"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























segunda-feira, 11 de junho de 2012

Quando a boca CALA...

... o corpo GRITA
A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.
O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos, existem semáforos chamados Amigos, luzes de precaução chamadas Família, e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão, um potente motor chamado Amor, um bom seguro chamado FÉ, abundante combustível chamado Paciência. Mas principalmente um maravilhoso Condutor chamado DEUS.

domingo, 10 de junho de 2012

PALAVRA de DOMINGO: há que contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!!!

LEITURA I – Gen 3, 9-15
Leitura do Livro do Génesis
Depois de Adão ter comido da árvore,
o Senhor Deus chamou-o e disse-lhe: «Onde estás?»
Ele respondeu:
«Ouvi o rumor dos vossos passos no jardim
e, como estava nu, tive medo e escondi-me».
Disse Deus:
«Quem te deu a conhecer que estavas nu?
Terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira comer?»
Adão respondeu:
«A mulher que me destes por companheira
deu-me do fruto da árvore e eu comi».
O Senhor Deus perguntou à mulher:
«Que fizeste?»
E a mulher respondeu:
«A serpente enganou-me e eu comi».
Disse então o Senhor Deus à serpente:
«Por teres feito semelhante coisa,
maldita sejas entre todos os animais domésticos
e todos os animais selvagens.
Hás-de rastejar e comer do pó da terra
todos os dias da tua vida.
Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher,
entre a tua descendência e a descendência dela.
Ela há-de atingir-te na cabeça
e tu a atingirás no calcanhar».
AMBIENTE
O relato jahwista de Gn 2,4b-3,24 sobre as origens da vida e do pecado (ao qual pertence o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura) é, de acordo com a maioria dos comentadores, um texto do séc. X a.C., que deve ter aparecido em Judá na época do rei Salomão. Apresenta-se num estilo exuberante e vivo e parece ser obra de um catequista popular, que ensina recorrendo a imagens sugestivas, coloridas e fortes.
Não podemos, de forma nenhuma, ver neste texto uma reportagem jornalística de acontecimentos passados na aurora da humanidade. A finalidade do autor não é científica ou histórica, mas teológica: mais do que ensinar como o mundo e o homem apareceram, ele quer dizer-nos que na origem da vida e do homem está Jahwéh e que na origem do mal e do pecado estão as opções erradas do homem. Trata-se, portanto, de uma página de catequese.
Esta longa reflexão sobre as origens da vida e do mal que desfeia o mundo está estruturada num esquema tripartido, com duas situações claramente opostas e uma realidade central que aparece como charneira e ao redor da qual giram a primeira e a terceira parte… Na primeira parte (cf. Gn 2,4b-25), o autor descreve a criação do paraíso e do homem; apresenta a criação de Deus como um espaço ideal de felicidade, onde tudo é bom e o homem vive em comunhão total com o criador e com as outras criaturas. Na segunda parte (cf. Gn 3,1-7), o autor descreve o pecado do homem e da mulher; mostra como as opções erradas do homem introduziram na comunhão do homem com Deus e com o resto da criação factores de desequilíbrio e de morte. Na terceira parte (cf. Gn 3,8-24), o autor apresenta o homem e a mulher confrontados com o resultado das suas opções erradas e as consequências que daí advieram, quer para o homem, quer para o resto da criação.
Na perspectiva do catequista jahwista, Deus criou o homem para a felicidade… Então, pergunta Ele: como é que hoje conhecemos o egoísmo, a injustiça, a violência que desfeiam o mundo? A resposta é: algures na história humana, o homem que Deus criou livre e feliz fez escolhas erradas e introduziu na criação boa de Deus dinamismos de sofrimento e de morte.
O nosso texto pertence à terceira parte do tríptico. As personagens intervenientes são Deus (que “passeia no jardim à brisa do dia” – vers. 8a), Adão e Eva (que se esconderam de Deus por entre o arvoredo do jardim – vers. 8b).
MENSAGEM
A nossa leitura começa com a “investigação” de Deus… Antes de proferir a sua acusação, Deus – o acusador e juiz – investiga, descobre e estabelece os factos.
Primeira pergunta feita por Deus ao homem: “onde estás?” A resposta do homem é já uma confissão da sua culpabilidade: “ouvi o rumor dos vossos passos no jardim e, como estava nu, tive medo e escondi-me” (vers. 9-10). A vergonha e o medo são sinal de uma perturbação interior, de uma ruptura com a anterior situação de inocência, de harmonia, de serenidade e de paz. Como é que o homem chegou a esta situação? Evidentemente, desobedecendo a Deus e percorrendo caminhos contrários àqueles que Deus lhe havia proposto. A resposta do homem trai, portanto, o seu segredo e a sua culpa.
Depois desta constatação, a segunda pergunta feita por Deus ao homem é meramente retórica: “terias tu comido dessa árvore, da qual te proibira de comer?” (vers. 11). A árvore em causa – a “árvore do conhecimento do bem e do mal” – significa o orgulho, a auto-suficiência, o prescindir de Deus e das suas propostas, o querer decidir por si só o que é bem e o que é mal, o pôr-se a si próprio em lugar de Deus, o reivindicar autonomia total em relação ao criador. A situação do homem, perturbado e em ruptura, é já uma resposta clara à pergunta de Deus… É evidente que o homem “comeu da árvore proibida” – isto é, escolheu um caminho de orgulho e de auto-suficiência em relação a Deus. Daí a vergonha e o medo.
