"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quarta-feira, 10 de abril de 2019

ESPIRITUALIDADE: pensar QUARESMA

Tibieza
A tibieza é uma atitude perante Deus que radica numa postura humana e espiritual de mediocridade. É a apatia da alma, que lança raízes nas omissões, negligências, faltas de generosidade para com Deus e para o compromisso cristão. Deixa-se de rezar ou só se reza em situações prementes, urgentes. Arranjam-se mil desculpas para não haver compromisso na vida paroquial ou no serviço eclesial: que não há tempo nem vontade… Fica-se abaixo dos mínimos, e chega um momento em que parece ser impossível ser-se melhor cristão, que não se tem forças para exigir mais. E não é verdade. Para saber mais clicar AQUI.
Precisamos da primavera
Olhamos à nossa volta e sentimos que verdadeiramente a primavera desencadeou um movimento: as árvores voltaram a germinar após a nudez do inverno; ao longo dos caminhos vemos flores amarelas, brancas e de todas as cores; damo-nos conta de que a temperatura é outra; a natureza prepara-se para uma estação diferente. Ora, toda esta preparação não pode ser só exterior a nós, não pode ser apenas um desejo que atravessa a paisagem. Para saber mais, clicar AQUI.
Arte e espiritualidade: Samuel Bak, luz de Quaresma
A Quaresma é um caminho. No entanto, perante certas notícias, perante a situação atual, mais que sentir a necessidade de caminhar, perceciona-se o desejo de fugir: fugir da realidade, que desponta ameaçadora; fugir de si próprio; dos outros, das convivências que se tornaram insuportáveis. Somos homens em fuga. Parecidos com os transportadores de vela de Samuel Bak. Mas o que é esta misteriosa luz ameaçada pelo vento que os dois querem salvar a todo o custo? A Quaresma deveria ser levada assim, com a mesma tenaz e dolorosa fadiga dos homens de Bak. Para saber mais clicar AQUI.
O dom (cristão) das lágrimas
Não saber chorar o pecado cometido era considerado um impedimento para a graça, e por isso, inclusive nos livros de orações confiados à minha geração, havia uma oração «para obter o dom das lágrimas». As lágrimas, de facto, dissolvem o coração de pedra e vencem a aridez que nos torna rígidos, estéreis e incapazes de compaixão; derramar lágrimas humaniza, enquanto que não saber chorar é desumano. Na vida espiritual cristão é preciso, por isso, acolher a experiência das lágrimas, do pranto enquanto arrependimento. Para saber mais clicar AQUI.
O que até agora não
Penso nos nossos propósitos falhados. Nesses propósitos quaresmais e nos outros que fizemos com tanta motivação, e que depois abandonámos pelo caminho. Não somos capazes de ser fiéis aos propósitos? Somos, e seremos melhores, se aprendermos a partir novamente do lugar onde caímos. Se partirmos das nossas falhas para reencontrar a inteireza, impelidos por um coração que acredita. Para saber mais clicar AQUI.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

