"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























sábado, 11 de abril de 2015

(in)PRENSA semanal: a minha selecção"

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.
Como descobrir se as pilhas ainda têm energia? Há um teste fácil
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=4492179
Família de Silva Lopes pede que em vez de flores seja doado dinheiro a uma instituição de apoio a crianças
A consagração dos mortos pela hipocrisia dos vivos
“O mundo financeiro tem os políticos todos na mão”
Tecnologia precisa de 15 mil pessoas. Problema: não há formação
IRS: Ainda tem dúvidas em relação às faturas?
IRS Ainda sobre as faturas, o melhor mesmo é guardá-las
Valeu a pena o sacrifício?
Repensar as nossas possibilidades
Americanos compram Vilamoura por 200 milhões de euros
Das notas perfeitas no liceu aos problemas sérios na faculdade
Humorista pressionou Snowden para saber se ele lera os documentos que deu aos jornalistas
Esta mulher ganha quase um milhão de dólares/ano na loja Etsy
Talões de portagens e estacionamento servem para IRS?~
Sleep Genius Dorme mal? A solução pode passar por aqui
Partido de reformados e pensionistas entrega processo no TC na terça-feira
A doença que está a travar os jihadistas
Grécia reclama à Alemanha indemnização de 279 mil milhões de euros pela ocupação nazi
Ex-patrão de Passos adjudica contratos públicos a associações a que está ligado
Empresas condenadas ganham milhões nas cantinas do Estado
IRS: Faturas de compras dos filhos podem ser emitidas com NIF dos pais
Os nossos gestores são dos menos competentes
Teve parecer negativo mas o Governo nomeou-a na mesma
Descoberto método para detetar cancro sem biópsia
O ministro implodido
Somos Charlie, não somos um cristão em Garissa
É incesto sim
BPI devolve salários cortados aos administradores durante ajuda estatal
O mundo único
Uma haka em Moscovo para Berlim ver
Tráfico de influências por SMS entre altos quadros do Estado
Quer poupar no supermercado? Fique atento a este leilão



terça-feira, 7 de abril de 2015

LIVRO&LEITURA: "Pensamentos"

Com o coração iluminado pela Beleza que fere, mas que fortalece e guia na superação de outras feridas, arrastadas das circunstâncias, e enfrentando o pesadume que, desde Simone Weil, o nosso tempo entendeu melhor em duelo ou em dueto com a Graça, a alma profunda e clara deixa passar suas lições, suas virtudes e suas mercês, como o cristal que Santa Teresa mais de uma vez chama à função de símile. Então, com María Zambrano compreendemos por que razão a poesia de Santa Teresa quer liminarmente cantar o «Vivo já fora de mim», mais além de si mesma, disposta para o voo em direção Ao que a chama para ser conhecido e mais amado – “y tan alta vida espero”…
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/pensamentos_santa_teresa_Jesus.html

A oração de Teresa de Jesus não brotou do laboratório da intelectual mas do oratório da crente que buscava e invocava Deus. Como a amizade, põe o amor a circular, numa forte corrente afetiva, que contagia a vida. Como a amizade é um estilo de vida, também a oração de Teresa o é. Não é um exercício ocasional, como não se é amigo de vez em quando. É vida e não só um certo tempo ao lado da vida. É no afazer e no acontecer de cada dia que se tece a história de amizade com Deus. A oração é vida diante de Deus.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/santa_teresa_avila_amizade_e_oracao.html

segunda-feira, 6 de abril de 2015

ESPIRITUALIDADE: Espírito orante

O espírito orante é alimentado pela simples consciência de que Deus é. De que Deus está perto de nós em todos os momentos. De que Deus está mais perto de nós do que o ar, o sopro que respiramos. De que Deus está disponível, de que é um silêncio no meio do caos, uma voz no meio da confusão, uma promessa no centro do tumulto.
Ler mais em:

domingo, 5 de abril de 2015

PALAVRAdeDOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

Considerando:
1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética"
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial"
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Ler mais em:
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro", http://www.paulinas.pt/Product_Detail.aspx?code=1977
5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias
6. Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador»
Então:
Tema do Domingo de Páscoa
A liturgia deste domingo celebra a ressurreição e garante-nos que a vida em plenitude resulta de uma existência feita dom e serviço em favor dos irmãos. A ressurreição de Cristo é o exemplo concreto que confirma tudo isto.
A primeira leitura apresenta o exemplo de Cristo que “passou pelo mundo fazendo o bem” e que, por amor, se deu até à morte; por isso, Deus ressuscitou-O. Os discípulos, testemunhas desta dinâmica, devem anunciar este “caminho” a todos os homens.
O Evangelho coloca-nos diante de duas atitudes face à ressurreição: a do discípulo obstinado, que se recusa a aceitá-la porque, na sua lógica, o amor total e a doação da vida não podem, nunca, ser geradores de vida nova; e a do discípulo ideal, que ama Jesus e que, por isso, entende o seu caminho e a sua proposta (a esse não o escandaliza nem o espanta que da cruz tenha nascido a vida plena, a vida verdadeira).
A segunda leitura convida os cristãos, revestidos de Cristo pelo baptismo, a continuarem a sua caminhada de vida nova, até à transformação plena (que acontecerá quando, pela morte, tivermos ultrapassado a última barreira da nossa finitude).
EVANGELHOJo 20,1-9
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro
e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro
e com o discípulo predilecto de Jesus
e disse-lhes:
«Levaram o Senhor do sepulcro
e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo
e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos,
mas o outro discípulo antecipou-se,
correndo mais depressa do que Pedro,
e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.
Entrou no sepulcro
e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo
que chegara primeiro ao sepulcro:
viu e acreditou.
Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,
segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

AMBIENTE
O Quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42) apresenta duas partes. Na primeira, João descreve a actividade criadora e vivificadora do Messias, no sentido de dar vida e de criar um Homem Novo – um homem livre da escravidão do egoísmo, do pecado e da morte (para João, o último passo dessa actividade destinada a fazer surgir o Homem Novo foi, precisamente, a morte na cruz: aí, Jesus apresentou a última e definitiva lição – a lição do amor total, que não guarda nada para si, mas faz da vida um dom radical ao Pai e aos irmãos). Na segunda parte do Evangelho (cf. Jo 20,1-31), João apresenta o resultado da acção de Jesus e mostra essa comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade e a quem Jesus abriu as portas da vida definitiva. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia – mesmo diante do sepulcro vazio – são convidados a manifestar a sua fé n’Ele.
A cena situa-nos na manhã do domingo de Páscoa, em Jerusalém. João descreve a reacção dos discípulos diante da descoberta do sepulcro vazio.

