"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Em dia de...

...BALANÇOS&...
Radiografia'13
Um ano irrevogável
2013 foi uma caixa de pandora
...DESEJOS
"Tenha um bom ano" - A frase mais batida nestes dias, ontem, hoje & amanhã. Como será isso se esse "bom" não cai do céu? Pois, pois, cabe-nos a nós & cada um, construí-la dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, para que ela não passe por ser apenas um gesto da época, rotineiro&ritualizado. Então, reflictamos/pensemos/meditemos, por exemplo, nisto:
Três.


e... mãos à obra.
Tenha um bom ano!!!

ESPIRITUALIDADE: Dizer «obrigado» no último dia do ano

«Se a tua única oração na vida for “obrigado”, isso bastará (Mestre Eckhart)». A gratidão não é apenas uma atitude de louvor, é também o elemento básico de uma verdadeira crença em Deus. Quando inclinamos as nossas cabeças em sinal de gratidão, reconhecemos que as obras de Deus são boas. Reconhecemos que não podemos salvar-nos por nós próprios. Proclamamos que a nossa existência e todas as coisas boas que ela tem, não vêm do nosso expediente, fazem parte da obra de Deus. A gratidão é o aleluia à existência, o louvor que ressoa através do Universo, como um tributo à presença de Deus, constante entre nós, incluindo neste momento.
Ler mais em:

O HOMEM DO ANO

...para a Time e, também, para mim. Porquê?
Porque há razões mais do que suficientes. Entre muitas e variadas, estas (as mais recentes):
Papa é a "pessoa do ano" para a revista "Time"
Porque é que a revista "Time" escolheu o papa Francisco para personalidade do ano?
Papa Francisco tem «sinceridade e autenticidade que nenhum líder mundial pode igualar», diz "Financial Times"
Parlamento europeu nomeia Papa Francisco "Comunicador do ano"
Revista gay elege Papa personalidade do ano
Francisco: a alegria do Evangelho (1)
Francisco: a alegria do Evangelho (2)
Papa Francisco poderá ouvir fiéis em confissão
Os croissants mornos do Papa
Estamos dispostos a ouvir?
«Tenho muita esperança no papa», diz Pedro Mexia
A Revolução do Papa Francisco - Episódio 27 do Prós e Contras
Francisco pelas ruas de Roma ao encontro dos pobres.
O Papa Francisco gostaria de visitar os pobres à noite
ROMA, 29 de Novembro de 2013
Muitos já tinham imaginado a cena: um homem vestido de branco que, na calada da noite, distribui esmola aos pobres nas ruas de Roma. É uma das tantas “lendas urbanas” sobre o Papa Francisco, mas com um fundo de verdade.
Quem realmente executa esta atividade é monsenhor Konrad Krajewski, esmoleiro de sua Santidade, que admitiu: "Quando eu lhe dizia que ia ter com os pobres, ele perguntava-me se podia vir comigo".
Encontrando-se com um grupo de jornalistas, dom Conrado (por esse nome é familiarmente conhecido monsenhor Krajewski no Vaticano) tratou de forma alegre aqueles que lhe perguntavam se alguma vez o Papa o tinha efectivamente acompanhado nas suas saídas nocturnas. “Por favor, peço-vos, façam-me outra pergunta”, disse, sorrindo. o bispo polaco.
Sabe-se que, durante os anos do seu ministério episcopal em Buenos Aires, o Cardeal Jorge Mário Bergoglio, normalmente era encontrado entre as pessoas marginalizadas da capital argentina. Em Roma, porém, isso seria logisticamente muito inconveniente, tanto para o Papa, como para a Guarda Vaticana. Ao Papa foi, então, desaconselhado uma presença nocturna “on the road” por motivos de oportunidade e segurança.
"Nós rapidamente percebemos que poderia haver problemas de segurança. É uma coisa complicada. Mas ele é assim, não pensa nos problemas”, explicou o esmoleiro.
O próprio facto de que monsenhor Krajewski não tenha confirmado, nem negado, uma presença do Papa ao seu lado, durante as visitas nocturnas aos pobres, fez pensar que algumas vezes o Santo Padre possa ter realmente ido.
Além disso, o prelado brincou: “Quando digo ao Papa que saio esta noite para a cidade, há sempre o risco de que ele venha comigo".
O que é certo é que o pontífice argentino tem particularmente no coração a actividade do seu esmoleiro ao qual disse um dia: “os teus braços serão uma extensão dos meus braços”. Cada pobre que encontre, “dom Conrado”, abrace-o, dando-lhe simbolicamente o abraço do Papa.
"Olhe - disse uma vez Francisco - estes são os meus braços, são limitados, se os estendemos aos de Conrado podemos tocar os pobres de toda a Itália”.
Desde o momento da sua nomeação, no passado mês de Agosto, monsenhor Krajewski , que dá voltas por Roma a bordo de um Fiat Qubo, visitou 15 casas, dormitórios e famílias necessitadas.
Há pouco tempo foi a Lampedusa, onde levou 1600 cartões telefónicos aos sobreviventes. depois do último naufrágio perto da ilha.
Seguindo o conselho do mesmo Papa Francisco, o esmoleiro pontifício renunciou à sua escrivaninha: “não combina contigo, podes vendê-la”, disse-lhe o papa
“Dom Conrado” não espera que os pobres toquem à porta dos Muros Leoninos: é ele mesmo que sai por aí procurando-os, e também esta é uma indicação precisa de Bergoglio.
Foi também o papa a dizer-lhe: "Sempre que alguém te chame de "Excelência", pede-lhe a taxa para os pobres: 5 euros!”
Normalmente monsenhor Krajewski distribui aos pobres de 200 a 1.000 euros por dia. A instituição de caridade que dirige é definida por ele como o "Pronto Socorro do Papa”: só em 2002, este departamento pontifício distribuiu aos pobres um milhão de euros.
Sempre que Francisco encontra o seu esmoleiro, pergunta-lhe se precisa de dinheiro. Uma vez disse-lhe: “a conta está boa quando estiver vazia: significa que o dinheiro saiu para fazer o bem”.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MÚSICA: Chet Baker & Cia...

