"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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sábado, 18 de outubro de 2014

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.

Há meio ano que o Banco de Portugal sabia do buraco do GES
PT é um "exemplo de destruição" da autoria de "gurus da gestão"
A incrível história da descoberta do ébola
A história do professor que ficou colocado em 75 escolas depois de ter desistido do concurso
Rússia promete três vacinas contra o ébola dentro de seis meses
Grande Entrevista - Frei Bento Domingues
Frei Bento Domingues Igreja não pode "olhar para a relação sexual como um pecado
Paulo Rangel entre eurodeputados que mais ganham 'por fora'
Filhos tiranos, pais mártires
"A Justiça está numa tempestade perfeita"
Cavaco contraria Passos e Maria Luís
Quem são os portugueses que veem a Casa dos Segredos (pois, pois. É por estas e por outras que estamos como estamos... e pagando uns pelos outros))
Cientistas descobrem como ligar e desligar hormona do amor
Cães mantêm dona viva durante dois dias até chegar ajuda
Os chineses absorveram 40% das privatizações em Portugal
Só no último ano, o país viu 'nascer' 10 mil milionários
A longa história de uma mentira
Quanto mais tempo?
Quase metade das medidas de austeridade ainda incidem na receita
BE apresenta proposta para reestruturação da dívida
Principais medidas do Orçamento do Estado 2015
A nova velha austeridade
"Primeiro paga-se, depois logo se vê"
BES Banco de Portugal cedeu a pedidos de Salgado
A pintura e a moldura
A vitória subtil de Francisco
Vou ter filhos e meter os avós lá em casa. E não usar sacos de plástico nem carros a diesel
http://expresso.sapo.pt/vou-ter-filhos-e-meter-os-avos-la-em-casa-e-nao-usar-sacos-de-plastico-nem-carros-a-diesel=f894303#ixzz3GR7xyK1






domingo, 24 de junho de 2012

Quando estes insuspeitos senhores assim escrevem & falam é porque algo se...

