"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: O pobre que pede ajuda é Deus a bater à porta do coração

O homem rico «conhecia os mandamentos», possuía «uma certa religiosidade», mas estava «fechado no seu pequeno mundo, o mundo dos banquetes, das roupas, da vaidade, dos amigos, um homem fechado numa bolha». «Mesmo a periferia, que estava junto à porta da sua casa, não a conhecia.». Para continuar a ler, clicar AQUI.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Desinibidos

Na realidade, os desinibidos fazem pena e aborrecem quando se tem apenas um pouco de gosto e de honestidade intelectual. Por isso, não nos impressionemos por estes anões e bailarinas, e continuemos a conservar o verdadeiro sentido da liberdade, da dignidade, do bom gosto, da beleza, da afabilidade, ainda que seja verdade – como dizia Bacchelli – que «os estúpidos impressionam, mas só pelo seu número». Ler mais emhttp://www.snpcultura.org/desinibidos.html

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Torna o teu coração próximo de Deus e dos pobres

O grande perigo, para os crentes de cada tempo, é viver uma religião de “coração distante”, feita de práticas exteriores, de fórmulas recitadas só com os lábios; de se contentar com o incenso, a música, a beleza das liturgias, mas não socorrer os órfãos e as viúvas (Tiago 1,27, 2.ª Leitura). Ler mais em:
http://snpcultura.org/torna_o_teu_coracao_proximo_de_Deus_e_dos_pobres.html

terça-feira, 16 de junho de 2015

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Precisamos de uma iniciação ao silêncio

Quando penso no contributo que a experiência poética ou religiosa possa dar num futuro próximo à humanidade, penso francamente que mais até do que a palavra será a partilha desse património imenso que é o silêncio. Na palavra fazemos a experiência da diferenciação, experiência certamente fundante, mas também ela parcial e insuficiente.
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segunda-feira, 30 de março de 2015

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: (Con)trastes...

... destes são os de... sempre. Por isso mesmo, a cada tempo que passa mais inadmissíveis e profundamente desumanos se tornam.
"Quo vadis" homo sapiens do séc. XXI?
A assobiar para o lado, ou a fazer como a aveztruz, o tal animal que enterra a cabeça na areia?
É tempo de dizer BASTA, ou ainda não?
Caso contrário, continuaremos com "A normalidade do mal". Mal de que não padece este exemplo à escala mundial, nem sempre imaculado é certo - atire a primeira pedra quem nunca errou. Mais um, não buscado, mas encontrado, não em Belém de Boliqueime, sim, também, em terra do "fim do mundo" - infelizmente são a excepção e não a regra.
Intolerável é não divulgar, é não partilhar. é não denunciar, é não lutar por isto e contra isto.
Insuportável ainda, é manter e não agir em conformidade, isto é, em coerência e urgência. Afinal de contas é tão simples. Basta PARAR para Pensar/Meditar/Reflectir e Atentar nisto. PARABÉNS ONG Cordaid!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: «Aqui estou»

Fábricas, escritórios, salas de aula, campos e casas podem ser – e são – lugares de encontro fundamentais da vida, teofanias, até. Deparamos com encontros decisivos em lugares do viver ordinário, enquanto estamos no trabalho, portanto (até por isso trabalhar é importante). Pode-se participar em milhares de cerimónias litúrgicas, centenas de peregrinações e dezenas de retiros espirituais, vivendo experiências esplêndidas; mas os acontecimentos que realmente nos transformam surgem na vida de todos os dias, quando – sem ir à procura dela nem dela estar à espera – uma voz nos chama pelo nome, nos lugares humildes da vida.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Ou amor ou violência

