"Porquê?" & "Para quê?"

Impõe-se-me, como autor do blogue, dar uma explicação, ainda que breve, do "porquê" e do "para quê" da sua criação. O título já por si diz alguma coisa, mas não o suficiente. E será a partir dele, título, que construirei esse "suficiente". Vamos a isso! Assim:
Dito de dizer, escrever, noticiar, informar, motivar, explicar, divulgar, partilhar, denunciar, tudo aquilo que tenho e penso merecer sê-lo. Feito de fazer, actuar, concretizar, agir, reunir, construir. Um pressupõe e implica, necessariamente, o outro - «de palavras está o mundo cheio». Se muitos & bons discursos ditos, mas poucas ou nenhumas acções que tornem o mundo, um lugar, no mínimo, suportável para se viver, «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», então nada feito!!!

«Para bom entendedor meia palavra basta» - meu dito meu feito, palavras e motivo.





























sábado, 10 de novembro de 2012

(in)PRENSA semanal: a minha selecção

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão

Ferreira Leite avisa que destruir a classe média é uma ameaça à democracia
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=27&did=83756
Jorge Miranda diz ser possível cortar nas muitas "mordomias" do Estado
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=83759
Ramalho Eanes defende "pacto de crescimento e modernização"
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=83749
Estou farto disto tudo!
http://expresso.sapo.pt//estou-farto-disto-tudo=f764688?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2012-11-07
'Guerra' de petições na Net por causa de Jonethttp://expresso.sapo.pt/peticao-para-demissao-de-isabel-jonet-ja-tem-1500-assinaturas=f765723
10 mil crianças contra Jonet e Merkel
http://expresso.sapo.pt/10-mil-criancas-contra-jonet-e-merkel=f765711
Programas de ajustamento descredibilizam o FMI
http://economico.sapo.pt/noticias/programas-de-ajustamento-descredibilizam-o-fmi_155912.html
O cenário macroeconómico é demasiado otimista
http://expresso.sapo.pt/o-cenario-macroeconomico-e-demasiado-otimista-para-2013=f765388?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2012-11-08


 

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

MÚSICA: 10000 singing Beethoven

(...) a grande Etty Hillesum: «Creio que vou ser capaz. De manhã, antes de começar a trabalhar, passar meia hora a ouvir-me a mim própria, a voltar-me "para dentro". "Submergir-me". Também podia dizer: meditar. Mas esse verbo ainda me assusta um bocado (...) Uma "hora silenciosa" não é fácil de conseguir. Tem que se aprender a consegui-la (...) O objetivo da meditação é, cá dentro, uma pessoa transformar-se numa planície grande e vasta, sem o matagal manhoso que não nos deixa ver. Deixar entrar um pouco de "Deus" em nós, como existe um pouco de "Deus" na Nona de Beethoven». (...) Ler mais em http://www.snpcultura.org/rezar_e_escutar.html


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CINEMA: "Habemus Papam": Nanni Moretti

A Rádio Vaticano considera que o filme “Habemus Papam” (Temos Papa), do realizador italiano Nanni Moretti, é uma obra que não se destina a ser «pró ou contra a Igreja, pró ou contra os fiéis, pró ou contra a hierarquia católica».
Estreado em Itália, “Habemus Papam” (expressão usada no anúncio da eleição de um novo papa) fala das hesitações e dúvidas de um cardeal eleito papa que recusa aparecer aos fiéis, no Vaticano, numa «dolorosa crise», segundo a emissora pontifícia.
«É tudo muito humano, assim como é profundamente humano o desânimo geral que toma de assalto o Sacro Colégio [dos cardeais], após o esperado “Habemus Papam” o eleito tem medo, refugiando-se na Capela Sixtina, reza, chora e, nervoso, não fala», indica a crítica ao filme.
Ler mais em:

terça-feira, 6 de novembro de 2012

LEITURA: "Etty Hillesum uma vida transformada"

Etty tem muito a dizer sobre questões do nosso tempo. Esta jovem intelectual, emocionalmente confusa e sexualmente aventureira, de uma família disfuncional, que não estava interessada em religião institucional, é uma pessoa curiosamente moderna.
Ao refletirmos sobre ela, mais de sessenta anos após a sua morte e ao ouvirmos hoje a sua voz, temos de deixá-la interromper bruscamente as nossas vidas, e precisamos de escutar atentamente o seu convite a procurarmos um caminho mais verdadeiro e mais profundo.
Há quatro áreas em que ela fala de modo particular.
Ler mais em:
 

domingo, 4 de novembro de 2012

PALAVRA de DOMINGO: há que contextualizá-la para bem a entender e melhor vivê-la!!!

