«O êxito de um bom dito reside no ouvido daquele que o escuta, não daquele que o pronuncia» (Shakespeare)
"Porquê?" & "Para quê?"
Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
Mostrar mensagens com a etiqueta Pe. José Tolentino de Mendonça. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pe. José Tolentino de Mendonça. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO por Pe. José Tolentino de Mendonça ...
AQUI.
Etiquetas:
"A fé no nascimento",
"Aprender o repouso",
"Esta vida",
"O infinito ferido",
"O que falta",
"Vulnerabilidade e graça",
atenção,
Meditação,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
reflexão,
SNPCultura
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
LEITURA: "O Hipopótamo de Deus"
“L’ippopotamo di Dio – Farsi domande vale piu’ che darsi rapide risposte” é o título da tradução em italiano do livro “O hipopótamo de Deus”, do padre José Tolentino Mendonça, que a Libreria Editrice Vaticana lançou neste mês de dezembro.
Ler mais em:
e
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Meditações para o caminho do Advento
«Nas mãos do oleiro/ o universo descobre-se/ inacabado»
Uma das formas fundamentais da sabedoria é a descoberta que cada um de nós vai fazendo, a ciclo e a contraciclo, a tempo e fora de tempo, na nossa vida. E numa vida adulta avançada, muitas vezes é isto que experimentamos: descobrimo-nos inacabados porque nos descobrimos nas mãos do oleiro.
É importante associar a experiência da vida em aberto e a experiência de estarmos a viver continuamente um processo de criação.
Este dia da nossa vida, em que parece que já não há nada para acontecer, em que parece que já vivemos tudo o que havia a viver, é um dia da criação.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/meditacoes_advento.html
«Estás sempre à minha frente/ quando penso que sim/ quando penso que não»
Nós levamos tanto tempo à procura de saber a razão, de saber o sentido, e, no fundo, é isso que nos move, e é isso que pensamos que nos faz felizes. E depois descobrimos que a bem-aventurança não é essa. A bem-aventurança não consiste em conhecer.
A bem-aventurança consiste em alguma coisa que vamos descobrir, alguma coisa que não nos está dito. Não basta a articulação do saber, os livros que lemos, as coisas que ouvimos.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/meditacoes_advento_2.html
«Queres saber o que rezo nas orações?/ troncos secos, gravetos/ cercas e barro vermelho»
Muitas vezes encontramos na nossa vida coisas, pessoas, situações, acontecimentos que são um riacho que desconhecemos onde termina. Passam por nós e continuam a sua viagem. Com que sabedoria olharemos para esse riacho? É fazendo o seu caminho assobiando, isto é, sem pressas, sem pretensões, sem querer explicar, mas saborear o momento.
Uma das formas fundamentais da sabedoria é a descoberta que cada um de nós vai fazendo, a ciclo e a contraciclo, a tempo e fora de tempo, na nossa vida. E numa vida adulta avançada, muitas vezes é isto que experimentamos: descobrimo-nos inacabados porque nos descobrimos nas mãos do oleiro.
É importante associar a experiência da vida em aberto e a experiência de estarmos a viver continuamente um processo de criação.
Este dia da nossa vida, em que parece que já não há nada para acontecer, em que parece que já vivemos tudo o que havia a viver, é um dia da criação.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/meditacoes_advento.html
«Estás sempre à minha frente/ quando penso que sim/ quando penso que não»
Nós levamos tanto tempo à procura de saber a razão, de saber o sentido, e, no fundo, é isso que nos move, e é isso que pensamos que nos faz felizes. E depois descobrimos que a bem-aventurança não é essa. A bem-aventurança não consiste em conhecer.
A bem-aventurança consiste em alguma coisa que vamos descobrir, alguma coisa que não nos está dito. Não basta a articulação do saber, os livros que lemos, as coisas que ouvimos.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/meditacoes_advento_2.html
«Queres saber o que rezo nas orações?/ troncos secos, gravetos/ cercas e barro vermelho»
Muitas vezes encontramos na nossa vida coisas, pessoas, situações, acontecimentos que são um riacho que desconhecemos onde termina. Passam por nós e continuam a sua viagem. Com que sabedoria olharemos para esse riacho? É fazendo o seu caminho assobiando, isto é, sem pressas, sem pretensões, sem querer explicar, mas saborear o momento.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/meditacoes_advento_3.html
«Primeiro dia de primavera:/ que distante me parece/ o inverno»
Os invernos são muitas vezes o retrato da nossa vida. Como Tchekhov dizia: a vida de um homem é um inverno gelado. Muitas vezes os invernos prolongam-se e não têm fim. E depois, de um dia para o outro, as coisas mudam. O drama das nossas vidas é pensarmos: «Isto vai ser sempre assim, nunca mais vai acabar, a partir de agora perco toda a esperança».
