"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























domingo, 5 de maio de 2013

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHO – Jo 14,23-29
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará;
Nós viremos a ele
e faremos nele a nossa morada.
Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha,
mas do Pai que Me enviou.
Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo,
que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas
e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo.
Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes o que Eu vos disse:
Vou partir, mas voltarei para junto de vós.
Se Me amásseis,
ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu.
Disse-vo-lo agora, antes de acontecer,
para que, quando acontecer, acrediteis».
AMBIENTE
Continuamos no contexto da “ceia de despedida”. Jesus, que acaba de fundar a sua comunidade, dando-lhe por estatuto o mandamento do amor (cf. Jo 13,1-17;13,33-35), vai agora explicar como é que essa comunidade manterá, após a sua partida, a relação com Ele e com o Pai.
Nos versículos anteriores ao texto que nos é proposto, Jesus apresentou-Se como “o caminho” (cf. Jo 14,6) e convidou os discípulos a percorrer esse mesmo “caminho” (cf. Jo 14,4-5). O que é que isso significa? Jesus, enquanto esteve no mundo, percorreu um “caminho” – o da entrega ao homem, o do serviço, o do amor total; é nesse “caminho que o homem” – o Homem Novo que Jesus veio criar – se realiza. A comunidade de Jesus tem, portanto, que percorrer esse “caminho”. A metáfora do “caminho” expressa o dinamismo da vida que é progressão; percorrê-lo, é alcançar a plena maturidade do Homem Novo, do homem que desenvolveu todas as suas potencialidades, do homem recriado para a vida definitiva. O final desse “caminho” é o amor radical, a solidariedade total com o homem. Nesse “caminho”, encontra-se o Pai. Os discípulos, no entanto, estão inquietos e desconcertados. Será possível percorrer esse “caminho” se Jesus não caminhar ao lado deles? Como é que eles manterão a comunhão com Jesus e como receberão dele a força para doar, dia a dia, a própria vida?