COMEMORAÇÃO/EFEMÉRIDE: Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Ano B


Tal como a festa da Santíssima Trindade, esta não é uma « festa de devoção » : é a confissão da nossa fé viva, cujo enunciado, aliás, não se encontra no Credo.
As orações e os cânticos da liturgia actual têm por autor S. Tomás de Aquino: são a expressão de um amor infinito e entusiasta, uma obra prima de doutrina teológica e de poesia.
As três leituras e o salmo orientam a meditação do fiel para a dimensão sacrificial da Eucaristia, sem suprimir as outras dimensões deste mistério : a fracção do pão, a refeição comunitária, a presença real, a comunhão.
A Eucaristia é um sacrifício de louvor e de acção de graças, tal como os sacrifícios da Antiga Aliança. Por si mesma, a morte não é redentora. É a nossa atitude diante da morte que o pode ser. É o Servo que, pela sua oferenda, a faz tornar-se expiação e glorificação.
A “carta aos Hebreus” desenvolve o tema do sacrifício do Antigo Testamento, evocando a celebração do « dia da Expiação » : « O sangue de Cristo faz bem melhor. Ele é o sumo-sacerdote da Nova Aliança. Cristo ressuscitado já não morre mais ».
O Evangelho de S. Marcos coloca-nos no contexto da noite pascal. Jesus dá-nos a vida, tal como o Pai dá a vida que Ele oferece por nós e que é doravante vitoriosa sobre a morte. Cristo ordena-nos que celebremos este memorial até ao dia do Reino de Deus.
Corpo de Deus: Para todos toda a vida de Jesus
O evangelista sublinha que deste cálice «todos beberam», porque o dom de Jesus é para todos, ninguém excluído. Há um contraste entre este «todos», que indica todos os discípulos, e as palavras ditas antes: «Um de vós trair-me-á» (Marcos 14, 18). Mas isto salienta ainda mais o facto de que todos são associados ao beber o cálice oferecido, inclusive Judas, o traidor. A todos, ninguém excluído, Jesus oferece a sua vida e o seu amor gratuito, que nunca deve ser merecido. Para saber mais, clicar AQUI e AQUI.
Deus dá-Se a Si mesmo em alimento
Para termos uma ideia da nossa dignidade, temos de nos recordar muitas vezes do céu, do calvário e do inferno. Se compreendêssemos o que significa ser filho de Deus, não seríamos capazes de fazer mal, seríamos como anjos neste mundo. Ser filho de Deus, que dignidade!
Quando os anjos se revoltaram contra Deus, este Deus tão bom, vendo que eles não poderiam usufruir da felicidade para a qual os tinha criado, fez o Homem e fez este mundo para lhe alimentar o corpo. Mas também tinha de lhe alimentar a alma; e, como as coisas criadas não podem alimentar a alma, que é espírito, Deus quis dar-Se a Si mesmo como alimento.
O que é triste é que nós não recorremos a este alimento divino para atravessar o deserto desta vida. Como uma pessoa que morre de fome ao lado de uma mesa bem servida, há quem passe cinquenta, sessenta anos sem alimentar a alma.
Quem dera que os cristãos fossem capazes de compreender esta linguagem de Nosso Senhor, que lhes diz: «Apesar da tua miséria, quero ter perto de Mim esta alma que criei para Mim. Fi-la tão grande, que só Eu posso enchê-la. Fi-la tão pura, que só o meu corpo pode alimentá-la.»
São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars
«Esprit du Curé d'Ars dans ses Catéchismes, ses Sermons, ses Conversations»


Origem, história e significado da festa de Corpus Christi AQUI.
 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Sobre o direito de resistência​



Como cristão, homem de fé e fiel à Igreja, S. Tomás de Aquino pensa que “todo o poder provém de Deus” (Jo 19, 11), entretanto, no Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo (XLV, questão IV, art. 2), realiza uma ressalva ao texto bíblico afirmando que “nem sempre o poder provém de Deus”. Essa ressalva acontece em dois casos: 1) se o modo de aquisição do poder não foi justo; 2) se o uso do poder se transformou em abuso. Dessa forma, dois poderes injustos podem existir: o mal adquirido e o abusivo.

O chamado “direito de resistência”, que contemporaneamente é juridicamente fundamentado, deve ser invocado quando as sanções jurídicas organizadas contra o abuso do poder não são suficientes para conter a injustiça da lei ou dos governantes, pois estes, quando extravasados de seus naturais limites, muitas vezes não podem ser contidos por normas superiores que já não respeitam. Nestas condições, se reconhece aos governados a recusa à obediência, isto é, reconhece-se o direito da resistência à lei, ao Estado e aos governantes.

Na Suma Teológica (questão XLII, art. 3), afirma que quando o governo visa o bem do governante e não o bem comum torna-se, por isso mesmo, injusto. Nesse caso, a mudança dessa espécie de governo não pode constituir, em sua essência, uma resistência ou revolta. Resistência ou revolta é a realizada pelo tirano, que adquiriu mal o poder ou dele abusou. O tirano, o governante, resiste e revolta-se contra Deus, que lhe deu o poder de governar, e contra o povo que deve ser orientado.

O bem comum é, para São Tomás, a medida e o limite do chamado “direito de resistência”. Para que se possa resistir aos governantes, é preciso que esses signifiquem um perigo para o bem comum. Este, porém, não corporifica apenas justiça, mas também a ordem social. O que Tomás procura salvaguardar, sobretudo, é o bem comum, ou melhor, o que procura proteger é a ordem social conforme às exigências da natureza humana. Quando se permite a resistência à opressão, tem-se em vista unicamente o bem da comunidade.

Na Suma Teológica (questão XLII, art. 2), Tomás condena a insurreição popular contra o governante e afirma que esse acto é um pecado mortal. Entretanto, ele reconhece que, não sendo o governante justo, porque não implanta o bem comum, não constitui insurreição o acto de revoltar-se contra esse tipo de governante.

Para Tomás de Aquino, a insurreição do povo contra o governante é um pecado mortal que será punido por Deus no dia do juízo final. Entretanto, a revolta contra a tirania, contra o governo autoritário, não é uma insurreição, mas o retorno à ordem social que o próprio Deus estabeleceu. Essa ordem social visa sempre o bem comum de todos os membros da comunidade, e não apenas a prosperidade do governante e seus aliados.

 
(publicado por estudioso de Filosofia no Facebook, este fim-de-semana )