"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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sábado, 25 de maio de 2013

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.
Responsabilidade Marques Mendes acusa banqueiros pela situação do País
Livro Austeridade: a epidemia que mata
Ex-milionário Madoff cobra 40 dólares mensais por limpar computadores na prisão
Economista espanhol propõe plano fiscal europeu
“Se investimentos caem é uma tragédia, se pessoas morrem à fome nada se passa"
Contrapoder: compacto da semana
O presente não conta para o Conselho de Estado?
Tratar funcionários públicos como números “revela profundo desconhecimento"
Como é que se baixa os impostos? Responde quem os cobra
Triste fim
Conselheiros de Estado discutiram eleições antecipadas
Euro "cria obrigações à Alemanha" perante Portugal
Bispo "Políticos devem prescindir de parte dos salários e mordomias"
Banif e os vampiros
Malas das mulheres têm mais bactérias que uma sanita
Oxfam: Paraísos fiscais escondem 14 biliões de euros
Os 9,5 biliões de euros escondidos
Belém Presidente do Constitucional ajustou contas com Passos
Ferreira Leite "Não vamos funcionar pelos nossos pés depois da troika
António Passos Coelho Passos "está morto por se ver livre disto" diz o pai que avisou: "Vais-te lixar"
Impressora 3D salva bebé
Situação no país está económica e politicamente bloqueada
O mundo dos afectos, a fé e a cura

 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

CINEMA: "O Substituto - escola, educação e afectos"

Às tentativas iniciais de confronto dos alunos, verbal e fisicamente ameaçadoras, Barthes não se deixa intimidar. Afinal, a realidade afetiva e social dos jovens não lhe é estranha, o que, num contexto progressiva e contagiantemente deprimido, o impulsiona, pelo contrário, a fazer a diferença. Num misto de esperança e desapego que o torna imune à agressão psicológica e ao pessimismo, o professor gere os seus dias entre os cuidados ao avô, única família que lhe resta, e a tentativa de transformar aqueles com quem se cruza, seja na escola ou em qualquer outro lugar.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Quem conhece ESSES "DESCONHECIDOS" (4)...

...que merecem ser CONHECIDOS - vida&obra - e eu mais em os conhecer e dar a conhecer:

O Deus de Etty Hillesum
A vida como um grande diálogo
Dialogar no grande átrio do quotidiano, onde indistintamente, se cruza o humano, em “carne e osso” (Husserl), é o apelo forte deste tempo. Partir da pergunta é sempre um bom começo. C.S. Lewis no seu diário interroga-se: «Porque parece assim presente (Deus) quando nós, para dizer com franqueza, não O procuramos?». E se for Ele a vir ao nosso encontro? (Jo 1,14) É necessário colocarmo-nos no modo de discernimento do mistério que se está a viver. Não há linguagem absoluta para descrever este tipo de abertura. Deus é a origem desta aproximação. A mistagogia do quotidiano, de “olhos abertos” (Metz), medeia a presença do mistério na quotidianidade.







terça-feira, 14 de agosto de 2012

FÉRIAS (d)e VERÃO com SAÚDE (4)

Dores e Patologias dos Afectos
Jaime Milheiro, psiquiatra e psicanalista, apresentou, por seu lado, uma definição de "saúde mental" como "a possibilidade de a pessoa se sentir bem consigo, sentir-se bem com os outros e sentir-se bem a fazer a vida".
"Para isso, tenho de ter adquirido -- ninguém nasce com isso -- sentimentos absolutamente fundamentais: o sentimento de autonomia, a capacidade de decisão e a responsabilização", indicou.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

FÉRIAS (d)e VERÃO com CINEMA (9)...

... para, neste tempo da vida, preparar outro tempo, o Outono-Inverno da vida que se segue.
E se "o tempo voa", eles estão já aí!


Hirokazu Koreeda, cineasta japonês, é bem conhecido pela preferência e grande aptidão para abordar temas sociais e o universo dos afetos, sobretudo da infância e adolescência. Fê-lo com enorme sensibilidade em “Ninguém Sabe”, repetiu-o em “Andando” e regressa agora com esta encantadora história de perda e reunião, com grande simplicidade e sentido poético. Sem qualquer excesso, Koreeda encontra nos momentos mais triviais do quotidiano de dois rapazes, sua família e amigos, a conjugação de elementos simultaneamente realistas e mágicos que conferem extraordinário encanto a este filme. A naturalidade dos pequenos atores é impressionante, prova também de uma hábil gestão entre a direção e a liberdade que Koreeda consegue harmonizar, num filme que conta com uma ajustada direção fotográfica e uma banda sonora deliciosa.