MENSAGEM
O texto começa com uma indicação aparentemente cronológica, mas que deve ser entendida, sobretudo, em chave teológica: “no primeiro dia da semana”. Significa que aqui começou um novo ciclo – o da nova criação, o da libertação definitiva. Este é o “primeiro dia” de um novo tempo e de uma nova realidade – o tempo do Homem Novo, que nasceu a partir da acção criadora e vivificadora de Jesus.
A primeira personagem em cena é Maria Madalena: ela é a primeira a dirigir-se ao túmulo de Jesus, ainda o sol não tinha nascido, na manhã do “primeiro dia da semana”. Maria Madalena representa, no Quarto Evangelho, a nova comunidade nascida da acção criadora e vivificadora do Messias. Inicialmente, os discípulos acreditaram que a morte tinha triunfado e pensavam que Jesus estava prisioneiro do sepulcro… A comunidade nascida de Jesus era, em consequência, uma comunidade perdida, desorientada, insegura, desamparada, que ainda não descobrira que a morte tinha sido derrotada. Por isso, procurou Jesus no túmulo, mas, diante do sepulcro vazio, tomou consciência da ressurreição e percebeu que a morte não tinha vencido Jesus.
Na sequência, João apresenta uma catequese sobre a dupla atitude dos discípulos diante do mistério da morte e da ressurreição de Jesus. Essa dupla atitude é expressa no comportamento dos dois discípulos que, na manhã da Páscoa, correram ao túmulo de Jesus: Simão Pedro e um “outro discípulo” não identificado (mas que parece ser esse “discípulo amado”, apresentado no Quarto Evangelho como o modelo ideal do discípulo).
João coloca, aliás, estas duas figuras lado a lado em várias circunstâncias (na última ceia, é o “discípulo amado” que percebe quem está do lado de Jesus e quem O vai trair – cf. Jo 13,23-25; na paixão, é ele que consegue estar perto de Jesus no átrio do sumo sacerdote, enquanto Pedro O trai – cf. Jo 18,15-18.25-27; é ele que está junto da cruz quando Jesus morre – cf. Jo 19,25-27; é ele quem reconhece Jesus ressuscitado nesse vulto que aparece aos discípulos no lago de Tiberíades – cf. Jo 21,7). Nas outras vezes, o “discípulo amado” levou sempre vantagem sobre Pedro. Aqui, isso irá acontecer outra vez: o “outro discípulo” correu mais e chegou ao túmulo primeiro que Pedro (o facto de se dizer que ele não entrou logo pode querer significar a sua deferência e o seu amor, que resultam da sua sintonia com Jesus); e, depois de ver, “acreditou” (o mesmo não se diz de Pedro).
O que é que estas duas figuras de discípulo representam?
Em geral, Pedro representa, nos Evangelhos, o discípulo obstinado, para quem a morte significa fracasso e que se recusa a aceitar que a vida nova passe pela humilhação da cruz (Jo 13,6-8.36-38; 18,16.17.18.25-27; cf. Mc 8,32-33; Mt 16,22-23). Ele é, em várias situações, o discípulo que tem dificuldade em entender os valores que Jesus propõe, que raciocina de acordo com a lógica do mundo e que não entende que a vida eterna e verdadeira possa brotar da cruz. Na sua perspectiva, Jesus fracassou, pois insistiu – contra toda a lógica – em servir e em dar a vida. Para ele, a doação e a entrega não podem conduzir à vitória, mas sim à derrota; portanto, Jesus morreu e o caso está encerrado. A eventual ressurreição de Jesus é, pois, uma hipótese absurda e sem sentido.
Ao contrário, o “outro discípulo” – o “discípulo amado” – é aquele que está sempre próximo de Jesus, que se identifica com Jesus, que adere incondicionalmente aos valores de Jesus, que ama Jesus. Nessa comunhão e intimidade com Jesus, ele aprendeu e interiorizou a lógica de Jesus e percebeu que a doação e a entrega são um caminho de vida. Para ele, faz todo o sentido que Jesus tenha ressuscitado (“viu e acreditou” - vers. 8), pois a vitória sobre a morte é o resultado lógico do dom da vida, do amor até ao extremo.
Esse “outro discípulo” é, portanto, a imagem do discípulo ideal, que está em sintonia total com Jesus, que percebe e aceita os valores de Jesus, que está disposto a embarcar com Jesus na lógica do amor e do dom da vida, que corre ao encontro de Jesus com um total empenho, que compreende os sinais da ressurreição e que descobre (porque o amor leva à descoberta) que Jesus está vivo. Ele é o paradigma do Homem Novo, do homem recriado por Jesus.

ACTUALIZAÇÃO
• Também aqui – como em várias outras passagens do Evangelho – Pedro desempenha um papel estranho e infeliz: é o papel de um discípulo que continua a não sintonizar com Jesus e com a sua lógica. No entanto, não podemos ser demasiado duros com Pedro: ele é, apenas, o paradigma de uma figura de discípulo que conhecemos bem: o discípulo que tem dificuldade em perceber Jesus e os seus valores, pois está habituado a funcionar de acordo com outros valores e padrões – os valores e padrões dos homens. A lógica humana ensina-nos que o amor partilhado até à morte, o serviço simples e sem pretensões, a doação e a entrega da vida, só conduzem ao fracasso e não são um caminho sólido e consistente para chegar ao êxito, ao triunfo, à glória; da cruz, do amor radical, da doação de si, não pode resultar realização, felicidade, vida plena, êxito profissional ou social. Como nos situamos face a esta lógica?
• O “discípulo predilecto” de que fala o texto é o discípulo que vive em comunhão com Jesus, que se identifica com Jesus e com os seus valores, que interiorizou e absorveu a lógica da entrega incondicional, do dom da vida, do amor total. Modelo do verdadeiro discípulo, ele convida-nos à identificação com Jesus, à escuta atenta e comprometida dos valores de Jesus, ao seguimento de Jesus. Propõe-nos uma renúncia firme a esquemas de egoísmo, de injustiça, de orgulho, de prepotência e a realizar gestos que sejam sinais do amor, da bondade, da misericórdia e da ternura de Deus.
• A ressurreição de Jesus prova, precisamente, que a vida plena, a vida total, a transfiguração total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas, passa pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Garante-nos que a vida gasta a amar não é perdida nem fracassada, mas é o caminho para a vida plena e verdadeira, para a felicidade sem fim. Temos consciência disso? É nessa direcção que conduzimos a caminhada da nossa vida?
• Pela fé, pela esperança, pelo seguimento de Cristo e pelos sacramentos, a semente da ressurreição (o próprio Jesus) é depositada na realidade do homem/corpo. Revestidos de Cristo, somos nova criatura: estamos, portanto, a ressuscitar, até atingirmos a plenitude, a maturação plena, a vida total (quando ultrapassarmos a barreira da morte física). Aqui começa, pois, a nova humanidade.
• A figura de Pedro pode também representar, aqui, essa velha prudência dos responsáveis institucionais da Igreja, que os impede de ir à frente da caminhada do Povo de Deus, de arriscar, de aceitar os desafios, de aderir ao novo, ao desconcertante, ao incompreensível. O Evangelho de hoje sugere que é, precisamente nesse novo, desconcertante, incompreensível à luz da lógica humana que, tantas vezes, se revela o mistério de Deus e se encontram ecos de ressurreição e de vida nova.

