"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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segunda-feira, 20 de março de 2023

CINEMA&FILME: “A Oeste nada de novo”

 

Cinema: “A Oeste nada de novo” [Vídeo]

 

“A Oeste nada de novo” não introduz, decerto, um ponto de vista “inédito” do conflito no grande ecrã, mas a sua força reside numa narração compacta, lúcida e incomodativamente realista, que focaliza o sonho estilhaçado, disperso, de uma juventude a quem foi subtraído o futuro. Um filme de matriz história que se ergue como manifesto contra todo o conflito. Obra de grande impacto, a não esquecer.

Saiba mais AQUI.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

COMEMORAÇÃO/EFEMERIDE: Dia dos AVÓS

- Quando o avô perguntou ao neto: “Você já olhou de verdade para as suas mãos? AQUI.

- Ouçam os avós e respeitem as raízes familiares, pede o Papa Francisco AQUI.

- Avós que cuidam de seus netos deixam marcas em suas almas AQUI.

- Oração dos avós e dos idosos AQUI.

- Os avós, pontos de referência essenciais para as crianças AQUI.

​“Kit Pastoral” para ajudar a celebrar o Dia dos Avós e dos Idosos AQUI.

- AVÓS E IDOSOS DEVEM SER ARTÍFICES DA REVOLUÇÃO DA TERNURA AQUI.

- Dia dos Avós 2022. É preciso “dar ouvidos à sabedoria dos anos”, diz o Papa AQUI e AQUI.

- Os seus corpos repousam em paz e o seu nome vive através das gerações AQUI.

terça-feira, 19 de junho de 2018

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Pensamentos (5)





* Todos os povos sorriem na mesma língua. - M MANDEL


* Jamais saberemos quanto pode fazer um simples sorriso - TERESA CALCUTÁ


* A juventude não é feita para o prazer, mas para o heroísmo. - PAUL CLAUDEL


* Numa casa o sorriso custa menos que a luz eléctrica, e ainda dá mais luz. - A. BLAZETTI


* Existe apenas uma regra para se ser bom conversador: aprender a escutar. - C. MORLEY


* Saber falar é um orgulho de muitos; saber escutar é uma sabedoria de poucos. - JOÃO da CRUZ


* Deus deu-te dois ouvidos e uma língua, para que ouças mais do que falas. - B. de SENA


* O início do amor ao próximo está em saber escutá-lo. - D. BONHOEFFER

quarta-feira, 5 de março de 2014

LEITURA: O sonho do papa Francisco - Os jovens no coração da Igreja

«Que Igreja “serviria” para os homens de hoje, que são como os dois discípulos de Emaús? Então, o Papa desenha, em positivo, um retrato de Igreja realmente cheio de vida, acompanhando-o com uma análise da condição do homem contemporâneo: “Precisa-se de uma Igreja que não tenha medo de entrar na sua noite. Precisa-se de uma Igreja capaz de encontrá-los no seu caminho. Precisa-se de uma Igreja capaz de inserir-se na sua conversa. Precisa-se de uma Igreja que saiba dialogar com aqueles discípulos que, fugindo de Jerusalém, vagueiam sem destino, sozinhos, com o seu desencanto, com a sua desilusão de um cristianismo que já se considera terreno estéril, infecundo, incapaz de gerar sentido.” O elenco, quase litânico, contém uma visão fortemente projetiva. O retrato que daqui emerge é o de uma Igreja capaz de aproximar-se de cada homem e de caminhar ao lado dele.» Do livro “O sonho do papa Francisco”, publicado em fevereiro pela Paulinas Editora, apresentamos um excerto, extraído do capítulo “Emaús: o rosto futuro da Igreja”.
Ler mais em:

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

LEITURA: Filhos... de quem? O futuro que nos espera

«Recolhendo o fruto de catequeses e experiências pastorais com noivos e famílias, o autor traça um itinerário de formação modelado precisamente sobre o Pai Nosso. Repassando estas páginas, vemos entrelaçar-se doutrina e experiência, Palavra de Deus e pesquisa humana, doutrina perene da Igreja (nomeadamente o magistério dos últimos Papas depois do Concílio Vaticano II, e de forma muito especial João Paulo II e Bento XVI) e resultados da ciência que investiga os segredos do íntimo humano. Cada petição do Pai Nosso constitui um maior aprofundamento da descoberta de si mesmo – o conhecimento do “eu” –, à procura da verdade do bem. Trata-se de um caminho útil para todos, mas especialmente recomendado às famílias, células vitais da sociedade e que formam o articulado corpo místico da Igreja. Um itinerário formativo, sim; mas também uma verdadeira proposta de santidade para todos. Aquele que porventura se declare não-crente ou se considere alheio à prática da fé, sentir-se-á contemplado também no projeto de vida que este livro apresenta. Na verdade, redescobrir as raízes cristãs da nossa sociedade é útil para quantos fazem parte de um mundo que foi moldado ao longo de dois milénios pelo rico património cultural e espiritual do Evangelho.»
Leia o prefácio. Aqui:
http://www.snpcultura.org/filhos_de_quem_o_futuro_que_nos_espera.html

terça-feira, 29 de outubro de 2013

REFLEXÕES do Papa Francisco

porque como «...Líder planetário, de influência global, importa conhecer o seu pensamento.» em
http://www.snpcultura.org/papa_francisco_index.html


Sou cristão cultural e do bem-estar, ou sou cristão que vai até à cruz?, questiona papa Francisco
http://www.snpcultura.org/sou_cristao_cultural_e_do_bem_estar_ou_vou_ate_cruz.html
Não se pode conhecer Jesus apenas na biblioteca: é preciso ação e oração, diz papa Francisco
http://www.snpcultura.org/para_conhecer_Jesus_nao_basta_biblioteca.html
Sou um católico aberto a toda a Igreja ou "privatizo" a fé?, pergunta papa Francisco
http://www.snpcultura.org/sou_catolico_aberto_igreja_ou_privatizo_fe.html
«Deus espera sempre», lembra papa Francisco
http://www.snpcultura.org/Deus_espera_sempre.html
Papa Francisco aos jovens: «Não vendais a vossa juventude aos mercadores da morte»
http://www.snpcultura.org/papa_francisco_nao_vendais_juventude.html
Papa Francisco aos desempregados: clamar por trabalho é uma «oração necessária»
http://www.snpcultura.org/papa_francisco_desempregados.html
Bispos precisam de bom humor, diz papa Francisco
http://www.snpcultura.org/bispos_precisam_bom_humor.html
Papa diz que “a corte é a lepra do papado”
Francisco em Assis contra a mundanidade que todos mata
"A paz de São Francisco é a de Cristo"
"Não nos podemos tornar cristãos de pastelaria"
http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx?fil=568523
É mais importante ir à igreja para adorar Deus do que para celebrar um rito, sublinha papa Francisco
http://www.snpcultura.org/e_mais_importante_ir_a_igreja_adorar_Deus_do_que_para_celebrar_rito.html

sexta-feira, 21 de junho de 2013

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Igreja e jovens, que diálogo?

Na Igreja, é comum os mais sensíveis à pastoral juvenil perguntarem-se: “O que pedem os jovens à Igreja?” É uma pergunta sem grande sentido. A esmagadora maioria dos jovens nada pede à Igreja. Cresceram num mundo onde tudo é comprado e onde o mérito das propostas de felicidade se mede pela rapidez e pelo baixo custo. Alguns setores eclesiais respondem a este estado de coisas tentando “jogar” segundo as regras da cultura dominante, sem coragem de pôr em causa este modelo consumista e relativista. E fazem uma pastoral juvenil que é mais uma mercadoria de consumo: consumo de socialização (grupos de jovens sem rumo que se resumem a ser umas meras sociedades recreativas), consumo de eventos, consumo de emoções e estética (ainda que mascarada de oração). É uma forma de fazer pastoral juvenil que, em nome duma mal-entendida inculturação, reduz o Evangelho a um produto descafeinado, que não tem coragem de falar das exigências do Evangelho (a nível sexual, económico ou político). É uma caricatura de pastoral juvenil com “tiques de seita”.
Ler mais em:

terça-feira, 11 de junho de 2013

MÚSICA, COIMBRA, ETC&TAL: O 5 de Maio...