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/meditacoes_advento_4.html
«Primeiro dia de primavera:/ que distante me parece/ o inverno»
Os invernos são muitas vezes o retrato da nossa vida. Como Tchekhov dizia: a vida de um homem é um inverno gelado. Muitas vezes os invernos prolongam-se e não têm fim. E depois, de um dia para o outro, as coisas mudam. O drama das nossas vidas é pensarmos: «Isto vai ser sempre assim, nunca mais vai acabar, a partir de agora perco toda a esperança».
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/meditacoes_advento_4.html
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
LEITURA: "A mística do instante"
O essencial está além, só na pobreza da nossa carne e do nosso tempo, que são também carne e tempo de Deus, podemos entrevê-lo. Ver, entrever e experimentá-lo na transparência do instante. Não é fugindo ao banal e ao ordinário, pois ele habita todo o comprimento delicioso e árduo do nosso caminho.
Ler mais em:
Etiquetas:
"A mística do instante",
carne,
Deus,
existência,
infinito,
leitura,
livro,
Paulinas editora,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
Pobreza,
tempo
segunda-feira, 28 de julho de 2014
LEITURA: "Verbo: Deus como interrogação na poesia portuguesa"
A antologia de poesia "Verbo: Deus como interrogação na poesia portuguesa", com seleção de Pedro Mexia e padre José Tolentino Mendonça, vai ser apresentada esta quinta-feira, 17 de julho, em Lisboa.
A sessão, marcada para as 18h30 na Capela do Rato, conta com as intervenções do crítico literário Fernando J.B. Martinho e Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. O ator e encenador Luís Miguel Cintra lerá alguns dos poemas.
Do volume publicado pela Assírio & Alvim que foi lançado no último sábado, em Famalicão, durante o encontro "Carmina 1", revelamos grande parte do texto introdutório, a que juntamos seis poemas.
Continuar a ler...
Deus como interrogação na poesia: Confirmações e surpresas numa antologia para crentes e não crentes
A revelação de poetas de quem não se suspeitava a inquietação de Deus constituiu um dos aliciantes do processo de elaboração da antologia “Verbo – Deus como interrogação na poesia portuguesa”, considera o escritor e crítico literário Pedro Mexia, um dos coorganizadores do volume. «Foi muito gratificante no trabalho que levou à publicação do livro o facto de termos incluído poetas que não eram evidentes, que não tínhamos pensado à partida, poetas que as pessoas podem estranhar estarem incluídos numa antologia com esta temática. Este foi um dos desafios e processos mais estimulantes». O vídeo que publicamos inclui excertos das intervenções de Pedro Mexia e José Tolentino Mendonça na sessão de apresentação da antologia, em Famalicão. Continuar a ler (com vídeo)…
A revelação de poetas de quem não se suspeitava a inquietação de Deus constituiu um dos aliciantes do processo de elaboração da antologia “Verbo – Deus como interrogação na poesia portuguesa”, considera o escritor e crítico literário Pedro Mexia, um dos coorganizadores do volume. «Foi muito gratificante no trabalho que levou à publicação do livro o facto de termos incluído poetas que não eram evidentes, que não tínhamos pensado à partida, poetas que as pessoas podem estranhar estarem incluídos numa antologia com esta temática. Este foi um dos desafios e processos mais estimulantes». O vídeo que publicamos inclui excertos das intervenções de Pedro Mexia e José Tolentino Mendonça na sessão de apresentação da antologia, em Famalicão. Continuar a ler (com vídeo)…
Luís Miguel Cintra lê poemas da antologia "Verbo: Deus como interrogação na poesia portuguesa"
Poemas de Vitorino Nemésio, Ruy Cinatti, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, José Bento, Ruy Belo, Cristovam Pavia, Pedro Tamen, Adília Lopes. Continuar a ver (com vídeo)…
quarta-feira, 18 de junho de 2014
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Olhar para a vida
É necessário decidir entre o amor ilusório à vida, que nos faz adiá-la perenemente, e o amor real, mesmo que ferido, com que a assumimos. Entre amar a vida hipoteticamente pelo que dela se espera ou amá-la incondicionalmente pelo que ela é, muitas vezes em completa impotência, em pura perda, em irresolúvel carência. Condicionar o júbilo pela vida a uma felicidade sonhada é já renunciar a ele, porque a vida é dececionante (não temamos a palavra). Continuar a ler…
terça-feira, 13 de maio de 2014
segunda-feira, 17 de março de 2014
CINEMA: "Her (Uma história de amor)", "Nebraska", "O cardeal judeu"
"Her"
É inevitável a empatia imediata com o mundo solitário de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix). Na volubilidade de um processo de divórcio, ensimesmado, voltado para si e para o seu mundo que rui, Theodore vagueia entre o trabalho como escritor, que providencia aos seus clientes eloquentes cartas que exprimem o amor e o afeto que eles mesmos são incapazes de pôr em palavras, durante o dia, e as noites ocupadas entre jogos de vídeo, redes sociais e as memórias dolorosas da separação. Não é um filme sobre a solidão, mas propõe um mundo onde cada um de nós é desencontro, desconhecimento e reclusão. “Her” não configura, na aparência de uma fotografia de cores quentes e quase tácteis, a distopia de um mundo desumanizado e sob regulação totalitária, mas mergulha-nos num universo onde cada indivíduo é um átomo isolado, à mercê do isolamento emocional, afetivo e humano.
