"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























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quarta-feira, 8 de julho de 2020

EFEMÉRIDE/RECORDAÇÃO/COMEMORAÇÃO: 8 de Julho

Focados&centrados na pandemia do Covid-19, convém lembrar uma outra "pandemia" que, infelizmente&lamentavelmete persiste já lá vão muitos e muitos anos. Mas enquanto para aquela a descoberta de uma vacina está para breve, para esta que, qual Dum Dum, também mata que se farta, a vacina existe, é conhecida e foi recomendada há pelo menos 7 anos nesta data AQUI. Ora porque teimosamente não é aplicada, antes, pelos vistos, adiada sine die, há que continuar a tentar, a lembrar e a apontar o caminho a seguir. Como AQUI foi feito.

domingo, 21 de junho de 2020

EFEMÉRIDE&COMEMORAÇÃO: Hoje, 21 de Junho, no Dia Europeu da Música ...

... impensável e imperdoável é não fazer memória destes grandes músicos europeus, GeorgeJohnPaul e R. Starr, sobretudo dando a conhecer o seu canal oficial para os visitar e rever quando se quiser, apetecer, e puder, porque, quanto a gostar, haverá quem não goste? Partindo d'AQUI, passando por AQUI, chega-se ao tal canal AQUI e não a este outro de que também se gosta.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

COMEMORAÇÃO/RECORDAÇÃO/EFEMÉRIDE: Festa Litúrgica dos Santos Pastorinhos de Fátima Francisco e Jacinta Marto

São Francisco Marto, vidente de Fátima AQUI e Santa Jacinta Marto, vidente de Fátima AQUI. Para saber mais clicar AQUI.
Lucas, o menino brasileiro que sustenta o milagre dos pastorinhos AQUI, AQUI e AQUI.
Dia dos Pastorinhos passa a feriado em Juranda, terra do menino curado por sua intercessão. Para saber mais clicar AQUI.
O MILAGRE DOS PASTORINHOS FRANCISCO E JACINTA AQUI (contra factos não há argumentos)



























Lucas, o menino brasileiro que sustenta o milagre dos pastorinhos

quinta-feira, 15 de junho de 2017

EFEMÉRIDE: Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – Ano A

Escutamos antes de tudo uma declaração de Jesus: «Eu sou o pão vivo, descido do Céu». Os ouvintes são remetidos por Jesus não para alguma coisa com carácter de extraordinário, de grandeza, de força, mas para a humilde realidade do pão que cada um come diariamente para se sustentar e que muitos têm de procurar, por vezes até mendigar na sua pobreza. Para saber mais, clicar AQUI e AQUI.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

EVOCAÇÃO/EFEMÉRIDE/RECORDAÇÃO: NATAL

...visto assim por AQUI, por AQUI e ainda com um avô&pai por AQUI.


O que se comemora no Natal não é algo outro que não a humana e terrena consubstanciação do amor de Deus pelo mundo e pelos seres humanos na forma da carne. Repetimos, na forma da carne. O bebé Jesus não é um espírito com carne, um fantasma que se reveste de matéria, o bebé Cristo é carne. E por tal, rigorosamente por tal, é vida, a Vida. O literal advento de Deus na forma da humana carne é o momento culminante do ser: não há ser mais perfeito do que este. Para saber mais, clicar AQUI.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EFEMÉRIDE/EVOCAÇÃO: S. João de Brito.

«Não é fácil imaginar hoje o que era o dia a dia de João de Brito; visitando o país tamil podemos ver as mesmas gentes e a mesma paisagem, assim como muitos dos monumentos que ele observou; deslocando-nos pela região podemos sentir a omnipresença do Hinduísmo, tal como João certamente a sentia; notamos também a continuação da lenta infiltração muçulmana, iniciada precisamente no final do século XVII. Mas o país modificou-se: os meios de comunicação desenvolveram-se e o estado de guerra permanente desapareceu; o Cristianismo levado pelos missionários não superou a religião local, mas a tolerância promoveu novos hábitos e novos tipos de convivência. Torna-se, pois, quase impossível recriar todo o antagonismo que rodeou a atividade evangelizadora de João.» A Igreja Católica assinala a 4 de fevereiro a memória do missionário mártir nascido em Portugal.
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sábado, 1 de fevereiro de 2014

EFEMÉRIDE: «Meus amigos, socorro»: Apelo do Abbé Pierre em favor dos sem-abrigo foi lançado há 60 anos.