"O que se busca é uma via"
Estou a revisitar os livros de André Malraux. Tenho de admitir, hoje, que a minha geração foi injusta e cáustica para o imenso escritor. O factor político determinou (sem explicar) o sentimento crítico. Tudo, agora, parece obsoleto. Aquela época foi fértil em contradições e a virulência saiu das baias morais e intelectuais para se transformar num ódio lamacento. As coisas talvez tivessem acalmado e os ajustes começaram. Tive grandes discussões com companheiros e camaradas meus. Líamos tudo e tudo contrariávamos. Possuo uma biblioteca imensa, porque aqueles tempos não permitiam atrasos. E tive a sorte de conviver com os maiores escritores, actores, artistas e cineastas portugueses da época. A idade da formação e do cimentar das convicções ética e ideológicas foi aí.
Os meus adversários na altura liam os mesmos livros que eu. O conceito de conhecimento não se coaduna com exclusões. Do comunista Aragon ao fascista Robert Brasilach, de Knut Hamsun a Ernst Junger, passando pelos grandes americanos, e, naturalmente, pela leitura da Bíblia, tudo passou pela minha curiosidade ardente. Sou um produto dessa gente toda. E de António Vieira, sempre folheado com mão diurna e mão nocturna. E mais do Camilo do que do Eça, devo dizê-lo.
A solidariedade e a fraternidade não estavam desempregadas. E o niilismo parecia estar removido para sempre. Não estava. O regresso do niilismo manifesta-se todos os dias e acentua os nossos pesares. Não importa se continuo na mesma luta; na mesma, não: em luta semelhante. Mas tenho pena de que as coisas estejam como estão. O abandono da grandeza de espírito, o esquecimento do grande monumento à humanidade e erguido pela humanidade, o desprezo pelas emoções e pela compaixão doem, e doem profundamente. Mas creio que nem tudo está perdido, apesar de assistir ao desespero dos mais novos e à negligência de muitos dos mais velhos.
"O mundo será religioso, ou não será", li em Malraux; e por isso tenho voltado a ele. O religioso como princípio de decência e estorvo ao niilismo, queria ele dizer. Recapitulando, afinal o que Dostoievski fez dizer ao mais velho dos irmão Karamazov: "Se Deus não existe tudo é permitido." Uma frase terrível no seu imperioso desígnio, que podemos aplicar, sem hesitações, à época e à inexistência de moral em que vivemos.
Ouvimos e lemos o que dizem e fazem os dirigentes europeus, e procedemos, instintivamente, a comparações. Depois, assistimos aos desaforos de miniaturas de gente, insultando e injuriando quase todos aqueles que abriram caminhos na História. Sei muito bem o que o Eclesiastes ensina: "Uma geração vem, uma geração vai…." Não se estuda, não se reflecte, não se abre uma pausa para meditar e ponderar. A exclusão e o apagamento reanimaram com esta nova ordem. Há dias, um preopinante, que escarmentei noutro local, caluniava o bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, por este dizer em público o que a maioria das pessoas diz em privado: este governo é constituído por gente desavinda com a integridade e com a competência. Poucas semanas depois, o prelado foi punido, ele disse: "linchado" na reforma, por delito de opinião.
Não é estalinismo, este método persecutório: tem origem na semente fascista, caracterizada e cauterizada pelo bispo. E que está aí, a florescer sem obstáculo, e notoriamente apoiada e estimulada um pouco por todo o lado, Portugal incluído. Não se defende a democracia como um todo, toleram-na como um meio. Quando ouço alguns políticos soletrar a palavra, penso que a maldição bíblica devia cair-lhe em cima e a boca encher-se-lhe de…
Desprovidos de experiência, apoiados pelo entusiasmo que o dislate cavaquista. A teoria da amnésia histórica é velha. Retornou, há anos, com o dr. Cavaco, quando, sem consciência do que provocava, incitou os mais novos a recusar referências e a construir os seus próprios passos. O turbilhão que se seguiu é conhecido. Derivaram em fazer saneamentos e em afastar velhos profissionais de todas as artes e ofícios. Está por fazer a história desse período sombrio. Sustentado pelos grandes grupos económicos, o cavaquismo não tinha deus nem fé, somente a permissão para fazer tudo quanto lhe apetecesse.
Apesar de as sombras negras pairarem por grande parte da Europa, apesar de tudo aparentar estar perdido, recorro a Manuel Alegre, que nos diz em "Nada está escrito": "Não é possível tornar semelhantes / as coisas que são incompatíveis. / O que se busca é uma via / tudo o mais é indecifrável."
M.Alegre & valores espirituais
Mundo precisa de mais «sonho», «poesia» e «valores espirituais»
http://www.snpcultura.org/mundo_precisa_mais_sonho_poesia_valores_espirituais.html
Austeridade limita a esperança, diz Manuel Alegre
http://www.snpcultura.org/austeridade_limita_esperanca_diz_manuel_alegre.html
Concílio Vaticano II mudou atitude dos católicos
http://www.snpcultura.org/vaticano_ii_mudou_atitude_catolicos_face_sociedade.html
Quando Manuel Alegre estava preso e escreveu um poema ao papa
http://www.snpcultura.org/quando_manuel_alegre_estava_preso_e_escreveu_um_poema_ao_papa.html

sábado, 14 de janeiro de 2012

Os maus exemplos vêm "de cima" & Portugal, um milagre "resiliente"