Ler mais em:É inevitável a empatia imediata com o mundo solitário de Theodore Twombly (Joaquin Phoenix). Na volubilidade de um processo de divórcio, ensimesmado, voltado para si e para o seu mundo que rui, Theodore vagueia entre o trabalho como escritor, que providencia aos seus clientes eloquentes cartas que exprimem o amor e o afeto que eles mesmos são incapazes de pôr em palavras, durante o dia, e as noites ocupadas entre jogos de vídeo, redes sociais e as memórias dolorosas da separação. Não é um filme sobre a solidão, mas propõe um mundo onde cada um de nós é desencontro, desconhecimento e reclusão. “Her” não configura, na aparência de uma fotografia de cores quentes e quase tácteis, a distopia de um mundo desumanizado e sob regulação totalitária, mas mergulha-nos num universo onde cada indivíduo é um átomo isolado, à mercê do isolamento emocional, afetivo e humano.
http://www.snpcultura.org/her_o_estranho_mundo_de_theodore.html
"Nebraska"
“Nebraska” é um olhar perspicaz, terno e bem humorado sobre os encantos e os desencantos do outono da vida, num caminho melancólico feito a dois – um percurso de relação materializada entre pai e filho, onde ambos se redescobrem. Relação feita de consonâncias e dissonâncias, de rudeza e de afetos, a viagem segue sob um argumento original bem gizado, a cargo de Bob Nelson, ilustrado num preto e branco que não apenas expõe contrastes mas se concentra na estrita essência visual, escusando tudo quanto seja acessório ao retrato daquela relação acompanhada com realismo e simpatia. E para o seu bom resultado, contribui a belíssima prestação de Bruce Dern, o protagonista. À nomeação para a Palma de Ouro em Cannes no ano de 2013 e à consagração como melhor ator que aí foi devida a Bruce Dern, somam-se agora a candidatura aos Óscares em seis categorias: melhor filme, realização, argumento original, direção fotográfica, ator principal e atriz secundária – June Squibb, no papel de Kate.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/nebraska.html
"O cardeal judeu"
http://www.snpcultura.org/padre_tolentino_mendonca_e_rabi_eliezer_di_martino_comentam_filme_o_cardeal_judeu.html
"O cardeal judeu"
O padre José Tolentino Mendonça, biblista e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, e Eliezer di Martino, rabino na sinagoga Shaaré Tikva (Portas da Esperança) de Lisboa vão comentar em conjunto o filme “O cardeal judeu” (“Le métis de Dieu”). Moderado pelo jornalista António Marujo, o encontro agendado para 30 de março marca o encerramento da “Judaica”, 2.ª Mostra de Cinema e Cultura que decorre a partir do dia 27 do mesmo mês no cinema São Jorge, em Lisboa, revela o site da iniciativa. O filme de 90′ realizado em 2012 pelo cineasta francês Ilan Duran Cohen conta «a surpreendente história de Jean-Marie Lustiger, filho de emigrantes judeus polacos em França, que manteve a sua identidade cultural judaica mesmo depois de se converter, ainda jovem, ao catolicismo e de ser ordenado padre».
Ler mais em:http://www.snpcultura.org/padre_tolentino_mendonca_e_rabi_eliezer_di_martino_comentam_filme_o_cardeal_judeu.html
Etiquetas:
"Her (Uma história de amor)",
"Nebraska",
"O cardeal judeu",
cinema,
Eliezer di Martino,
filmes,
Ilan Duran Cohen,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
SNPCultura,
Spike Jonze
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
ESPIRITUALIDADE: Religiões estão a ganhar segunda hipótese de vida nas sociedades secularizadas
As religiões estão a ganhar «uma segunda hipótese na vida dos indivíduos nas sociedades secularizadas, devido ao desencanto em relação à vida», considera o padre José Tolentino Mendonça. «Mesmo as grandes obras da humanidade sabem a pouco se não houver mais nada. Ficam aquém desta fome e desta sede que habitam o coração humano», defende o diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura em entrevista publicada este sábado no semanário “Expresso”. A adesão a uma crença não implica o condicionamento da liberdade, sustenta: «Ficamos com a ideia de que a religião é uma espécie de açaime, uma domesticação do indivíduo. É o seu contrário. O que nós vemos nos percursos religiosos mais autênticos é uma intensificação dessa própria rebeldia e um questionamento». «Às vezes pensamos na religião como uma possibilidade de anulação da razão. Pelo contrário, a religião é um grande espaço de racionalidade», salienta, acrescentando que a crença precisa do «diálogo com a razão, embora sejam, de facto, dimensões diferentes».
