"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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terça-feira, 29 de maio de 2018

ATENÇÃO/REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: As transformações deste tempo são radicais: é essencial compreendê-las para não nos desorientarmos

A sociedade procura satisfazer todas as necessidades, mas extingue os grandes desejos e ilude os projetos mais amplos, criando assim um estado de frustração e, acima de tudo, a desconfiança no futuro. A vida pessoal é saciada por consumos, e no entanto está vazia, desvanecida e por vezes até espiritualmente extinta. Domina o primado do instrumento em relação ao significado, especialmente se último e global. No entanto, o mundo em que hoje vivemos é rico de fermentos e desafios dirigidos à fé, mas é também dotado de grandes recursos humanos e espirituais, dos quais os jovens são muitas vezes portadores. Para saber mais, clicar AQUI.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Da", "Na" e "Para" a HISTÓRIA do 25 de ABRIL em PORTUGAL

Em 25 de Abril de 2012 mantenho, infeliz & lamentavelmente, o que escrevi em:
"Como comemorei o 25 de Abril? Eu português de Abril1974 e em Abril2010 me confesso ...
... a pensar e não foi preciso muito para, em jeito de desabafo, desilusão e revolta, perguntar/comentar/abanar/lembrar:
Volvidos todos estes anos, "cadé" os três " DDD's " de Desenvolvimento, Democracia e Descolonização com que os responsáveis - e muito bem - nos acenaram nessa data?
Apenas um dos três, um terço, 33% - muito pouco, convenhamos - foi conseguido, a democracia. Mas atenção porque, pelos vistos, alguém dos dias de hoje quer, senão derrubar, pelo menos domesticar - também se escrevem com "D". Quanto aos restantes:
1. O pretenso "Desenvolvimento" se é que em alguma ocasião existiu, degenerou malignamente em 3 carcinomas: "Dívida", "Défice" e "Desemprego"; agora, só se lá vai com o antídoto 3 "PPP's" de Poupança, Produtividade e Para exportação que por sinal ou por ... não estão no famigerado e tão badalado PEC;
2. A "Descolonização" dita exemplar, deu no que deu: milhares de espoliados à espera da justa indemnização, só Portugal não o fez, angolanos vítimas vampirizadas de outros angolanos, os "Dos Santos & Cia", transformaram-se eles sim em colonizadores e...
... com o fruto do seu saque, vão, via Galp, Zon, Bcp, ..., colonizar aquela a que chamavam/gritavam/berravam "Potência Colonial". De facto, "A vitória é certa"- M.P.L.A; se o não  foi militarmente está a sê-lo economica e financeiramente. Alguém escreveu e, diga-se em abono da verdade, com razão: "... quem são afinal os colonos, os portugueses antes do  25A ou aqueles que os substituiram? Quando serão responsabilizados ... gerando a morte e miséria em todos os territórios do ex-Império, do Minho a Timor? Só por má fé se pode encontrar benefício ou vantagem ... se comparadas as realidades actuais, sob TODOS os pontos de vista, da totalidade desses territórios com a realidade de 1974."
Dito isto, resta, seguir o conselho de Francisco Fanhais (que será feito deste homem de Abril?) na sua canção, "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos (nem devemos) ignorar".
e passo a actualizar, comentários inclusivé:

DO MELHOR: Bonança, Esperança & ...
- 25 de Abril: Minuto-a-minuto dos dias que mudaram Portugal
  http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=47756
- O tempo e o modo de uma revolução
  http://mediaserver.rr.pt/newrr/25abril_final25760fd0/video/index.html
- Propaganda para colar ao peito
  http://expresso.sapo.pt/propaganda-para-colar-ao-peito=f721295
- Saiba tudo sobre os autocolantes do 25 de Abril
  http://visao.sapo.pt/saiba-tudo-sobre-os-autocolantes-do-25-de-abril=f659687
- Grândola Vila Morena ... o porquê a canção de abril"
  http://derterrorist.blogs.sapo.pt/1917880.html



- etc.

