"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























sábado, 14 de agosto de 2021

inPRENSA semanal (07-08 a 13-08-2021): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.



O aeroporto de São Francisco está cheio de cobras – e essa é uma boa notícia
V, L e W foram descartadas. Agora, a retoma em “K” é o problema da economia portuguesa
Messi em lágrimas no adeus ao Barcelona. “Pensava que ia continuar em casa”
Operação Marquês. Salgado quer pagar para não ir a julgamento
Covid-19: Investigador avisa para "uma ligeira onda" este mês com abertura do país
Papa convida famílias a retomar tempos de oração à refeição
Vaticano vai lançar "Pacto Global sobre a Família"
Tóquio disse “sayonara” aos Jogos Olímpicos (e Portugal teve um desempenho sem precedentes)
Anticorpos caem a pique três meses depois da vacina
Do fundo do mar, uma luz de esperança contra o cancro
Correios italianos intercetam carta suspeita com três balas dirigida ao Papa
A Terra está a arder. Quatro pontos onde podemos melhorar como cidadãos
Fátima, China e os “funcionários do Governo” que “iam tentar injectar veneno” a Ventura
O dia do fim do mundo
“Bolsonaro já era uma vergonha nacional. Agora se torna vergonha internacional”: a história de um desfile militar
Covid-19: Lusodescendente diz que família morreu em Portugal após recusar vacina
Trump, Obama e a “pós-verdade”
Papa nomeia mulher distinguida com o Nobel da Física para Academia Pontifícia das Ciências
Covid-19. Não atingir imunidade de grupo “não é nenhum drama”
Dinheiro fácil
Bolsonaro arguido por divulgação de documentos sigilosos

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

LIVRO&LEITURA: “Sétimo dia”

«Em “Sétimo dia” de Daniel Faria, cinco homens repartem perspetivas sobre a ideia de ocupação e coincidem no desejo de alcançar uma certa ideia de existência transcendente sem depor a medida humana a partir da qual cada um se foi fazendo lugar. Cada homem permanece em redor da raiz da sua condição, mesmo quando na enunciação das dúvidas, dores e amarguras se faz pressentir o rumor da mudança aguardada. Cada voz é também o anunciar de um degrau no caminho do reencontro com a palavra poética na expressão da “fé inabalável no mistério que inclina / Os homens para dentro” e na representação das depurações da semente na difícil ascensão para a vida do espírito.» Leia excertos AQUI.

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

LIVRO&LEITURA: “O que aprendi em Auschwitz – 12 lições para mudar a sua vida”

Aos 93 anos, Edith Eger diz à Renascença que continua a aprender a lidar com o passado. Fala do que é preciso para ultrapassar o pior dos outros e as rasteiras da vida, sejam doenças, crises, perdas devastadoras ou a pressão dos resultados. Para saber mais clicar AQUI.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

LIVRO&LEITURA: “Noite escura”

«Breve e inacabada como está, transmite tal força doutrinal e literária, que se tornou insubstituível. João da Cruz teve a experiência e analisou-a, revelando o seu sentido e a sua estrutura. É uma obra que contém algo de enigmático e atraente. Os crentes acolhem-na com emoção, porque, sendo uma obra fundamentalmente mística, sentem uma rara afinidade espiritual com a experiência nela relatada.» É nestes termos que as Edições Carmelo apresentam a “Noite escura”, de S. João da Cruz, «obra clássica» que vai ser publicada nos próximos dias, na qual se narra e aponta para «uma experiência humana primordial»: o ser humano caminha «à base de conquistas e renúncias permanentes, e a sua fidelidade a uma vocação obriga-o a dar continuamente passos no desconhecido». Para saber mais clicar AQUI.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

MÚSICA: JOSÉ AFONSO no dia em que fazia 92 anos

AQUI concerto de homenagem e AQUI o documentário "José Afonso: Traz Outro Amigo Também". Não só, mas também e sobretudo, à consideração de quem de direito:  
"José Afonso deveria ter sido Nobel. Quem quiser que me critique: a poesia do Zeca é incomparavelmente mais bonita que a do Dylan... Além disso, Bob Dylan nunca enfrentou um regime ditatorial como aquele que o Zeca enfrentou" - lembrado&dito por este senhor AQUI 

