"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

EFEMÉRIDE/RECORDAÇÃO: Madre Teresa de Calcutá

Neste dia em 5 de Setembro de 1997 falecia Madre Teresa de Calcutá, uma santa para os crentes, uma modelo de vida para todos.

«Ícone do Bom Samaritano, ela ia a toda a parte para servir Cristo nos mais pobres entre os pobres. Nem conflitos nem guerras conseguiam ser um impedimento para ela. (…) Ela escolheu ser não apenas a mais pequena, mas a serva dos mais pequeninos. Como mãe autêntica dos pobres, inclinou-se diante dos que sofriam várias formas de pobreza. A sua grandeza reside na sua capacidade de doar sem calcular o custo, de se doar "até doer". A sua vida foi uma vivência radical e uma proclamação audaciosa do Evangelho

Lembremo-la pois com esta singela homenagem (texto, entrevista e musical) AQUI. ELA bem merece! Ou não?

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

ESPIRITUALIDADE: O rosto global da “teologia da prosperidade”

«O risco é que os pobres que fiquem fascinados por este pseudo-Evangelho permaneçam imbricados num vazio político e social, que permite com facilidade a outras forças plasmar o seu mundo, tornando-os inócuos e sem defesas. O “evangelho da prosperidade” nunca é factor de mudança real, que é fundamental na visão da doutrina social da Igreja.» No extremo oposto coloca-se o ensinamento do papa Francisco, que em várias ocasiões ao longo dos cinco anos de pontificado tem levado a peito as ilusões propagandeadas pela “teologia da prosperidade”. Para saber mais, clicar AQUI.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

segunda-feira, 19 de março de 2018

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: PENSAMENTOS



* As boas acções refrescam o sangue e dão sonhos felizes - F. Pananti.


* A cólera é uma rajada de vento que apaga a lâmpada da inteligência. - Ingersoll


* Tudo o que se come sem necessidade é roubado ao estômago dos pobres - M. Gandhi


* Quem compra o supérfluo não tardará a ver-se obrigado a vender o necessário. - B. Franclin


* As pessoas são como os vinhos. A idade envinagra os maus e melhora os bons. - Cícero


* O contrário de um povo cristão é um povo triste, um povo de velhos envinagrados. - G. Bernanos


* O homem só tem o direito de olhar para o outro de cima para baixo, se for para o ajudar a levantar-se. - Gabriel Garcia Marquez

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

terça-feira, 28 de março de 2017

FILME&CINEMA: "São Jorge"

O realizador Marco Martins quis mostrar como os pobres e os excluídos passaram pelo período de intervenção da troika a partir de 2011. Para isso, recorre a gente real que a sentiu na pele. “São Jorge" quer ser um documento da crise financeira que se tornou também numa crise social e humana. Para saber mais, clicar AQUI.



sexta-feira, 24 de março de 2017

HISTÓRIA/BIOGRAFIA/PERSONALIDADE: Oscar Romero, homem de Deus, da Igreja e dos pobres

O clima de perseguição era palpável. Mas Romero torna-se claramente o defensor dos pobres perante uma repressão cruel. Depois de dois anos de arcebispado em San Salvador, Romero conta 30 padres perdidos, entre mortos, expulsos ou chamados para fugir à morte. Os esquadrões da morte matam dezenas e dezenas de catequistas das comunidades de base e muitos fiéis dessas comunidades desaparecem. A Igreja era a principal imputada e por isso a maioritariamente atingida. Romero resiste e aceita dar a vida para defender o seu povo. Para saber mais, clicar AQUI.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

POLÍTICA: Conhece alguém assim?

Pelo sim ou pelo não, leia-se isto AQUI, aprenda-se e depois ... bem, depois "meu lido&aprendido, meu feito". Eu conheço, no mínimo, quatro. Dois muito próximos, um próximo e o quarto, afastado (?), mora aqui em frente, do outro lado do Atlântico, na terra de outro Donald, o Pato, mas que de pato não tem nada - outros o serão ou terão sido - o D.D.M., i.é., Dono Do Mundo.
Claro que isto AQUI é para ele, mas não com ele - lamento Papa Francisco.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

LIVRO&LEITURA: "Diário de um pároco de aldeia"

É então que vemos surgir estes romancistas, no número dos quais se conta o autor do "Diário de um Pároco de Aldeia", os quais não se negam a aceitar a verdade total do homem, antes, pelo contrário, aproveitando o melhor da doutrina, que visa, ao mesmo tempo, a salvação da alma e o reconhecimento da complexidade do coração humano posto em carne viva diante do exemplo único que é a vida, a paixão e a morte de Jesus Cristo, mergulham até aos abismos do bem e do mal para daí trazerem, repassado de todos os suores de sangue a que o vício, a paixão, a luxúria, o orgulho, a hipocrisia, o despeito, a vaidade, a ambição e até a simples fraqueza condenam o homem, o sudário dos sofrimentos e das desgraças a que estão sujeitos os que dispõem daquela parte de liberdade que Deus lhes concedeu no dia em que o pecado original os precipitou do alto do paraíso terreal. Para saber mais, clicar AQUI.

terça-feira, 12 de julho de 2016

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Deus, as idolatrias e os pobres: Sem alibis

Para Isaías, a procura da justiça, e portanto a condição dos pobres, é antes de tudo uma questão teológica, não assistencial. Ainda que as maneiras de amar os pobres sejam muitas, pelo menos tantas quantos os rostos da pobreza e dos pobres, há experiências religiosas que esquecem os pobres, ao ponto de deixarem de os ver, e chegam a pensar que desapareceram da cidade opulenta. Para saber mais, clicar AQUI

sexta-feira, 27 de maio de 2016

CINEMA&FILME: “I, Daniel Blake”

