"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

CINEMA&FILME: “Adam”

Os jurados salientam que o encontro «entre uma mulher que carrega o luto e outra que carrega a vida é totalmente contado em nuances e em delicadeza, através de um magnífico trabalho de iluminação». «O filme celebra a graça do quotidiano mediante os gestos intemporais da preparação dos bolos. E é no acolhimento ao outro e na aceitação do desconhecido que se abrem à sua humanidade comum», refere o júri. Para saber mais clicar AQUI.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

 Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
108 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  

Então:
Tema do 5º Domingo do Tempo Comum - Ano B
Que sentido têm o sofrimento e a dor que acompanham a caminhada do homem pela terra? Qual a "posição" de Deus face aos dramas que marcam a nossa existência? A liturgia do 5º Domingo do Tempo Comum reflecte sobre estas questões fundamentais. Garante-nos que o projecto de Deus para o homem não é um projecto de morte, mas é um projecto de vida verdadeira, de felicidade sem fim.
Na primeira leitura, um crente chamado Job comenta, com amargura e desilusão, o facto de a sua vida estar marcada por um sofrimento atroz e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que a sua existência decorre... Apesar disso, é a Deus que Job se dirige, pois sabe que Deus é a sua única esperança e que fora d'Ele não há possibilidade de salvação.
No Evangelho manifesta-se a eterna preocupação de Deus com a felicidade dos seus filhos. Na acção libertadora de Jesus em favor dos homens, começa a manifestar-se esse mundo novo sem sofrimento, sem opressão, sem exclusão que Deus sonhou para os homens. O texto sugere, ainda, que a acção de Jesus tem de ser continuada pelos seus discípulos.
A segunda leitura sublinha, especialmente, a obrigação que os discípulos de Jesus assumiram no sentido de testemunhar diante de todos os homens a proposta libertadora de Jesus. Na sua acção e no seu testemunho, os discípulos de Jesus não podem ser guiados por interesses pessoais, mas sim pelo amor a Deus, ao Evangelho e aos irmãos.
EVANGELHO - Mc 1, 29-39
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Naquele tempo,
Jesus saiu da sinagoga
e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André.
A sogra de Simão estava de cama com febre
e logo Lhe falaram dela.
Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a.
A febre deixou-a e ela começou a servi-los.
Ao cair da tarde, já depois do sol-posto,
trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos
e a cidade inteira ficou reunida diante da porta.
Jesus curou muitas pessoas,
que eram atormentadas por várias doenças,
e expulsou muitos demónios.
Mas não deixava que os demónios falassem,
porque sabiam qual Ele era.
De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu.
Retirou-Se para um sítio ermo
e aí começou a orar.
Simão e os companheiros foram à procura d'Ele
e, quando O encontraram, disseram-Lhe:
«Todos Te procuram».
Ele respondeu-lhes:
«Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas,
a fim de pregar aí também,
porque foi para isso que Eu vim».
E foi por toda a Galileia,
pregando nas sinagogas e expulsando os demónios.
AMBIENTE
Estamos na primeira parte (cf. Mc 1,14-8,30) do Evangelho de Marcos. Aí, Jesus é apresentado pelo evangelista como o Messias que proclama essa realidade de um mundo novo - uma realidade que o próprio Jesus chama "Reino de Deus".
Com o chamamento dos primeiros discípulos (cf. Mc 1,16-20), começa a constituir-se a comunidade do "Reino" - isto é, a comunidade dos que escutam a proposta de Jesus e aderem a essa proposta. Em seguida, Marcos mostra a realidade do "Reino" a actuar no mundo como salvação e libertação, nas palavras e nos gestos de Jesus: com a autoridade que Lhe vem do Pai (cf. Mc 1,21-22) e em comunhão total com o Pai, Jesus vence o mal e a dor que escravizam o homem e anuncia um mundo novo de liberdade e de vida plena.
A actuação de Jesus no sentido de fazer aparecer o "Reino" é uma actuação que não se limita ao espaço da sinagoga (cf. Mc 1,21-28); estende-se, também, a outros ambientes e âmbitos, porque o "Reino de Deus" que Jesus veio propor dirige-se ao homem em todas as suas dimensões e situações.
O Evangelho deste domingo situa-nos em Cafarnaum, uma cidade situada na margem norte do Lago de Tiberíades, na Galileia.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto apresenta-nos Jesus a actuar no sentido de tornar o "Reino" uma realidade presente no meio dos homens. O evangelista propõe-nos dois quadros; eles apresentam realidades diversas mas complementares do "ministério de Jesus".
O primeiro quadro (vers. 29-34) situa-nos na "casa de Pedro". Na narração de Marcos - com uma forte preocupação catequética - o objectivo fundamental é sugerir que a missão de Jesus consiste em oferecer aos homens a vida nova, a vida definitiva.
No primeiro momento, Jesus cura a sogra de Pedro que "estava de cama com febre" (vers. 30). O episódio é descrito com simplicidade e sobriedade, sem gestos teatrais desnecessários. Três pormenores sobressaem na descrição (vers. 31). O primeiro pormenor significativo é a indicação de que Jesus "aproximou-Se" da sogra de Pedro. Naturalmente, a iniciativa de Se aproximar de quem está prisioneiro do sofrimento, da doença, da opressão, é sempre de Jesus. Jesus toma a iniciativa, pois a missão que recebeu do Pai consiste em realizar a libertação do homem de tudo aquilo que o faz sofrer e lhe rouba a vida. O segundo pormenor importante aparece na indicação de que Jesus tomou a doente pela mão e "levantou-a". O verbo utilizado pelo evangelista (o verbo grego "egueirô" - "levantar") aparece frequentemente em contextos de "ressurreição" (cf. Mc 5,41;6,14.16;9,27;12,26;14,28;16,6). A mulher está prostrada pelo sofrimento que lhe rouba a vida; mas o contacto com Jesus devolve-lhe a vida e equivale a uma ressurreição. O terceiro pormenor significativo é a indicação de que a mulher "começou a servi-los". O efeito imediato do contacto com Jesus e da experiência da vida que brota d'Ele é a actividade que se concretiza no serviço dos irmãos.
Num segundo momento, o quadro apresenta-nos "a cidade inteira" reunida diante da porta da casa de Pedro. "Jesus" - diz Marcos - "curou muitas pessoas que eram atormentadas por várias doenças e expulsou muitos demónios" (vers. 32-34). Os enfermos e os possessos do demónio representam, aqui, todos aqueles que estão privados de vida, que estão prisioneiros do sofrimento, da injustiça, do egoísmo, do pecado. O evangelista convida-nos a ver em Jesus Aquele que tem poder para libertar o homem das suas misérias mais profundas e para lhe oferecer uma vida nova, uma vida livre e feliz.
A "casa de Simão Pedro" (onde Jesus actua e diante da qual se reúne "toda a cidade" à procura da libertação que Jesus veio oferecer) pode ser - nesta catequese que Marcos nos propõe - uma representação da Igreja. É aí que Jesus está oferecendo à "família de Pedro" (isto é, à sua comunidade) vida em abundância. Nesse espaço familiar, Jesus aproxima-Se dos homens, liberta-os do sofrimento que escraviza e aliena, dá-lhes vida definitiva e capacita-os para o serviço dos irmãos. A multidão que se reúne "à porta" da casa de Pedro representa, provavelmente, essa humanidade que busca a libertação e a vida verdadeira e que, dia a dia, olha ansiosamente para a "casa de Pedro" (a Igreja) à procura de Jesus e da sua proposta libertadora.
No segundo quadro (vers. 35-38), Marcos apresenta-nos Jesus retirado num lugar solitário, em oração. A oração faz parte do ministério de Jesus. Está na agenda da sua actividade e dos seus compromissos. É significativo que a actividade de Jesus termine na oração e que a actividade de Jesus em favor das multidões parta, de novo, da oração. A oração é, para Jesus, o cume e a fonte da acção.