Amigos da Palavra

Partilho convosco uma frase de um padre amigo:
"Numa paróquia o padre não tem de ter a síntese de todos os carismas,
mas deve ter o carisma da síntese."
E quem diz paróquia diz família, diz escola, diz grupo...
e quem diz pároco diz pai e mãe e professor e educador e responsável.

Um abraço amigo e boas sínteses
pvitor
 
A síntese
Não devia ser fácil memorizar os preceitos e mandamentos que os especialistas da Lei de Israel tinham encontrado na Bíblia. Dizem os exegetas que tinham chegado ao admirável número de 613: destes, 365 (como os dias do ano) eram proibições e ordens sobre o que não se podia nem devia fazer e 248 (como as partes do corpo, na concepção daquele tempo) eram as obrigações e mandamentos a cumprir. Parece que as mulheres só estavam obrigadas a cumprir as primeiras! Uma síntese ou um resumo que definisse o essencial era um desejo natural de muitos. E aí os rabis dividiam-se em intransigentes e tolerantes, chegando uns a correr à paulada quem pedia um resumo, e outros a apontar o preceito do sábado, o amor a Deus, ou o “faz aos outros o que gostarias que te fizessem” como ideias centrais da Lei.
Quando o amor se mistura com contabilidade está tudo estragado! E imaginar Deus como um super-contabilista, que vai registando em colunas de “deve” e “haver” (ou talvez em “folhas exel”!) os cumprimentos humanos dos preceitos, é reduzi-l’O a um “mangas de alpaca” pouco atraente. A gratuidade e encanto em fazer o melhor a quem se ama não rima com contagem de pontos. Pode haver momentos de menos ardor, de algum egoísmo e até insconstância, pois o perdâo também faz parte do amor, mas contabilidade, não! Claro que se seguimos apenas os sentimentos e chamamos amor à enxurrada ou ao incêndio que a paixão traz consigo, podemos apanhar desilusões. O amor que a Bíblia nos propõe (porque Deus nos criou para ele) também inclui a paixão mas tem mais a ver com o sair cada um de si mesmo, não endeusar as suas necessidades, alegrar-se com o crescer do outro, reconstruir e voltar a semear, um pouco como aquele poema do Sebastião da Gama que dizia: “Aquele sim de nós dois, Senhor / foi tão sincero / que agora, quando eu digo: “Quero” / já não sou eu que digo. Somos nós”.
Ao unir o amor a Deus e o amor ao próximo Jesus ajuda-nos a sair do perigo de uma certa esquizofrenia religiosa. Aquela que faz do culto e da oração algo distante do carinho e da proximidade com os outros. Como se houvesse uma “guerra” interior entre a espiritualidade e a acção, ambas disputando o nosso tempo. Se não estou com Deus também quando estou com os outros, como entender a unidade deste amor? E os momentos de oração pessoal e comunitária não são expressão de amar a vida, a criação e as pessoas? E se não partem da vida e nos enchem de mais amor para lhe levar, que interesse poderão ter? A verdadeira síntese é ser inteiro em todas as circunstâncias. E isso só se consegue amando! E Jesus vai-nos mostrando como…se deixarmos! 
 
