"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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terça-feira, 23 de abril de 2019

EFEMÉRIDE/COMEMORAÇÃO/RECORDAÇÃO: Conta-me como foi...












... em 1969 - dirão uns.
AQUI, AQUIAQUI e só mais um ... AQUI, se se quiser e não bastar - responderão todos nós que a vivenciámos em Coimbra e no Porto. Já lá vão 50 anos de nostalgia que, com emoção, comoção e coração, recordo e faço recordar. Antes que ela desapareça no fundo da gaveta da(s) memória(s).




 

 

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Abertura Solene das Aulas 2012/2013 - Discurso do Reitor da UC

Mais um, não um qualquer, a quem os podres instituídos farão, infeliz & lamentavelmente, "ouvidos de mercador":
Discurso de João Gabriel Silva, Reitor da Universidade de Coimbra, durante a cerimónia de Abertura Solene das Aulas na UC.
Inteiramente de acordo. Trata-se de um discurso diferente do chorrilho de comentários /opiniões devastadoras e demagógicas que circulam com abundância nos média e nos “cafés” e noutros “corredores”. Discurso bem impregnado de:
-Emoção profunda
-Descrição simples e esclarecedora dos problemas
-Propostas políticas, sociais, económicas, financeiras e humanas.
Sem ponta de demagogia requer-se divulgação, reflexão, debate e aproveitamento. Não é todos os dias que podemos ouvir um discurso destes! Dos 40 minutos de duração do discurso, os primeiros quinze são absolutamente obrigatórios para o interesse de todo o país.
HAVERÁ ALGUÉM NOS PARTIDOS POLÍTICOS QUE SE ATREVA A DIZER QUE ESTE SENHOR NÃO PERCEBE NADA DISTO?
Uma lição de lucidez!
BRAVO MAGNÍFICO REITOR! "



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Qual é o preço da dignidade humana? Mais uma boa achega!

ANSELMO BORGES

por ANSELMO BORGES, DN, Hoje 1 de Dezembro de 2012


Nestes tempos de crise profunda e de exaltação da sociedade científico--técnica e do economicismo, muitos perguntam-se pelo lugar das Humanidades na sociedade contemporânea.
A breve reflexão que aí fica inspira-se numa excelente conferência do colega João Maria André para os jovens estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em início de ano lectivo. O seu objectivo era demonstrar que "vale a pena investir numa formação humanística para fazer face ao mundo em mudança e às transformações macroparadigmáticas" da nossa actual sociedade.
1 João M. André começou por apresentar traços fundamentais do tempo presente.
O primeiro é a globalização, com diversos rostos, de tal modo que tanto pode ser "a globalização da rapina, hegemónica, de matriz neoliberal", como uma globalização da solidariedade, que se exprime nas lutas pelo reconhecimento dos direitos de todos e no esforço de invenção de novas formas ecoéticas de habitar o mundo. As Humanidades, nas suas várias vertentes, contribuem com o seu olhar crítico dos problemas ao mesmo tempo que inscrevem outros valores para lá dos económicos e tecnológicos.
Outro traço é o de uma sociedade do conhecimento e da informação. Não é acidental que se chame assim e não sociedade da cultura. Ora, as Humanidades, pela Filosofia, pela História, pela mediação linguística e artística, "activam o pensamento que é algo diferente do cálculo e da navegação" nos novos meios de comunicação.
Vivemos numa sociedade multicultural, e também aqui as Humanidades têm um papel decisivo: no seu estudo, "entramos em contacto com povos e culturas diferentes, aprendemos as suas línguas, a sua história, a sua geografia, os seus mitos, os seus valores, as suas formas de comunicar, de viver e de fazer mundos."
2 Esta sociedade é uma sociedade em mudança, com o fim de velhos paradigmas, ao mesmo tempo que emergem outros novos, para os quais o contributo das Humanidades é inquestionável.
Vimos do paradigma da análise e da fragmentação, com o primado do pontual, da especialização, do analítico, perdendo a noção da totalidade e da complexidade e separando o sujeito e o objecto, e o indivíduo da comunidade e da sociedade. Hoje, exige-se "um paradigma holístico dentro de uma concepção de verdade multiperspectivada e complexa e a partir de uma abordagem não só interdisciplinar mas mesmo transversal do mundo, da natureza e do humano". Neste trânsito de um paradigma redutor para um paradigma holístico e reunificador, as Humanidades podem mostrar todas as suas virtualidades.
Um segundo paradigma dá o primado à tecnociência nos diferentes domínios, incluindo o humano, reduzindo o homem a faber e o mundo a um mundo-máquina, habitado por uma sociedade-máquina. Mas, dentro do reconhecimento dos benefícios científico-técnicos deste paradigma, não é verdade que ele também nos empobreceu, já que, por detrás deste mecanicismo, está um dualismo entre a dimensão corporal e espiritual do homem, prolongado numa cisão entre a racionalidade e a afectividade, desvalorizando o domínio das emoções? Não se acabou por esquecer que o homem é simultaneamente sapiens e demens e que, além do interesse do saber, também há o interesse no jogo, no sonho, na imaginação criadora, na efabulação?
O actual paradigma é da mercantilização das coisas e da vida, no quadro do primado do homo oeconomicus. Pergunta-se: mas será que tudo se reduz ao valor monetário e de mercado? E os valores éticos e os valores estéticos e os valores políticos e os valores afectivos e os valores religiosos?
Vinculado ao paradigma da mercantilização está o paradigma da liquefacção: vivemos na sociedade líquida, como teorizou Z. Bauman, desembocando numa existência efémera, na cultura ligt, descartável, do consumismo, na insatisfação permanente. As Humanidades, apelando à memória e aprofundando no pensamento crítico, salvaguardarão um mínimo de solidez, captando o peso do tempo na esperança da dignidade livre e da liberdade na dignidade de todos.
(Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico)

Entretanto lemos http://www.publico.pt/cultura/noticia/camara-clara-chega-ao-fim-em-2012-1575666
mas já não iremos, nem ver, nem ouvir.