AO PIOR: Desilusão, Frustração & ...
«...De resto, acumularam-se as oportunidades perdidas. A descolonização acabou num mero "descargo de má consciência". Quanto ao desenvolvimento, não passa de uma sucessão de desperdícios, mesmo sem falar nos desastres da Educação e da Justiça.
Embora custe, temos de admitir que se perderam quase 40 anos!» (A.Freitas Cruz, JN de 25-04-2010)



- Entretanto...
  ...Catorze milhões de euros. É este o valor da luxuosa moradia que José Eduardo dos Santos adquiriu na Quinta do Lago, no Algarve, onde passou férias nas primeiras semanas do mês de Agosto.
Ao que o CM apurou, o presidente angolano terá estado em Portugal com um dos filhos, mas oficialmente ninguém confirma a visita do chefe de Estado. Pouca gente notou a sua presença na Quinta do Lago, porque terá saído poucas vezes de casa, que comprou por cerca de 13 milhões de euros e está agora avaliada em 14 milhões. Apesar de ter adquirido a mansão recheada de luxos, José Eduardo dos Santos decidiu fazer algumas alterações no interior.
Segundo uma fonte da Quinta do Lago, foi equipada com o que de mais caro existe no mercado e é considerada uma das mais luxuosas moradias do empreendimento algarvio. O CM sabe que, por exemplo, só o candeeiro que foi instalado na entrada da casa custou nada mais nada menos do que 600 mil euros. Os móveis e equipamentos da cozinha aproximadamente 700 mil euros, e o sistema de televisão cerca de 70 mil euros. Depois das mudanças, a moradia foi avaliada em 14 milhões.


http://daliteratura.blogspot.pt/2012/02/angola-e-nossa.html
- Precisamos de outro 25 de Abril?          
http://visao.sapo.pt/precisamos-de-outro-25-de-abril=f660578

- Morreu um homem justo
«...Conta-se que Camões, sabendo no leito de morte da catástrofe de Alcácer Quibir, terá dito: "Morro com a Pátria". Miguel Portas não teria gostado da duvidosa palavra "Pátria", mas morreu também quando Portugal se afunda num desastre não menos catastrófico para a independência nacional do que o de Alcácer Quibir. »:
http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2440144&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina

- Bispo das Forças Armadas compreende ausências nas comemorações do 25 de Abril
 “Disse relativamente ao último Governo que isto nunca teve tão fundo, e agora digo que o não cumprimento da justiça social que nos foi prometida e que não está a ser realizada…a isto se retira a paz social”:
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=59747

- Classe média já pede ajuda à Santa Casa
 "Há centenas de pessoas da classe média que diariamente vão pedir ajuda à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A revelação é feita por Pedro Santana Lopes, actual provedor daquela instituição..."
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=191&did=59785

- Rui Rio, um insuspeito, atribui ao sistema bancário responsabilidades no "descalabro" do País
"Autarca aproveita cerimónia do 25 de Abril na Câmara do Porto para assinalar a degradação do regime, fazer o diagnóstico da crise e alertar para a erosão da democracia..."
http://visao.sapo.pt/rui-rio-atribui-ao-sistema-bancario-responsabilidades-no-descalabro-do-pais=f660662

- A situação financeira portuguesa e a falência da Enron: pontos de contacto
«...Se Portugal fosse uma empresa era possível que atualmente já não existisse como tal. No entanto, não há culpados pelo estado a que a se chegou. Neste domínio da responsabilização, as diferenças para o caso Enron são abissais.
É, pois, imprescindível que se apurem responsabilidades e, sendo caso disso, se punam eventuais comportamentos fraudulentos. Para que o futuro não seja a repetição do passado e, de modo particular, para não voltem a ocorrer "festas" à revelia de quem as tem de pagar»
http://visao.sapo.pt/a-situacao-financeira-portuguesa-e-a-falencia-da-enron-pontos-de-contacto=f660587

- Quem foi e quem é?
 "... deu pensões a dois agentes da PIDE (polícia política do regime de Salazar), mas recusou uma pensão ao Capitão Salgueiro Maia, um homem íntegro e um dos artífices do 25 de Abril e do Portugal democrático, quando se encontrava muito doente devido a um crancro que o matou..."
 