Para quem estuda há muito tempo as questões implicadas pela guerra e pela violência, não é o surgimento de um qualquer ato de especialmente próxima ou espetacular violência que surpreende, mas que ainda haja surpresa com o surgir da violência.
A humanidade, criada com uma naturalmente inaudita capacidade de entendimento da realidade na forma de sentido, sentido este universalmente partilhável entre todos os sujeitos humanos, teima, desde que existe, em não usar de tal capacidade como forma de engrandecimento de si própria. Exemplos claros na tradição judaico-cristã são o estulto uso da inteligência prístina pelo mítico casal Adão e Eva, bem como o uso da mesma capacidade, já não prístina, por seu filho Caim, que pensou – mal – engrandecer-se à custa da diminuição do irmão na forma radical da sua aniquilação.
A história da humanidade – mítica ou monumental – está esmagada pelo peso de exemplos com estes analogáveis. Realisticamente, pode dizer-se que a história da humanidade, desde o simbólico Caim, é o relato da perversão bestial da sua capacidade própria de engrandecimento. Não se trata de pessimismo, mas da constatação de uma realidade indesmentível. Pessimista seria a afirmação segundo a qual à humanidade não é possível mais do que comportar-se bestialmente.
Ora, precisamente, o que o mito genesíaco relativo ao início da humanidade manifesta é a criação de um tipo entitativo perfeito como passível de realizar, de literalmente criar o bem, na sequência imediata da própria criação divina inicial. O que constitui a perfeição própria do ser humano não é a "necessidade de fazer o bem", que o reduziria a uma mera sequência mecânica da ação divina, como uma pedra, mas a sua constituição como "ser ético", isto é, como "ser capaz de escolher entre bens possíveis". É função da inteligência apontar para o melhor bem possível. É acto de preferencialidade da mesma inteligência a escolha, ato a que comummente se chama vontade.
Mas a inteligência humana, precisamente porque não é mecânica – ou mecanicamente redutível, como alguns sonham que possa ser –, tem de ser treinada, especialmente treinada. Não basta a simples imitação de manifestações de atividade, como em outras espécies. A capacidade de perspetivar virtualmente infinitas possibilidades de ação implica que se tenha se receber uma formação que não apenas ensine a replicar comportamentos – perigo das tradições, sem crítica –, mas forneça instâncias de "discernimento crítico", que possam permitir operar uma separação entre o que serve o bem da humanidade e o que não serve esse bem.
Quando Deus – numa versão laica radical, pode ser um inteligentíssimo operador lógico universal dotado de palavra – emite o mandamento de não matar, não está a manifestar um capricho divino apenas porque pode ou lhe apetece. Sem tal princípio orientador absoluto, a humanidade não pode subsistir. Kant percebeu o alcance ontológico de tal preceito quando propôs o seu «imperativo categórico». Apenas a interdição universal da aniquilação do semelhante humano, sem condições, pode impedir que, num qualquer momento, a humanidade resolva, matando cada um um outro, em total absurda reciprocidade, aniquilar-se instantaneamente.
Este «não matar» não é, assim, um preceito religioso, embora seja dado num texto e num contexto religioso, mas uma condição lógica fundamental para que possa haver humanidade. Como é evidente, depois da graça que Deus concedeu à humanidade ao criá-la, não surpreende que lhe ordene que não destrua o que acabara de ser construído e de que não há substituto possível.
