Se tivesse de escolher a mais essencial entre todas as qualidades a procurar na pessoa com quem partilhar a vida, direi que a coisa, em absoluto, mais importante seria encontrar, se possível, uma pessoa boa. Não que sejam irrelevantes a beleza, a inteligência, o espírito empreendedor, a capacidade de ter sucesso; mas nenhuma destas qualidades, por si só, é a crucial na vida em comum. Para saber mais clicar AQUI.
«O êxito de um bom dito reside no ouvido daquele que o escuta, não daquele que o pronuncia» (Shakespeare)
"Porquê?" & "Para quê?"
Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!
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sexta-feira, 7 de agosto de 2020
ATENÇÃO/REFLEXÃO/MEDITAÇÃO: O dom de ter uma pessoa boa junto de nós
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domingo, 14 de abril de 2019
FILME&CINEMA: “O exorcista”
«Simplesmente direi que tenho esta fé, e é por isso que fiz o filme. Fiz o filme, como Blatty escreveu o romance, para difundir o Evangelho», revela William Friedkin, realizador do filme “O exorcista” (1973), em entrevista ao jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, conduzida pelo seu diretor, na qual afirma que dirigiu a película «enquanto crente». Nesta conversa, o cineasta fala do ambiente no estúdio durante as gravações, dos filmes que dirigiu a seguir, sempre em torno do mal e do bem, e dos seus encontros com o P. Gabriele Amorth, famoso exorcista, pouco tempo antes da sua morte. Para saber mais clicar AQUI.
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MÚSICA: Bach ajuda
«Entrar em certas atmosferas musicais ajuda a reencontrar a fé; uma música ou sinfonia pode funcionar como um João Batista musical, um prenúncio, uma antecâmara. A frequência sonora de certas peças é porventura a frequência mais parecida à emoção que sentimos naqueles momentos em que temos a certeza que Ele está ali ao nosso lado. E aqui a música clássica é imbatível, sobretudo Bach.» É um «convertido tardio», a sua fé «é uma adolescente insegura», mas tanto amigos como desconhecidos pedem-lhe «conselhos sobre a fé»; e apesar de se «sentir ridículo», o escritor e comentador Henrique Raposo vai «dando conselhos na medida do possível»; um deles relaciona-se com a música. Para saber mais clicar AQUI.
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terça-feira, 12 de dezembro de 2017
ESPIRITUALIDADE: Para uma espiritualidade da menoridade
Abri um espaço acolhedor e disponível para que entrem na vossa vida todos os menores do vosso tempo: os marginalizados, homens e mulheres que vivem pelas nossas estradas, nos parques ou nas estações; os milhares de desempregados, tantos doentes, tantos idosos abandonados, as mulheres maltratadas, os migrantes que procuram uma vida digna, todos aqueles que vivem nas periferias existenciais, privados de dignidade e também da luz do Evangelho. Para saber mais, clicar AQUI.
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quinta-feira, 22 de junho de 2017
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Temas de Francisco, temas da Boa Nova
Mesmo para um olhar superficial, é fácil perceber temas como a alegria, a missão caritativa plena da Igreja como um todo, a permanente conversão desta ao seu amado Senhor e ao coração do Evangelho, a realidade concreta do mundo em que se está, não uma qualquer abstração utopista, a atenção à economia e à sua perversão de modo de libertação das pessoas das carências básicas e de promoção de uma vida digna, que implica uma especial atenção aos mais frágeis, a todos. Para saber mais, clicar AQUI.
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Vencer desprezo e niilismo, tarefa de cada dia
Depois da América, mas também antes, e olhando para o contexto em que cada um de nós age, o desprezo é uma das duas grandes tentações a que estão sujeitos os nossos contemporâneos mais atentos ao que muda no mundo. A outra tentação, o niilismo, está muito mais espalhada do que aquilo que se pensa e conduz ao abandono de toda a esperança de poder mudar seja o que for na ordem das coisas. Para saber mais, clicar AQUI.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO:O bom senso e o senso comum
«Havia bom senso; mas estava oculto, por medo do senso comum»: esta é uma famosa frase do romance "Os noivos", de Alessandro Manzoni, que distingue os dois «sensos», colocando-os em contraste. O primeiro, com efeito, poderia ser reconduzido à ideia de "sabedoria". Emboscado, todavia, há uma espécie de momice do bom senso, o «senso comum». Para saber mais, clicar AQUI
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quarta-feira, 1 de junho de 2016
ESPIRITUALIDADE: Ópio do povo
A religião, ópio do povo. Porque a quem sofria dores, humilhações, doenças, escravidão, prometia uma recompensa na vida após a morte. Na transformação a que estamos a assistir, pode ocorrer o contrário. O verdadeiro ópio do povo é crer no nada após a morte. Dá um conforto enorme a ideia de que pelas nossas infâmias, ofensas, velhacarias e assassinatos não seremos julgados. Para saber mais, clicar AQUI.