domingo, 8 de agosto de 2021

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
10. Os 8 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  
11.  Os 11 conselhos para viver a Missa mais profundamente AQUI.
Então:
Tema do 19º Domingo do Tempo Comum - Ano B
A liturgia do 19º Domingo do Tempo Comum dá-nos conta, uma vez mais, da preocupação de Deus em oferecer aos homens o "pão" da vida plena e definitiva. Por outro lado, convida os homens a prescindirem do orgulho e da auto-suficiência e a acolherem, com reconhecimento e gratidão, os dons de Deus.
A primeira leitura mostra como Deus Se preocupa em oferecer aos seus filhos o alimento que dá vida. No "pão cozido sobre pedras quentes" e na "bilha de água" com que Deus retempera as forças do profeta Elias, manifesta-se o Deus da bondade e do amor, cheio de solicitude para com os seus filhos, que anima os seus profetas e lhes dá a força para testemunhar, mesmo nos momentos de dificuldade e de desânimo.
O Evangelho apresenta Jesus como o "pão" vivo que desceu do céu para dar a vida ao mundo. Para que esse "pão" sacie definitivamente a fome de vida que reside no coração de cada homem ou mulher, é preciso "acreditar", isto é, aderir a Jesus, acolher as suas propostas, aceitar o seu projecto, segui-l'O no "sim" a Deus e no amor aos irmãos.
A segunda leitura mostra-nos as consequências da adesão a Jesus, o "pão" da vida... Quando alguém acolhe Jesus como o "pão" que desceu do céu, torna-se um Homem Novo, que renuncia à vida velha do egoísmo e do pecado e que passa a viver no caridade, a exemplo de Cristo.
EVANGELHO - Jo 6,41-51
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
os judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito:
«Eu sou o pão que desceu do Céu».
E diziam: «Não é ele Jesus, o filho de José?
Não conhecemos o seu pai e a sua mãe?
Como é que Ele diz agora: 'Eu desci do Céu'?»
Jesus respondeu-lhes:
«Não murmureis entre vós.
Ninguém pode vir a Mim,
se o Pai, que Me enviou, não o trouxer;
e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia.
Está escrito no livro dos Profetas:
'Serão todos instruídos por Deus'.
Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino
vem a Mim.
Não porque alguém tenha visto o Pai;
só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai.
Em verdade, em verdade vos digo:
Quem acredita tem a vida eterna.
Eu sou o pão da vida.
No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram.
Mas este pão é o que desce do Céu
para que não morra quem dele comer.
Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne,
que Eu darei pela vida do mundo».
AMBIENTE
No seu "Livro dos Sinais" (cf. Jo 4,1-11,56), João apresenta-nos um conjunto de cinco catequeses sobre Jesus; e, em cada uma delas, usando diferentes símbolos, Jesus é apresentado como o Messias que veio ao mundo para cumprir o plano do Pai e fazer aparecer um Homem Novo. Todas essas catequeses ("Jesus, a água que dá a vida" - cf. Jo 4,1-5,47; "Jesus, o verdadeiro pão que sacia todas as fomes" - cf. Jo 6,1-7,53; "Jesus, a luz que liberta o homem das trevas" - cf. Jo 8,12-9,41; "Jesus, o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas" - cf. Jo 10,1-42; "Jesus, vida e ressurreição para o mundo" - cf. Jo 11,1-56) terminam com uma secção onde se manifesta a oposição dos judeus a essa vida nova que Jesus veio propor aos homens. João vai, dessa forma, preparando os seus leitores para aquilo que vai acontecer em Jerusalém no final da caminhada histórica de Jesus: a morte na cruz.
O texto que nos é hoje proposto apresenta-nos uma dessas histórias de confronto entre Jesus e os judeus. No final do discurso explicativo da multiplicação dos pães e dos peixes, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum (cf. Jo 6,22-40), Jesus propusera-Se como "o Pão da vida" e convidara os seus interlocutores a aderirem à sua proposta para nunca mais terem fome. O nosso texto é a sequência desse episódio. Refere a murmuração dos judeus a propósito das palavras de Jesus e descreve a controvérsia que se seguiu.
MENSAGEM
Os interlocutores de Jesus não aceitam a sua pretensão de Se apresentar como "o pão que desceu do céu". Eles conhecem a sua origem humana, sabem que o seu pai é José, conhecem a sua mãe e a sua família; e, na sua perspectiva, isso exclui uma origem divina (vers. 41). Em consequência, eles não podem aceitar que Jesus Se arrogue a pretensão de trazer aos homens a vida de Deus.