Dessa forma, a oração aparece, também, como condição para o surgimento do "Reino". É na oração que Jesus encontra a motivação para a sua acção em prol do "Reino"; é na oração que Jesus encontra a força para se libertar da tentação da popularidade fácil e para centrar, de novo, a sua atenção em Deus e nos seus projectos. O encontro a sós com Deus não é uma alienação, uma fuga dos problemas do mundo, mas é um momento de encontro com Deus, com os seus projectos e planos para o mundo, e um ponto de partida para o compromisso com a transformação do mundo. O encontro pessoal com Deus significa uma paragem na actividade e um momento de tomada de consciência daquilo que Deus quer e do compromisso que Deus pede aos seus enviados.
O nosso texto termina com uma espécie de resumo, no qual se explicita o sentido do ministério de Jesus: do seu encontro com o Pai, brota uma vontade renovada de concretizar o projecto de Deus e de actuar no meio dos homens a fim de lhes oferecer a libertação e a vida definitiva. Por isso, quando Jesus reencontra os discípulos, dispõe-se a palmilhar "toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demónios" (vers. 39).
No texto que nos é proposto neste domingo, os "milagres" de Jesus ocupam um espaço significativo. É preciso ver esses gestos de Jesus, não como gestos espectaculares, destinados a impressionar as multidões, mas como "sinais do Reino". São gestos que anunciam a irrupção, nesta terra, desse mundo novo, sem exclusão, sem sofrimento, sem maldição, onde todos - e de uma forma especial os pobres e marginalizados - têm a possibilidade de ser felizes. Anunciam que Deus quer criar um mundo novo, onde não há impuros, nem proscritos, nem condenados; anunciam uma nova era, de homens novos, vivendo a plenitude da vida e da felicidade. É isso que Jesus veio fazer, e é essa a missão que os discípulos de Jesus devem procurar concretizar na terra.
ACTUALIZAÇÃO
• As acções de Jesus em favor dos homens que o Evangelho deste domingo nos apresenta mostram a eterna preocupação de Deus com a vida e a felicidade dos seus filhos. O projecto de Deus para os homens e para o mundo não é um projecto de morte, mas de vida; o objectivo de Deus é conduzir os homens ao encontro desse mundo novo (o "Reino de Deus") de onde estão ausentes o sofrimento, a maldição e a exclusão, e onde cada pessoa tem acesso à vida verdadeira, à felicidade definitiva, à salvação. Talvez nem sempre entendamos o sentido do sofrimento que nos espera em cada esquina da vida; talvez nem sempre sejam claros, para nós, os caminhos por onde se desenrolam os projectos de Deus... Mas Jesus veio garantir-nos absolutamente o empenho de Deus na felicidade e na libertação do homem. Resta-nos confiar em Deus e entregarmo-nos ao seu amor.
• O encontro com Jesus e com o "Reino" é sempre uma experiência libertadora. Aceitar o convite de Jesus para O seguir e para se tornar "discípulo" significa a ruptura com as cadeias de egoísmo, de orgulho, de comodismo, de auto-suficiência, de injustiça, de pecado que impedem a nossa felicidade e que geram sofrimento, opressão e morte nas nossas vidas e nas vidas dos nossos irmãos. Quem se encontra com Jesus, escuta e acolhe a sua mensagem e adere ao "Reino", assume o compromisso de conduzir a sua vida pelos valores do Evangelho e passa a viver no amor, no perdão, na tolerância, no serviço aos irmãos. É - na perspectiva da catequese que o Evangelho de hoje nos apresenta - um "levantar-se", um ressuscitar para a vida nova e eterna. O meu encontro com Jesus constituiu, verdadeiramente, uma experiência de libertação e levou-me a optar pelos valores do Evangelho?
• A história da sogra de Pedro que, depois do encontro com Jesus, "começou a servir" os que estavam na casa, lembra-nos que do encontro libertador com Jesus deve resultar o compromisso com a libertação dos nossos irmãos. Quem encontra Jesus e aceita inserir-se na dinâmica do "Reino", compromete-se com a transformação do mundo... Compromete-se a realizar, em favor dos irmãos, os mesmos "milagres" de Jesus e a levar vida, paz e esperança aos doentes, aos marginalizados, aos oprimidos, aos injustiçados, aos perseguidos, aos que sofrem. Os meus gestos são sinais da vida de Deus ("milagres") para os irmãos que caminham ao meu lado?
• Na multidão que se concentra à porta da "casa de Pedro" podemos ver essa humanidade que anseia pela sua libertação e que grita, dia a dia, a sua frustração pela guerra, pela violência, pela injustiça, pela miséria, pela exclusão, pela marginalização, pela falta de amor... A Igreja de Jesus Cristo (a "casa de Pedro") tem uma proposta libertadora que vem do próprio Jesus e que deve ser oferecida a todos estes irmãos que vivem prisioneiros do sofrimento... O que é que nós, discípulos de Jesus, temos feito no sentido de oferecer a proposta libertadora de Jesus aos nossos irmãos oprimidos? Ao olhar para a Igreja de Jesus, eles encontram solidariedade, ajuda, fraternidade, preocupação real com os seus dramas e misérias, ou apenas discursos teológicos abstractos e virados para o céu? Os nossos irmãos idosos, doentes, marginalizados, esquecidos encontram nos nossos gestos o amor libertador de Jesus que dá esperança e que aponta no sentido de um mundo novo, ou encontram egoísmo, indiferença, marginalização?
• O exemplo de Jesus mostra que o aparecimento do "Reino de Deus" está ligado a uma vida de comunhão e de diálogo com Deus. Rezar não é fugir do mundo ou alienar-se dos problemas do mundo e dos dramas dos homens... Mas é uma tomada de consciência dos projectos de Deus para o mundo e um ponto de partida para o compromisso com o "Reino". Só na comunhão e no diálogo íntimo com Deus percebemos os seus projectos e recebemos a força de Deus para nos empenharmos na transformação do mundo. É preciso, portanto, que o discípulo encontre espaço, na sua vida, para a oração, para o diálogo com Deus.
PALAVRA DE VIDA.
O Evangelho de hoje resume a missão de Jesus: Ele veio para levantar os homens feridos no seu corpo e no seu espírito. Se pegou na mão da sogra de Pedro, quis atingir a mão de tantos estropiados da vida que se apressavam no seu caminho. Ele veio, com o seu exemplo, dizer-nos que somos chamados a entrar em relação com Deus: "A glória de Deus é o homem vivo, a vida do homem é a visão de Deus»", dizia S. Ireneu. Se Jesus Se retira para um lugar deserto, não é para fugir do mundo, mas para falar do mundo a seu Pai. Ele proclama a Boa Nova. Ora, qual é esta Boa Nova senão a libertação da humanidade e a glória de Deus? Não é um exemplo que Jesus nos dá: estender as mãos aos nossos irmãos em humanidade e, ao mesmo tempo, erguer os olhos para Deus na oração? Missão e contemplação não se opõem, pelo contrário completam-se e enriquecem-se mutuamente.
PARA A SEMANA QUE SE SEGUE...
Anunciar o Evangelho... "Ai de mim se não evangelizar!" Não nos é pedido o impossível, mas talvez, numa ou noutra ocasião, poderíamos testemunhar a nossa fé nesta "Boa Nova": na nossa maneira de reagir face às preocupações da vida (preocupações materiais face à grave crise económica que estamos a passar em todo o mundo, problemas de saúde, incertezas nas nossas relações), na nossa maneira de misturar ou não Deus nos problemas dos homens, nas palavras de alívio que podemos dizer a todo aquele que procura, que duvida, que sofre, ou ainda nas palavras de esperança que podemos ousar dizer, com respeito, face a uma situação difícil... Anunciar o Evangelho é, talvez, deixar simplesmente transparecer a força que nos habita...
FONTE: https://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=3260