Ao defender-se, o homem acusa a mulher e, ao mesmo tempo, acusa veladamente o próprio Deus pela situação em que está (“a mulher que me deste por companheira deu-me do fruto da árvore e eu comi” – vers. 12). Adão representa essa humanidade que, mergulhada no egoísmo e na auto-suficiência, esqueceu os dons de Deus e vê em Deus um adversário; por outro lado, a resposta de Adão mostra, igualmente, uma humanidade que quebrou a sua unidade e se instalou na cobardia, na falta de solidariedade, no ódio. Escolher caminhos contrários aos de Deus não pode senão conduzir a uma vida de ruptura com Deus e com os outros irmãos.
Vem, depois, a “defesa” da mulher: “a serpente enganou-me e eu comi” (vers. 13). Entre os povos cananeus, a serpente estava ligada aos rituais de fertilidade e de fecundidade. Os israelitas deixavam-se fascinar por esses cultos e, com frequência, abandonavam Jahwéh para seguir os rituais religiosos dos cananeus e assegurar, assim, a fecundidade dos campos e dos rebanhos. Na época em que o autor jahwista escreve, a serpente era, pois, o “fruto proibido”, que seduzia os crentes e os levava a abandonar a Lei de Deus. A “serpente” é, neste contexto, um símbolo literário de tudo aquilo que afastava os israelitas de Jahwéh. A resposta da “mulher” confirma tudo aquilo que até agora estava sugerido: é verdade, a humanidade que Deus criou prescindiu de Deus, ignorou as suas propostas e enveredou por outros caminhos. Achou, no seu egoísmo e auto-suficiência, que podia encontrar a verdadeira vida à margem de Deus, prescindindo das propostas de Deus.
Diante disto, não são precisas mais perguntas. Está claramente definida a culpa de uma humanidade que pensou poder ser feliz em caminhos de egoísmo e de auto-suficiência, totalmente à margem dos caminhos que foram propostos por Deus.
Que tem Deus a acrescentar? Pouco mais, a não ser condenar como falsos e enganosos esses cultos e essas tentações que seduziam os israelitas e os colocavam fora da dinâmica da Aliança e dos mandamentos (vers. 14-15). O nosso catequista jahwista sabe que a serpente é um animal miserável, que passa toda a sua existência mordendo o pó da terra. O autor vai servir-se deste dado para pintar, plasticamente, a condenação radical de tudo aquilo que leva os homens a afastar-se dos caminhos de Deus e a enveredar por caminhos de egoísmo e de auto-suficiência.
O que é que significa a inimizade e a luta entre a “descendência” da mulher e a “descendência” da serpente? Provavelmente, o autor jahwista está, apenas, a dar uma explicação etiológica (uma “etiologia” é uma tentativa de explicar o porquê de uma determinada realidade que o autor conhece no seu tempo, a partir de um pretenso acontecimento primordial, que seria o responsável pela situação actual) para o facto de a serpente inspirar horror aos humanos e de toda a gente lhe procurar “esmagar a cabeça”; mas a interpretação judaica e cristã viu nestas palavras uma profecia messiânica: Deus anuncia que um “filho da mulher” (o Messias) acabará com as consequências do pecado e inserirá a humanidade numa dinâmica de graça.
Atenção: o autor sagrado não está a falar de um pecado cometido nos primórdios da humanidade pelo primeiro homem e pela primeira mulher; mas está a falar do pecado cometido por todos os homens e mulheres de todos os tempos… Ele está apenas a ensinar que a raiz de todos os males está no facto de o homem prescindir de Deus e construir o mundo a partir de critérios de egoísmo e de auto-suficiência. Não conhecemos bem este quadro?
ACTUALIZAÇÃO
• Um dos mistérios que mais questiona os nossos contemporâneos é o mistério do mal… Esse mal que vemos, todos os dias, tornar sombria e deprimente essa “casa” que é o mundo, vem de Deus, ou vem do homem? A Palavra de Deus responde: o mal nunca vem de Deus… Deus criou-nos para a vida e para a felicidade e deu-nos todas as condições para imprimirmos à nossa existência uma dinâmica de vida, de felicidade, de realização plena.
• O mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso egoísmo e auto-suficiência. Quando o homem escolhe viver orgulhosamente só, ignorando as propostas de Deus e prescindindo do amor, constrói cidades de egoísmo, de injustiça, de prepotência, de sofrimento, de pecado… Quais os caminhos que eu escolho? As propostas de Deus fazem sentido e são, para mim, indicações seguras para a felicidade, ou prefiro ser eu próprio a fazer as minhas escolhas, à margem das propostas de Deus?
• O nosso texto deixa também claro que prescindir de Deus e caminhar longe d’Ele, leva o homem ao confronto e à hostilidade com os outros homens e mulheres. Nasce, então, a injustiça, a exploração, a violência. Os outros homens e mulheres deixam de ser irmãos, para passarem a ser ameaças ao próprio bem-estar, à própria segurança, aos próprios interesses. Como é que eu me situo face aos meus irmãos? Como é que eu me relaciono com aqueles que são diferentes, que invadem o meu espaço e interesses, que me questionam e interpelam?
• O nosso texto ensina, ainda, que prescindir de Deus e dos seus caminhos significa construir uma história de inimizade com o resto da criação. A natureza deixa de ser, então, a casa comum que Deus ofereceu a todos os homens como espaço de vida e de felicidade, para se tornar algo que eu uso e exploro em meu proveito próprio, sem considerar a sua dignidade, beleza e grandeza. O que é que a criação de Deus significa para mim: algo que eu posso explorar de forma egoísta, ou algo que Deus ofereceu a todos os homens e mulheres e que eu devo respeitar e guardar com amor?