Como classificar isto?


Photos by © Manuel Vagos Trumpet -- Chet Baker Alto Saxophone -- Paul DesmondBass -- Ron Carter Drums -- Steve Gadd  Guitar -- Jim Hall  Piano -- Roland Hanna

Magistral? Não chega!
Os não apreciadores que se cuidem:


Tracklisting :
00:00 -- Summertime http://bit.ly/14iP3ME
04:14 -- Tenderly http://bit.ly/14iP3ME
10:48 - Time After Time http://bit.ly/17wWf5I
14:55 -- Marilyn http://amzn.to/14xVezn
18:23 - Secret Love http://bit.ly/1erOsda
24:00 - All Blues http://bit.ly/1erOsda
29:32 - Angel Eyes http://bit.ly/142vnsl
34:10 - My Funny Valentine (Unissued version) http://bit.ly/199Ii4o
39:30 - Darn That Dream http://bit.ly/12ZRNjY
43:09 - Deep In a Dream http://bit.ly/17wWuxB
47:40 - Blue Bossahttp http://amzn.to/1cILfb6
53:15 - I Married an Angel http://bit.ly/142zi8y
56:52 - Round Midnight http://bit.ly/12ZTuOn
01:01:00 - Line For Lyons (with Gerry Mulligan) http://bit.ly/142zqVy
01:04:00 - Whats New http://bit.ly/142zDIo
01:09:00 - When I Fall in Love http://bit.ly/1bbA6xS
01:13:00 - My Funny Valentine http://amzn.to/13McD0V
01:18:00 - You Go to My Head http://bit.ly/1erQXMK -

Não? Mesmo assim?
Não sabem o que perdem!!!