Esta minha vida que Jesus ama  
Estamos habituados a pensar a nossa vida espiritual como em algo que se desenrola nos quartos bem arranjados, e nós bem vestidos e compostos diante de Deus. Acreditamos que a realidade da vida nos outros quartos, essa existência banal, quotidiana, acidentada, não é apropriada para Deus. E enganamo-nos: Deus enamora-se da normalidade. Procura a nossa vida imperfeita para tornar-se fermento e sal, e mão que volta a erguer. Esta narrativa de um milagre humilde, não vistoso, sem comentários da parte de Jesus, inspira-nos a acreditar que o limite humano é o espaço de Deus, o lugar onde aterra o seu poder. para saber mais clicar AQUI.
«[Jesus] retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar»
Porque nos dispersamos à procura do que devemos pedir na oração? Digamos com o salmo: «Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio, habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para saborear a doçura do Senhor e frequentar o seu Templo» (Sl 26,4). Esse Templo onde os dias não se sucedem, começando um quando o outro acaba, mas existem como unidade que não tem fim, pois a própria vida não tem fim.
Para obtermos esta vida feliz, Aquele que é a verdadeira vida ensinou-nos a rezar. Mas não quer que rezemos com uma sucessão de palavras, para ficarmos satisfeitos connosco; de facto, como o próprio Senhor diz, nós rezamos Àquele que sabe do que necessitamos mesmo antes de Lho pedirmos (Mt 6,8). [...] Ele sabe do que necessitamos antes mesmo do Lho pedirmos? Então porque nos exorta à oração contínua (cf Lc 18,1)? [...] Compreendamos que Deus nosso Senhor não quer ser informado dos nossos desejos, que não ignora; o que Ele quer é que os nossos desejos sejam excitados pela oração, para sermos capazes de acolher o que Ele Se dispõe a dar-nos. Pois esse dom é grande, enquanto nós somos pequenos e de reduzida capacidade! Por isso, está escrito: «Abri por completo o vosso coração» (2Cor 6, 13). É um dom muito grande [...]; e seremos tanto mais capazes de o receber com quanta mais fé crermos, com quanta mais segurança esperarmos, com quanto mais ardor o desejarmos. É, pois, na fé, na esperança e no amor, pela continuidade do desejo, que rezamos continuamente.
Santo Agostinho (354-430)
bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
«Carta a Proba sobre a oração», 8-9; CSEL 44, 56 ss.