MENSAGEM
Para seguir esse “caminho” é preciso amar Jesus e guardar a sua Palavra (cf. Jo 14,23). Quem ama Jesus e O escuta, identifica-se com Ele, isto é, vive como Ele, na entrega da própria vida em favor do homem… Ora, viver nesta dinâmica é estar continuamente em comunhão com Jesus e com o Pai. O Pai e Jesus, que são um, estabelecerão a sua morada no discípulo; viverão juntos, na intimidade de uma nova família (vers. 23-24).
Para que os discípulos possam continuar a percorrer esse “caminho” no tempo da Igreja, o Pai enviará o “paráclito”, isto é, o Espírito Santo (vers. 25-26). A palavra “paráclito” pode traduzir-se como “advogado”, “auxiliador”, “consolador”, “intercessor”. A função do “paráclito” é “ensinar” e “recordar” tudo o que Jesus propôs. Trata-se, portanto, de uma presença dinâmica, que auxiliará os discípulos trazendo-lhes continuamente à memória os ensinamentos de Jesus e ajudando-os a ler as propostas de Jesus à luz dos novos desafios que o mundo lhes colocar. Assim, os crentes poderão continuar a percorrer, na história, o “caminho” de Jesus, numa fidelidade dinâmica às suas propostas. O Espírito garante, dessa forma, que o crente possa continuar a percorrer esse “caminho” de amor e de entrega, unido a Jesus e ao Pai. A comunidade cristã e cada homem tornam-se a morada de Deus: na acção dos crentes revela-se o Deus libertador, que reside na comunidade e no coração de cada crente e que tem um projecto de salvação para o homem.
A última parte do texto que nos é proposto contém a promessa da “paz” (vers. 27). Desejar a “paz” (“shalom”) era a saudação habitual à chegada e à partida. No entanto, neste contexto, a saudação não é uma despedida trivial (“não vo-la dou como a dá o mundo”), pois Jesus não vai estar ausente. O que Jesus pretende é inculcar nos discípulos apreensivos a serenidade e evitar-lhes o temor. São palavras destinadas a tranquilizar os discípulos e a assegurar-lhes que os acontecimentos que se aproximam não porão fim à relação entre Jesus e a sua comunidade. As últimas palavras referidas por este texto (vers. 28-29) sublinham que a ausência de Jesus não é definitiva, nem sequer prolongada. De resto, os discípulos devem alegrar-se, pois a morte não é uma tragédia sem sentido, mas a manifestação suprema do amor de Jesus pelo Pai e pelos homens.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão deste texto pode contemplar as seguintes linhas:
♦ Falar do “caminho” de Jesus é falar de uma vida gasta em favor dos irmãos, numa doação total e radical, até à morte. Os discípulos são convidados a percorrer, com Jesus, esse mesmo “caminho”. Paradoxalmente, dessa entrega (dessa morte para si mesmo) nasce o Homem Novo, o homem na plenitude das suas possibilidades, o homem que desenvolveu até ao extremo todas as suas potencialidades. É esse “caminho” que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido doação, entrega, dom, amor até ao extremo? Tenho procurado despir-me do egoísmo e do orgulho que impedem o Homem Novo de aparecer?
♦ A comunhão do crente com o Pai e com Jesus não resulta de momentos mágicos nos quais, através da recitação de certas fórmulas, a vida de Deus bombardeia e inunda incondicionalmente o crente; mas a intimidade e a comunhão com Jesus e com o Pai estabelece-se percorrendo o caminho do amor e da entrega, numa doação total aos irmãos. Quem quiser encontrar-se com Jesus e com o Pai, tem de sair do egoísmo e aprender a fazer da sua vida um dom aos homens.
♦ É impressionante essa pedagogia de um Deus – o nosso Deus – que nos deixa ser os construtores da nossa própria história, mas não nos abandona. De forma discreta, respeitando a nossa liberdade, Ele encontrou formas de continuar connosco, de nos animar, de nos ajudar a responder aos desafios, de nos recordar que só nos realizaremos plenamente na fidelidade ao “caminho” de Jesus.
♦ O cristão tem de estar, no entanto, atento à voz do Espírito, sensível aos apelos do Espírito; tem de procurar detectar os novos caminhos que o Espírito propõe; tem de estar na disposição de se deixar questionar e de refazer a sua vida, sempre que o Espírito lhe dá a entender que ela está a afastar-se do “caminho” de Jesus. Estamos sempre atentos aos sinais do Espírito e disponíveis para enfrentar os seus desafios?
 

sábado, 4 de maio de 2013

(in(PRENSA semanal: a minha selecção

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.

Sacos e contentores transformam-se em hortas urbanas
Nem maioria, nem Governo, nem Presidente
Reclusos cada vez mais novos e mais organizados em “gangs”
Juiz diz que “durante anos fez-se tudo o que não devia ser feito” em relação aos 'swaps'
O Coro que faz da rua um palco
Publico vs privado: Descubra as diferenças
Austeridade "está a ter efeito devastador" na saúde física e mental
Ex-vice reitor da Independente quer anular licenciatura de Sócrates
CONTRAPODER: compacto da semana
O que é a verdade?
Neste casino, os swaps são a normalidade
"Bancos são piores do que a máfia"
Gaspar, o papão
O fim da linha para Gaspar
Cortes Gaspar acaba com mais 208 mil empregos até 2014
Crise foi provocada pela corrupção, não pelos excessos
Nobel da Economia diz que Portugal vai "demasiado depressa na austeridade"
Passos Coelho merece ser responsabilizado criminalmente?
As principais medidas apresentadas por Passos Coelho
O retrato dos cortes na despesa do Estado
Ferreira Leite avisa que sacrifícios não vão dar resultado
O bispo R. Williams enfrenta o ateu R. Dawkins
"Nunca encontrei o mundo tão opaco como hoje"


sexta-feira, 3 de maio de 2013

POLÍTICA&POLÍTICOS: Dubai? Não, é AR em Portugal!