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terça-feira, 15 de março de 2016
ESPIRITUALIDADE: Páscoa é misericórdia, Páscoa é vida
O tempo pascal mostra incontrovertivelmente que para se poder ser cristão, isto é, digno seguidor de Cristo, não se pode ser cobarde. Não por causa das pobres emoções de nível psicológico que os pormenores grosseiros associados à maldade humana expostos na fase mais dolorosa da paixão mostram, mas porque, para se ser digno seguidor de Cristo, é necessário, como ele, obedecer, até à morte, ao mandamento do amor. Para continuar a ler clicar AQUI.
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sexta-feira, 11 de março de 2016
REFLEXÃO/MEDITAÇÃO/ATENÇÃO: Não falta ciência e técnica ao serviço da vida, o que muitas vezes falta é «humanidade», afirma papa
O papa acentuou hoje, no Vaticano, que é preciso libertar a natureza humana da ideologia, do egoísmo e da mentira que tornam os vícios em virtudes e os lucros em serviço à população...O tema do encontro, a virtude na ética da vida, «dirige uma importante mensagem à cultura contemporânea: o bem que o homem realiza não é o resultado de cálculos ou estratégias, nem sequer é o produto do ordenamento genético ou dos condicionamentos sociais, mas é fruto de um coração corretamente inclinado, da livre escolha que tende para o verdadeiro bem. Não chegam a ciência e a técnica: para fazer o bem é preciso a sabedoria do coração», assinalou. Para continuar a ler, clicar AQUI.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
FILME&CINEMA: "Star Wars - O despertar da força"
Que o entretenimento esteja contigo e deixe o cérebro à porta.
O tema – como “western” galático ou “space opera” – continua a ser a luta entre bem e mal, salpicada de amores e desamores românticos e desavenças entre pais e filhos. A fonte filosófica está mais próxima do confucionismo, xintoísmo ou taoísmo do que das religiões abraâmicas, já que o mal se apresenta como um lado sombrio do mesmo bem. Ler mais aqui.
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
REFLEXÃO/ATENÇÃO/MEDITAÇÃO: Ou amor ou violência
Para quem estuda há muito tempo as questões implicadas pela guerra e pela violência, não é o surgimento de um qualquer ato de especialmente próxima ou espetacular violência que surpreende, mas que ainda haja surpresa com o surgir da violência.
A humanidade, criada com uma naturalmente inaudita capacidade de entendimento da realidade na forma de sentido, sentido este universalmente partilhável entre todos os sujeitos humanos, teima, desde que existe, em não usar de tal capacidade como forma de engrandecimento de si própria. Exemplos claros na tradição judaico-cristã são o estulto uso da inteligência prístina pelo mítico casal Adão e Eva, bem como o uso da mesma capacidade, já não prístina, por seu filho Caim, que pensou – mal – engrandecer-se à custa da diminuição do irmão na forma radical da sua aniquilação.
A história da humanidade – mítica ou monumental – está esmagada pelo peso de exemplos com estes analogáveis. Realisticamente, pode dizer-se que a história da humanidade, desde o simbólico Caim, é o relato da perversão bestial da sua capacidade própria de engrandecimento. Não se trata de pessimismo, mas da constatação de uma realidade indesmentível. Pessimista seria a afirmação segundo a qual à humanidade não é possível mais do que comportar-se bestialmente.