EVANGELHO – Mc 3, 20-35
Naquele tempo,
Jesus chegou a casa com os seus discípulos.
E de novo acorreu tanta gente,
de modo que nem sequer podiam comer.
Ao saberem disto, os parentes de Jesus
puseram-se a caminho para O deter,
pois diziam: «está fora de Si».
Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam:
«Está possesso de Belzebu,
e ainda:
«É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios».
Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas:
«Como pode Satanás expulsar Satanás?»
Se um reino estiver dividido contra si mesmo,
tal reino não pode aguentar-se.
E se uma casa estiver dividida contra si mesma,
essa casa não pode aguentar-se.
Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide,
não pode subsistir: está perdido.
Ninguém pode entrar em casa de um homem forte
e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar:
só então poderá saquear a casa.
Em verdade vos digo:
Tudo será perdoado aos filhos dos homens:
os pecados e blasfémias que tiverem proferido;
mas quem blasfemar contra o Espírito Santo
nunca terá perdão: será réu de pecado eterno».
Referia-Se aos que diziam:
«Está possesso dum espírito impuro».
Entretanto, chegaram sua Mãe e seus irmãos,
que, ficando fora, mandaram-n’O chamar.
A multidão estava sentada em volta d’Ele,
quando Lhe disseram:
«Tua Mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura».
Mas Jesus respondeu-lhes:
«Quem é minha Mãe e meus irmãos?»
E, olhando para aqueles que estavam à sua vota, disse:
«Eis minha Mãe e meus irmãos.
Quem fizer a vontade de Deus
esse é meu irmão, minha irmã e minha Mãe».
BREVE COMENTÁRIO E INTERPELAÇÕES
Jesus continua a percorrer o espaço geográfico da Galileia e a cumprir a sua missão de anunciar o “Reino”. Começa, no entanto, a crescer a onda de contestação à sua pregação. Tomando como pretexto alguns casos particulares cada vez mais insignificantes, os líderes judaicos manifestam a sua firme oposição à novidade do “Reino”. As polémicas e controvérsias marcam esta fase da caminhada de Jesus.
De uma forma geral, Marcos narra as controvérsias seguindo um esquema fixo e sempre igual: começa com a apresentação da questão, continua com a discussão e termina com um “dito” final de Jesus. Este “dito” não oferece a mera solução do “caso” em questão, mas é sempre uma auto-revelação de Jesus, de importância decisiva para a comunidade cristã do tempo de Marcos e de todos os tempos.
Toda a cena se passa numa “casa”. Que casa é essa? É uma casa onde Jesus está a pregar a Palavra e é uma casa onde «de novo acorreu tanta gente, de modo que nem sequer podiam comer». É também uma casa onde estão sentados/instalados alguns especialistas da Lei (escribas). A “casa” onde Jesus prega, onde se congrega a comunidade judaica e onde há escribas instalados, poderia ser uma figura da sinagoga, entendida como assembleia do Povo de Deus. O facto de se referir que a “casa” em questão estava situada na cidade de Cafarnaum (o centro a partir do qual irradia a actividade de Jesus na Galileia) poderia indicar que Marcos está a falar da comunidade judaica da Galileia, em cujas sinagogas Jesus acabou de passar (cf. Mc 1,39), anunciando a Boa Nova do Reino. Em qualquer caso, a “casa” representa essa comunidade judaica a quem Jesus dirige a pregação do “Reino”.
A mensagem evangélica de hoje apresenta três diálogos de Jesus: dois com os seus familiares, no princípio e no fim, outro com os escribas, no meio
Fiquemo-nos pelos familiares de Jesus. Diz-se que vão a Cafarnaum para levar Jesus desta casa onde está para a sua casa em Nazaré. Muitas são as razões: muito tempo fora da família, notícias contraditórias sobre a sua actividade, mensagem em contraste com a doutrina oficial dos escribas e fariseus, contacto com os pecadores de quem é amigo, não seguimento da tradição dos antigos nem respeito pelo sábado; enfim, Jesus é considerado louco e herético. A intenção principal é reconduzi-lo ao caminho recto de um autêntico judeu.
Há os que ficam de fora e os que estão dentro. Imagem actualíssima para nós hoje. Podemos andar por fora, arredios, ficar à porta, até nos chamarmos “católicos não praticantes”. Que significa isso? Faz sentido? Ou se é ou não se é. Aí está de novo a radicalidade da opção por Jesus. Ou ficamos for, ou estamos dentro da casa, unidos a Jesus, a escutá-l’O e a segui-l’O com todo o nosso ser, com todo o nosso coração.
Em Outubro próximo inicia-se a celebração do Ano Fé, anunciado há meses por Bento XVI através de um breve mas belíssimo documento. Aí está: ou entramos na porta da casa, na Porta da Fé, e continuamos o caminho apenas com Jesus como único nas nossas vidas, ou ficamos à porta ou a espreitar pelas janelas, continuando a apanhar ou a soprar outros ventos que não nos centram em Jesus.
Na caminhada da fé, cada um é livre de optar pela família que quiser: ou ficar pelas famílias que dispersam do sentido da vida, ou permanecer na única família de Jesus, de «quem quiser fazer a vontade de Deus».