Em 26 de Janeiro de 2013 escrevia e enviava eu este texto:
...a propósito de "Como os deputados justificam faltas por doença. Sim, são os mesmos que legislaram sobre a suspensão do vencimento nos 3 primeiros dias de um atestado médico!!!"
Aqui está e fica claro que, ipsis verbis da Resolução da AR nº 21/2009 anexa, "a palavra do Deputado faz fé" porque legitimado pelo "cheque" passado pelos "senhores eleitores" em dia de festa, quando não arraial, no dia das eleições. E eles, os senhores deputados, obviamente aproveitam a oportunidade, já que «quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é burro ou não não tem arte». Ora artes&manhas é o que não lhes falta - uns verdadeiros artistas, estes portugueses, pois então!
Então, para quê tanto "banzé", leia-se, manif's, greves, vigílias, ...? O mal está feito. Pior que isso, legitimado. E "legitimado pelo voto popular"!!! - como dizem eles depois e com razão, do alto do seu "poleiro", perdão, posto.
Pena é que sejam uns a pagar pelos erros dos outros, «o justo pelo pecador» - como sempre, aliás!!!
A pagar e a sofrer, no mínimo, com desaforos como estes:
Hoje, 1 de Maio de 2013 faço um copy/paste do mesmo, desta feita a propósito de mais um "dignificante" exemplo e esclarecedor facto desta democracia sui generis. Sim, porque quem os lá colocou? Um golpe de estado? Uma revolução? Nada disso, mas «O povo é quem mais ordena", o tal do «quanto mais me bates mais eu gosto de ti».
E, se não fôr antes, em 2015 ver-nos-emos de novo, sempre os mesmos para os mesmos de sempre! - tal&qual. A ver vamos!


Portugal, país com assistência económica,
onde a austeridade se impõe cada vez mais aos comuns portugueses.

Um jornalista tomou pequeno-almoço, almoçou, lanchou, jantou, e apanhou uma bebedeira por apenas 13,30 € no Bar/Restaurante da Assembleia da República.