Em lugar de discutir a questão da sua origem divina, Jesus prefere denunciar aquilo que está por detrás da atitude negativa dos judeus face à proposta que lhes é feita: eles não têm o coração aberto aos dons de Deus e recusam-se a aceitar os desafios de Deus... O Pai apresenta-lhes Jesus e pede-lhes que vejam em Jesus o "pão" de Deus para dar vida ao mundo; mas os judeus, instalados nas suas certezas, amarrados às suas seguranças, acomodados a um sistema religioso ritualista, estéril e vazio, já decidiram que não têm fome de vida e que não precisam para nada do "pão" de Deus. Não estão, portanto, dispostos, a acolher Jesus, "o pão que desceu do céu" (vers. 43-46). Eles não escutam Jesus, porque estão instalados num esquema de orgulho e de auto-suficiência e, por isso, não precisam de Deus.
Para aqueles que, efectivamente, O querem aceitar como "o pão de Deus que desceu do céu", Jesus traz a vida eterna. Ele "é", de facto, o "pão" que permite ao homem saciar a sua fome de vida ("Eu sou o pão da vida" - vers. 48). A expressão "Eu sou" é uma fórmula de revelação (correspondente ao nome de Deus - "Eu sou aquele que sou" - tal como aparece em Ex 3,14) que manifesta a origem divina de Jesus e a validade da proposta de vida que Ele traz. Quem adere a Jesus e à proposta que Ele veio apresentar ("quem acredita" - vers. 47) encontra a vida definitiva. O que é decisivo, neste processo, é o "acreditar" - isto é, o aderir efectivamente a Jesus e aos valores que Ele veio propor.
Essa vida que Jesus está disposto a oferecer não é uma vida parcial, limitada e finita; mas é uma vida verdadeira e eterna. Para sublinhar esta realidade, Jesus estabelece um paralelo entre o "pão" que Ele veio oferecer e o maná que os israelitas comeram ao longo da sua caminhada pelo deserto... No deserto, os israelitas receberam um pão (o maná) que não lhes garantia a vida eterna e definitiva e que nem sequer lhes assegurava o encontro com a terra prometida e com a liberdade plena (alimentada pelo antigo maná, a geração saída da escravidão do Egipto nunca conseguiu apropriar-se da vida em plenitude e nem sequer chegou a alcançar essa terra da liberdade que buscavam); mas o "pão" que Jesus quer oferecer ao homem levará o homem a alcançar a meta da vida plena (vers. 49-50). "Vida plena" não indica aqui, apenas, um "tempo" sem fim; mas indica, sobretudo, uma vida com uma qualidade única, com uma qualidade ilimitada - uma vida total, a vida do homem plenamente realizado.
Jesus vai dar a sua "carne" ("o pão que Eu hei-de dar é a minha carne" - vers. 51) para que os homens tenham acesso a essa vida plena, total, definitiva. Jesus estará aqui a referir-se à sua "carne" física? Não. A "carne" de Jesus é a sua pessoa - essa pessoa que os discípulos conhecem e que se lhes manifesta, todos os dias, em gestos concretos de amor, de bondade, de solicitude, de misericórdia. Essa "pessoa" revela-lhes o caminho para a vida verdadeira: nas atitudes, nas palavras de Jesus, manifesta-se historicamente ao mundo o Deus que ama os homens e que os convida, através de gestos concretos, a fazer da vida um dom e um serviço de amor.
ACTUALIZAÇÃO
• Repetindo o tema central do texto que reflectimos no passado domingo, também o Evangelho que hoje nos é proposto nos convida a acolher Jesus como o "pão" de Deus que desceu do céu para dar a vida aos homens... Para nós, seguidores de Jesus, esta afirmação não é uma afirmação de circunstância, mas um facto que condiciona a nossa existência, as nossas opções, todo o nosso caminho. Jesus, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, com o seu amor, com a sua proposta, veio dizer-nos como chegar à vida verdadeira e definitiva. Que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? É à volta d'Ele que construímos a nossa existência? O projecto que Ele veio propor-nos tem um real impacto na nossa caminhada e nas opções que fazemos em cada instante?
• "Quem acredita em Mim, tem a vida eterna" - diz-nos Jesus. "Acreditar" não é, neste contexto, aceitar que Ele existiu, conhecer a sua doutrina, ou elaborar altas considerações teológicas a propósito da sua mensagem... "Acreditar" é aderir, de facto, a essa vida que Jesus nos propôs, viver como Ele na escuta constante dos projectos do Pai, segui-l'O no caminho do amor, do dom da vida, da entrega aos irmãos; é fazer da própria vida - como Ele fez da sua - uma luta coerente contra o egoísmo, a exploração, a injustiça, o pecado, tudo o que desfeia a vida dos homens e traz sofrimento ao mundo. Eu posso dizer, com verdade e objectividade, que "acredito" em Jesus?
• No seu discurso, Jesus faz referência ao maná como um alimento que matou a fome física dos israelitas em marcha pelo deserto, mas que não lhes deu a vida definitiva, não lhes transformou os corações, não lhes assegurou a liberdade plena e verdadeira (só o "pão" que Jesus oferece sacia verdadeiramente a fome de vida do homem). O maná pode representar aqui todas essas propostas de vida que, tantas vezes, atraem a nossa atenção e o nosso interesse, mas que vêm a revelar-se falíveis, ilusórias, parciais, porque não nos libertam da escravidão nem geram vida plena. É preciso aprendermos a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança no "pão" que não sacia a nossa fome de vida definitiva; é necessário aprendermos a discernir entre o que é ilusório e o que é eterno; é preciso aprendermos a não nos deixarmos seduzir por falsas propostas de realização e de felicidade; é necessário aprendermos a não nos deixarmos manipular, aceitando como "pão" verdadeiro os valores e as propostas que a moda ou a opinião pública dominante continuamente nos oferecem...