EVANGELHO - Me 12,28-34

Naquele tempo,
aproximou-se de Jesus um escriba e perguntou-Lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» Jesus respondeu:
«O primeiro é este:
'Escuta, Israel:
O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus
com todo o teu coração, com toda a tua alma,
com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças'. O segundo é este:
'Amarás o teu próximo como a ti mesmo'.
Não há nenhum mandamento maior que estes». Disse-Lhe o escriba:
«Muito bem, Mestre! Tens razão quando dizes:
Deus é único e não há outro além d'Ele. Amá-l'O com todo o coração,
com toda a inteligência e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo,
vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios». Ao ver que o escriba dera uma resposta inteligente, Jesus disse-lhe:
«Não estás longe do reino de Deus».
E ninguém mais se atrevia a interrogá-I'O.
AMBIENTE
O Evangelho deste domingo situa-nos já em Jerusalém, no centro da cidade onde vão dar-se os últimos passos desse caminho que Jesus vem percorrendo, com os discípulos, desde a Galileia.
O ambiente é tenso. Algum tempo antes, Jesus expulsara os vendilhões do Templo (cf. Mc 11,15-18), acusando os líderes judaicos de terem feito da "casa de Deus um covil de ladrões"; logo de seguida, contara a parábola dos vinhateiros homicidas (cf. Mc 12,1-12), acusando os dirigentes de se oporem, de forma continuada, à realização do plano salvador de DeuseDs líderes judaicos, convencidos de que Jesus era irrecuperável, tinham tomado decisões drásticas: Ele devia ser preso, julgado, condenado e eliminado. Fariseus, Herodianos (cf. Mc 12,13) e até saduceus (cf. Mc 12,18), procuram estender armadilhas a Jesus, a fim de O surpreender em afirmações pouco ortodoxas, que pudessem ser usadas em tribunal para conseguir uma condenação. As controvérsias sobre o tributo a César (cf. Mc 12,13-17) e sobre a ressurreição dos mortos (cf. Mc 12,18-27) devem ser situadas e compreendidas neste contexto.
Neste ambiente, aparece um escriba a perguntar a Jesus qual era o maior mandamento da Lei. Ao contrário de Mateus (cf. Mt 22,34-40), Marcos não considera, contudo, que a questão seja posta a Jesus para o embaraçar ou pôr à prova. O escriba que coloca a questão parece ser um homem sincero e bem intencionado, genuinamente preocupado em estabelecer a hierarquia correcta dos mandamentos da Lei.
De facto, a questão do maior mandamento da Lei não era uma questão pacífica e tornou-se, no tempo de Jesus, objecto de debates intermináveis entre os fariseus e os doutores da Lei. A preocupação em actualizar a Lei, de forma a que ela respondesse a todas as questões que a vida do dia a dia punha, tinha levado os doutores da Lei a deduzir um conjunto de 613 preceitos, dos quais 365 eram proibições e 248 acções a pôr em prática. Esta "multiplicação" dos preceitos legais lançava, evidentemente, a questão das prioridades: todos os preceitos têm a mesma importância, ou há algum que é mais importante do que os outros?
É esta a questão que é posta a Jesus.
MENSAGEM
Citando o primeiro versículo do "Shema' Israel", a grande profissão de fé que todo o judeu recitava no início e no fim do dia (cf. Dt 6,4-5), Jesus declara solenemente que o primeiro mandamento é o amor a Deus - um amor que deve ser total, sem divisões, feito de adesão plena aos projectos, à vontade, aos mandamentos de Deus (vers. 30: "com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças"). Como se achasse que a resposta não era suficiente, Jesus completa-a, imediatamente, com a apresentação de um segundo mandamento: "amarás o teu próximo como a ti mesmo" (trata-se de uma citação de Lv 19,18). Ou seja: o maior mandamento é o mandamento do amor; e esse mandamento fundamental concretiza-se em duas dimensões que se completam mutuamente - a do amor a Deus e a do amor ao próximo.