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/religioes_estao_ganhar_segunda_hipotese_vida_sociedades_secularizadas.html
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: É preciso aprender a arte do silêncio, a fecundidade da escassez, o vigor que há na sede
Quando as escolas «são feitas para a aprendizagem da palavra, do discurso, do conceito, do saber fazer», na convicção de que «só o conhecimento positivista das coisas» lhes pode dar «o seu sentido», faltam «mestres do silêncio, escolas que permitam aprender a não fazer, a pausa, a interrupção, os caminhos silenciosos, a contenção».
Em entrevista publicada esta quarta-feira no "Jornal de Letras" (JL), o padre José Tolentino Mendonça considera que é precisa «a aprendizagem da arte do silêncio, a fecundidade que há na escassez, o vigor que existe na sede», em contraponto a uma sociedade que «caminha noutro sentido».
Ler mais em:
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Cultivar a alegria de cada dia
Um elemento que caracteriza a alegria é o facto dela não nos pertencer. É pessoalíssima, é completamente nossa, identifica-se connosco, mas não nos pertence. A alegria não nos pertence. A alegria atravessa-nos. A alegria é sempre um dom. A alegria nasce do acolhimento. A alegria nasce quando eu aceito construir a minha vida numa cultura de hospitalidade. Se insonorizo o meu espaço vital, se impermeabilizo a minha atenção, a alegria não me visita. A alegria é um dom da amizade acolhida.
A alegria não é programada. Não posso, por exemplo, dizer: daqui a um minuto vou-me rir. Não sei quando é que me vou rir. A alegria é um dom que me visita na surpresa, no não anunciado. E nesse sentido tenho de viver em hospitalidade. O meu coração é uma soleira, uma porta entreaberta. A minha vida vive do acolhimento amigável. Temos de adquirir uma porosidade, deixarmo-nos tocar, deixarmo-nos ligar pelo fluxo reparador da vida.
Há um filme de Ingmar Bergman em que uma personagem é uma rapariga anoréxica - e sabemos como a anorexia é uma forma de desistir da própria vida, de desinvestir afetivamente. A rapariga vai falar com um médico e ele diz-lhe isto, que também vale para nós todos: «Olha, há só um remédio para ti, só vejo um caminho: em cada dia deixa-te tocar por alguém ou por alguma coisa.» A alegria é esta hospitalidade.
Os dias sem alegria são completamente sem memória. Chegamos ao fim não lembramos um único gesto, uma única fase, um único encontro, uma única ação, não temos nada para contar. Tive de ver e de escutar muitas coisas, e de estar entre muita gente, mas não quis nada daquilo nem daqueles; não permiti que existisse um trânsito, um retorno; não abri o meu coração ... Há que transformar a nossa vida no sentido da hospitalidade. A amizade ensina-nos isso.
Não há alegria sem inocência. Mas inocência naquele sentido que apontava a escritora Cristina Campo: «Nós não nascemos inocentes, mas podemos morrer inocentes.» A inocência da infância espiritual é aquela inocência com a qual e pela qual podemos morrer: a inocência de um coração simples; da gratuidade; da confiança.
Se não tenho um coração de criança não sou herdeiro do Reino de Deus. Isto é, não sou herdeiro do reino da vida, não vejo cintilar, não vislumbro. E aqui, as crianças são exemplares porque elas entretêm-se com os pequenos nadas, que no fundo são as coisas mais sérias, as coisas donde colhem a luz. E nós precisamos disso. Precisamos dessa infância. De descobrir infâncias dentro de nós. Não é por acaso que todos os amigos são amigos da infância, mesmo aqueles que fazemos pela vida fora. A principal infância a testemunhar é essa futura.
Em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, no sarcasmo, na maledicência, no lamento., caminhemos suavemente no sentido contrário. Cresçamos na simplicidade, na gratidão, no despojamento e na confiança. A alegria tem a ver com uma essencialidade que só na pobreza espiritual se pode acolher.
José Tolentino Mendonça
In Nenhum caminho será longo, ed. Paulinas
23.05.13
In Nenhum caminho será longo, ed. Paulinas
23.05.13
© SNPC | 23.05.13
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Uma conversa com Deus.
O mistério revela-se para lá de qualquer conhecimento, para lá mesmo de qualquer ignorância. Guarda isto para ti: há um momento decisivo em que a experiência crente se constrói necessariamente num intransigente, desconcertante e ardente oximoro, que é a sua figura por excelência: a fé é sede que dessedenta, fome que sacia, vazio que enche de plenitude, escuridão que brilha. Só mãos estendidas e vazias se avizinham ao mistério. (…) Não se esqueçam que todo o coração é uma soleira, uma porta entreaberta. O grande obstáculo não é a fragilidade, mas a rigidez. Não é a vulnerabilidade, mas o seu contrário: o orgulho, a autossuficiência, a autojustificação, o isolamento, a violência, o delírio de poder. «Os homens quando nascem são tenros e frágeis. A morte torna-os duros e rijos. As ervas e as árvores quando nascem são tenras e frágeis. A morte torna-as esquálidas e ressequidas. O duro e o rígido conduzem à morte. O fraco e o flexível conduzem à vida.
