"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























sábado, 1 de fevereiro de 2014

EFEMÉRIDE: «Meus amigos, socorro»: Apelo do Abbé Pierre em favor dos sem-abrigo foi lançado há 60 anos.

«Meus amigos, socorro… Uma mulher acabou de morrer de frio, esta noite às três horas, no passeio da rua Sebastopol, apertando o papel pelo qual, anteontem, tinha sido despejada…» A resposta da população foi extraordinária: de toda a França e do estrangeiro, ao longo de meses, chegaram bens materiais, géneros alimentares, vestuário, além de donativos em dinheiro. As Forças Armadas e os grandes armazéns disponibilizaram camionetas para o armazenamento das doações. Celeiros e caves foram esvaziados. Numa manhã, Abbé Pierre é chamado ao Hotel Crillon: um homem simples, sorriso grave, quase intimidado, entrega-lhe um envelope com dois milhões de francos: «Devo-vos milhões. Não os dou, entrego-os. Pertencem ao vagabundo que fui e que incarnei. Esta não é senão a justa devolução das coisas», disse Charlie Chaplin.
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(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.
85 = 3 500 000 000
«É preciso chegarmos a velhos para que o Estado faça pouco de nós, somando os seus maus tratos às nossas fragilidades»
ASIA BIBI
"Rolling Stone" rende-se ao "efeito Francisco"
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=137186
'Super Papa' nas paredes de Roma e no Twitter do Vaticano
Maupal, criador do grafito do "SuperPapa": Não vou à igreja mas gosto de Francisco; é o único a usar o poder para o bem
Pete Seeger, um homem de fé
Meco: as provas que apontam para ritual de praxe
Em 2012, Catarina Martins, professora da Fac. de Letras, promoveu uma petição contra as praxes - excerto de entrevista...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

LEITURA: A bibliotecária de Auschwitz

Oito livros, apenas, fizeram aquela que terá sido, talvez, a mais pequena biblioteca infantil do mundo. Existiu num local insuspeito, de forma clandestina, e serviu de janela aberta ao mundo para um grupo de crianças. As obras escondidas no barracão 31 foram como que a liberdade, ainda que condicional, do campo de concentração: «Nesse lugar horrível, onde quando olhas para fora apenas vês chaminés que deitam as cinzas das pessoas queimadas, vês lama, gente armada e cães a ladrar, de repente entras num barracão, abres um livro, e esse livro leva-te para as pirâmides do Egito, para a Revolução Francesa ou para a conquista da América», diz o autor de “A bibliotecária de Auschwitz”. «O livro acaba por ser uma janela, uma espécie de passaporte, de helicóptero que te tira dali por um instante», salientou Antonio Iturbe: «Os livros não podem mudar a realidade atroz ou transformá-la de forma mágica. Mas, no mínimo, podem permitir um momento de pausa. É como se a escrita fosse um parêntesis para que a vida não nos caia em cima».
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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

CINEMA: "Feral"

Anunciada a lista de nomeados para os cobiçados Óscares, Portugal recebeu com enorme surpresa e orgulho a notícia de um candidato luso na categoria de curtas metragens de animação. Um feito inédito conseguido pelo jovem realizador Daniel Sousa que, juntamente com o norte-americano Dan Golden, responsável pelo som, e o seu “Feral” (13 minutos), se juntam a uma já longa lista de realizadores portugueses merecedores do reconhecimento internacional pelo valor das suas obras. Os filmes de Daniel Sousa, sempre curtas metragens e todos de animação, destacam-se pela renovação de uma gramática de busca, de sentido de existência e de relação, partindo de temas e contos clássicos para equacionar um ser-se humano no nosso tempo. O realizador portugueês é sem sombra de dúvida um criador a acompanhar, pelo uso inteligente da sua criatividade, pela amplitude do olhar sobre o mundo contemporâneo valorizando narrativas intemporais, e pela profundidade da sua reflexão.
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domingo, 26 de janeiro de 2014

