"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

EVANGELHOLc 5,1-11
Evangelho de Nosso senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo,
estava a multidão aglomerada em volta de Jesus,
para ouvir a palavra de Deus.
Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré
e viu dois barcos estacionados no lago.
Os pescadores tinham deixado os barcos
e estavam a lavar as redes.
Jesus subiu para um barco, que era de Simão,
e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra.
Depois sentou-Se
e do barco pôs-Se a ensinar a multidão.
Quando acabou de falar, disse a Simão:
«Faz-te ao largo
e lançai as redes para a pesca».
Respondeu-Lhe Simão:
«Mestre, andámos na faina toda a noite
e não apanhámos nada.
Mas, já que o dizes, lançarei as redes».
Eles assim fizeram
e apanharam tão grande quantidade de peixes
que as redes começavam a romper-se.
Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco
para os virem ajudar;
eles vieram e encheram ambos os barcos
de tal modo que quase se afundavam.
Ao ver o sucedido,
Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe:
«Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador».
Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele
e de todos os seus companheiros,
por causa da pesca realizada.
Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu,
que eram companheiros de Simão.
Jesus disse a Simão:
«Não temas.
Daqui em diante serás pescador de homens».
Tendo conduzido os barcos para terra,
eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

AMBIENTE
Estamos na Galileia, no início do ministério de Jesus. Há algum tempo, Ele apresentou o seu programa na sinagoga de Nazaré como anúncio da Boa Nova aos pobres e proposição da libertação para os prisioneiros… Agora, começam a notar-se os primeiros resultados da actividade de Jesus: à sua volta começa a formar-se o grupo dos que foram sensíveis a essa proposta de salvação e seguiram Jesus.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto como Evangelho é uma catequese que procura apresentar as coordenadas fundamentais da identidade cristã: o que é ser cristão? Como se segue Jesus? O que é que implica seguir Jesus?
Ser cristão é, em primeiro lugar, estar com Jesus “no mesmo barco” (vers. 3). É desse barco (a comunidade cristã), que a Palavra de Jesus se dirige ao mundo, propondo a todos a libertação (“pôs-Se a ensinar, da barca, a multidão”).
Ser cristão é, em segundo lugar, escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar (vers. 4-5). Às vezes, as propostas de Jesus podem parecer ilógicas, incoerentes, ridículas (e quantas vezes o parecem, face aos esquemas e valores do mundo…); mas é preciso confiar incondicionalmente, entregar-se nas mãos d’Ele e cumprir à risca as suas indicações (“porque Tu o dizes, lançarei as redes” – vers. 5).
Ser cristão é, em terceiro lugar, reconhecer Jesus como “o Senhor” (vers. 8): é o que faz Pedro, ao perceber como a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos. O título “Senhor” (em grego, “kyrios”) é o título que a comunidade cristã primitiva dá a Jesus ressuscitado, reconhecendo n’Ele o “Senhor” que preside ao mundo e à história.
Ser cristão é, em quarto lugar, aceitar a missão que Jesus propõe: ser pescador de homens (vers. 10). Para entendermos o verdadeiro significado da expressão, temos de recordar o que significava o “mar” no ideário judaico: era o lugar dos monstros, onde residiam os espíritos e as forças demoníacas que procuravam roubar a vida e a felicidade do homem. Dizer que os seus discípulos vão ser “pescadores de homens” significa que a missão do cristão é continuar a obra libertadora de Jesus em favor do homem, procurando libertar o homem de tudo aquilo que lhe rouba a vida e a felicidade. Trata-se de salvar o homem de morrer afogado no mar da opressão, do egoísmo, do sofrimento, do medo – as forças demoníacas que impedem a felicidade do homem.
Ser cristão é, finalmente, deixar tudo e seguir Jesus (vers. 11). Esta alusão ao desprendimento do discípulo é típica de Lucas (cf. Lc 5,28;12,33;18,22): Lucas expressa, desta forma, que a generosidade e o dom total devem ser sinais distintivos das comunidades e dos crentes que seguem Jesus.
Uma palavra, ainda, para o papel proeminente que Pedro aqui desempenha: a comunidade lucana é uma comunidade estruturada, que reconhece em Pedro o “porta-voz” de todos e o principal animador dessa comunidade de Jesus que navega nos mares da história.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar os seguintes dados:
• A reflexão deste texto deve pôr em paralelo o “caminho cristão”, tal como Lucas o descreve aqui, com esse caminho – às vezes não tão cristão como isso – que vamos percorrendo todos os dias. Considerar as seguintes questões:
• O nosso caminho é feito no barco de Jesus, ou, às vezes, embarcamos noutros projectos onde Jesus não está e fazemos deles o objectivo da nossa vida? Por outro lado, deixamos que Jesus viaje connosco ou, às vezes, obrigamo-l’O a desembarcar e continuamos viagem sem Ele?
• Ao longo da viagem, somos sensíveis às palavras e propostas de Jesus? As suas indicações são para nós sinais obrigatórios a seguir, ou fazem mais sentido para nós os valores e a lógica do mundo?
• Reconhecemos, de facto, que Jesus é o “Senhor” que preside à nossa história e à nossa vida? Ele é o centro à volta do qual constituímos a nossa existência, ou deixamos que outros “senhores” nos manipulem e dominem?
• Chamados a ser “pescadores de homens”, temos por missão combater o mal, a injustiça, o egoísmo, a miséria, tudo o que impede os homens nossos irmãos de viver com dignidade e de ser felizes. É essa a nossa luta? Sentimos que continuamos, dessa forma, o projecto libertador de Jesus?
• A nossa entrega é total, ou parcial e calculada? Deixamos tudo na praia para seguir Jesus, porque o seu projecto se tornou a prioridade da nossa vida?
 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