Fonte: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=355

sábado, 4 de abril de 2015

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.

Pepe Mujica, o presidente que conquistou o povo
Psiquiatra português é o Melhor Jovem Investigador na área da esquizofrenia
Os verdadeiros problemas da zona euro não estão à vista
Se gosta de banho quente preocupe-se com a Nigéria
Cientista de multinacional garante que produto é tão seguro que se pode beber... mas recusa fazê-lo
Ex-secretário de Estado acusa governo de ceder aos lóbis
Desemprego jovem sempre a subir
A verdadeira lista VIP
  • Cofres cheios... de dívida
  • http://www.jn.pt/opiniao/default.aspx?content_id=4485102
  • Afinal, deve ou não um adulto beber leite?
  • http://www.noticiasaominuto.com/pais/368877/afinal-deve-ou-nao-um-adulto-beber-leite?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=daily
  • Metro de Lisboa manda retirar sistema de 20 milhões
  • http://www.noticiasaominuto.com/economia/368902/metro-de-lisboa-manda-retirar-sistema-de-20-milhoes?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=daily
  • Espinafres e couves podem fazer milagres pelo seu cérebro
  • http://www.noticiasaominuto.com/mundo/369118/espinafres-e-couves-podem-fazer-milagres-pelo-seu-cerebro
  • Esta economia mata
  • http://pagina1.sapo.pt/detalhe.aspx?fid=321&did=182888&number=10870
  • É fã do Pac-Man? Jogue na sua rua
  • http://www.jn.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=4486904&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+JN-ULTIMAS+%28JN+-+Ultimas%29
  • Bancos obrigados a reflectir Euribor negativas nos créditos
  • http://economico.sapo.pt/noticias/bancos-obrigados-a-reflectir-euribor-negativas-nos-creditos_215180.html
  • Taxas de juro negativas: Banco de Portugal dá prenda de Natal na Páscoa
    http://expresso.sapo.pt/taxas-de-juro-negativas-banco-de-portugal-da-prenda-de-natal-na-pascoa=f917902#ixzz3W2fUow9R
  • "Se a taxa for -0,1% num ano, um crédito à habitação de €100 mil baixa €100"
    http://expresso.sapo.pt/se-a-taxa-for-01-num-ano-um-credito-a-habitacao-de-8364100-mil-baixa-8364100=f917889#ixzz3W2fozASQ
  • Taxas Euribor negativas vão reduzir prestações do créditohttp://expresso.sapo.pt/taxas-euribor-negativas-vao-reduzir-prestacoes-do-credito=f917873#ixzz3W3qyOEMX
  • Tudo o que deve saber sobre as taxas Euribor negativas
  • http://www.dinheirovivo.pt/mercados/banca/interior.aspx?content_id=4489079&page=-1
  • Euribor a três meses pode atingir valores negativos até ao final do ano
  • http://www.dinheirovivo.pt/mercados/banca/interior.aspx?content_id=4489070&page=-1
  • A Euribor está negativa. E agora?
  • http://www.noticiasaominuto.com/economia/369991/a-euribor-esta-negativa-e-agora?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=daily
  • Cinco apps para ser mais feliz
  • http://www.jn.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=4464157
  • Florbela Queiroz pede dinheiro nas redes sociais
  • http://www.ionline.pt/artigos/mais/florbela-queiroz-pede-dinheiro-nas-redes-sociais
  • Fisco Atenção à entrega do IRS pela net. Erros e atrasos podem dar multa
  • http://www.noticiasaominuto.com/economia/369450/atencao-a-entrega-do-irs-pela-net-erros-e-atrasos-podem-dar-multa?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=daily
  • Inspire-se com estas ideias e redecore a casa
  • http://www.noticiasaominuto.com/mundo/368542/inspire-se-com-estas-ideias-e-redecore-a-casa?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=daily#/615/8
  • A economia moral…e a falta que ela faz
  • http://pagina1.sapo.pt/detalhe.aspx?fid=322&did=183000&number=10913
  • Falta de investimento compromete o futuro
  • http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=75&did=182969
  • "Pela educação muda-se a sociedade", diz provincial dos Salesianos
  • http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?did=182976
  • Padre que reabilita toxicodependentes diz que "homem é mais do que uma ficha médica"
  • http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=31&did=182977
  • O poder da Europa
  • http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4487204&seccao=Adriano Moreira&tag=Opini%E3o - Em Foco
  • Conto de Páscoa
  • http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4487209&seccao=Jo%E3o C%E9sar das Neves&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=-1
  • Convite ao Ministro da Educação, a propósito do “Acordo Ortográfico” de 1990
  • http://www.publico.pt/portugal/noticia/convite-ao-ministro-da-educacao-a-proposito-do-acordo-ortografico-de-1990-1690755
  • Portugal aderiu ao novo banco internacional proposto pela China
  • http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca___financas/detalhe/portugal_aderiu_ao_novo_banco_internacional_proposto_pela_china.html
  • A maratonista que corre pelas crianças dos bairros de lata
  • http://www.jn.pt/live/Entrevistas/default.aspx?content_id=4480770
  • Morreu Manoel de Oliveira
  • http://www.noticiasaominuto.com/cultura/370083/morreu-manoel-de-oliveira?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=afternoon
  • Manoel de Oliveira guardou filme para exibir depois da sua morte
    "O Manoel teve uma grande vida". Funeral do cineasta realiza-se às 15h00
    Morreu economista José Silva Lopes
    Krugman sobre Silva Lopes: "O mundo perdeu um grande homem, bom e incrivelmente simpático"
    Paul Krugman lamenta morte de Silva Lopes
    Combustível low cost não existe. O que há é a gasolina e gasóleo simples

    sexta-feira, 3 de abril de 2015

    LIVRO&LEITURA: "A barraca dos padres"