«Meus amigos, socorro… Uma mulher acabou de morrer de frio, esta noite às três horas, no passeio da rua Sebastopol, apertando o papel pelo qual, anteontem, tinha sido despejada…» A resposta da população foi extraordinária: de toda a França e do estrangeiro, ao longo de meses, chegaram bens materiais, géneros alimentares, vestuário, além de donativos em dinheiro. As Forças Armadas e os grandes armazéns disponibilizaram camionetas para o armazenamento das doações. Celeiros e caves foram esvaziados. Numa manhã, Abbé Pierre é chamado ao Hotel Crillon: um homem simples, sorriso grave, quase intimidado, entrega-lhe um envelope com dois milhões de francos: «Devo-vos milhões. Não os dou, entrego-os. Pertencem ao vagabundo que fui e que incarnei. Esta não é senão a justa devolução das coisas», disse Charlie Chaplin.
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

EFEMÉRIDE: Dia Mundial da Paz

A primeira mensagem do papa Francisco para o próximo Dia Mundial da Paz, que se assinala a 1 de janeiro de 2014, amplia o significado da palavra “fraternidade”, alargando-a à espiritualidade, justiça e intervenção social.
A fundamentação do documento assenta principalmente em dois trechos bíblicos: a narrativa do homicídio de Abel, por parte de Caim, extraída do primeiro livro da Bíblia, o Génesis, e as palavras de Cristo, para quem a existência de um só Pai, que é Deus, implica que todos os seres humanos sejam irmãos (cf. Mateus 23, 8-9).
Francisco também constrói o seu raciocínio a partir das encíclicas “Populorum progressio”, de Paulo VI, e “Sollicitudo rei socialis”, de João Paulo II: «Da primeira, apreendemos que o desenvolvimento integral dos povos é o novo nome da paz e, da segunda, que a paz é opus solidaritatis, fruto da solidariedade».
A partir do texto, intitulado “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”, que pode ser lido integralmente em baixo, escolhemos 26 palavras a que atribuímos excertos do documento.
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Sabedoria e fraternidade
Para quem tomar os três conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade em si mesmos, não pode deixar de os considerar como valores incontestáveis, seja para um cristão, seja para quem for. Por isso, o observador desprevenido acha estranho que a Igreja tenha levantado objeções à sua valorização. De facto, a Igreja, durante o longo pontificado do papa Pio IX, e, depois disso, durante muito tempo, não hesitou em condenar o liberalismo em geral e o liberalismo católico em particular. Foi preciso uma muito lenta maturação intelectual e doutrinal para que a vigilância censória do Vaticano atenuasse as suas desconfianças. Quanto à trilogia que os liberais apresentavam quase como um novo Evangelho, a apologética cristã do século XIX interpretava-a como pura hipocrisia: do seu ponto de vista, os liberais não queriam instaurar a igualdade e a fraternidade, mas destruir a Igreja.
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e
Lídia Jorge: Que sabe a cultura acerca da Fraternidade?
«Avaliar nos dias que correm quanto a cultura sabe sobre a fraternidade implica estar atento às metáforas que os contemporâneos criam e estimar a forma como agem, por antítese, sobre aqueles que a elas têm acesso.»
«Dentro de nós, tal como os textos mostram, existe um ser que se constrói para o amor. Eu mergulho as mãos nos textos e encontro esse recado por toda a parte.»
Excertos da intervenção da escritora Lídia Jorge na conferência proferida na 7.ª Jornada da Pastoral da Cultura, a 17 de junho, dedicada ao tema “Elogio da Fraternidade”.
Ler mais em:

domingo, 8 de dezembro de 2013

EFEMÉRIDE/COMEMORAÇÃO: Maria e Portugal, uma devoção nacional?

Em 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Tal verdade mariana era há muito confessada em Portugal e era mesmo a inovação da padroeira do reino. Mas agora vinha de Roma a definição, e, para o nacionalismo de muitos influentes, Roma era o estrangeiro e mesmo a ameaça, já que Pio IX não se cansava de levantar objeções à teoria e à prática dos regimes liberais. Estava novamente em uso o beneplácito, pelo qual as decisões pontifícias só se executariam entre nós depois da aprovação das Cortes. Teve de esperar-se até março do ano seguinte… Estes quatro meses de demora em reconhecer para Portugal o dogma da Imaculada Conceição levantaram reparos nos meios católicos mais ativos. A demora era dos poderes públicos e não da piedade portuguesa, afirmava A Nação de 17 de abril de 1855: «Portugal, que sempre se distinguiu pelo seu zelo religioso, e pela pureza da sua fé, Portugal, que nas suas cortes e universidades jura há séculos a defesa da Imaculada Conceição, não podia, apesar de todas as desgraças, deixar de associar-se à alegria universal de todos os católicos ao ser definido pela Igreja como dogma, o que para ele era uma crença religiosa, e um princípio de nacionalidade».
Mais em:

MÚSICA&EFEMÉRIDE: Bill Frisell & John Lennon - La Villete Jazz Festival 2012




1. You've Got To Hide Your Love Away
2. #9 Dream
3. Come Together
4. Julia
5. Please Please Me
6. In My Life
7. Strawberry Fields Forever
8. Imagine

Bill Frisell - guitar, Greg Liezs - pedal-steel guitar, Tonny Scherr - bass, Kenny Wollesen - drums.

sábado, 30 de novembro de 2013

EFEMÉRIDE: Etty Hillesum morreu há 70 anos

Etty Hillesum nasceu a 15 de janeiro de 1914, em Middelburg, Holanda, e morreu a 30 de novembro de 1943, aos 29 anos, no campo de concentração de Auschwitz, Polónia.
 
Depois desta noite, houve um momento em que senti seriamente que, de futuro, seria pecado voltar alguma vez a rir. Mas lembrei-me então de que, não obstante, alguns haviam partido a rir, embora não muitos, apenas alguns, desta vez. E talvez haja também quem ria de vez em quando na Polónia, embora não venham a ser muitos deste transporte, creio eu. (…) Disse-vos já por diversas vezes que não existem palavras ou imagens adequadas para descrever noites como esta. Ainda assim, tenho de tentar registar alguma coisa. Aqui, temos sempre a sensação de sermos os ouvidos e os olhos de um pedaço de História judaica, havendo também a necessidade de, por vezes, sermos uma pequena voz. Temos de manter-nos ao corrente de tudo o que acontece nos quatro cantos deste mundo, cada um deve dar o seu contributo para o grande mosaico estar totalmente preenchido no fim da guerra.
Mais em:

domingo, 20 de outubro de 2013

EFEMÉRIDE: Hoje "DIA MUNDIAL DAS MISSÕES"

"Existem pessoas que poucos têm a coragem de visitar". "Existem caminhos que poucos têm a coragem de trilhar!" - AIS, Ajuda a Igreja que sofre


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

EFEMÉRIDE: SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

LEITURA I – Ap 11,19a;12,1-6a.10ab
Leitura do Apocalipse de São João
O templo de Deus abriu-se no Céu
e a arca da aliança foi vista no seu templo.
Apareceu no Céu um sinal grandioso:
uma mulher revestida de sol,
com a lua debaixo dos pés
e uma coroa de doze estrelas na cabeça.
Estava para ser mãe
e gritava com as dores e ânsias da maternidade.
E apareceu no Céu outro sinal:
um enorme dragão cor de fogo,
com sete cabeças e dez chifres
e nas cabeças sete diademas.
A cauda arrastava um terço das estrelas do céu
e lançou-as sobre a terra.
O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe,
para lhe devorar o filho, logo que nascesse.
Ela teve um filho varão,
que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro.
O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono
e a mulher fugiu para o deserto,
onde Deus lhe tinha preparado um lugar.
E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu:
«Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus
e o domínio do seu Ungido».
BREVE COMENTÁRIO
As visões do Apocalipse exprimem-se numa linguagem codificada. Elas revelam que Deus arranca os seus fiéis de todas as formas de morte. Por transposição, a visão o sinal grandioso pode ser aplicada a Maria.
O livro do Apocalipse foi composto no ambiente das perseguições que se abatiam sobre a jovem Igreja, ainda tão frágil. O profeta cristão evoca estes acontecimentos numa linguagem codificada, em que os animais terrificantes designam os perseguidores. A Mulher pode representar a Igreja, novo Israel, o que sugere o número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do baptismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O Dragão é o perseguidor, que põe tudo em acção para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em acção para proteger o seu Filho.
Proclamando esta mensagem na Assunção, reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.
LEITURA II – 1 Cor 15,20-27
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios
Irmãos:
Cristo ressuscitou dos mortos,
como primícias dos que morreram.
Uma vez que a morte veio por um homem,
também por um homem veio a ressurreição dos mortos;
porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram,
assim também em Cristo serão todos restituídos à vida.
Cada qual, porém, na sua ordem:
primeiro, Cristo, como primícias;
a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda.
Depois será o fim,
quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai
depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder.
É necessário que Ele reine,
até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés.
E o último inimigo a ser aniquilado é a morte,
porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés.
Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido
é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.
BREVE COMENTÁRIO
A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão.
Todo o capítulo 15 desta epístola é uma longa demonstração da ressurreição. Na passagem escolhida para a festa da Assunção, o apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida.
O apóstolo não evoca Maria, mas se proclamamos esta leitura na Assunção, é porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.
EVANGELHO – Lc 1,39-56
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias,
Maria pôs-se a caminho
e dirigiu-se apressadamente para a montanha,
em direcção a uma cidade de Judá.
Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
o menino exultou-lhe no seio.
Isabel ficou cheia do Espírito Santo
e exclamou em alta voz:
«Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre.
Donde me é dado
que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?
Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos
a voz da tua saudação,
o menino exultou de alegria no meu seio.
Bem-aventurada aquela que acreditou
no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito
da parte do Senhor».
Maria disse então:
«A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
porque pôs os olhos na humildade da sua serva:
de hoje em diante me chamarão bem-aventurada
todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses
e depois regressou a sua casa.
BREVE COMENTÁRIO
O cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.
Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição.
Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.
Rezar por Maria.
Frequentemente, ouvimos a expressão: “rezar à Virgem Maria”… Esta maneira de falar não é absolutamente exacta, porque a oração cristã dirige-se a Deus, ao Pai, ao Filho e ao Espírito: só Deus atende a oração. Os nossos irmãos protestantes que, contrariamente ao que se pretende, por vezes têm a mesma fé que os católicos e os ortodoxos na Virgem Maria Mãe de Deus, recordam-nos que Maria é e se diz ela própria a Serva do Senhor.
Rezar por Maria é pedir que ela reze por nós: “Rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte!” A sua intervenção maternal em Caná resume bem a sua intercessão em nosso favor. Ela é nossa “advogada” e diz-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”
Rezar com Maria.
Ela está ao nosso lado para nos levar na oração, como uma mãe sustenta a palavra balbuciante do seu filho. Na glória de Deus, na qual nós a honramos hoje, ela prossegue a missão que Jesus lhe confiou sobre a Cruz: “Eis o teu Filho!” Rezar com Maria, mais que nos ajoelharmos diante dela, é ajoelhar-se ao seu lado para nos juntarmos à sua oração. Ela acompanha-nos e guia-nos na nossa caminhada junto de Deus.
Rezar como Maria.
Aprendemos junto de Maria os caminhos da oração. Na escola daquela que “guardava e meditava no seu coração” os acontecimentos do nascimento e da infância de Jesus, nós meditamos o Evangelho e, à luz do Espírito Santo, avançamos nos caminhos da verdade. A nossa oração torna-se acção de graças no eco ao Magnificat. Pomos os nossos passos nos passos de Maria para dizer com ela na confiança: “que tudo seja feito segundo a tua Palavra, Senhor!”