(in)PRENSA: a minha selecção

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.

Calado, o senhor Ulrich é um poeta
http://expresso.sapo.pt/calado-o-senhor-ulrich-e-um-poeta=f783873
Os islandeses não "aguentam"
http://expresso.sapo.pt/os-islandeses-nao-aguentam=f783684
Marisa Matias ( eurodeputa​da ) comenta Ulrich !
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lDNZtR5CCR0#
Sem uma boa Educação não há país que sobreviva à crise
Empresa portuguesa mostrou posse de Obama em 360º
“É preciso respeitar os sacrifícios das pessoas e evitar instabilidade partidária”
http://rr.sapo.pt/informacao_prog_detalhe.aspx?fid=1354&did=95265&infaz=000
O escândalo de Rajoy e a nossa classe política
http://expresso.sapo.pt/o-escandalo-de-rajoy-e-a-nossa-classe-politica=f784476#ixzz2K43JuUz8
A economia e a fé
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3038982&seccao=Andr%E9%20Macedo
Governo injectou mais mil milhões de euros no BPN em Dezembro
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=24&did=95830
Bandeira de Portugal substituída por ter pagodes em vez de castelos
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=95901
Candidaturas de Menezes e Seara ilegais. "Basta ter a 4ª classe para perceber"
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=95850
Padre António Vieira foi "de um testemunho cristão fora do normal"
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=30&did=95890


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ESPIRITUALIDADE: Aprender a Viver a partir deste Ano da Fé