A propósito de uma tabela de preços do bar da AR (Assembleia da República), postada ontem na página do facebook da Maior Tv, um comentário de um dos nossos leitores lançou-me o desafio. Escreveu ele: “gostava era de saber como é que ainda há pessoas que acreditam nisto!!!! Percam tempo com coisas concretas e inventem menos!!”
Pois bem, seguindo o conselho deste nosso leitor, vamos então “perder” um pouco do nosso tempo com coisas sérias.
Consta do Orçamento da AR para este ano (publicado em Diário da República) a rubrica: “Serviços de restaurante, refeitório e cafetaria - 960.850,00” (quase 1 milhão de euros). Prevendo-se a receita de 260 mil euros proveniente da venda de senhas de refeição. Isto é: tendo em conta o preço de custo, as receitas não ultrapassam os 30 por cento, o que equivale a uma venda abaixo de custo na ordem dos 70 por cento.
Mas pior do que isto, é o facto de ser o povo português a pagar a diferença que existe entre os 260 mil e os 960 mil euros.
Para que não restem dúvidas, o povo português paga cerca de 700 mil euros/ano para que os deputados da AR comam e bebam do melhor.
Segundo o caderno de encargos, no refeitório terá de ser servido:
Sopa: normal e dieta (obrigatoriamente elaborada com base em vegetais frescos e/ou congelados, sendo proibido o uso de bases pré-preparadas. São admissíveis sopas com elementos proteicos uma vez por semana – sopa de peixe, canja de galinha, etc.).
Carne, peixe, dieta, opção, Bitoque. Pão, integral ou de mistura; Salada; Sobremesas incluindo, no mínimo, 4 variedades de fruta e 4 de doces/bolos/sorvete, além de maçã assada e salada de frutas.
Exige ainda o caderno de encargos, uma mesa com complementos frios (saladas), com no mínimo 8 variedades entre as quais se incluem, obrigatoriamente, tomate, alface e cenoura, além de molhos e temperos variados.
Uma mesa com um prato vegetariano e mais 4 componentes quentes vegetarianos (cereais, leguminosas e legumes).
Sobre os ingredientes é exigido o seguinte:
Café: “O café para serviço nas Cafetarias deverá ser de 1ª qualidade, em grão para moagem local, observando lotes que incluam um mínimo de 50% de “arábica” na sua composição”.
Bacalhau: “O Bacalhau deverá ser obrigatoriamente da espécie Cod Gadusm morhua. Pode apresentar-se seco para demolha, fresco ou demolhado ultracongelado, observando-se como tamanho mínimo 1 Kg (“crescido”), para confecções prevendo “desfiados” (à Brás, com natas ou similares) ou 2 Kg (“graúdo”) para confecções “à posta”.
Carnes de Aves: “Peru (inteiro em carcaças limpas com peso superior a 5 Kg, coxas, bifes obtidos exclusivamente por corte dos músculos peitorais). Frango (inteiro em carcaças limpas com peso aproximado 1,2 Kg, coxas e antecoxas, bifes obtidos exclusivamente por corte dos músculos peitorais).
Agora vamos aos preços
Um jornalista meu amigo tomou pequeno-almoço, almoçou, lanchou, jantou, e apanhou uma bebedeira por apenas 13,30 € no Bar/Restaurante da AR.
Recorde-se que as refeições escolares no ensino básico atingem os 3,80 euros. O jornalista comparou os preços do bar da Assembleia da República frequentado por deputados e ministros, e ficou abismado.
Eram 8 da manhã. O jornalista pediu um café e um bolo de arroz, afim de tomar o pequeno-almoço, tendo pago 15 cêntimos, 5 do café e 10 do bolo.
Vendo ali “mama da grossa”, o jornalista bebeu 10 (Dez), repito 10 minis, tendo pago apenas 1 euro, (pois cada mini custa apenas 10 Cêntimos)!
A meio da manhã, o jornalista “mamou” um gin Bombay Sapphire (1,65 euros), e já perto do Almoço um vodka Eristoff (1,50 euros), para abrir o apetite.
Ao almoço, o jornalista comeu gambas, camarão tigre, lavagante, sapateira, queijo da Serra, presunto de Barrancos, garoupa e bife do lombo, regado com Palácio da Bacalhoa, por 3 euros!
Depois e para rematar um whisky Famous Grouse, que custou (2 euros).
Já de tarde solicitou uma garrafa de champanhe Krug (3 euros a garrafa) e caviar beluga (1 euro).
O jornalista passou a tarde no bar da AR, rodeado das deputadas Rita Rato (PCP), Francisca Almeida (PSD), Ana Drago e Marisa Matias do (BE).
Assim, por tudo isto, o meu amigo jornalista gastou qualquer coisa como13,30 €uros, num pequeno-almoço, almoço de marisco, com entradas de queijo da serra, presunto e caviar, com vinho do Palácio da Bacalhoa, e pelo meio alternadamente bebeu whisky, vodka e gin, rematando com champanhe Krug.
Obviamente saiu com uma piela de caixão à cova, mas que foi barato lá isso foi...
Agora sim, acabamos de perder um pouco do nosso tempo com coisas sérias.
 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

COMEMORAÇÃO: 1º de Maio

As parábolas transmitem uma impressão particularmente instrutiva dos múltiplos mundos de trabalho e dos diferentes contextos de vida dos contemporâneos de Jesus. Na sua diversidade situacional, revelam que o trabalho, aos olhos de Jesus, constitui uma evidente missão; no seu mundo de trabalho, o homem é percebido com todos os seus talentos e riqueza de ideias. A Jesus não interessa o estatuto social de alguém ou o valor da sua atividade, por isso ele pode falar muito naturalmente de um servo ou de um senhor, de um proprietário ou de um criado, de um rei ou do seu exército. Jesus vem ele próprio do mundo do trabalho e, durante a sua atividade pública, insere-se conscientemente no mundo do homem trabalhador. Dá assim a entender que confirma o mundo com as suas condições de vida e que vê no trabalho o elemento fundamental para a realização do mundo.
Ler mais em: http://www.snpcultura.org/Jesus_e_o_trabalho.html
                    http://www.snpcultura.org/papa_pede_novo_impulso_politica_emprego.html

E neste Dia do Trabalhador:

José Tolentino Mendonça
In Expresso, 27.4.2013
28.04.13

Hanna Arendt explica bem como este tempo a que nós chamamos, à falta de nome definitivo, era moderna se funda na inversão de posições entre a contemplação e a ação.
Os modos da existência contemplativa foram despojados da sua áurea (e, em grande medida, dos seus direitos de cidadania) e só a vida ativa é considerada legítima. O resultado foi a transformação efetiva de todo o agregado humano numa sociedade de trabalhadores.
O trabalho passou a ser visto como o fator determinante para a humanização, e o valor de cada pessoa vem descrito pelo valor económico que lhe está associado. Mesmo os reis e os presidentes, os médicos e os filósofos (etc, etc) passaram a olhar a sua atividade como um ganha-pão. Deixou de haver lugar para itinerários de natureza espiritual, artística ou política, dos quais pudessem brotar a evidência de dimensões humanas que a atividade laboral não cobre.
Ao perdermos a certeza naquelas realidades que a crença ou as artes iluminam, as nossas sociedades passaram a consolidar-se sempre mais como uma esfera de trabalho, e a satisfação das necessidades vitais impôs-se como o verdadeiro (para não dizer o exclusivo) elemento polarizador da atividade humana.
Mas Arendt pressiona ainda a nossa ferida e escreve: a perda da fé numa vida futura (ou numa vida diferente) não nos fez propriamente ganhar a vida. Longe disso. Tudo ficou, simplesmente, afetado pela instabilidade fundamental que carregamos. O que se desencadeou, no fundo, foi uma corrida cega para a frente, para não pensar muito nisso. Chegámos assim à hiperinflação do mundo do trabalho e à banalização redentora do consumo. Vivemos para trabalhar e para consumir. A vida e os bens que ela produz passaram a valer o mesmo não sei quê, esquivo e imediato, como a chama de um fósforo.
E não é tudo, como agora se vê. O campo do trabalho vive hoje uma convulsão que foge em muito ao nosso controlo e que nos obrigará a curto prazo a uma revisão de paradigma civilizacional. Os irrazoáveis números do desemprego testemunham a extensão da incerteza em que naufragámos.
Mas, mesmo mantendo um trabalho, muitos veem-se obrigados a defendê-lo a todo o custo, com uma sensação repetida de frustração, irracionalidade e solidão. Os problemas dos limites colocam-se cada vez mais. Acentua-se o fosso entre o que é possível e o que é pedido, numa aceleração permanente contra o tempo. A implacabilidade do sistema de trabalho cada vez menos respeita e acolhe a fragilidade da vida. Os trabalhadores têm de ser perfeitos e neutros como as máquinas que os rodeiam.
O psicólogo americano Gregory Bateson descreve as atuais práticas das grandes empresas como aquelas mães que dão com os filhos em esquizofrénicos com a quantidade de "injunções paradoxais" que lhes transmitem, sempre impossíveis de satisfazer, mas cada vez mais imperativas. Aumentam os objetivos a alcançar com meios assumidamente diminuídos. Quer-se maior qualidade e menor investimento. Estimula-se a autonomia e a criatividade individual à medida que se reforça o peso do controlo e a sofisticação extenuante dos processos. A racionalidade opera em banda estreita e veiculada a um uso puramente instrumental.
A crise contemporânea da atividade produtiva coloca-nos perante uma encruzilhada. E volto às palavras proféticas de Hanna Arendt: «O que se nos depara é a perspetiva de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, isto é, sem a única atividade que lhes resta». Precisamos seriamente de conversar.

CINEMA: vencedores da 10.ª edição do IndieLisboa

O Prémio Árvore da Vida, que a Igreja Católica atribui no IndieLisboa, festival internacional de cinema independente, distinguiu na edição de 2013 o filme “Lacrau”, de João Vladimiro. Os jurados aplaudiram a «viagem espiritual», a «força da experimentação», «o poder evocativo do silêncio» e a «estética narrativa sonora» do documentário de 99 minutos, que também ganhou a secção da Competição Nacional. “Lacrau” «procura o regresso “à curva onde o homem se perdeu” numa viagem que parte da cidade em direcção à natureza», aponta João Vladimiro, que já tinha conquistado o prémio de melhor realizador português de curta metragem no IndieLisboa de 2006 com o filme “Pé na Terra”. Os membros do júri decidiram também atribuir uma Menção Honrosa ao documentário “Rhoma Acans”, expressão romani que significa “Olhos Ciganos”, realizado por Leonor Teles.

terça-feira, 30 de abril de 2013

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: A utopia...