“I, Daniel Blake” centra-se nos pobres, nos marginalizados, naqueles que, por diferentes motivos, são deixados para trás por uma sociedade voltada para o dinheiro, para a beleza, para a juventude e para o sucesso a todo o custo. Para saber mais, clicar AQUI.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

quem conhece ESSES DESCONHECIDOS (48): Beato Mariano de la Mata

... que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer. Aqui:

31 de dezembro de 1905. No aconchego de uma família eminentemente cristã, nasceu, em Barrio de la Puebla, Palência (Espanha), o menino Mariano.
Seus pais, Manuel e Martina, foram formando a consciência e educando o filho Mariano e os outros sete irmãos (três varões e quatro mulheres), semeando com a palavra e o testemunho de uma vida verdadeiramente cristã, a semente da fé e do amor, que seriam depois a essência da vida daquele menino. Nesse ambiente familiar e cristão, não foi difícil surgir a vocação para a vida sacerdotal e religiosa agostiniana; vocação ainda reforçada pelo incentivo dos outros três irmãos varões, que também tinham abraçado a Ordem Agostiniana.
O menino Mariano fez os primeiros estudos de latim na pequena cidade vizinha de Barriosuso de Valdavia. Em 29 de agosto de 1921, ingressou no seminário agostiniano de Valladolid, Espanha, completando, assim, o marco agostiniano mais precioso daquela família abençoada.
De ânimo sereno e honesto nas suas atitudes, vive o seu primeiro período de formação em Valladolid, preparando-se para compromissos posteriores.
No dia 10 de julho de 1922, realiza a sua primeira profissão (dos votos religiosos de pobreza, obediência e castidade). No dia 2 de janeiro de 1926, por meio da profissão solene, se entrega, definitivamente, à Ordem Agostiniana.
Em 25 de julho de 1930 é ordenado sacerdote. Estava pronto para iniciar sua missão e coroar definitivamente sua vocação. Pe. Mariano era sacerdote e agostiniano. Estava preparado para os grandes desafios que a obediência deveria encomendar-lhe na Espanha e, a partir de 21 de agosto de 1931, em terras brasileiras.
Aqui chegou em 21 de agosto de 1931 e atuou na paróquia de Taquaritinga. Em 1933, foi transferido para o Colégio Santo Agostinho, de São Paulo, onde foi professor, secretário e ecônomo. Entre 1945 e 1948, foi superior da Vice-província Agostiniana do Brasil. Em 1949, foi para o Colégio de Engenheiro Schmidt, onde foi diretor, por três anos, e professor e conselheiro da Vice-província, até 1960. Em 1960, transferiu-se de novo para o Colégio de Santo Agostinho, de São Paulo, onde permaneceu até o fim da vida.
O exemplo dos tios, Pe. Hermenegildo, Ir. Tomás, Ir. Baltasar e Pe. Mariano, penetrou no mais íntimo dos lares das quatro irmãs, de tal maneira que, anos depois, abraçariam também a vida religiosa agostiniana três sobrinhos e três sobrinhas. 
Como gostava o Pe. Mariano de viver intensamente essa feliz realidade agostiniana, que tanto enriquecia e unia aquelas quatro famílias!
Para os sobrinhos, o Pe. Mariano era o "tio". Assim o chamavam os sobrinhos com muito carinho. Dois deles acompanhariam, bem de perto, os últimos momentos da sua vida aqui na terra, vindos da Colômbia e do Peru, onde realizavam o seu trabalho pastoral e missionário, como religioso e religiosa agostinianos.
A natureza o contagiava. O cultivo e cuidado das plantas e das flores eram seu divertimento. Falava com elas, acariciava suas folhas, se emocionava diante delas. Cada planta, mesmo a mais raquítica e pouco vistosa, para nós sem valor, era para Pe. Mariano, uma exaltação da beleza da criação. Tinha seu jardim no terraço do Colégio. Ali estava nos seus momentos de relaxamento.
Essa sensibilidade adquiria uma dimensão portentosa quando se tratava da família, dos amigos, dos ex-alunos, dos sofredores, dos mais necessitados.
É difícil esquecer aquele momento, quando recém operado de catarata em Belo Horizonte, em visita realizada à Igreja, emocionado exclamou, ao ver a imagem de Nossa Senhora da Consolação: "Estou vendo as suas cores".
Acolhia com alegria, se entregava com generosidade, acompanhava com espírito samaritano, servia com o coração aberto. Possuía um coração verdadeiramente sensível.
Grandes amores do Pe. Mariano: a eucaristia – Nossa Senhora – as crianças – os pobres – os enfermos.
Grandes paixões do Pe. Mariano: a natureza – a família – as oficinas de Santa Rita de Cássia – as vocações agostinianas.
De caráter firme, mas generoso, espontâneo, desprendido e muito sensível diante da dor; de talante samaritano e autêntico servidor, o Pe. Mariano terá sua vida marcada pelo amor aos que sofrem. Verdadeiro mensageiro do amor, levará aos doentes o conforto da sua presença e da sua palavra de esperança.
Não importavam as deficiências auditivas e visuais que o acompanharam durante muitos anos de sua vida. O amor era mais forte, a caridade o impelia, "a morte não espera", dizia, a solidão aumenta a dor. Sem preocupação de horários, saía o Pe. Mariano pela cidade de São Paulo, com seu fusca, sem pensar em riscos, enfrentando desafios, mas animado por uma alegria interior e levando um raio de esperança aos doentes e aos que precisavam do seu amor, assim como o incentivo da sua presença e da sua palavra às Associadas das Oficinas de Caridade de Santa Rita de Cássia.
Verdadeiro mensageiro do amor, alegrou muitos lares, confortou muitas vidas, foi portador de esperança para muitos desanimados.
Sua maneira de falar e sua figura austera, o carinho que colocava no que realizava e o sacrifício da sua vida, transformada num contínuo ato de amor, fizeram do Pe. Mariano um verdadeiro apóstolo da caridade.
Os doentes eram o seu ponto forte: uma necessidade de um doente antepunha-se a tudo. Nunca tinha preguiça para deixar o que quer que fosse, de dia e de noite, para atender os doentes. Ao saber que em alguma família havia algum doente, lá estava ele confortando o enfermo e os familiares. Era muito conhecido no Hospital do Câncer, por exemplo. Sua presença era um bálsamo, levando a comunhão e os demais sacramentos. Lá ele gozava fama de santo, parecendo o Cristo, semeando coragem e entrega total a Deus. Será enfim essa mesma doença que o levará um dia para o céu. Como Cristo, Pe. Mariano foi o cordeiro levado ao matadouro e imolado, sem se queixar, sem murmurar, crucificado no seu leito de dor. Faleceu no dia 5 de abril de 1983.

