"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: Que lugares estamos a construir?

Quer demos conta ou não, cada um de nós ocupa-se todos os dias a construir espaços para as pessoas viverem. A pessoa que prepara a mesa para o pequeno-almoço prepara um lugar para a sua família. A família que se senta à mesa contribui também para compor aquele lugar. O que eles dizem ou não dizem e a maneira como olham uns para os outros tornam aquele espaço bom ou mau durante os breves momentos em que estão juntos.
E assim acontece todo o dia, no escritório, na escola, na igreja ou no ginásio. Aonde quer que vamos estamos constantemente a construir lugares, ainda que por instantes. Frequentemente não nos apercebemos que estamos permanentemente a mudar o espaço de quem nos rodeia. O que traz contrariedades porque demasiadas vezes não acrescentamos nada a esse espaço; pelo contrário, levamos algo que não nos pertence. Tiramos a alegria e o sossego, as esperanças e o contentamento de quem está ao nosso lado.
Ler mais em: http://www.snpcultura.org/paisagens_que_lugares_andamos_a_construir.html

domingo, 18 de novembro de 2012

ESPIRITUALIDADE: A Missa sobre o Mundo

Um a um, Senhor, eu os vejo e os amo, aqueles que me destes como sustento e como encanto natural de minha existência. Um a um, também, eu os conto, os membros dessa outra e tão cara família que pouco a pouco as afinidades do coração, da pesquisa científica e do pensamento juntaram à minha volta, a partir dos elementos mais diversos. Mais confusamente, mas todos sem exceção, eu os evoco, aqueles cujo exército anónimo forma a massa inumerável dos vivos: aqueles que me rodeiam e me sustentam sem que eu os conheça; aqueles que vêm e aqueles que vão; sobretudo aqueles que, na Verdade ou através do Erro, no seu escritório, laboratório ou fábrica, creem no progresso das Coisas e, hoje, perseguirão apaixonadamente a luz.

domingo, 22 de abril de 2012

Falsos Deuses

«[No mundo greco-romano,] cada cidade adorava as suas divindades preferidas e construía santuários à volta de imagens de culto. Quando Paulo foi a Atenas, viu que esta estava literalmente cheia de imagens dessas divindades (Atos 17,16). O Pártenon de Atenas ofuscava tudo o resto, mas havia outras divindades representadas em cada espaço público. Havia Afrodite, a deusa da beleza; Ares, o deus da guerra; Ártemis, a deusa da fertilidade e da riqueza; Vulcano, o deus forjador e do fogo.
A nossa sociedade contemporânea não é fundamentalmente diferente dessas sociedades antigas. Cada cultura é dominada pela sua própria série de ídolos. Cada uma tem os seus «sacerdócios», os seus totens e os seus rituais. Cada uma tem os seus santuários – quer se trate de torres de escritórios, de spas e ginásios, de estúdios ou de estádios –, onde têm de se fazer sacrifícios, a fim de obter as bênçãos de uma boa vida e de afastar as catástrofes. Não serão esses os deuses da beleza, do poder, do dinheiro e da realização pessoal, precisamente aquelas coisas que assumiram proporções míticas na nossa vida individual e na nossa sociedade?
Podemos não nos ajoelhar fisicamente frente à estátua de Afrodite, mas muitas jovens mulheres de hoje caem na depressão e em distúrbios alimentares, devido a uma preocupação obsessiva com a sua imagem física. Podemos não queimar incenso a Ártemis, mas, quando o dinheiro e a carreira são elevados a proporções cósmicas, fazemos uma espécie de «sacrifício de crianças», negligenciando a família e a comunidade para alcançar um posto mais elevado na empresa, e para ganhar mais dinheiro e prestígio. (…)
Mais do que os outros ídolos, o êxito pessoal e a autorrealização produzem um sentimento de que somos deuses, de que a nossa segurança e valor dependem da nossa própria sabedoria, força e desempenho. Para sermos os melhores, naquilo que fazemos, estar no topo da pirâmide significa que ninguém é como nós. Nós somos supremos.
Um sinal de que fabricámos um ídolo do êxito é o falso sentimento de segurança que isso nos transmite. Os pobres e marginalizados esperam sofrer, sabem que a vida sobre a terra é «miserável, brutal e curta». As pessoas bem sucedidas ficam muito mais chocadas e transtornadas com os problemas. Como pastor, tenho ouvido muita gente do topo da escala social dizer: «A vida não devia ser assim», quando se confrontam com a tragédia. Nos meus anos de pastor, nunca ouvi essa linguagem da boca dos operários e dos pobres.
O falso sentimento de segurança provém de deificarmos as nossas realizações e de esperarmos que estas nos preservem das preocupações da vida de uma forma que só Deus pode fazer. Outro sinal de que fizemos da autorrealização um ídolo é que ela distorce a sua visão sobre si próprio. Quando as suas realizações servem de base ao seu valor como pessoas, elas podem dar azo a uma visão inflacionada das suas capacidades.»

Timothy Keller
In Falsos deuses, ed. Paulinas
20.04.12