A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial (1) | VÍDEO | «Hoje sentimos a necessidade de uma fé voltada para a vida. De uma fé que constitua uma arte de viver, e não apenas um conjunto de práticas ou credos que vamos mantendo vivos ao longo da História. Precisamos de mais. Em nós próprios observamos muitas vezes um analfabetismo perante os atos fundamentais da vida. Há momentos que nos deixam sem palavras, sem apoio: uma doença, um incidente, uma crise, uma alegria, um grande encontro, que frequentemente parecem um caminho paralelo, para o qual a fé não tem capacidade de acolhimento.» Primeira parte da conferência “A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial”, proferida pelo padre José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, no âmbito do ciclo “Viver a Fé aqui e agora”.
A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial (2)| VÍDEO |
Susan Sontag, autora norte-americana já desaparecida, levantava-se contra a interpretação. O mundo, dizia, encheu-se de comentários. Vivemos de coisas em segunda mão e cada vez estamos mais distantes da fonte. Uma fé vivida aqui e agora não se deixa capturar pelo comentário mas antes de tudo ajuda-nos a ser. A fé tem de ser uma escola do olhar, do odor, do sabor, do sentir, da escuta. A espiritualidade não se separa dos sentidos, que são portas interiores para o encontro profundo com Deus. Precisamos de uma mística do quotidiano. Deus não vem ao nosso encontro numa praça que nunca visitámos nem bate a uma porta onde não estamos.
Enquanto Deus olha para cada criatura em si, na sua integridade e beleza, a narrativa da primeira transgressão relatada no Génesis coloca a mulher, induzida pela serpente, a olhar cada coisa a partir da necessidade e do desejo. A bondade já não depende da coisa em si mas das paixões e carências. É então que eu passo a ser o critério da bondade do outro; e em vez de cantar a marca de Absoluto que existe na outro, eu é que digo o que é bom e útil. Quando isto acontece o mundo deixa de se ver. É como se a realidade ficasse escondida. Ao contrário do que diz a serpente, o olhar de Adão e Eva não se abre mas afunila-se ao deixar de ver as coisas no ser, passando a vê-las a partir da perspetiva do ter e da utilidade imediata. Este é também o drama do nosso olhar.
Uma aproximação à espiritualidade do olhar a partir do texto evangélico Marcos 8, 22-26: «Chegaram a Betsaida e trouxeram-lhe um cego, pedindo-lhe que o tocasse. Jesus tomou-o pela mão e conduziu-o para fora da aldeia. Deitou-lhe saliva nos olhos, impôs-lhe as mãos e perguntou: “Vês alguma coisa?” Ele ergueu os olhos e respondeu: “Vejo os homens; vejo-os como árvores a andar.” Em seguida, Jesus impôs-lhe outra vez as mãos sobre os olhos e ele viu perfeitamente; ficou restabelecido e distinguia tudo com nitidez. Jesus mandou-o para casa, dizendo: “Nem sequer entres na aldeia.” Precisamos criar uma intimidade com Jesus, sentir que ele nos leva pela mão para fora da nossa aldeia e que estamos a sós com ele. Um Padre do Deserto dizia: «se tu não dizes “eu e Deus estamos sós”, nunca terás paz».
A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial (5) | VÍDEO |
«Escuta» é uma das palavras mais repetidas na Bíblia, muitas vezes sob a forma de imperativo. Precisamos de reaprender a escuta e neste Ano da Fé reavaliar o modo como escutamos o tempo, os sinais do Espírito, o modo como Deus passa pela nossa história. Jesus não diz que aqueles que o escutam serão poupados à tempestade, aos abalos de terra, às grandes chuvadas. Aqueles que escutam também passam por crises, noites escuras, devastações, sofrimentos. Mas quem escuta até ao fundo tem a sua casa construída sobre a rocha. A escuta é uma forma de atenção; é oração; é meditação; é o contrário de uma vida de aparências ou superficial. Eu escuto e não sei. Mas confio.
A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial (6) | VÍDEO |
O odor como aproximação a Deus: para os profetas, o perfume que mais agrada a Deus não é o dos animais imolados ou das madeiras queimadas sobre o altar dos sacrifícios, mas o próprio povo. O perfume é também símbolo do supérfluo. Judas indigna-se com o desperdício do perfume derramado sobre Jesus; teria sido mais útil vendê-lo e dar o dinheiro aos pobres. Mas nós precisamos dos símbolos da alegria, do dom, da alegria e do excesso. Precisamos do bem mas também do belo. O cheiro da festa tem de encher a nossa casa neste Ano da Fé.
A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial (7) | VÍDEO |
Sobre o saborear devagar, aos poucos, sem querer desvendar o enigma de uma só vez, sabendo que é preciso regressar sempre: «Uma história dos Padres do Deserto falava de um mestre de noviços que era calígrafo. Veio o noviço e o ancião passou-lhe a página para meditar. O noviço agarrou-a e foi para a sua cela, mas ao chegar ficou horrorizado porque o ancião tinha escrito só as consoantes. Voltou para junto dele e disse-lhe: “Mestre, talvez te tenhas enganado porque me deste um texto só escrito com consoantes”. E o ancião responde-lhe: “Vai para a tua cela, medita nas consoantes, e depois vem para receberes as vogais.» «Nós queremos tudo ao mesmo tempo: as consoantes e as vogais, o passado e o futuro, o ontem e o hoje, o que se vê e o que não se vê, a terra e a lua, porque achamos que só essa totalidade nos dá o sentido profundo das coisas. Mas, e isto é de uma grande sabedoria espiritual, nós temos o que precisamos
A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial (8) | VÍDEO |
«A fé é uma sabedoria que se matura. De que me serve ganhar o mundo se vivo uma vida desencontrada, que não me pertence?» «No conto “O Principezinho”, o protagonista encontra-se com o inventor de pílulas que curavam toda a sede; com elas poupavam-se 12 minutos por dia, o tempo que se leva a beber copos de água.» «Então o Principezinho disse-lhe: se eu tivesse 12 minutos, aquilo que eu fazia era caminhar devagarinho para uma fonte. Seja também isso que fazemos neste Ano da Fé.» Última parte da conferência “A importância do agora: os desafios de um cristianismo sapiencial”, proferida pelo padre José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