domingo, 29 de dezembro de 2013

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHOLc 2,41-52
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém,
pela festa da Páscoa.
Quando Ele fez doze anos,
subiram até lá, como era costume nessa festa.
Quando eles regressavam, passados os dias festivos,
o Menino Jesus ficou em Jerusalém,
sem que seus pais o soubessem.
Julgando que Ele vinha na caravana,
fizeram um dia de viagem
e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos.
Não O encontrando,
voltaram a Jerusalém, à sua procura.
Passados três dias,
encontraram-n’O no templo,
sentado no meio dos doutores,
a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas.
Todos aqueles que O ouviam
estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas.
Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados;
e sua Mãe disse-Lhe:
«Filho, porque procedeste assim connosco?
Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura».
Jesus respondeu-lhes:
«Porque Me procuráveis?
Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?»
Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse.
Jesus desceu então com eles para Nazaré
e era-lhes submisso.
Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração.
E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça,
diante de Deus e dos homens.
AMBIENTE
O Evangelho que nos é proposto é o final do “Evangelho da infância” de Lucas. Ora, já sabemos que a finalidade do “Evangelho da infância” não é fazer uma reportagem sobre os primeiros anos da vida de Jesus, mas sim fazer catequese sobre Jesus; nessa catequese, diz-se quem é Jesus e apresentam-se algumas coordenadas teológicas que vão, depois, ser desenvolvidas no resto do Evangelho.
A “catequese” de hoje situa-nos em Jerusalém. A Lei judaica pedia que os homens de Israel fossem três vezes por ano a Jerusalém, por alturas das três grandes festas de peregrinação (Páscoa, Pentecostes e Festa das Cabanas – cf. Ex 23,17-17). Ainda que os rabinos não considerassem obrigatória esta lei até aos treze, muitos pais levavam os filhos antes dessa idade. Jesus tem doze anos e, de acordo com o texto de Lucas, foi com Maria e José a Jerusalém celebrar a Páscoa.
É neste ambiente de Jerusalém e do Templo que Lucas situa as primeiras palavras pronunciadas por Jesus no Evangelho. Elas são, sem dúvida, o centro do nosso relato.
MENSAGEM
A chave deste episódio está, portanto, nas palavras pronunciadas por Jesus quando, finalmente, se encontra com Maria e José: “porque me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?”
O significado (a catequese) da resposta à pergunta de Maria é que Deus é o verdadeiro Pai de Jesus. Daqui deduz-se que as exigências de Deus são, para Jesus, a prioridade fundamental, que ultrapassa qualquer outra exigência. A sua missão – a missão que o Pai Lhe confia – vai obrigá-l’O a romper os laços com a própria família (cf. Mc 3,31-35).
É possível que haja ainda, aqui, uma referência à paixão/morte/ressurreição de Jesus: tanto o episódio de hoje, como os factos relativos à morte/ressurreição, são situados num contexto pascal; em ambas as situações Jesus é abandonado – aqui por Maria e José e, mais tarde, pelos discípulos – por pessoas que não compreendem que a sua prioridade é o projecto do Pai; em ambas as situações, Jesus é procurado (cf. Lc 24,5) e tem de explicar que a finalidade da sua vida é cumprir aquilo que o Pai tinha definido (cf. Lc 24,7.25-27.45-46). Lucas apresenta aqui a chave para entender toda a vida de Jesus: Ele veio ao mundo por mandato de Deus Pai e com um projecto de salvação/libertação. Àqueles que se perguntam porque deve o Messias percorrer determinado caminho, Lucas responde: porque é a vontade do Pai. Foi para cumprir a vontade do Pai que Jesus veio ao nosso encontro e entrou na nossa história.
Atente-se, ainda, em duas questões um tanto marginais, mas que podem servir também para a nossa reflexão e edificação: em primeiro lugar, reparemos no entusiasmo que Jesus tem pela Palavra de Deus e pelas questões que ela levanta; em segundo lugar, a “declaração de independência” de Jesus pode ajudar-nos a compreender que a família não é o lugar fechado, onde cada pessoa cresce em horizontes limitados e fechados, mas é o lugar onde nos abrimos ao mundo e aos outros, onde nos armamos para partir à conquista do mundo que nos rodeia.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão do Evangelho de hoje deve ter em conta as seguintes questões:
¨ Para Jesus, a prioridade fundamental a que tudo se subjuga (até a família) é o projecto de Deus, o plano que Deus tem para cada pessoa. Se os planos dos pais e os planos de Deus entram em choque, quais devem prevalecer?
¨ Anima-nos o mesmo entusiasmo de Jesus pela Palavra de Deus? Somos capazes de esquecer outros interesses legítimos para nos dedicarmos à escuta, à reflexão e à discussão da Palavra? Vemos nela um meio privilegiado de conhecer o projecto que Deus tem para nós?
¨ Maria e José não fizeram cenas diante da resposta “irreverente” de Jesus. Aceitaram que o jovem Jesus não lhes pertencia exclusivamente: Ele tinha a sua identidade e a sua missão próprias. É assim que nos situamos face àqueles com quem partilhamos a experiência familiar?
¨ A nossa família potencia o nosso crescimento, abrindo-nos horizontes e levando-nos ao encontro do mundo, ou fecha-nos num espaço cómodo mas limitado, onde nos mantemos eternamente dependentes?
 