• Porque é que os judeus rejeitam a proposta de Jesus e não estão dispostos a aceitá-l'O como "o pão que desceu do céu"? Porque vivem instalados nas suas grandes certezas teológicas, prisioneiros dos seus preconceitos, acomodados num sistema religioso imutável e estéril e perderam a faculdade de escutar Deus e de se deixar desafiar pela novidade de Deus. Eles construíram um Deus fixo, calcificado, previsível, rígido, conservador, e recusam-se a aceitar que Deus encontre sempre novas formas de vir ao encontro dos homens e de lhes oferecer vida em abundância. Esta "doença" de que padecem os líderes e "fazedores" de opinião do mundo judaico não é assim tão rara... Todos nós temos alguma tendência para a acomodação, a instalação, o aburguesamento; e quando nos deixamos dominar por esse esquema, tornamo-nos prisioneiros dos ritos, dos preconceitos, das ideias política ou religiosamente correctas, de catecismos muito bem elaborados mas parados no tempo, das elaborações teológicas muito coerentes e muito bem arrumadas mas que deixam pouco espaço para o mistério de Deus e para os desafios sempre novos que Deus nos faz. É preciso aprendermos a questionar as nossas certezas, as nossas ideias pré-fabricadas, os esquemas mentais em que nos instalamos comodamente; é preciso termos sempre o coração aberto e disponível para esse Deus sempre novo e sempre dinâmico, que vem ao nosso encontro de mil formas para nos apresentar os seus desafios e para nos oferecer a vida em abundância.
BILHETE DE EVANGELHO.
Antes de nos pormos a caminho para receber o Pão da Vida, Jesus recorda-nos que, antes de mais, somos convidados, que é Deus que dá o primeiro passo: "Felizes os convidados para a ceia do Senhor!" De seguida, pede-nos que façamos um acto de fé: "Dizei uma palavra e serei salvo!" Crer n'Aquele que Deus enviou... Crer, isto é, ter confiança nas suas palavras e nos seus gestos. Aquele que tem confiança sabe que não ficará decepcionado. O que Cristo quer é que vivamos plenamente, enquanto vamos ao seu encontro: a sua palavra é alimento, a sua carne (a sua pessoa) é alimento, com Ele ficamos saciados. Ele vem até nós para que vivamos d'Ele e, por Ele, a nossa vida ganhe sentido, os nossos gestos possam dar a vida, as nossas palavras possam exprimir a ternura, a nossa oração se torne relação filial com o Pai.
À ESCUTA DA PALAVRA.
Os judeus recriminavam Jesus: "Esse homem não é Jesus, filho de José? Conhecemos bem seu pai e sua mãe. Como pode dizer «Eu desci do céu»?" Os adversários de Jesus discutiam a sua origem e a sua pretensão exorbitante. Devemos reconhecer que a dificuldade dos compatriotas não era pequena. Jesus não tinha nada de extraterrestre. Se estivéssemos lá, talvez tivéssemos a mesma atitude... Ora, para descobrir o mistério profundo de Jesus, é preciso ir para além das aparências. Para conhecer Jesus, é preciso acolher a luz que vem da Palavra de Deus, ter o olhar da fé. A fé é uma "luz obscura", pede um salto numa "confiança nocturna", na noite. Isso verifica-se já nas nossas relações humanas de amor e de amizade. A fé-confiança não é uma evidência "científica" que leva a uma adesão imediata da inteligência. A fé só se pode aceitar e viver numa relação de amor, de amizade. Para além das aparências... Só podemos aceitar a Palavra de Jesus se nos abrirmos a Deus. Jesus pede aos seus discípulos para terem confiança: "Crede em Deus, crede também em Mim". A fé é uma graça, um dom gratuito. Mas é também um combate, segundo São Paulo: "Combati até ao fim o bom combate... guardei a fé". Em definitivo, somos reenviados a uma escolha que, certamente, não suprime as exigências da nossa razão, mas ultrapassa-as, porque aceitamos entrar numa relação de amor e de amizade com Jesus, "o filho de José", que reconhecemos também como "o Filho de Deus".
PARA A SEMANA QUE SE SEGUE...
Saborear Deus, saborear a bondade da Criação... O verão presta-se muito particularmente, em qualquer lugar onde estivermos, a fazer-nos saborear a bondade do Senhor através da beleza da sua Criação. Paisagens, elementos naturais, animais, astros, etc... E, no cume, as pessoas que encontramos, todas criadas à imagem do Criador!
FONTE: https://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=3416