                                                       
 

domingo, 24 de agosto de 2014

PALAVRAdeDOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

A importância da homilia, na liturgia da palavra da eucaristia:
"A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Ler mais em:
http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/publicacoes-raquel-dias-conta-no-livro-renascer-do-medo-a-confianca-porque-regressou-a-igreja-20-anos-depois/


Tema do 21º Domingo do Tempo Comum
No centro da reflexão que a liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum nos propõe, estão dois temas à volta dos quais se constrói e se estrutura toda a existência cristã: Cristo e a Igreja.
O Evangelho convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-n’O como “o Messias, Filho de Deus”. Dessa adesão, nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A missão da Igreja é dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves – isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.
A primeira leitura mostra como se deve concretizar o poder “das chaves”. Aquele que detém “as chaves” não pode usar a sua autoridade para concretizar interesses pessoais e para impedir aos seus irmãos o acesso aos bens eternos; mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos seus filhos, com solicitude, com amor e com justiça.
A segunda leitura é um convite a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, de forma misteriosa e às vezes desconcertante, realiza os seus projectos de salvação do homem. Ao homem resta entregar-se confiadamente nas mãos de Deus e deixar que o seu espanto, reconhecimento e adoração se transformem num hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador.
Evangelho: Mt 16,13-20
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe
e perguntou aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?»
Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista,
outros que é Elias,
outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?»
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe:
«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas,
porque não foram a carne e o sangue que to revelaram,
mas sim meu Pai que está nos Céus.
Também Eu te digo: Tu és Pedro;
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus:
tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus,
e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Então, Jesus ordenou aos discípulos
que não dissessem a ninguém
que Ele era o Messias.

AMBIENTE
O Evangelho deste domingo situa-nos no Norte da Galileia, perto das nascentes do rio Jordão, em Cesareia de Filipe (na zona da actual Bânias). A cidade tinha sido construída por Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) no ano 2 ou 3 a.C., em honra do imperador Augusto.
O episódio que nos é proposto ocupa um lugar central no Evangelho de Mateus. Aparece num momento de viragem, quando começa a perfilar-se no horizonte de Jesus um destino de cruz. Depois do êxito inicial do seu ministério, Jesus experimenta a oposição dos líderes e um certo desinteresse por parte do Povo. A sua proposta do Reino não é acolhida, senão por um pequeno grupo – o grupo dos discípulos.
É, então, que Jesus dirige aos discípulos uma série de perguntas sobre si próprio. Não se trata, tanto, de medir a sua quota de popularidade; trata-se, sobretudo, de tornar as coisas mais claras para os discípulos e confirmá-los na sua opção de seguir Jesus e de apostar no Reino.
O relato de Mateus é um pouco diferente do relato do mesmo episódio feito por outros evangelistas (nomeadamente Marcos – cf. Mc 8,27-30). Mateus remodelou e ampliou o texto de Marcos, acrescentando a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus e a missão confiada a Pedro.

