"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

EFEMÉRIDE/COMEMORAÇÃO: "Dia dos Namorados"

 "O matrimónio feliz"
O cônjuge ideal é aquele que em cada amanhecer alimenta o amor com um novo favo de mel; e que, antes de nascer o sol, se dirige ao jardim interior para cortar um cravo coberto de orvalho, e o oferece ao outro sem dizer palavra. O cônjuge ideal é aquele que sabe que o matrimónio é como um mar dilatado e que os dois são navegantes que todos os dias saem para o mar alto, à descoberta de novos mundos em águas desconhecidas. Um cônjuge que sabe que a realidade do outro não reside naquilo que ele revela, mas naquilo que não pode ser revelado.Um cônjuge que sabe e aceita que, para descobrir a verdade, são necessárias duas pessoas: uma para dizê-la e outra para escutá-la. Um cônjuge que sabe que, quando se voltam as costas ao sol (do outro cônjuge) só se veem sombras.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/o_matrimonio_feliz.html
e
http://www.snpcultura.org/entre_marido_e_mulher_Deus_no_meio.html
Dia dos Namorados: Sentimentos, olhares, afetos
«A verdade, a grande verdade é que os sentimentos interessam. Tornam-nos gente. Ensinam-nos a ser. Pedem de nós o que trazemos de único e de irrepetível. E preparam-nos para querer, para desejar receber o mesmo. Do outro. Da outra. Um comércio puro, gratuito. Tão diferente, tão distante dos rotineiros comércios.» O namoro um pouco por todo o mundo pelo olhar do fotógrafo Steve McCurry.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/dia_dos_namorados_sentimentos_olhares_afetos.html
São Valentim, mártir e protetor dos namorados
A festa do bispo e mártir Valentim liga-se aos antigos festejos gregos, itálicos e romanos que ocorriam a 15 de fevereiro em honra de deuses pagãos. Estas celebrações relacionavam-se com a purificação dos campos e os ritos de fecundidade. Tendo-se tornado demasiado licenciosas, foram proibidas pelo imperador Augusto e mais tarde suprimidas por Gelásio em 494. A Igreja cristianizou os ritos pagãos da fecundidade, antecipando-os para 14 de fevereiro e atribuiu ao mártir a capacidade de proteger os noivos e namorados que se destinavam ao matrimónio e às uniões com filhos. Uma das lendas associadas ao bispo diz que São Valentim oferecia rosas aos pares de noivos para lhes desejar uma união feliz.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/sao_valentim_martir_protetor_namorados.html
Abraçados podemos voar
O amor é sobretudo milagre da comunhão. Uma comunhão construída também com esforço, é claro, conquistada continuamente ao território muito defendido do egoísmo, traduzida em decisões quotidianas e vigilantes. Porém, não é propriamente de uma conquista que se trata, mas do arrebatamento comum pelo dom, do espanto inesgotável, de uma hospitalidade radical. «Se me tapares os olhos: ainda poderei ver-te. Se me tapares os ouvidos: ainda poderei ouvir-te. E mesmo sem pés poderei ir para ti. E mesmo sem boca poderei invocar-te». O fundamental é vislumbrado e servido em completa dádiva, acontece sem porquês, no âmbito de uma gratuidade infatigável, numa geografia sem condições nem reservas. O amor não se explica: implica-se. É uma voluntária hipoteca, um sigilo de sangue, entrelaçamento vital. Os enamorados conspiram com o milagre e, por isso, tornam-se, de forma tão íntima, cúmplices de Deus.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/abracados_podemos_voar.html
São estes os filmes mais românticos de sempre?
http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=3684885&seccao=Cinema&page=-1