MÚSICA: 150 discos que toda a gente deve ouvir

Meia centena de álbuns de música clássica, jazz e pop que os leitores devem conhecer, selecionados pelos críticos do Expresso.

http://expresso.sapo.pt/150-discos-que-toda-a-gente-deve-ouvir=f777009

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

CINEMA: "Lincoln", um combate pela paz que continua atual

Independentemente do género, são bem patentes as questões que Spielberg levanta e os valores subjacentes que defende: o respeito pela vida, a tolerância ou respeito mútuo, para lá da diferença de espécie, raça ou credo; a relação humana com o desconhecido; a possibilidade de entendimento e cooperação nas circunstâncias mais adversas ou improváveis. “Lincoln”, mais que o olhar biográfico sobre um presidente dos Estados Unidos, é uma nova proposta de reflexão sobre a questão dos direitos humanos, especificamente centrado na abolição da escravatura – igualdade racial ou étnica. Uma obra clara e bem gerida que pretere os efeitos emocionais e visuais da guerra em favor da discussão, atual, de interesses, fundamentos e garantias da igualdade dos seres humanos, não entre si, mas perante a lei. Sem esquecer o papel preponderante, e inevitavelmente solitário, de um líder.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

HISTÓRIA/BIOGRAFIA/LEITURA/RÁDIO: D. Teresa mãe de D. Afonso Henriques

"A essência do ofício, do percurso das artes. A arquitetura, a diplomacia, o cinema, o teatro, a ciência, a música... As ideias e o pensamento." - ANTENA 2, pois claro!!!

com Luís Carlos Amaral
- 1ª parte
... 2ª parte

domingo, 3 de fevereiro de 2013

ESPIRITUALIDADE: Aceitar a humildade, confiar na contradição, amar o serviço

Após um impulso inicial, os habitantes de Nazaré perdem o entusiasmo admirativo em favor de um certo realismo. Como é que o filho de José pode dizer-se marcado pela unção do Espírito Santo? E as resistências aumentam. Por quem se toma ele? É um pretensioso, um louco ou um impostor. Mesmo os familiares de Jesus querem dominar as suas palavras, visto que diziam: «Está fora de si». Esta questão vai atravessar todo o Evangelho e chega até hoje. Para muitos dos nossos contemporâneos as verdades essenciais da fé e da boa nova são desconcertantes, e até provocantes. O plano da narrativa de Lucas, incluindo os Atos dos Apóstolos, entrevê-se nesta passagem: a mensagem anunciada por Jesus falhou na sua pátria; por isso deve ser proclamada fora dela. Comentário às leituras do 4.º Domingo do Tempo Comum.
Ler mais em:

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

LEITURA IJer 1,4-5.17-19
Leitura do Livro de Jeremias
No tempo de Josias, rei de Judá,
a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:
«Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi;
antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei
e te constituí profeta entre as nações.
Cinge os teus rins e levanta-te,
para ires dizer tudo o que Eu te ordenar.
Não temas diante deles,
senão serei Eu que te farei temer a sua presença.
Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada,
uma coluna de ferro e uma muralha de bronze,
diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes,
diante dos sacerdotes e do povo da terra.
Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te,
porque Eu estou contigo para te salvar».

AMBIENTE
A actividade profética de Jeremias começa por volta de 627/626 a.C. (quando o profeta teria pouco mais de vinte anos) e prolonga-se até depois da queda de Jerusalém nas mãos dos Babilónios (586 a.C.). O cenário dessa actividade é, em geral, o reino de Judá (e, sobretudo, a cidade de Jerusalém).
É uma época muito conturbada, quer a nível político, quer a nível religioso. Judá acabou de sair dos reinados de Manassés (698-643 a.C.) e de Amon (643-640 a.C.), reis ímpios que multiplicaram no país os altares aos deuses estrangeiros e levaram o Povo a afastar-se de Jahwéh. Na época em que Jeremias começa o seu ministério profético, o rei de Judá é Josias (640-609 a.C.): trata-se de um rei bom, que procura eliminar o culto aos deuses estrangeiros e concentrar a vida litúrgica de Judá num único lugar – o Templo de Jerusalém. No entanto, a reforma religiosa levada a cabo por Josias levanta algumas resistências; por outro lado, é uma reforma que é mais aparente do que real: não se pode, por decreto e de repente, corrigir o coração do Povo e eliminar hábitos religiosos cultivados ao longo de algumas dezenas de anos.
É neste ambiente que Jeremias é chamado por Deus e enviado em missão.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto apresenta o relato que Jeremias faz do seu chamamento por Deus. Mais do que uma reportagem do “momento” em que Deus chamou o profeta, trata-se de uma reflexão e de uma catequese sobre esse mistério sempre antigo e sempre novo a que chamamos “vocação”.
A vocação profética, na perspectiva de Jeremias, é, em primeiro lugar, um encontro com Deus e com a sua Palavra (“a Palavra do Senhor foi-me dirigida…” – vers. 4). A Palavra marca, a partir daí, a vida do profeta e passa a ser, para ele, a única coisa decisiva.
Em segundo lugar, a vocação é um desígnio divino: foi Deus que escolheu, consagrou e constituiu Jeremias como profeta. Dizer que Deus “escolheu” o profeta (literalmente, “conheceu” – do verbo “yada‘”) é dizer que Deus, por sua iniciativa, estabeleceu desde sempre com ele uma relação estreita e íntima, de forma que o profeta, vivendo na órbita de Deus, aprendesse a discernir os planos de Deus para os homens e para o mundo. Dizer que Deus “consagrou” o profeta significa que Deus o “reservou”, que o “pôs à parte” para o seu serviço. Dizer que Deus “constituiu” o profeta “para as nações” significa que Deus lhe confiou uma missão, missão que tem um alcance universal. Tudo isto, no entanto, resulta da acção e da escolha de Deus, é iniciativa de Deus e não escolha do homem.
Na segunda parte do texto, temos o envio formal do profeta. Ele deve ir “dizer o que o Senhor ordenar”, sem medo nem servilismo, enfrentando os grandes da terra, armado apenas com a força de Deus. É a definição do “caminho profético”, percorrido no sofrimento, no risco, na solidão, no conflito com todos os que se opõem à proposta de Deus. A leitura de hoje termina com um convite à confiança: “não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar” – vers. 19).