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHO – Mt 4,12-23
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Quando Jesus ouviu dizer
que João Baptista fora preso,
retirou-Se para a Galileia.
Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum,
terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali.
Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer:
«Terra de Zabulão e terra de Neftali,
estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios:
o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz;
para aqueles que habitavam na sombria região da morte,
uma luz se levantou».
Desde então, Jesus começou a pregar:
«Arrependei-vos, porque o reino de Deus está próximo».
Caminhando ao longo do mar da Galileia,
viu dois irmãos:
Simão, chamado Pedro, e seu irmão André,
que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Disse-lhes Jesus: «Vinde e segui-Me
e farei de vós pescadores de homens».
Eles deixaram logo as redes e seguiram-n’O.
Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos:
Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João,
que estavam no barco, na companhia de seu pai Zebedeu,
a consertar as redes.
Jesus chamou-os
e eles, deixando o barco e o pai, seguiram-n’O.
Depois começou a percorrer toda a Galileia,
ensinando nas sinagogas,
proclamando o Evangelho do reino
e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.
AMBIENTE
O texto que nos é proposto como Evangelho funciona um pouco como texto-charneira, que encerra a etapa da preparação de Jesus para a missão (cf. Mt 3,1-4,16) e que lança a etapa do anúncio do Reino.
O texto situa-nos na Galileia, a região setentrional da Palestina, zona de população mesclada e ponto de encontro de muitos povos. Refere, ainda, a cidade de Cafarnaum: situada no limite do território de Zabulão e de Neftali, na margem noroeste do lago de Genezaré, no enfiamento do “caminho do mar” (que ligava o Egipto e a Mesopotâmia), era considerada a capital judaica da Galileia (Tiberíades, a capital política da região, por causa dos seus costumes gentílicos e por estar construída sobre um cemitério, era evitada pelos judeus). A sua situação geográfica abria-lhe, também, as portas dos territórios dos povos pagãos da margem oriental do lago.
MENSAGEM
Na primeira parte (cf. Mt 4,12-16), Mateus refere como Jesus abandona Nazaré, o seu lugar de residência habitual, e se transfere para Cafarnaum. Mateus descobre nesse facto um significado profundo, à luz de Is 8,23-9,1: a “luz” que havia de eliminar as trevas e as sombras da morte de que fala Isaías é, para Mateus, o próprio Jesus. Na terra humilhada de Zabulão e Neftali, vai começar a brilhar a luz da libertação; e essa libertação vai atingir, também, os pagãos que acolherem o anúncio do Reino (para Mateus, é bem significativo que o primeiro anúncio ecoe na Galileia, terra onde os gentios se misturam com os judeus e, concretamente, em Cafarnaum, a cidade que, pela sua situação geográfica, é uma ponte para as terras dos pagãos). O anúncio libertador de Jesus apresenta, desde logo, uma dimensão universal.
Na segunda parte (cf. Mt 4,17-23), Mateus apresenta o lançamento da missão de Jesus: define-se o conteúdo básico da pregação que se inicia, mostra-se o “Reino” como realidade viva actuante, apresentam-se os primeiros discípulos que acolhem o apelo do “Reino” e que vão acompanhar Jesus na missão.
Qual é, em primeiro lugar, o conteúdo do anúncio? O versículo 17 di-lo de forma clara: Jesus veio trazer “o Reino”. A expressão “Reino de Deus” (ou “Reino dos céus”, como prefere dizer Mateus) refere-se, no Antigo Testamento e na época de Jesus, ao exercício do poder soberano de Deus sobre os homens e sobre o mundo. Decepcionado com a forma como os reis humanos exerceram a realeza (no discurso profético aparecem, a par e passo, denúncias de injustiças cometidas pelos reis contra os pobres, de atropelos ao direito orquestrados pela classe dirigente, de responsabilidades dos líderes no abandono da aliança, de graves omissões no que diz respeito aos compromissos assumidos para com Jahwéh), o Povo de Deus começa a sonhar com um tempo novo, em que o próprio Deus vai reinar sobre o seu Povo; esse reinado será marcado – na perspectiva dos teólogos de Israel – pela justiça, pela misericórdia, pela preocupação de Deus em relação aos pobres e marginalizados, pela abundância e fecundidade, pela paz sem fim.
Jesus tem consciência de que a chegada do “Reino” está ligada à sua pessoa. O seu primeiro anúncio resume-se, para Mateus, no seguinte slogan: “arrependei-os ('metanoeite') porque o Reino dos céus está a chegar”.
O convite à conversão (“metanoia”) é um convite a uma mudança radical na mentalidade, nos valores, na postura vital. Corresponde, fundamentalmente, a um reorientar a vida para Deus, a um reequacionar a vida, de modo a que Deus e os seus valores passem a estar no centro da existência do homem; só quando o homem aceita que Deus ocupe o lugar que Lhe compete, está preparado para aceitar a realeza de Deus… Então, o “Reino” pode nascer e tornar-se realidade no mundo e nos corações.
Na sequência, Mateus apresenta Jesus a construir activamente o “Reino” (vers. 23-24): as suas palavras anunciam essa nova realidade e os seus gestos (os milagres, as curas, as vitórias sobre tudo o que rouba a vida e a felicidade do homem) são sinais evidentes de que Deus começou já a reinar e a transformar a escravidão em vida e liberdade.