... destes 2 utópicos (?) de...
...ontem (2 mil e alguns anos):


http://abriu-lhesasescrituras.blogspot.pt/

e de hoje:


http://www.thevenusproject.com/

Mercadodiceia, ética e utopia
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3188276&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco

«Utopia, com efeito, segundo a etimologia do termo, é o que não tem lugar. O que acontece é que a ideologia do sistema dá mais um passo e vai mais longe ao ajuizar todo um projecto utópico, porque para o sistema estabelecido, a utopia é não só o que não tem lugar, mas também o que é impossível, o irreal, o puramente imaginário e onírico (...), ou seja, a utopia pode-se conceber de outro modo muito diferente, já que se pode entender como a antecipação do futuro, de um futuro melhor, um futuro verdadeiramente justo e digno do homem (...). Um exemplo: Todos sabemos em que condições tinham que viver os trabalhadores aquando da grande revolução industrial, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Àqueles homens e mulheres faziam-nos trabalhar até dezasseis ou dezoito horas diárias, com uns salários de miséria, em péssimas condições sanitárias e sem seguros de nenhuma espécie - onde é que eu já (ou)vi isso, na China de hoje não? E Viva a OMC!. Pois bem, se àquelas pessoas lhes dizem que vai chegar o dia em que terão um dia de trabalho de oito horas com o sábado e o domingo pagos sem trabalhar, que terão além disso férias anuais de um mês também pago, que irão ter seguro de doença e de velhice, e que até se ficarem sem trabalho lhes continuarão a pagar uma renda suficiente para que não morram de fome, é evidente que aqueles trabalhadores iriam dizer que tudo isso era uma utopia formidável. E, no entanto, essa utopia é já uma realidade, apesar das muitas limitações que ainda tem o nosso direito laboral. (...) Ainda que custe suor e sangue, como aconteceu com as reinvindicações sociais que conseguiram os trabalhadores ao longo da história do movimento operário.»
in " Teologia para Comunidades" de José Maria Castillo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

quem conhece ESSES "DESCONHECIDOS" (23): Gianna Beretta Molla

...que merecem ser CONHECIDOS - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer?



Gianna nasceu a 4 de otubro de 1922, em Magenta, na Itália. Pertencia a uma família de 13 irmãos. Escolheu a profissão de médica a qual já era uma tradição na família e casou em 1955 com Pietro Molla, engenheiro industrial também militante da Ação Católica. Estava decidida a formar uma famíla cristã e a coadonar a sua vida familiar, profissional e apostólica no seu projeto de vida.
Ingressou na Ação Católica desde muito jovem, em 1943 e pôs-se ao serviço dos irmãos através de variados cargos , quer na área estudantil quer paroquial. Aos 39 anos, grávida do seu quarto filho, começou a ter complicações de saúde. Mais tarde, o seu marido, então com 82 anos recorda os pormenores: «Durante a quarta gravidez, em setembro de 1961, apareceu um grande fibroma no útero, por causa do qual, aos dois meses e meio de gestação do bebé, foi necessário fazer uma intervenção cirurgica».
Este foi o início do holocausto. Fidelíssima aos seus princípios morais e religiosos, ordenou sem hesitações que o cirurgião se ocupasse em primeiro lugar de salvar a vida da sua "criaturinha". Nas vésperas do parto não hesitou reunir à sua cabeceira o marido e os médicos para lhes dizer:_Se tiverem de escolher entre o bebé e eu, não duvidem: escolham, exijo-vos , a criança. Salvem-na!" Com estas convicções profundas e sabendo o que a esperava, ( Gianna era pediatra), deu entrada na clínica de Monza no dia 20 de Abril de 1962, sexta feira santa, tendo dado à luz a sua filha Gianna Manuela. Santa Gianna faleceu oito dias depois.
O seu processo para a canonização teve início em 1980.
O Papa João Paulo II declarou-a venerável em julho de 1991.Durante mais de 20 anos a sua vida, os seus escritos, os testemunhos e as virtudes desta jovem mulher, foram cuidadosamente examinados, bem como os milagres atribuidos à sua intercessão e confirmados pela Igreja. Na sua beatificação, a 24 de abril de 1994, o Papa propô-la como modelo para todas as mães.Foi proclamada Santa no dia 16 de maio de 2004.
 