O mandamento novo de Cristo transforma num preceito absolutamente positivo a interdição de matar, transformando esta na necessidade de amar para que a humanidade possa subsistir. Esta afirmação deve ser lida em todo o rigor da sua abrangência: "não é possível à humanidade sobreviver se não cumprir o mandamento de Cristo". E não é por ser de Cristo, é porque é o "enunciado da condição absoluta de possibilidade da existência da humanidade". Não interessa quem o enunciou. É a bondade do enunciado que é divina e divina a pessoa que o enuncia, porque enuncia o bem. Sem a enunciação e o anúncio do bem, nenhum ator é ou pode ser divino. Deus é Deus porque é bom, absolutamente bom, ou não é Deus.
A mensagem de Cristo é, muitas vezes, reduzida a um discurso delicodoce, mas nada está mais errado: o mandamento do amor, fundamento de toda a mensagem e vida de Cristo, estabelece um regime em que a escolha a fazer é diamantina. Em disjunção exclusiva: ou se ama ou não se ama; ou se promove o bem do outro ou não se promove o bem do outro; ou se trabalha no sentido da vida plena da humanidade – que é o que o amor permite – ou não se trabalha nesse sentido.
Em palavras mais próximas da mística comum: ou nos aproximamos de Deus através do amor aos nossos semelhantes, que é imediatamente amor a Cristo e a Deus como Cristo (definição do Céu), ou nos afastamos de Deus através da ausência do amor aos nossos semelhantes, que é imediatamente falta de amor a Cristo e a Deus como Cristo (definição do inferno).
O que sempre foi evidente, mas raramente encarado como tal – talvez porque sempre me vejo como Caim quando olho para o espelho do mundo –, parece agora realmente evidente, agora que me atinge diretamente ou de perto: o bem que acontece, e que não é raro, cada vez mais me conforta, o mal que acontece, e que também não é raro, cada vez mais me agride. Mas sempre foi assim.
Não percebemos, nós, a razão, real, que leva a que certas pessoas apenas recentemente se incomodem com a evidência do mal. Este mal está em nós, "no bem que não fazemos", no amor que não criamos, sempre esteve. Sempre o conheci em mim, desse que me conheço: brincando com Descartes, poderia dizer que «faço o mal, logo existo».
A razão pela qual estudo a guerra e o mal há tantos anos é a evidência segundo a qual há mal em mim, mal potencialmente terrível. Violência inaudita. Graças a Deus inaudita, que me esforço por que nunca seja manifestada.
A educação serve precisamente para que esta possibilidade de mal que nos habita a todos, como universal contrapartida necessária para que possamos escolher fazer o bem, seja trabalhada por cada um de nós em esforçado labor no sentido do bem, do bem não exclusivamente meu, mas de todos, do bem comum, que é o único realmente possível como realizador da humanidade.
É sobre este bem fundador da possibilidade da humanidade que todos os seres humanos se podem encontrar, sobre ele que podem construir a sua comum habitação, amavelmente inclusiva. Qualquer que seja a religião ou irreligião, é sobre esta condição lógica de possibilidade da humanidade que esta se pode entender universalmente.
Ou morrerá.
E, se não for capaz de amar, terá nesta morte a sua justa recompensa.
Compete a cada ser humano escolher se quer ser um ato de amor e de bem ou uma besta que espalha impiedosamente o seu ódio. Antecipar o céu como ato de amor ou viver já no inferno como ato de ódio.
Se não estamos «sem pecado», como temos o atrevimento de «atirar a primeira pedra»?
Não há distância ontológica entre o bem que se faz e o bem que se é quando tal bem se faz. O mesmo diz-se do mal feito. O absoluto do bem feito é eterno, mas o absoluto do mal feito também. Se o malévolo pode ser redimido, para o absoluto do mal feito não há remissão possível, senão magicamente.
Urge, assim, convidar as pessoas a que ponderem bem no que querem que a sua prática seja: queremos mesmo fazer mal? Queremos mesmo ser maus através do mal que fazemos? Se sim, tenhamos a consciência de que o que fizermos ficará connosco para todo o nosso sempre, religiosa ou laicamente entendido.
Toda a violência é obscena.
in http://www.snpcultura.org/ou_amor_ou_violencia.html
   