    No momento da partida, Pawel, abatido, traça o sinal da cruz sobre a fronte do seu irmão, pede-lhe para abraçar os seus pais e Alois no céu, e assegura-lhe sua chegada próxima entre eles. Boleslaw desaparece. Dezasseis dias depois, a 30 de agosto, Pawel cumpre a promessa e morre em Dachau. Os irmãos Prabucki são três dos 2579 padres, religiosos e seminaristas católicos, vindos da Europa ocupada, encarcerados no campo de Dachau pelos nazis entre 1938 e 1945. A história destes homens é mal conhecida, oculta no processo concentracionário global.
    Ler mais em:

    quinta-feira, 2 de abril de 2015

    CINEMA: Adeus Manoel de Oliveira

    Cinema de Manoel de Oliveira questiona o mistério do mundo e a complexidade humana
    Manoel de Oliveira nasceu no Porto a 11 de dezembro de 1908, estuda cinema com o italiano Rino Lupo e realiza o seu primeiro filme aos 23 anos. “Douro Faina Fluvial” é um documentário – um filme sinfonia ou sinfonia urbana – de estilo vanguardista posto em prática por Walter Ruttmann e depois por Dziga Vertov, Jean Vigo e Joris Ivens – cineastas maiores da história do cinema – entre outros, mas que só terá continuidade em 1942 com “Aniki Bobo”, mais neorrealista, mas com a célebre cena expressionista do sonho.
    Ler mais em:
     
    Manoel de Oliveira distinguiu-se pela «ardente procura do absoluto» e fez do cinema «uma grande arte do espírito»
    «É com emoção que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, órgão da Igreja em Portugal, se associa a quantos nesta hora relevam a perda de uma figura de primeiro plano da cultura portuguesa e reconhecem a extraordinária importância do seu trabalho artístico», escreve D. Pio Alves. «Para mergulhar simbolicamente no país que somos, o seu cinema tornou-se um mapa particularmente fecundo», acrescenta o bispo auxiliar do Porto, que conclui: «Por tudo isto, a cultura portuguesa e a Igreja em Portugal lhe estão gratas».
    Ler mais em:

    terça-feira, 31 de março de 2015

    quem conhece ESSES DESCONHECIDOS (43): Santo Alberto Chmielowski

    ... que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer. Aqui:

    Nasceu a 20 de Agosto de 1845, como primogénito de Alberto Chmielowki e de Josefa Borzylawska e foi batizado a 26 desse mês, com o nome de Adão Hilário Bernardo.
    A família era abastada, detentora de enormes quintas.
    Aos sete anos, perdeu o pai. A mãe mudou-se para Varsóvia, onde Adão prosseguiu os estudos, primeiro, na escola de cadetes, depois no instituto de agronomia, para melhor se dedicar à sua lavoura.
    Pelos 18 anos, participou na insurreição contra o domínio do Czar. Foi ferido, na batalha de Melchow e levado prisioneiro. No cárcere, foi-lhe amputada uma das pernas, operação que aguentou com heróica valentia. Volvido um ano, conseguiu fugir clandestinamente e matriculou-se em Paris, numa academia de pintura. Passou à Bélgica e caminhou para o Mónaco, regressando depois a Varsóvia onde completou a formatura em pintura e arquitectura.
    As suas telas tornaram-no muito popular e conhecido. Entretanto, começou a preocupar-se e a afligir-se com os necessitados e pobres.
    Em 1880, entrou na Companhia de Jesus cujo noviciado abandonou, atormentado por escrúpulos e achacado por séria enfermidade. Refeito da doença, hospedou-se em Cracóvia, fazendo-se pobre com os pobres, à semelhança de Cristo que de tudo se despojou para enriquecer os outros. Ia distribuindo os haveres ganhos com os trabalhos de pintor notável pelos mais carenciados que reunia nos albergues públicos, onde ele também dormia.
    Tornado franciscano da Ordem Terceira, vestido com o hábito de burel, prosseguiu na sua caridade para com os indigentes.
    Como não se sentisse capaz de sozinho socorrer tantos pobres, com a aprovação do bispo de Cracóvia, juntou alguns companheiros e lança, deste modo, os fundamentos de uma nova congregação, os Servos dos Pobres, mudando o seu nome para Alberto, ao fazer os seus votos de pobreza, castidade e obediência.
    Não escreveu nenhuma Regra, mas o seu exemplo e proceder foram incentivo e modelo inédito de viver à maneira de Cristo.
    Construiu oficinas várias, para os necessitados poderem ganhar alguma coisa e reconstituírem a vida. Jamais aceitou bens imóveis ou auxílios económicos estáveis. Vivendo em casas do Estado ou da Diocese, limita-se a receber o que lhe iam dando, dia a dia. Nos albergues acolhia todos os infelizes, sem cuidar de saber a sua origem, raça, etnia ou religião.
    A 15 de Janeiro de 1891, ao reparar nas necessidades de tantas mulheres e raparigas, com a cooperação de Ana Francisca Lubanska e Maria Cunegundes Silokowka, seduzidas pelo seu exemplo, fundou um ramo feminino da sua associação, para que alimentassem as famintas e as acolhessem em abrigos decentes, sobretudo nos casos de epidemias.
    Com palavras de ânimo e conselhos apropriados, com pregações sobre os desajustamentos sociais, vincando a obrigação de todos, sobretudo os mais favorecidos em riquezas, ajudarem os ignorantes e miseráveis, Santo Alberto não só formava os seus seguidores como suscitava nos ricos um desprendimento que os impulsionava a uma generosa caridade.
    A 25 de Dezembro de 1916, já com várias comunidades ao serviço dos pobres e com mais de uma centena de discípulos, entregou a sua alma a Deus.

     
     

                                                    

    segunda-feira, 30 de março de 2015

    REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: (Con)trastes...

    ... destes são os de... sempre. Por isso mesmo, a cada tempo que passa mais inadmissíveis e profundamente desumanos se tornam.
    "Quo vadis" homo sapiens do séc. XXI?
    A assobiar para o lado, ou a fazer como a aveztruz, o tal animal que enterra a cabeça na areia?
    É tempo de dizer BASTA, ou ainda não?
    Caso contrário, continuaremos com "A normalidade do mal". Mal de que não padece este exemplo à escala mundial, nem sempre imaculado é certo - atire a primeira pedra quem nunca errou. Mais um, não buscado, mas encontrado, não em Belém de Boliqueime, sim, também, em terra do "fim do mundo" - infelizmente são a excepção e não a regra.
    Intolerável é não divulgar, é não partilhar. é não denunciar, é não lutar por isto e contra isto.
    Insuportável ainda, é manter e não agir em conformidade, isto é, em coerência e urgência. Afinal de contas é tão simples. Basta PARAR para Pensar/Meditar/Reflectir e Atentar nisto. PARABÉNS ONG Cordaid!