A vida de Jeremias realizou, integralmente, o projecto de Deus. A propósito e a despropósito, Jeremias denunciou, criticou, demoliu e destruiu, edificou e plantou. Não teve muito êxito: a família, os amigos, o povo de Jerusalém, as autoridades, os sacerdotes, viraram-lhe as costas, marginalizaram-no, perseguiram-no e maltrataram-no. No entanto, Jeremias nunca renunciou: Deus invadiu-lhe de tal forma a vida, e a paixão pela Palavra de Deus “apanhou-o” de tal forma, que o profeta viveu até ao fim, com a máxima intensidade, a sua missão.
ACTUALIZAÇÃO
Considerar, para reflexão, as seguintes questões:
• Os “profetas” não são uma classe de animais extintos há muitos séculos, mas são uma realidade com que Deus continua a contar para intervir no mundo e para recriar a história. Quem são, hoje, os profetas? Onde estão eles?
• No Baptismo, fomos ungidos como profetas, à imagem de Cristo. Estamos conscientes dessa vocação a que Deus a todos nos convocou? Temos a noção de que somos a “boca” através da qual a Palavra de Deus se dirige aos homens?
• O profeta é o homem que vive de olhos postos em Deus e de olhos postos no mundo (numa mão a Bíblia, na outra o jornal diário). Vivendo em comunhão com Deus e intuindo o projecto que Ele tem para o mundo, e confrontando esse projecto com a realidade humana, o profeta percebe a distância que vai do sonho de Deus à realidade dos homens. É aí que ele intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir. Somos estas pessoas, simultaneamente em comunhão com Deus e atentas às realidades que desfeiam o nosso mundo?
• A denúncia profética implica, tantas vezes, a perseguição, o sofrimento, a marginalização e, em tantos casos, a própria morte (Óscar Romero, Luther King, Gandhi…). Como lidamos com a injustiça e com tudo aquilo que rouba a dignidade dos homens? O medo, o comodismo, a preguiça, alguma vez nos impediram de ser profetas?
• Em concreto, em que situações sou chamado, no dia a dia, a exercer a minha vocação profética?
• “Nenhum profeta é bem recebido na sua terra”. Os habitantes de Nazaré julgam conhecer Jesus, viram-n’O crescer, sabem identificar a sua família e os seus amigos mas, na realidade, não perceberam a profundidade do seu mistério. Trata-se de um conhecimento superficial, teórico, que não leva a uma verdadeira adesão à proposta de Jesus. Na realidade, é uma situação que pode não nos ser totalmente estranha: lidamos todos os dias com Jesus, somos capazes de falar algumas horas sobre Ele; mas a sua proposta tem impacto em nós e transforma a nossa existência?
• “Faz também aqui na terra o que ouvimos dizer que fizestes em Cafarnaum” – pedem os habitantes de Nazaré. Esta é a atitude de quem procura Jesus para ver o seu espectáculo ou para resolver os seus problemazinhos pessoais. Supõe a perspectiva de um Deus comerciante, de quem nos aproximamos para fazer negócio. Qual é o nosso Deus? O Deus de quem esperamos espectáculo em nosso favor, ou o Deus que em Jesus nos apresenta uma proposta séria de salvação que é preciso concretizar na vida do dia a dia?
• Como na primeira leitura, o Evangelho propõe-nos uma reflexão sobre o “caminho do profeta”: é um caminho onde se lida, permanentemente, com a incompreensão, com a solidão, com o risco… É, no entanto, um caminho que Deus nos chama a percorrer, na fidelidade à sua Palavra. Temos a coragem de seguir este caminho? As “bocas” dos outros, as críticas que magoam, a solidão e o abandono, alguma vez nos impediram de cumprir a missão que o nosso Deus nos confiou?
FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=447