MENSAGEM
O nosso texto pode dividir-se em duas partes. A primeira, de carácter mais cristológico, centra-se em Jesus e na definição da sua identidade. A segunda, de carácter mais eclesiológico, centra-se na Igreja, que Jesus convoca à volta de Pedro.Na primeira parte (vers. 13-16), Jesus interroga duplamente os discípulos: acerca do que as pessoas dizem dele e acerca do que os próprios discípulos pensam.
A opinião dos “homens” vê Jesus em continuidade com o passado (“João Baptista”, “Elias”, “Jeremias” ou “algum dos profetas”). Não captam a condição única de Jesus, a sua novidade, a sua originalidade. Reconhecem, apenas, que Jesus é um homem convocado por Deus e enviado ao mundo com uma missão – como os profetas do Antigo Testamento… Mas não vão além disso. Na perspectiva dos “homens”, Jesus é, apenas, um homem bom, justo, generoso, que escutou os apelos de Deus e que Se esforçou por ser um sinal vivo de Deus, como tantos outros homens antes d’Ele (vers. 13-14). É muito, mas não é o suficiente: significa que os “homens” não entenderam a novidade do Messias, nem a profundidade do mistério de Jesus.
A opinião dos discípulos acerca de Jesus vai muito além da opinião comum. Pedro, porta-voz da comunidade dos discípulos, resume o sentir da comunidade do Reino na expressão: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (vers. 16). Nestes dois títulos resume-se a fé da Igreja de Mateus e a catequese aí feita sobre Jesus. Dizer que Jesus é “o Cristo” (Messias) significa dizer que Ele é esse libertador que Israel esperava, enviado por Deus para libertar o seu Povo e para lhe oferecer a salvação definitiva. No entanto, para os membros da comunidade do Reino, Jesus não é apenas o Messias: é também o “Filho de Deus”. No Antigo Testamento, a expressão “Filho de Deus” é aplicada aos anjos (cf. Dt 32,8; Sal 29,1; 89,7; Job 1,6), ao Povo eleito (cf. Ex 4,22; Os 11,1; Jer 3,19), aos vários membros do Povo de Deus (cf. Dt 14,1-2; Is 1,2; 30,1.9; Jer 3,14), ao rei (cf. 2 Sm 7,14) e ao Messias/rei da linhagem de David (cf. Sal 2,7; 89,27). Designa a condição de alguém que tem uma relação particular com Deus, a quem Deus elegeu e a quem Deus confiou uma missão. Definir Jesus como o “Filho de Deus” significa, não só que Ele recebe vida de Deus, mas que vive em total comunhão com Deus, que desenvolve com Deus uma relação de profunda intimidade e que Deus Lhe confiou uma missão única para a salvação dos homens; significa reconhecer a profunda unidade e intimidade entre Jesus e o Pai e que Jesus conhece e realiza os projectos do Pai no meio dos homens. Os discípulos são convidados a entender dessa forma o mistério de Jesus.
Na segunda parte (vers. 17-20), temos a resposta de Jesus à confissão de fé da comunidade dos discípulos, apresentada pela voz de Pedro. Jesus começa por felicitar Pedro (isto é, a comunidade) pela clareza da fé que o anima. No entanto, essa fé não é mérito de Pedro, mas um dom de Deus (“não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim o meu Pai que está nos céus” – vers. 17). Pedro (os discípulos) pertence a essa categoria dos “pobres”, dos “simples”, abertos à novidade de Deus, que têm um coração disponível para acolher os dons e as propostas de Deus (esses “pobres” e “simples” estão em contraposição com os líderes – fariseus, doutores da Lei, escribas – instalados nas suas certezas, seguranças e preconceitos, incapazes de abrir o coração aos desafios de Deus).
O que é que significa Jesus dizer a Pedro que ele é “a rocha” (o nome “Pedro” é a tradução grega do hebraico “Kephâ” – “rocha”) sobre a qual a Igreja de Jesus vai ser construída? As palavras de Jesus têm de ser vistas no contexto da confissão de fé precedente. Mateus está, portanto, a afirmar que a base firme e inamovível sobre a qual vai assentar a Ekklesia de Jesus é a fé que Pedro e a comunidade dos discípulos professam: a fé em Jesus como o Messias, Filho de Deus vivo.
Para que seja possível a Pedro testemunhar que Jesus é o Messias Filho de Deus e edificar a comunidade do Reino, Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar”. A entrega das chaves equivale à nomeação do “administrador do palácio” de que falava a primeira leitura: o “administrador do palácio”, entre outras coisas, administrava os bens do soberano, fixava o horário da abertura e do fechamento das portas do palácio e definia quais os visitantes a introduzir junto do soberano… Por outro lado, a expressão “atar e desatar” designava, entre os judeus da época, o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido, para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus. Assim, Jesus nomeia Pedro para “administrador” e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situações, e para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino (atenção: todos são chamados por Deus a integrar a comunidade do Reino; mas aqueles que não estão dispostos a aderir às propostas de Jesus não podem aí ser admitidos).
Trata-se, aqui, de confiar a um homem (Pedro) um primado, um papel de liderança absoluta (o poder das chaves, o poder de ligar e desligar) da comunidade dos discípulos? Ou Pedro é, aqui, um discípulo que dá voz a todos aqueles que acreditam em Jesus e que representa a comunidade dos discípulos? É difícil, a partir deste texto, fazer afirmações concludentes e definitivas. O poder de “ligar e desligar”, por exemplo, aparece noutro contexto, confiado à totalidade da comunidade e não a Pedro em exclusivo (cf. Mt 18,18). Provavelmente, o mais correcto é ver em Pedro o protótipo do discípulo; nele, está representada essa comunidade que se reúne à volta de Jesus e que proclama a sua fé em Jesus como o “Messias” e o “Filho de Deus”. É a essa comunidade, representada por Pedro, que Jesus confia as chaves do Reino e o poder de acolher ou excluir. Isso não invalida que Pedro fosse uma figura de referência para os primeiros cristãos e que desempenhasse um papel de primeiro plano na animação da Igreja nascente, sobretudo nas comunidades da Síria (as comunidades a que o Evangelho de Mateus se destina).