A originalidade deste sumário evangélico da Lei não está nas ideia de amor a Deus e ao próximo, que são bem conhecidas do Antigo Testamentouv originalidade deste ensinamento está, por um lado, no facto de Jesus os aproximar um do outro, pondo-os em perfeito paralelo e, por outro, no facto de Jesus simplificar e concentrar toda a revelação de Deus nestes dois mandamentos.
A resposta de Jesus ao escriba não vai no sentido de estabelecer uma hierarquia rígida de mandamentos; mas superando o horizonte estreito da pergunta, situa-se ao nível das opções profundas que o homem deve fazer[]) importante, na perspectiva de Jesus, não é definir qual o mandamento mais importante, mas encontrar a raiz de todos os mandamentos. E, na perspectiva de Jesus, essa raiz gira à volta de duas coordenadas: o amor a Deus e o amor ao próximo.
Portanto, o compromisso religioso (que é proposto aos crentes, quer do Antigo, quer do Novo Testamento) resume-se no amor a Deus e no amor ao próximo. Na perspectiva de Jesus, que é que isto quer dizer?
De acordo com os relatos evangélicos, Jesus nunca se preocupou excessivamente com o cumprimento dos rituais litúrgicos que a religião judaica propunha, nem viveu obcecado com o oferecimento de dons materiais a Deus. A grande preocupação de Jesus foi, em contrapartida, discernir a vontade do Pai e cumpri-Ia com fidelidade e amor. "Amar a Deus" é pois, na perspectiva de Jesus, estar atento aos projectos do Pai e procurar concretizar, na vida do dia a dia, os seus planos. Ora, na vida de Jesus, o cumprimento da vontade do Pai passa por fazer da vida uma entrega de amor aos irmãos, se necessário até ao dom total de si mesmo. Assim, na perspectiva de Jesus, "amor a Deus" e "amor aos irmãos" estão intimamente associados. Não são dois mandamentos diversos, mas duas faces da mesma moeda. "Amar a Deus" é cumprir o seu projecto de amor, que se concretiza na solidariedade, na partilha, no serviço, no dom da vida aos irmãos. Como é que deve ser esse "amor aos irmãos"? Este texto só explica que é preciso "amar o próximo como a si mesmo". As palavras "como a si mesmo" não significam qualquer espécie de condicionalismo, mas que é preciso amar totalmente, de todo o coração. Noutros textos neo-testamentários, porém, Jesus explica aos seus discípulos que é preciso amar os inimigos e orar pelos perseguidores (cf. Mt 5,43-48). Trata-se, portanto, de um amor sem limites, sem medida e que não distingue entre bons e maus, amigos e inimigos. Aliás, Lucas, ao contar este mesmo episódio que o Evangelho de hoje nos apresenta, acrescenta-lhe a história do "bom samaritano", explicando que esse "amor aos irmãos" pedido por Jesus é incondicional e deve atingir todo o irmão que encontrarmos nos caminhos da vida, mesmo que ele seja um estrangeiro ou inimigo (cf. Lc 10,25-37).
O escriba concorda plenamente com a resposta de Jesus. Para exprimir a sua aprovação, ele cita alguns passos da Bíblia Hebraica (cf. Dt 4,35 e Is 45,21; Dt 6,5; Lv 19,18; Os 6,6), que repetem, com palavras diversas, o que Jesus acabou de dizer. Diante do comentário inteligente do escriba, Jesus declara-lhe que não está "longe do Reino de Deus" (vers. 34). Este escriba é, sem dúvida, um homem justo, que observa a Lei, que estuda a Escritura e que procura lê-Ia e pô-Ia em prática; no entanto, para poder integrar a comunidade do Reino, falta-lhe acolher Jesus como o Messias libertador enviado por Deus com uma proposta de salvação e decidir-se a tornar-se seu discípulo (após a conversa com Jesus, este escriba continua no seu lugar; não há qualquer indicação de que ele se tivesse disposto a seguir Jesus).
ACTUALIZAÇÃO