Ler mais em http://www.snpcultura.org/o_meu_maior_desejo.html

terça-feira, 24 de julho de 2012

Da utilidade do inútil

Primavera é sinónimo de novos ares, horizontes abertos, cores renovadas. Esta Primavera, mesmo se pouco respeitadora da tradição climática, trouxe-me pequenos sinais do que pode ser uma resposta à pergunta: “O que é mais importante criar, manter, repensar na relação da Igreja com a cultura?”
Dei comigo a pensar porque é que, em plena crise, centenas de pessoas aproveitaram a hora de almoço de 21 de Março para ir ouvir a Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, ao fundo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Temos que trabalhar para sermos úteis ao país, ouvimos todos os dias. Temos que trabalhar muito, repetem-nos à exaustão. O que estávamos, então, ali a fazer naquela saudação primaveril convertida em música, usando um tempo útil (tempo é dinheiro...) para ouvir uma orquestra ao ar livre, coisa inútil?
Afinal, sem crise, com crise ou apesar da crise, as pessoas procuram divertir-se, fazer pausas no quotidiano. Muitas vezes, para tentar fugir dos problemas, assumindo uma alienação pouco saudável. Outras, entrando no divertimento industrializado e massificado que, por vezes, deixa de ser divertimento e passa a ser apenas mais uma ocupação forçada do tempo.
Mas ele existe, o tempo do divertimento, do lazer, da festa. E levanta tremendos desafios aos cristãos. Quer na forma como se divertem ou usam o tempo livre, quer na forma como propõem a utilização. Que fique claro: não defendo que tenha que haver filmes cristãos, festivais de música cristã ou bares cristãos numa espécie de sociedade “purificada” e alternativa ao que existe. Mas na forma como cada um se situa ou naquilo que se propõe pode ser também traduzida uma identidade.
No precioso texto Do Tempo Livre à Libertação do Tempo, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (disponível em http://www.snpcultura.org/do_tempo_livre_a_libertacao_do_ tempo.html), podemos ler que “a democratização, o incremento das propostas culturais de vivência dos tempos livres são aspectos positivos de uma mutação profunda nos modos de vida, consolidando uma consciência do direito ao bem-estar e à qualidade de vida”. Por isso, a sua utilização é um “factor de desenvolvimento e acréscimo que dá vida à vida”.
Entre outras ideias importantes para os tempos que correm, o documento diz ainda que “a gratuidade do lúdico mostra uma dimensão existencial que não podemos negligenciar, abre uma clareira no utilitarismo habitual com que se pensa o tempo (time is money) e, em consequência, o homem. (...) Pensar o que se faz do tempo é reflectir como se define o homem.”
Esta afirmação leva-me a pensar que tive pena ter visto a Igreja abdicar tão prontamente da afirmação de uma outra antropologia que não a que nos pretende vender o homo economicus como única via: perante a ditadura financeira que nos cerca, a atitude deveria ter sido a de dizer a políticos, economistas, comentadores e financeiros que não deveríamos perder salários nem nenhum feriado – nenhum mesmo, civil ou religioso.
Para além das razões económicas que outros já sublinharam (trabalhar mais quatro ou cinco dias não resolve o problema do país; a questão não é que os portugueses trabalham pouco...), há outra razão mais funda: a celebração, a festa, introduz um tempo de diferenciação fundamental para a vivência dos afectos, do lúdico, da contemplação. E é isso que nos torna mais pessoas. O discurso da Igreja repete-o incessantemente, teria sido bom tê-lo traduzido numa posição concreta.
Como diz o texto citado, o tempo livre “não é apenas um tempo ‘entre’ tempos, já ocupados, mas interroga-nos, antes de mais, sobre a realização pessoal e social que projectamos, sobre o projecto que pessoal e socialmente desejamos para as nossas vidas. (...) O tempo livre é tempo de integração. De enriquecimento cultural, pessoal, afetivo. De exercitação do músculo da imaginação e da criatividade. De explicitação da vida interior.”
O tempo livre coloca-nos perante outra questão: ele é hoje um território ocupado em grande parte pelos jovens. E não é preciso fazer grandes esforços para reconhecer a dificuldade de a Igreja chegar aos mais novos – seja pelo discurso, seja por algumas práticas. Na sua Breve História da Alma, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cita Jack Kerouac, em Pela Estrada Fora: “A vida é sagrada e cada momento é precioso.” Esta é uma imagem da cultura juvenil actual, perante a qual a mensagem “eterna” da Igreja deve aceitar pôr-se em causa (por isso, penso que se teria acertado muito mais se, no ano de Guimarães Capital Europeia da Cultura e de Braga Capital Europeia da Juventude, se tivesse escolhido o tema da cultura juvenil para a sessão do Átrio dos Gentios que terá lugar em Guimarães, em Novembro).
Numa curta entrevista que pude fazer-lhe para o Público (edição de 26 de Maio), o cardeal Ravasi dizia que a Igreja deveria ser capaz de fazer descobrir “o eterno no tempo – e isso é o cristianismo. (...) Trata-se de descobrir a importância do instante, do tempo que se vive, mesmo para construir-se a si mesmo. Se a pessoa vive bem o presente, vive-se já, em certo sentido, criando. Quando se está enamorado, é como se se vivesse o eterno, a felicidade. (...) Devemos, talvez, tirar partido desta ligação ao quotidiano que têm os jovens, para lhes dizer que no presente se joga a vida.”
Jogar a vida. Os afectos, os anseios, as expectativas, o trabalho, o amor, a contemplação, o gratuito. Poder simplesmente olhar o mar, escutar uma música, ler um livro, ver um filme, passear, estar com amigos, beber um café... Na mesma entrevista, o cardeal Ravasi acrescentava: “Os modelos de desenvolvimento deveriam ser de tipo humanístico (...). A religião deve fazer qualquer coisa nesta linha. E também a cultura: impedir que tudo esteja nas mãos da finança, que o primado seja o do poder financeiro e do ter. (...) Henry Miller, descrente e anticristão, autor do Trópico de Câncer, escrevia: ‘A arte, como a religião, não serve para nada a não ser para mostrar o sentido da vida.’ Isto não é pouco.”
É mesmo muito.

Este texto segue a anterior norma ortográfica.

António Marujo
Jornalista do Público

FONTE: http://www.snpcultura.org/da_utilidade_do_inutil.html