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: A esperança de 2015 começa no coração de uma silenciosa oração

Diante de um novo ano que começa, pelo menos quando já não se é jovem, a tentação pode ser a de olhar para o mundo e para os seus males e dizer que o sofrimento, a pobreza, a violência serão exatamente as mesmas do velho: como se a vida fosse inexoravelmente induzida pela força opaca daquilo que nós, cristãos, chamamos pecado.
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quarta-feira, 25 de junho de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Gostar e amar

Dizem os amantes: «Encanta-me a tua voz»; «cativa-me o teu sorriso»; «fascina-me a tua figura». Mas isso não é amor. O amor estende-se e abarca a totalidade da pessoa. Muitos identificam amar com gostar, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Nem tudo aquilo de que se gosta equivale a amor. Dizem ainda os amantes: «Gosto da tua cintura, do ritmo do teu andar, da modulação da tua voz.» O amor pode nascer sem que o outro seja cativado por alguma zona anatómica concreta, por determinada parte da personalidade. O amor nasce de um momento em que o ser humano se esquece de si; fica deslumbrado, é «arrancado» de si mesmo e cativado por outro todo. Cresce com desejos de se dar e consuma-se no esquecimento total de um gozo recíproco. Continuar a ler…

quarta-feira, 18 de junho de 2014

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Olhar para a vida

É necessário decidir entre o amor ilusório à vida, que nos faz adiá-la perenemente, e o amor real, mesmo que ferido, com que a assumimos. Entre amar a vida hipoteticamente pelo que dela se espera ou amá-la incondicionalmente pelo que ela é, muitas vezes em completa impotência, em pura perda, em irresolúvel carência. Condicionar o júbilo pela vida a uma felicidade sonhada é já renunciar a ele, porque a vida é dececionante (não temamos a palavra). Continuar a ler…

segunda-feira, 9 de junho de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Insubstituível palavra

Sem o livro de Job, o Cântico, os Salmos, o Evangelho de Lucas, o livro do Génesis, a arte, a poesia e a literatura seriam bem diversas; seriam certamente menos belas e mais pobres de palavras. Na base da força da Bíblia – incluindo a força poética – está uma radical, incondicional, absoluta fidelidade à palavra, muito difícil de entender para os leitores do nosso tempo, mas também para nós decisiva. O nosso tempo atravessa uma profunda noite da palavra e das palavras e, por isso, corre o risco de morrer afogado num mar de tagarelice, de chat, de sms. Temos absoluta necessidade de nos reconciliarmos e de reencontrar a palavra e as palavras, a sua seriedade e responsabilidade. Para este novo encontro, uma grande e decisiva ajuda poderá vir-nos de escutar e frequentar os poetas. Eles são essenciais para a vida porque criam, fazem viver as palavras e defendem-nas da morte. São essenciais sobretudo nos tempos sem palavra – e por isso sem palavras – que vivemos. Continuar a ler…

terça-feira, 3 de junho de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Como o novo BMW Série 3 F30 é fabricado em Munique!...


 

Quando a voragem do tempo em anos, meses, dias anos, horas & minutos nos impede, eis que surge uma boa razão, um óptimo motivo para pensar, meditar e reflectir; assim:
- O que têm em comum esta montagem automóvel e a exploração espacial?
- Informática, ciberespaço, automatização & robotização.
- Sim, mas não só.
- Então "o quê" mais?
- A criativadade/capacidade fantástica, espantosa, maravilhosa,... do Homem.
- O Homem, o tal, o fruto do acaso, ou "Big Bang"?
- Não creio, porque impossível! - esta, mais uma prova.

 

terça-feira, 27 de maio de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Temos necessidades ou resplandecemos de possibilidades?