Ora, precisamente, o que o mito genesíaco relativo ao início da humanidade manifesta é a criação de um tipo entitativo perfeito como passível de realizar, de literalmente criar o bem, na sequência imediata da própria criação divina inicial. O que constitui a perfeição própria do ser humano não é a "necessidade de fazer o bem", que o reduziria a uma mera sequência mecânica da ação divina, como uma pedra, mas a sua constituição como "ser ético", isto é, como "ser capaz de escolher entre bens possíveis". É função da inteligência apontar para o melhor bem possível. É acto de preferencialidade da mesma inteligência a escolha, ato a que comummente se chama vontade.
Mas a inteligência humana, precisamente porque não é mecânica – ou mecanicamente redutível, como alguns sonham que possa ser –, tem de ser treinada, especialmente treinada. Não basta a simples imitação de manifestações de atividade, como em outras espécies. A capacidade de perspetivar virtualmente infinitas possibilidades de ação implica que se tenha se receber uma formação que não apenas ensine a replicar comportamentos – perigo das tradições, sem crítica –, mas forneça instâncias de "discernimento crítico", que possam permitir operar uma separação entre o que serve o bem da humanidade e o que não serve esse bem.
Quando Deus – numa versão laica radical, pode ser um inteligentíssimo operador lógico universal dotado de palavra – emite o mandamento de não matar, não está a manifestar um capricho divino apenas porque pode ou lhe apetece. Sem tal princípio orientador absoluto, a humanidade não pode subsistir. Kant percebeu o alcance ontológico de tal preceito quando propôs o seu «imperativo categórico». Apenas a interdição universal da aniquilação do semelhante humano, sem condições, pode impedir que, num qualquer momento, a humanidade resolva, matando cada um um outro, em total absurda reciprocidade, aniquilar-se instantaneamente.
Este «não matar» não é, assim, um preceito religioso, embora seja dado num texto e num contexto religioso, mas uma condição lógica fundamental para que possa haver humanidade. Como é evidente, depois da graça que Deus concedeu à humanidade ao criá-la, não surpreende que lhe ordene que não destrua o que acabara de ser construído e de que não há substituto possível.
O mandamento novo de Cristo transforma num preceito absolutamente positivo a interdição de matar, transformando esta na necessidade de amar para que a humanidade possa subsistir. Esta afirmação deve ser lida em todo o rigor da sua abrangência: "não é possível à humanidade sobreviver se não cumprir o mandamento de Cristo". E não é por ser de Cristo, é porque é o "enunciado da condição absoluta de possibilidade da existência da humanidade". Não interessa quem o enunciou. É a bondade do enunciado que é divina e divina a pessoa que o enuncia, porque enuncia o bem. Sem a enunciação e o anúncio do bem, nenhum ator é ou pode ser divino. Deus é Deus porque é bom, absolutamente bom, ou não é Deus.
A mensagem de Cristo é, muitas vezes, reduzida a um discurso delicodoce, mas nada está mais errado: o mandamento do amor, fundamento de toda a mensagem e vida de Cristo, estabelece um regime em que a escolha a fazer é diamantina. Em disjunção exclusiva: ou se ama ou não se ama; ou se promove o bem do outro ou não se promove o bem do outro; ou se trabalha no sentido da vida plena da humanidade – que é o que o amor permite – ou não se trabalha nesse sentido.
Em palavras mais próximas da mística comum: ou nos aproximamos de Deus através do amor aos nossos semelhantes, que é imediatamente amor a Cristo e a Deus como Cristo (definição do Céu), ou nos afastamos de Deus através da ausência do amor aos nossos semelhantes, que é imediatamente falta de amor a Cristo e a Deus como Cristo (definição do inferno).
O que sempre foi evidente, mas raramente encarado como tal – talvez porque sempre me vejo como Caim quando olho para o espelho do mundo –, parece agora realmente evidente, agora que me atinge diretamente ou de perto: o bem que acontece, e que não é raro, cada vez mais me conforta, o mal que acontece, e que também não é raro, cada vez mais me agride. Mas sempre foi assim.
Não percebemos, nós, a razão, real, que leva a que certas pessoas apenas recentemente se incomodem com a evidência do mal. Este mal está em nós, "no bem que não fazemos", no amor que não criamos, sempre esteve. Sempre o conheci em mim, desse que me conheço: brincando com Descartes, poderia dizer que «faço o mal, logo existo».