    domingo, 29 de março de 2015

    PALAVRAdeDOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

    Considerando:
    1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, profética"
    2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesial"
    3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Ler mais em:
    4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontro", http://www.paulinas.pt/Product_Detail.aspx?code=1977
    5. Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias
    Então:
    Tema do Domingo de Ramos
    A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.
    A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus.
    A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe.
    O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
    EVANGELHO Mc 14, 1 - 15,47
    N Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
    N Faltavam dois dias para a festa da Páscoa e dos Ázimos
    e os príncipes dos sacerdotes e os escribas
    procuravam maneira de se apoderarem de Jesus à traição
    para Lhe darem a morte.
    Mas diziam:
    R «Durante a festa, não,
    para que não haja algum tumulto entre o povo».
    N Jesus encontrava-Se em Betânia,
    em casa de Simão o Leproso,
    e, estando à mesa,
    veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro
    com perfume de nardo puro de alto preço.
    Partiu o vaso de alabastro
    e derramou-o sobre a cabeça de Jesus.
    Alguns indignaram-se e diziam entre si:
    R «Para que foi esse desperdício de perfume?
    Podia vender-se por mais de duzentos denários
    e dar o dinheiro aos pobres».
    N E censuravam a mulher com aspereza.
    Mas Jesus disse:
    J «Deixai-a. Porque estais a importuná-la?
    Ela fez uma boa acção para comigo.
    Na verdade, sempre tereis os pobres convosco
    e, quando quiserdes, podereis fazer-lhes bem;
    Mas a Mim, nem sempre Me tereis.
    Ela fez o que estava ao seu alcance:
    ungiu de antemão o meu corpo para a sepultura.
    Em verdade vos digo:
    Onde quer que se proclamar o Evangelho, pelo mundo inteiro,
    dir-se-á também em sua memória, o que ela fez».
    N Então, Judas Iscariotes, um dos Doze,
    foi ter com os príncipes dos sacerdotes
    para lhes entregar Jesus.
    Quando o ouviram, alegraram-se
    e prometeram dar-lhe dinheiro.
    E ele procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

    N No primeiro dia dos Ázimos,
    em que se imolava o cordeiro pascal,
    os discípulos perguntaram a Jesus:
    R «Onde queres que façamos os preparativos
    para comer a Páscoa?»
    N Jesus enviou dois discípulos e disse-lhes:
    J «Ide à cidade.
    Virá ao vosso encontro um homem com uma bilha de água.
    Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa:
    ‘O Mestre pergunta: Onde está a sala,
    em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’
    Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior,
    alcatifada e pronta.
    Preparai-nos lá o que é preciso».
    N Os discípulos partiram e foram à cidade.
    Encontraram tudo como Jesus lhes tinha dito
    e prepararam a Páscoa.
    Ao cair da tarde, chegou Jesus com os Doze.
    Enquanto estavam à mesa e comiam,
    Jesus disse:
    J «Em verdade vos digo:
    Um de vós, que está comigo à mesa, há-de entregar-Me».
    N Eles começaram a entristecer-se e a dizer um após outro:
    R «Serei eu?»
    N Jesus respondeu-lhes:
    J «É um dos Doze, que mete comigo a mão no prato.
    O Filho do homem vai partir,
    como está escrito a seu respeito,
    mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser traído!
    Teria sido melhor para esse homem não ter nascido».
    N Enquanto comiam, Jesus tomou o pão,
    recitou a bênção e partiu-o,
    deu-o aos discípulos e disse:
    J «Tomai: isto é o meu Corpo».
    N Depois tomou um cálice, deu graças e entregou-lho.
    E todos beberam dele.
    Disse Jesus:
    J «Este é o meu Sangue, o Sangue da nova aliança,
    derramado pela multidão dos homens.
    Em verdade vos digo:
    Não voltarei a beber do fruto da videira,
    até ao dia em que beberei do vinho novo no reino de Deus».
    N Cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras.

    N Disse-lhes Jesus:
    J «Todos vós Me abandonareis, como está escrito:
    ‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas’.
    Mas depois de ressuscitar,
    irei à vossa frente para a Galileia».
    N Disse-Lhe Pedro:
    R «Embora todos te abandonem, eu não».
    N Jesus respondeu-lhe:
    J «Em verdade te digo:
    Hoje, esta mesma noite, antes do galo cantar duas vezes,
    três vezes Me negarás».
    N Mas Pedro continuava a insistir:
    R «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».
    N E todos afirmaram o mesmo.
    Entretanto, chegaram a uma propriedade chamada Getsémani
    e Jesus disse aos seus discípulos:
    J «Ficai aqui, enquanto Eu vou orar».
    N Tomou consigo Pedro, Tiago e João
    e começou a sentir pavor e angústia.
    Disse-lhes então:
    J «A minha alma está numa tristeza de morte.
    Ficai aqui e vigiai».
    N Adiantando-Se um pouco, caiu por terra
    e orou para que, se fosse possível,
    se afastasse d’Ele aquela hora.
    Jesus dizia:
    J «Abba, Pai, tudo Te é possível:
    afasta de Mim este cálice.
    Contudo, não se faça o que Eu quero,
    mas o que Tu queres».
    N Depois, foi ter com os discípulos, encontrando-os dormindo
    e disse a Pedro:
    J «Simão, estás a dormir? Não pudeste vigiar uma hora?
    Vigiai e orai, para não entrardes em tentação.
    O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
    N Afastou-Se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras.
    Voltou novamente e encontrou-os dormindo,
    porque tinham os olhos pesados
    e não sabiam que responder.
    Jesus voltou pela terceira vez e disse-lhes:
    J «Dormi agora e descansai...
    Chegou a hora:
    o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores.
    Levantai-vos. Vamos.
    Já se aproxima aquele que Me vai entregar».
    N Ainda Jesus estava a falar,
    quando apareceu Judas, um dos Doze,
    e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus,
    enviada pelos príncipes dos sacerdotes,
    pelos escribas e os anciãos.
    O traidor tinha-lhes dado este sinal:
    «Aquele que eu beijar, é esse mesmo.
    Prendei-O e levai-O bem seguro».
    Logo que chegou, aproximou-se de Jesus e beijou-O, dizendo:
    R «Mestre».
    N Então deitaram-Lhe as mãos e prenderam-n’O.
    Um dos presentes puxou da espada
    e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.
    Jesus tomou a palavra e disse-lhes:
    J «Vós saístes com espadas e varapaus para Me prender,
    como se fosse um salteador.
    Todos os dias Eu estava no meio de vós,
    a ensinar no templo,
    e não Me prendestes!
    Mas é para se cumprirem as Escrituras».
    N Então os discípulos deixaram-n’O e fugiram todos.
    Seguiu-O um jovem, envolto apenas num lençol.
    Agarraram-no, mas ele, largando o lençol, fugiu nu.