ACTUALIZAÇÃO
Na reflexão, considerar os seguintes dados:
• Quem é Jesus? O que é que “os homens” dizem de Jesus? Muitos dos nossos conterrâneos vêem em Jesus um homem bom, generoso, atento aos sofrimentos dos outros, que sonhou com um mundo diferente; outros vêem em Jesus um admirável “mestre” de moral, que tinha uma proposta de vida “interessante”, mas que não conseguiu impor os seus valores; alguns vêem em Jesus um admirável condutor de massas, que acendeu a esperança nos corações das multidões carentes e órfãs, mas que passou de moda quando as multidões deixaram de se interessar pelo fenómeno; outros, ainda, vêem em Jesus um revolucionário, ingénuo e inconsequente, preocupado em construir uma sociedade mais justa e mais livre, que procurou promover os pobres e os marginais e que foi eliminado pelos poderosos, preocupados em manter o “status quo”. Estas visões apresentam Jesus como “um homem” – embora “um homem” excepcional, que marcou a história e deixou uma recordação imorredoira. Jesus foi, apenas, um “homem” que deixou a sua pegada na história, como tantos outros que a história absorveu e digeriu?• Para os discípulos, Jesus foi bem mais do que “um homem”. Ele foi e é “o Messias, o Filho de Deus vivo”. Defini-l’O dessa forma significa reconhecer em Jesus o Deus que o Pai enviou ao mundo com uma proposta de salvação e de vida plena, destinada a todos os homens. A proposta que Ele apresentou não é apenas uma proposta de “um homem” bom, generoso, clarividente, que podemos admirar de longe e aceitar ou não; mas é uma proposta de Deus, destinada a tornar cada homem ou cada mulher uma pessoa nova, capaz de caminhar ao encontro de Deus e de chegar à vida plena da felicidade sem fim. A diferença entre o “homem bom” e o “Messias, Filho de Deus”, é a diferença entre alguém a quem admiramos e que é igual a nós, e alguém que nos transforma, que nos renova e que nos encaminha para a vida eterna e verdadeira.
• “E vós, quem dizeis que Eu sou?” É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a esta questão não significa papaguear lições de catequese ou tratados de teologia, mas sim interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa existência… Responder a esta questão obriga-nos a pensar no significado que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir… Quem é Cristo para mim?
• É sobre a fé dos discípulos (isto é, sobre a sua adesão ao Cristo libertador e salvador, que veio do Pai ao encontro dos homens com uma proposta de vida eterna e verdadeira) que se constrói a Igreja de Jesus. O que é a Igreja? O nosso texto responde de forma clara: é a comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus como “o Messias, o Filho de Deus”. Que lugar ocupa Jesus na nossa experiência de caminhada em Igreja? Porque é que estamos na Igreja: é por causa de Jesus Cristo, ou é por outras causas (tradição, inércia, promoção pessoal…)?
A Igreja de Jesus não existe, no entanto, para ficar a olhar para o céu, numa contemplação estéril e inconsequente do “Messias, Filho de Deus”; mas existe para O testemunhar e para levar a cada homem e a cada mulher a proposta de salvação que Cristo veio oferecer. Temos consciência desta dimensão “profética” e missionária da Igreja? Os homens e as mulheres com quem contactamos no dia a dia – em casa, no emprego, na escola, na rua, no prédio, nos acontecimentos sociais – recebem de nós este anúncio e este convite a integrar a comunidade da salvação?• A comunidade dos discípulos é uma comunidade organizada e estruturada, onde existem pessoas que presidem e que desempenham o serviço da autoridade. Essa autoridade não é, no entanto, absoluta; mas é uma autoridade que deve, constantemente, ser amor e serviço. Sobretudo, é uma autoridade que deve procurar discernir, em cada momento, as propostas de Cristo e a interpelação que Ele lança aos discípulos e a todos os homens.
 
 
 

domingo, 6 de julho de 2014

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHOMt 11,25-30
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, Jesus exclamou:
“Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes
e as revelaste aos pequeninos.
Tudo me foi dado por meu Pai.
Sim, Pai, Eu Te bendigo,
porque assim foi do teu agrado.
Ninguém conhece o Filho senão o Pai
e ninguém conhece o Pai senão o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a Mim,
todos os que andais cansados e oprimidos,
e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo
e aprendei de Mim,
que sou manso e humilde de coração,
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.

AMBIENTE
Após o “discurso da missão” e o envio dos discípulos ao mundo para continuarem a obra libertadora de Jesus (cf. Mt 9,36-11,1), Mateus coloca no seu esquema de Evangelho uma secção sobre as reacções e as atitudes que as várias pessoas e grupos tomam frente a Jesus e à sua proposta de “Reino” (cf. Mt 11,2-12,50). O nosso texto integra esta secção.
Nos versículos anteriores ao texto que nos é hoje proposto (cf. Mt 11,20-24), Jesus havia dirigido uma veemente crítica aos habitantes de algumas cidades situadas à volta do lago de Tiberíades (Corozaim, Betsaida, Cafarnaum), porque foram testemunhas da sua proposta de salvação e mantiveram-se indiferentes. Estavam demasiado cheios de si próprios, instalados nas suas certezas, calcificados nos seus preconceitos e não aceitavam questionar-se, a fim de abrir o coração à novidade de Deus.
Agora, Jesus manifesta-Se convicto de que essa proposta rejeitada pelos habitantes das cidades do lago encontrará acolhimento entre os pobres e marginalizados, desiludidos com a religião “oficial” e que anseiam pela libertação que Deus tem para lhes oferecer.
O nosso texto consta de três “sentenças” que, provavelmente, foram pronunciadas em ambientes diversos deste que Mateus nos apresenta. Dois desses “ditos” (cf. Mt 11,25-27) aparecem também em Lucas (cf. Lc 10,21-22) e devem provir de um documento que reuniu os “ditos” de Jesus e que tanto Mateus como Lucas utilizaram na composição dos seus evangelhos. O terceiro (cf. Mt 11,28-30) é exclusivo de Mateus e deve provir de uma fonte própria.