... já lá vai, mas o DIA da MÃE jamais...

Do Zeca Afonso pois claro! Mas não só:


Admirável ouvir, evidentemente, mas atenção ao enquadramento, a quem está ao lado de quem canta e também a quem escuta, na multidão.
Ouvir o silêncio que se seguiu também é preciso! - como bem conhece quem aí estudou.

Entretanto uma "dor na alma": a perspectiva dramática, revoltante, ... do futuro destes nossos jovens, filhos e...

...netos...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

MÚSICA: De Amy Winehouse ao rock cristão dos The Sun: a Igreja Católica à procura da juventude perdida

A cantora Amy Winehouse e a banda rock cristã The Sun também entram na “playlist” do cardeal italiano Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho da Cultura. «Naquelas letras tão musicalmente e tematicamente dilaceradas emerge um pedido de sentido comum a todos»: foi com estas palavras que o prelado que vai pregar o retiro quaresmal do papa se referiu aos temas da artista inglesa que morreu em 2011, aos 27 anos, com milhões de discos vendidos. O prelado, que esta quinta-feira apresentou a assembleia plenária do Conselho Pontifício, enalteceu o «voluntariado» exercido por muitos jovens, «a paixão pela música, pelo desporto, pela amizade, que é uma maneira de dizer que o homem não vive só de pão», até à sua «original espiritualidade, sinceridade e liberdade oculta sob um manto de aparente indiferença».
Ler mais em:

terça-feira, 24 de julho de 2012

Da utilidade do inútil

Primavera é sinónimo de novos ares, horizontes abertos, cores renovadas. Esta Primavera, mesmo se pouco respeitadora da tradição climática, trouxe-me pequenos sinais do que pode ser uma resposta à pergunta: “O que é mais importante criar, manter, repensar na relação da Igreja com a cultura?”
Dei comigo a pensar porque é que, em plena crise, centenas de pessoas aproveitaram a hora de almoço de 21 de Março para ir ouvir a Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, ao fundo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Temos que trabalhar para sermos úteis ao país, ouvimos todos os dias. Temos que trabalhar muito, repetem-nos à exaustão. O que estávamos, então, ali a fazer naquela saudação primaveril convertida em música, usando um tempo útil (tempo é dinheiro...) para ouvir uma orquestra ao ar livre, coisa inútil?
Afinal, sem crise, com crise ou apesar da crise, as pessoas procuram divertir-se, fazer pausas no quotidiano. Muitas vezes, para tentar fugir dos problemas, assumindo uma alienação pouco saudável. Outras, entrando no divertimento industrializado e massificado que, por vezes, deixa de ser divertimento e passa a ser apenas mais uma ocupação forçada do tempo.
Mas ele existe, o tempo do divertimento, do lazer, da festa. E levanta tremendos desafios aos cristãos. Quer na forma como se divertem ou usam o tempo livre, quer na forma como propõem a utilização. Que fique claro: não defendo que tenha que haver filmes cristãos, festivais de música cristã ou bares cristãos numa espécie de sociedade “purificada” e alternativa ao que existe. Mas na forma como cada um se situa ou naquilo que se propõe pode ser também traduzida uma identidade.
No precioso texto Do Tempo Livre à Libertação do Tempo, do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (disponível em http://www.snpcultura.org/do_tempo_livre_a_libertacao_do_ tempo.html), podemos ler que “a democratização, o incremento das propostas culturais de vivência dos tempos livres são aspectos positivos de uma mutação profunda nos modos de vida, consolidando uma consciência do direito ao bem-estar e à qualidade de vida”. Por isso, a sua utilização é um “factor de desenvolvimento e acréscimo que dá vida à vida”.
Entre outras ideias importantes para os tempos que correm, o documento diz ainda que “a gratuidade do lúdico mostra uma dimensão existencial que não podemos negligenciar, abre uma clareira no utilitarismo habitual com que se pensa o tempo (time is money) e, em consequência, o homem. (...) Pensar o que se faz do tempo é reflectir como se define o homem.”
Esta afirmação leva-me a pensar que tive pena ter visto a Igreja abdicar tão prontamente da afirmação de uma outra antropologia que não a que nos pretende vender o homo economicus como única via: perante a ditadura financeira que nos cerca, a atitude deveria ter sido a de dizer a políticos, economistas, comentadores e financeiros que não deveríamos perder salários nem nenhum feriado – nenhum mesmo, civil ou religioso.
Para além das razões económicas que outros já sublinharam (trabalhar mais quatro ou cinco dias não resolve o problema do país; a questão não é que os portugueses trabalham pouco...), há outra razão mais funda: a celebração, a festa, introduz um tempo de diferenciação fundamental para a vivência dos afectos, do lúdico, da contemplação. E é isso que nos torna mais pessoas. O discurso da Igreja repete-o incessantemente, teria sido bom tê-lo traduzido numa posição concreta.
Como diz o texto citado, o tempo livre “não é apenas um tempo ‘entre’ tempos, já ocupados, mas interroga-nos, antes de mais, sobre a realização pessoal e social que projectamos, sobre o projecto que pessoal e socialmente desejamos para as nossas vidas. (...) O tempo livre é tempo de integração. De enriquecimento cultural, pessoal, afetivo. De exercitação do músculo da imaginação e da criatividade. De explicitação da vida interior.”
O tempo livre coloca-nos perante outra questão: ele é hoje um território ocupado em grande parte pelos jovens. E não é preciso fazer grandes esforços para reconhecer a dificuldade de a Igreja chegar aos mais novos – seja pelo discurso, seja por algumas práticas. Na sua Breve História da Alma, o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cita Jack Kerouac, em Pela Estrada Fora: “A vida é sagrada e cada momento é precioso.” Esta é uma imagem da cultura juvenil actual, perante a qual a mensagem “eterna” da Igreja deve aceitar pôr-se em causa (por isso, penso que se teria acertado muito mais se, no ano de Guimarães Capital Europeia da Cultura e de Braga Capital Europeia da Juventude, se tivesse escolhido o tema da cultura juvenil para a sessão do Átrio dos Gentios que terá lugar em Guimarães, em Novembro).
Numa curta entrevista que pude fazer-lhe para o Público (edição de 26 de Maio), o cardeal Ravasi dizia que a Igreja deveria ser capaz de fazer descobrir “o eterno no tempo – e isso é o cristianismo. (...) Trata-se de descobrir a importância do instante, do tempo que se vive, mesmo para construir-se a si mesmo. Se a pessoa vive bem o presente, vive-se já, em certo sentido, criando. Quando se está enamorado, é como se se vivesse o eterno, a felicidade. (...) Devemos, talvez, tirar partido desta ligação ao quotidiano que têm os jovens, para lhes dizer que no presente se joga a vida.”
Jogar a vida. Os afectos, os anseios, as expectativas, o trabalho, o amor, a contemplação, o gratuito. Poder simplesmente olhar o mar, escutar uma música, ler um livro, ver um filme, passear, estar com amigos, beber um café... Na mesma entrevista, o cardeal Ravasi acrescentava: “Os modelos de desenvolvimento deveriam ser de tipo humanístico (...). A religião deve fazer qualquer coisa nesta linha. E também a cultura: impedir que tudo esteja nas mãos da finança, que o primado seja o do poder financeiro e do ter. (...) Henry Miller, descrente e anticristão, autor do Trópico de Câncer, escrevia: ‘A arte, como a religião, não serve para nada a não ser para mostrar o sentido da vida.’ Isto não é pouco.”
É mesmo muito.

Este texto segue a anterior norma ortográfica.