Mais em:
Etiquetas:
Meditação,
morte,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
reflexão,
SNPCultura,
Uma conversa com Deus,
Vida
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
ESPIRITUALIDADE: O "Ano da Fé"...
... acabou ontem, 24 de Novembro de 2013? Sim e não! Sim, por um lado, o oficial, não, por outro lado - não pode nem deve. Porquê? Como? Veja-se, leia-se e "mãos-à-obra":
Sejam Crentes ou Ateus, a grande pobreza é não se deixar pôr em causa! É igual o problema dos Crentes convencidos e dos Ateus petrificados -
1. A fé cristã em duas palavras: «contemplar», «agir»
2. A Fé é uma criança nos braços do pai
«Proclama a palavra, insiste a propósito e fora de propósito, argumenta, ameaça e exorta,
com toda a paciência e doutrina.... Porque a Palavra de Deus aparece envolta em roupagens e géneros literários típicos de uma época e de uma cultura determinada, é preciso estudá-la, aprender a conhecer o mundo e a cultura bíblica, compreender o enquadramento e o ambiente em que o autor sagrado escreve… As nossas comunidades cristãs têm o cuidado de organizar iniciativas no campo da informação e do estudo bíblico, de forma a proporcionar aos nossos cristãos uma informação adequada para compreender melhor a Palavra de Deus? E quando há essa informação, os nossos cristãos têm o cuidado de a aproveitar? Porquê?». Então, vede, lede e não olvides por aqui http://abriu-lhesasescrituras.blogspot.pt/2013/06/59-o-tempo-do-jubileu.html
Sejam Crentes ou Ateus, a grande pobreza é não se deixar pôr em causa! É igual o problema dos Crentes convencidos e dos Ateus petrificados -
Etiquetas:
abriu-lhes as escrituras,
Ano da Fé,
Ateus,
crentes,
D. Rino Fisichella,
Dehonianos,
Palavra de Deus,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
Pe. Rui Santiago,
SNPCultura
domingo, 24 de novembro de 2013
PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!
EVANGELHO – Lc 23,35-43
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo:
«Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo,
se é o Messias de Deus, o Eleito».
Também os soldados troçavam d’Ele;
aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam:
«Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo».
Por cima d’Ele havia um letreiro:
«Este é o Rei dos judeus».
Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados
insultava-O, dizendo:
«Não és Tu o Messias?
Salva-Te a Ti mesmo e a nós também».
Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:
«Não temes a Deus,
tu que sofres o mesmo suplício?
Quanto a nós, fez-se justiça,
pois recebemos o castigo das nossas más acções.
Mas Ele nada praticou de condenável».
E acrescentou:
«Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza».
Jesus respondeu-lhe:
«Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».
AMBIENTE
O Evangelho situa-nos “lugar do Crânio” (alusão provável à forma da rocha que dominava o lugar e que lembrava um crânio), diante de uma cruz. É o final da “caminhada” terrena de Jesus: estamos perante o último quadro de uma vida gasta ao serviço da construção do “Reino”. As bases do “Reino” já estão lançadas e Jesus é apresentado como “o Rei” que preside a esse “Reino” que Ele veio propor aos homens. A cena apresenta-nos Jesus crucificado, dois “malfeitores” crucificados também, os chefes dos judeus que “zombavam de Jesus”, os soldados que troçavam dos condenados e o povo silencioso, perplexo e expectante. Por cima da cruz de Jesus, havia uma inscrição: “o basileus tôn Ioudaiôn outos” (“este é o rei dos judeus”).
MENSAGEM
O quadro que Lucas nos apresenta é, portanto, dominado pelo tema da realeza de Jesus… Como é que se define e apresenta essa realeza?
Presidindo à cena, dominando-a de alto a baixo, está a famosa inscrição que define Jesus como “rei dos judeus”. É uma indicação que, face à situação em que Jesus Se encontra, parece irónica: Ele não está sentado num trono, mas pregado numa cruz; não aparece rodeado de súbditos fiéis que O incensam e adulam, mas dos chefes dos judeus que O insultam e dos soldados que O escarnecem; Ele não exerce autoridade de vida ou de morte sobre milhões de homens, mas está pregado numa cruz, indefeso, condenado a uma morte infamante… Não há aqui qualquer sinal que identifique Jesus com poder, com autoridade, com realeza terrena.
Contudo, a inscrição da cruz – irónica aos olhos dos homens – descreve com precisão a situação de Jesus, na perspectiva de Deus: Ele é o “rei” que preside, da cruz, a um “Reino” de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida. Neste quadro, explica-se a lógica desse “Reino de Deus” que Jesus veio propor aos homens.