e/ou no vídeo AQUI.

«O pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo»
«O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue» (1Cor 11,23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. [...] A Igreja recebeu a Eucaristia de Cristo seu Senhor, não como um dom, embora precioso, entre muitos outros, mas como o dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua Pessoa na sua humanidade sagrada, e também da sua obra de salvação. Esta não fica circunscrita no passado, pois «tudo o que Cristo é, tudo o que fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim transcende todos os tempos e em todos se torna presente» (CIC, 1085).
Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e «realiza-se também a obra da nossa redenção» (Vaticano II, «Lumen Gentium», 3) Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo o realizou e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim, cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável. É esta verdade que desejo recordar mais uma vez, colocando-me convosco, meus queridos irmãos e irmãs, em adoração diante deste mistério: mistério grande, mistério de misericórdia. Que mais poderia Jesus ter feito por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia, Ele demonstra-nos um amor levado até «ao extremo» (Jo 13,1), um amor sem medida.
São João Paulo II (1920-2005), papa, Encíclica «Ecclesia de Eucharistia», § 11

Aprendei de mim, estancai a hemorragia de humanidade da História
Eu sou pão, mas não como o é um punhado de farinha e água que passou pelo fogo: pão porque o meu trabalho é alimentar o fundo da vida. Eu sou Céu que desce à Terra. Terra com Céu é jardim. Sem, é pó sem respiração. Na sinagoga levanta-se a contestação: mas que pão e que céu! Sabemos tudo de ti e da tua família… E aqui está a chave da narrativa. Jesus tem em si algo que está para além. Algo que vale por toda a realidade: há uma parte de Céu que compõe a Terra; um além que habita as coisas; o nosso segredo não está em nós, está para além de nós. Para saber mais clicar AQUI.

sábado, 7 de agosto de 2021

inPRENSA semanal (31-07 a 6-08-2021): a minha selecção!

Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.




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segunda-feira, 2 de agosto de 2021

FÉRIAS&LAZER: JESUS FAZIA FÉRIAS? – AULAS DE DESCANSO

Hoje damos-te a conhecer uma reflexão AQUI, do P. Vasco Pinto de Magalhães, sj sobre a importância do descanso. Para o sacerdote jesuíta, "descansar, mais do que não trabalhar, é agir de outro modo". O descanso, embora "entremeado de cansaços e percalços, vulnerável", pode ser "crescente e englobante se, vivendo à maneira de Cristo as nossas relações com a natureza, connosco próprios, com os outros e com o próprio Deus, nos tornarmos concriadores e criativos". 

domingo, 1 de agosto de 2021

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

 Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
10. Os 8 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  
11.  Os 11 conselhos para viver a Missa mais profundamente AQUI.