Fonte: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=935

sábado, 9 de junho de 2012

SIM, a culpa é dos FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS

Sim, a culpa da crise é do funcionário público Vítor Constâncio que não viu, ou não quis ver o buraco do BPN;
Sim, a culpa da crise é do funcionário público Teixeira dos Santos que não viu, ou não quis ver o buraco da Madeira;
Sim, a culpa da crise é do funcionário público Alberto João Jardim que criou "às escondidas para os do continente não cortarem nas tranches" um buraco de seis mil milhões de euros;
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos da Assembleia da República que auferiram só em ajudas de custo no ano de 2010 a módica quantia de três milhões de euros, fora os salários e demais benefícios;
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que gerem, continuamente, em prejuízo as empresas públicas como a Metro do Porto, CP, ANACOM, REFER, REN, CARRIS, EDP, PT, Estradas de Portugal, Águas de Portugal, . a lista é interminável, mas não abdicam das viaturas topo de gama, telemóveis, talões de combustível...;
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos das Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais que ganham por cada reunião assistida;
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos da Assembleia da República, já reformados, com as suas subvenções vitalícias por meros 6 anos de "serviço". Reformados alguns com apenas 40 anos de idade!!! Quantos são desde 1974? Enfim, a lista é interminável.
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que presidem fundações como a Guimarães 2012 com salários imorais, na ordem dos milhares de euros.
Quantas são? Enfim, a lista é interminável;
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que compram submarinos;
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que adjudicam pareceres jurídicos a empresas de advogados, quando podiam solicitar o mesmo serviço às Universidades, pagando dez vezes menos, ajudando dez vezes mais as finanças das mesmas;
Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que adjudicaram obras permitindo as famosas "derrapagens financeiras". E quem paga? O Estado, não?
Etc., etc., etc..
Sim, a culpa da crise é desses funcionários públicos, e não dos funcionários publicos que trabalham arduamente para alimentar estes *#&»~

Carlos Couto, funcionário público,
O pagador de impostos
que também sou, SUBSCREVO!!!