MENSAGEM
A primeira sentença (cf. Mt 11,25-26) é uma oração de louvor que Jesus dirige ao Pai, porque Ele escondeu “estas coisas” aos “sábios e inteligentes” e as revelou aos “pequeninos”.
Os “sábios e inteligentes” são certamente esses “fariseus” e “doutores da Lei”, que absolutizavam a Lei, que se consideravam justos e dignos de salvação porque cumpriam escrupulosamente a Lei, que não estavam dispostos a deixar pôr em causa esse sistema religioso em que se tinham instalado e que – na sua perspectiva – lhes garantia automaticamente a salvação. Os “pequeninos” são os discípulos, os primeiros a responder positivamente à oferta do “Reino”; e são também esses pobres e marginalizados (os doentes, os publicanos, as mulheres de má vida, o “povo da terra”) que Jesus encontrava todos os dias pelos caminhos da Galileia, considerados malditos pela Lei, mas que acolhiam, com alegria e entusiasmo, a proposta libertadora de Jesus.
A segunda sentença (cf. Mt 11,27) relaciona-se com a anterior e explica o que é que foi escondido aos “sábios e inteligentes” e revelado aos “pequeninos”. Trata-se, nem mais nem menos, do “conhecimento” (quer dizer, uma “experiência profunda e íntima”) de Deus.
Os “sábios e inteligentes” (fariseus e doutores da Lei) estavam convencidos de que o conhecimento da Lei lhes dava o conhecimento de Deus. A Lei era uma espécie de “linha directa” para Deus, através da qual eles ficavam a conhecer Deus, a sua vontade, os seus projectos para o mundo e para os homens; por isso, apresentavam-se como detentores da verdade, representantes legítimos de Deus, capazes de interpretar a vontade e os planos divinos.
Jesus deixa claro que quem quiser fazer uma experiência profunda e íntima de Deus tem de aceitar Jesus e segui-l’O. Ele é “o Filho” e só Ele tem uma experiência profunda de intimidade e de comunhão com o Pai. Quem rejeitar Jesus não poderá “conhecer” Deus: quando muito, encontrará imagens distorcidas de Deus e aplicá-las-á depois para julgar o mundo e os homens. Mas quem aceitar Jesus e O seguir, aprenderá a viver em comunhão com Deus, na obediência total aos seus projectos e na aceitação incondicional dos seus planos.
A terceira sentença (cf. Mt 11,28-30) é um convite a ir ao encontro de Jesus e a aceitar a sua proposta: “vinde a Mim”; “tomai sobre vós o meu jugo…”.
Entre os fariseus do tempo de Jesus, a imagem do “jugo” era aplicada à Lei de Deus (cf. Si 6,24-30; 51,26-27) – a suprema norma de vida. Para os fariseus, por exemplo, a Lei não era um “jugo” pesado, mas um “jugo” glorioso, que devia ser carregado com alegria.
Na realidade, tratava-se de um “jugo” pesadíssimo. A impossibilidade de cumprir, no dia a dia, os 613 mandamentos da Lei escrita e oral, criava consciências pesadas e atormentadas. Os crentes, incapazes de estar em regra com a Lei, sentiam-se condenados e malditos, afastados de Deus e indignos da salvação. A Lei aprisionava em lugar de libertar e afastava os homens de Deus em lugar de os conduzir para a comunhão com Deus.
Jesus veio libertar o homem da escravidão da Lei. A sua proposta de libertação plena dirige-se aos doentes (na perspectiva da teologia oficial, vítimas de um castigo de Deus), aos pecadores (os publicanos, as mulheres de má vida, todos aqueles que tinham publicamente comportamentos política, social ou religiosamente incorrectos), ao povo simples do país (que, pela dureza da vida que levava, não podia cumprir escrupulosamente todos os ritos da Lei), a todos aqueles que a Lei exclui e amaldiçoa. Jesus garante-lhes que Deus não os exclui nem amaldiçoa e convida-os a integrar o mundo novo do “Reino”. É nessa nova dinâmica proposta por Jesus que eles encontrarão a alegria e a felicidade que a Lei recusa dar-lhes.
A proposta do “Reino” será uma proposta reservada a uma classe determinada (os pobres, os débeis, os marginalizados) em detrimento de outra (os ricos, os poderosos, os da “situação”)? Não. A proposta do “Reino” destina-se a todos os homens e mulheres, sem excepção… No entanto, são os pobres e débeis aqueles que já desesperaram do socorro humano, que têm o coração mais disponível para acolher a proposta de Jesus. Os outros (os ricos, os poderosos) estão demasiado cheios de si próprios, dos seus interesses, dos seus esquemas organizados, para aceitar arriscar na novidade de Deus.Acolhendo a proposta de Jesus e seguindo-O, os pobres e oprimidos encontrarão o Pai, tornar-se-ão “filhos de Deus” e descobrirão a vida plena, a salvação definitiva, a felicidade total.