Finalmente, Mateus descreve o chamamento dos primeiros discípulos (vers. 18-22). Não se trata, segundo parece (a comparação deste relato, que Mateus toma de Marcos, com os relatos paralelos de Lucas e João, mostra que estamos diante de um relato estilizado, cujo objectivo é pôr em relevo os passos fundamentais da vocação) de um relato jornalístico de acontecimentos, mas de uma catequese sobre o chamamento e a adesão ao projecto do “Reino”. Através da resposta pronta de Pedro e André, Tiago e João, propõe-se um exemplo da conversão radical ao “Reino” e de adesão às suas exigências.
O relato sublinha uma diferença fundamental entre os chamados por Jesus e os discípulos que se juntavam à volta dos mestres do judaísmo: não são os discípulos que escolhem o mestre e pedem para entrar no seu grupo, como acontecia com os discípulos dos “rabbis”; mas a iniciativa é de Jesus, que chama os discípulos que Ele próprio escolheu, que os convida a segui-l’O e lhes propõe uma missão.
A resposta dos quatro discípulos ao chamamento é paradigmática: renunciam à família, ao seu trabalho, às seguranças instituídas e seguem Jesus sem condições. Esta ruptura (que significa não só uma ruptura afectiva com pessoas, mas também a ruptura com um quadro de referências sociais e de segurança económica) indicia uma opção radical pelo “Reino” e pelas suas exigências.
Uma palavra para a missão que é proposta aos discípulos que aceitam o desafio do “Reino”: eles serão pescadores de homens. O mar é, na cultura judaica, o lugar dos demónios, das forças da morte que se opõem à vida e à felicidade dos homens; a tarefa dos discípulos que aceitam integrar o “Reino” será, portanto, libertar os homens dessa realidade de morte e de escravidão em que eles estão mergulhados, conduzindo-os à liberdade e à realização plenas.
Estes quatro discípulos representam todo o grupo dos discípulos, de todos os tempos e lugares… Eles devem responder positivamente ao chamamento, optar pelo “Reino” e pelas suas exigências e tornarem-se testemunhas da vida e da salvação de Deus no meio dos homens e do mundo.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão e a partilha da Palavra que nos é proposta podem partir dos seguintes dados:
• Jesus é o Deus que vem ao nosso encontro para realizar os nossos sonhos de felicidade sem limites e de paz sem fim. N’Ele e através d’Ele (das suas palavras, dos seus gestos), o “Reino” aproximou-se dos homens e deixou de ser uma quimera, para se tornar numa realidade em construção no mundo. Contemplar o anúncio de Jesus é abismar-se na contemplação de uma incrível história de amor, protagonizada por um Deus que não cessa de nos oferecer oportunidades de realização e de vida plena. Sobretudo, o anúncio de Jesus toca e enche de júbilo o coração dos pobres e humilhados, daqueles cuja voz não chega ao trono dos poderosos, nem encontram lugar à mesa farta do consumismo, nem protagonizam as histórias balofas das colunas sociais. Para eles, ouvir dizer que “o Reino chegou” significa que Deus quer oferecer-lhes essa vida plena e feliz que os grandes e poderosos insistem em negar-lhes.
• Para que o “Reino” seja possível, Jesus pede a “conversão”. Ela é, antes de mais, um refazer a existência, de forma a que só Deus ocupe o primeiro lugar na vida do homem. Implica, portanto, despir-se do egoísmo que impede de estar atento às necessidades dos irmãos; implica a renúncia ao comodismo, que impede o compromisso com os valores do Evangelho; implica o sair do isolamento e da auto-suficiência, para estabelecer relação e para fazer da vida um dom e um serviço aos outros… O que é que nas estruturas da sociedade ainda impede a efectivação do “Reino”? O que é que na minha vida, nas minhas opções, nos meus comportamentos constitui um obstáculo à chegada do “Reino”?
• A história do compromisso de Pedro e André, Tiago e João com Jesus e com o “Reino” é uma história que define os traços essenciais da caminhada de qualquer discípulo… Em primeiro lugar, é preciso ter consciência de que é Jesus que chama e que propõe o Reino; em segundo lugar, é preciso ter a coragem de aceitar o chamamento e fazer do “Reino” a prioridade essencial (o que pode implicar, até, deixar para segundo plano os afectos, as seguranças, os valores humanos); em terceiro lugar, é preciso acolher a missão que Jesus confia e comprometer-se corajosamente na construção do “Reino” no mundo. É este o caminho que eu tenho vindo a percorrer?
• A missão dos que escutaram o apelo do “Reino” passa por testemunhar a salvação que Deus tem para oferecer a todos os homens, sem excepção. Nós, discípulos de Jesus, comprometidos com a construção do “Reino”, somos testemunhas da libertação e levamos a Boa Nova da salvação aos homens de toda a terra? Aqueles que vivem condenados à marginalização (por causa do fraco poder económico, por causa da doença, por causa da solidão, por causa do seu inexistente poder de reivindicação), já receberam, através do nosso testemunho, a Boa Nova do “Reino”?
• Em certos momentos da história, procura vender-se a ideia de que o mundo novo da justiça e da paz se constrói a golpes de poder militar, de mísseis, de armas sofisticadas, de instrumentos de morte… Atenção: a lógica do “Reino” não é uma lógica de violência, de vingança, de destruição; mas é uma lógica de amor, de doação da vida, de comunhão fraterna, de tolerância, de respeito pelos outros. A tentação da violência é uma tentação diabólica, que só gera sofrimento e escravidão: aí, o “Reino” não está
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=395
Volta o teu rosto para a luz: Meditação sobre o Evangelho do III Domingo
http://www.snpcultura.org/volta_o_teu_rosto_para_a_luz.html