Deus não protege da noite, mas na noite: Meditação sobre o Evangelho do Domingo da Sagrada Família

sábado, 28 de dezembro de 2013

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.
O Negócio das Águas - Grande Investigação
Governo Ocultados 1.045 milhões em benefícios fiscais a grandes grupos
Crise Portugueses influentes no Mundo discutem soluções para País
Papa Francisco aponta critérios para se trabalhar no Vaticano: profissionalismo, serviço, santidade e horror às intrigas
DGTF Empresas públicas gastam 368 milhões em suplementos
Fundos de Bruxelas para combater pobreza podem tapar buracos do Estado
Radiografia 2013
Ainda bem que Passos Coelho não percebe
Perdão para matemático que descodificou código nazi
A rede da diáspora portuguesa
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/editorial.aspx?content_id=3603122
E agora, Senhor Presidente?
EUA Revelação de espionagem é "missão cumprida", diz Snowden
Portugal pagou quase 3 mil milhões à 'troika em juros e comissões desde 2012
Criança a morrer pediu músicas de Natal. Milhares de pessoas foram cantar-lhe à janela
http://expresso.sapo.pt/crianca-a-morrer-pediu-musicas-de-natal-milhares-de-pessoas-foram-cantar-lhe-a-janela=f847682#ixzz2oTnhKCpe
Artigo A "amnésia colectiva" e o "estado de negação" dos governantes
"Irrevogável" custou... 2,3 mil milhões
Wall Street Journal Jornal americano comenta o amor pela Bimby num País em crise
Natal adocicado de conto de fadas não existe no Evangelho, diz Francisco
2013 Os 120 mil novos empregos de Passos que (afinal) são 22 mil
Portugal mais "vulnerável" a episódios de agitação social em 2014

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CINEMA: "O Passado"

Gerida com delicadeza, na progressiva intimidade dos espaços e das personagens, a narrativa fílmica de Asghar Farhadi faz-nos olhar por dentro e por fora o que há de único e comum nas relações, ao mesmo tempo que levanta questões pertinentes sobre a complexidade das famílias, do papel do homem e da mulher, das relações de trabalho e de imigração que não se reduzem nem ao contexto francês nem ao iraniano. Prémio do júri ecuménico na última edição de Cannes, o filme foi elogiado como ilustração do versículo bíblico «e a verdade vos libertará» (João 8, 32).
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/o_passado.html

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Cultivar a alegria de cada dia

Um elemento que caracteriza a alegria é o facto dela não nos pertencer. É pessoalíssima, é completamente nossa, identifica-se connosco, mas não nos pertence. A alegria não nos pertence. A alegria atravessa-nos. A alegria é sempre um dom. A alegria nasce do acolhimento. A alegria nasce quando eu aceito construir a minha vida numa cultura de hospitalidade. Se insonorizo o meu espaço vital, se impermeabilizo a minha atenção, a alegria não me visita. A alegria é um dom da amizade acolhida.
A alegria não é programada. Não posso, por exemplo, dizer: daqui a um minuto vou-me rir. Não sei quando é que me vou rir. A alegria é um dom que me visita na surpresa, no não anunciado. E nesse sentido tenho de viver em hospitalidade. O meu coração é uma soleira, uma porta entreaberta. A minha vida vive do acolhimento amigável. Temos de adquirir uma porosidade, deixarmo-nos tocar, deixarmo-nos ligar pelo fluxo reparador da vida.
Há um filme de Ingmar Bergman em que uma personagem é uma rapariga anoréxica - e sabemos como a anorexia é uma forma de desistir da própria vida, de desinvestir afetivamente. A rapariga vai falar com um médico e ele diz-lhe isto, que também vale para nós todos: «Olha, há só um remédio para ti, só vejo um caminho: em cada dia deixa-te tocar por alguém ou por alguma coisa.» A alegria é esta hospitalidade.
Os dias sem alegria são completamente sem memória. Chegamos ao fim não lembramos um único gesto, uma única fase, um único encontro, uma única ação, não temos nada para contar. Tive de ver e de escutar muitas coisas, e de estar entre muita gente, mas não quis nada daquilo nem daqueles; não permiti que existisse um trânsito, um retorno; não abri o meu coração ... Há que transformar a nossa vida no sentido da hospitalidade. A amizade ensina-nos isso.
Não há alegria sem inocência. Mas inocência naquele sentido que apontava a escritora Cristina Campo: «Nós não nascemos inocentes, mas podemos morrer inocentes.» A inocência da infância espiritual é aquela inocência com a qual e pela qual podemos morrer: a inocência de um coração simples; da gratuidade; da confiança.
Se não tenho um coração de criança não sou herdeiro do Reino de Deus. Isto é, não sou herdeiro do reino da vida, não vejo cintilar, não vislumbro. E aqui, as crianças são exemplares porque elas entretêm-se com os pequenos nadas, que no fundo são as coisas mais sérias, as coisas donde colhem a luz. E nós precisamos disso. Precisamos dessa infância. De descobrir infâncias dentro de nós. Não é por acaso que todos os amigos são amigos da infância, mesmo aqueles que fazemos pela vida fora. A principal infância a testemunhar é essa futura.
Em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, no sarcasmo, na maledicência, no lamento., caminhemos suavemente no sentido contrário. Cresçamos na simplicidade, na gratidão, no despojamento e na confiança. A alegria tem a ver com uma essencialidade que só na pobreza espiritual se pode acolher.