• Mais de dois mil anos de cristianismo criaram uma pesada herança de mandamentos, de leis, de preceitos, de proibições, de exigências, de opiniões, de pecados e de virtudes, que arrastamos pesadamente pela história. Algures durante o caminho, deixámos que o inevitável pó dos séculos cobrisse o essencial e o acessório; depois, misturámos tudo, arrumámos tudo sem grande rigor de organização e de catalogação e perdemos a noção do que é verdadeiramente importante. Hoje, gastamos tempo e energias a discutir certas questões que têm a sua importância (como o casamento dos padres, o sacerdócio das mulheres, o uso dos meios anticonceptivos, o que é ou não litúrgico, os problemas do poder e da autoridade, os pormenores legais da organização ecleslalüe continuamos a ter dificuldade em discernir o essencial na proposta de Jesus. O Evangelho deste domingo põe as coisas de forma totalmente clara: o essencial é o amor a Deus e o amor aos irmãos. Nisto se resume toda a revelação de Deus e a sua proposta de vida plena e definitiva para os homens. Precisamos de rever tudo, de forma a que o lixo acumulado não nos impeça de compreender, de viver, de anunciar e de testemunhar o cerne da proposta de Jesus.
O que é "amar a Deus"? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor a Deus passa, antes de mais, pela escuta da sua Palavra, pelo acolhimento das suas propostas e pela obediência total dos seus projectos para mim próprio, para a Igreja, para a minha comunidade e para o mundo. Esforço-me, verdadeiramente, por tentar escutar as propostas de Deus, mantendo um diálogo pessoal com Ele, procurando reflectir e interiorizar a sua Palavra, tentando interpretar os sinais com que Ele me interpela na vida de cada dia? Tenho o coração aberto às suas propostas, ou fecho-me no meu egoísmo, nos meus preconceitos e na minha auto-suficiência, procurando construir uma vida à margem de Deus ou contra Deus? Procuro ser, em nome de Deus e dos seus planos, uma testemunha profética que interpela o mundo, ou instalo-me no meu cantinho cómodo e renuncio ao compromisso com Deus e com o Reino?
O que é "amar os irmãos"? De acordo com o exemplo e o testemunho de Jesus, o amor aos irmãos passa por prestar atenção a cada homem ou mulher com quem me cruzo pelos caminhos da vida (seja ele branco ou negro, rico ou pobre, nacional ou estrangeiro, amigo ou inimigo), por sentir-me solidário com as alegrias e sofrimentos de cada pessoa, por partilhar as desilusões e esperanças do meu próximo, por fazer da minha vida um dom total a todos. O mundo em que vivemos precisa de redescobrir o amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida. Na realidade, a minha vida é posta ao serviço dos meus irmãos, sem distinção de raça, de cor, de estatuto social? Os pobres, os necessitados, os marginalizados, os que alguma vez me magoaram e ofenderam, encontram em mim um irmão que os ama, sem condições?
• É fundamental que tenhamos consciência de que estas duas dimensões do amor - o amor a Deus e o amor aos irmãos - não se excluem nem estão em confronto uma com a outra. Amar a Deus é cumprir a sua vontade e os seus projectos; ora, a vontade de Deus é que façamos da nossa vida um dom de amor, de serviço, de entrega aos irmãos - a todos os irmãos com quem nos cruzamos nos caminhos da vida. Não se trata entre optar por rezar ou por trabalhar em favor dos outros, entre estar na igreja ou estar a ajudar os pobres; trata-se é de manter, dia a dia, um diálogo contínuo com Deus, a fim de percebermos os desafios que Deus tem para nós e de lhes respondermos convenientemente, no dom de nós próprios aos irmãos. • Como é que vivemos a nossa caminhada religiosa? Qual é, para nós, o elemento fundamental da nossa experiência de fé? Por vezes não estaremos a dar demasiada importância a elementos que não têm grande significado (as prescrições do culto e do calendário, os ritos exteriores, as regras do liturgicamente correcto, as doações de dinheiro para as festas do santo padroeiro, as leis canónicas, as questões disciplinaresü esquecendo o essencial, negligenciando o mandamento maior?
  