A dr.ª Manuela Ferreira Leite, eivada daquela caridade cristã que define o seu doce coração, disse, na SIC Notícias, num curioso programa dirigido por Ana Lourenço, que os doentes com mais de 70 anos, devem pagar hemodiálise. Infere-se, por oposição, o seguinte: quem não tiver dinheiro, que morra!, sobretudo a partir dos 70. Nessa altura, já cá não fazem falta nenhuma. Um pouco assustado, António Barreto confessou ter aquela idade fatal. E, mesmo sem o dizer, o dr. Balsemão tem mais de 70. Os celtas resolviam a questão com a presteza de quem não tem tempo a perder: atiravam os velhos dos penhascos.
Aqui, corta-se nos vencimentos dos reformados, aumentam-se as taxas moderadoras e até os enterros estão mais caros, devido aos impostos. A dr.ª Manuela tem dito coisas que bradam aos céus. Aquela declaração foi uma delas. Já antes, a fim de se pôr uma certa ordem no caos português sugerira a interrupção, por modestos seis meses, da democracia. A senhora esteve à beira de se tornar presidente do PSD e, por decorrência, acaso as bússolas da fortuna andassem avariadas, primeira-ministra. Que susto!, embora este, em que vivemos, não seja menor.
"Contra-Corrente" é o nome do programa em referência, no qual um luminoso conjunto de sábios discreteia sobre o nosso mundo e os nossos destinos. Devo dizer aos meus pios leitores que aguardei, arfante de curiosidade, a opinião dos preopinantes. Nada que as pessoas não soubessem. Com este tipo de programação, repetitiva e inócua, a Impresa não vai lá. Com excepção de Sobrinho Simões, que foi dizendo coisas válidas por acertadas, os outros debitaram mais do mesmo que todos dizem. Até António Barreto só disse banalidades. Vitorino, coitado!, é uma irrelevância.
O tropo que interessava seria a discussão sobre a promiscuidade entre política, negócios e partidarite. A ida em massa, para a administração da EDP, de militantes destacados do PSD e do CDS mereceu umas desatenções embargadas. Entretanto, soube-se que, para a empresa Águas de Portugal, vão dois militantes do PSD. As coisas são como são, mas não deveriam sê-lo, após as veementes declarações de princípio do dr. Passos Coelho, que se antagonizava com os "jobs" concedidos pelo PS aos seus "boys." Na realidade, estamos fartos desta vilanagem endémica. A política tornou-se a questão central do regime; mas, em vez de se abordar e analisar o problema, as minudências transformam-se em campanha de jornais, como o assunto da Maçonaria.
Pleitear-se a causa de que os detentores de cargos públicos terão de revelar as suas opções filosóficas pode abrir a caixa de Pandora, cujos resultados são imprevisíveis. Só a alusão a esta dissimulada caça à bruxas faz arrepiar. É claro que este fogacho não passa de isso mesmo: um fogacho (como o espaço atribuído a Paco Bandeira, um caso doméstico, com a importância menor que a sua própria natureza merece) para remover das cabeças das pessoas os tormentos que as apoquentam. O jornalismo português entrou numa fase degenerativa perturbadora. A impreparação demonstrada pelos seus empregados é de fugir. Não se trata de jornalistas, embora, certamente, todos agitem como credencial os níveis das graduações. Seria impensável, perante as situações políticas vigentes, as afirmações insanas de altos dirigentes partidários e a pouca-vergonha a que se assiste, no regabofe das nomeações - que uma Imprensa responsável e decente estivesse calada. Mas está.
Pergunto-me e os meus velhos amigos e camaradas perguntam-se: que ensinam, nos cursos de jornalismo, a estes jovens? Tornou-se moda, nas televisões, sem excepção, tratar as pessoas pelo primeiro nome, modo abusivo de se forçar uma intimidade tão absurda, como irrespeitosa, por despropositada. Assim como esta falsa familiaridade está longe de corresponder à teia reticular de afecto, necessária entre receptor e mensageiro, a preguiça no estudo, o desleixo pelo idioma, a ignorância impante fornecem um retrato muito poço lisonjeiro do jornalismo que se pratica.
Os exemplos provindos "de cima" são de molde a fugirmos deles a sete pés. A cultura do facilitismo, do dinheiro e do mais feroz individualismo parece ter adquirido carta de alforria. Quando se fazem exigências atrozes aos sectores mais débeis da sociedade portuguesa, e se tornam públicos os vencimentos faraónicos de alguns sujeitos, procedentes dos partidos "de poder", tudo é permitido. Como se diz nos "Irmãos Karamazov", de Dostoievski. W
in http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=531441