Manifesto assinado por Álvaro Araújo Pereira (pai do Ricardo)

Entretanto permita-se-me, a propósito do e-mail em jeito de manifesto que por aí circula e que abaixo transcrevo, o seguinte comentário-sugestão:
Está tudo muito certo, muito bem considerado, mas NÃO CONCORDO. "Greve de eleitorado" é o mesmo que abstenção. O resultado de todos estes anos está à vista. Senão vejamos: Cavaco Silva na presidência com 25% do eleitorado e com tudo o que se sabia & o que agora se conhece. Mais, a abstenção é um "pau de vários bicos", pois sinalizará, aos oportunistas dos políticos, entre outras, que "o pessoal está-se nas tintas, o que quer é futebol & bronze, temos mandato popular...o povo sufragou o nosso programa...blá, blá, blá...". É assim como que "dar o ouro ao bandido".
"VOTO EM BRANCO"! Aí sim, o povo mostra, prova, afirma & reafirma a sua atenção, a sua consciência civica e o seu descontentamento. Imagine-se a repercussão e consequências que teriam 70, 80% de votos em branco. Nada ficaria como dantes. 
Enquanto a abstenção é um cartão amarelo o VOTO EM BRANCO é muito mais & melhor do que isso, é um CARTÃO VERMELHO!!!
Greve de eleitorado NÃO! Greve de zelo SIM!!!
Não sou Funcionário Público, mas o Estado trata-me como se eu o fosse, enquanto REFORMADO.
Dizem que os Reformados não têm poder de contestação, que de nada lhes serve tomar uma atitude contestatária (uma GREVE deles é inconsequente por não afectar nada nem ninguém).
Eu não estou de acordo! E como tal, decidi tomar uma posição que traduzo no seguinte:

MANIFESTO
Considerando:
1. Que me foram retirados o 13º e 14º mês até 2018;
2. Que me reduziram a Reforma para a qual fiz descontos milionários durante uma vida de trabalho;
3. Que me foram aumentados os descontos para o IRS, o IMI, no Consumo de Electricidade, da Água e do Gás, para a “Compensação aos Operadores” respectivos (EDP, Tejo Energia e Turbo Gás), nos Combustíveis, para o Investimento das Energias Renováveis, para os custos da Autoridade da Concorrência e da ERSE, na Alimentação, na taxa de Esgotos, para a Utilização do Subsolo, para a Rádio, para a Televisão, para a TNT, para a Harmonização Tarifária dos Açores e Madeira, Rendas de Passagem pelas Autarquias e Munícipes, para o auxílio social aos calões que recebem indevida e impunemente o RSI (Rendimento para a Inserção Social), para pagamento dos cartões de crédito de políticos, para as portagens nas SCUTS e aumento nas auto-estradas, para a recuperação de BPNs, para que os Dias Loureiros, os Duartes Limas, os Isaltinos de Morais e quejandos depositem as minhas economias em nome deles em offshores, para as novas taxas de Apoio Social, para as remodeladas Taxas de Urgência nos Hospitais Civis, para as asneiras provocadas pelas ideias megalómanas de políticos incompetentes que criaram auto-estradas sem trânsito, para as Contrapartidas e Compensações a Concessionários de diferentes estruturas, para pagamento das dívidas às Parcerias Público-Privadas durante 50 anos ou mais, etc., etc., etc., tudo recheado com 23% de IVA (por enquanto);
4. Que, cada voto que um cidadão deposita na urna eleitoral, para além de pôr no poleiro os espertalhões que os (se) governam, representa um óbolo igual a 1/135 do salário mínimo nacional (actualmente em
€485,00) a reverter para os seus cofres (1 voto = €3,60), a que acrescem as subvenções às campanhas e verbas para os grupos parlamentares.
(Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas
Eleitorais: Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-lei n.º 287/2003, de 12 de Novembro (Declaração de Rectificação n.º 4/2004, de 9 de Janeiro), Lei n.º 64‐A/2008, de 31 de Dezembro1 e Lei n.º 55/2010, de 24 de Dezembro).
5. Que esse valor é atribuído pelos quatro anos de legislatura, o que significa entregar aos partidos votados o quádruplo dessa importância (€14,40), atingindo uma despesa superior a 70 milhões de euros;
Fonte: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1231653&page=-1;
6. Que, no caso dos votos em branco ou nulos, essa valia é distribuída por todos os partidos concorrentes às eleições;
7. E que, se eu me abstiver de votar, não há montante a ser distribuído pelos partidos concorrentes às eleições,
Eu, ARTUR ÁLVARO ARAUJO PEREIRA, cidadão de pleno direito, com o BI 1158208 e o NIF 121934322, com todos os impostos pagos e ainda credor do Estado por taxação indevida e não devolvida em sede de IRS, embora prescindindo de uma liberdade coarctada durante quase 40 anos e restituída em 25 de Abril de 1974, decido que, dependendo do cenário político-económico, meu e do meu país, entrarei em
GREVE DE ELEITORADO, e SUSPENDO O MEU DIREITO DE VOTO ATÉ 2018!