FONTE:
Ler mais em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Gianna_Beretta_Molla

domingo, 28 de abril de 2013

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHO – Jo 13,31-33a.34-35
Quando Judas saiu do cenáculo, disse Jesus aos seus discípulos:
«Agora foi glorificado o Filho do homem
e Deus glorificado n’Ele.
Se Deus foi glorificado n’Ele,
Deus também O glorificará em Si mesmo e glorificá-l’O-á sem demora.
Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco. Dou-vos um mandamento novo:
que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei,
amai-vos também uns aos outros.
Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos:
se vos amardes uns aos outros».
AMBIENTE
Estamos na fase final da caminhada histórica do “Messias”. Aproxima-se a “Hora”, o momento em que vai nascer – a partir do testemunho do amor total cumprido na cruz – o Homem Novo e a nova comunidade.
O contexto em que este trecho nos coloca é o de uma ceia, na qual Jesus Se despede dos discípulos e lhes deixa as últimas recomendações. Jesus acabou de lavar os pés aos discípulos (cf. Jo 13,1-20) e de anunciar à comunidade desconcertada a traição de um do grupo (cf. Jo 13,21-30); nesses quadros, está presente o seu amor (que se faz serviço simples e humilde no episódio da lavagem dos pés e que se faz amor que não julga, que não condena, que não limita a liberdade e que se dirige até ao inimigo mortal, na referência a Judas, o traidor). Em seguida, Jesus vai dirigir aos discípulos palavras de despedida; essas suas palavras – resumo coerente de uma vida feita de amor e partilha – soam a testamento final. Trata-se de um momento muito solene; é a altura em que não há tempo nem disposição para “conversa fiada”: aproxima-se o fim e é preciso recordar aos discípulos aquilo que é mesmo fundamental na proposta cristã.
MENSAGEM
O texto divide-se em duas partes. Na primeira parte (vers. 31-32), Jesus interpreta a saída de Judas, que acabou de deixar a sala onde o grupo está reunido, para ir entregar o “mestre” aos seus inimigos. A morte é, portanto, uma realidade bem próxima… Jesus explica, na sequência, que a sua morte na cruz será a manifestação da sua glória e da glória do Pai. O termo "doxa" aqui utilizado traduz o hebraico “kabod” que pode entender-se como “riqueza”, “esplendor”. A “riqueza”, o “esplendor” do Pai e de Jesus manifesta-se, portanto, no amor que se dá até ao extremo, até ao dom total. É que a “glória” do Pai e de Jesus não se manifesta no triunfo espectacular ou na violência que aniquila os maus, mas manifesta-se na vida dada, no amor oferecido até ao extremo. A entrega de Jesus na cruz vai manifestar a todos os homens a lógica de Deus e mostrar a todos como Deus é: amor radical, que se faz dom até às últimas consequências.
Na segunda parte (vers. 33a.34-35) temos, então, a apresentação do “mandamento novo”. Começa com a expressão “meus filhos” (vers. 33a) – o que nos coloca num quadro de solene emoção e nos leva ao “testamento” de um pai que, à beira da morte, transmite aos seus filhos a sua sabedoria de vida e aquilo que é verdadeiramente fundamental.
Qual é, portanto, a última palavra de Jesus aos seus, o seu ensinamento fundamental?
“Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos amei, vós deveis também amar-vos uns aos outros”. O verbo “agapaô” (“amar”) aqui utilizado define, em João, o amor que faz dom de si, o amor até ao extremo, o amor que não guarda nada para si mas é entrega total e absoluta. O ponto de referência no amor é o próprio Jesus (“como Eu vos amei”); as duas cenas precedentes (lavagem dos pés aos discípulos e despedida de Judas) definem a qualidade desse amor que Jesus pede aos seus: “amar” consiste em acolher, em pôr-se ao serviço dos outros, em dar-lhes dignidade e liberdade pelo amor (lavagem dos pés), e isso sem limites nem discriminação alguma, respeitando absolutamente a liberdade do outro (episódio de Judas). Jesus é a norma, não com palavras, mas com actos; mas agora traduz em palavras os seus actos precedentes, para que os discípulos tenham uma referência.
O amor (igual ao de Jesus) que os discípulos manifestam entre si será visível para
todos os homens (vers. 35). Esse será o distintivo da comunidade de Jesus. Os discípulos de Jesus não são os depositários de uma doutrina ou de uma ideologia, ou os observantes de leis, ou os fiéis cumpridores de ritos; mas são aqueles que, pelo amor que partilham, vão ser um sinal vivo do Deus que ama. Pelo amor, eles serão no mundo sinal do Pai.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar, na reflexão da Palavra, as seguintes linhas:
♦ A proposta cristã resume-se no amor. É o amor que nos distingue, que nos identifica; quem não aceita o amor, não pode ter qualquer pretensão de integrar a comunidade de Jesus. O que é que está no centro da nossa experiência cristã? A nossa religião é a religião do amor, ou é a religião das leis, das exigências, dos ritos externos? Com que força nos impomos no mundo – a força do amor, ou a força da autoridade prepotente e dos privilégios?
♦ Falar de amor hoje pode ser equívoco… A palavra “amor” é, tantas vezes, usada para definir comportamentos egoístas, interesseiros, que usam o outro, que fazem mal, que limitam horizontes, que roubam a liberdade… Mas o amor de que Jesus fala é o amor que acolhe, que se faz serviço, que respeita a dignidade e a liberdade do outro, que não discrimina nem marginaliza, que se faz dom total (até à morte) para que o outro tenha mais vida. É este o amor que vivemos e que partilhamos?
♦ Por um lado, a comunidade de Jesus tem de testemunhar, com gestos concretos, o amor de Deus; por outro, ela tem de demonstrar que a utopia é possível e que os homens podem ser irmãos. É esse o nosso testemunho de comunidade cristã ou religiosa? Nos nossos comportamentos e atitudes uns para com os outros, os homens descobrem a presença do amor de Deus no mundo? Amamos mais do que os outros e interessamo-nos mais do que eles pelos pobres e pelos que sofrem?
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=946
 