Sem artes, sem humanidades, sem ciência e sem cultura, sem serem chamados a abrir-se, a questionar-se, a conviver com o diferente, a atender o mais necessitado, os seres humanos fecham-se e embrutecem. Quando e como se cultiva o que G. Steiner chama «o fascinante esplendor do inútil»? Alguém quer mesmo ouvir falar da poesia, da filosofia, da espiritualidade, da literatura? O que é que (e quem) puxa a humanidade para cima, para acolher o esplendor da graça que cada pessoa transporta em si? Corremos o risco de ver crescer à nossa volta, nos nossos relvados, a «censura do mercado», sem que os media e as instituições sociais tenham sequer capacidade de distanciamento e capacidade crítica para denunciar essa censura. Censura ao que é mais difícil, ao que é mais inovador, ao que leva mais tempo, ao que não corre ou quer apenas caminhar devagar, ao que é diferente e multidimensional, ao tratado que requer outras leituras, à obra de 400 páginas, ao que cresce devagar, como a arte de constituir uma família, ao que amadurece lentamente, como nós mesmos, ao que requer silêncio, como o culto da amizade, ao que dá frutos interiores, como o dom de si… Continuar a ler…

sexta-feira, 23 de maio de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Agar e as suas muitas irmãs

No pranto desesperado da escrava Agar, narrado no livro do Génesis, podemos reconhecer todos os prantos das servas da terra, de ontem e de hoje; todas as mulheres humilhadas por outros homens e mulheres poderosos; os prantos e os silêncios das vítimas, de todos os migrantes e refugiados através de desertos e mares. Estes capítulos da Bíblia cheios de beleza, de humanidade, de dor, fazem chegar até nós muitas mensagens. A primeira é sobre conflitos e vias de solução. Sara nunca reconhece Agar como um “tu”: no texto não a chama nunca pelo nome, mas sempre e só «escrava»; apenas YHWH a chama Agar. Sem o reconhecimento do outro não se ultrapassa bem nenhum conflito. O estatuto de Sara – matriarca e patroa – leva a melhor sobre aquela solidariedade entre mulheres que tantas vezes se manifestou e manifesta, para além dos estatutos. Não é nunca indiferente se o primeiro olhar sobre as vidas e as cidades é o de Agar ou o de Sara. Se os olhos de Agar forem os primeiros a ver, poder-se-á compreender que o olhar mais fecundo sobre o mundo não é o das princesas e dos poderosos, mas o que parte das periferias bíblicas e existenciais. Continuar a ler…

quinta-feira, 24 de abril de 2014

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Agradecer o que não nos dão.

O mais comum é agradecer o que nos foi dado. E não nos faltam motivos de gratidão. Há, é claro, imensas coisas que dependem do nosso esforço e engenho, coisas que fomos capazes de conquistar ao longo do tempo, contrariando mesmo o que seria previsível, ou que nos surgiram ao fim de um laborioso e solitário processo. Mas isso em nada apaga o essencial: as nossas vidas são um recetáculo do dom. Hoje, porém, dei comigo a pensar também na importância do que não nos foi dado. E a provocação chegou-me por uma amiga que confidenciou: «Gosto de agradecer a Deus tudo o que Ele me dá, e é sempre tanto que nem tenho palavras para descrever. Sinto, contudo, que lhe tenho de agradecer igualmente o que Ele não me dá, as coisas que seriam boas e que eu não tive, o que até pedi e desejei muito, mas não encontrei. O facto de não me ter sido dado obrigou-me a descobrir forças que não sabia que tinha e, de certa maneira, permitiu-se ser eu». Isto é tão verdadeiro. Mas exige uma transformação radical da nossa atitude interior. Tornar-se adulto por dentro não é propriamente um parto imediato ou indolor. No entanto, enquanto não agradecermos a Deus, à vida ou aos outros o que não nos deram, parece que a nossa prece permanece incompleta. Continuar a ler…

quarta-feira, 26 de março de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Educar para a virtude e beleza.