Portugal, um milagre resiliente. (Sir Ken Robinson e a Royal Society of Arts)
Como é que havemos de educar as nossas crianças para a economia do século XXI, quando nem sequer sabemos antecipar o estado da economia no final da próxima semana?" Sir Ken Robinson, autor, conferencista, pedagogo.
Opinião pessoal, mas transmissível: Portugal, como país auto-determinado, é um milagre resiliente. Nenhum país teve de sobreviver tanto à ignorância das suas elites socioeconómicas como Portugal. Equivale isto a dizer que, atendendo ao desvario irresponsável dos líderes públicos, e ao desprezo profundo pelo conhecimento e pelo mérito que o tecido político-económico fomenta com sinistro sucesso provinciano, ter esperança é um risco. Alguém fará, um dia, justiça à dedicação intrínseca da maioria dos nossos cidadãos ao sítio onde vivem (e querem viver), e aí começará o fim do pacto de tolerância à boçalidade cínica do triângulo formado pelos poderes económico, político e mediático.
A "Royal Society for the Encouragement of Arts, Manufactures and Commerce" tem sede em Londres e foi fundada em Covent Garden em 1754. Abreviadamente conhecida como "The RSA - The Royal Society of Arts", dedicou-se ao longo destes 250 anos de História ao fomento do conhecimento e da inovação, da cultura, da cidadania, da arte, da criatividade. O seu arquivo é uma das muitas razões válidas para uma visita atenta, com muito mais para ver e sentir do que poderia caber nesta crónica. Entre muitos conteúdos irrepreensivelmente tratados e colocados à disposição, está o conjunto de animações "RSA Animate". Estes trabalhos de animação a duas dimensões, muitas vezes simples - como um lápis que rabisca o que está a ser narrado, por exemplo - são quase sempre de uma eficácia cénica incrível. Atingindo milhões de visualizações "online" (há, inclusivamente, uma aplicação para "tablet" ou "smartphone" disponível gratuitamente), um dos mais surpreendentes é o "rabisco inspirado" que acompanha a conferência de Sir Ken Robinson, "Changing Education Paradigms" (Mudando os Paradigmas da Educação). Nesta, o pedagogo nascido em Liverpool, defende a mudança que considera essencial fazer na política de educação, para o futuro da Economia. O resultado da animação "a posteriori" do áudio da palestra é extraordinário e incisivo. Entre diversos postulados "animados" neste curto vídeo, está o de que muito do que se conseguiu, em termos de motivação e razão de ser para a obtenção de uma licenciatura, por exemplo, está perdido e deve ser reinventado, pois desapareceram as garantias de segurança dadas aos jovens pela simples frequência de um ciclo de ensino completo. Os nossos jovens perderam o estímulo central para se dedicarem à escola, que era o da emancipação económica; pensar que o problema está "neles" que obedecem, em vez de "nós" que mandamos, é um preconceito que não resolverá nada, apenas criará mais clivagem social e custos acrescidos nas contas públicas do futuro. O vértice empobrecedor deste preconceito está na separação artificial e dogmática entre o que é "intelectual" e o que é "económico", que chegou ao sistema de ensino por mimese dos nossos vícios e fragilidades, e deve ser reequacionado. Impossível de reverter?
Portugal conseguiu, no século XX, baixar a sua percentagem de analfabetismo de 33,6% (1970) para 9% (medidos já em 2001). É urgente assumir no discurso público este nível de exigência histórica e de responsabilização, e é de uma fina ironia - só possível num território ambíguo como a "política" - que não se coloque a importância destes factos históricos na frente de toda a acção cívica, numa altura em que o que está em jogo, precisamente, é se conseguimos (ou não) reeducar uma Economia que, neste momento, já é só Finança e prejuízo; felizmente, a grandiosidade dos feitos, quando comparada à futilidade dos líderes, postula bem de como tudo é possível neste milagre resiliente. Essa é a esperança, esse é o risco.