(in)PRENSA: a minha selecção

Uma sugestão para o Dia de Portugal: algemas em vez de medalhas.
http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=64939
Trabalho de António Borges no Goldman Sachs é um mistério, diz jornalista
- http://expresso.sapo.pt//trabalho-de-antonio-borges-no-goldman-sachs-e-um-misterio-diz-jornalista=f730476
- http://expresso.sapo.pt/quando-antonio-borges-achava-que-um-secretario-de-estado-nao-conseguia-viver-com-3500-euros=f731545
O Euro de todos os campeões
http://expresso.sapo.pt//trabalho-de-antonio-borges-no-goldman-sachs-e-um-misterio-diz-jornalista=f730476
Novos documentos secretos do Vaticano
http://expresso.sapo.pt/novos-documentos-secretos-do-vaticano=f730695
Europa prepara plano global para zona euro
http://expresso.sapo.pt//europa-prepara-plano-global-para-zona-euro=f730589
Política de cábula
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2583161&seccao=Jo%E3o
Jerónimo desafia Cavaco e ataca António Borges
http://www.publico.pt/Política/jeronimo-de-sousa-desafia-cavaco-e-ataca-antonio-borges-1548792?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoPolitica+%28Publico.pt+-+Pol%C3%ADtica%29
Seleção paga 8120 euros por noite na Polónia
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=2583249
Portugueses têm de trabalhar 155 dias para pagar os impostos   
http://economico.sapo.pt/noticias/portugueses-tem-de-trabalhar-155-dias-para-pagar-os-impostos_145896.html
Conselhos para bem gerir
http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=64911
As eurobonds não são pozinhos de perlimpimpim
Esqueceu-se o articulista de dizer qual a alternativa. É pena.
http://expresso.sapo.pt//as-eurobonds-nao-sao-pozinhos-de-perlimpimpim=f730612
Um Crato em cada esquina
http://expresso.sapo.pt/um-crato-em-cada-esquina=f730952
Manuel José: «A selecção nacional é um circo»
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=576283
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=2591832
Queiroz: «Tentaram transformar a selecção num circo em 2010»
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=576471
http://www.tsf.pt/Especiais/Euro2012/Interior.aspx?content_id=2593368
Contundente
Ainda a selecção... Você acredita?
Não somos gado
Normandia & Visões

quinta-feira, 7 de junho de 2012

VIDA & OBRA: Alain de Botton...

... em entrevista ao Público 20120605, por Joana Gorjão Henrique
"Estamos sozinhos por razões estúpidas e as religiões têm respostas simples para isso"
Depois do amor e do trabalho, o filósofo Alain de Botton virou-se para a religião. Escreveu um livro em que propõe que o secularismo se inspire em ideias religiosas para criar um mundo melhor. Conversa em Lisboa






Cresceu numa casa "agressivamente" ateia e acabou por escrever Religião para Ateus (Dom Quixote). Não se trata de um combate feroz à ideia da existência de Deus, como outros o fizeram (o britânico Richard Dawkins, autor de A Desilusão de Deus, é um deles). É antes o reconhecimento de que, afinal, há vantagens em fazer amizade com "o inimigo", o nome que aprendeu a dar à religião.
Alain de Botton (Zurique, 1969), de origem judaica, conversou com o PÚBLICO num hotel em Lisboa, onde veio promover o seu livro numa visita-relâmpago na semana passada. Com uma camisa e olhos azuis claros, Botton, tantas vezes chamado de filósofo do quotidiano por escrever sobre coisas como o amor, o trabalho, a ansiedade, viagens, casas, felicidade, fala-nos pausadamente com um sotaque britânico (vive em Londres há anos). Tendo como tese principal que o mundo secular tem muito a aprender com as religiões, o livro defende que o secularismo deveria mesmo incorporar algumas das características fundamentais das religiões - como a ideia de comunidade. Botton confessa: "Não tenho qualquer sensibilidade para o espiritual. Sou como algumas pessoas que não conseguem ouvir um som: não o sinto."