sábado, 3 de novembro de 2012

(in)PRENSA semanal: a minha selecção

Para quem, que por qualquer razão, não leu, não deve deixar de ler. Assim, não só fica a saber, mas também pode, com mais&melhor fundamento, opinar e, "a curto, médio ou longo prazo", optar e decidir, não deixando que outros o façam por si - se bem me faço entender eis a razão desta e de outras "(in)PRENSA: a minha selecção" que aí virão.

Ideias para uma refundação (I) - Mudar de Governo
http://expresso.sapo.pt/ideias-para-uma-refundacao-i-mudar-de-governo=f762913#ixzz2AcEkTbBQ
Ideias para uma refundação (II) - A rede social
http://expresso.sapo.pt/ideias-para-uma-refundacao-ii-a-rede-social=f763051
A fortuna escondida do primeiro-ministro chinês
http://expresso.sapo.pt/a-fortuna-escondida-do-primeiro-ministro-chines=f762476?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2012-10-28
Quando é que Joe Berardo nos devolve o dinheiro?
http://expresso.sapo.pt/quando-e-que-joe-berardo-nos-devolve-o-dinheiro=f763034#ixzz2AowDIPsw
Relvas fez três cadeiras que não existiam
http://expresso.sapo.pt/relvas-fez-tres-cadeiras-que-nao-existiam=f762625?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2012-10-27
O empobrecimento mata a alma do país
http://expresso.sapo.pt/o-empobrecimento-mata-a-alma-do-pais=f763568
Cada um dos deputados é responsável pelo que nos acontecer
 http://expresso.sapo.pt/cada-um-dos-deputados-e-responsavel-pelo-que-nos-acontecer=f763329
Veja como foram afundados os navios de guerra em Portimão
http://expresso.sapo.pt/veja-como-foram-afundados-os-navios-de-guerra-em-portimao=f763852
Guerra na Europa é "inevitável", diz Vasco Lourenço
http://expresso.sapo.pt/guerra-na-europa-e-inevitavel-diz-vasco-lourenco=f763833
Portugueses entre a revolução e o reformismo?
http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=2071235048105831865#editor/target=post;postID=2749716189532293133
Austeridade sincronizada na Europa é 'espiral mortal'
http://expresso.sapo.pt/austeridade-sincronizada-na-europa-e-espiral-mortal=f763863?utm_source=newsletter&utm_medium=mail&utm_campaign=newsletter&utm_content=2012-11-02
Bruto da Costa: Discutir reforma do Estado com FMI «é um mau sinal»
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=2862569
O Governo Passos Coelho não é mau: é ridículo! http://expresso.sapo.pt/o-governo-passos-coelho-nao-e-mau-e-ridiculo=f764026


 

 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Morte na Vida

por Pe. Alexandre Palma
Voz da Verdade, 2012-07-01

Da morte, hoje, pouco ou nada falamos. Não lhe damos direito de cidadania. Excluímo-la das nossas vidas. Sobretudo do espaço público. Parecemos querer viver como se ela não existisse, como se ela não estivesse aí. Será isso sensato? Será isso sequer possível? Para a driblarmos lançamos inconscientemente mão de uma série notável de artifícios. Aceleramos os ritos fúnebres e os tempos do luto. Afastamos o lugar da morte dos espaços do nosso comum viver. Escondemos dos mais novos qualquer presença da morte na vida – será esse um modo realista de os preparar para algo com que eles serão, mais tarde ou mais cedo, confrontados? Construímos uma novilíngua, pejada de eufemismos, que nos permita evoca-la sem a nomear, referi-la adornando a sua dramaticidade. Com fina inteligência, Pascal terá percebido o que está na raiz desta tendência tão humana de querer iludir a morte:«Não tendo os homens conseguido acabar com a morte […] tiveram a ideia de, para se tornarem felizes, não pensar nela». Eu próprio não o saberia dizer melhor que José Luís Peixoto: «esperavam [mas] não a morte, que nós seres incautos, fechamos-lhe sempre os olhos na esperança pálida de que, se a não virmos, ela não nos verá».
Pálida esperança é de facto. Porque a morte vê-nos, por mais que nós lhe fechemos os olhos. Como dizia S. Agostinho: «Tudo é incerto; só a morte é certa (Incerta omnia; sola mors certa)». A morte não é, pois, um opcional da vida. Ela pertence-lhe e saber viver tem sempre algo que ver com o saber morrer. E é exatamente isto que torna a nossa fuga da morte uma certa fuga da própria vida. Enfrentar a questão da morte tem sempre qualquer coisa de busca de sentido para a vida. Antecipar em vida o problema da morte não tem de ser uma cedência ao lado sombrio da existência. Pode mesmo ser o salto para uma liberdade que não empalidece perante essa última fronteira e que nos abre as portas de uma serena sabedoria de vida. O saber da morte é via para um saber viver. Esta é, aliás, uma intuição com longa e sólida tradição na nossa cultura.
Ao desterrarmos a morte do nosso mundo estamos a hipotecar muito do que por ela podemos conhecer acerca da vida e, sobretudo, acerca de como viver. Importará, pois, revisitar o que de morte há na vida. Sem iludir toda a perturbação que a questão da morte traz a todo o viver. Por custoso que seja – e é – é apenas trabalho que antecipamos!
De entre os gestos sociais de reconhecimento público da morte sobrevive ainda o da visita aos cemitérios. Há nele qualquer coisa de antropológico, isto é, de algo profundamente enraizado na nossa natureza humana. Seria um empobrecimento se tal se viesse a diluir (ainda mais). Receio, contudo, que seja exactamente isso que se venha a verificar com a extinção, a prazo, do feriado de Todos-os-Santos (dia privilegiado de tal visita, mesmo se em dissintonia com o seu sentido litúrgico). Teremos de criativamente (re)inventar as formas e os tempos de tal tradição se não quisermos acelerar ainda mais o processo que leva a excluir a morte da vida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PORTUGAL & PORTUGUESES