- General Pires Veloso defende novo 25 de Abril para acabar com "a mentira e o roubo institucionalizados"
  http://sicnoticias.sapo.pt/pais/article1504393.ece

- etc.
- etc.
- etc.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Porque hoje é DOMINGO (11-12-11): leituras & actualidade

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=41757
EVANGELHO - Jo 1,6-8.19-28
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João.
Veio como testemunha, para dar testemunho da luz,
a fim de que todos acreditassem por meio dele.
Ele não era a luz,
mas veio para dar testemunho da luz.
Foi este o testemunho de João,
quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém,
sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem:
«Quem és tu?»
Ele confessou a verdade e não negou;
ele confessou:
«Eu não sou o Messias».
Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?»
«Não sou», respondeu ele.
«És o Profeta?». Ele respondeu: «Não».
Disseram-lhe então: «Quem és tu?
Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram,
que dizes de ti mesmo?»
Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto:
‘Endireitai o caminho do Senhor’,
como disse o profeta Isaías».
Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram:
«Então, porque baptizas,
se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?»
João respondeu-lhes:
«Eu baptizo em água,
mas no meio de vós está Alguém que não conheceis:
Aquele que vem depois de mim,
a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias».
Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão,
onde João estava a baptizar.
AMBIENTE
O Evangelho segundo João começa com uma composição que se convencionou chamar “prólogo” (cf. Jo 1,1-18). Trata-se, provavelmente, de um primitivo hino cristão conhecido da comunidade joânica, que o autor do Quarto Evangelho adaptou e onde se expressa a fé da comunidade em Cristo, Palavra viva de Deus, enviado ao mundo para concretizar o plano de salvação que Deus tinha para oferecer aos homens. Os primeiros três versículos do texto que hoje nos é proposto (cf. Jo 1,6-8) pertencem a esse “prólogo”.
Depois do “prólogo”, o autor do Quarto Evangelho desenvolve, em várias etapas, a sua catequese sobre Jesus. Na “secção introdutória” que se segue imediatamente ao “prólogo” (cf. Jo 11,19-3,36), ele procura dizer quem é Jesus e definir a sua missão, fazendo entrar sucessivamente em cena várias personagens cuja função é apresentar ao leitor a figura de Jesus. De entre estas personagens, sobressai a figura de João Baptista, o “apresentador” oficial de Jesus. Ele aparece no início (cf. Jo 1,19-37) e no fim (cf. Jo 3,22-36) dessa secção introdutória a dar testemunho sobre Jesus. O corpo central do texto evangélico que hoje nos é proposto apresenta, precisamente, um primeiro testemunho que João dá sobre Jesus, diante dos enviados das autoridades judaicas.
Para percebermos o alcance do diálogo entre João e os líderes judaicos, é preciso ter em conta o ambiente político, social e religioso da Palestina do século I… Dominado pelos romanos, humilhado e impossibilitado de definir o seu destino, afogado em impostos ruinosos, explorado por uma classe dirigente comodamente instalada nos seus privilégios, escravizado por um sistema religioso ritual e legalista, o Povo de Deus vivia na expectativa da chegada do Messias libertador, enviado por Deus para inaugurar uma nova era de liberdade, de alegria, de felicidade. Muitos israelitas estavam dispostos a aproveitar qualquer oportunidade de libertação e eram presa fácil dos falsos messias e dos vendedores de sonhos. As frequentes aventuras messiânicas falhadas só aumentavam a violência, a miséria, a pobreza e a frustração nacional.
A hierarquia religiosa judaica não gostava demasiado de ouvir falar na chegada do Messias. De facto, um dos objectivos do Messias, segundo a concepção corrente, deveria ser a reforma das instituições da hierarquia religiosa judaica, considerada indigna. Não admira, pois, que as autoridades se inquietassem diante da actividade de João.
MENSAGEM
Na primeira parte do nosso texto (vers. 6-8), apresenta-se João. Dele dizem-se duas coisas: que é “um homem” e que foi “enviado por Deus”. O agente principal nesta história é, naturalmente, Deus: é Deus que escolhe esse homem e o envia ao mundo com uma missão concreta. É, habitualmente, esse o “método” de Deus: chama homens, confia-lhes uma missão e, através deles, intervém no mundo. A missão de João é “dar testemunho da luz”. A “luz”, no Quarto Evangelho, representa essa realidade que vem de Deus e com a qual Deus se propõe construir para os homens um mundo novo de vida definitiva e de felicidade total. João não actua por sua própria iniciativa, mas em resposta à escolha divina e para concretizar uma missão que Deus lhe confiou.
Por outro lado, embora enviado por Deus, João não é “a luz” – isto é, ele não tem a capacidade de eliminar as trevas que escurecem e desfeiam a vida dos homens, porque não tem a capacidade de dar vida aos homens. João é apenas “a testemunha” que vem preparar os homens para acolher esse que vai chegar e que será “a luz/vida”.
Na segunda parte do nosso texto (vers. 19-28), temos o “testemunho” de João. A cena coloca-nos diante de uma comissão oficial, enviada de Jerusalém para investigar João e constituída por sacerdotes e levitas (encarregados, entre outras coisas, de vigiar a ortodoxia e a fidelidade à ordem religiosa judaica). No ambiente de messianismo exacerbado da época, a figura de João e o seu testemunho resultam inquietantes para os líderes religiosos judeus…
A comissão investigadora começa por interrogar João com uma pergunta aparentemente inócua: “quem és tu?”. Os interrogadores não tomam posição. Limitam-se a esperar que o próprio João declare a sua posição e as suas intenções. João descarta totalmente a hipótese de ser o Messias. Também não aceita identificar-se com Elias (de acordo com Mal 3,22-23, Elias devia vir preparar o “dia de Jahwéh” – que, no século I era o dia da vinda do Messias libertador, enviado por Deus para construir um mundo novo). Tampouco aceita assumir o título de “o profeta” (este título parece aludir a Dt 18,15 e significava, na época de Jesus, um “segundo Moisés” que deveria aparecer nos últimos tempos). Na verdade, João não aceita que lhe atribuam nenhuma função que possa centrar a atenção na sua própria pessoa. As suas três respostas são rotundas negativas. Ele não busca a sua glória ou a sua afirmação, nem vem em seu próprio nome; a sua missão é meramente dar testemunho da “luz” e é para essa “luz” que os holofotes devem ser apontados.
É dentro deste enquadramento que devemos entender a resposta de João, quando os seus interlocutores o convidam a definir-se: “eu sou uma voz”. “Voz” é um termo relacional que supõe ouvintes a quem é comunicada uma mensagem… A “voz” não tem rosto, é anónima e passa despercebida; o importante é o conteúdo da mensagem. É isso que João é: uma “voz” através da qual Deus passa aos homens uma mensagem. É à mensagem e não à “voz” que os homens devem dar atenção.
A mensagem que a “voz” veicula é: “endireitai o caminho do Senhor”. A expressão é tomada de Is 40,3, numa versão livre. Em Isaías, a expressão é usada no contexto da intervenção salvadora de Deus para fazer regressar à Terra da Liberdade os judeus cativos na Babilónia. Pedia que o Povo instalado e acomodado, desanimado e frustrado fizesse um esforço para acolher os desafios de Deus e aceitasse pôr-se a caminho com Deus em direcção a um futuro novo de vida e de esperança. É essa mesma realidade que João é chamado a acordar no coração do seu Povo.
As respostas negativas de João desconcertam a comissão… Se João não reivindica nenhum dos títulos tradicionais – “Messias”, “Elias”, “o profeta” – a que título é que ele baptiza?
O baptismo ou imersão na água era um símbolo relativamente frequente no judaísmo. Era usado como rito de purificação (por exemplo, para um enfermo curado da sua doença – cf. Lev 14,8) ou para significar a mudança de estado de vida (podia significar, por exemplo, a passagem de uma situação de escravidão a uma situação de liberdade; para os prosélitos, significava o abandono das práticas e crenças pagãs e a adesão ao judaísmo). O baptismo de João significava, provavelmente, a ruptura com a vida das trevas e o desejo de aderir a uma nova vida. Para João seria, apenas, um primeiro passo para acolher “a luz”.
João evita responder directamente à objecção que os fariseus lhe colocam. Ele prefere desvalorizar o seu baptismo com água e apontar para “aquele” que vem e a quem João não é digno “de desatar as correias das sandálias”. Esse é que é “a luz” que vai libertar o homem da escuridão, da cegueira, da mentira, do egoísmo, do pecado. É como se João dissesse: “não vos preocupeis com o baptismo com água que eu administro, pois ele é, apenas, um símbolo de transformação e de adesão a uma nova realidade; mas olhai antes para essa nova realidade que já está no meio de vós e que o Messias vos vai oferecer. É o baptismo do Messias (o baptismo no Espírito) que transformará totalmente os corações dos homens, os fará livres e lhes dará a vida definitiva. Esse que vem baptizar no Espírito já está presente, a fim de iniciar a sua obra libertadora. Procurai conhecê-lo – isto é, escutá-lo e acolher a sua proposta de vida e de libertação”.