A razão pela qual estudo a guerra e o mal há tantos anos é a evidência segundo a qual há mal em mim, mal potencialmente terrível. Violência inaudita. Graças a Deus inaudita, que me esforço por que nunca seja manifestada.
A educação serve precisamente para que esta possibilidade de mal que nos habita a todos, como universal contrapartida necessária para que possamos escolher fazer o bem, seja trabalhada por cada um de nós em esforçado labor no sentido do bem, do bem não exclusivamente meu, mas de todos, do bem comum, que é o único realmente possível como realizador da humanidade.
É sobre este bem fundador da possibilidade da humanidade que todos os seres humanos se podem encontrar, sobre ele que podem construir a sua comum habitação, amavelmente inclusiva. Qualquer que seja a religião ou irreligião, é sobre esta condição lógica de possibilidade da humanidade que esta se pode entender universalmente.
Ou morrerá.
E, se não for capaz de amar, terá nesta morte a sua justa recompensa.
Compete a cada ser humano escolher se quer ser um ato de amor e de bem ou uma besta que espalha impiedosamente o seu ódio. Antecipar o céu como ato de amor ou viver já no inferno como ato de ódio.
Se não estamos «sem pecado», como temos o atrevimento de «atirar a primeira pedra»?
Não há distância ontológica entre o bem que se faz e o bem que se é quando tal bem se faz. O mesmo diz-se do mal feito. O absoluto do bem feito é eterno, mas o absoluto do mal feito também. Se o malévolo pode ser redimido, para o absoluto do mal feito não há remissão possível, senão magicamente.
Urge, assim, convidar as pessoas a que ponderem bem no que querem que a sua prática seja: queremos mesmo fazer mal? Queremos mesmo ser maus através do mal que fazemos? Se sim, tenhamos a consciência de que o que fizermos ficará connosco para todo o nosso sempre, religiosa ou laicamente entendido.
Toda a violência é obscena.
in http://www.snpcultura.org/ou_amor_ou_violencia.html
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quinta-feira, 3 de julho de 2014
quem conhece ESSES DESCONHECIDOS (35): S. Bernardino Realino
...que merecem ser conhecidos - vida&obra - e eu mais em conhecê-las e dar a conhecer. Aqui:
http://evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&id=11868&fd=0
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domingo, 20 de abril de 2014
PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!
EVANGELHO – Jo 20,1-9Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro
e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro
e com o discípulo predilecto de Jesus
e disse-lhes:
«Levaram o Senhor do sepulcro,
e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo
e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos,
mas o outro discípulo antecipou-se,
correndo mais depressa do que Pedro,
e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.
Entrou no sepulcro
e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo
que chegara primeiro ao sepulcro:
viu e acreditou.
Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,
segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.
AMBIENTE
Na primeira parte do Quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42), João descreve a actividade criadora e vivificadora do Messias (o último passo dessa actividade destinada a fazer surgir o Homem Novo é, precisamente, a morte na cruz: aí, Jesus apresenta a última e definitiva lição – a lição do amor total, que não guarda nada para si, mas faz da sua vida um dom radical ao Pai e aos irmãos); na segunda parte (cf. Jo 20,1-31), João apresenta o resultado da acção de Jesus: a comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia – mesmo diante do sepulcro vazio – são convidados a manifestar a sua fé n’Ele.
MENSAGEM
O texto começa com uma indicação aparentemente cronológica, mas que deve ser entendida sobretudo em chave teológica: “no primeiro dia da semana”. Significa que começou um novo ciclo – o da nova criação, o da Páscoa definitiva. Aqui começa um novo tempo, o tempo do homem novo, que nasce a partir da doação de Jesus.
A primeira personagem em cena é Maria Madalena: ela é a primeira a dirigir-se ao túmulo de Jesus, ainda o sol não tinha nascido, na manhã do “primeiro dia da semana”. Ela representa a nova comunidade que nasceu da acção criadora e vivificadora do Messias; essa nova comunidade, testemunha da cruz, acredita – inicialmente – que a morte triunfou e vai procurar Jesus no sepulcro: é uma comunidade perdida, desorientada, insegura, desamparada, que ainda não conseguiu descobrir que a morte foi derrotada; mas, diante do sepulcro vazio, a nova comunidade apercebe-se de que a morte não venceu e que Jesus continua vivo.