sábado, 25 de janeiro de 2014

(in)PRENSA semanal: a minha selecção"

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.
O Papa Francisco é de esquerda? Não se iludam: é apenas católico
Fraude Marques Mendes apanhado em negócio ilegal de ações
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Porque não se cala?

 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

CINEMA: O clube de Dallas

Texas, 1985. Na sequência de um acidente que o obriga a internamento hospitalar, Ron Woodroof recebe a notícia de que é seropositivo, com um negro prognóstico de 30 dias de vida. Inicialmente incrédulo, o eletricista homofóbico acaba por aceitar a dolorosa notícia e decide não se deixar derrotar. Retomando os temas da homossexualidade e da homofobia, Valléé combina-os em “O Clube de Dallas” com questões associadas ao poder e contrapoder da indústria farmacêutica, da investigação sobre o  e do recurso a medicinas alternativas. Com fleuma, o filme resulta numa evocação sensível, forte e pouco sentimentalista de um homem que, à margem do seu contexto social, lutou pela sua vida e pela dos que até então considerava seus dissemelhantes, de quem se aproximou. A evolução do protagonista em gentileza e humanidade, e a relação que estabelece com Rayon, o travesti, mesmo sem dispensar alguns lugares comuns e algum humor negro, são as mais-valias deste filme, que vinga também pelos desempenhos e pelos temas que dele brotam.
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Pedir

O léxico do pedir é prolífero, mas também inconstante. Pedimos com simplicidade e com inúmeros rodeios. Mantemo-nos fluentes ou gaguejamos, mergulhados numa insegurança que nos tolhe. Penso muitas vezes num pedinte que conheci em Roma. Era (e é) impossível não dar com ele quando se visita a cidade. Eu estava sempre a esbarrar com uma das suas passagens: à saída da universidade, da biblioteca, do cinema, no Campo das Flores, em São Pedro, por todo o lado. De dia ou de noite. Um homem que andará hoje pelos sessenta anos de idade, com um porte discreto, delicado até. A primeira vez que a sua interpelação nos é dirigida pensamos que se trata de alguém que precisa de completar a quantia necessária para um bilhete de metro ou para uma fatia de pizza. Depois de o encontrarmos centenas de vezes, ficamos sem saber exatamente o que pensar. Assisti, porém, a uma cena que porventura pode esclarecer parte do enigma.
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

MÚSICA: "High Hopes", de Bruce Springsteen

Não é uma novidade, como bem sabem os fãs, habituados a ouvir nas canções de Springsteen ecos nunca mitigados das suas raízes católicas. Uma infiltração constante – embora nem sempre unívoca e que chega após mensagens juvenis de rebelião, não privadas de banalidade e de alguns excertos blasfemos – que recentemente levou Azzan Yadin-Israel, professor da Rutgers University de Nova Brunswick, em Nova Iorque, a organizar nada menos do que um curso sobre a teologia de Springsteen. No passado, outras instituições superiores dos EUA tinham proposto seminários sobre os seus textos, centrando-se especialmente na sua mensagem social e política, mas nenhuma até agora chegou a tanto.
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