Então:
Tema do 18º Domingo do Tempo Comum - Ano B
A liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum repete, no essencial, a mensagem das leituras do passado domingo. Assegura-nos que Deus está empenhado em oferecer ao seu Povo o alimento que dá a vida eterna e definitiva.
A primeira leitura dá-nos conta da preocupação de Deus em oferecer ao seu Povo, com solicitude e amor, o alimento que dá vida. A acção de Deus não vai, apenas, no sentido de satisfazer a fome física do seu Povo; mas pretende também (e principalmente) ajudar o Povo a crescer, a amadurecer, a superar mentalidades estreitas e egoístas, a sair do seu fechamento e a tomar consciência de outros valores.
No Evangelho, Jesus apresenta-Se como o "pão" da vida que desceu do céu para dar vida ao mundo. Aos que O seguem, Jesus pede que aceitem esse "pão" - isto é, que escutem as palavras que Ele diz, que as acolham no seu coração, que aceitem os seus valores, que adiram à sua proposta.
A segunda leitura diz-nos que a adesão a Jesus implica o deixar de ser homem velho e o passar a ser homem novo. Aquele que aceita Jesus como o "pão" que dá vida e adere a Ele, passa a ser uma outra pessoa. O encontro com Cristo deve significar, para qualquer homem, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se situar face a Deus, face aos irmãos, face a si próprio e face ao mundo.
EVANGELHO - Jo 6,24-35
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
quando a multidão viu
que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago,
subiram todos para as barcas
e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus.
Ao encontrá-l'O no outro lado do mar, disseram-Lhe:
«Mestre, quando chegaste aqui?»
Jesus respondeu-lhes:
«Em verdade, em verdade vos digo:
vós procurais-Me, não porque vistes milagres,
mas porque comestes dos pães e ficastes saciados.
Trabalhai, não tanto pela comida que se perde,
mas pelo alimento que dura até à vida eterna
e que o Filho do homem vos dará.
A Ele é que o Pai, o próprio Deus,
marcou com o seu selo».
Disseram-Lhe então:
«Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?»
Respondeu-lhes Jesus:
«A obra de Deus
consiste em acreditar n'Aquele que Ele enviou».
Disseram-Lhe eles:
«Que milagres fazes Tu,
para que nós vejamos e acreditemos em Ti?
Que obra realizas?
No deserto os nossos pais comeram o maná,
conforme está escrito:
'Deu-lhes a comer um pão que veio do céu'».
Jesus respondeu-lhes:
«Em verdade, em verdade vos digo:
Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu;
meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu.
O pão de Deus é o que desce do Céu
para dar a vida ao mundo».
Disseram-Lhe eles:
«Senhor, dá-nos sempre desse pão».
Jesus respondeu-lhes:
«Eu sou o pão da vida:
quem vem a Mim nunca mais terá fome,
quem acredita em Mim nunca mais terá sede».
AMBIENTE
No passado domingo, João contou-nos como Jesus alimentou a multidão com cinco pães e dois peixes, na "outra" margem do Lago de Tiberíades (cf. Jo 6,1-15). Ao "cair da tarde" desse dia, Jesus e os discípulos voltaram a Cafarnaum (cf. Jo 6,16-21).
O episódio que o Evangelho de hoje nos apresenta situa-nos em Cafarnaum, no "dia seguinte" ao episódio da multiplicação dos pães e dos peixes. Nessa manhã, a multidão que tinha sido alimentada pelos pães e pelos peixes multiplicados e que ainda estava do "outro lado" do lago apercebeu-se de que Jesus tinha regressado a Cafarnaum e dirigiu-se ao seu encontro.
A multidão encontra Jesus na sinagoga de Cafarnaum - uma cidade situada na margem ocidental do Lago e à volta da qual se desenrola uma parte significativa da actividade de Jesus na Galileia. Confrontado com a multidão, Jesus profere um discurso (cf. Jo 6,22-59) que explica o sentido do gesto precedente (a multiplicação dos pães e dos peixes).
MENSAGEM
A cena inicial (vers. 24) parece sugerir, à primeira vista, que a pregação de Jesus alcançou um êxito total: a multidão está entusiasmada, procura Jesus com afã e segue-O para todo o lado. Aparentemente, a missão de Jesus não podia correr melhor.
Contudo, Jesus percebe facilmente que a multidão está equivocada e que O procura pelas razões erradas. Na verdade, a multiplicação dos pães e dos peixes pretendeu ser, por parte de Jesus, uma lição sobre amor, partilha e serviço; mas a multidão não foi sensível ao significado profundo do gesto, ficou-se pelas aparências e só percebeu que Jesus podia oferecer-lhe, de forma gratuita, pão em abundância. Assim, o facto de a multidão procurar Jesus e Se dirigir ao seu encontro não significa que tenha aderido à sua proposta; significa, apenas, que viu em Jesus um modo fácil e barato de resolver os seus problemas materiais.
Na verdade, o gesto de repartir pela multidão os pães e os peixes gerou um perigoso equívoco. Jesus está consciente de que é preciso desfazer, quanto antes, esse mal-entendido. Por isso, nem sequer responde à pergunta inicial que Lhe põem ("Mestre, quando chegaste aqui?" - vers. 25); mas, mal se encontra diante da multidão, procura esclarecer coisas bem mais importantes do que a hora da sua chegada a Cafarnaum... As palavras que Jesus dirige àqueles que O rodeiam põem o problema da seguinte forma: eles não procuram Jesus, mas procuram a resolução dos seus problemas materiais (vers. 26). Trata-se de uma procura interesseira e egoísta, que é absolutamente contrária à mensagem que Jesus procurou passar-lhes. Depois de identificar o problema, Jesus deixa-lhes um aviso: é preciso esforçar-se por conseguir, não só o alimento que mata a fome física, mas sobretudo o alimento que sacia a fome de vida que todo o homem tem. A multidão, ao preocupar-se apenas com a procura do alimento material, está a esquecer o essencial - o alimento que dá vida definitiva. Esse alimento que dá a vida eterna é o próprio Jesus que o traz (vers. 27).
O que é preciso fazer para receber esse pão? - pergunta-se a multidão (vers. 28). A resposta de Jesus é clara: é preciso aderir a Jesus e ao seu projecto (vers. 28). Na cena da multiplicação dos pães, a multidão não aderiu ao projecto de Jesus (que falava de amor, de partilha, de serviço); apenas correu atrás do profeta milagreiro que distribuía pão e peixes gratuitamente e em abundância... Mas, para receber o alimento que dá vida eterna e definitiva, é preciso, que a multidão acolha as propostas de Jesus e aceite viver no amor que se faz dom, na partilha daquilo que se tem com os irmãos, no serviço simples e humilde aos outros homens. É acolhendo e interiorizando esse "pão" que se adquire a vida que não acaba.