    N Levaram então Jesus à presença do sumo sacerdote,
    onde se reuniram todos os príncipes dos sacerdotes,
    os anciãos e os escribas.
    Pedro, que O seguira de longe,
    até ao interior do palácio do sumo sacerdote,
    estava sentado com os guardas, a aquecer-se ao lume.
    Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio
    procuravam um testemunho contra Jesus
    para Lhe dar a morte,
    mas não o encontravam.
    Muitos testemunhavam falsamente contra Ele,
    mas os seus depoimentos não eram concordes.
    Levantaram-se então alguns,
    para proferir contra Ele este falso testemunho:
    R «Ouvimo-l’O dizer:
    ‘Destruirei este templo feito pelos homens
    e em três dias construirei outro
    que não será feito pelos homens’».
    N Mas nem assim o depoimento deles era concorde.
    Então o sumo sacerdote levantou-se no meio de todos
    e perguntou a Jesus:
    R «Não respondes nada ao que eles depõem contra Ti?»
    N Mas Jesus continuava calado e nada respondeu.
    O sumo sacerdote voltou a interrogá-l’O:
    R «És Tu o Messias, Filho do Deus Bendito?»
    N Jesus respondeu:
    J «Eu Sou. E vós vereis o Filho do homem
    sentado à direita do Todo-poderoso
    vir sobre as nuvens do céu».
    N O sumo sacerdote rasgou as vestes e disse:
    R «Que necessidade temos ainda de testemunhas?
    Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?»
    N Todos sentenciaram que Jesus era réu de morte.
    Depois, alguns começaram a cuspir-Lhe,
    a tapar-Lhe o rosto com um véu
    e a dar-Lhe punhadas, dizendo:
    R «Adivinha».
    N E os guardas davam-Lhe bofetadas.

    N Pedro estava em baixo, no pátio,
    quando chegou uma das criadas do sumo sacerdote.
    Ao vê-lo a aquecer-se, olhou-o de frente e disse-lhe:
    R «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno».
    N Mas ele negou:
    R «Não sei nem entendo o que dizes».
    N Depois saiu para o vestíbulo e o galo cantou.
    A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos presentes:
    R «Este é um deles».
    N Mas ele negou segunda vez.
    Pouco depois, os presentes diziam também a Pedro:
    R «Na verdade, tu és deles, pois também és galileu».
    N Mas ele começou a dizer imprecações e a jurar:
    R «Não conheço esse homem de quem falais».
    N E logo o galo cantou pela segunda vez.
    Então Pedro lembrou-se do que Jesus lhe tinha dito:
    «Antes do galo cantar duas vezes,
    três vezes Me negarás».
    E desatou a chorar.

    N Logo de manhã,
    os príncipes dos sacerdotes reuniram-se em conselho,
    com os anciãos e os escribas e todo o Sinédrio.
    Depois de terem manietado Jesus,
    foram entregá-l’O a Pilatos.
    Pilatos perguntou-Lhe:
    R «Tu és o Rei dos judeus?»
    N Jesus respondeu:
    J «É como dizes».
    N E os príncipes dos sacerdotes
    faziam muitas acusações contra Ele.
    Pilatos interrogou-O de novo:
    R «Não respondes nada? Vê de quantas coisas Te acusam».
    N Mas Jesus nada respondeu,
    de modo que Pilatos estava admirado.

    N Pela festa da Páscoa,
    Pilatos costumava soltar-lhes um preso à sua escolha.
    Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos,
    que numa revolta tinham cometido um assassínio.
    A multidão, subindo,
    começou a pedir o que era costume conceder-lhes.
    Pilatos respondeu:
    R «Quereis que vos solte o Rei dos judeus?»
    N Ele sabia que os príncipes dos sacerdotes
    O tinham entregado por inveja.
    Entretanto, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão
    a pedir que lhes soltasse antes Barrabás.
    Pilatos, tomando de novo a palavra, perguntou-lhes:
    R «Então, que hei-de fazer d’Aquele
    que chamais o Rei dos judeus?»
    N Eles gritaram de novo:
    R «Crucifica-O!».
    N Pilatos insistiu:
    R «Que mal fez Ele?»
    N Mas eles gritaram ainda mais:
    R «Crucifica-O!».
    N Então Pilatos, querendo contentar a multidão,
    soltou-lhes Barrabás
    e, depois de ter mandado açoitar Jesus,
    entregou-O para ser crucificado.
    Os soldados levaram-n’O para dentro do palácio,
    que era o pretório,
    e convocaram toda a coorte.
    Revestiram-n’O com um mando de púrpura
    e puseram-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos
    que haviam tecido.
    Depois começaram a saudá-l’O:
    R «Salvé, Rei dos judeus!»
    N Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam-Lhe
    e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante d’Ele.
    Depois de O terem escarnecido,
    tiraram-Lhe o manto de púrpura
    e vestiram-Lhe as suas roupas.
    Em seguida levaram-n’O dali para O crucificarem.

    N Requisitaram, para Lhe levar a cruz,
    um homem que passava, vindo do campo,
    Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo.
    E levaram Jesus ao lugar do Gólgota,
    quer dizer, lugar do Calvário.
    Queriam dar-Lhe vinho misturado com mirra,
    mas Ele não o quis beber.
    Depois crucificaram-n’O.
    E repartiram entre si as suas vestes,
    tirando-as à sorte, para verem o que levaria cada um.
    Eram nove horas da manhã quando O crucificaram.
    O letreiro que indicava a causa da condenação tinha escrito:
    «Rei dos Judeus».
    Crucificaram com Ele dois salteadores,
    um à direita e outro à esquerda.
    Os que passavam insultavam-n’O
    e abanavam a cabeça, dizendo:
    R «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias,
    salva-Te a Ti mesmo e desce da cruz».
    N Os príncipes dos sacerdotes e os escribas
    troçavam uns com os outros, dizendo:
    R «Salvou os outros e não pode salvar-se a Si mesmo!
    Esse Messias, o Rei de Israel, desça agora da cruz,
    para nós vermos e acreditarmos».
    N Até os que estavam crucificados com ele o injuriavam.
    Quando chegou o meio-dia,
    as trevas envolveram toda a terra até às três horas da tarde.
    E às três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
    J «Eloí, Eloí, lamá sabachtháni?»
    N que quer dizer:
    «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?»
    N Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
    R «Está a chamar por Elias».
    N Alguém correu a embeber uma esponja em vinagre
    e, pondo-a na ponta duma cana, deu-Lhe a beber e disse:
    R «Deixa ver se Elias vem tirá-l’O dali».
    N Então Jesus, soltando um grande brado, expirou.