António Marujo
Jornalista do Público

FONTE: http://www.snpcultura.org/da_utilidade_do_inutil.html

segunda-feira, 2 de julho de 2012

FUGIR DA REALIDADE

Alguém me dizia, recentemente, que os livros mais “consumidos” pela juventude hodierna são aqueles que ajudam a fugir da realidade. Em concreto, os livros cujo público-alvo são as adolescentes possuem uma receita que não falha: transportá-las para mundos imaginários que as ajudem a “emitir” frequentes suspiros cor-de-rosa. E finalizava essa pessoa dizendo: «Basta ajudá-las a refugiarem-se na sua imaginação e elas sentem-se felizes. E, mais importante ainda, recomendam o livro às amigas».
É necessário reconhecer, em abono da verdade, que cada um de nós necessita da sua imaginação para viver de um modo humano. Se não fosse assim, Deus não no-la teria dado. Sem imaginação, não haveria projectos na nossa vida. E, sem projectos, a vida tornar-se-ia maçuda, monótona e insonsa. Sem imaginação, faltar-nos-ia criatividade. E, sem criatividade, seria deveras difícil encarar o nosso trabalho quotidiano com um salutar entusiasmo.
A imaginação ajuda-nos a expandir o nosso mundo interior e a transcendê-lo.Torna-nos maiores do que aquilo que somos. E é por isso que temos a sensação de que ela nos dá vida e nos anima a viver. Dá-nos asas, faz-nos voar ― e liberta-nos da excessiva monotonia do dia-a-dia.
No entanto, a imaginação descontrolada converte-se num mecanismo de evasão. Soltar a imaginação sem nenhum tipo de controlo é uma autêntica droga. É verdade que proporciona uma alegria e um alívio passageiros, mas também é verdade que acaba por submergir as pessoas numa triste dependência, como é próprio dos estupefacientes.
Evadir-se em sonhos proporciona um certo bálsamo de refrigério interior. Mergulhar num mundo imaginário ― em que somos sempre heróis, sem defeitos nem limitações ― é fácil, entusiasmante e acessível a qualquer um. Faz-nos sentir uma completa“liberdade”: ninguém, excepto nós próprios, consegue pôr obstáculos à nossa imaginação.
Mas, não nos enganemos, é uma liberdade fictícia. Só existe numa vida que não é real― falsa por definição! Fugir da realidade não nos pode proporcionar a verdadeira felicidade. Pode ser ― como o canto de uma sereia ― entusiasmante, deslumbrantee sedutor. Basta pensar no êxito da “second life” no mundo informático. No entanto, bem vistas as coisas, nunca é libertador. Porque procede de uma vida falsificada.E a liberdade e a felicidade só são possíveis na realidade. Nunca na mentira, nem no imaginário que afasta da realidade.
Fugir da realidade também não é libertador porque na vida imaginária não há esforço.E, sem esforço, as pessoas tornam-se passivas e inactivas ― escravas de uma vontade adormecida. Essa fuga da realidade não dá a paz que tanto se procura. A paz autêntica também é fruto do esforço por pôr ordem na nossa imaginação e não nos deixarmos enganar ou anestesiar por ela.

Pe.Rodrigo Lynce de Faria

sexta-feira, 1 de junho de 2012

DIA MUNDIAL da CRIANÇA

Algumas proposições sobre crianças
A criança está completamente imersa na infância
a criança não sabe que há de fazer da infância
a criança coincide com a infância
a criança deixa-se invadir pela infância como pelo sono
deixa cair a cabeça e voga na infância
a criança mergulha na infância como no mar
a infância é o elemento da criança como a água
é o elemento próprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescência
Se foste criança diz-me a cor do teu país
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez
Ainda hoje trago os cheiros no nariz
Senhor que a minha vida seja permitir a infância
embora nunca mais eu saiba como ela se diz.