A indicação de que os líderes não “conhecem” esse “alguém” que já chegou e do qual João apenas é “a voz” é, provavelmente, uma denúncia da situação em que se encontra a classe dirigente judaica, instalada nos seus privilégios, certezas e preconceitos e muito pouco aberta à novidade e aos desafios de Deus.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar, na reflexão, os seguintes dados:
• A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a endireitar “o caminho do Senhor”. É, na linguagem do Evangelho segundo João, um convite a deixar “as trevas” e a nascer para “a luz”. Implica abandonar a mentira, os comportamentos egoístas, as atitudes injustas, os gestos de violência, os preconceitos, a instalação, o comodismo, a auto-suficiência, tudo o que desfeia a nossa vida, nos torna escravos e nos impede de chegar à verdadeira felicidade. Em termos pessoais, quais são as mudanças que eu tenho de operar na minha existência para passar das “trevas” para a “luz”? O que é que me escraviza e me impede de ser plenamente feliz? O que é que na minha vida gera desilusão, frustração, desencanto, sofrimento?
• A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a olhar para Jesus, pois só Ele é “a luz” e só Ele tem uma proposta de vida verdadeira para apresentar aos homens. À nossa volta abundam os “vendedores de sonhos”, com propostas de felicidade “absolutamente garantida”. Atraem-nos, seduzem-nos, manipulam-nos, escravizam-nos e, quase sempre, deixam-nos decepcionados e infelizes, mais angustiados, mais perdidos, mais frustrados. João garante-nos: só Jesus é “a luz” que liberta os homens da escravidão e das trevas e lhes oferece a vida verdadeira e definitiva. A quem dou ouvidos: às propostas de Jesus, ou às propostas da moda, do politicamente correcto, das pessoas “in” que aparecem dia a dia nas colunas sociais e que ditam o que está certo e está errado à luz dos critérios do mundo? Que significado é que Jesus e a sua proposta assumem no meu dia a dia?
• Jesus marca, realmente, a minha existência? Os valores que Ele veio propor têm peso e impacto nas minhas decisões e opções? Quando celebro o nascimento de Jesus, celebro um acontecimento do passado que deixou a sua marca na história, ou celebro o encontro com alguém que é “a luz” que ilumina a minha existência e que enche a minha vida de paz, de alegria, de liberdade?
• O “homem chamado João”, enviado por Deus “para dar testemunho da luz”, convida-nos a pensar sobre a forma de Deus actuar na história humana e sobre as responsabilidades que Deus nos atribui na recriação do mundo… Deus não utiliza métodos espectaculares e assombrosos para intervir na nossa história e para recriar o mundo; mas Ele vem ao encontro dos homens e do mundo para os envolver no seu amor através de pessoas concretas, com um nome e uma história, pessoas “normais” a quem Deus chama e a quem confia determinada missão. A todos nós, seus filhos, Deus confia uma missão no mundo – a missão de dar testemunho da “luz” e de tornar presente, para os nossos irmãos, a proposta libertadora de Jesus. Tenho consciência de que Deus me chama e me envia ao mundo? Como é que eu respondo ao chamamento de Deus: com disponibilidade e entrega, ou com preguiça, comodismo e instalação?
• A atitude simples e discreta com que João se apresenta é muito sugestiva: ele não procura atrair sobre si as atenções, não usa a missão para a sua glória ou promoção pessoal, não busca a satisfação de interesses egoístas; ele é apenas uma “voz” anónima e discreta que recorda, na sombra, as realidades importantes. João é uma tremenda interpelação para todos aqueles a quem Deus chama e envia… Com ele, o profeta (isto é, todo aquele a quem Deus chama e a quem confia uma missão) deve aprender a ficar na sombra, a ser discreto e simples, de forma a que as pessoas não o vejam a ele mas às realidades importantes que ele propõe.
A atitude dos fariseus e dos líderes judaicos, cheios de preconceitos, preocupados em manter os seus esquemas de poder e instalação, instalados no seu comodismo e nos seus privilégios, impede-os de “conhecer” “a luz” que está a chegar. Trata-se de um aviso, para nós: quando nos instalamos no nosso comodismo, no nosso bem-estar, na nossa auto-suficiência, fechamos o coração à novidade e aos desafios que Deus nos faz… Dessa forma, não reconhecemos Jesus quando Ele vem ao nosso encontro e não O deixamos entrar na nossa vida. A liturgia convida-nos, neste Advento, à desinstalação, a fim de que o Senhor que vem possa nascer na nossa vida.