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

EFEMÉRIDE: José Afonso faria hoje 84 anos!

Memórias de uma aula


Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal

Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar
beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram
3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com
saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar
e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser
mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém
de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º
34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é
o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos
um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal,
dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política.
Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e
contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente
uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não
sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês
contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo
revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz
que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser
comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando
entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite
da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine
na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui
parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também
não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada
com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as
primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam
a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que
já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o
rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes
não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um
homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter
uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das
primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto,
rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em
silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala,
impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar
uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo
conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma
algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer
professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas
ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se
importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto
esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se,
efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em
pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia.
Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo
dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano
passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas
disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não
tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma
matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui
desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em
palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele
ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto,
calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas
absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem
interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha
passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse,
como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de
pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de
falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que
nos governa é uma ditadura desumana e cruel.


Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o
sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e
nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que
ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as
devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se
sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo
branco, que se sente mas não se apalpa.


- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho
leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria.
Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque,
no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º
ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar.
Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um
onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria
e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que
lutar por um novo país.


Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha,
basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale
nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida,
mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão
ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que
nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão,
educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os
privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei.
Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela
nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país,
carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou
abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou
ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses
de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e
cultural.


Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm
que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do
vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma
falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem
os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é
com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem
trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que
devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim
porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas.
Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais
velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que
mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos
com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar
princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e
mulheres de Portugal. Não concordam?


Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.
Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que
fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de
Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

sábado, 29 de junho de 2013

EFEMÉRIDE: Dia de S. Pedro e S.Paulo

Quando celebramos o triunfo da graça de Deus em Pedro e Paulo, celebramos igualmente o facto de também nós podermos ser grandes, cada um de acordo com a sua realidade. A festa é também uma oportunidade para afastar todos os falsos medos que nos segredam que nunca sairemos do que somos hoje, todos aqueles medos que nos dizem que nem Deus nos pode fazer crescer interiormente, que nem Deus nos pode tornar grandes.
Ler mais em:

quarta-feira, 1 de maio de 2013

COMEMORAÇÃO: 1º de Maio

As parábolas transmitem uma impressão particularmente instrutiva dos múltiplos mundos de trabalho e dos diferentes contextos de vida dos contemporâneos de Jesus. Na sua diversidade situacional, revelam que o trabalho, aos olhos de Jesus, constitui uma evidente missão; no seu mundo de trabalho, o homem é percebido com todos os seus talentos e riqueza de ideias. A Jesus não interessa o estatuto social de alguém ou o valor da sua atividade, por isso ele pode falar muito naturalmente de um servo ou de um senhor, de um proprietário ou de um criado, de um rei ou do seu exército. Jesus vem ele próprio do mundo do trabalho e, durante a sua atividade pública, insere-se conscientemente no mundo do homem trabalhador. Dá assim a entender que confirma o mundo com as suas condições de vida e que vê no trabalho o elemento fundamental para a realização do mundo.
Ler mais em: http://www.snpcultura.org/Jesus_e_o_trabalho.html
                    http://www.snpcultura.org/papa_pede_novo_impulso_politica_emprego.html

E neste Dia do Trabalhador:

José Tolentino Mendonça
In Expresso, 27.4.2013
28.04.13

Hanna Arendt explica bem como este tempo a que nós chamamos, à falta de nome definitivo, era moderna se funda na inversão de posições entre a contemplação e a ação.
Os modos da existência contemplativa foram despojados da sua áurea (e, em grande medida, dos seus direitos de cidadania) e só a vida ativa é considerada legítima. O resultado foi a transformação efetiva de todo o agregado humano numa sociedade de trabalhadores.
O trabalho passou a ser visto como o fator determinante para a humanização, e o valor de cada pessoa vem descrito pelo valor económico que lhe está associado. Mesmo os reis e os presidentes, os médicos e os filósofos (etc, etc) passaram a olhar a sua atividade como um ganha-pão. Deixou de haver lugar para itinerários de natureza espiritual, artística ou política, dos quais pudessem brotar a evidência de dimensões humanas que a atividade laboral não cobre.
Ao perdermos a certeza naquelas realidades que a crença ou as artes iluminam, as nossas sociedades passaram a consolidar-se sempre mais como uma esfera de trabalho, e a satisfação das necessidades vitais impôs-se como o verdadeiro (para não dizer o exclusivo) elemento polarizador da atividade humana.
Mas Arendt pressiona ainda a nossa ferida e escreve: a perda da fé numa vida futura (ou numa vida diferente) não nos fez propriamente ganhar a vida. Longe disso. Tudo ficou, simplesmente, afetado pela instabilidade fundamental que carregamos. O que se desencadeou, no fundo, foi uma corrida cega para a frente, para não pensar muito nisso. Chegámos assim à hiperinflação do mundo do trabalho e à banalização redentora do consumo. Vivemos para trabalhar e para consumir. A vida e os bens que ela produz passaram a valer o mesmo não sei quê, esquivo e imediato, como a chama de um fósforo.
E não é tudo, como agora se vê. O campo do trabalho vive hoje uma convulsão que foge em muito ao nosso controlo e que nos obrigará a curto prazo a uma revisão de paradigma civilizacional. Os irrazoáveis números do desemprego testemunham a extensão da incerteza em que naufragámos.
Mas, mesmo mantendo um trabalho, muitos veem-se obrigados a defendê-lo a todo o custo, com uma sensação repetida de frustração, irracionalidade e solidão. Os problemas dos limites colocam-se cada vez mais. Acentua-se o fosso entre o que é possível e o que é pedido, numa aceleração permanente contra o tempo. A implacabilidade do sistema de trabalho cada vez menos respeita e acolhe a fragilidade da vida. Os trabalhadores têm de ser perfeitos e neutros como as máquinas que os rodeiam.
O psicólogo americano Gregory Bateson descreve as atuais práticas das grandes empresas como aquelas mães que dão com os filhos em esquizofrénicos com a quantidade de "injunções paradoxais" que lhes transmitem, sempre impossíveis de satisfazer, mas cada vez mais imperativas. Aumentam os objetivos a alcançar com meios assumidamente diminuídos. Quer-se maior qualidade e menor investimento. Estimula-se a autonomia e a criatividade individual à medida que se reforça o peso do controlo e a sofisticação extenuante dos processos. A racionalidade opera em banda estreita e veiculada a um uso puramente instrumental.
A crise contemporânea da atividade produtiva coloca-nos perante uma encruzilhada. E volto às palavras proféticas de Hanna Arendt: «O que se nos depara é a perspetiva de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, isto é, sem a única atividade que lhes resta». Precisamos seriamente de conversar.