O quadro é completado por uma cena bem significativa para entender o sentido da realeza de Jesus… Ao lado de Jesus estão dois “malfeitores”, crucificados como Ele. Enquanto um O insulta (este representa aqueles que recusam a proposta do “Reino”), o outro pede: “Jesus, lembra-Te de mim quando vieres com a tua realeza”. A resposta de Jesus a este pedido é: “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Jesus é o Rei que apresenta aos homens uma proposta de salvação e que, da cruz, oferece a vida. O “estar hoje no paraíso” não expressa um dado cronológico, mas indica que a salvação definitiva (o “Reino”) começa a fazer-se realidade a partir da cruz. Na cruz manifesta-se plenamente a realeza de Jesus que é perdão, renovação do homem, vida plena; e essa realeza abarca todos os homens – mesmo os condenados – que acolhem a salvação.
Toda a vida de Jesus foi dominada pelo tema do “Reino”. Ele começou o seu ministério anunciando que “o Reino chegou” (cf. Mc 1,15; Mt 4,17). As suas palavras e os seus gestos sempre mostraram que Ele tinha consciência de ter sido enviado pelo Pai para anunciar o “Reino” e para trazer aos homens uma era nova de felicidade e de paz. Os discípulos depressa perceberam que Jesus era o “Messias” (cf. Mc 8,29; Mt 16,16; Lc 9,20) – um título que O ligava às promessas proféticas e a esse reino ideal de David com que o Povo sonhava. Contudo, Jesus nunca assumiu com clareza o título de “Messias”, a fim de evitar equívocos: numa Palestina em ebulição, o título de “Messias” tinha algo de ambíguo, por estar ligado a perspectivas nacionalistas e a sonhos de luta política contra o ocupante romano. Jesus não quis deitar mais lenha para a fogueira da esperança messiânica, pois o seu messianismo não passava por um trono, nem por esquemas de autoridade, de poder, de violência. Jesus é o Messias/rei, sim; mas é rei na lógica de Deus – isto é, veio para presidir a um “Reino” cuja lei é o serviço, o amor, o dom da vida. A afirmação da sua dignidade real passa pelo sofrimento, pela morte, pela entrega de Si próprio. O seu trono é a cruz, expressão máxima de uma vida feita amor e entrega. É neste sentido que o Evangelho de hoje nos convida a entender a realeza de Jesus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode fazer-se a partir dos seguintes dados:
• Celebrar a Festa de Cristo Rei do Universo não é celebrar um Deus forte, dominador que Se impõe aos homens do alto da sua omnipotência e que os assusta com gestos espectaculares; mas é celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. A cruz – ponto de chegada de uma vida gasta a construir o “Reino de Deus” – é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.
• O reinado de David é apresentado com um tempo ideal de unidade, de paz e de felicidade; no entanto, conheceu, também, tudo aquilo que costuma caracterizar os reinados humanos: tronos, riquezas, exércitos, batalhas, injustiças, intrigas de corte, lutas pelo poder, assassínios, corrupção… Falar do “Reino” de Jesus terá algo a ver com isto? Estes esquemas caberão, de alguma forma, na lógica de Deus?
• À Igreja de Jesus ainda falta alguma coisa para interiorizar a lógica da realeza de Jesus. Depois dos exércitos para impor a cruz, das conversões forçadas e das fogueiras para combater as heresias, continuamos a manter estruturas que nos equiparam aos reinos deste mundo… A Igreja, corpo de Cristo e seu sinal no mundo, necessita que o seu Estado com território (ainda que simbólico) seja equiparado a outros Estados políticos? A Igreja, esposa de Cristo, necessita de servidores que se comportam como se fossem funcionários superiores do império? A Igreja, serva de Cristo e dos homens, necessita de estruturas que funcionam, muitas vezes, apenas segundo a lógica do mercado e da política? Que sentido é que tudo isto faz?
• Em termos pessoais, a Festa de Cristo Rei convida-nos, também, a repensar a nossa existência e os nossos valores. Diante deste “rei” despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias, de títulos, de aplausos, de reconhecimentos? Diante deste “rei” que dá a vida por amor, não nos parecem completamente sem sentido as nossas manias de grandeza, as lutas para conseguirmos mais poder, as invejas mesquinhas, as rivalidades que nos magoam e separam dos irmãos? Diante deste “rei” que se dá sem guardar nada para si, não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?
• A Festa de Cristo Rei é, também, a festa da soberania de Cristo sobre a comunidade cristã. A Igreja é um corpo, do qual Cristo é a cabeça; é Cristo que reúne os vários membros numa comunidade de irmãos que vivem no amor; é Cristo que a todos alimenta e dá vida; é Cristo o termo dessa caminhada que os crentes fazem ao encontro da vida em plenitude. Esta centralidade de Cristo tem estado sempre presente na reflexão, na catequese e na vida da Igreja? É que muitas vezes falamos mais de autoridade e de obediência do que de Cristo; de castidade, de celibato e de leis canónicas, do que do Evangelho; de dinheiro, de poder e de direitos da Igreja, do que do “Reino”… Cristo é – não em teoria, mas de facto – o centro de referência da Igreja no seu todo e de cada uma das nossas comunidades cristãs em particular? Não damos, às vezes, mais importância às leis feitas pelos homens do que a Cristo? Não há, tantas vezes, “santos”, “santinhos” e “santões” que assumem um valor exagerado na vivência de certos cristãos, e que ocultam ou fazem esquecer o essencial?