    N O véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo.
    O centurião que estava em frente de Jesus,
    ao vê-l’O expirar daquela maneira, exclamou:
    R «Na verdade, este homem era Filho de Deus».
    N Estavam também ali umas mulheres a observar de longe,
    entre elas Maria Madalena,
    Maria, mãe de Tiago e de José, e Salomé,
    que acompanhavam e serviam Jesus,
    quando estava na Galileia,
    e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém.
    Ao cair da tarde
    – visto ser a Preparação, isto é, a véspera do sábado –
    José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio,
    que também esperava o reino de Deus,
    foi corajosamente à presença de Pilatos
    e pediu-lhe o corpo de Jesus.
    Pilatos ficou admirado de Ele já estar morto
    e, mandando chamar o centurião,
    ordenou que o corpo fosse entregue e José.
    José comprou um lençol,
    desceu o corpo de Jesus e envolveu-O no lençol;
    depois depositou-O num sepulcro escavado na rocha
    e rolou uma pedra para a entrada do sepulcro.
    Entretanto, Maria Madalena e Maria, mãe de José,
    observavam onde Jesus tinha sido depositado.

    AMBIENTE
    Marcos procura, no seu Evangelho, apresentar a figura de Jesus de acordo com duas grandes coordenadas. Uma, desenvolvida na primeira parte do Evangelho, apresenta Jesus como o Messias, enviado por Deus aos homens para lhes propor o Reino (cf. Mc 1,14-8,30); outra, tratada na segunda parte do Evangelho, apresenta Jesus como o Filho de Deus, que para cumprir a missão que o Pai lhe confiou tem de passar pela morte, mas a quem Deus ressuscitará (cf. Mc 8,31-16,8).
    A leitura que hoje nos é proposta é o relato da paixão de Jesus. O relato, inegavelmente fundamentado em acontecimentos concretos, não é uma simples reportagem jornalística da condenação à morte de um inocente; mas é, sobretudo, uma catequese destinada a apresentar Jesus como o Filho de Deus que aceita cumprir o projecto do Pai, mesmo quando esse projecto passa por um destino de cruz. Marcos pretende que os crentes a quem a catequese se destina concluam, como o centurião romano que testemunha a paixão e morte de Jesus: “na verdade, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). Fica assim demonstrada a tese que Marcos, desde o início do Evangelho (cf. Mc 1,1), se propôs apresentar: Jesus, o Messias, é o Filho de Deus.
    Betânia, o cenáculo, o Getsemani, o palácio do sumo-sacerdote, o pretório romano, o Gólgota e o
    túmulo são os cenários onde se desenrola a acção e onde vai sendo demonstrada a filiação divina de Jesus.
    MENSAGEM
    A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar esse mundo novo, de justiça, de paz e de amor para todos os homens. Para concretizar este projecto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o “Reino”; e avisou os “ricos” (os poderosos, os instalados) de que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.
    O projecto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostas a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O numa cruz.
    A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do “Reino”: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam o mundo.
    Podemos, também, dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço.
    Na cruz, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado – isto é, contra todas as causas objectivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração e morte. Assim, a cruz mantém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do “Reino”.
    No relato da Paixão na versão de Marcos, não difere substancialmente das versões de Mateus e de Lucas; no entanto, há algumas coordenadas que Marcos sublinha especialmente. De entre elas, destacamos:

    1. Ao longo de todo o processo, Jesus manifesta uma grande serenidade, uma grande dignidade e uma total conformação com aquilo que se está a passar. Não se trata de passividade ou de inconsciência, mas de aceitação serena de um caminho que Ele sabe que passa pela cruz. Marcos sugere, desta forma, que Jesus está perfeitamente conformado com o projecto do Pai e que a sua vontade é cumprir fiel e integralmente o plano de Deus, sem objecções ou resistências de qualquer espécie. Esta “dignidade” de Jesus diante do processo que as autoridades religiosas e políticas lhe movem é atestada em várias cenas:
     Mateus e Lucas põem Jesus a interpelar directamente Judas, quando este o entrega no monte das Oliveiras (cf. Mt 26,50; Lc 22,48); mas na narração de Marcos, Jesus mantém-se silencioso e cheio de dignidade diante da traição do discípulo (cf. Mc 14,45-46), sem observações ou recriminações.
     Mateus põe Jesus a desautorizar Pedro quando este fere um servo do sumo-sacerdote cortando-lhe uma orelha (cf. Mt 26,52) e, na narração de Lucas, Jesus pede aos discípulos que deixem actuar os seus sequestradores (cf. Lc 22,51); mas Marcos não apresenta, no mesmo episódio, qualquer reacção de Jesus (cf. Mc 14,47). Marcos apenas acrescenta que a prisão de Jesus acontece para que se cumpram as Escrituras (cf. Mc 14,49).
     No tribunal judaico, quando interrogado pelo sumo-sacerdote acerca das acusações que lhe eram feitas, Jesus manteve um silêncio solene e digno (cf. Mc 14,61a), recusando defender-Se das acusações dos seus detractores.

    2. Uma das teses fundamentais do Evangelho de Marcos é que Jesus é o Filho de Deus (cf. Mc 1,1). Esta ideia também está bem presente, bem sublinhada, bem desenvolvida, no relato da Paixão:
     No jardim das Oliveiras, pouco antes de ser preso, Jesus dirige-Se a Deus (cf. Mc 14,36) e chama-Lhe “Abba” (“paizinho”, “papá”). Esta apalavra não era usada nas orações hebraicas como invocação de Deus; mas era usada na intimidade familiar e expressava a grande proximidade entre um filho e o seu pai. Para a psicologia judaica, teria sido um sinal de irreverência usar uma palavra tão familiar para se dirigir a Deus. O facto de Jesus usar esta palavra, revela a comunhão que havia entre Jesus e o Pai e revela uma relação marcada pela simplicidade, pela intimidade, pela total confiança.
     Apesar do silêncio digno de Jesus durante o interrogatório no palácio do sumo-sacerdote, há um momento em que Jesus não hesita em esclarecer as coisas e em deixar clara a sua divindade. Quando o sumo-sacerdote Lhe perguntou directamente se Ele era “o Messias, o Filho de Deus bendito” (Mc 14,61b), Jesus respondeu, sem subterfúgios: “Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso e vir sobre as nuvens do céu” (Mc 14,62). A expressão “eu sou” (“egô eimi”) leva-nos ao nome de Deus no Antigo Testamento (“eu sou aquele que sou” - Ex 3,14)… É, na perspectiva do nosso evangelista, a afirmação inequívoca da dignidade divina de Jesus. A referência ao “sentar-se à direita do Todo-poderoso” e ao “vir sobre as nuvens” sublinha, também, a dignidade divina de Jesus, que um dia aparecerá no lugar de Deus, como juiz soberano da humanidade inteira. O sumo-sacerdote percebe perfeitamente o alcance da afirmação de Jesus (Ele está a arrogar-Se a condição de Filho de Deus e a prerrogativa divina por excelência – a de juiz universal); por isso, manifesta a sua indignação rasgando as vestes e condenando Jesus como blasfemo.
     Marcos põe um centurião romano a dizer, junto da cruz de Jesus: “na verdade, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). Mais do que uma afirmação histórica, esta frase deve ser vista como uma “profissão de fé” que Marcos convida todos os crentes a fazer… Depois de tudo o que foi testemunhado ao longo do Evangelho, em geral, e no relato da paixão, em particular, a conclusão é óbvia: Jesus é mesmo o Filho de Deus que veio ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de salvação.