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

ESPIRITUALIDADE: Caminhos para Deus

1. Crença
Há tantos caminhos para Deus como pessoas na Terra. Pode acontecer que já tenha percorrido mais do que um ao longo da sua vida, ou até sentir que já andou por vários ao mesmo tempo. Para as pessoas deste caminho, a crença em Deus fez sempre parte das suas vidas. Nasceram em famílias religiosas ou foram introduzidas na religião desde cedo. Passam pela vida com mais ou menos confiança na sua crença em Deus. A fé foi sempre um elemento essencial das suas vidas. Rezam regularmente, vão a celebrações religiosas frequentemente e sentem-se à vontade a falar de Deus. As suas vidas, tal como todas as vidas, não estão isentas de sofrimento, mas a fé dá-lhes a capacidade de enquadrar a dor num contexto de sentido. Nenhum dos caminhos para Deus está livre de perigos. Uma das armadilhas de quem percorre a via da crença é a incapacidade de perceber as pessoas que viajam noutras estradas, a par de uma tentação para as julgar pelas suas dúvidas ou falta de crença.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/caminhos_para_Deus_crenca.html
2. Independência
Aqueles que trilham o caminho da independência tomaram a decisão consciente de se separar da religião organizada, mas continuam a acreditar em Deus. Talvez considerem que as celebrações e serviços oferecidos nas igrejas não fazem sentido, são ofensivos, maçadores, ou tudo isto ao mesmo tempo. Talvez tenham sido magoados. Talvez tenham sido insultados (ou abusados) por um padre, pastor, rabino, ministro ou imã. Ou então sentem-se ofendidos por certos dogmas da religião organizada. Ou pensam que os líderes religiosos são hipócritas. Um ponto forte das pessoas que percorrem este caminho é a sua saudável independência, que os torna aptos a ver as coisas de maneira nova e refrescante, algo que por vezes as suas antigas comunidades de fé necessitam desesperadamente. O principal perigo deste grupo, contudo, é um perfecionismo que rejeita qualquer tipo de religião organizada.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/caminhos_para_Deus_independencia.html
3. Descrença
Aqueles que percorrem o caminho da descrença não só pensam que a religião organizada não tem nenhum atrativo (mesmo que por vezes considerem que as suas celebrações e ritos são reconfortantes), como chegaram a uma conclusão intelectual de que Deus provavelmente não existe – ou que não existe, ou que não pode existir. Frequentemente procuram provas da existência de Deus, e ao não encontrá-las, ou ao depararem-se com o sofrimento intenso, rejeitam completamente a perspetiva crente. O principal benefício deste grupo é que os seus membros não assumem nenhum dos poucos estimulantes confortos da religião. Em alguns casos pensaram mais profundamente sobre Deus e a religião do que alguns crentes. E entre as pessoas mais altruístas que existem no mundo estão ateus ou agnósticos. Alguns dos mais incansáveis trabalhadores na ajuda humanitária que eu encontrei quando trabalhava com refugiados na África Oriental eram não crentes. O “santo secular” é real.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/caminhos_para_Deus_descrenca.html
4. Regresso
A cada ano este caminho fica mais preenchido. Tipicamente, as pessoas deste grupo começam a vida numa família religiosa mas distanciam-se da sua fé. Após uma infância em que foram encorajados (ou obrigados) a participar em celebrações litúrgicas, acabam por as considerar maçadoras, irrelevantes, ou ambas. A religião mantém-se distante, embora estranhamente apelativa. É então que algo reacende a sua curiosidade por Deus. Talvez tenham alcançado algum sucesso financeiro ou profissional e perguntem: «É só isto?». Ou depois da morte de um familiar, começam a questionar-se mais sobre a sua própria mortalidade. Ou os seus filhos fazem perguntas sobre Deus, despertando questões que tinham ficado adormecidas durante anos. «Quem é Deus, mamã?» E assim começa uma jornada experimental de regresso à fé, ainda que esta possa não ser a mesma que conheceram quando eram crianças. Talvez haja uma nova tradição que lhes fale mais claramente. Talvez voltem à sua religião original de uma forma diferente, e mais comprometida, do que quando eram novos.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/caminhos_para_Deus_regresso.html
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

TEATRO: "Ilusão"

O Teatro da Cornucópia, em Lisboa, vai recorrer a projetos com «condições anormais de produção» para responder às «atuais condições de financiamento», começando a 20 de fevereiro com a estreia de “Ilusão”. O espetáculo para público adolescente e adulto, concebido a partir dos primeiros esboços dramáticos do poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca (1898-1936), escritos entre os seus 21 e 24 anos, mas só publicados em 1994, é protagonizado com 59 atores não profissionais. Além do encenador Luís Miguel Cintra, que também participa como ator, a peça conta com «pessoas de todas as idades, desde uma jovem de 15 anos, passando por alunos de escolas de teatro e atores em grupos amadores, até uma espetadora amiga de 81 anos».
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/ilusao_teatro_cornucopia.html