ACTUALIZAÇÃO
Na reflexão, considerar os seguintes desenvolvimentos:
• Na verdade, os critérios de Deus são bem estranhos, vistos de cá de baixo, com as lentes do mundo… Nós, homens, admiramos e incensamos os sábios, os inteligentes, os intelectuais, os ricos, os poderosos, os bonitos e queremos que sejam eles (“os melhores”) a dirigir o mundo, a fazer as leis que nos governam, a ditar a moda ou as ideias, a definir o que é correcto ou não é correcto. Mas Deus diz que as coisas essenciais são muito mais depressa percebidas pelo “pequeninos”: são eles que estão sempre disponíveis para acolher Deus e os seus valores e para arriscar nos desafios do “Reino”. Quantas vezes os pobres, os pequenos, os humildes são ridicularizados, tratados como incapazes, pelos nossos “iluminados” fazedores de opinião, que tudo sabem e que procuram impor ao mundo e aos outros as suas visões pessoais e os seus pseudo-valores… A Palavra de Deus ensina: a sabedoria e a inteligência não garantem a posse da verdade; o que garante a posse da verdade é ter um coração aberto a Deus e às suas propostas (e com frequência, com muita frequência, são os pobres, os humildes, os pequenos que “sintonizam” com Deus e que acolhem essa verdade que Ele quer oferecer aos homens para os levar à vida em plenitude).
Como é que chegamos a Deus? Como percebemos o seu “rosto”? Como fazemos uma experiência íntima e profunda de Deus? É através da filosofia? É através de um discurso racional coerente? É passando todo o tempo disponível na igreja a mudar as toalhas dos altares? O Evangelho responde: “conhecemos” Deus através de Jesus. Jesus é “o Filho” que “conhece” o Pai; só quem segue Jesus e procura viver como Ele (no cumprimento total dos planos de Deus) pode chegar à comunhão com o Pai. Há crentes que, por terem feito catequese, por irem à missa ao domingo e por fazerem parte do conselho pastoral da paróquia, acham que conhecem Deus (isto é, que têm com Ele uma relação estreita de intimidade e comunhão)… Atenção: só “conhece” Deus quem é simples e humilde e está disposto a seguir Jesus no caminho da entrega a Deus e da doação da vida aos homens. É no seguimento de Jesus – e só aí – que nos tornamos “filhos” de Deus.
Como nos situamos face a Deus e à proposta que Ele nos apresenta em Jesus? Ficamos fechados no nosso comodismo e instalação, no nosso orgulho e auto-suficiência, sem vontade de arriscar e de pôr em causa as nossas seguranças, ou estamos abertos e atentos à novidade de Deus, a fim de perceber as suas propostas e seguir os seus caminhos?
• Cristo quis oferecer aos pobres, aos marginalizados, aos pequenos, a todos aqueles que a Lei escravizava e oprimia, a libertação e a esperança. Os pobres, os débeis, os marginalizados, aqueles que não encontram lugar à mesa do banquete onde se reúnem os ricos e poderosos, continuam a encontrar – no testemunho dos discípulos de Jesus – essa proposta de libertação e de esperança? A Igreja dá testemunho da proposta libertadora de Jesus para os pobres? Como é que os pequenos e humildes são acolhidos nas nossas comunidades? Como é que acolhemos aqueles que têm comportamentos social ou religiosamente incorrectos?

sábado, 5 de abril de 2014

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.

 
A justiça, os últimos e o futuro do cristianismo
Sem perdão
O perdoado que não perdoa
Orçamentos geram sete pedidos de fiscalização sucessiva
O país que vivia "vida de rico"
Manifesto do 74"
A pobreza e os pobres de espírito
Pobre país pobre
Morreu Maria Margarida Craveiro Lopes dos Reis
Ensino Quase 4.500 crimes nas escolas no ano passado
Governo interpreta mal regras e devolve 3,5 milhões de euros
Pai de Passos Coelho diz não se rever neste Portugal
Como evitar que o seu filho se vicie no 'smartphone'
Estado gasta mais em consultoria externa numa semana do que em comida
Clientes do BPP vão receber 37 milhões dos cofres públicos
Amianto em edifício das Finanças suspeito de causar seis mortes
Crise Executivo 'lucra' 2,2 milhões com cortes em rendimentos
"Tribunal Constitucional vai ser implacável com as pensões”
'Onda' de chineses deverá invadir Portugal nos próximos meses
Vêm aí inundações, incêndios e vendavais
Bancos custaram 4735 milhões aos contribuintes
Bagão responde a Durão sobre Manifesto dos 74
Ganhos para quem?
Encontrado possível substituto para as garrafas de plástico
"Chega de fabricar escravos. Não sou cúmplice de banho de sangue"
Primeiro o manifesto, depois a petição. "Chega de fabricar escravos
Cupões de 'Fatura da Sorte' já disponíveis para consulta
"Factura da Sorte" anda à roda dia 17 e é transmitida na RTP
Constâncio desmente Durão e diz que nunca falaram sobre BPN
“A lógica de mercado está a contaminar a solidariedade”, diz Boaventura Sousa Santos
Os filhos da Guerra Colonial ainda têm perguntas
BPN com o rabo de fora
"Salvar da ruína" a casa de Aristides de Sousa Mendes
Adriano Moreira Portugal está governado por "neoliberalismo repressivo"
Agonias
BCE poderá usar estímulos monetários à americana
Portugal não tem condições de repor salários e pensões
O dinheiro faz a felicidade?
Durão: um cúmplice com provas