Na sequência, João apresenta uma catequese sobre a dupla atitude dos discípulos diante do mistério da morte e da ressurreição de Jesus. Essa dupla atitude é expressa no comportamento de dois discípulos que, na manhã da Páscoa, correm ao túmulo de Jesus: Simão Pedro e um “outro discípulo” não identificado (mas que parece ser esse “discípulo amado”, apresentado no Quarto Evangelho como modelo ideal do discípulo).
João coloca, aliás, estas duas figuras lado a lado em várias circunstâncias (na última ceia, é o “discípulo amado” que percebe quem está do lado de Jesus e quem O vai trair – cf. Jo 13,23-25; na paixão, é ele que consegue estar perto de Jesus no átrio do sumo sacerdote, enquanto Pedro O trai – cf. Jo 18,15-18.25-27; é ele que está junto da cruz quando Jesus morre – cf. Jo 19,25-27); é ele quem reconhece Jesus ressuscitado nesse vulto que aparece aos discípulos no lago de Tiberíades – cf. Jo 21,7). Nas outras vezes, o “discípulo amado” levou sempre vantagem sobre Pedro. Aqui, isso irá acontecer outra vez: o “outro discípulo” correu mais e chegou ao túmulo primeiro que Pedro (o facto de se dizer que ele não entrou logo pode querer significar a sua deferência e o seu amor, que resultam da sua sintonia com Jesus); e, depois de ver, “acreditou” (o mesmo não se diz de Pedro).
Provavelmente, o autor do Quarto Evangelho quis descrever, através destas figuras, o impacto produzido nos discípulos pela morte de Jesus e as diferentes disposições existentes entre os membros da comunidade cristã. Em geral Pedro representa, nos Evangelhos, o discípulo obstinado, para quem a morte significa fracasso e que se recusa a aceitar que a vida nova passe pela humilhação da cruz (Jo 13,6-8.36-38; 18,16.17.18.25-27; cf. Mc 8,32-33; Mt 16,22-23). Ao contrário, o “outro discípulo” é o “discípulo amado”, que está sempre próximo de Jesus, que faz a experiência do amor de Jesus; por isso, corre ao seu encontro de forma mais decidida e “percebe” – porque só quem ama muito percebe certas coisas que passam despercebidas aos outros – que a morte não pôs fim à vida.
Esse “outro discípulo” é, portanto, a imagem do discípulo ideal, que está em sintonia total com Jesus, que corre ao seu encontro com um total empenho, que compreende os sinais e que descobre (porque o amor leva à descoberta) que Jesus está vivo. Ele é o paradigma do Homem Novo, do homem recriado por Jesus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir dos seguintes dados:
• A lógica humana vai na linha da figura representada por Pedro: o amor partilhado até à morte, o serviço simples e sem pretensões, a entrega da vida, só conduzem ao fracasso e não são um caminho sólido e consistente para chegar ao êxito, ao triunfo, à glória; da cruz, do amor radical, da doação de si, não pode resultar realização, felicidade, vida plena. É verdade que é esta a perspectiva da cultura dominante; é verdade que é esta a perspectiva de muitos cristãos (representados na figura de Simão Pedro). Como me situo face a isto?• A ressurreição de Jesus prova, precisamente, que a vida plena, a vida total, a transfiguração total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas passa pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Tenho consciência disso? É nessa direcção que conduzo a caminhada da minha vida?• Pela fé, pela esperança, pelo seguimento de Cristo e pelos sacramentos, a semente da ressurreição (o próprio Jesus) é depositada na realidade do homem/corpo. Revestidos de Cristo, somos nova criatura: estamos, portanto, a ressuscitar, até atingirmos a plenitude, a maturação plena, a vida total (quando ultrapassarmos a barreira da morte física). Aqui começa, pois, a nova humanidade.
• A figura de Pedro pode também representar, aqui, essa velha prudência dos responsáveis institucionais da Igreja, que os impede de ir à frente da caminhada do Povo de Deus, de arriscar, de aceitar os desafios, de aderir ao novo, ao desconcertante, ao incompreensível. O Evangelho de hoje sugere que é, precisamente aí que, tantas vezes, se revela o mistério de Deus e se encontram ecos de ressurreição e de vida nova.