Uma das ideias fortes de Religião para Ateus é a "proposta" de um templo para ateus - que chegou a ser projectado para o centro de Londres, mas foi cancelado. Porquê um templo para ateus?
É apenas uma ideia. A minha sugestão é que os arquitectos aprendem com a arquitectura religiosa. Uma das coisas de que os ateus gostam é dos edifícios religiosos. Porquê? Não por causa de Deus, mas por causa da arquitectura. Muitos edifícios religiosos isolam-nos do barulho da cidade, colocam-nos num espaço que é puro, de alguma maneira, que é mais silencioso, mais antigo, maior. Isolam-nos do quotidiano, ajudam-nos a ter tranquilidade e é disso que as pessoas gostam. Como ateu que adora arquitectura, penso: porque é que só construímos estádios de futebol ou bibliotecas ou supermercados ou aeroportos? Porque não temos edifícios onde vamos, não para comprar alguma coisa ou para comer, mas para fazer qualquer coisa dentro de nós próprios, na nossa alma?
O que é que as pessoas fariam lá? Quantas vezes por semana iriam?Uma igreja tem duas funções: a função da comunidade, um espaço onde as pessoas podem ir regularmente, e uma função mais artística, por serem edifícios onde se pode andar, ver imagens, olhar para as velas. Há duas formas de encarar a versão secular deste tipo de arquitectura. Uma é construir-se um edifício cuja principal função é agregar pessoas, um centro comunitário. Os edifícios comunitários deveriam ser os mais espantosos da sociedade moderna, mas não são porque não acreditamos na ideia de comunidade. Por isso, uma das ideias é investir tanto em centros comunitários quanto se investe numa igreja ou num templo. A outra forma é usar os edifícios mais como uma obra de arte: vai-se visitar sem uma agenda ou sem o objectivo de ir a um serviço religioso.
A cidade moderna está cheia de sítios onde as pessoas se encontram mas nunca falam umas com outras. Há centenas de restaurantes, discotecas, concertos, espaços de conferências mas nestes sítios nunca acontece algo fundamental que as religiões fazem: porem as pessoas a falar umas com as outras.
Um dos aspectos que aborda no livro é a solidão. Diz que todas as religiões compreendem muito bem a solidão. Das três religiões que aborda - cristianismo, judaísmo e budismo -, qual delas considera que retrata melhor a solidão?Todas reconhecem que uma das grandes soluções para as dificuldades da vida são as outras pessoas. É claro que no mundo secular temos amigos, mas falta aquele sentimento de que não sou apenas eu e o meu amigo mas eu e o grupo. Na grande cidade deixámos para trás a ideia de pertencer a um grupo, e nesse aspecto as religiões são importantes, são uma rede de apoio. Isso é uma das coisas poderosas que atraem as pessoas. Uma das minhas questões é: o que é que acontece à nossa necessidade de comunidade quando ignoramos a religião? O que é que acontece à nossa necessidade de confissão, de rituais? Em muitos casos essa necessidade pura e simplesmente morre ou então é ignorada.
O livro aborda nove aspectos: comunidade, bondade, educação, ternura, pessimismo, perspectiva, arte, arquitectura, instituições. Porque é que escolheu estes como os mais importantes?

Uma das coisas que pensei foi: do que é que eu, como ateu, gosto nas religiões? O que acho útil para quem não tem qualquer interesse em tornar-se religioso mas tem interesse em saber o que as religiões fazem bem? Não estou interessado nos ensinamentos das religiões. É a organização das religiões que me interessa.
Há uma organização genial no catolicismo. É extraordinário. São uma multinacional, uma das maiores do mundo. É um negócio que tenta tocar na nossa alma e olhar por nós. E penso: que negócios é que nós, ateus, temos direccionados para o nosso interior? Quem está a tomar conta disto? Temos livros, temos museus... Mas a ambição é muito fraca.
Houve uma altura em que questionou o seu ateísmo, mas não a existência de Deus. Pode descrever esse momento?

Fui educado num ambiente agressivamente ateu. O meu pai era um pouco como Richard Dawkins. Mas percebi que havia uma série de coisas boas à volta da religião. Podia ser uma cantata de Bach, uma pintura de Giotto, A Cidade de Deus de Santo Agostinho, um texto filosófico... E sentia-me culpado: é suposto eu ser um ateu, era suposto eu odiar isto. Cresci com este sentimento tribal de que a religião era o inimigo. Lentamente, tornou-se cada vez mais interessante fazer amizade com o inimigo.
Era uma forma de rebelião?

Era ao mesmo tempo rebelião e lealdade. Lealdade para com o ateísmo e rebelião contra alguma da visão afunilada do ateísmo em que cresci. É o percurso natural que acontece em tantas áreas: mantemo-nos fiéis ao melhor da nossa educação mas também tentamos abrir horizontes.
Compara a arte com a religião e propõe que cada museu devia ter uma sala para a dor, para o autoconhecimento, para o amor, para o medo, para o sofrimento. Que obras de arte escolheria para cada uma dessas salas?