Os nossos jovens querem ver os ideais do Evangelho vividos na nossa vida. Uma das piores consequências do escândalo de pedofilia na Igreja é que, nela, se possa instalar um cinismo em relação ao chamamento à santidade. Corremos o risco de sermos soterrados pelo mau exemplo de padres e bispos, e é preciso que lembremos as pessoas que sempre houve santos e pecadores na Igreja. A missão da Igreja é chamar todos à conversão. Temos os nossos sucessos e os nossos fracassos. Os santos são a história de sucesso que os nossos jovens precisam de conhecer. E como até os santos foram pecadores, a sua história ajuda os jovens a ver que nós, seus mentores, nos debatemos no mesmo caminho de santidade. Queremos partilhar com as gerações futuras aquilo que descobrimos: nomeadamente, que quem é católico tem uma vida boa e vive com a certeza de ter uma vocação pessoal e uma missão comunitária. A nossa tarefa é ajudar as pessoas a entrever a Beleza que salva e ajudar a alimentar esse desejo de Beleza
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quinta-feira, 20 de março de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Pobreza espiritual, caminho de vida etc...etc...

Pobreza espiritual, caminho de vida
A pobreza espiritual também se expressa na aceitação de si. Não temos apenas mal-entendidos com os outros. Por vezes, o maior e o mais difícil mal-entendido é connosco próprios. Não nos aceitamos, não nos abraçamos, não nos acolhemos, não nos perdoamos. Aceitar-me no que sou e não sou, no que fui, no que não fui, no que não consegui, no que correu bem e no que correu mal, na fraqueza e na fragilidade. Como é que se torna fecunda a vida pobre? Na aceitação confiante de si. Como diz S. Paulo na segunda carta aos Coríntios (4, 7): «Trazemos em vasos de barro o nosso tesouro». E é sempre assim. Temos de aceitar o tesouro, mas também o barro, o barro que se quebra, o barro que se cola, o barro que não tem remédio, o barro que fica ferido. O poeta brasileiro Manoel de Barros, com quase 90 anos, é uma das grandes figuras espirituais do nosso tempo: «Prefiro as máquinas que servem para não funcionar». Isto exige uma conversão. Porque nós preferimos o que funciona. «Porque cheias de areia, de formigas e de musgo, elas podem um dia milagrar flores». Há um milagre que só nos chega pela pobreza.
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Uma bombarda no coração
Acção de Graças significa dizer «obrigado», agradecer, e ainda, mantendo este modo pleunástico, mostrar gratidão a Deus. «Contigo sou sempre agradecido» canta a banda Xungaria no Céu numa das suas canções e este parece ser o lema justo para tatuar no braço de um cristão: a infinita e misteriosa bondade que Deus tem por nós, nunca nos largando da mão e actuando segundo Sua infinita sabedoria de um modo que não é alheio à claridade dos nossos olhos vesgos, mas refém dela. A maravilhosa acção que gostaria de entregar ao Senhor em gratidão, e aquela que mais gostaria de sublinhar, é o momento fundador que transforma para sempre a vida do homem cuja vida e obra, nos próximos dias, é celebrada de modo especial. Aquilo a que sou grato é nada mais nada menos que estilhaços de pólvora, um grave ferimento de guerra, para ser mais preciso, uma «bombarda».
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terça-feira, 11 de março de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: princípio personalista

«Economia» é uma palavra grega que significa «a lei da casa» do mundo, na qual devem ser consideradas antes de tudo as pessoas antes de qualquer realidade financeira. Finança e economia não são, por isso, sinónimos. O elemento fundamental é reconhecer que a figura central que domina o horizonte é a pessoa humana. A finança é apenas um instrumento que deve estar ao serviço da economia, que é a regra da vida social de toda a humanidade. Em momentos difíceis há a necessidade de recuperar alguns valores culturais e éticos fundadores. Enquanto homem de Igreja e exegeta bíblico, gostaria de partir da visão cristã profundamente inervada no interior da sociedade e da cultura, ao ponto de constituir uma presença imprescindível. Com efeito, como é sabido, a tese central do cristianismo permanece na incarnação: «O Verbo fez-se carne» (João 1, 14). Portanto, no cristianismo há um entrelaçamento entre fé e história, e, por isso, um contacto entre religião e vida política e social.
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