    3. Apesar de Filho de Deus, o Jesus de Marcos é também homem e partilha da debilidade e da fragilidade da natureza humana:
     No jardim das Oliveiras, pouco antes de ser preso, o Jesus de Marcos sentiu “pavor” e “angústia” (cf. Mc 14,33), como acontece com qualquer homem diante da morte violenta (Mateus é ligeiramente mais moderado e fala da “tristeza” e da “angústia” de Jesus – cf. Mt 26,37; e Lucas evita fazer qualquer referência a estes sentimentos que, sublinhando a dimensão humana de Jesus, podiam lançar dúvidas sobre a sua divindade).
     No momento da morte, Jesus reza: “meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste” (Mc 15,34). A “oração” de Jesus é a “oração” de um homem que, como qualquer outro ser humano, experimenta a solidão, o abandono, o sentimento de impotência, a sensação de falhanço… e do fundo do seu drama, não compreende a ausência e a indiferença de Deus.
    Não há dúvida: o Jesus apresentado por Marcos é, também, o homem/Jesus que Se solidariza com os homens, que os acompanha nos seus sofrimentos, que experimenta os seus dramas, fragilidades e debilidades.

    4. Em todos os relatos da paixão, Jesus aparece a enfrentar sozinho (abandonado pelas multidões e pelos próprios discípulos) o seu destino de morte; mas Marcos sublinha especialmente a solidão de Jesus, nesses momentos dramáticos:
     Lucas põe um anjo a confortar Jesus, no jardim das Oliveiras (cf. Lc 22,43); Marcos não faz qualquer referência a esse momento de “consolação.
     Mateus conta que a mulher de Pilatos intercedeu por Jesus, pedindo ao marido que não se intrometesse “no caso desse justo” (cf. Mt 27,19); Marcos não refere nenhuma interferência deste tipo no processo de Jesus.
     João, além de Pedro, refere a presença de um “outro discípulo conhecido do sumo-sacerdote” no palácio de Anás (Jo 18,15); Marcos, para além de Pedro (que negou Jesus três vezes), nunca refere a presença de qualquer outro dos discípulos.
     Lucas fala na presença de mulheres, ao longo do caminho do calvário, que “batiam no peito e se lamentavam por Ele” (Lc 23,27-31); Marcos também não conhece ninguém que se lamentasse durante o caminho percorrido por Jesus em direcção ao lugar da execução (só após a morte de Jesus, Marcos observa que algumas mulheres que O seguiam e serviam quando estava na Galileia estavam ali a “contemplar de longe” – Mc 15,40-41).
    Abandonado pelos discípulos, escarnecido pela multidão, condenado pelos líderes, torturado pelos soldados, Jesus percorre na solidão, no abandono, na indiferença de todos, o seu caminho de morte. O grito final de Jesus na cruz (“meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste” – Mc 15,34) pode ser o início do Salmo 22 (cf. Sal 22,2); mas é, também, expressão dramática dessa solidão que Jesus sente à sua volta.

    5. Só Marcos relata o episódio do jovem não identificado que seguia Jesus envolto apenas num lençol e que fugiu nu quando os guardas o tentaram agarrar (cf. Mc 14,51-52). Para alguns comentadores do Evangelho segundo Marcos, o jovem em causa poderia ser o próprio evangelista… Trata-se, no entanto, de uma simples conjectura.
    É mais provável que o episódio tenha sido introduzido por Marcos para representar plasticamente a atitude dos discípulos que, desiludidos e amedrontados diante do falhanço do projecto em que acreditaram, largaram tudo quando viram o seu líder ser preso e fugiram sem olhar para trás.

    ACTUALIZAÇÃO
    • Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, experimentou a angústia e o pavor diante da morte; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes.
    Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude que Ele assumiu e solidarizar-Se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.
    Um dos elementos mais destacados no relato marciano da paixão é a forma como Jesus Se comporta ao longo de todo o processo que conduz à sua morte… Ele nunca Se descontrola, nunca recua, nunca resiste, mas mantém-Se sempre sereno e digno, enfrentando o seu destino de cruz. Tal não significa que Jesus seja um herói inconsciente a quem o sofrimento e a morte não assustam, ou que Ele Se coloque na pele de um fraco que desistiu de lutar e que aceita passivamente aquilo que os outros Lhe impõem… A atitude de Jesus é a atitude de quem sabe que o Pai Lhe confiou uma missão e está decidido a cumprir essa missão, custe o que custar. Temos a mesma disponibilidade de Jesus para escutar os desafios de Deus e a mesma determinação de Jesus em concretizar esses desafios no mundo?
    A “angústia” e o “pavor” de Jesus diante da morte, o seu lamento pela solidão e pelo abandono, tornam-n’O muito “humano”, muito próximo das nossas debilidades e fragilidades. Dessa forma, é mais fácil identificarmo-nos com Ele, confiar n’Ele, segui-l’O no seu caminho do amor e da entrega. A humanidade de Jesus mostra-nos, também, que o caminho da obediência ao Pai não é um caminho impossível, reservado a super-heróis ou a deuses, mas é um caminho de homens frágeis, chamados por Deus a percorrerem, com esforço, o caminho que conduz à vida definitiva.
    A solidão de Jesus diante do sofrimento e da morte anuncia já a solidão do discípulo que percorre o caminho da cruz. Quando o discípulo procura cumprir o projecto de Deus, recusa os valores do mundo, enfrenta as forças da opressão e da morte, recebe a indiferença e o desprezo do mundo e tem de percorrer o seu caminho na mais dramática solidão. O discípulo tem de saber, no entanto, que o caminho da cruz, apesar de difícil, doloroso e solitário, não é um caminho de fracasso e de morte, mas é um caminho de libertação e de vida plena.
    • A figura do jovem que, no jardim das Oliveiras, deixou o lençol que o cobria nas mãos dos soldados e fugiu pode ser figura do discípulo que, amedrontado e desiludido, abandonou Jesus. Já alguma vez virámos as costas a Jesus e ao seu projecto, seduzidos por outras propostas? O que é que nos impede, por vezes, de nos mantermos fiéis ao projecto de Jesus?