A rua é das crianças
Ninguém sabe andar na rua como as crianças. Para elas é sempre uma novidade, é uma constante festa transpor umbrais. Sair à rua é para elas muito mais do que sair à rua. Vão com o vento. Não vão a nenhum sítio determinado, não se defendem dos olhares das outras pessoas e nem sequer, em dias escuros, a tempestade se reduz, como para a gente crescida, a um obstáculo que se opõe ao guarda-chuva. Abrem-se à aragem. Não projetam sobre as pedras, sobre as árvores, sobre as outras pessoas que passam, cuidados que não têm. Vão com a mãe à loja, mas apesar disso vão sempre muito mais longe. E nem sequer sabem que são a alegria de quem as vê passar e desaparecer.

E tudo era possível
Na minha juventude antes de ter saído
de casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido.
Chegava o mês de maio, em tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido.
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída.
Quando foi isso? Eu próprio não sei dizer.
Só sei que tinha o poder de uma criança,
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer...
Poemas de Ruy Belo

Apresentaram-lhe, então, umas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas, mas os discípulos repreenderam-nos. Jesus disse-lhes: «Deixai as crianças e não as impeçais de vir ter comigo, pois delas é o Reino do Céu.» E, depois de lhes ter imposto as mãos, prosseguiu o seu caminho. (Mateus 19, 13-15)
Como crianças recém-nascidas, ansiai pelo leite espiritual, não adulterado, para que ele vos faça crescer para a salvação, se é que já saboreastes como o Senhor é bom. (1 Pedro 2, 1)



domingo, 21 de agosto de 2011

JMJ2011: tempo de balanço



Com sublinhados meus:  "(...) O Papa deixou aos jovens de todo o mundo uma mensagem clara, no sentido de ir contra a corrente (...) e estão insatisfeitos com muito daquilo que a sociedade de hoje lhes dá. O Papa surge com esta boa nova trazida a partir do Evangelho e os jovens estão ávidos de receber mensagens diferentes daquelas que a sociedade lhes dá"  (D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra ao Página 1 da RR)
"(...) face ao relativismo e mediocridade dos nossos tempos, perante o eclipse total de Deus e uma certa amnésia, num contexto em que a cultura dominante despreza a busca da verdade e rejeita o cristianismo, é preciso propor com coragem e humildade, Cristo como salvador de todos os homens e, por isso, fonte de esperança para a vida. Mensagem exigente, sobretudo, no contexto laico das grandes metrópoles da Europa, a começar pela própria cidade de Madrid. (...) Agora o desafio está do lado dos jovens, chamados - como pediu o Papa - a testemunhá-lo em toda a parte, com alegria." (Aura Miguel com "Até ao Rio de Janeiro!", no Página 1 da RR)
Até lá, Rio de Janeiro 2013, é preci(o)so lembrar a parábola do semeador (Mateus 13, 1-23):
«Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
“Saiu o semeador a semear.
Quando semeava,
caíram algumas sementes ao longo do caminho:
vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em sítios pedregosos,
onde não havia muita terra,
e logo nasceram porque a terra era pouco profunda;
mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram,
por não terem raiz.
Outras caíram entre espinhos
e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça”.
(...)
Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador:
Quando um homem ouve a palavra do reino
e não a compreende,
vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração.
Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho.
Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos
é o que ouve a palavra e a acolhe de momento,
mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante,
e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra,
sucumbe logo.
Aquele que recebeu a semente entre espinhos
é o que ouve a palavra,
mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza
sufocam a palavra, que assim não dá fruto.
E aquele que recebeu a palavra em boa terra
é o que ouve a palavra e a compreende.
Esse dá fruto,
produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um”.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A Doença do século... Obesidade Mental

É bom saber que não se está só quando se pensa, se diz e se luta contra o que neste texto vem escrito.
É mau saber que o aí narrado é uma realidade & verdade nua e crua eventualmente irremediável.

A Obesidade Mental - Andrew Oitke
Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.» O problema central está na família e na escola . «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular- por isso a considerei e considero o 1º poder a quem todos, salvo honrosas excepções, com sede de protagonismo, qual vaidade das vaidades, bajulam. O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras:
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»

Ora bem!!!