portugal sem Fátima e mesmo o que seria o país sem a Nossa Senhora. Frei Bento Domingues foi quem melhor definiu Fátima: "o cais de todas as lágrimas dos portugueses."
Assim, lá está Fátima e milhões de peregrinos, as romarias em todas as cidades, vilas e aldeias, uma devoção enraizada, mesmo para lá da prática religiosa oficial. Talvez porque a Igreja é profundamente masculina - Deus é Pai, Filho e Espírito Santo; a hierarquia é masculina: papa, bispos, padres, diáconos - e porque os portugueses interiorizaram uma imagem tradicional severa do pai, Maria aparece como almofada e afago, sobretudo em tempos dramáticos de crise, de guerra, de becos sem saída. É a Mãe.
Tem mesmo direito a dois dias santos de guarda, com feriado nacional. Um deles celebra-se hoje: a Imaculada Conceição. Ninguém sabe ao certo o que é que a maioria dos portugueses, mesmo católicos praticantes, entende por isso, isto é, o que se celebra na Imaculada Conceição Alguns pensarão na virgindade de Maria. Mas, de facto, o que se celebra tem a ver com a doutrina do pecado original, segundo a qual todos os seres humanos nascem em pecado, por causa do pecado de Adão e Eva. Maria, porém, constituiria uma excepção, pois foi concebida sem pecado.
Ora, é preciso confessar que precisamente aqui se concentra um nó de confusões. O Evangelho desconhece essa doutrina, que provém fundamentalmente de Santo Agostinho: em Adão, todos pecaram. Mas como sustentá-la, no quadro da evolução, quando ninguém sabe quem foram os primeiros humanos, já que a tomada de consciência foi lenta e progressiva?
E quem acredita sinceramente que os seres humanos são gerados em pecado? Uma vez, uma senhora, numa conferência, atirou-me que sempre era verdade que sou herege, pois nego o pecado original. Perguntei-lhe, porque é mãe de duas filhas, se acreditava sinceramente que elas tinham sido geradas em pecado e se ela tinha andado ao todo 18 meses com o pecado dentro dela. E ela, fulminante: "Nem pensar!" Conclusão: quando a fé não é reflectida como razoável, assistimos à dissonância entre o que se diz crer e o que realmente se crê. Afinal, o que está no Génesis é, decisivamente, em linguagem simbólica, outra coisa: o significado da passagem da animalidade à humanidade: como seres humanos, temos consciência de sermos únicos e mortais - cada um é ele/ela e sabe de si como único e mortal.
Maria não é importante por ser mãe de Jesus, mas, como diz o Evangelho, por tê-lo acompanhado, mesmo quando não compreendia. Procurou entender e seguiu-o até à cruz. E tornou-se sua discípula, convertendo-se ao Deus que Jesus anunciou: o Deus-amor, que não nos abandona, nem mesmo na morte, que é próximo de todos, que quer a libertação de todos, a começar pelos mais fracos, humilhados e ofendidos - entre estes estão as mulheres
Como escreveu o biblista Xabier Pikaza, numa longa e densa investigação sobre o Evangelho, "Jesus não quis algo de especial para as mulheres. Quis, para elas, o mesmo que para os homens. Não procurou um lugar especial para elas, mas o mesmo lugar de todos, isto é, o dos 'filhos de Deus'". Depois, veio a traição: "Ao transformar-se em instituição de poder religioso e social, deixando de ser um movimento messiânico de libertação, a Igreja teve de aceitar as estruturas normais de poder, que tinha estado (e estava) nas mãos de homens. Logicamente, os homens justificaram depois essa situação (domínio patriarcal) com pseudo-argumentos religiosos, que vão contra o espírito de Jesus."

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O Luar quando Bate na Relva

O luar quando bate na relva Não sei que cousa me lembra...
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas ...
Se eu já não posso crer que isso é verdade,
Para que bate o luar na relva?

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XIX"
Heterónimo de Fernando Pessoa

A lua