Os interlocutores de Jesus não estão, no entanto, convencidos de que esse "pão" garanta a vida definitiva. Custa-lhes a aceitar que a vida eterna resulte do amor, do serviço, da partilha. O que é que garante, perguntam eles, que esse seja um caminho verdadeiro para a vida definitiva (vers. 30)? Qual a prova de que a realização plena do homem passe pelo dom da própria vida aos demais? Porque é que Jesus não realiza um gesto espectacular - como Moisés, que fez chover do céu o maná, não apenas para cinco mil pessoas, mas para todo o Povo e de forma continuada - para provar que a proposta que Ele faz é verdadeiramente uma proposta geradora de vida (vers. 31)?
Jesus responde pondo a questão da seguinte forma: o maná foi um dom de Deus para saciar a fome material do seu Povo; mas o maná não é esse "pão" que sacia a fome de vida eterna do homem. Só Deus dá aos homens, de forma contínua, a vida eterna; e esse dom do Pai não veio ao encontro dos homens através de Moisés, mas através de Jesus (vers. 32-33). Portanto, o importante não é testemunhar gestos espectaculares, que deslumbram e impressionam mas não mudam nada; mas é acolher a proposta que Jesus faz e vivê-la nos gestos simples de todos os dias.
A última frase do nosso texto identifica o próprio Jesus, já não com o "portador" do pão, mas como o próprio pão que Deus quer oferecer ao seu Povo para lhe saciar a fome e a sede de vida (vers. 35). "Comê-lo" será escutar a sua Palavra, acolher a sua proposta, assimilar os seus valores, interiorizar o seu jeito de viver, fazer da vida (como Jesus fez) um dom total de amor aos irmãos. Seguindo Jesus, acolhendo a sua proposta no coração e deixando que ela se transforme em gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, o homem encontrará essa "qualidade" de vida que o leva à sua realização plena, à vida eterna.
ACTUALIZAÇÃO
• O caminho que percorremos nesta terra é sempre um caminho marcado pela procura da nossa realização, da nossa felicidade, da vida plena e verdadeira. Temos fome de vida, de amor, de felicidade, de justiça, de paz, de esperança, de transcendência e procuramos, de mil formas, saciar essa fome; mas continuamos sempre insatisfeitos, tropeçando na nossa finitude, em respostas parciais, em tentativas falhadas de realização, em esquemas equívocos, em falsas miragens de felicidade e de realização, em valores efémeros, em propostas que parecem sedutoras mas que só geram escravidão e dependência... Na verdade, o dinheiro, o poder, a realização profissional, o êxito, o reconhecimento social, os prazeres, os amigos são valores efémeros que não chegam para "encher" totalmente a nossa vida e para lhe dar um sentido pleno. Como podemos "encher" a nossa vida e dar-lhe pleno significado? Onde encontrar o "pão" que mata a nossa fome de vida?
• Jesus de Nazaré é o "pão de Deus que desce do céu para dar a vida ao mundo". É esta a questão central que o Evangelho deste domingo nos propõe. É em Jesus e através de Jesus que Deus sacia a fome e a sede dos homens e lhes oferece a vida em plenitude. Isto leva-nos às seguintes questões: que lugar é que Jesus ocupa na nossa vida? Ele é, verdadeiramente, a coordenada fundamental à volta da qual construímos a nossa existência? Para nós, Jesus é uma figura do passado (embora tenha sido um homem excepcional) que a história absorveu e digeriu, ou é o Deus que continua vivo e a caminhar ao nosso lado, oferecendo-nos vida em plenitude? Ele é "mais uma" das nossas referências (ao lado de tantas outras) ou a nossa referência fundamental? Ele é alguém a quem adoramos, com respeito e à distância, ou o irmão que nos indica o caminho, que nos propõe valores, que condiciona a nossa atitude face a Deus, face aos irmãos e face ao mundo?
O que é preciso fazer para ter acesso a esse "pão de Deus que desce do céu para dar a vida ao mundo"? De acordo com o Evangelho deste domingo, a resposta é clara: é preciso aderir ("acreditar") a Jesus, o "pão" que o Pai enviou ao mundo para saciar a fome dos homens. Aderir a Jesus é escutar o seu chamamento, acolher a sua Palavra, assumir e interiorizar os seus valores, segui-l'O no caminho do amor, da partilha, do serviço, da entrega da vida a Deus e aos irmãos. Trata-se de uma adesão que deve ser consequente e traduzir-se em obras concretas. Não chegam declarações de boas intenções, ou actos institucionais que nos fazem constar dos livros de registo da nossa paróquia; aderir a Jesus é assumir o seu estilo de vida e fazer da própria vida um dom de amor, até à morte.
• No Evangelho deste domingo, Jesus mostra-Se profundamente incomodado quando constata que a multidão o procura pelas razões erradas e, sem preâmbulos, apressa-Se em desfazer os equívocos. Ele não quer, de forma nenhuma, que as pessoas O sigam por engano, ou iludidas. Há, aqui, um convite implícito a repensarmos as razões porque nos envolvemos com Cristo... É um equívoco procurar o Baptismo porque é uma tradição da nossa cultura; é um equívoco celebrar o matrimónio na Igreja porque, assim, a cerimónia é mais espectacular e proporciona fotografias mais bonitas; é um equívoco assumir tarefas na comunidade cristã para nos auto-promovermos ou para resolvermos os nossos problemas materiais; é um equívoco receber o sacramento da Ordem porque o sacerdócio nos proporciona uma vida cómoda e tranquila; é um equívoco praticarmos certos actos de piedade para que Jesus nos recompense, nos livre de desgraças, nos pague resolvendo algumas das nossas necessidades materiais... A nossa adesão a Jesus deve partir de uma profunda convicção de que só Ele é o "pão" que nos dá vida.
• A recusa de Jesus em realizar gestos espectaculares (como fazer o maná cair do céu), mostra que, normalmente, Deus não vem ao encontro do homem para lhe oferecer a sua vida em gestos portentosos, que deixam toda a gente espantada e que testemunham, de forma inequívoca, a sua presença no mundo; mas Deus actua na vida do homem de forma discreta, embora duradoura e permanente. Deus vem, todos os dias, ao encontro do homem e, sem forçar nem se impor, convida-o a escutar a Palavra de Jesus, propõe-lhe a adesão a Jesus e ao seu projecto, ensina-lhe os caminhos do amor, da partilha, do serviço. Convém que nos familiarizemos com os métodos de Deus, para o conseguirmos perceber e encontrar, no caminho da nossa vida.
e/ou no vídeo AQUI.