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CINEMA: "Filomena"

O filme, bem construído e gerido, contando já com uma enorme popularidade e um palmarés assinalável, de que se destaca o Prémio Signis (Associação Católica Mundial para a Comunicação) em Veneza, beneficia enormemente da interpretação de Judi Dench, que dá à protagonista a profunda dimensão dramática da sua história. Eis um filme que não se esgota nem no tema, nem na época, nem no contexto geográfico que aborda: além da questão concreta da maternidade fora do matrimónio, que desejavelmente fará refletir sobre a diversidade de contextos que a propiciam, a narrativa evoca a prioridade a dar aos filhos, a par do amor e da caridade. Philomena Lee encontrou-se na quarta-feira com o papa Francisco, a quem pediu ajuda na campanha, liderada por si, que procura voltar a juntar pais e filhos forçados a separarem-se, e apela ao governo da Irlanda que autorize o acesso a informações secretas sobre crianças tiradas aos familiares e entregues para adoção.
Ler&Ver mais em:
e

domingo, 9 de fevereiro de 2014

PALAVRA de DOMINGO: contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!

A Palavra de Deus deste 5º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir sobre o compromisso cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “Reino” não podem remeter-se a uma vida cómoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual e feita de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação do mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no sentido desse mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do “Reino”.
No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo, no “deixa andar”; e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao mundo e que testemunha a perenidade e a eternidade do projecto salvador de Deus; também os exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “Reino” de liberdade e de esperança.
A primeira leitura apresenta as condições necessárias para “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platónica” com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor de Deus no meio dos seus irmãos.
A segunda leitura avisa que ser “luz” não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “loucura da cruz” que é dom da vida. Pode-se esperar uma revelação da salvação no escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na fragilidade e na debilidade que Deus Se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil e pouco brilhante – demonstra-o.
EVANGELHOMt 5, 13-16
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Vós sois o sal da terra.
Mas se ele perder a força, com que há-de salgar-se?
Não serve para nada,
senão para ser lançado fora e pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo.
Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire,
mas sobre o candelabro,
onde brilha para todos os que estão em casa.
Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens,
para que, vendo as vossas boas obras,
glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus».

AMBIENTE
Continuamos no contexto do “sermão da montanha” (cf. Mt 5-7). Jesus está (na versão de Mateus) no cimo de um monte, a apresentar a nova Lei que deve reger a caminhada do novo Povo de Deus na história (já vimos, no passado domingo, que a indicação geográfica – no cimo de um monte – nos transporta à montanha do Sinai, onde Jahwéh Se revelou ao seu Povo e lhe deu a sua Lei; aqui Jesus é, portanto, apresentado como o Deus que, no cimo de um monte, dá ao seu Povo os “mandamentos” da nova aliança).
Mateus agrupa, neste primeiro discurso, um conjunto de “ditos” de Jesus (provavelmente, pronunciados em contextos e ocasiões diversas), destinados a proporcionar à comunidade concreta a que o Evangelho se destinava, um conjunto de ensinamentos básicos para a vida cristã.

MENSAGEM
O texto que nos é proposto reúne duas parábolas – a do sal e a da luz – destinadas a pôr em relevo o papel do novo Povo de Deus no mundo e a definir a missão daqueles que aceitam viver no espírito das bem-aventuranças. Depois de apresentar a nova Lei (“bem-aventuranças”), Jesus define a missão do novo Povo de Deus.
A primeira comparação é a do sal (vers. 13). O sal é, em primeiro lugar, o elemento que se mistura na comida e que dá sabor aos alimentos (cf. Jb 6,6). Também é um elemento que assegura a conservação dos alimentos e a sua incorruptibilidade. Simboliza, nesta linha, aquilo que é inalterável… No Antigo Testamento, o sal é usado para significar o valor durável de um contrato; nesse contexto, falar de uma “aliança de sal” (Nm 18,19) é falar de um compromisso permanente, perene (cf. 2 Cr 13,5).
Dizer que os discípulos são “o sal” significa, portanto, que os discípulos são chamados a trazer ao mundo essa “qualquer coisa mais” que o mundo não tem e que dá sabor à vida dos homens; significa também que da fidelidade dos discípulos ao programa enunciado por Jesus (as “bem-aventuranças”) depende a perenidade da aliança entre Deus e os homens e a permanência do projecto salvador e libertador de Deus no mundo e na história.
A referência à perda do sabor (“se o sal perder o sabor… já não serve para nada”) destina-se a alertar os discípulos para a necessidade de um compromisso efectivo com o testemunho do “Reino”: se os discípulos de Jesus recusarem ser sal e se demitirem das suas responsabilidades, o mundo guiar-se-á por critérios de egoísmo, de injustiça, de violência, de perversidade, e estará cada vez mais distante da realidade do “Reino” que Jesus veio propor. Nesse caso, a vida dos discípulos terá sido inútil.
A segunda comparação é a da luz (vers. 14-16). Para a explicar, Jesus utiliza duas imagens.
A primeira imagem (a da cidade situada sobre um monte) leva-nos a Is 60,1-3, onde se fala da “luz” de Deus que devia brilhar sobre Jerusalém e, a partir de lá, alumiar todos os povos. A interpretação judaica de Is 60,3 aplicava a frase a Israel: o Povo de Deus devia ser o reflexo da luz libertadora e salvadora de Jahwéh diante de todos os povos da terra. A segunda imagem (a da lâmpada colocada sobre o candelabro, a fim de alumiar todos os que estão em casa) repete e explicita a mensagem da primeira: os que aderem ao “Reino” devem ser uma luz que ilumina e desafia o mundo. É possível que haja ainda nestas imagens uma referência ao “Servo de Jahwéh” de Is 42,6 e 49,6, apresentado como a “luz das nações”.
De qualquer forma, a verdade é que, na perspectiva de Jesus, essa presença da “luz” de Deus para alumiar as nações dar-se-á, doravante, nos discípulos, isto é, naqueles que aceitaram o apelo do “Reino” e aderiram à nova Lei (as “bem-aventuranças”) proposta por Jesus. Eles são a “nova Jerusalém”, ou o novo “Servo de Jahwéh” de onde a proposta libertadora de Deus irradia e a partir de onde ela transforma e ilumina a vida de todos os homens.
Estas duas imagens não pretendem, contudo, dizer que os discípulos de Jesus devam dar nas vistas, mostrar-se, escolher lugares de visibilidade de onde as massas os admirem e os aplaudam. Mas pretende dizer que a missão das testemunhas do “Reino” deve levá-las a dar testemunho, a questionar o mundo, a ser uma interpelação profética, a ser um reflexo da luz de Deus; e que não devem esconder-se, demitir-se da sua missão, fugir às suas responsabilidades.
Essas “boas obras” que os discípulos devem praticar, e que serão um testemunho do “Reino” para os homens, são, provavelmente, aquelas que Mateus apresenta na segunda parte das “bem-aventuranças” (cf. Mt 5,7-11): a “misericórdia” (um coração capaz de compadecer-se, de amar, de perdoar, de se comover, de se deixar tocar pelos sofrimentos e angústias dos irmãos), a “pureza de coração” (a honestidade, a lealdade, a verdade, a verticalidade), a defesa intransigente da paz (a recusa da violência e da lei do mais forte a luta pela reconciliação) e da justiça. É desse labor dos discípulos que nascerá o mundo novo, o mundo do “Reino”.
A missão dos discípulos é, portanto, a de “dar sabor” ao mundo, garantir aos homens a perenidade da “aliança” e iluminar o mundo com a “luz” de Deus. Eles são as testemunhas dessa realidade nova que nasce da oferta da salvação e da vivência das “bem-aventuranças”. Neles tem de estar presente essa realidade nova, que Jesus chamava “Reino”.

ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode considerar os seguintes aspectos:
• Após dois mil anos de Evangelho, a nossa civilização “cristã” ainda age como se a salvação do mundo e dos homens estivesse no poder das armas, na estabilidade da economia, no desenvolvimento sustentado, no controle do buraco do ozono, no pleno emprego, na paz social, na eliminação do terrorismo, na defesa da floresta amazónica, nas declarações de boas intenções feitas pelos senhores do mundo nos grandes areópagos internacionais… Mas Paulo diz, muito simplesmente, que a salvação está na “loucura da cruz” e que a vida em plenitude está no amor que se dá completamente. Quem tem razão: os nossos teóricos, formados pelas grandes universidades internacionais, ou o judeu Paulo, formado na universidade de Jesus?
• A força e a “sabedoria de Deus” manifestam-se, tantas vezes, na fragilidade, na pequenez, na obscuridade, na pobreza (como o exemplo de Paulo o comprova). Sendo assim, não nos parecem ridículas e descabidas as nossas poses de importância, de autoridade, de protagonismo, de brilho intelectual?
• Aqueles que têm responsabilidade no anúncio do Evangelho devem recordar sempre que a eficácia da Palavra que anunciam não depende deles e que o êxito da missão não resulta das suas qualidades pessoais ou das técnicas sofisticadas postas ao serviço da evangelização: somos todos instrumentos humildes, através dos quais Deus concretiza o seu projecto de salvação para o mundo… Para além do nosso esforço, da nossa entrega, da nossa doação, das nossas técnicas, está o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.
• A questão essencial que este trecho do Evangelho nos apresenta é esta: Deus propôs-nos um projecto de libertação e de salvação que conduzirá à inauguração de um mundo novo, de felicidade e de paz sem fim; e aqueles que aderiram a essa proposta têm de testemunhá-la diante do mundo e dos homens com palavras e com gestos concretos, a fim de que o “Reino” se torne uma realidade. Como é que me situo face a isto? Para mim, ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente, que me obriga a testemunhar o “Reino”, mesmo em ambientes adversos, ou é um caminho “morno”, instalado, cómodo, de quem se sente em regra com Deus porque vai à missa ao domingo e cumpre alguns ritos que a Igreja sugere?
• Eu sou, dia a dia, o sal que dá o sabor, que traz uma mais valia de amor e de esperança à vida daqueles que caminham ao meu lado? Para aqueles com quem lido todos os dias, sou uma personagem insípida, incaracterística, instalada numa mediocridade cinzenta, ou sou uma nota de alegria, de entusiasmo, de optimismo, de esperança numa vida nova vivida ao jeito do Evangelho, ao jeito do “Reino”? No meio do egoísmo, do desespero, do sem sentido que caracteriza a vida de tantos dos meus irmãos, eu dou um testemunho de um mundo novo de amor e de esperança?
• Ser cristão é também ser uma luz acesa na noite do mundo, apontando os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade… Eu sou essa luz que aponta no sentido das coisas importantes, impedindo que a vida dos meus irmãos se gaste em frivolidades e bagatelas? Para os que vivem no sofrimento, na dúvida, no erro, para os que vivem de olhos no chão, eu sou a luz que aponta para o mais além e para a realidade libertadora do “Reino”?
• Atenção: eu não sou “a luz”, mas apenas um reflexo da “luz”… Quer dizer: as coisas bonitas que possam acontecer à minha volta não são o resultado do exercício das minhas brilhantes qualidades, mas o resultado da acção de Deus em mim. É Deus que é “a luz” e que, através da minha fragilidade, apresenta a sua proposta de libertação e de vida nova ao mundo. O discípulo não deve, pois, preocupar-se em atrair sobre si o olhar dos homens; mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e o coração dos homens para Deus e para o “Reino”.
A questão essencial é esta: como é que podemos ser uma luz que acende a esperança no mundo e aponta no sentido de uma nova terra, mais cheia de paz, de esperança, de felicidade? Esta leitura responde: não é com liturgias solenes ou com ritos litúrgicos espampanantes, muitas vezes estéreis e vazios; mas é com uma vida onde o amor a Deus se traduz no amor ao irmão e se manifesta em gestos de partilha, de fraternidade, de libertação.
• Atenção: não se diz aqui que os momentos de oração e de encontro pessoal com Deus sejam supérfluos, inúteis, desnecessários; o que se diz aqui é que os ritos em si nada significam, se não correspondem a uma vivência interior que se traduz em gestos concretos de compromisso com Deus e com os seus valores. A multiplicidade de ritos, de orações solenes, de celebrações, por si só nada vale, se não tem a devida correspondência na vida de relação com os irmãos.
• Sinto o imperativo de ser uma “luz” que se acende na noite do mundo e que dá testemunho do amor e da misericórdia de Deus? A minha fé e a minha relação com Deus têm tradução na luta pela libertação dos meus irmãos? O meu compromisso de crente leva-me a estar atento à partilha com os pobres, os débeis, os desfavorecidos? A minha vivência religiosa traduz-se no ser profeta do amor e servidor da reconciliação?
 
Ler mais em:
 
É incrível a consideração, a confiança que Jesus comunica, a esperança que repõe em nós. E encoraja-nos a tomar consciência disso: não fiques na superfície de ti mesmo, na porosidade da argila, mas procura em profundidade, no reduto secreto do coração, desce ao centro de ti próprio e lá encontrarás uma lâmpada acesa, uma mão cheia de sal. Vós que viveis segundo o Evangelho, sede luz no mundo. E sede-o não com a doutrina ou as palavras, mas com as obras: resplandeça a vossa luz nas vossas boas obras. Tu podes realizar obras de luz! E são as mansas, as puras, as justas e as pobres as obras alternativas às escolhas do mundo, a diferença evangélica oferecida à flor da vida. Quando segues o amor como única regra de vida, então és luz e sal para quem te encontra. Quando duas pessoas se amam, tornam-se luz na escuridão, lâmpada para os passos de muitos. Em qualquer lugar onde se quer o bem é espalhado o sal que dá o bom sabor à vida.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/ilumina_e_seras_iluminado.html

«É muito importante ir à missa ao domingo», sublinha papa Francisco, que explicou significado da Eucaristia
A Eucaristia «é um dom muito grande e por isso é muito importante ir à missa ao domingo», afirmou hoje o papa Francisco no Vaticano, durante a audiência geral semanal, em que prosseguiu a catequese sobre os sacramentos. «O que vemos quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, a missa, já nos faz intuir o que estamos para viver. Ao centro do espaço destinado à celebração encontra-se o altar, que é uma mesa, coberta por uma toalha, e isto faz pensar num banquete», referiu o papa, citado pela Rádio Vaticano. A explicação da geografia eucarística e do seu significado prosseguiu com a cruz, colocada «sobre a mesa», indicando que sobre o altar é oferecido o «sacrifício de Cristo», o «alimento espiritual» que se recebe «sob os sinais do pão e do vinho».
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/muito_importante_ir_missa_domingo.html
 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

(in)PRENSA semanal: a minha selecção!

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA semanal: a minha selecção!" que aí virão.
15.524 cegos
"Discurso geracional" e guerra aos "velhos"
Estado deu 8,8 milhões para FPF pagar dívida fiscal de clubes
Estado injetou mais 510 milhões... no antigo BPN
Despesas mensais (também) contam para 'Fatura da Sorte'
Contribuintes com dívidas ao fisco vão poder receber prémio do sorteio das facturas
Ian Thorpe hospitalizado após ser encontrado a deambular na rua
Dica Saiba como carregar um smartphone em tempo recorde
«Meus amigos, socorro»: Apelo do Abbé Pierre em favor dos sem-abrigo foi lançado há 60 anos
Papa Francisco condena o luxo, o dinheiro e o poder
Leilão de "Harley Papal" rende 240 mil euros à Cáritas
Saúde Mais de 80% dos portugueses arrisca sofrer AVC ou enfarte
Onde o Estado engorda e pobres não são pobres
Dalai Lama elogia trabalho de missionários cristãos
Papa recebe mulher que inspirou o filme "Philomena"
"Cada país deve decidir em referendo saída do euro"
Marinho e Pinto ataca Governo "composto de lobbies"
Médico alemão salva vida inspirando-se em 'House'
Tribunal alemão questiona compra de dívida pelo BCE
É a cultura, estúpidos!
Fernando Tordo emigra para o Brasil no dia 18
O Papa e o maldito sexo. 1

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

ESPIRITUALIDADE: Procura-se um deserto

É necessário, de quando em vez, fazermos uma paragem na vida. Paragem semelhante à daqueles que, andando pelo deserto, ficam algum tempo no oásis que encontram. Saem dali refeitos, enriquecidos e animados. Também nós sairemos enriquecidos dos momentos de deserto que criarmos. Depois disso, teremos melhores condições de enfrentar a vida de cada dia, com os seus problemas, desafios e solicitações. Sairemos de nossos desertos convictos de que nesses tempos que periodicamente nos concedemos, longe de nos isolarmos num egoísmo estéril, estaremos a criar melhores condições para estabelecer um encontro leal, profundo e sincero connosco mesmos, com os outros e com Deus.
Ler mais em:

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EFEMÉRIDE/EVOCAÇÃO: S. João de Brito.

«Não é fácil imaginar hoje o que era o dia a dia de João de Brito; visitando o país tamil podemos ver as mesmas gentes e a mesma paisagem, assim como muitos dos monumentos que ele observou; deslocando-nos pela região podemos sentir a omnipresença do Hinduísmo, tal como João certamente a sentia; notamos também a continuação da lenta infiltração muçulmana, iniciada precisamente no final do século XVII. Mas o país modificou-se: os meios de comunicação desenvolveram-se e o estado de guerra permanente desapareceu; o Cristianismo levado pelos missionários não superou a religião local, mas a tolerância promoveu novos hábitos e novos tipos de convivência. Torna-se, pois, quase impossível recriar todo o antagonismo que rodeou a atividade evangelizadora de João.» A Igreja Católica assinala a 4 de fevereiro a memória do missionário mártir nascido em Portugal.
Ler mais em:

FORMAÇÃO&EDUCAÇÃO: Virtudes

Temperança é palavra que está a sair do nosso vocabulário quotidiano. Do económico já saiu há muito tempo, para deixar espaço ao seu contrário. Usamo-la agora para o clima, para as escalas musicais, para as escalas musicais ou para o cravo de Bach, que são também coisas importantes, mas que não estão no centro da nossa vida civil nem do pacto social. Com a temperança está todo o léxico da ética das virtudes que tende a desaparecer da gramática da vida em comum; e as consequências políticas, civis e económicas deste eclipse estão já tristemente à vista de toda a gente. A nossa civilização (pelo menos a ocidental) corre o risco de deixar de compreender a mensagem de vida sã contida na ética das virtudes, e isso depende de diversos motivos, de dois especialmente. O primeiro é o desaparecimento do conceito de educação do caráter, a começar pela educação das nossas crianças.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/temperanca_para_alem_escassez.html
Justiça
Para avaliar a justiça deste capitalismo não devemos confrontá-la com a do feudalismo, que era ainda menor, mas sim com a que poderíamos realizar se não tivéssemos traído a vocação social e civil da Europa para seguir as sirenes do consumismo e da finança especulativa. Este capitalismo, que continua a produzir rendimentos e privilégios para pouquíssimos e desemprego e marginalidade para tantíssimos, que publica leis que reforçam os privilégios e desfavorecem cada vez mais os fracos e os pobres – não podendo ter a justiça da sua parte, deve contentar-se com a eficiência, quando o consegue. Se quiséssemos superar este modelo de desenvolvimento e tomar decididamente o caminho da justiça, deveríamos ter uma coragem civil e uma força de pensamento pelo menos semelhante à daqueles que geraram o movimento cooperativo europeu que, nos alvores do capitalismo, tentou uma outra via para o mercado e para a empresa; e para tal punha em discussão os direitos de propriedade, a distribuição do rendimento (tema que já não se encontra nos tratados de economia), o poder, a igualdade de oportunidades entre os sujeitos económicos, sem negar a liberdade nem o mercado.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/justica_para_alem_da_iniquidade.html
Prudência
Quem no nosso tempo está em contacto com as muitas periferias morais e antropológicas do mundo, se não tocar e por vezes ultrapassar a fronteira da justiça traçada pelas leis da cidade, não poderá ser verdadeiramente justo. Quando certa noite bateu Alí à porta de um meu amigo pároco siciliano, se ele se tivesse prudentemente detido no limiar da justiça e não o tivesse acolhido na sua casa (pensando nas consequências penais que poderia ter e que depois veio a ter), não teria sido verdadeiramente virtuoso. Uma dinâmica paradoxal conhecida por quem trabalha em comunidades de recuperação, em prisões de menores, e por muitos que continuam a arriscar carreira, bens, volume de vendas, postos de trabalho, falência de empresas. Não é pedido a todos e a cada momento que vivam esta dimensão paradoxal da virtude. Mas se não respondermos quando o apelo soa, comprometeremos a qualidade ética e espiritual da nossa existência, porque não se trata de atos extraordinários de super-heróis, mas de ações de que todos somos potencialmente capazes.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/prudencia.html
Fortaleza
É uma virtude a par das outras, mas, como e mais do que as outras virtudes cardeais, é também uma dimensão ou pré-condição para poder viver todas as outras virtudes quando se atua em contextos difíceis, e quando as condições difíceis se mantêm por muito tempo. É uma virtude que serve todas as outras, porque nos faz ir por diante quando falta reciprocidade. Por isso uma bela palavra que hoje recolhe muitos dos significados da fortaleza é resiliência, que diz também a capacidade de a pessoa não ceder, de se manter agarrada às paredes, de não escorregar nos diferentes declives da vida pessoal e civil. Por esta razão a fortaleza foi – e é – a salvação sobretudo dos pobres, que graças a ela conseguem muitas vezes resistir à injusta falta de recursos, direitos, liberdade, respeito. Fá-los resistir durante longas carestias, intermináveis ausências de maridos e filhos emigrados ou desaparecidos na guerra (existe uma relação especial entre a fortaleza e a mulher).
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/a_fortaleza_para_alem_das_crises.html
Esperança
Existe um laço profundo entre a esperança e a expectativa. Dizem-no também as línguas portuguesa e espanhola, nas quais com uma única palavra se pode dizer ter esperança e aguardar algo ou alguém: esperar. Existe talvez algo desta esperança no misterioso final do Conde de Montecristo: «Toda a sabedoria humana repousa nestas duas palavras: aguardar e esperar». É a espera do esposo com as lâmpadas acesas da esperança. Esta esperança, como todo o verdadeiro e grande dom, chega sem pré-aviso e sem pedir licença, quando esgotámos os recursos naturais para esperar, e nos encontramos em condições em que não haveria já qualquer razoável razão para esperar, nem sequer no Paraíso. E no entanto chega; depois do anúncio de uma doença séria, de uma grave traição, depois de infinitas solidões, quando menos se espera aflora na alma algo delicado, uma brisa ligeira; e de novo é possível esperar, esperar e aguardar diversamente.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/esperanca_a_sala_dos_tesouros.html
A Fé
Há palavras que, sozinhas, conseguem exprimir totalidade. Justiça, beleza, verdade, possuem tal força, tal inteireza que não é necessário acrescentar-lhes adjetivos para as completar. Que mais dizer de uma pessoa verdadeira, de um homem justo, de uma vida bela? Uma dessas poucas palavras grandes e absolutas é: Fé. É possível viver, e por vezes bem, uma longa vida sem dinheiro ou bens, mas não se vive sem acreditar. Todos somos capazes de fé, porque no espaço interior de cada pessoa existe uma “janela” que dá para um “além”, uma frincha que ali permanece mesmo quando ao olharmos dentro de nós (já) não vemos nada e ainda que à frente dela tenhamos colocado um armário ou o televisor. E precisamente porque é uma palavra grande do humano, a fé é também palavra do económico.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/a_fe.html
Ágape
É o agape que doa ao amor humano aquela dimensão de gratuidade que não é garantida pela philia, e muito menos pelo eros; e que, abrindo-as, cumpre (assim) todas as virtudes, que na sua ausência não passam de subtil egoísmo. A forma de amor do ágape é também uma grande força de ação e de mudança económica e civil. Todas as vezes que uma pessoa age para o bem, e encontra na ação mesma e dentro de si recursos para andar para diante mesmo sem reciprocidade, entra em ação o ágape. O ágape é o amor típico dos fundadores, os iniciadores de um movimento, de uma cooperativa, que não podem contar com a reciprocidade dos outros, e cuja ação exige fortaleza e perseverança em longos períodos de solidão. O ágape não condiciona a escolha de amar à resposta do outro mas, quando tal resposta falta, sofre porque o ágape é pleno na reciprocidade («dou-vos um mandamento novo: amai-vos!»); mas não fica incomodado a ponto de interromper o seu amor não amado.
Ler mais em:
http://www.snpcultura.org/agape_a_grande_aurora.html