sábado, 6 de fevereiro de 2021

inPRENSA semanal (30-01 a 5-02-2021): a minha selecção!

 Quem, por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.


Hospitais à beira da rutura e a falta de profissionais de saúde. O relato da CNN sobre a pandemia em Portugal
Fauci fala de “sentimento libertador” após saída de Trump da Casa Branca
Task-force do Governo rejeitou proposta da DGS que permitiria vacinar mais pessoas
Próximas semanas serão as piores. Menos de 300 casos em UCI só com “dois meses de algum confinamento
“O alvo perfeito”. Ex-espião da KGB revela que Trump é um “ativo” da Rússia há 40 anos
e
Dois padres e mais treze vidas que a covid nos roubou
Os poderosos conselhos do Padre Pio durante uma pandemia na Itália
16 mil euros por hora. El Mundo revela detalhes do contrato “faraónico” de Messi
Novo confinamento: Feiras abertas e supermercados sem restrições de horários
Equipa da OMS visita centro que lidou com primeiros casos do vírus
Os serviços secretos russos e Trump
Áustria vai receber doentes portugueses nos cuidados intensivos
AstraZeneca vai fornecer à UE nove milhões de doses adicionais, diz von der Leyen
Covid-19. Alemanha envia médicos e outra ajuda a Portugal na quarta-feira
Primeiro ventilador certificado em Portugal começa a ser produzido esta semana
Boné português garante distanciamento social
Portugal perde categoria de “país totalmente democrático” (e há três razões)
“A idade não é um critério”. Há menos idosos e cada vez mais jovens nos cuidados intensivos
O burnout tornou-se um negócio. Empresas ganham milhões com a síndrome
A indignação com o SEF é tão dezembro de 2020!
As mutações do SARS-CoV-2 podem tornar as vacinas “um bocadinho menos eficazes”, mas não “ao ponto de as tornar completamente ineficazes”
Covid-19. Equipa da OMS em Wuhan não descarta possibilidade de o vírus ter escapado de laboratório
Tom Moore, que angariou milhões para o SNS britânico, morreu com covid-19 mas encarnou o espírito de toda uma nação nas suas caminhadas
Há 20 livrarias encerradas disponíveis para serem adotadas
Religiosa portuguesa alerta para fome na Síria
Papa não quer “espectadores na missa” nem “um cristianismo sem Cristo”
Como se tornou Portugal o “mau aluno”? Um cocktail de frio, medo e inconsistência de medidas políticas
“Sentimo-nos abandonados”. Bispo de Beni apela à intervenção da comunidade internacional
António Guterres distinguido com prémio inspirado pelo Documento sobre a Fraternidade Humana
«Obrigado por ser mãe desta humanidade que a está a escutar e a aprender consigo o caminho da fraternidade»
“Ou somos irmãos ou nos destruímos uns aos outros”, diz o Papa
Epidemiologista defende alargamento "até seis semanas" do período entre vacinas
Estudo diz que pico da terceira vaga já passou. Internamentos “em fase descendente” na próxima semana
Especialista britânico explica por que Portugal foi atingido tão fortemente pela pandemia
Médico que tratou Navalny após envenenamento “faleceu repentinamente”
Novo scanner consegue detetar o SARS-CoV-2 em pessoas e superfícies (sem lhes tocar)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

ESPIRITUALIDADE: Igreja de Jesus Cristo

Um MIX de vídeos com cerca de 2 minutos/cada contando a via de Jesus Cristo. A não perder AQUI. E a partir deste outos mais se seguem. Basta escolher na listagem da margem direita

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

MÚSICA: 12 Pianistas tocam o mesmo piano

Todos sabemos a música maravilhosa que um artista pode produzir com um piano. Porém... o que acontece quando 12 talentosos pianistas do Conservatório de Washington resolvem pôr suas 24 mãos neste extraordinário instrumento? A resposta está na sua frente. Confira agora com um clique AQUI.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

quem conhece ESSES DESCONHECIDOS (Dr. Jérôme Lejeune)...

 .. que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer AQUIPerante isto, como me sinto tão pequenino.

LIVROS&LEITURAS: O livro, pelo cardeal Tolentino: É «incalculável o património humano, cultural e espiritual» que representa

"A dimensão mais extraordinária do projeto europeu não nasce como uma conquista bélica, como uma conceção económica ou meramente política. Foram os livros que fizeram a Europa. De Homero a Virgílio, a Catão, a Petrarca. Dos tratados de Aristóteles às cartas de Paulo. Das comédias de Terêncio às “Confissões” de Agostinho. Das fantasias de Lucrécio à “Summa” de S. Tomás. Dos trovadores medievais a Dante ou a Camões. Dos panfletos de Voltaire a Marx. De Hegel a Freud. De Dostoiévski a Joyce. De Simone Weil a Maria Zambrano. Em momentos particularmente duros da história europeia surgem algumas das mais belas declarações de amor pelos livros. Recordo Thomas Mann, ao partir em exílio para os EUA, querer ler e comentar, durante a longa travessia oceânica, o “Dom Quixote” de Cervantes. Etty Hillesum no saco essencial com que entrou no campo de concentração não opta por colocar objetos, mas dois livros: a Bíblia e o volume de poesias de Rainer Maria Rilke." - in AQUI.  

Então:
Uma nova sugestão, um clássico que tem na estante, um livro que já saiu há algum tempo, mas que ainda não teve oportunidade de ler. A Maria João Costa ajuda-o nessa decisão com uma sugestão diária... AQUI.


domingo, 31 de janeiro de 2021

PALAVRA de DOMINGO: Contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la: EUCARISTIA, LITURGIA & VIDA!

 Considerando:

1. "Três qualidades essenciais de uma homilia: Positiva, concreta, proféticaAQUI
2. "A Palavra de Deus no quotidiano da vida eclesialAQUI
3. "A autora recorda sobretudo a homilia dessa eucaristia, que não fez “lembrar nada a imagem da Igreja” que tinha “de pequenina”, e que a fez afastar-se depois de fazer a “primeira comunhão”. Para saber mais, clicar AQUI
4. "Os leitores mais atentos poderão confirmar se o Papa Francisco é coerente quando exige qualidade nas homilias como fez na exortação apostólica "A alegria do Evangelho" e a sua prática nas missas que celebra em Santa Marta. Basta ler o livro que reproduz muitas daquelas saborosas homilias feriais" - Pe. Rui Osório in JN de 11/1/2015 - "A verdade é um encontroAQUI
5Pregação «não é um sermão sobre um tema abstrato»: Vaticano apresenta diretório sobre homilias. Para saber mais clicar, AQUI
6Diretório homilético: Para falar de fé e beleza mesmo quando não se é «grande orador». Ver AQUI
7Papa mais,  pede aos padres para falarem ao «coração» e não fazerem «homilias demasiado intelectuais». Par saber mais, clicar AQUI.
8Porquê ir à missa ao domingo? Ler AQUI.
9. O que é que se faz para que a Eucaristia dominical seja algo de vital, de verdadeiramente comunitário, capaz de permitir o reconhecimento recíproco e uma autêntica fraternidade para quantos nela participam? Ler&saber AQUI.
108 conselhos dos santos para amar a Eucaristia AQUI.  

Então:
Tema do 4º Domingo do Tempo Comum - Ano B
A liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum garante-nos que Deus não se conforma com os projectos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projecto de liberdade e de vida plena.
A primeira leitura propõe-nos - a partir da figura de Moisés - uma reflexão sobre a experiência profética. O profeta é alguém que Deus escolhe, que Deus chama e que Deus envia para ser a sua "palavra" viva no meio dos homens. Através dos profetas, Deus vem ao encontro dos homens e apresenta-lhes, de forma bem perceptível, as suas propostas.
O Evangelho mostra como Jesus, o Filho de Deus, cumprindo o projecto libertador do Pai, pela sua Palavra e pela sua acção, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.
A segunda leitura convida os crentes a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de um verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos.
EVANGELHO - Mc 1, 21-28
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
Jesus chegou a Cafarnaum
e quando, no sábado seguinte, entrou na sinagoga
e começou a ensinar,
todos se maravilhavam com a sua doutrina,
porque os ensinava com autoridade
e não como os escribas.
Encontrava-se na sinagoga um homem com um espírito impuro,
que começou a gritar:
«Que tens Tu a ver connosco, Jesus Nazareno?
Vieste para nos perder?
Sei quem Tu és: o Santo de Deus».
Jesus repreendeu-o, dizendo:
«Cala-te e sai desse homem».
O espírito impuro, agitando-o violentamente,
soltou um forte grito e saiu dele.
Ficaram todos tão admirados, que perguntavam uns aos outros:
«Que vem a ser isto?
Uma nova doutrina, com tal autoridade,
que até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-Lhe!»
E logo a fama de Jesus se divulgou por toda a parte,
em toda a região da Galileia.
AMBIENTE
A primeira parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc 1,14-8,30) tem como objectivo fundamental levar à descoberta de Jesus como o Messias que proclama o Reino de Deus. Ao longo de um percurso que é mais catequético do que geográfico, os leitores do Evangelho são convidados a acompanhar a revelação de Jesus, a escutar as suas palavras e o seu anúncio, a fazerem-se discípulos que aderem à sua proposta de salvação/libertação. Este percurso de descoberta do Messias que o catequista Marcos nos propõe termina em Mc 8,29-30, com a confissão messiânica de Pedro, em Cesareia de Filipe (que é, evidentemente, a confissão que se espera de cada crente, depois de ter acompanhado o percurso de Jesus a par e passo): "Tu és o Messias".
O texto que nos é hoje proposto aparece, exactamente, no princípio desta caminhada de encontro com o Messias e com o seu anúncio de salvação. Rodeado já pelos primeiros discípulos, Jesus começa a revelar-Se como o Messias-libertador, que está no meio dos homens para lhes apresentar uma proposta de salvação.
A cena situa-nos em Cafarnaum (em hebraico Kfar Nahum, a "aldeia de Naum"), a cidade situada na costa noroeste do Lago Kineret (o Mar da Galileia). De acordo com os Evangelhos Sinópticos, é aí que Jesus se vai instalar durante o tempo do seu ministério na Galileia. Vários dos discípulos - Simão e seu irmão André, Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João - viviam em Cafarnaum.
MENSAGEM
É um sábado. A comunidade está reunida na sinagoga de Cafarnaum para a liturgia sinagogal. Jesus, recém-chegado à cidade, entra na sinagoga - como qualquer bom judeu - para participar na liturgia sabática. A celebração comunitária começava, normalmente, com a "profissão de fé" (cf. Dt 6,4-9), a que se seguiam orações, cânticos e duas leituras (uma da Torah e outra dos Profetas); depois, vinha o comentário às leituras e as bênçãos. É provável que Jesus tivesse sido convidado, nesse dia, para comentar as leituras feitas. Fê-lo de uma forma original, diferente dos comentários que as pessoas estavam habituadas a ouvir aos "escribas" (os estudiosos das Escrituras). As pessoas ficaram maravilhadas com as palavras de Jesus, "porque ensinava com autoridade e não como os escribas" (vers. 22). A referência à autoridade das palavras de Jesus pretende sugerir que Ele vem de Deus e traz uma proposta que tem a marca de Deus.
A "autoridade" que se revela nas palavras de Jesus manifesta-se, também, em acções concretas (como se a "autoridade" das palavras tivesse de ser caucionada pela própria acção). Na sequência das palavras ditas por Jesus e que transmitem aos ouvintes um sinal inegável da presença de Deus, aparece em cena "um homem com um espírito impuro". Os judeus estavam convencidos que todas as doenças eram provocadas por "espíritos maus" que se apropriavam dos homens e os tornavam prisioneiros. As pessoas afectadas por esses males deixavam de cumprir a Lei (as normas correctas de convivência social e religiosa) e ficavam numa situação de "impureza" - isto é, afastadas de Deus e da comunidade. Na perspectiva dos contemporâneos de Jesus, esses "espíritos maus" que afastavam os homens da órbita de Deus tinham um poder absoluto, que os homens não podiam, com as suas frágeis forças, ultrapassar. Acreditava-se que só Deus, com o seu poder e autoridade absolutos, era capaz de vencer os "espíritos maus" e devolver aos homens a vida e a liberdade perdidas.
Numa encenação com um singular poder evocador, Marcos põe o "espírito mau" que domina "um homem" presente na sinagoga, a interpelar violentamente Jesus. Sugere-se, dessa forma, que diante da proposta libertadora que Jesus veio apresentar, em nome de Deus, os "espíritos maus" responsáveis pelas cadeias que oprimem os homens ficam inquietos, pois sentem que o seu poder sobre a humanidade chegou ao fim. A acção da cura do homem "com um espírito impuro" constitui "a prova provada" de que Jesus traz uma proposta de libertação que vem de Deus; pela acção de Jesus, Deus vem ao encontro do homem para o salvar de tudo aquilo que o impede de ter vida em plenitude.
Para Marcos, este primeiro episódio é uma espécie de apresentação de um programa de acção: Jesus veio ao encontro dos homens para os libertar de tudo aquilo que os faz prisioneiros e lhes rouba a vida. A libertação que Deus quer oferecer à humanidade está a acontecer. O "Reino de Deus" instalou-se no mundo. Jesus, cumprindo o projecto libertador de Deus, pela sua Palavra e pela sua acção, renova e transforma em homens livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte.
ACTUALIZAÇÃO
O "homem com um espírito impuro" representa todos os homens e mulheres, de todas as épocas, cujas vidas são controladas por esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de medo, de exploração, de exclusão, de injustiça, de ódio, de violência, de pecado. É essa humanidade prisioneira de uma cultura de morte, que percorre um caminho à margem de Deus e das suas propostas, que aposta em valores efémeros e escravizantes ou que procura a vida em propostas falíveis ou efémeras. O Evangelho de hoje garante-nos, porém, que Deus não desistiu da humanidade, que Ele não Se conforma com o facto de os homens trilharem caminhos de escravidão, e que insiste em oferecer a todos a vida plena.
Para Marcos, a proposta de Deus torna-se realidade viva e actuante em Jesus. Ele é o Messias libertador que, com a sua vida, com a sua palavra, com os seus gestos, com as suas acções, vem propor aos homens um projecto de liberdade e de vida. Ao egoísmo, Ele contrapõe a doação e a partilha; ao orgulho e à auto-suficiência, Ele contrapõe o serviço simples e humilde a Deus e aos irmãos; à exclusão, Ele propõe a tolerância e a misericórdia; à injustiça, ao ódio, à violência, Ele contrapõe o amor sem limites; ao medo, Ele contrapõe a liberdade; à morte, Ele contrapõe a vida. O projecto de Deus, apresentado e oferecido aos homens nas palavras e acções de Jesus, é verdadeiramente um projecto transformador, capaz de renovar o mundo e de construir, desde já, uma nova terra de felicidade e de paz. É essa a Boa Nova que deve chegar a todos os homens e mulheres da terra.
Os discípulos de Jesus são as testemunhas da sua proposta libertadora. Eles têm de continuar a missão de Jesus e de assumir a mesma luta de Jesus contra os "demónios" que roubam a vida e a liberdade do homem, que introduzem no mundo dinâmicas criadoras de sofrimento e de morte. Ser discípulo de Jesus é percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu e lutar, se necessário até ao dom total da vida, por um mundo mais humano, mais livre, mais solidário, mais justo, mais fraterno. Os seguidores de Jesus não podem ficar de braços cruzados, a olhar para o céu, enquanto o mundo é construído e dirigido por aqueles que propõem uma lógica de egoísmo e de morte; mas têm a grave responsabilidade de lutar, objectivamente, contra tudo aquilo que rouba a vida e a liberdade ao homem.
O texto refere o incómodo do "homem com um espírito impuro", diante da presença libertadora de Jesus. O pormenor faz-nos pensar nas reacções agressivas e intolerantes - por parte daqueles que pretendem perpetuar situações de injustiça e de escravidão - diante do testemunho e do anúncio dos valores do Evangelho. Apesar da incompreensão e da intolerância de que são, por vezes, vítimas, os discípulos de Jesus não devem deixar-se encerrar nas sacristias, mas devem assumir corajosamente e de forma bem visível o seu empenho na transformação das realidades políticas, económicas, sociais, laborais, familiares.
A luta contra os "demónios" que desfeiam o mundo e que escravizam os homens nossos irmãos é sempre um processo doloroso, que gera conflitos, divisões, sofrimento; mas é, também, uma aventura que vale a pena ser vivida e uma luta que vale a pena travar. Embarcar nessa aventura é tornar-se cúmplice de Deus na construção de um mundo de homens livres.
PALAVRA DE VIDA.
Os ouvintes de Jesus estavam habituados a receber ensinamentos. A diferença que fazem entre o ensino de Jesus e o dos escribas e fariseus é que Jesus ensina como homem que tem autoridade. Eles sentem que a sua palavra não é dita de cor, mas pronunciada do coração para atingir o coração. Será necessário tempo para que eles descubram que esta palavra vem do coração de Deus. O espírito mau sabe quem é Jesus - o Santo de Deus - e reconhece a sua autoridade: Jesus veio para vencer as forças do Mal. Compreendemos a admiração da multidão, que já não tem mais medo porque, no seu meio, ergue-se o Salvador que fala e age. Tal é a sua verdadeira autoridade: Ele vem fazer uma nova criação: como na manhã do mundo, Ele diz e tudo é criado. Compreendemos então que o seu nome se espalhe em toda a Galileia. E se nós espalhássemos o seu nome? Com efeito, ainda hoje Ele diz e Ele age.
PARA A SEMANA QUE SE SEGUE...
Encontros com o Senhor... Os nossos dias, a nossa semana, podem ser pontuadas com encontros, mesmo curtos, com o Senhor: momentos de oração (sozinhos, em casal, em família, em comunidade), celebrações na paróquia, momentos de meditação da Palavra de Deus; e gestos e encontros para servir os mais pequenos. Agradar ao Senhor, colocando o nosso quotidiano sob o seu olhar: fazer o ponto da situação, em cada noite, com Ele.
e /ou no vídeo AQUI.  

«Uma nova doutrina e com tal autoridade»
«Um só é o vosso Doutor: Cristo» (Mt 23,10). […] Cristo é, com efeito, «este Filho, que é resplendor da sua glória e imagem fiel da sua substância, e que tudo sustenta com a sua palavra poderosa» (Heb 1,3). Ele é a origem de toda a sabedoria: o Verbo de Deus nas alturas é a fonte da sabedoria. Cristo é a fonte de todo o conhecimento verdadeiro, pois Ele é «o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6). […] Enquanto caminho, Cristo é Senhor e princípio do conhecimento segundo a fé. […] Por isso, Pedro ensina-nos na sua segunda carta: «E temos assim confirmada a palavra dos profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção como a uma lâmpada que brilha no escuro» (1,19). […] Pois Cristo é o princípio de toda a revelação, pela sua vinda em espírito, e a afirmação de toda autoridade, pela sua vinda na carne.
Veio em primeiro lugar em espírito, como luz que revela as visões proféticas. Segundo Daniel, «é Ele quem revela o que é profundo e escondido, quem conhece o que se esconde nas trevas, e a luz mora junto dele» (2,22); trata-se da luz da sabedoria divina, que é Cristo. Segundo João, Ele diz: «Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas» (8,12); e também: «enquanto tendes a luz, crede na luz, para vos tornardes filhos da luz» (12,36). […] Sem esta luz que é Cristo, ninguém pode penetrar os segredos da fé. Por isso, lemos no livro da Sabedoria: «Envia-a, pois, do céu, digna-Te enviá-la do trono da tua glória, para que me assista nos meus trabalhos e eu conheça aquilo que Te é agradável. […] Pois que homem pode conhecer a vontade de Deus?» (9,10-13). Ninguém pode chegar à certeza da fé revelada, senão pela vinda de Cristo em espírito e na carne.
São Boaventura (1221-1274)
franciscano, doutor da Igreja
Sermão «Christus unus omnium magister»

A fé não é saber coisas, mas sangue e vida
Que tens Tu, Jesus, a ver connosco, com a nossa vida quotidiana? Tu estás no rito do domingo, estás na igreja, ou no alto dos Céus; mas que tens Tu a ver com a nossa vida de todos os dias? Pode passar-se toda uma vida indo todos os sábados à sinagoga, todos os domingos à igreja, rezar e escutar a Palavra, e ainda assim manter dentro de si um espírito doente, uma alma distante que não se deixa alcançar. Pode viver-se toda uma vida como cristãos de domingo sem nunca deixar-se tocar pela Palavra de Deus, sem que faça verdadeiramente nova a vida. Para saber mais clicar AQUI.