«Eu sou o pão da vida: quem vem a Mim nunca mais terá fome»
Diz a Escritura, falando da ternura de Deus pelo mundo, que «tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito», Jesus (Jo 3,16), para ser como nós e nos trazer a boa nova de que Deus é amor, de que Deus vos ama e me ama. Deus quer que nos amemos uns aos outros como Ele ama cada um de nós (cf Jo 13,34).
Olhando para a cruz, ficamos a saber até que ponto Jesus nos amou. Quando olhamos para a eucaristia, sabemos quanto nos ama agora. Foi por isso que Se fez «pão de vida»: para satisfazer a nossa fome do seu amor; e, como se não bastasse, tornou-Se Ele próprio o faminto, o indigente, o sem abrigo, para que vós e eu pudéssemos satisfazer a sua fome do nosso amor humano. Porque foi para isso que fomos criados, para amar e ser amados.
Santa Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade, «The Word To Be Spoken», cap. 6

Este verão começa uma história de amor
A narrativa do Evangelho proclamado nas missas de hoje, em que Jesus se declara «pão da vida» (João 6, 24-35), inspirou as palavras que o papa Francisco pronunciou antes da oração do Angelus, recitada do palácio apostólico para a praça de S. Pedro, no Vaticano. Para saber mais clicar AQUI.

Nunca será demais repetir: No coração da vida do cristão está a fé, não a lei
«Que devemos fazer para realizar a vontade de Deus?» Jesus, em resposta, revela a obra, o agir por excelência, que apesar de parecer uma não ação, algo a que segundo o sentir humano falta concretude: a ação das ações, a ação por excelência que Deus quer e pede é acreditar, aderir àquilo que Ele mandou. A única obra é a fé, diz Jesus. É obra de Deus porque permite a Deus trabalhar no ser humano, na História, na vida daquele que acredita. Para saber mais clicar AQUI.

COMEMORAÇÃO/RECORDAÇÃO: Música para abrir os olhos

Seria oportuno refletir sobre uma sociedade que para se dar conta do próximo em sofrimento precisa das indicações da celebridade de turno, mas é um facto que o Concerto para o Bangladesh, no Madison Square Garden de Nova Iorque no primeiro de agosto de há cinquenta anos, inaugurou uma série de espetáculos beneficentes que de vez em quanto viram os músicos de rock empenharem-se para combater a fome em África, o apartheid na África do Sul ou a crise económica e alimentar no Camboja...

Passaram cinquenta anos, mas as duras bátegas continuam a cair, talvez muito mais do que em 1971, como bem sabem os milhões de refugiados que a cada dia são obrigados a fugir das guerras e das devastações climáticas. Uma canção não servirá, decerto, para mudar as coisas, mas hoje como então pode servir para fazer abrir os olhos e os corações. Para saber mais clicar AQUI e AQUI. Então, como AQUI vem muito bem explanado, deslindado e fundamentado, "O mundo precisa de concertos". 

E como já sou "moço" para ter juízo, memórias&saudades, dá-me para isto. Isto de trazer, partilhando, algumas das muitas...como, por exemplo, estas.