quarta-feira, 5 de março de 2014

ESPIRITUALIDADE: Quaresma

Quaresma, tempo para renascer
«O ser humano é uma casa de hóspedes; cada manhã, um novo recém-chegado, uma alegria, uma tristeza, uma maldade, que vem como um visitante inesperado. Diz-lhes que são bem-vindos, e recebe-os a todos, ainda se são um coro de penúrias que esvaziam a tua casa violentamente. Trata cada hóspede com todas as honras; ele pode estar a criar-te um espaço para uma nova delícia. O pensamento obscuro, a vergonha, a malícia, recebe-os à porta sorrindo e convida-os a entrar. Agradece a quem quer que venha, porque cada um foi enviado como um guia do Além.» A Quaresma não são 40 dias para tentarmos fazer rituais mais ou menos arcaicos. A Quaresma é um tempo de revitalização, um tempo para nos colocarmos as perguntas-chave que vão favorecer o renascimento do que somos. E Deus sabe como cada um de nós precisa de renascer. Por isso este é o tempo de voltar a si.
Ler mais em:
Quaresma: História e espiritualidade
A Quaresma é o tempo do ano litúrgico preparatório da Páscoa, a grande celebração da salvação operada pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. Começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor, que já pertence ao Tríduo Pascal. A Quaresma surgiu no séc. IV, a seguir à paz do imperador romano Constantino, quando multidões de pagãos quiseram entrar na Igreja. Duas venerandas instituições a ela estão ligadas, a penitência pública e o catecumenado, preparação para o Batismo, o primeiro dos sete sacramentos. Daí o seu duplo caráter penitencial e batismal. Haja ou não catecúmenos, os fiéis de cada comunidade são convidados a viver a Quaresma em espírito catecumenal, preparando-se para a renovação das promessas do Batismo na Vigília Pascal. Fazem esta experiência recorrendo às tradicionais práticas do jejum, da esmola e da oração, entendendo-as num sentido amplo de ascese cristã (luta contra as más inclinações, seduções mundanas e tentações, e exercício das virtudes cristãs), de caridade fraterna (pela prática das obras de misericórdia) e de intimidade com Deus (escutando a palavra de Deus e dando-se às várias formas de oração).
Ler mais em:
Da Quaresma à Páscoa
Neste tempo da Quaresma ecoa a profecia que convida insistentemente para um encontro com Deus, de todo o coração. É um processo de reconfiguração qualificada da própria vida que inclui todas as circunstâncias do tecido da sociedade. O ápice da qualificação de qualquer vida pessoal é a consistência da própria interioridade como fonte sustentadora da paixão pela verdade, o gosto pela solidariedade e a coragem de lutar pela justiça. É cultivar a honestidade na palavra dada, no respeito aos outros e, particularmente, na condução da coisa pública e do bem comum. Quem percorre o caminho quaresmal escutando a Palavra de Deus, falando menos, contemplando mais, sensibilizando-se sob o impulso da caridade fraterna, alcança uma qualificação ancorada na força de valores. Fazem a diferença no que são, onde estão e no exercício de suas responsabilidades.
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O jejum que me agrada
Não se trata da partilha do que me sobra, mas daquilo que é fundamental para a manutenção da vida. O jejum, enquanto experiência sentida no corpo, toca zonas muito profundas da existência. Abre-nos, por isso, ao que pode ser o sentido mais autêntico da solidariedade. A minha carência aproxima-me do outro na sua carência. Só o homem ou a mulher pobre que existe em mim pode encontrar o outro na sua pobreza. O jejum não induz em mim uma experiência artificial, ao contrário: cria um espaço que amplia a capacidade de visão, liberta-me da irrealidade das máscaras, permitindo um encontro com a minha nudez. O que é artificial é viver na ausência de contacto com o que efetivamente somos. O encontro com o outro, e o outro que é pobre, convoca-me para o encontro com a minha pobreza. O jejum é um instrumento possível ao serviço de um olhar mais consciente sobre nós próprios. O mesmo se pode dizer da oração, das vigílias e de outros instrumentos da arte espiritual: estão ao serviço de um despertar interior. Desbravam caminhos.
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http://www.snpcultura.org/o_jejum_que_me_agrada.html
Sermão de Quarta-feira de Cinzas do Padre António Vieira, lido por Luís Miguel Cintra
Esta é a melhor devoção e mais útil penitência, e mais agradável a Deus, que podeis fazer nesta quaresma. Tomar uma hora cada dia, em que só por só com Deus e connosco cuidemos na nossa morte e na nossa vida. E porque espero da vossa piedade e do vosso juízo que aceitareis este bom conselho, quero acabar deixando-vos quatro pontos de consideração para os quatro quartos desta hora. Primeiro: quanto tenho vivido? Segundo: como vivi? Terceiro: quanto posso viver? Quarto: como é bem que viva? Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva?
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http://www.snpcultura.org/pedras_angulares_sermao_4a_feira_cinzas.html
Nesta Quaresma aprende a ser pobre
Se nos perguntarem «hoje, o que é que te tocou?», ficamos por vezes sem saber o que responder, porque nada nos tocou. Vivemos muita coisa mas nada nos tocou. Porquê? E somos capazes de viver assim durante dias, semanas e meses. Falta-nos a disponibilidade de entrarmos em diálogo, de sermos simples, de aprendermos como as crianças, que quando dão a mão a alguém têm o coração e o espírito livre para saborear o caminho, que para elas não é, como para nós, um corredor noturno e sonâmbulo em que só se vê uma coisa: a meta. E quem só vê a meta, não caminha. «Agradece a quem quer que venha, porque cada um foi enviado como um guia do Além.» Agradecer, agradecer, agradecer. É esta a pobreza de coração. É estar grato por aquilo que vem, que brota, que germina.
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http://www.snpcultura.org/nesta_quaresma_aprende_a_ser_pobre.html
Mensagem do Papa para a Quaresma
http://www.fundacao-ais.pt/cms/view/id/4181/
Nesta Quaresma, não deixemos que a habituação ao mal nos deixe indiferentes ao sofrimento
Uma das coisas mais desgastantes que nos pode acontecer é cair nas garras da habituação. Tanto ao bem como ao mal. Quando o marido ou a mulher se habituam ao carinho e à família, então deixa-se de valorizar, de dar graças e de cuidar delicadamente do que se tem. Quando nos acostumamos ao dom da fé, a vida cristã torna-se rotina, repetição, não dá sentido à vida, deixa de ser fermento. A habituação é um travão que aprisiona o coração. Estamos em risco! Como sociedade, habituámo-nos pouco a pouco a ouvir e a ver, através dos meios de comunicação, a crónica negra de cada dia; e o que ainda é pior, também nos habituámos a tocá-la e a senti-la à nossa volta sem que nos produza nada ou, quanto muito, um comentário superficial e descomprometido. A habituação diz-nos sedutoramente que não faz sentido tratar de mudar algo, que não podemos fazer nada frente a esta situação, que foi sempre assim e, todavia, sobrevivemos. Através da habituação deixamos de resistir, permitindo que as coisas “sejam o que são”, ou que alguns decidiram que “sejam”.
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http://www.snpcultura.org/nao_deixemos_que_habituacao_mal_nos_deixe_indiferentes_sofrimento.html