José Tolentino Mendonça
In Nenhum caminho será longo, ed. Paulinas
23.05.13
© SNPC | 23.05.13

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

EFEMÉRIDE: É Natal?

ONDE ESTÁ A FILA PRA VER JESUS
 


Afinal, o que nos narra a presépio que encontramos aqui e ali nas praças ou nas igrejas, ou aquele que nós próprios construímos nas nossas casas? O nascimento de uma criança de um casal pobre, uma família em viagem, para a qual não havia lugar nem sequer na estalagem. Todavia, àquela gruta, àquele recém-nascido chegam muitos pobres: pastores, donas de casa, habitantes dos povoados, e chegam com presentes para o menino pobre, enfaixado, que tem por berço uma manjedoura de estrebaria. É portanto o presépio que nos convida a fazer o mesmo. Se gostamos de o ver, se o construímos para estar em festa, então que se refaça o mesmo movimento: ir ao encontro de quem precisa e gratuitamente dar a quem não pode retribuir. E para os cristãos, o presépio torna-se profecia. Aquela criança na manjedoura, com efeito, também disse, como Messias e Juiz: «Tudo o que tiverdes feito a um destes pobres que são meus e vossos irmãos, a mim o fizestes».
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/a_licao_do_presepio.html
«Deus abandonou a sua glória e veio até mim. / Viveu entre tipos insignificantes como eu / Por mim, e em meu lugar, entregou-se / tomando sobre si vergonha e humilhação. / Perante atenções tais dou comigo a pensar: / Quem sou eu? / Se um Rei derramou o seu sangue por mim. / Quem sou eu? / Ele rezou toda a noite por mim». Não, não foi um autor espiritual quem assinou estes versos dedicados ao tema teológico da Incarnação. Talvez constitua uma surpresa, mas estes versos fazem parte do reportório de um mito (e não apenas americano) do rock’n roll, Elvis Presley, morto há mais de trinta anos, mas que continua a ser celebrado, amado e até idolatrado. O seu universo poético e musical não unia apenas transgressões exasperadas, convenções e esteriótipos, protesto e felicidade rápida, mas combinava também o country branco com o rythm and blues negro, cujos temas tinham frequentemente uma espessura espiritual.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/tvb_um_vagido_que_atravessa_coracao.html
Se olharmos para o enredo natalício, mesmo no modo sóbrio como os Evangelhos o relatam, percebemos que nada é cor-de-rosa. O que os seus atores vão viver é uma história de instabilidade, perturbação e desconcerto. “O que é que nos aconteceu?” – ter-se-ão perguntado repetidas vezes Maria e José, mas também os pastores acordados em sobressalto ou os magos vindos de longe. “O que é que nos aconteceu?”. E não tinham à mão (como nós não temos) tranquilizantes respostas, mas sim um caminho que lhes era proposto na surpresa, na maturação paciente e na confiança. O próprio local onde a cena se desenvolve, um modestíssimo piso térreo que servia de refúgio aos animais, mostra bem a implacável dureza das circunstâncias. Mas doutra maneira como é que esta divina história poderia servir de modelo para todas as histórias humanas?!
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/paisagens_trazemos_por_viver_ainda_uma_infancia.html

domingo, 22 de dezembro de 2013

ESPIRITUALIDADE: Calendário e Peregrinação de Advento.

Temos de pedir: «Venha o Vosso Reino, Senhor! Que o teu Reino seja sobre todos os nossos invernos, sobre todas as nossas esterilidades, sobre todos os nossos desertos, as nossas desistências, os nossos cansaços uma primavera pujante. Uma rebentação de vida». Na verdade, o compromisso com o Reino hipoteca as nossas forças, a nossa criatividade, o nosso respirar… Desta mansa violência, precisamos todos os dias. Se não estivermos a construir o Reino de Deus, estamos a construir o nosso reino. Precisamos dessa violência sobre nós. Precisamos de dizer um sim que seja sim, e um não que seja não. O reino de Deus precisa desta energia. Ele não é uma coisa que está feita, está em construção, está em devir.
Mais em: