A tradição espiritual não só cristã reconheceu sempre a essencialidade do silêncio para uma vida interior autêntica. «A oração – disse Savonarola – tem por pai o silêncio e por mãe a solidão.» Só o silêncio, com efeito, torna possível a escuta, que é o acolhimento em si não só da palavra pronunciada, mas também da presença daquele que fala. O silêncio é linguagem de amor, de profundidade, de presença ao outro. De resto, na experiência amorosa o silêncio é muitas vezes linguagem muito mais eloquente, intensa e comunicativa do que as palavras. Infelizmente hoje o silêncio é raro, é talvez a realidade que mais está ausente nos nossos dias. Para saber mais, clicar AQUI.
«O êxito de um bom dito reside no ouvido daquele que o escuta, não daquele que o pronuncia» (Shakespeare)
"Porquê?" & "Para quê?"
Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
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domingo, 14 de abril de 2019
ATENÇÃO/REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: A profecia do silêncio
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quarta-feira, 6 de março de 2019
ESPIRITUALIDADE: É hoje ...
... quarta-feira de cinzas, o início da Quaresma. Quaresma, tempo propício, uma oportunidade para me despoluir. Quaresma «Um despertador da alma», «tempo para reencontrar a rota da vida» e «libertar o coração das nulidades», «fogo que arde sempre».
- Perguntas e respostas para compreender a Quaresma AQUI.
- Quaresma: Do deserto ao jardim AQUI.
- Quaresma de novo AQUI.
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segunda-feira, 5 de março de 2018
ESPIRITUALIDADE: O que é a salvação cristã?
Nem individualismo nem interioridade absoluta: a salvação, como a Igreja católica a entende, passa necessariamente pela relação pessoal com Cristo, com a Igreja e com os seres humanos, esclarece um documento publicado pelo Vaticano. O texto «pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de papa Francisco, alguns aspetos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais». Para saber mais, clicar AQUI.
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quinta-feira, 11 de maio de 2017
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Felicidade: Êxtase ou interioridade?
O tema da ética inquieta a todos. Uns, dotados de profundo senso humano, sentem-se mal numa sociedade em que se violam os valores básicos, ampla e facilmente. Outros percebem que as práticas contra o Bem estão a gerar, para si e para a sociedade, efeitos deletérios. A ética ocupa lugar de relevo na fala e na escrita. Bom sinal. Para saber mais, clicar AQUI.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
quem conhece ESSES DESCONHECIDOS (41): Thomas Merton
... que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-los e dar a conhecer. Aqui:
Merton foi sobretudo um monge inquieto, mas que transformou o eremitério, com a pena, num púlpito sem fronteiras, e, com a oração, num tabernáculo onde guardava, juntamente com a Eucaristia, cada irmão; um trapista defensor da vida monástica eremítica e comunitária, convicto de «ter viva no mundo moderno a experiência contemplativa e manter aberta para o homem tecnológico dos nossos dias a possibilidade de recuperar a integridade da sua interioridade mais profunda».
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013
ESPIRITUALIDADE: Os três estádios da existência e o combate da fé
por ANSELMO BORGES, in DN de 27-07-2013
Deixou uma obra filosófica importante, um dos fundamentos das posteriores
filosofias da existência - é dele o adjectivo "existencial". Refiro-me a Sören
Kierkegaard, cujo segundo centenário se celebra este ano - nasceu em Copenhaga
em 1813. O que lhe interessava não era o saber na sua pureza teórica, mas como
agir e viver. Escreveu: "O que no fundo me falta é ver claro em mim mesmo, saber
o que hei-de fazer e não o que hei-de conhecer, excepto na medida em que o
conhecimento deve preceder a acção. Trata-se de compreender o meu destino,
descobrir aquilo que Deus no fundo quer de mim, encontrar uma verdade que seja
tal para mim, encontrar a ideia pela qual possa viver e morrer." Contra Hegel,
cujo eco ouviu em Berlim, argumentou que não há um sistema da existência e do
indivíduo. Ora, o decisivo é o indivíduo e a sua interioridade, a liberdade, a
possibilidade, a angústia, o desespero, a salvação, numa decisão intransferível.
Como dirá Unamuno, "eu sou único e não há outro eu no mundo", como também não há
outro tu ou outro ele/ela. É célebre a sua definição da existência humana como
"uma relação que se relaciona consigo mesma ou, por outras palavras, como o que
na relação faz com que a relação se relacione consigo mesma". É decisiva esta
auto-referência, que é, inevitavelmente, hetero-referente. De facto, "uma
relação que se relaciona consigo mesma -portanto, um eu -, tem que ter-se posto
a si mesma ou ter sido posta por outro". Ora, a existência humana não se põe a
si mesma e, por isso, a auto-relação é, necessariamente, relação a outro, o
autor da relação, Deus, numa relação única de "comunicação existencial". A
existência está colocada perante três possibilidades fundamentais, a que chamou
"estádios", não no sentido cronológico e lógico de passagem sucessiva de um a
outro, mas de atitudes ou modos de existência. Seja como for, a passagem de um a
outro não se dá dialecticamente, mas por um "salto" que transforma radicalmente
a existência. O estádio estético (do grego aisthesis, sensação, sensibilidade)
tem a sua figura no Don Juan e caracteriza-se pela busca saltitante do gozo
imediato das sensações, no instante fugidio da conquista, de prazer em prazer.
Esta via da repetição hedonista desemboca no sentimento de frustração e
melancolia e pode levar ao desespero. Pode dar-se então o salto para o estádio
ético, empenhando a liberdade própria e assumindo a seriedade da existência, no
cumprimento do dever e da responsabilidade, concretamente na relação estável e
fiel com o outro no casamento. Mas, aqui, o indivíduo ainda está sob a lei
geral. Só no estádio religioso o indivíduo se encontra verdadeiramente a si
próprio e à sua singularidade no "abandono mais absoluto" a Deus, o totalmente
Outro. O religioso é "o sério, e o sério é: o único". "Tornar-se cristão é a
coisa mais decisiva que um homem pode tornar-se", pois resolve o seu "paradoxo":
no tempo, decidir e encontrar a eternidade. A fé tem o seu modelo em Abraão a
quem Deus mandou sacrificar o filho. Segundo a exegese, o que o texto diz é que
Deus põe termo aos sacrifícios humanos. Aliás, Kant, confrontado com o tema,
escreveu que Abraão deveria ter dito a Deus que não era seguro que a voz que
ouvia fosse de Deus, mas era certo que não devia matar. Kierkegaard, porém,
coloca-se noutro plano: o do combate da fé, numa luta de vida e de morte com
Deus. Deus põe à prova a fé de Abraão e o seu amor, quer ver se realmente O ama.
Abraão, por sua vez, põe também Deus à prova: dispõe-se a matar o filho, mas, se
Deus não intervier, só pode tornar-se ateu. Deus interveio. A fé e o amor são
levados ao paroxismo. Luterano, foi crítico ácido da Igreja oficial
dinamarquesa: "Na sumptuosa catedral, eis que aparece o Reverendíssimo e
Venerabilíssimo pregador da Corte, o eleito do grande mundo, e aparece perante
um círculo de uma elite e prega com emoção sobre este texto que ele mesmo
escolheu: "Deus escolheu o que é humilde e desprezado no mundo" - e ninguém se
põe a rir." Mas, já à beira da morte, foi-lhe perguntado se acreditava em Jesus
Cristo. E ele (cito de cor): "Sim. Em quem haveria de acreditar nesta hora?"
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