No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro
e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro
e com o discípulo predilecto de Jesus
e disse-lhes:
«Levaram o Senhor do sepulcro,
e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo
e foram ambos ao sepulcro.
Corriam os dois juntos,
mas o outro discípulo antecipou-se,
correndo mais depressa do que Pedro,
e chegou primeiro ao sepulcro.
Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou.
Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira.
Entrou no sepulcro
e viu as ligaduras no chão
e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não com as ligaduras, mas enrolado à parte.
Entrou também o outro discípulo
que chegara primeiro ao sepulcro:
viu e acreditou.
Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura,
segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.
AMBIENTE
Na primeira parte do Quarto Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42), João descreve a actividade criadora e vivificadora do Messias (o último passo dessa actividade destinada a fazer surgir o Homem Novo é, precisamente, a morte na cruz: aí, Jesus apresenta a última e definitiva lição – a lição do amor total, que não guarda nada para si, mas faz da sua vida um dom radical ao Pai e aos irmãos); na segunda parte (cf. Jo 20,1-31), João apresenta o resultado da acção de Jesus: a comunidade de Homens Novos, recriados e vivificados por Jesus, que com Ele aprenderam a amar com radicalidade. Trata-se dessa comunidade de homens e mulheres que se converteram e aderiram a Jesus e que, em cada dia – mesmo diante do sepulcro vazio – são convidados a manifestar a sua fé n’Ele.
MENSAGEM
O texto começa com uma indicação aparentemente cronológica, mas que deve ser entendida sobretudo em chave teológica: “no primeiro dia da semana”. Significa que começou um novo ciclo – o da nova criação, o da Páscoa definitiva. Aqui começa um novo tempo, o tempo do homem novo, que nasce a partir da doação de Jesus.
A primeira personagem em cena é Maria Madalena: ela é a primeira a dirigir-se ao túmulo de Jesus, ainda o sol não tinha nascido, na manhã do “primeiro dia da semana”. Ela representa a nova comunidade que nasceu da acção criadora e vivificadora do Messias; essa nova comunidade, testemunha da cruz, acredita – inicialmente – que a morte triunfou e vai procurar Jesus no sepulcro: é uma comunidade perdida, desorientada, insegura, desamparada, que ainda não conseguiu descobrir que a morte foi derrotada; mas, diante do sepulcro vazio, a nova comunidade apercebe-se de que a morte não venceu e que Jesus continua vivo.
Na sequência, João apresenta uma catequese sobre a dupla atitude dos discípulos diante do mistério da morte e da ressurreição de Jesus. Essa dupla atitude é expressa no comportamento de dois discípulos que, na manhã da Páscoa, correm ao túmulo de Jesus: Simão Pedro e um “outro discípulo” não identificado (mas que parece ser esse “discípulo amado”, apresentado no Quarto Evangelho como modelo ideal do discípulo).
João coloca, aliás, estas duas figuras lado a lado em várias circunstâncias (na última ceia, é o “discípulo amado” que percebe quem está do lado de Jesus e quem O vai trair – cf. Jo 13,23-25; na paixão, é ele que consegue estar perto de Jesus no átrio do sumo sacerdote, enquanto Pedro O trai – cf. Jo 18,15-18.25-27; é ele que está junto da cruz quando Jesus morre – cf. Jo 19,25-27); é ele quem reconhece Jesus ressuscitado nesse vulto que aparece aos discípulos no lago de Tiberíades – cf. Jo 21,7). Nas outras vezes, o “discípulo amado” levou sempre vantagem sobre Pedro. Aqui, isso irá acontecer outra vez: o “outro discípulo” correu mais e chegou ao túmulo primeiro que Pedro (o facto de se dizer que ele não entrou logo pode querer significar a sua deferência e o seu amor, que resultam da sua sintonia com Jesus); e, depois de ver, “acreditou” (o mesmo não se diz de Pedro).