Este powerpoint recebido e aqui "postado", merece-me o seguinte comentário:

Pois é... tudo muito bonito, lindo e verdade. Mas também é verdade e a verdade é para ser dita & redita por muito que custe ouvi-la e lê-la, que:
1. Todos estes senhores, desde Guterres até Passos Coelho, passando por Barroso, Santana e Sócrates, foram e estiveram lá, lá no poder, na governança de encher a "pança", não por um qualquer golpe de estado. Foram eleitos! Mais, em eleições livres e democráticas!!! Por quem? «Branco é galinha o põe»...o povo, ou melhor, o eleitor português dos futebóis, das telenovelas, das revistas cor-de-rosa, das casas dos segredos, do "tá-se bem" e do por aí fora... Sim esse mesmo povo que fala&fala, grita&grita, berra&berra, mas no momento próprio, uma vez mais, se prepara para eleger o PS(eguro) em próximas eleições - vejam-se as sondagens http://margensdeerro.blogspot.pt/2012/10/pitagorica-8-12-oct-n503-tel.html
- tal&qual como diz o ditado «quanto mais me bates mais gosto de ti».
2. E não me venham dizer que não há alternativa. Ela existe sim senhor, ai isso é que existe. Chama-se não "Partido Abstenção" pois, como se tem visto, «quem cala consente», mas sim "Partido VOTO EM BRANCO". Tenha ele, por exemplo, 40, 50, 60...% e nada será como dantes.
3. «À primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer» e já lá vão 38 anos de democracia, 14 eleições legislativas e 8 eleições presidenciais nesta III República Portuguesa. Tempo mais do que suficiente para aprender - acho eu.
4. Cada povo tem o Pepe Mujica que merece. O povo uruguaio merece-o!

Se dúvidas houver, eis, não uma qualquer explicação mas uma séria E-X-P-L-I-C-A-Ç-Ã-O de que me socorro. Conhecem, com certeza, Luís Campos e Cunha e Carlos Fiolhais; então (os realces são da minha responsabilidade):
Abstenção: não
Público 2011-05-27 Luís Campos e Cunha
A abstenção não faz qualquer pressão para os partidos se abrirem e reformarem, nem incentiva novas alternativas de voto