 
 
 
 
 
 

sábado, 27 de abril de 2013

(in)PRENSA semanal: a minha selecção

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.

Situação da Caixa Geral de Aposentações "é insustentável"
Marinheiros chineses esgotam leite em pó à passagem por Lisboa
Portas trava reformas
UGT defende unidade com a CGTP
Secretários de Estado podem ter sido afastados por gestão danosa de empresa pública
Contrapoder: compacto da semana
Swaps nas empresas públicas podem revelar novo buraco orçamental
Autarca Isaltino vai gerir Oeiras da prisão e (ainda) guarda milhares na Suíça
'Chumbo do TC vai gerar desigualdades muito graves'
Gaspar abre guerra "duríssima" no Governo
Subsídio de férias em duodécimos é ilegal
Salazar preservou mais a soberania nacional que Cavaco
O medo está ao leme
Cavaco "swap"


 
 

 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

POLÍTICA e HISTÓRIA: Momentos do 25 de abril ao longo dos anos

Portugal celebra hoje o 39.º aniversário da Revolução dos Cravos. Trinta e nove anos depois, falta cumprir Abril com os seus «3D's» - Descolonizar, Democratizar, Desenvolver. Senão vejamos:
 1. Na "D"escolonização, passamos de colonizadores (?) a colonizados da Srª Dona Isabel dos Santos, BCP, BPI, Zon & Cia. Com o dinheiro de quê e de quem? 
 2. Na "D"emocracia temos aquela que permite que sempre os mesmos, sejam os mesmos de sempre, com liberdade sim, mas para nos fazerem maldades. Porquê? Porque «o povo é quem mais ordena»! nas urnas pois claro;
 3. No "D"esenvolvimento os factos estão aí bem conhecidos & sofridos da crise económica e social, da corrupção generalizada, da falta de cidadania activa, disto&daquilo. Ora «contra factos não há argumentos» ponto final






- http://expresso.sapo.pt/carlos-beato-solidario-com-os-ausentes-nas-comemoracoes-do-25-de-abril=f802653?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2013-04-25

- http://expresso.sapo.pt/momentos-do-25-de-abril-ao-longo-dos-anos=f802649#ixzz2RU90Gwxj