Provavelmente, o autor do Quarto Evangelho quis descrever, através destas figuras, o impacto produzido nos discípulos pela morte de Jesus e as diferentes disposições existentes entre os membros da comunidade cristã. Em geral Pedro representa, nos Evangelhos, o discípulo obstinado, para quem a morte significa fracasso e que se recusa a aceitar que a vida nova passe pela humilhação da cruz (Jo 13,6-8.36-38; 18,16.17.18.25-27; cf. Mc 8,32-33; Mt 16,22-23). Ao contrário, o “outro discípulo” é o “discípulo amado”, que está sempre próximo de Jesus, que faz a experiência do amor de Jesus; por isso, corre ao seu encontro de forma mais decidida e “percebe” – porque só quem ama muito percebe certas coisas que passam despercebidas aos outros – que a morte não pôs fim à vida.
Esse “outro discípulo” é, portanto, a imagem do discípulo ideal, que está em sintonia total com Jesus, que corre ao seu encontro com um total empenho, que compreende os sinais e que descobre (porque o amor leva à descoberta) que Jesus está vivo. Ele é o paradigma do Homem Novo, do homem recriado por Jesus.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir dos seguintes dados:
• A lógica humana vai na linha da figura representada por Pedro: o amor partilhado até à morte, o serviço simples e sem pretensões, a entrega da vida, só conduzem ao fracasso e não são um caminho sólido e consistente para chegar ao êxito, ao triunfo, à glória; da cruz, do amor radical, da doação de si, não pode resultar realização, felicidade, vida plena. É verdade que é esta a perspectiva da cultura dominante; é verdade que é esta a perspectiva de muitos cristãos (representados na figura de Simão Pedro). Como me situo face a isto?• A ressurreição de Jesus prova, precisamente, que a vida plena, a vida total, a transfiguração total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas passa pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. Tenho consciência disso? É nessa direcção que conduzo a caminhada da minha vida?• Pela fé, pela esperança, pelo seguimento de Cristo e pelos sacramentos, a semente da ressurreição (o próprio Jesus) é depositada na realidade do homem/corpo. Revestidos de Cristo, somos nova criatura: estamos, portanto, a ressuscitar, até atingirmos a plenitude, a maturação plena, a vida total (quando ultrapassarmos a barreira da morte física). Aqui começa, pois, a nova humanidade.
• A figura de Pedro pode também representar, aqui, essa velha prudência dos responsáveis institucionais da Igreja, que os impede de ir à frente da caminhada do Povo de Deus, de arriscar, de aceitar os desafios, de aderir ao novo, ao desconcertante, ao incompreensível. O Evangelho de hoje sugere que é, precisamente aí que, tantas vezes, se revela o mistério de Deus e se encontram ecos de ressurreição e de vida nova.
• A ressurreição de Jesus é a consequência de uma vida gasta a “fazer o bem e a libertar os oprimidos”. Isso significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se esforça por vencer o egoísmo, a mentira, a injustiça e por fazer triunfar o amor, está a ressuscitar; significa que, sempre que alguém – na linha de Jesus – se dá aos outros e manifesta, em gestos concretos, a sua entrega aos irmãos, está a construir vida nova e plena. Eu estou a ressuscitar (porque caminho pelo mundo fazendo o bem e libertando os oprimidos), ou a minha vida é um repisar os velhos esquemas do egoísmo, do orgulho, do comodismo?• A ressurreição de Jesus significa, também, que o medo, a morte, o sofrimento, a injustiça, deixam de ter poder sobre o homem que ama, que se dá, que partilha a vida. Ele tem assegurada a vida plena – essa vida que os poderes do mundo não podem destruir, atingir ou restringir. Ele pode, assim, enfrentar o mundo com a serenidade que lhe vem da fé. Estou consciente disto, ou deixo-me dominar pelo medo, sempre que tenho de agir para combater aquilo que rouba a vida e a dignidade, a mim e a cada um dos meus irmãos?• Aos discípulos pede-se que sejam as testemunhas da ressurreição. Nós não vimos o sepulcro vazio; mas fazemos, todos os dias, a experiência do Senhor ressuscitado, que está vivo e que caminha ao nosso lado nos caminhos da história. A nossa missão é testemunhar essa realidade; no entanto, o nosso testemunho será oco e vazio se o nosso testemunho não for comprovado pelo amor e pela doação (as marcas da vida nova de Jesus).
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terça-feira, 12 de março de 2013
QUESTÕES para ATEUS (6/16; 7/16; 8/16; 9/16)
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