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=468
Cristo Rei: Venha a nós o vosso Reino
http://www.snpcultura.org/venha_a_nos_o_vosso_reino.html
Resistir, confiar, perdoar: Evangelho do Domingo de Cristo Rei
http://www.snpcultura.org/resistir_confiar_perdoar.html
Cristo Rei: Venha a nós o vosso Reino
http://www.snpcultura.org/venha_a_nos_o_vosso_reino.html
Resistir, confiar, perdoar: Evangelho do Domingo de Cristo Rei
http://www.snpcultura.org/resistir_confiar_perdoar.html
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
ESPIRITUALIDADE: A Esperança é o lugar de encontro de todas as crenças
«Uma das coisas que mais me impressiona, e não falo só de Portugal, é um clima geral de incapacidade de imaginar que as coisas podem ser diferentes e melhores», afirmou esta quarta-feira na Capela do Rato, em Lisboa, o colunista Daniel Oliveira. O antigo dirigente do Bloco de Esquerda foi um dos convidados da sessão sobre a virtude da Esperança. Henrique Joaquim, presidente da Comunidade Vida e Paz, referiu-se à protagonista do documentário, Alexandra, de 19 anos, que sofreu a «ostracização e a indiferença»: a «esperança pode ser vivida no sofrimento», bem como «na incerteza e no incompreensível», mas também «no sonho». «A esperança que a Alexandra transmite vem do ninho onde ela foi criada», salientou por seu lado a jornalista Cândida Pinto. O responsável pela Capela do Rato, padre Tolentino Mendonça, frisou que «não há ateus para a esperança», virtude «insustentável e paradoxal» que muitas vezes se cultiva no «sofrimento». Veja o documentário.
Mais em:http://www.snpcultura.org/a_esperanca_e_o_lugar_encontro_todas_crencas.html
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Aprender a morrer
É tão estranho que entre a avalancha de saberes úteis e inúteis que acumulamos uma vida inteira não esteja este: aprender a morrer. A contemporaneidade fez da morte o seu tabu, o mais temido e ocultado, e deixa-nos completamente impreparados para enfrentar a naturalidade com que a vida a abraça. A morte surge como uma interrupção, um interdito de linguagem mais inconveniente do que uma asneira, uma dor para viver às escondidas, uma intromissão com a qual em nenhum momento contámos. Sobre a morte não sabemos o que dizer, nem o que pensar. E isso constitui, de facto, uma falta enorme. Montaigne dizia que não morremos por estar doentes, morremos por estar vivos. Talvez seja por aí que devamos recomeçar, religando o que hoje parece tão inconciliável.
Ler mais em:
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
LEITURA: O tesouro escondido
«Quando Deus concedeu fé a José Tolentino Mendonça, sacerdote, teólogo e poeta português, concedeu-lhe também a capacidade de cantá-la. Não se estranhe, portanto, que estas páginas sejam um límpido testemunho da fé e da poesia fortemente entrelaçadas. De facto, elas confiam-se às iridescências das imagens, ao frémito das palavras escolhi das e exatas, à frescura do estilo, à força da poesia. Porém, haurem e inspiram-se na nascente da Bíblia, na raiz da fé, como que remontando ao Além e ao divino que é sempre Outro. O próprio título refere-se a uma das 35 parábolas de Jesus, a do tesouro escondido no campo (Mateus 13,44). Contudo, é no subtítulo que descobrimos o fio condutor mais robusto deste livro: “Para uma arte da procura interior”.» O biblista e presidente do Pontifício Conselho da Cultura, o cardeal Gianfranco Ravasi, assina o prefácio da sétima edição, revista e aumentada, do livro “O tesouro escondido”.
Ler mais em:
Etiquetas:
Deus,
Fé,
Gianfranco Ravasi,
Jesus,
leitura,
O tesouro escondido,
Parábolas,
Paulinas editora,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
SNPCultura
terça-feira, 27 de agosto de 2013
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Quem nos rouba o tempo?
Desde os horários dilatados de trabalho às solicitações para uma comunicação praticamente ininterrupta, entramos num ciclo sôfrego de atenção, atividade e consumo. «Despacha-te, despacha-te» é o comando de uma voz que nos aprisiona e cujo rosto não vemos. «Despacha-te para quê?». Talvez, se tivéssemos de explicar as razões profundas dos nossos tráficos em vertigem, nem saberíamos dizer. E também disso, desse vazio de respostas, preferimos fugir.