Não votar, abstendo-se, ou votar branco (ou nulo) são atitudes radicalmente diferentes. São idênticas do ponto de vista legal, mas politicamente muito diferentes. E estas eleições são as eleições mais importantes desde as eleições para a Assembleia Constituinte em 1975. Portanto, cuidado.
Em eleições, a abstenção tem pouco significado político. Tem aumentado como sabemos, donde se conclui uma vaga insatisfação com o sistema político-partidário que nos rege. Como tem um significado ambíguo, os partidos pouco se incomodam com o aumento da abstenção e apenas choram cínicas lágrimas de crocodilo. É tudo e é pouco.
De facto, mais uma pessoa a abster-se pode ser muita coisa: o sujeito morreu, mudou de residência, o eleitor está com uma amigdalite, está descrente na política, foi à praia, ou ainda os cadernos eleitorais estão desactualizados. Pode ainda ser um sujeito que não acredita na democracia ou, simplesmente, nesta democracia. Nunca saberemos. Politicamente a abstenção não tem, de facto, muito significado, por muito elevada que seja. Além disso, para qualquer partido perder um voto para a abstenção é meia vitória: menos um que não vai votar no partido concorrente e menos um sujeito com quem se preocuparem. Ou seja, a abstenção não faz qualquer pressão para os partidos se abrirem e reformarem, nem incentiva a que apareçam novas alternativas de voto, ou seja, novos partidos. Por isso, abster-se é pouco inteligente.
A democracia e a liberdade assentam nos partidos. A democracia não se esgota nos partidos, mas estes são os pilares do sistema. E todos temos a sensação que algo vai muito mal nos partidos existentes (uns mais do que outros, naturalmente). Falta credibilidade à classe política e partidária e falta interesse por parte dos mais jovens em participarem politicamente nos partidos existentes. Portanto, a renovação da classe política não se faz, e quando se faz é muitas vezes para pior. O fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas é particularmente agudo no nosso caso.
As instituições, como as universidades, os hospitais públicos ou os partidos políticos (e contrariamente às empresas em concorrência) não se auto-reformam. No caso dos partidos, é necessário que haja pressão da opinião pública de forma clara e, eventualmente, organizada para os partidos mudarem e para aparecerem mais alternativas. Como?Como vimos a abstenção não coloca essa pressão nos partidos. Em certo sentido até reduz; é menos um cidadão a chatear. Mas o voto nulo/branco é bem diferente. Quem vota nulo não morreu, não foi à praia, não mudou de residência, não se borrifou , gosta da democracia e exerceu o seu direito e o seu dever de cidadania. Pelo contrário, não tendo morrido, não foi à praia para ir votar branco. Votando branco/nulo foi dizer, de forma muito clara, que gostaria de ter votado num partido, mas que nenhum satisfaz as suas exigências mínimas para lhe dar a confiança de governar. Por isso, votar branco/nulo é, politicamente, tanto ou mais significativo que votar num partido. É votar contra todos os que se apresentam a votos. É portanto muito diferente da abstenção, como fica claro.Como cidadãos o nosso dever é, antes de mais, votar. Segundo, devemos procurar conscientemente votar num partido. Se, em terceiro lugar, nenhum partido satisfaz, devemos votar branco/nulo.Os brancos e nulos têm vindo a aumentar, mas continuam a ser um pequeno resto a que não se dá importância. Mas imagine-se que os votos brancos e nulos passam a 10% dos votos expressos! Isto, legalmente, não teria impacto, mas politicamente seria uma pedrada no charco pantanoso em que o país se vem atolando. Nenhum partido ignoraria que 10% dos votantes estão desejosos de conseguir votar nalgum partido digno de os representar. Podem ser os partidos actuais, para o que se teriam de renovar, ou um hipotético novo partido, o que obrigaria os actuais a renovar-se. O resultado de 10% de votos brancos seria o mesmo: um valente susto na classe partidária instalada, num poder a que só os actuais têm acesso. Para que não fique a ideia de que defendo o voto branco ou nulo em substituição de uma escolha partidária, faço notar que esta eleição é um verdadeiro referendo a Sócrates, que nos levou à bancarrota e à mendicidade internacional (Lembrando: trata-se do primeiro ministro das Finanças que J. Sócrates teve e que, pouco tempo depois, se demitiu. Logo, sabe do que fala&escreve e se o faz desta forma ...) . Como Carlos Fiolhais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Fiolhais
defendeu, a democracia também serve para afastar os que não servem: e Sócrates não serviu nem vai servir. "Se a escolha em Portugal fosse, por hipótese, entre o actual primeiro-ministro e o Rato Mickey, eu não hesitaria em votar no boneco da Disney." Defendo o voto branco ou nulo como alternativa ética e política à abstenção.Assim, ou votamos branco-nulo, ou votamos num dos partidos actuais: essa é a escolha. Abster-se é um erro grave e sinal de fraca inteligência. É a última esperança de um cidadão consciente. Mais tarde reivindicaremos que o voto branco tenha representação parlamentar com uma cadeira vazia. E nessa altura veremos a abstenção a baixar e muito. Também porque a partir daí os partidos actuais seriam diferentes e para melhor. Professor universitário