Pensemos no amor. As relações amorosas são difíceis. Muitas vezes nas relações amorosas damos connosco a pensar: "Estarei doido? O que é que se passa connosco? Será que as pessoas discutem como nós?" A televisão não mostra este tipo de discussões, mas todos sabemos que dizemos coisas sem sentido uns aos outros - mas sentimo-nos sempre muito sós nisto. Quero que um fotógrafo moderno fotografe casais nos momentos reais da vida, quando alguém diz: "Vai-te lixar", e bate com a porta. Isto acontece a pessoas muito porreiras. Quero ter numa legenda: estas duas pessoas acabaram de dizer "vai-te lixar" mas são muito porreiras. Isso é uma coisa que a arte nos devia ajudar a agarrar: não somos monstros por nos comportarmos de maneira infantil e em pânico. Devíamos poder ir a um museu e reconhecermo-nos, para nos darmos outra oportunidade de nos vermos a nós mesmos não como monstros. Isto é uma missão para a arte: ajudar-nos, ser uma ferramenta, ter uma função. É como uma colher ou bicicleta.
Uma das coisas que lhe interessa são as refeições como o momento de partilha e comunidade. Imagina um restaurante parecido com a eucaristia - quais são as características das comunidades religiosas que as comunidades seculares deveriam absorver?

A mais simples de todas é a ideia do anfitrião. As comunidades religiosas têm anfitriões, alguém que apresenta desconhecidos e torna possível a comunidade. A maior parte das vezes não falamos com desconhecidos porque lemos no jornal que são loucos, criminosos... As religiões dizem-nos que podemos apertar a mão a um estranho. Quando isso existe há uma comunidade. É uma coisa tão simples, mas somos péssimos nisto. Se viermos a Lisboa, o guia diz-nos para ir a um museu, mas não para falar com desconhecidos. O mundo moderno não sabe como fazer isto. Estamos sozinhos por razões estúpidas e as religiões têm respostas simples para isso.
Tentou converter pessoas religiosas ao ateísmo com o seu livro?

De forma alguma, nem por um minuto. Isso foi o que tentaram alguns como Richard Dawkins, que acho cruel. Parece-me uma loucura convencer alguém a deixar de acreditar em Deus. O que quero tentar é converter as pessoas que não acreditam em Deus a criar uma sociedade melhor. Muitas das respostas para se criar uma sociedade melhor estão nas religiões, mesmo que não se acredite nelas.
Já sentiu pena de não ter fé, no sentido religioso?

Não. Cresci de uma forma muito ateia, nunca me passou pela cabeça pensar que se calhar devia ser religioso. Sou como alguns que não conseguem ouvir um som: não tenho sensibilidade nenhuma para o espiritual, não o sinto. No outro dia, estava com um amigo, à noite, a olhar para as estrelas. Ele é religioso e a dada altura pergunta-me: "Isto não te faz pensar que há mais alguma coisa?" E eu respondi. "Não!" Sou mesmo ateu.
Diz-se que o milagre da fé é acreditar naquilo que não se vê, no desconhecido. Quem não tem fé está a perder alguma experiência?

Gosto do que os cristãos chamam o Mistério, com M grande. É uma categoria interessante. Gosto de muitos conceitos religiosos, mesmo que não acredite neles, como o pecado original, que é fascinante. A ideia de que os seres humanos têm falhas, que são imperfeitos, é muito interessante. O pressuposto de que as pessoas são imperfeitas e que temos de lidar com essas imperfeições - as nossas e as dos outros - é um óptimo ponto de partida para a vida social.
Voltando ao que os cristãos chamam Mistério, a sensação da presença de Deus: posso compreendê-lo e traduzi-lo em algo que conheço que é o valor de estarmos em contacto com coisas que não percebemos. Isso pode ser matemática, as estrelas, coisas que vão além da nossa capacidade de raciocínio. Não é um mistério religioso, mas é na mesma um mistério. Há muitos mistérios para além dos mistérios religiosos.
Como é que imagina Deus?

Imagino-o como alguém que está presente, que olha por ti, que conhece a tua mente melhor do que tu próprio. Alguém com quem se partilham problemas, que cria momentos especiais de intensidade, e a sensação de um contacto directo com momentos de revelação. Imagino que quem acredita tenha essa capacidade para admitir que está perdido e tem esperança de que Deus o vai ajudar a encontrar o caminho. Tem a capacidade para admitir tudo, de ser muito honesto com Deus - porque Deus vai perdoar, porque Deus é amor e por isso nunca se está sozinho. Imagino que isso saiba muito bem. Simplesmente não me parece plausível.


Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo: 2012

... último ano da sua existência como feriado. Então, um pouco da sua história que convém lembrar:

http://www.snpcultura.org/solenidade_Corpus_Christi_portugal.html