Ler mais em:
Etiquetas:
actividade,
ansiedade,
consumo,
ladrões do tempo,
Meditação,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
prioridades,
reflexão,
SNPCultura,
velocidade,
Vida
segunda-feira, 8 de julho de 2013
ESPIRITUALIDADE: Encíclica "A luz da fé":
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3320871&seccao=Anselmo Borges&tag=Opini%E3o - Em Foco&page=2
Urge recuperar o caráter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De facto, a luz da fé possui um caráter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode dimanar de nós mesmos; tem de vir de uma fonte mais originária, deve porvir em última análise de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. É precisamente desta luz da fé que quero falar, desejando que cresça a fim de iluminar o presente até se tornar estrela que mostra os horizontes do nosso caminho, num tempo em que o homem vive particularmente carecido de luz.
Urge recuperar o caráter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor. De facto, a luz da fé possui um caráter singular, sendo capaz de iluminar toda a existência do homem. Ora, para que uma luz seja tão poderosa, não pode dimanar de nós mesmos; tem de vir de uma fonte mais originária, deve porvir em última análise de Deus. A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. É precisamente desta luz da fé que quero falar, desejando que cresça a fim de iluminar o presente até se tornar estrela que mostra os horizontes do nosso caminho, num tempo em que o homem vive particularmente carecido de luz.
Ler mais em:
Cidade do Vaticano, 07 jul 2013 (Ecclesia) – O Papa Francisco disse hoje no Vaticano esperar que a sua primeira encíclica, ‘Lumen fidei’ (Luz da fé), publicada há dois dias, possa ser “útil” também para quem não tem fé.
“Penso que esta encíclica, pelo menos nalgumas partes, pode ser útil também para quem está em busca de Deus e do sentido da vida”, declarou, após a recitação da oração do Angelus, na Praça de São Pedro, perante milhares de pessoas.
O texto, iniciado por Bento XVI, defende que a fé tem a ver também com a vida dos que, apesar de não acreditarem, o “desejam” fazer, procurando “agir como se Deus existisse”.
O atual Papa reconhece que o seu predecessor tinha começado a redação desta encíclica no contexto do Ano da Fé (outubro de 2012-novembro de 2013) e na sequência de duas anteriores sobre a caridade e a esperança.
“Eu recebi este projeto e dei-lhe um final”, precisou.
Francisco oferece esta encíclica, “com alegria”, a toda a Igreja, porque todos, “especialmente hoje”, têm necessidade de “ir ao essencial da fé cristã, aprofundá-la e confrontá-la com as problemáticas atuais”.
Na ‘Lumen fidei’, o Papa sublinha que “a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro” e que pode “pode iluminar as perguntas” da sociedade atual, na qual muitas vezes é “impossível distinguir o bem do mal”.
O texto apresenta a mensagem cristã como resposta à crise contemporânea da “verdade” e assume preocupações relativamente ao relativismo, ao fanatismo e à recusa da proposta religiosa.
O Papa despediu-se dos presentes após ter saudado os jovens que se preparam para participar na Jornada Mundial da Juventude, entre os dias 22 e 28 deste mês, na cidade brasileira do Rio de Janeiro.
“Caros jovens, também eu me estou a preparar. Caminhemos juntos para esta grande festa da fé”, declarou.
OC
Comecemos por sacudir equívocos. O primeiro é o de pensar que uma encíclica sobre a fé destina-se a ser acolhida dentro da cerca eclesial, e aí só, como se ela não constituísse um texto de enorme importância para a cultura ou para a sociedade no seu conjunto. O segundo é a consideração de que a relevância do discurso cristão se esgota nos pronunciamentos ditos sociais: o Papa Francisco ir ao desembarcadouro de Lampedusa, reclamar corajosamente por políticas mais humanas, colhe o interesse geral, mas propor, com igual desassombro, uma reflexão sobre o sentido da fé, isso já é olhado como minudência descartável. Ora, a discussão sobre a fé, e sobre a irreverente singularidade da fé cristã, é um assunto de cidade, como já amplamente o provou o apóstolo Paulo, que deslocou esse debate do interior das sinagogas para areópagos, escolas de filosofia, teatros e cantos de estrada o debate sobre a essência do cristianismo precisa urgentemente de reencontrar a sua natureza pública.
Ler mais em:
quinta-feira, 20 de junho de 2013
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: A arte da lentidão
Talvez precisemos voltar a essa arte tão humana que é a lentidão. Os nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos; não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rapidamente que formos capazes; os processos desgastam-nos, as perguntas atrasam-nos, os sentimentos são um puro desperdício: dizem-nos que temos de valorizar resultados, apenas resultados. Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informação que nunca chegamos a aprofundar. Tudo transita num galope ruidoso, veemente e efémero. Na verdade, a velocidade com que vivemos impede-nos de viver. Uma alternativa será resgatar a nossa relação com o tempo. Por tentativas, por pequenos passos.
Ler mais em:
Etiquetas:
estilo de vida,
lentidão,
Meditação,
Pe. José Tolentino de Mendonça,
reflexão,
SNPCultura,
tempo,
velocidade
Subscrever:
Mensagens (Atom)